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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ASCITE | Causas e tratamento

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A ascite, chamada popularmente de barriga d’água, é o nome que se dá ao acumulo de líquidos dentro da cavidade abdominal. A ascite não é uma doença, mas sim um sinal de doença, habitualmente do fígado, mas também pode ter origem em problemas dos rins, coração ou tumores malignos.

O líquido ascítico fica no interior da barriga, dentro da cavidade peritonial, ao redor dos órgãos intra-abdominais. Quando o volume de líquido é muito grande, os intestinos ficam literalmente boiando dentro do abdômen e o paciente apresenta perceptível aumento do volume abdominal. Em algumas doenças, a ascite pode ser tão volumosa, que o paciente apresenta uma distensão do abdominal semelhante às grávidas em fase final de gestação.

Neste artigo vamos explicar o que é a ascite, por que ela surge, quais são os seus sintomas e quais as formas de tratamento disponíveis.

O que é ascite

Chamamos de edema os inchaços provocados pelo acúmulo de líquido na pele. Se as suas pernas incham, é porque há retenção de líquido no tecido subcutâneo. Quando esse acúmulo de líquido ocorre não na pele, mas sim dentro da cavidade abdominal, o nome que damos é ascite.  Porém, apesar de terem nomes diferentes, o mecanismo de formação da ascite é basicamente o mesmo dos edemas da pele (leia: INCHAÇOS E EDEMAS).

De forma resumida podemos dizer que a ascite forma-se pelo extravasamento de líquido dos vasos sanguíneos que irrigam o peritônio para dentro da cavidade peritonial. Na maioria dos casos, essa incapacidade dos vasos sanguíneos de reter os líquidos dentro de si mesmos ocorre por uma das 3 situações abaixo:

  •  Aumento na pressão hidrostática dentro dos vasos, como a que ocorre quando há uma obstrução ao fluxo sanguíneo normal, como nos casos de varizes ou por um trombo, por exemplo.
  • Quando o paciente apresenta alguma doença que leve à retenção de sal e água pelos rins, fazendo com que o volume de água na circulação sanguínea se eleve consideravelmente.
  • Quando o paciente apresenta um redução na concentração de proteínas do sangue, já que as proteínas, como a albumina, exercem efeito osmótico (chamada pressão oncótica), que ajuda a segurar água dentro dos vasos.

Em situações normais, a quantidade de líquido dentro da cavidade abdominal é nula. Algumas mulheres, contudo, podem ter pequenos volumes de líquido livre, ao redor de 10 a 20 ml, em algumas fases do ciclo menstrual, sem que isso signifique qualquer problema. Nada que se compare aos vários litros de ascite que os pacientes com cirrose, por exemplo, podem desenvolver.

Causas de ascite

A principal causa de ascite é a cirrose hepática. A cirrose causa as três alterações descritas acima (obstrução do fluxo sanguíneo, retenção a de água e sal, e perda de proteínas do sangue) e pode cursar com ascites volumosas, frequentemente com mais de 10 litros de líquido ascítico na cavidade abdominal.

A cirrose hepática, normalmente secundária à hepatite viral ou por abuso de bebidas alcoólicas, é responsável por até 85% dos casos de ascite. Os outros 15% são divididos entre as seguintes doenças:

Sintomas da ascite

A ascite volumosa, principalmente em pessoas magras, é facilmente reconhecida, e até leigos conseguem notar a sua presença. Como já referido, o paciente com ascite passa a apresentar um nítido aumento do volume abdominal.

Nos doentes obesos ou nos casos em que o acumulo de líquido não seja muito grande, podem haver dúvidas no diagnóstico. Nestes casos, um exame de ultra-sonografia ajuda a esclarecer se há ou não líquido livre dentro da cavidade abdominal.

O que habitualmente ajuda na identificação da ascite é o fato desta vir com frequência acompanhada de outros sintomas de doença hepática, tais como a icterícia, aumento do volume do fígado, presença de circulação colateral na barriga, etc.

A ascite, quando muito volumosa, causa intenso desconforto ao paciente. Muitas vezes, a quantidade de líquido é tão grande que distende a parede do abdômen, provocando hérnias umbilicais, dor abdominal e dificuldade respiratória por restrição à movimentação do diafragma.

Uma das complicações da ascite é a infecção da mesma. O líquido ascítico é um ótimo meio de cultura, e, frequentemente, as bactérias dos intestinos conseguem deslocar-se para a cavidade peritonial, infectar a ascite e provocar um quadro chamado peritonite.

Tratamento da ascite

O melhor meio de retirar o excesso de líquido do abdômen é através de um procedimento chamado paracentese, que consiste na introdução de uma agulha ligada a uma bolsa coletora para drenagem do líquido ascítico. A paracentese é um procedimento simples, realizado com anestesia local e praticamente indolor.

Além da possibilidade da drenagem de vários litros de ascite para alívio sintomático do paciente, a paracentese também serve como procedimento diagnóstico, uma vez que podemos aproveitar amostras da ascite para avaliação bioquímica e para pesquisa de infecções e de células cancerígenas.

Assim como nos edemas dos membros inferiores, o uso de diuréticos, como lasix e espironolactona, também ajuda a impedir o acúmulo de água dentro da cavidade peritonial. Porém, em casos de cirrose avançada, essas drogas são pouco efetivas, e a única opção é mesmo a realização de paracenteses de forma regular, sempre que o abdomên estiver muito distendido.

O líquido ascítico normal é amarelo claro transparente, semelhante à urina. Em casos de infecção da ascite, o líquido torna-se turvo e, por vezes, purulento. Nas ascites secundárias a neoplasias do peritônio, a ascite pode ser sanguinolenta.

Nos casos de infecção do líquido ascítico, o paciente deve permanecer internado para tratamento com antibióticos. A não erradicação da infecção pode levar à sepse (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?) e consequentemente ao óbito.

A paracentese ajuda na drenagem da ascite e na investigação diagnóstica, porém, não age na causa central da formação da ascite. Se nada for feito para controlar o acumulo de líquido intra-abdominal, a paracentese torna-se apenas um procedimento paliativo, já que o líquido estará todo de volta em questão de dias ou semanas.

O tratamento definitivo da ascite consiste no tratamento da doença de base. A restrição do consumo de sal e o uso de diuréticos (leia: PARA QUE SERVEM OS DIURÉTICOS?) são duas medidas essenciais para tentar impedir a formação de ascite enquanto não se consegue controlar a doença primária.

O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?

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A dosagem da AST e ALT, também conhecidas pelas siglas TGO e TGP, são ferramentas essenciais para o diagnóstico das doenças do fígado. Estas enzimas fazem parte do hepatograma, um conjunto de análises voltadas para identificar alterações na função do fígado e das vias biliares.

Neste artigo vamos explicar o que significa cada elemento do hepatograma, incluindo TGO, TGP, fosfatase alcalina, gama- GT e bilirrubinas.

O que é o hepatograma?

Chamamos de hepatograma o conjunto de elementos dosados no sangue que fornecem indicações sobre o funcionamento do fígado e das vias biliares. Por isso, o hepatograma pode também ser chamado de provas de função hepática.

O hepatograma consiste no doseamento das seguintes substâncias:

  • AST (aspartato aminotransferase) e ALT (alanina aminotransferase), antigamente chamada de TGO (transaminase glutâmica oxalacética) e TGP (transaminase glutâmica pirúvica), respectivamente.
  • Fosfatase alcalina
  • GGT ou Gama GT (Gama glutamil transpeptidase)
  • Bilirrubinas (direta, indireta e total)
  • TAP (tempo de protrombina ativada) ou TP (tempo de protrombina) e INR
  • Albumina
  • 5′ nucleotidase (5’NTD)
  • LDH (lactato desidrogenase)

Em geral, nos pacientes assintomáticos e sem doença do fígado conhecida, apenas os quatro primeiros elementos costumam ser solicitados. São exames de rastreio para se identificar alguma doença oculta do fígado e/ou das vias biliares. Já naqueles sabidamente com problemas hepáticos, a dosagem de todos os itens se faz necessária para uma melhor avaliação da função do fígado.

Vamos, então falar, detalhadamente de cada item.

obs: TGO e AST, assim como TGP e ALT, são siglas diferentes para a mesma enzima. Para não criar confusão, usarei a partir de agora apenas as siglas TGO e TGP, que ainda são as mais usadas.

Transaminases (ALT e AST) ou (TGP e TGO)

As transaminases ou aminotransferases são enzimas presentes dentro das células do nosso organismo, sendo responsáveis pela metabolização de algumas proteínas. As duas principais aminotransferases são a TGO (transaminase glutâmica oxalacética) e TGP (transaminase glutâmica pirúvica).

Estas enzimas estão presentes em várias células do nosso corpo e apresentam-se em grande quantidade no hepatócitos (células do fígado). O fígado é uma espécie de estação de tratamento, sendo o órgão responsável pela metabolização de todas as substâncias presentes no sangue.

Toda vez que uma célula que contenha TGO ou TGP sofre uma lesão, essas enzimas “vazam” para o sangue, aumentando a sua concentração sanguínea. Portanto, é fácil entender por que doenças do fígado, que causam lesão dos hepatócitos, cursam com níveis sanguíneos elevados de TGO e TGP.

A TGO está presente também nas células dos músculos e do coração, enquanto que a TGP é encontrada quase que somente dentro das células do fígado. A TGP, é portanto, muito mais específica para doenças do fígado que a TGO.

Há algumas décadas, quando ainda não existiam os atuais marcadores de infarto do miocárdio, usávamos a TGO como um marcador de lesão do coração nos doentes com suspeita de isquemia cardíaca (leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO E ANGINA). Por uma razão óbvia, nestes casos, apenas a TGO se elevava, permanecendo a TGP em níveis normais, já que está última só existe no fígado.

Como as duas enzimas estão presentes em quantidades semelhantes nas células do fígado, as doenças deste órgão cursam com elevação tanto da TGO quanto da TGP.

As principais doenças que causam elevação das transaminases são:

– Hepatites virais (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES).
– Cirrose (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSE HEPÁTICA).
– Esteato-hepatite (leia: O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA?).
– Abuso de bebidas alcoólicas (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO).
– Lesão do fígado por drogas e medicamentos (hepatite medicamentosa).
– Insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – CAUSAS E SINTOMAS).
– Isquemia do fígado (hepatite isquêmica).
– Câncer do fígado.
– Doenças musculares.

