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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

O QUE É PSICOSE?

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O termo psicose vem do Grego, significando estado mental anormal (psic= mente, ose = condição anormal).

A psicose é muito comum e atinge até 5% da população em algum momento da vida. Pode ocorrer em diversas situações:

– Esquizofrenia (leia: ESQUIZOFRENIA | Sintomas e causas).
– Doença bipolar (antigo transtorno maníaco-depressivo).
– Depressão grave.
– Doença de Alzheimer.
– Estresse psicológico severo.
– Privação do sono.
– Secundário a drogas lícitas e ilícitas.
– Epilepsia (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA).
– Abstinência ao álcool (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO).
– Infecções e cânceres do sistema nervoso central.
– Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO).
– Insuficiência renal e hepática.
– SIDA (AIDS) (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)).
– Sífilis (leia: SINTOMAS DA SÍFILIS).

Psicose é um distúrbio da percepção da realidade; estado de psicose se caracteriza pela agitação, agressividade, impulsividade e outras alterações do comportamento.

Os sintomas da psicose são:

Alucinação: São percepções falsas de um dos sentidos. A alucinação auditiva é a mais comum, seguido em ordem pela visual, tátil, olfatória e paladar. Podem também ocorrer alterações do equilíbrio e da propriocepção (noção de posicionamento espacial do próprio corpo). As alucinações auditivas podem ser com uma ou várias pessoas falando, assim como música sendo tocada. São vozes que impõe ordens, muitas vezes mandam o paciente pular de uma janela ou ponte. A olfatória costuma estar associada a cheiros desagradáveis como vômitos e fezes. A alucinação visual pode ocorrer com objetos sem forma ou até com pessoas e animais. Pode-se imaginar o corpo sendo tomado por inúmeros insetos ou a presença de pessoas no ambiente.

Existem 2 tipos de alucinações que são consideradas normais e que provavelmente já ocorreu com vocês: a hipnagogia e hipnopompia, que ocorrem na transição sono/vigília. O primeiro é aquela conhecida sensação de queda ao adormecer e o segundo são alucinações que ocorrem durante o processo de despertar.

Delírio (delusão): São falsas crenças e convicções que sem mantém apesar de claras evidências contrárias e da implausibilidade dos fatos. Os mais comum é o delírio persecutório, onde o indivíduo acha que há forças externas tentando prejudicá-lo, como conspirações, gás venenoso na tabulação, comida envenenada, câmeras escondidas na sua casa, micro-chips implantados secretamente no cérebro etc…

No delírio de ciúmes, o paciente está convicto que o parceiro comete adultério e imagina evidências em pequenas manchas nas roupas e alterações na posição do banco do carro. Tem certeza que o parceiro vai ao banheiro, não para urinar, mas sim para encontrar o amante dentro da cabine. Coisas absurdas. Nos delírios religiosos o doente pensa ser uma divindade ou ter contacto direto com Deus. Existem também delírios sobre abdução por ETs, clonagem, contato com mortos, etc.

Algumas pessoas famosas sofrem com delírios de fãs que imaginam ser suas amantes, que tem direito a decidir sobre aspectos da sua vida, etc. Geralmente, atentados contras pessoas famosas são movidos por um estado psicótico.

Para o paciente em delírio existe sempre uma lógica no seu pensamento, e nenhum argumento é capaz de convencê-lo do contrário.

Atenção: Delírio é diferente de delirium. Escreverei sobre o segundo em outra oportunidade.

Pensamento desorganizado: Alterações do discurso e comportamento bizarro. Incapacidade de formular frases compreensíveis. Conclusões ilógicas como ” uma maçã cabe dentro de uma caneta preta mas não de uma azul”. Criação de palavras que não existem, interrupção de frases no meio, sem completá-la e frases com palavras desconectas.

Agitação e agressão: Agitação é um estado agudo de ansiedade, com aumentada atividade motora. Pode ocorrer pela percepção do paciente do quadro psiquiátrico através da alucinações ou alterações de pensamento. Atos de violência podem ocorrer nos delírios persecutórios

Existem várias drogas chamadas de anti-psicóticos que usadas no tratamento deste quadro. É importante descartar causas secundárias e tratá-las adequadamente.

ESQUIZOFRENIA | Sintomas e causas

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A esquizofrenia é uma desordem psiquiátrica caracterizada por quadro de psicose crônica ou recorrente, levando a deterioração progressiva das capacidades funcionais.

A psicose é o termo usado para um alteração do estado mental caracterizado pela perda da realidade, com sintomas como alucinações, delírios, pensamentos e discursos sem lógica e comportamentos caóticos.

O doente psicótico costuma ser extremamente desconfiado, ouve vozes e vê coisas que não existem, imagina ter poderes especiais, acha que a TV ou radio mandam mensagens especialmente para eles, e podem imaginar que existe algum tipo chip ou antena que consegue ler seus pensamentos e monitoriza suas atividades.

Um bom exemplo é a personagem do Russel Crowe no filme vencedor do Oscar ” Uma mente brilhante” (A beautiful Mind no original).