Doenças mais raras que frequentemente cursam com lesão hepática:

– Hepatite autoimune.
– Doença de Wilson.
– Deficiência de alfa-1-antitripsina.
– Hemocromatose.

Os valores normais variam de laboratório para laboratório, ficando, porém, o limite superior sempre ao redor de 40 e 50 U/L.

Valores até 3 vezes maiores que o limite são inespecíficos e podem significar lesão de outros órgãos que não o fígado. Lesões musculares e hipotireoidismo são causas de pequenas elevações, principalmente da TGO. Lesões restritas às vias biliares também podem cursar com pequenos aumentos das transaminases, normalmente associados a grandes elevações da GGT e fosfatase alcalina (explico mais adiante).

TGO e TGP acima de 150 U/L sugerem fortemente doença do fígado. Apenas pelas transaminases elevadas não é possível saber a causa da lesão do fígado, sendo necessária uma maior investigação.

TGO e TGP  maiores que 1000 U/L são causadas habitualmente por hepatites virais, hepatites por drogas (mais comum é intoxicação por paracetamol) ou hepatite isquêmica.

Além do valor absoluto das transaminases, outra dica é comparar a relação entre os valores de TGO e TGP. Normalmente, a relação TGO/TGP = 0,8, ou seja, a TGP costuma ser ligeiramente maior que a TGO. Na hepatite por abuso de álcool, a TGO eleva-se mais, tornando-se, pelo menos, 2 vezes maior que a TGP (TGO/TGP > 2). Nos casos de cirrose, os valores costumam ficar semelhantes (TGO/TGP = 1). Obviamente isso são apenas dicas. São dados que sozinhos não estabelecem nenhum diagnóstico.

É importante salientar que é perfeitamente possível ter uma doença hepática crônica e possuir transaminases normais. Isso é muito comum em pessoas com hepatite C crônica, por exemplo (leia: ENTENDA A HEPATITE C). Portanto, a ausência de alterações na TGO e TGP não descarta doenças do fígado.

A LDH é uma enzima presente em vários tecidos do corpo. Nos casos de lesão hepática, seus valores também aumentam. Ela, porém, é muito menos específica para o fígado do que a TGO e TGP. Mas é sempre mais um dado a ser levado em conta.

Fosfatase alcalina (FA) e Gama GT (GGT)

Enquanto as transaminases são usadas para avaliar lesões das células do fígado, a fosfatase alcalina e a Gama GT são enzimas que se elevam quando há lesão das vias biliares.

Repare na ilustração abaixo. O fígado produz a bile, que é drenada pelas vias biliares. A árvore biliar nasce dentro do fígado e sua ramificações terminam se juntando, formando um ducto biliar comum, já fora do fígado, chamado de colédoco.

A GGT e a fosfatase alcalina são enzimas presentes nas células das vias biliares, e analogamente ao TGO e TGP, a lesão dessas células causa a elevação de suas enzimas no sangue.

Porém, a GGT e a FA não são tão específicas para as vias biliares quanto a TGO e, principalmente, a TGP são para o fígado. A fosfatase alcalina pode ser encontrada em grande quantidade em vários outros órgãos, principalmente nos ossos, placenta e intestinos. A Gama GT também encontra-se no coração, no pâncreas e no próprio fígado.

Em geral, o que sugere lesões das vias biliares é a elevação concomitante de ambas enzimas. As principais patologias que cursam com elevação conjunta de GGT e fosfatase alcalina são:

– Obstrução das vias biliares.
– Cirrose biliar primária.
– Colangite (infecção das vias biliares).
– Câncer das vias biliares.
– Uso de alguns medicamentos (corticoides, barbitúricos e fenitoína).

Abuso de bebida alcoólicas costuma causar uma elevação maior da GGT do que a fosfatase alcalina. Um doente com elevação de TGP menor que TGO e uma GGT maior que a fosfatase alcalina, provavelmente tem uma doença hepática causada por álcool.

Doenças do fígado que causem lesão das vias biliares intra-hepáticas podem cursar com elevação da TGO, TGP e também de GGT e FA. Do mesmo modo, obstruções das vias biliares que cursem com lesão do fígado também podem se apresentar com elevação das 4 enzimas.

A 5′ nucleotidase A 5´nucleotidase (5’NTD) é outra enzima presente nas vias biliares, semelhante a GGT. Seu aumento tem o mesmo significado.

Bilirrubinas

As bilirrubinas são restos da destruição das hemácias velhas e defeituosas pelo baço. A bilirrubina produzida no baço é transportada pelo sangue até o fígado, onde é processada e eliminada na bile. A bile é jogada no intestino, participa da digestão, e posteriormente é eliminada nas fezes (daí a cor marrom das fezes).

A bilirrubina do baço é chamada de bilirrubina indireta, enquanto que a transformada no fígado é a bilirrubina direta.

Nas análises de sangue conseguimos dosar os dois tipos de bilirrubina. De acordo com o tipo que se apresenta aumentado, podemos ter ideia da sua causa.

Se, por exemplo, temos alguma doença que aumente a destruição das hemácias (hemólise), teremos um aumento da bilirrubina indireta no sangue. Do mesmo modo, se o nosso fígado encontra-se doente e não funciona bem, a transformação de bilirrubina indireta em direta fica prejudicada, causando o acumulo da primeira.

Algumas pessoas apresentam alterações genéticas e são incapacidade de conjugar a bilirrubina indireta em direta. A alteração mais comum é a síndrome de Gilbert que está presente em até 7% da população. Frequentemente, essa síndrome é descoberta por acaso ao se solicitar o hepatograma. (leia: SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON).

Por outro lado, temos os casos em que a bilirrubina é transformada em direta, mas o fígado não consegue eliminá-la, fazendo com a mesma se acumule no sangue. Isto pode ocorrer no casos de obstrução do colédoco, seja por pedra ou por neoplasias. Em casos de hepatite aguda pode ocorrer edema das vias biliares intra-hepáticas e dificuldade das células do fígado em excretar a bilirrubina direta.

A bilirrubina total é a soma da direta com a indireta. Toda vez que seu valor sanguíneo for maior que 2 mg/dL, o paciente costuma apresentar-se com icterícia (pele amarelada), que é a manifestação clínica da deposição de bilirrubina na pele (leia: ICTERÍCIA – ADULTO E NEONATAL).

Quando a icterícia ocorre por aumento da bilirrubina direta, isso significa que a mesma não consegue chegar aos intestinos. É comum que as fezes fiquem bem claras, quase brancas, pela falta de excreção do seu pigmento.

Outras dosagens da prova de função hepática

Uma vez estabelecido o diagnóstico de lesão no fígado, é possível ter uma ideia do grau de falência hepática. As duas principais dosagens para esse fim são a albumina e o TAP (TP).

A albumina é um proteína produzida no fígado e a queda nos seus valores sanguíneos podem indicar má função hepática.

Do mesmo modo, o fígado também participa na produção de vitamina K que está envolvida no processo de coagulação do sangue. Pessoas com falência hepática apresentam maior dificuldade em coagular o sangue, o que pode ser aferido pela dosagem do TAP (TP) ou pelo INR.

Este post também está disponível em: Espanhol

ICTERÍCIA | Neonatal e adulto

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A icterícia é um sinal clínico que se caracteriza pela cor amarelada da pele, mucosas e olhos. Ela surge quando há excesso de uma substância chamada bilirrubina no sangue.

Antes de falar da icterícia propriamente dita, é importante gastar algumas linhas explicando o que é a bilirrubina e por que ela se acumular no sangue.

O que é bilirrubina?

Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) têm uma vida média de 120 dias. Quando elas ficam velhas, são levadas para o baço, onde são destruídas. Um dos produtos liberados neste processo é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado.

Todos os dias, milhões de hemácias são destruídas e toda essa bilirrubina liberada tem que ser metabolizada em algum outro sítio, já que o baço não efetua essa função. O grande órgão responsável pelas metabolizações das substâncias do nosso organismo é o fígado, e é para lá que são encaminhadas toda a bilirrubina recém-formada no baço.

O único meio de transportar qualquer substância pelo corpo é através da circulação sanguínea. A bilirrubina produzida no baço não se dilui na água. Deste modo, para ser transportada pelo sangue ela precisa se ligar a uma proteína chamada albumina. Em uma analogia bem grosseira, poderíamos dizer que a bilirrubina não sabe nadar e precisa de uma canoa para atravessar a corrente sanguínea.

Essa bilirrubina insolúvel produzida no baço é chamada de bilirrubina indireta (ou bilirrubina não conjugada). Sua concentração sanguínea normal varia entre 0,1 e 0,6 mg/dL.

Ao chegar ao fígado, a bilirrubina indireta é metabolizada e se transforma em uma substância solúvel em água, chamada agora de bilirrubina direta (ou bilirrubina conjugada). Essa bilirrubina direta é eliminada através das vias biliares em direção ao trato gastrointestinal, onde será eliminada nas fezes. A bilirrubina direta após cair nos intestinos é mais uma vez metabolizada, agora pelas bactérias ali presentes, tornando-se um pigmento de coloração marrom responsável pela cor característica das nossas fezes.

Uma pequena parte da bilirrubina produzida no fígado extravasa para a corrente sanguínea. A concentração normal de bilirrubina direta no sangue varia entre 0,1 e 0,4 mg/dL. Essa bilirrubina direta diluída no sangue é filtrada pelos rins e eliminada na urina. Parte da coloração amarelada da urina se dá pela presença de pequenas quantidades de bilirrubina na mesma.

Portanto, os valores normais de bilirrubina sanguíneos nos adultos são os seguintes:
Bilirrubina total: 0,2 a 1,1 mg/dL
Bilirrubina indireta: 0,1 e 0,7 mg/dL
Bilirrubina direta: 0,1 a 0,4 mg/dL

Obs: esses valores podem variar um pouco dependendo do laboratório e do método usado para medição. Se quiser saber mais sobre marcadores de doença do fígado, leia: O QUE SIGNIFICAM AST (TGO), ALT (TGP) E GAMA GT?

A icterícia surge quando, por algum motivo, ocorre um acúmulo de bilirrubina direta e/ou indireta, no sangue. Quando as concentrações de bilirrubina ultrapassam 1,5 a 2,0 mg/dL, esse excesso de pigmento extravasa em direção à pele, mucosas e à membrana que recobre a esclera (parte branca dos olhos), levando a característica aparência amarelada da icterícia.

Causas de icterícia

A icterícia surge, basicamente, quando há uma produção excessiva de bilirrubina e/ou quando há uma eliminação deficiente da mesma. A icterícia neonatal ocorre pelos dois motivos e será abordada separadamente na parte final do texto.

Icterícia por aumento de bilirrubina indireta

A bilirrubina indireta pode se acumular quando há uma grande destruição da hemácias – além daquela considerada normal -, jogando na circulação sanguínea uma quantidade de bilirrubina maior do que a capacidade do fígado de excretá-la.

Essa destruição é chamada de hemólise e pode ocorrer por vários motivos:

– Uso de drogas (ribavirina, benzocaína, dapsona, fenazopiridina, paraquat, gás arsênico, chumbo, etc.).
– Infecções como malária e leptospirose (leia: SINTOMAS DA LEPTOSPIROSE).
– Defeitos na própria hemácia como na esferocitose hereditária, hemoglobinúria paroxística noturna, anemia falciforme (leia:  ANEMIA FALCIFORME (DREPANOCÍTICA)), talassemia etc…
– Doenças auto-imunes (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE).

O acúmulo de bilirrubina indireta também pode ocorrer por incapacidade do fígado em conjugar a mesma em bilirrubina direta. A síndrome de Gilbert e a síndrome de Crigler-Najjar são duas doenças genéticas que podem causar icterícia por deficiência da enzima do fígado responsável pela conjugação da bilirrubina (leia: SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON).

Icterícia por aumento de bilirrubina direta

A icterícia por bilirrubina direta ocorre quando o fígado consegue conjugar a bilirrubina, mas por algum motivo não consegue excretá-la em direção aos intestinos. Entre as principais causas podemos citar:

– Hepatites virais (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES)
– Esteatose hepática grave (leia: O QUE É ESTEATOSE HEPÁTICA?)
– Cirrose hepática (leia: CIRROSE HEPÁTICA)
– Cirrose biliar primária
– Obstrução das vias biliares por cálculos
– Câncer do fígado ou das vias biliares
– Câncer do pâncreas com obstrução das vias biliares

Sinais e sintomas clínicos associados à icterícia

Além da pele e dos olhos amarelados, a icterícia costuma acometer também as mucosas. O freio da língua é outro ponto onde pode-se notar o pigmento amarelado da bilirrubina.

Icterícia – pele amarelada

A deposição do pigmento na pele, além de ser responsável pela coloração amarelada, também causa um comichão intenso. Muitas vezes o paciente se queixa mais da coceira do que da própria alteração de cor da pele.

Quando a icterícia é de origem direta, ou seja, devido a bilirrubina solúvel em água, podemos ter mais 2 achados típicos:

– Colúria:  quando há muita bilirrubina direta no sangue, há consequentemente muita bilirrubina sendo filtrada pelos rins. O resultado é uma urina cor escura (tipo Coca-Cola) ou com um alaranjado forte, causado pelo excesso de pigmento na mesma. Como a bilirrubina indireta não é solúvel na água, ela não é filtrada pelo rim, por isso, não há colúria nestes casos de icterícia.

– Acolia fecal: quando ocorre algum impedimento na excreção da bilirrubina conjugada para os intestinos, o paciente pode apresentar fezes muitos claras, por vezes, quase brancas, devido a ausência de pigmento na mesma.

Icterícia neonatal

A icterícia neonatal ou icterícia do recém-nascido é uma condição comum, principalmente e bebês nascidos antes de 36 semanas.

Na maioria do neonatos  a icterícia é um fenômeno normal e esperado. Os níveis de bilirrubina indireta do recém-nascidos é naturalmente mais elevada do que nos adultos. Isto ocorre por 2 motivos:

– As hemácias dos recém-nascidos apresentam uma vida média mais curta do que as dos adultos. Além disso, os neonatos também apresentam uma concentração de hemácias mais elevada. O resulta final é uma quantidade muito maior de hemácias precisando ser destruídas e uma maior quantidade de bilirrubina sendo lançada na circulação.
– O fígado do recém-nascido é imaturo e sua capacidade de conjugação e excreção da bilirrubina é limitada.

A icterícia dita fisiológica (normal) é aquela que inicia-se ao redor do 3º dia de vida e desaparece em até 2 semanas. Em bebês prematuros ela pode demorar um pouco mais.

Os níveis de bilirrubina podem chegar ao redor de 15 mg/dL.

Quando a icterícia neonatal preocupa?

Apesar de ser muito comum, a icterícia em recém-nascidos pode ser preocupante, não só por poder indicar a presença de alguma doença, mas também por causar lesões no sistema nervoso central quando em níveis muito elevados.

A icterícia não deve ser considerada fisiológica quando:
– Inicia-se antes nas primeiras 24h.
– Apresenta concentrações sanguíneas acima de 20 mg/dL.
– Quando demora mais de 2 semanas para desaparecer (exceto em prematuros).
– Quando a bilirrubina direta também está muito elevada.

A icterícia que não apresenta características de fisiológica pode indicar que o recém-nascido tenha problemas do fígado, das vias biliares, hemólise ou qualquer outra doença que cause elevação das bilirrubinas.

Kernicterus

Kernicterus é o nome dado a encefalopatia (lesão do sistema nervoso central) causada pelo acúmulo de bilirrubina no cérebro. Ocorre principalmente quando há níveis de bilirrubina acima dos 25 mg/dL.

Os primeiros sinais clínicos de intoxicação pela bilirrubina incluem sonolência, diminuição do tônus muscular e recusa alimentar. Se não reconhecido, o bebê evolui para quadro de espasmos, choro inconsolável e febre.

Se o excesso de bilirrubina não for corrigido, o neonato pode evoluir para o Kernicterus, com lesão permanente do cérebro, cujo sintomas surgem após o primeiro ano de vida e incluem:

– Dificuldade em sentar, engatinhar e posteriormente andar
– Tremores e movimentos involuntários
– Alterações na audição e visão
– Retardo do desenvolvimento mental
– Alterações na arcada dentária

Icterícia do leite materno

Não sabe bem o causa, mas alguns neonatos apresentam icterícia relacionado a amamentação. A provável causa deve estar nas características químicas do leite de determinadas mães. A icterícia do leite materno pode ser uma causa para uma ictericia neonatal prolongada, uma vez que a mesma inicia-se ao redor da primeira semana e pode durar por até 3 meses.

Se o recém-nascido estiver se alimentando bem e mantendo o seu desenvolvimento normal, não há motivos para se interromper o aleitamento. A icterícia do leite materno é benigna e não acarreta em maiores problemas.

De modo oposto, a icterícia também pode surgir em recém-nascidos que não estejam sendo amamentados corretamente, sendo causada por um baixo aporte calórico para o bebê.

Tratamento da icterícia neonatal

Fototerapia

Como a imensa maioria dos recém-nascidos melhora espontaneamente da icterícia, o tratamento só é indicado em caso mais graves. Em geral, indica-se tratamento quando a bilirrubina se eleva acima dos 18 mg/dL a partir do 3º dia, ou acima de 12 mg/dL nas primeiras 24 horas.

A fototerapia é o tratamento mais utilizado para se baixar os níveis de bilirrubina.

O recém-nascido é colocado sob uma luz azul fluorescente que age quebrando a molécula de bilirrubina em pedaços, facilitando a sua excreção na urina e nas fezes.

A fototerapia é um procedimento muito seguro e usado há mais de 30 anos. Em geral, é o único tratamento necessário.

HEPATITE A – Sintomas, Tratamento e Vacina

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O termo hepatite significa inflamação do fígado. A hepatite pode ser causada por vários fatores, como drogas, álcool, doenças autoimunes ou agente infecciosos (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES). A hepatite A é causada por um vírus chamado HAV, que é a sigla em inglês para “vírus da hepatite A”.

O vírus da hepatite A só foi descoberto em 1973. Até a década de 1960, nenhum dos 3 principais vírus da hepatite, conhecidos atualmente, haviam sido identificados. Naquela época, sabíamos que os pacientes tinham hepatite, mas a causa da inflamação no fígado era desconhecida.

Ao contrário do que o senso comum possa indicar, o vírus da hepatite A é completamente diferente do vírus da hepatite B, que por sua vez, nada tem a ver com o da hepatite C. São, portanto, doenças distintas, apesar do nome quase idêntico.

Leia:
– HEPATITE B – Sintomas, diagnóstico e vacina
– HEPATITE C – Sintomas e tratamento

Apesar de já existir vacina, a incidência de hepatite A no mundo ainda continua elevadíssima, principalmente nos países em desenvolvimento, onde a obertura vacinal é baixa e a exposição ao vírus é elevada.

Neste artigo vamos explicar os seguintes pontos sobre a hepatite A: formas de transmissão, sintomas, diagnóstico, prevenção e tratamento.

Transmissão da hepatite A

A hepatite A é transmitida pela via fecal-oral. As pessoas infectadas eliminam o vírus em suas fezes de modo constante. Para ser infectado é preciso que o vírus entre em contato com nossa boca. O contato oral com fezes de outros, em um primeiro momento, pode parecer um via improvável, porém, é muito mais comum do que imaginamos. Quanto pior for a condição de higiene do meio, mais fácil será a transmissão.

Exemplos de como se pode transmitir a hepatite A:

– Comidas preparadas por pessoas que não lavam as mãos após evacuação.
– Mergulhar em praias ou lagoas que recebem esgoto não tratado (o HAV pode se permanecer viável por até 6 meses).
– Frutos do mar oriundos de águas poluídas com esgoto não tratado.
– Tocar em objetos contaminados e logo após levar a mão a boca inadvertidamente.
– A hepatite A não é uma doença sexualmente transmissível, porém, ter relações com pessoas infectadas é um fator risco, principalmente se houver sexo anal seguido de sexo oral ou hábito de se lamber o ânus do parceiro(a). Neste caso o uso de camisinha não altera em nada o risco de contaminação.

Um dos grandes problemas da hepatite A é que o paciente contaminado começa a eliminar o vírus antes mesmo dos sintomas iniciarem-se. Por exemplo, cozinheiros com maus hábitos de higiene podem trabalhar semanas transmitindo o vírus sem que se suspeite da contaminação.

Para saber mais sobre doenças transmitidas por águas contaminadas, leia: DOENÇAS TRANSMITIDAS PELA ÁGUA.

Sintomas da hepatite A

O período de incubação do HAV é de 2 a 6 semanas. Em crianças o quadro pode ser brando o suficiente para passar despercebido. Quando há sintomas, estes são muitas vezes confundidos com uma gripe ou uma gastroenterite leve. Não é incomum pessoas só descobrirem que tiveram hepatite A através de sorologias solicitadas ao acaso.