Para entender melhor, leia mais sobre psicose.

A esquizofrenia acomete homens e mulheres na proporção de 1,4:1, e apresenta pico de incidência entre 20 e 30 anos de idade. O diagnóstico é puramente clínico uma vez que não existem testes laboratoriais ou de imagem específicos. Raramente inicia-se na infância ou em idosos.

Até 10% dos pacientes conseguem recuperação total, mas para 55% a doença tem curso crônico. Os restantes 35% apresentam episódios intermitentes.

80% apresentam uma associação com abuso de substâncias como álcool, drogas lícitas é ilícitas. É uma relação de consequência e não causal. O doente esquizofrênico tem uma chance 3x maior de adquirir algum vício do que a população em geral.

Existe claramente um fator genético, mas que sozinho não é suficiente para desencadear a doença. Parentes de primeiro grau apresentam uma taxa de acometimento de 10%. Irmãos gêmeos idênticos, de 50%. Fatores ambientais ainda não claramente identificados apresentam grande peso.

O quadro clínico pode ser bem heterogêneo e os sintomas se caracterizam por 4 grandes grupos:

1. Sintomas positivos: São os sintomas da psicose descritos acima. Delírios e alucinações (especialmente auditivas) são os mais comuns.
2. Sintomas negativos: São sintomas de perda das características usuais. Pode ser perda da resposta afetiva, da expressão verbal, da motivação pessoal, da atenção ao ambiente, da interação social…
3. Alterações cognitivas: Diminuição da atenção, capacidade de raciocínio, da memória, da linguagem e da capacidade em realizar funções
4. Alterações na afetividade: Problemas de humor com mudanças repentinas, manifestações inapropriadas ou bizarras de afetividade ou comportamento. Depressão é comum após períodos de exacerbação da psicose.

De acordo com o conjunto de sintomas, a esquizofrenia é dividida em 5 subtipos:

– Paranoide = São os doentes que apresentam delírios e alucinações, sem alterações no pensamento lógico, na afetividade ou comportamento. É o subtipo que apresenta o melhor prognóstico. São pacientes que conseguem manter o emprego e o relacionamento familiar. Como são os que mais percebem a doença, é o subgrupo com maior taxa de suicídio.

– Desorganizado = São os doentes com pensamento desorganizado e comportamento bizarro e inapropriado. Apresentam o pior prognóstico, com maior taxa de incapacidade funcional, perda de relacionamento e necessidade de institucionalização.

– Catatônico = São os paciente que perdem interação com ambiente e assumem posturas estranhas. Não atendem a solicitações e resistem a tentativas de movê-los. A catatonia ocorre episodicamente.

– Residual = São pacientes que apresentam longos períodos de ausência dos sintomas positivos, porém apresentam outros sintomas de modo discreto, como alterações no pensamento e afetividade.

– Indiferenciado = São os que não se encaixam em nenhuma das categorias anteriores, apresentando sintomas de mais de um subtipo.

A investigação inclui análises de sangue e exames de imagem para se descartar causas orgânicas.
Não existe um sintoma ou sinal patognomônico. O diagnóstico é feito pelo conjunto de sintomas. A psicose é típica, mas não é exclusiva da esquizofrenia.

O tratamento com remédios é para a vida toda. Doentes muito agitados que colocam a sua vida e a de outros em perigo, devem ser internados até estabilização.

ANTIDEPRESSIVOS (ISRS) – Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina…

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Os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS) são uma classe de medicamentos antidepressivos presentes no mercado desde o final da década de 1980. As principais drogas que fazem parte desta classe são: paroxetina, sertralina, escitalopram, citalopram e fluoxetina.

O antidepressivo é uma droga de origem psiquiátrica indicada no tratamento dos transtornos do estado do ânimo e do humor. Apesar do nome, a depressão não é sua única indicação. Os antidepressivos também podem ser usados em outros distúrbios psiquiátricos como transtorno bipolar, distúrbios de ansiedade, transtorno obsessivo-compulsivo, estresse pós-traumático, e até em doenças orgânicas como a fibromialgia e tensão pré-menstrual.

Leia também:
– FIBROMIALGIA – Sintomas e tratamento.
– TUDO SOBRE A TPM – TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL.

Neste artigo vamos falar exclusivamente sobre os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação de serotonina. Se você procura informações sobre a depressão, leia: DEPRESSÃO ? Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento.

Antidepressivos

Os primeiros antidepressivos foram descobertos na metade do século XX. Com o passar do tempo, novas classes de antidepressivos foram sendo desenvolvidas, e com a diminuição dos efeitos colaterais, o seu uso se popularizou. Em países da Europa cerca de 3 a 7% da população usam corriqueiramente algum tipo de antidepressivo entre as dezenas de drogas diferentes que se encaixam neste grupo.

Não se sabe exatamente as causas da depressão, mas a concentração cerebral de algumas substâncias químicas, chamadas de neurotransmissores, estão envolvidas neste processo. As principais são a serotonina, a noradrenalina e a dopamina. A ação dos diferentes antidepressivos passam pela regulação dessas substâncias.