Nos adultos, a hepatite A costuma ser mais sintomática. Este é o grupo que costuma procurar atendimento médico durante a fase aguda da doença.

Inicialmente a hepatite A se apresenta como uma virose gastrointestinal  inespecífica, com perda de apetite, náuseas, vômitos, fraqueza, dor muscular, dor de cabeça e febre. Após 1 semana surge a icterícia, sintoma clássico da hepatite A aguda, que se caracteriza por pele e olhos amarelados, comichão generalizado, urina escura e fezes de cor muito clara (leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL). 80% dos pacientes apresentam também hepatomegalia, que é o aumento do tamanho do fígado.

A hepatite A dura em média 2 meses. Ao contrário da hepatite B e, principalmente, da hepatite C, que costumam virar infecções crônicas, a hepatite A na maioria dos casos cura-se espontaneamente, raramente se tornando uma hepatite crônica.

Se por um lado a hepatite A costuma ser uma doença benigna que raramente se torna crônica, por outro, ela é a hepatite viral que mais frequentemente cursa como uma hepatite fulminante, levando a morte por insuficiência hepática caso não seja efetuado um transplante hepático de urgência. Felizmente esse quadro ocorre em menos de 1% das hepatites por vírus A.

Diagnóstico da hepatite A

Nas análises de sangue, o principal achado é a alteração das chamadas enzimas hepáticas: TGO, TGP e bilirrubinas (leia: O QUE SIGNIFICA AST (TGO) E ALT (TGP)?). Nas hepatites agudas os valores de TGO e TGP costumam estar acima de 1000 IU/dL.

As enzimas hepáticas, porém, só indicam que há um quadro de hepatite aguda em curso, não sendo capazes de determinar a causa.

Para se identificar o HAV como agente causador da hepatite é preciso realizar uma sorologia para hepatite A. Na sorologia procuramos por 2 tipos de anticorpos: IgM e IgG.

– O anticorpo IgM, indica hepatite A ativa. Já encontra-se positivo quando os sintomas aparecem e permanece detectável por até 6 meses, quando, então, desaparece.
– O anticorpo IgG indica infecção antiga. Fica positivo após algumas semanas de infecção e assim permanece pelo resto da vida.

Temos, então, 3 possibilidades:

– HAV IgG positivo e IgM negativo = Infecção antiga e curada.
– HAV IgG positivo e IgM positivo = Infecção ativa e a caminho da cura.
– HAV IgG negativo e IgM positivo = infecção ativa no início do quadro.

Tratamento da hepatite A

Como se trata de uma doença benigna com cura espontânea na quase totalidade dos casos, não há tratamento específico para a hepatite A.

Indica-se apenas repouso, boa alimentação e hidratação. Deve-se, obviamente, evitar bebidas alcoólicas e drogas que possam causar lesão hepática, como o paracetamol.

Vacina para hepatite A

Já existe vacina para hepatite A e sua administração é recomendada em crianças aos 12 e 18 meses de idade. A vacina também pode ser aplicada em adultos a qualquer momento. A vacinação de profissionais que trabalham com comida é útil para evitar epidemias pela transmissão através de alimentos. A vacina também é importante para pacientes que já tenham alguma outra doença do fígado, uma vez que este grupo apresenta maior risco de complicações quando exposto ao HAV.

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HEPATITE B – Sintomas, Transmissão e Vacina

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A hepatite B é uma doença infecciosa causada por um vírus chamado HBV, sigla para vírus da hepatite B, em inglês. A hepatite B é uma pandemia que acomete cerca de 350 milhões de pessoas no mundo. Em algumas regiões da Ásia, cerca de 20% da população é portadora do vírus B.

Hepatite é um termo que significa inflamação do fígado. Ela pode ser causada por vírus, por álcool, por drogas, por acúmulo de gordura no fígado, etc. Leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES para entender melhor as principais causas de hepatite e suas diferenças.

Existem 5 hepatites diferentes causadas por vírus:

– HEPATITE A.
– Hepatite B.
– HEPATITE C.
– Hepatite D.
– Hepatite E.

Na prática médica, quase todos os casos de hepatite são causados pelos vírus A, B ou C. As hepatites D e E são raras.

É importante saber que os vírus que causam cada uma dessas hepatites são completamente diferentes entre si. O vírus da hepatite C, por exemplo, é geneticamente muito mais próximo dos vírus da dengue (leia: DENGUE – Sintomas e tratamento) e da febre amarela do que do vírus da hepatite B. Portanto, entre os 5 tipos de hepatite viral, as formas de transmissão, a evolução da doença, o tratamento e as vacinas também são diferentes. A única coisa em comum é o fato desses vírus terem preferência pelo fígado.

O vírus da hepatite D apresenta uma particularidade, ele só ataca aqueles já contaminados com hepatite B. Portanto, todo paciente com hepatite D, obrigatoriamente também tem hepatite B. Pacientes com hepatite B+D apresentam um quadro bem mais agressivo de lesão do fígado.

Transmissão da hepatite B

A hepatite B é uma DST – doença sexualmente transmissível (leia: O QUE É DST?). Cerca de 70% dos casos são transmitidos pela via sexual, em torno de 2/3 por relações heterossexuais e 1/3 por relações homossexuais.

Outras vias de transmissão do HBV incluem a vertical (da mãe para feto), transfusões de sangue e compartilhamento ou acidentes com agulhas ou outros materiais hospitalares infectados.

Outra maneira de se contrair hepatite B é através do uso comum de escovas de dentes e lâminas de barbear. Esta via é rara, mas torna-se possível se o objeto compartilhado tiver tido contato com sangue.

Também existem casos relatados de transmissão através da acupuntura, tatuagens e body piercing (leia:  BODY PIERCING – PERIGOS E COMPLICAÇÕES), realizados com material não descartável.

Não se pega hepatite B em piscinas, ou através de em copos ou talheres, com beijos (a não ser que haja contato direto com sangue), abraços, tosse, espirro ou pela amamentação. O uso de preservativos (camisinha) é indicado para prevenir a transmissão sexual (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

O vírus da hepatite B consegue sobreviver por até 7 dias fora do organismo.

Sintomas da hepatite B

A hepatite B é dividida em duas fases: infecção aguda e infecção crônica.

a) Hepatite B aguda

O período de incubação, ou seja, do momento da contaminação até o surgimento dos primeiros sintomas, costuma ser de 1 a 4 meses.

Cerca de 70% dos pacientes contaminados com o vírus da hepatite B apresentam sintomas leves e inespecíficos da infeção. Muitas vezes a fase aguda pode ser confundida com um quadro gripal. Não é nada incomum os pacientes só descobrirem que tiveram hepatite anos depois fazendo exames de sangue. Apenas 30% desenvolvem um quadro clínico típico de hepatite, chamada forma ictérica da hepatite B aguda.

A icterícia é uma coloração amarelada da pele e das mucosas, devido à inflamação do fígado e acúmulo de bilirrubinas no sangue. Junto com a icterícia também costumam surgir uma urina escura e fezes de cor muito clara. Para saber mais detalhes sobre a icterícia, leia: ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL.

Outros sintomas da hepatite B aguda incluem:
– Cansaço.
– Náuseas e vômitos.
– Dores articulares.
– Dor abdominal, principalmente na região superior direita.
– Febre.
– Perda do apetite.

A insuficiência hepática fulminante é rara e ocorre em menos de 0,5% dos casos.

Durante a fase aguda, nas análises de sangue, os marcadores de lesão hepática costumam estar muito elevados. TGO (AST) e TGP (ALT) normalmente estão acima de 1000 UI/L (leia: O QUE SIGNIFICAM AST (TGO), ALT (TGP) E GAMA GT?).

95% dos adultos que contraem hepatite se recuperam de forma espontânea e ficam completamente curados dentro de 6 meses. Apenas 5% evoluem para forma crônica da hepatite. Quanto mais jovem for o paciente, maior é o risco de evoluir para forma crônica, a ponto de até 50% das crianças menores de 5 anos e 90% dos recém-nascidos não conseguirem atingir a cura.

b) Hepatite B crônica

A hepatite crônica ocorre quando o nosso sistema imune não consegue eliminar o HBV até um prazo de 6 meses. Estes pacientes permanecem indefinidamente com o vírus no organismo, destruindo lentamente seu fígado, e podendo contaminar outras pessoas através das vias citadas no início deste texto.

O fato de ter tido uma hepatite aguda com poucos ou muitos sintomas, não parece ter influencia na evolução para forma crônica.

A hepatite B crônica costuma ser assintomática por muitos anos. Mesmo aqueles que tiveram sintomas típicos de hepatite aguda, melhoram espontaneamente do quadro, apesar de não estarem livres do vírus B. Os valores de TGO e TGP caem, ficando apenas de leve a moderadamente elevados, comprovando uma lenta e progressiva destruição do fígado.

10 a 20% dos paciente com hepatite B desenvolvem doenças extra-hepáticas. As duas principais são:
– Uma vasculite chamada poliarterite nodosa (leia: SAIBA O QUE É VASCULITE
– Uma doença renal chamada nefropatia membranosa (leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE?)

Entre as complicações hepáticas da hepatite B crônica estão a cirrose (leia: CAUSAS E SINTOMAS DA CIRROSE HEPÁTICA) e o câncer de fígado. A maioria dos pacientes com a forma crônica não evoluem para esses dois quadros, e quando o fazem, isto costuma ocorrer vários anos, às vezes décadas, depois.

Os paciente com hepatite B adquirida ao nascimento, costumam chegar até os 30 anos de idade sem maiores complicações da doença. Na doença adquirida quando adulto, cerca de 10 a 20% desenvolvem sinais de cirrose após 5 anos de doença.

Vários fatores influenciam na chance de evolução para cirrose, entre eles, a carga viral (contagem de vírus no sangue), a taxa de atividade do vírus, consumo de bebidas alcoólicas, co-infecção com outras hepatites virais como hepatite C e hepatite D, etc.

Cerca de 10% dos pacientes com cirrose por hepatite B, desenvolvem câncer do fígado.

Diagnóstico da hepatite aguda e crônica

O diagnóstico da hepatite é confirmado através da sorologia de sangue. A interpretação sorológica é complexa e não cabe aqui explicá-la com detalhes. Porém, algumas informações podem ser passadas:

? HBsAg = é uma proteína existente na superfície do vírus. Se o HBsAg for positivo, indica que o vírus está presente na circulação. Pacientes com hepatite B crônica permanecem com HBsAg positivo para sempre já que nunca se livram do vírus. Pacientes curados têm HbsAg negativo.

? Anti-HBs = É o anticorpo produzido contra o vírus. Normalmente ele aparece quando a infecção está curada ou quando o paciente foi vacinado. Pacientes com hepatite B crônica nunca apresentam anti-HBs positivo. Pacientes com anti-HBs positivo e HBsAg negativo são aqueles que estão imunes a hepatite, seja por vacinação, ou por já terem tido a doença antes.

? HBeAg e Anti-HBe = o HBeAg é uma proteína do núcleo do vírus e costuma estar presente quando o mesmo encontra-se em grande atividade. O HBeAg costuma estar positivo na fase aguda e nos casos de hepatite B crônica com alta replicação viral.

O anti-HBe é um anticorpo que surge quando o paciente cura-se ou quando sua infecção crônica está adormecida e o vírus não está multiplicando-se.

? Anti-HBc = É um outro anticorpo contra o vírus B. O anti-HBc IgM está positivo nos casos agudos. O anti-HBc IgG é um anticorpo que está presente em todos que já tiveram hepatite ou a tem cronicamente. Quem, por exemplo, foi vacinado apresenta anti-HBs positivo, mas não apresenta anti-HBc.

Veja no quadro abaixo, alguns exemplos de sorologia e suas interpretações:

Vacina para hepatite B

A vacina para hepatite é muito segura e apresenta eficácia acima de 95%. A hepatite B é um doença potencialmente erradicável se houver campanhas efetivas de vacinação em massa. No Brasil e em Portugal a vacinação para hepatite B já faz parte do calendário básico de vacinação para crianças.

O atual esquema é feito em 3 doses, sendo as 2º e 3º doses administradas após 1 mês e após 6 meses, respectivamente. Ex: primeira dose em 10.01.2010, segunda dose em 10.02.2010 e terceira dose em 10.07.2010.

Se entre a primeira e a terceira doses houver alguma falha, não é preciso recomeçar todo esquema, porém, a chance de se criar anticorpos (anti-HBs) é maior se o esquema for respeitado.

Dois meses após o término do esquema de vacinação pode-se realizar a sorologia para determinação da presença do anti-HBs, que traduz o sucesso da vacina. Como na população geral essa taxa de sucesso é muito elevada, a maioria dos médicos só indica a sorologia quando a comprovação é essencial, como em profissionais da área de saúde, parceiros de pessoas infectadas, pacientes em hemodiálise, etc. (leia: O QUE É HEMODIÁLISE?).

Como a vacina demora vários meses para criar proteção contra a hepatite, ela não serve para ser usada em casos de acidentes com agulhas contaminadas, por exemplo. Neste caso, se a pessoa que se feriu não tiver sido vacinada ou nunca tiver tido hepatite B, indica-se a administração da imunoglobulina para hepatite B, um coquetel de anticorpos contra o vírus. A imunoglobulina deve ser administrada o quanto antes, de preferência nas primeiras 24h após o acidente, para se evitar a contaminação. Após 7 dias da contaminação, a imunoglobulina é ineficaz.

Tratamento da hepatite B

O tratamento para hepatite B está indicado apenas nos casos de hepatite B crônica com sinais de atividade, seja por haver HBeAg positivo, elevações na TGO e TGP e/ou uma elevada carga viral.

Na hepatite aguda indica-se apenas repouso, hidratação e evitar álcool e medicamentos que possam prejudicar o fígado. Não existe dieta especial e não há tratamentos alternativos que comprovadamente ofereçam alguma melhora. Evite os remédios ditos naturais, pois além de haver nenhuma comprovação de eficácia, eles podem piorar o quadro.

Uma vez indicado o tratamento, existem várias drogas disponíveis como lamivudine, adefovir, entecavir, telbivudine, interferon e tenofovir. O tratamento costuma ser longo e com taxas de sucesso que variam entre 20 e 70% dependendo da situação. O objetivo da terapia é impedir a multiplicação do vírus e prevenir complicações futuras como cirrose e câncer hepático.

Nos casos mais graves, com sinais de cirrose e falência hepática, pode-se indicar o transplante de fígado.

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SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON

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As síndromes de Gilbert, Crigler-Najjar e Dubin-Johnson são três doenças que ocorrem por uma alteração do fígado de origem genética, interferindo no metabolismo normal das bilirrubinas e levando ao surgimento da icterícia.

Antes de falarmos especificamente sobre cada uma dessas síndromes, uma rápida explicação sobre o que são icterícia e bilirrubinas se faz necessária.

O que são as bilirrubinas e o que causa a icterícia?

Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) têm uma vida média de 120 dias. Quando elas ficam velhas, são levadas para o baço onde são destruídas, liberando um pigmento chamado bilirrubina. Este é então transportado para o fígado onde será metabolizado e eliminado nas fezes.

Um dos sinais típicos de doença do fígado é a perda da capacidade do mesmo em metabolizar as bilirrubinas, fazendo com que estas se acumulem no sangue e, posteriormente, se depositem na pele. O excesso de bilirrubina provoca um tom amarelado na pele e nos olhos chamado de icterícia.

Existem dois tipos de bilirrubina: (1) a indireta ou não conjugada, que é aquela que não foi processada pelo fígado, e (2) a direta ou conjugada, que é aquela que já passou pelo fígado mais ainda não foi excretada em direção ao intestino para ser eliminada nas fezes.

A única maneira do corpo eliminar a bilirrubina indireta produzida diariamente pela destruição das hemácias velhas é através da sua conjugação em bilirrubina direta no fígado. Somente a bilirrubina direta consegue ser excretada na bile para ser eliminada nas fezes, impedindo sua acumulação.

A icterícia pode ser causada por acúmulo de bilirrubina indireta quando o fígado não consegue transformá-la em direta ou quando ocorre subitamente uma grande destruição das hemácias, ou direta, quando há alguma obstrução que impeça a eliminação da bilirrubina direta nas fezes. Se quiser saber mais detalhes sobre icterícia e metabolismo das bilirrubinas, sugiro a leitura de ICTERÍCIA NO ADULTO E ICTERÍCIA NEONATAL.

a) Síndrome de Gilbert

A síndrome de Gilbert, também chamada de disfunção hepática constitucional, é uma doença genética que acomete cerca de 5 a 10% da população mundial.

A síndrome de é Gilbert uma doença benigna que não causa maiores problemas de saúde. Ela é causada por um defeito em uma gene chamado UGT1A, responsável pela produção da enzima glucoronil transferase, que por sua vez é responsável pela transformação da bilirrubina indireta em direta. Na síndrome de Gilbert, esta enzima apresenta uma redução na sua atividade em até 80%, acarretando em um acúmulo de bilirrubina indireta no sangue.

Para se ter a síndrome de Gilbert é preciso receber uma cópia defeituosa do gene UGT1A tanto da mãe quanto do pai. Quem recebe uma cópia defeituosa e outra normal, costuma apresentar apenas uma discreta alteração das bilirrubinas e não desenvolve a síndrome completamente. Cerca de 30% da população carrega apenas um gene UGT1A defeituoso e, na maioria das vezes, nem sequer desconfia deste fato.

Sintomas da síndrome de Gilbert

Mesmo naqueles com duas cópias defeituosas do gene, a doença costuma ser assintomática, ou quase. Nestes, os apenas 20-30% de função da glucoronil transferase são suficientes para se manter as bilirrubinas em um nível sanguíneo abaixo dos 3,0 mg/dl, o que não causa uma icterícia facilmente identificável.

Na maioria dos pacientes com síndrome de Gilbert, a icterícia só ocorre em períodos de estresse, como em jejum prolongado, exercícios físicos extenuantes, doença febril (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ?), desidratação, hemólise (destruição anormal das hemácias) ou, em algumas mulheres, durante o período menstrual.

Muitos casos de Gilbert são descobertos acidentalmente através de análises de sangue de rotina para avaliação da função hepática (leia: O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?). O paciente nunca se queixou de nada, mas apresenta níveis de bilirrubina indireta acima dos valores de referência. O resto das análises do fígado (TGO, TGP, Fosfatase alcalina e Gama-GT) encontram-se normais.

Consequências da síndrome de Gilbert

Como já foi dito, a síndrome é benigna e não causa maiores problemas de saúde. Na verdade, atualmente se discute se a pequena e constante elevação da bilirrubinas sanguíneas desta síndrome não é um fator de proteção contra doenças cardíacas e alguns tipos de cânceres. O paciente com síndrome de Gilbert vive tanto quanto qualquer outro e com a mesma qualidade de vida.

Tratamento da síndrome de Gilbert

Não há necessidade de se tratar a síndrome de Gilbert, porém, alguns cuidados são necessários. A mesma enzima glucoronil transferase que transforma a bilirrubina indireta em direta, também é responsável pela metabolização de algumas drogas no fígado, como o anticancerígeno Irinotecan e o antiviral Indinavir.

Não há dieta especial, nem nenhum tipo de atividade restrita para quem tem a síndrome. O consumo de álcool deve ser moderado como em qualquer indivíduo (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO).

b) Síndrome de Crigler-Najjar

A síndrome de Crigler-Najjar é outra doença genética causada por defeitos no metabolismo das bilirrubinas, Ao contrário da síndrome de Gilbert que é benigna e relativamente comum, a Crigler-Najjar é muito rara pode levar a complicações sérias. Estima-se que ocorra em 1 a cada 1 milhão de nascimentos.

O mecanismo é semelhante ao Gilbert, devido a um defeito na produção da enzima glucoronil transferase, porém, na Crigler-Najjar a sua deficiência é muito mais grave. Na síndrome de Crigler-Najjar tipo 1 há praticamente 0% de glucoronil transferase funcionante, enquanto que na síndrome de Crigler-Najjar tipo 2, a sua função é de apenas 10%.

Sintomas da síndrome de Crigler-Najjar

Na síndrome de Crigler-Najjar tipo 1, o recém-nascido já apresenta icterícia persistente logo após o nascimento, podendo desenvolver uma intoxicação cerebral pelo excesso de bilirrubinas, chamada de kernicterus, que pode levar à morte. Enquanto no Gilbert a bilirrubina costuma ficar ao redor de 3 mg/dl, na síndrome de Crigler-Najjar tipo 1 esta pode chegar até 50 mg/dl, ultrapassando em muito o limite da toxicidade.

Na síndrome de Crigler-Najjar tipo 2, o quadro é mais brando e a icterícia pode surgir após alguns anos de vida. A ocorrência de kernicterus é rara e a bilirrubina costuma ficar ao redor de 10 a 20 mg/dl neste grupo.

Tratamento da síndrome de Crigler-Najjar

Na síndrome de Crigler-Najjar tipo 1 o tratamento deve ser instituído logo após o nascimento na tentativa de se evitar a ocorrência do kernicterus.

A fototerapia é um procedimento onde o recém-nascido é colocado durante 12h por dia sob uma luz azul fluorescente que age quebrando a molécula de bilirrubina em pedaços, facilitando a sua excreção na urina e nas fezes. Deste modo, o corpo consegue reduzir seus níveis de bilirrubina indireta sem precisar conjugá-la em direta.

Este tratamento é realizado a longo prazo e quanto mais velha for a criança, menor sua eficácia devido ao fato da pele ir se tornando cada vez mais grossa conforme ela cresce.

Além da fototerapia, a troca frequente do plasma sanguíneo através de um procedimento chamado plasmaferese também é muito importante no controle dos níveis de bilirrubina (leia: PLASMAFERESE – Para que serve e como ela funciona?).

Estes dois tratamentos descritos acima são apenas temporários uma vez que apenas baixam provisoriamente os níveis de bilirrubina, sem atuar na causa da síndrome. Eles são importantes para evitar o aparecimento do kernicterus, porém, o único tratamento definitivo é o transplante de fígado.

Na síndrome de Crigler-Najjar tipo 2, os 10% de ação da glucoronil transferase costumam ser suficientes para não ocorrer o kerniocterus. Porém, se não há evidente risco de morte e de sequelas neurológicas na maioria dos casos, a icterícia costuma ser exuberante e esteticamente indesejável. Nestes casos, pode-se indicar o uso de fenobarbital, uma droga usada como anticonvulsivante mas que também tem como efeito a redução de até 25% dos níveis de bilirrubinas no sangue.

c) Síndrome de Dubin-Johnson

A síndrome de Dubin-Johnson também é uma doença genética que cursa com aumento das bilirrubinas e icterícia sem outras alterações nas análises do fígado. Porém, ao contrário das síndromes de Gilbert e Crigler-Najjar, neste caso a bilirrubina que se acumula é direta (conjugada).

Na síndrome de Dubin-Johnson o fígado consegue conjugar normalmente a bilirrubina indireta em direta, porém, ele é incapaz de secretá-la através da bile para ser eliminada nas fezes.

A síndrome de Dubin-Johnson também é benigna e os níveis de bilirrubinas costumam ser baixos. Não há tratamento específico e o fenobarbital pode ser usado em casos de icterícia mais clínicamente visível.

12 SINTOMAS DE PROBLEMAS NO FÍGADO

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O fígado é uma grande órgão, localizado à direita da cavidade abdominal, responsável por diversas funções vitais no nosso organismo. O fígado pode ser acometido por várias doenças distintas, entre as mais comuns podemos citar as hepatites, cirrose, esteatose e o câncer. Muitas das doenças hepáticas compartilham sintomas em comum, pois apesar de terem origens distintas, acabam comprometendo as mesmas funções do fígado.

Neste texto vamos abordar os 12 sintomas mais comuns que os pacientes com problemas do fígado podem apresentar. Este artigo tratará os sintomas do fígado de forma geral, se você quiser ter mais detalhes sobre problemas hepáticos específicos, visite os nossos textos abaixo:

– O FÍGADO | Principais funções
– O QUE É HEPATITE?
– HEPATITE A | Sintomas e tratamento
– HEPATITE B | Sintomas, diagnóstico e vacina
– HEPATITE C | Sintomas e tratamento
– ESTEATOSE HEPÁTICA | Gordura no fígado
– CIRROSE HEPÁTICA | Sintomas e causas
– SINTOMAS DA HEPATITE

O que é o fígado?

O fígado é um grande órgão localizado no quadrante superior direito do abdômen, logo abaixo do diafragma.

O fígado é um órgão vital, responsável por inúmeras funções no nosso organismo. Entre os papéis que o fígado exerce, podemos citar a produção de enzimas digestivas, proteínas (leia: O QUE SÃO PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS?), fatores da coagulação, colesterol, glicose e diversas outras substâncias. O fígado também é responsável pela metabolização de todos os nutrientes absorvidos pelos intestinos, assim como pela limpeza de toxinas circulantes.

Por desempenhar diversas funções no organismo, as doenças do fígado podem apresentar uma grande variedade de sintomas. Vamos abordar a seguir os 12 sinais e sintomas mais típicos de problemas no fígado, explicando resumidamente por que eles surgem.

O que é a veia porta?

Antes de continuarmos como artigo, é importante explicar o que é a veia porta hepática, já que grande parte dos sintomas de doenças do fígado são provocadas por uma obstrução desta veia.

A veia porta, ou sistema porta hepático, é uma grande veia localizada na entrada no fígado, responsável por drenar o sangue vindo do sistema gastrointestinal. Todo o sangue do estômago, baço, pâncreas e intestinos passa pela veia porta e pelo fígado antes de retornar para o coração. Deste modo, toda substância ingerida e absorvida no trato gastrointestinal obrigatoriamente passa primeiro pelo fígado antes de alcançar o resto do organismo.

Nos casos de doença hepática grave, principalmente na cirrose, o fígado sofre um processo de fibrose (cicatrização e enrijecimento do tecido hepático) que pode causar obstrução da veia porta, dificultando a chegada do sangue por este grande vaso. O sangue vindo dos órgãos digestivos precisa passar pela veia porta e pelo fígado antes de continuar seu trajeto em direção ao coração. Se a veia porta estiver obstruída, haverá um grande congestionamento de sangue e um aumento da pressão, não só na veia porta como em todas as veias do trato gastrointestinal. Este quadro é chamado de hipertensão portal e é responsável por vários dos sinais e sintomas que serão explicados a seguir.

Sintomas do fígado

Sintomas do fígado 1# – Sintomas gerais

Pacientes com lesões no fígado costumam apresentar um variedade de sintomas gerais e inespecíficos, que incluem náuseas, perda do apetite, desânimo e emagrecimento. Nos casos de hepatite aguda, o paciente pode também apresentar febre, o que colabora ainda mais para o surgimento deste mal estar.

Um gosto amargo na boca é um sintoma popularmente atribuído a problemas do fígado, mas é uma queixa muito inespecífica, que pode ser desencadeada por varias outras causas, como refluxo, gastrite, lesões dos dentes, lesões na gengiva, infecções na faringe ou amígdalas, desidratação, jejum prolongado, medicamentos, cigarro… Se o paciente não apresentar nenhum outro sintoma, é pouco provável que a sensação de boca amarga seja um sinal de problema hepático relevante.

Sintomas do fígado 2# – Cansaço

Um sintoma frequente em qualquer tipo de doença hepática é a fadiga ou cansaço fácil. Esta falta de energia acomete pacientes com hepatite, cirrose e até esteatose hepática. Quanto mais avançada for a lesão no fígado, mais inapetência o paciente sente.

Sintomas do fígado 3# – Ascite

A ascite é o nome dado ao acúmulo de líquidos dentro da cavidade abdominal, conhecido popularmente como barriga d’água. A ascite é um sintoma típico da cirrose hepática e ocorre frequentemente quando o paciente apresenta hipertensão portal.

Além da cirrose, a esquistossomose é outra doença que costuma acometer o fígado e provocar hipertensão portal e ascite (leia: ESQUISTOSSOMOSE | Sintomas e tratamento).

A ascite surge porque o sangue represado e a elevada pressão dentro das veias do trato gastrointestinal provocam uma translocação de água para fora dos vasos sanguíneos, levando ao acúmulo de líquido dentro da cavidade abdominal. É como se os vasos sanguíneos começassem a sorar água.

A ascite é uma manifestação típica de doença do fígado, mas pode também ocorrer em doenças de outros órgãos, como na insuficiência cardíaca descompensada (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – CAUSAS E SINTOMAS) e na síndrome nefrótica (leia: PROTEINÚRIA, URINA ESPUMOSA E SÍNDROME NEFRÓTICA).

Para saber mais sobre a ascite, leia: ASCITE | Causas e tratamento.

Sintomas do fígado 4# – Circulação colateral

Circulação colateral e ascite

Quando há uma obstrução à passagem do sangue pela veia porta, o corpo precisa encontrar outra maneira deste sangue retornar para o coração. Se o caminho natural está fechado, é preciso arranjar um desvio; é isso que o organismo faz. O sangue passa a voltar em grande quantidade por veias colaterais, que em pessoas saudáveis escoam apenas pequenos volumes de sangue.

O desvio de grande quantidade de sangue para as veias colaterais faz com estas se dilatem, ficando bem aparentes ao exame do abdômen. Na foto ao lado, há o exemplo de um paciente com ascite e exuberante circulação colateral, dois sinais típicos da hipertensão portal.

Sintomas do fígado 5# – Sangramento digestivo

A obstrução da veia porta causa um aumento de pressão por todo os sistema venoso do sistema digestivo, incluindo as veias do estômago e do esôfago. Este aumento da pressão provoca varizes nestes órgãos, facilitando a ocorrência de sangramentos.

A hemorragia digestiva por sangramento de varizes do esôfago é uma manifestação típica de cirrose hepática em fases avançadas. O paciente apresenta subitamente quadro de vômitos hemorrágicos, podendo perder grande quantidade de sangue nestes episódios.

O aumento da pressão no sistema digestivo também acomete as veias dos intestinos e do reto, provocando um aumento da incidência de hemorroidas (leia: HEMORROIDA | Sintomas e tratamento) e de sangramento anal.

Sintomas do fígado 6# – Encefalopatia

A encefalopatia é o nome dado a uma disfunção das funções cerebrais básicas. A encefalopatia hepática, como o próprio nome diz, é a alteração das funções cerebrais que ocorre nos pacientes com falência do fígado.

Um dos objetivos do sistema porta hepático é fazer com que toda substância digerida e absorvida no trato digestivo passe obrigatoriamente pelo fígado antes de seguir para o resto da circulação sanguínea. Algumas substâncias que ingerimos, principalmente proteínas de origem animal, são tóxicas e precisam ser metabolizadas pelo fígado antes de poderem ser aproveitadas pelo organismo. Nos casos de hipertensão portal, o sangue segue seu caminho pelas veias colaterais e diversas substâncias tóxicas acabam não sendo metabolizadas pelo fígado antes de se espalharem pelo corpo.

Além da hipertensão portal, quadro de insuficiência hepática aguda, como nas hepatites graves, podem causar uma falência aguda das funções fígado, fazendo com que o mesmo perca a capacidade de  neutralizar substâncias tóxicas.

A encefalopatia hepática é o resultado da ação destas toxinas sobre o cérebro. Dependendo do grau de insuficiência hepática ou hipertensão portal o paciente pode apresentar desde quadros leves, com letargia, irritabilidade e dificuldade de concentração, até encefalopatia grave, com redução do nível de consciência e coma.

Sintomas do fígado 7# – Icterícia

Icterícia é nome dado à coloração amarelada da pele, olhos e mucosas, que surge devido ao acúmulo de bilirrubina no sangue.

A bilirrubina é uma substância produzida no baço a partir da destruição de glóbulos vermelhos velhos. Um dos papéis do fígado é captar esta bilirrubina do sangue,  metabolizá-la e excretá-la em direção às vias biliares e intestinos, eliminado-a pelas fezes.

Quando o fígado encontra-se doente, o mesmo perde a capacidade de metabolizar e/ou eliminar a bilirrubina que é constantemente produzida pelo baço. Nesta situação há acumulo de bilirrubina no sangue e deposição do excesso na pele, o que provoca a aparência amarelada da mesma. A icterícia vem frequentemente associada à coceira, pois a bilirrubina depositada na pele causa irritação das terminações nervosas.

Dois outros sinais costumam ocorrer junto com a icterícia: fezes claras (acolia fecal) e urina muito escura. A bilirrubina é a responsável pela coloração marrom das fezes. Se por algum motivo a bilirrubina não estiver sendo excretada em direção aos intestinos, a fezes deixarão de ter sua coloração habitual, tornando-se bem mais claras. Já a urina escura, cor de Coca-Cola ou Mate, ocorre pela filtração do excesso de bilirrubina circulante no sangue pelos rins, que acaba sendo excretado pela urina.

Várias doenças do fígado podem causar icterícia, as mais comuns são as hepatites e a cirrose. A icterícia também pode ocorrer em doenças das vias biliares, em infecções como malária ou leptospirose (leia: LEPTOSPIROSE | Sintomas e tratamento), em casos de hemólise (destruição maciça de glóbulos vermelhos) ou por reação adversa a alguns remédios.

Portanto, a ictérica é um sinal típico de doenças do fígado, porém não é um sinal exclusivo de problemas hepáticos. Para saber mais sobre icterícia, leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto.

Sintomas do fígado 8# – Manchas roxas na pele

O paciente com doença hepática pode apresentar uma maior facilidade em desenvolver equimoses (manchas roxas na pele) e sangramentos após traumas de pequena intensidade. Isto ocorre porque o fígado é responsável pela produção de proteínas que participam do sistema de coagulação do sangue. Pacientes com doença hepática podem ter deficiência da coagulação, apresentando sangramentos com maior facilidade.

Além da deficiência dos fatores de coagulação, que pode ocorrer em qualquer situação de mal funcionamento do fígado, os pacientes com cirrose e hipertensão portal frequentemente apresentam também uma número baixo de plaquetas, o que é mais um fator que colabora para uma maior dificuldade em coagular o sangue.

Sintomas do fígado 9# – Ginecomastia

Ginecomastia é o nome que se dá ao desenvolvimento de mamas nos homens. Pacientes do sexo masculino com cirrose frequentemente apresentam ginecomastia. As causas ainda não estão bem elucidadas, mas acredita-se que seja por causa da elevação da concentração de estrogênio no sangue, que ocorre tanto pelo aumento da produção, como pela redução da metabolização deste hormônio feminino pelo fígado.

Outro fator importante para o surgimento da ginecomastia é o uso habitual do diurético espironolactona, indicado no tratamento da ascite nos pacientes com cirrose. Um dos efeitos colaterais mais comuns da espironolactona é a ginecomastia, que pode ocorrer mesmo quando usada em pacientes sem doença do fígado.

Sintomas do fígado 10# – Teleangiectasias

As teleangiectasias, também chamadas de aranhas vasculares, são lesões vasculares compostas de uma arteríola central rodeado por muitos vasos pequenos. As teleangiectasias são mais frequentemente encontradas no tronco, face e braços.

A origem das aranhas vasculares não está completamente desvendada, acredita-se, porém, que essas lesões resultem de alterações no metabolismo de hormônios sexuais, principalmente do estrogênio.

As teleangiectasias são muito comuns na cirrose, mas podem também ser vistas durante a gravidez ou em pessoas saudáveis. Nestes dois casos as lesões costumam ser pequenas e em número menor que três. Na cirrose, quanto mais avançada é a doença, maior costuma ser o tamanho e o número das aranhas vasculares presentes.

Sintomas do fígado 11# – Eritema palmar

Eritema palmar é o nome dado a uma palma da mão muito avermelhada, principalmente nas regiões tenar e hipotenar (músculos da palma da mão), poupando geralmente as partes centrais da palma. O eritema palmar não é um sinal específico de doença do fígado, podendo também ser visto em pacientes com artrite reumatoide, hipertiroidismo e nas grávidas.

Sintomas do fígado 12# – Dor abdominal

A dor abdominal, localizada no quadrante superior direito, é um sintoma comum das doenças do fígado, principalmente nas hepatites agudas. Ela geralmente ocorre por aumento do tamanho do fígado, que provoca esgarçamento da cápsula hepática, uma espécia de capa que recobre todo o fígado.

É preciso notar que dor na região do fígado também pode ser provocada por várias outras condições, incluindo problemas na vesícula, vias biliares, base do pulmão direito e até lesões nas costelas ou na musculatura abdominal.

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8 Sintomas de Hepatite

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Apesar da maioria das pessoas achar que a hepatite é uma doença única, este termo, na verdade, se refere a qualquer situação em que ocorra inflamação do fígado. Muitas doenças e complicações podem causar hepatite, por exemplo, uso de drogas, medicamentos, excesso ou uso crônico de álcool, produtos químicos, doenças autoimunes, infecções por diversos tipos de vírus ou acúmulo de gordura no fígado (esteatose hepática).

Apesar de existirem diversas causas para hepatite, os seus sintomas acabam sendo muito semelhantes, já que, no final das contas, tudo se resume a um fígado inflamado e incapaz de trabalhar adequadamente.

Neste artigo abordaremos os principais sinais e sintomas da hepatite. Vamos dar ênfase à hepatite aguda, pois os pacientes com hepatite crônica costumam passar anos assintomáticos, desenvolvendo sintomas apenas quando já há sinais de cirrose.

Sinais e sintomas da hepatite

Sintomas da hepatite #1 – ICTERÍCIA

A icterícia é provavelmente o sintoma mais característico das hepatites. Damos o nome de icterícia à coloração amarelada da pele, olhos e mucosas provocada pelo acúmulo no sangue de uma substância chamada bilirrubina.

Vamos gastar algumas linhas explicando o que é bilirrubina, pois vários sintomas da hepatite são provocados pelo seu acúmulo no organismo.

As nossas hemácias (glóbulos vermelhos) vivem em média 120 dias, sendo destruídas no baço quando já estão velhas. Um dos elementos liberados pela hemácia quando esta é destruída é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado.

Diariamente milhões de hemácias velhas são destruídas no baço, provocando uma liberação constante de bilirrubina para o sangue. Para que esta bilirrubina não se acumule no corpo, o mesmo precisa eliminá-la de algum modo. É neste momento que entra em ação o nosso fígado.

Um dos papéis do fígado é captar esta bilirrubina circulante no sangue, metabolizá-la e excretá-la em direção aos intestinos, para que a mesma seja eliminada nas fezes.

Nos quadros de hepatite, o fígado encontra-se inflamado e doente, perdendo a capacidade de metabolizar e/ou eliminar a bilirrubina que é constantemente produzida pelo baço. Portanto, é muito comum nos quadros de hepatite haver acúmulo de bilirrubina no sangue. Este excesso de bilirrubina acaba extravasando para pele e mucosas, provocando a aparência amarelada dos mesmos.

A ictérica é um sinal típico da hepatite, mas pode também surgir em outras doenças do fígado, como cirrose (leia: CIRROSE HEPÁTICA) ou síndrome de Gilbert (leia: SÍNDROME DE GILBERT, CRIGLER-NAJJAR e DUBIN-JOHNSON), em infecções, como febre amarela (leia: FEBRE AMARELA | Vacina e sintomas) ou leptospirose (leia: LEPTOSPIROSE | Sintomas e tratamento), ou quando há destruição maciça de hemácias, um quadro chamado hemólise.

Para saber mais detalhes sobre a icterícia, leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto

Sintomas da hepatite #2 – FEZES CLARAS

A presença de fezes claras, quase brancas, é chamada de acolia fecal, sendo também um sinal comum de hepatite.

A origem da acolia fecal é a mesma da icterícia. A bilirrubina é a substância responsável pela coloração marrom das fezes. Se o fígado encontra-se inflamado e mal funcionante, a bilirrubina que chega até ele não consegue ser metabolizada nem excretada em direção às fezes, impedindo o bolo fecal de ter sua coloração característica.

Sintomas da hepatite #3 – URINA ESCURA

A urina escura é outro sinal de hepatite que ocorre devido ao acúmulo de bilirrubina no sangue.

O papel dos rins no nosso organismo é o de filtrar o sangue, eliminando substâncias desnecessárias ou em excesso. E é exatamente isso que os rins fazem nos pacientes com icterícia; eles excretam o excesso de bilirrubina, que por ser um pigmento escuro, acaba escurecendo a urina, deixando-a com cor de Coca-Cola ou mate.

Sintomas da hepatite #4 – COCEIRA DIFUSA NA PELE

A icterícia vem frequentemente associada à coceira, pois a bilirrubina depositada na pele causa irritação das terminações nervosas.

Muitas vezes o paciente com hepatite tem uma icterícia leve, o que pode passar despercebido, principalmente se o indivíduo tiver pele mais escura. Portanto, em alguns casos, o acúmulo de bilirrubina na pele se manifesta mais como uma coceira difusa e aparentemente sem explicação do que propriamente como uma pele amarelada.

Sintomas da hepatite #5 – DOR ABDOMINAL

A inflamação da hepatite aguda pode causar um inchaço do fígado, provocando dor no mesmo. A dor da hepatite é localizada caracteristicamente no quadrante superior direito do abdômen, logo abaixo das costelas, exatamente no local onde o fígado se encontra. Em alguns casos, o fígado pode estar inchado, podendo ser palpado através do exame do abdômen.

Para saber mais sobre os diferentes tipos de dor abdominal, leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas

Sintomas da hepatite #6 – MAL ESTAR

As hepatites sempre causam um quadro pouco específico de mal estar, que podem incluir diversos sintomas, como fraqueza, cansaço fácil, perda do apetite, dor muscular, dor articular, diarreia, rash (manchas vermelhas no corpo), náuseas e vômitos. Se o paciente não desenvolver icterícia, o diagnóstico de hepatite pode não ser pensado logo de início, pois o quadro acaba se parecendo mais com uma virose inespecífica ou uma intoxicação alimentar (leia: VIROSE – Sintomas, Causas e Tratamento).

Sintomas da hepatite #7 – FEBRE

Outra manifestação comum da hepatite, mas muito pouco específica, é a febre. A febre da hepatite é tipicamente baixa e costuma vir acompanhada de alguns dos sintomas inespecíficos descritos no item anterior.

Sintomas da hepatite #8 – INSUFICIÊNCIA HEPÁTICA AGUDA

Raramente, o quadro de hepatite pode se manifestar como uma falência aguda do fígado, chamada de hepatite fulminante. A inflamação é tão intensa que o fígado, um órgão vital, para de funcionar por completo, levando a um quadro catastrófico.

Doentes com hepatite fulminante podem apresentar uma variedade de complicações, como redução do nível de consciência, coma, edema cerebral, insuficiência renal aguda, hipoglicemia grave, hemorragias espontâneas e falência de múltiplos órgãos. O único tratamento efetivo para estes casos é o transplante de fígado urgente.

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FUNÇÕES DO FÍGADO

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O fígado é um órgão vital, sem o qual não é possível sobreviver. Além de ser o maior órgão sólido e a maior glândula do corpo, o fígado também é responsável por centenas de funções no nosso organismo.

Neste artigo iremos abordar as principais características do fígado, dando ênfase às principais funções deste órgão.

Se você está à procura de informações sobre sintomas de problemas no fígado, leia: 12 SINTOMAS DO FÍGADO.

O que é o fígado?

O fígado é um grande órgão maciço, com aproximadamente 20 cm de diâmetro, 17 cm de altura e peso médio de 1.4 quilo, localizado no quadrante superior direito da cavidade abdominal, logo abaixo do diafragma.

O suprimento sanguíneo do fígado é feito por duas vias, pela artéria hepática (20-40%) e pela veia porta (60-80%). O fígado é um órgão tão vascularizado que chega a receber 1.5 litro de sangue por minuto.

Uma das mais interessantes caraterísticas do fígado é a sua incrível capacidade de se regenerar, sendo ele capaz de retornar ao tamanho normal mesmo após ter mais de 50% do seu volume retirado cirurgicamente.

O fígado é uma complexa fábrica orgânica, com centenas de funções, entre as mais importantes, remover toxinas do sangue e processar alimentos vindos dos intestinos.

Funções do fígado

As células do fígado, chamadas hepatócitos, contêm milhares de enzimas que são responsáveis pela metabolização das substâncias presentes no sangue, sejam elas benéficas ou prejudiciais ao nosso organismo. O fígado também é capaz de armazenar nutrientes e outras substâncias úteis, além de produzir proteínas e vitaminas essenciais para nossa saúde.

A ciência já conhece mais de 500 funções do fígado, vamos falar resumidamente das principias:

1- Metabolização dos nutrientes digeridos

O processo de digestão consiste na quebra dos nutrientes em moléculas cada vez menores, até o ponto delas poderem ser absorvidas pela mucosa dos intestinos e depois lançadas na circulação sanguínea.

Toda a circulação sanguínea do trato digestivo drena em direção à veia porta, de forma que nenhum nutriente ou substância ingerida consiga chegar ao resto do organismo sem antes passar pelo fígado.

Este processo é de suma importância, pois é o fígado quem controla quanto, qual, em que forma cada substância originada da alimentação passará para o resto do corpo. Exemplos:

a. Gorduras

O processo de digestão quebras as gorduras em moléculas pequenas, chamadas ácidos graxos e glicerol. São estas as moléculas absorvidas pelos intestinos e lançadas em direção à veia porta. No fígado essa gordura é transformada em diversas substâncias, como fosfolipídios ou colesterol, que são essenciais na produção de nossas células.

O fígado também usa as gorduras para sintetizar lipoproteínas, como o HDL, VLDL, e LDL, que são as moléculas responsáveis pelo transporte de colesterol pelo sangue (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).

O fígado também é quem determina se a gordura ingerida será usada para gerar energia ou será armazenada. Se o indivíduo consome gorduras em excesso, o fígado transforma o glicerol e o ácido graxo em triglicerídeos, armazenando-os no tecido subcutâneo, criando camadas de tecido adiposo (os famosos pneuzinhos). De forma oposta, se o corpo precisar de fontes extras de energia, o tecido adiposo quebra os triglicerídeos novamente em glicerol e o ácido graxo, enviando-os de volta para o fígado para que eles possam ficar disponíveis como fonte de energia para as células (leia: O QUE SÃO OS TRIGLICERÍDEOS?).

b. Proteínas

O processo de digestão quebra as proteínas ingeridas em moléculas chamadas aminoácidos. O fígado é o órgão que decide o destino destes aminoácidos, podendo utilizá-los como:

– fonte para produção de proteínas essenciais para o organismo, como albumina, globulinas, lipoproteínas, fatores da coagulação, etc;
– fonte para formação de massa muscular;
– fonte para produção de gordura, pois, caso necessário, o fígado consegue transformar aminoácidos em triglicerídeos, num processo chamado lipogênese;
– fonte para produção de glicose, em um processo chamado gliconeogênese.

Pacientes com doenças graves do fígado apresentam níveis baixos de proteínas no sangue, principalmente albumina. A perda de massa muscular também é comum devido à perda de capacidade de lidar com os aminoácidos recebidos da alimentação. A deficiência de fatores da coagulação faz com que estes pacientes apresentem maior risco de sangramentos.

A digestão das proteínas produz aminoácidos, mas também gera a amônia, uma substância tóxica para o organismo. O fígado é o responsável pela metabolização da amônia, transformando-a em ureia, uma substância infinitamente menos tóxica. Pacientes com cirrose e falência hepática perdem a capacidade de metabolizar a amônia, fazendo com que a mesma se acumule no corpo, levando à chamada encefalopatia hepática, um processo de intoxicação dos neurônios.

Leia também: O QUE SÃO PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS?

c. Glicose

Os carboidratos ingeridos são transformados em moléculas de glicose, que é a principal fonte de energia das células. Quando chega uma grande quantidade de glicose ao fígado, ele libera uma parte em direção à circulação sanguínea e armazena outra sob a forma de glicogênio, para que esta possa ser usada como fonte de energia nos períodos de jejum ou atividade física. Se o fígado já está cheio de glicogênio, mas o indivíduo continua ingerindo carboidratos em excesso, o mesmo passa a ser transformado em triglicerídeos (lipogênese), sendo enviado para os tecidos subcutâneos. É por isso que comer muito carboidrato engorda.

Pacientes com grave doença hepática podem apresentar hipoglicemias, pois o fígado já não consegue armazenar glicose na forma de glicogênio, fazendo com que o paciente não tenha reservas de glicose facilmente disponíveis nos períodos de jejum.

2- Metabolização de substâncias tóxicas

Assim como os nutrientes, qualquer outra substância ingerida também passará pelo fígado antes de chegar ao resto do organismo, incluindo remédios, drogas, toxinas ambientais e álcool.

Os hepatócitos são ricos em citocromo P450, o nome dado a uma família de enzimas que têm a capacidade de metabolizar, inativar e facilitar a eliminação pelos rins de diversas substâncias.

O exemplo mais famoso do processo de desintoxicação realizado pelo fígado é a metabolização de bebidas alcoólicas. O álcool é uma substância extremamente tóxica,  mas que até certo ponto pode ser consumida, pois o fígado tem a capacidade de transformá-lo em ácido acético, uma metabólito muito menos tóxico e facilmente eliminado pelos rins através da urina. Se você quiser informações mais detalhadas sobre esse processo de metabolização do álcool pelo fígado, leia: O QUE É A RESSACA?

O fígado também é capaz de desativar substâncias produzidas pelo próprio corpo, como hormônios, impedindo que haja excesso dos mesmos circulando pelo sangue.

Pacientes com doenças hepática devem evitar álcool e determinados medicamentos, pois o fígado já não será mais capaz de metabolizá-los adequadamente.

3- Produção de bile

Nossas hemácias (glóbulos vermelhos) são células que têm uma vida média de 120 dias. Quando ficam velhas, elas são levadas para o baço, onde são destruídas. Um dos produtos liberados neste processo é a bilirrubina, um pigmento amarelo-esverdeado. A bilirrubina produzida no baço não é solúvel em água e, portanto, não pode ser eliminada pelos rins, cabendo ao fígado este papel.

A bilirrubina é metabolizada no fígado e acrescentada a bile, uma substância que auxilia na digestão de gorduras. A bile produzida pelo fígado é parte armazenada na vesícula biliar e parte liberada no intestino, para facilitar o processo de digestão. A presença da bilirrubina na bile é a responsável pela cor marrom das fezes. Pacientes com doenças no fígado ou nas vias biliares que impeçam a drenagem de bile para os intestinos apresentam problemas de digestão de gorduras e fezes esbranquiçadas.

Se o fígado perder a capacidade de metabolizar e excretar a bilirrubina, a mesma se acumula no sangue e acaba se depositando na pele, tornando-a amarelada, um sinal que chamamos de icterícia (leia: ICTERÍCIA | Neonatal e adulto).

4- Produção de substâncias essenciais ao organismo

Além da produção de proteínas importantes, como albumina e fatores da coagulação, já explicados acima, o fígado também é capaz de produzir, metabolizar e armazenar uma grande diversidade de outras substâncias, como vitaminas e ferro.

5- Destruição de bactérias e outros germes.

O fígado possui células de defesas, chamadas células de Kupffer, capazes de eliminar germes e fragmentos de células mortas que passem pelo fígado.

Se você quiser ler sobre as principais doenças do fígado, acesse nosso arquivo sobre doenças hepáticas: ARQUIVO DE HEPATOLOGIA.

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