Não é meu objetivo escrever um compêndio de farmacologia específico sobre antidepressivos. Vou citar as principais classes e tecer alguns comentários acerca dos efeitos colaterais e interações dos antidepressivos mais prescritos no mundo. A leitura da bula médica por leigos pode trazer muita confusão, e o medo de desenvolver  algum dos efeitos colaterais descritos é muitas vezes a causa do abandono do tratamento por parte do paciente. Explicarei como funcionam os antidepressivos e darei maior ênfase aos efeitos adversos mais comuns entre cada classe.

Para evitar um texto muito extenso, vou dividi-lo em partes. Nesta primeira abordarei os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS). Posteriormente escreverei sobre os antidepressivos tricíclicos e tetracíclicos, os inibidores da recaptação da serotonina/noradrenalina, inibidores da MAO e antidepressivos atípicos.

Inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)

– Fluoxetina (Prozac®, Daforin®, Prozen®, Psipax®)
– Sertralina (Zoloft®, Assert®, Serpax®)
– Paroxetina (Seroxat®, Dropax®, Paxil®, Benepax®, Pondera®, Parox®)
– Citalopram (Celexa®, Cipramil®, Cipram® Città®, Procimax®)
– Escitalopram (Cipralex®, Lexapro®)

Os ISRS são a classe de antidepressivos mais prescrita no mundo. São drogas relativamente novas – a primeira droga desta classe, a fluoxetina, o famoso Prozac®, começou a ser comercializada em 1987 -, seguras mesmo em doses elevadas, bem toleradas e com perfil de efeitos colaterais leves.

Como agem os inibidores seletivos da recaptação de serotonina (ISRS)?

A serotonina é um um neurotransmissor, uma substância envolvida na comunicação dos neurônios, associada a regulação do humor, emoções, sono e apetite. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina agem impedindo a retirada da serotonina da fenda sináptica, local onde este neurotransmissor exerce suas ações. Deste modo, a serotonina permanece disponível por mais tempo, causando melhora no humor dos pacientes.

Como qualquer droga antidepressiva, os inibidores seletivos da recaptação de serotonina demoram pelo menos 2 semanas para começarem a fazer efeito e até 8 semanas para atingirem seu potencial máximo.

O principal efeito adverso desta classe são as disfunções sexuais, nomeadamente diminuição da libido e dificuldades em se atingir o orgasmo, motivo pelo qual estas drogas podem ser usadas no tratamento da ejaculação precoce (leia: TRATAMENTO DA EJACULAÇÃO PRECOCE). Outros efeitos colaterais comuns incluem náuseas e insônia.

O uso desta classe de antidepressivos deve ser feito com cuidado em jovens abaixo dos 24 anos devido a uma maior incidência de pensamentos suicidas nas primeiras semanas de tratamento.

Também existe um maior risco de pequenos sagramentos, o que torna a associação com anticoagulantes, como varfarina, e com antiagregantes plaquetários, como aspirina e clopidogrel, indesejável.

Nunca se deve usar nenhum antidepressivo ISRS junto com os antidepressivos inibidores da MAO. É preciso sempre haver um espaço de no mínimo 14 dias entre o uso de um e outro. Esta associação pode ser fatal.

a) Fluoxetina (Prozac®, Daforin®, Prozen®, Psipax®)

A fluoxetina foi o primeiro ISRS lançado no mercado. A sua fácil posologia de 1 comprimido por dia e o seu perfil de efeitos adversos leves, principalmente quando comparado às drogas existente na época, tornaram-na rapidamente a 2º droga mais vendida nos EUA durante o início da década de 90 e o principal antidepressivo no mundo.

A dose efetiva da fluoxetina é 20 mg por dia, quantidade capaz de manter até 80% da serotonina cerebral atuando por mais tempo. É importante lembrar que seu efeito clínico só começa a ser relevante a partir da 3º semana de uso. Pacientes que não respondem até 6 semanas podem ter sua dose elevada progressivamente até o máximo de 80 mg/dia. Quando suspensa, a fluoxetina ainda permanece viável na circulação por mais 4 a 6 dias, sendo a droga desta classe com maior meia-vida.

Já existe uma nova formulação de fluoxetina que pode ser tomada 1 vez por semana.

Os efeitos colaterais mais frequentes da fluoxetina são náuseas, insônia, redução da libido, retardo na ejaculação, tremores, redução do apetite, astenia e ansiedade. Em geral são efeitos que surgem no início do tratamento e desaparecem com o tempo. Se as alterações sexuais não melhorarem, a associação com buspropiona ou buspirona costuma resolver o problema.

Medicamentos não devem ser usados junto com fluoxetina (e outros ISRS) sem autorização médica explícita:
– Álcool, analgésicos opióides, varfarina, carbamazepina, anti-inflamatórios, sibutramina, tamoxifeno, tramadol, fenitoína, outros antidepressivos.

Temos um artigo específico sobre a fluoxetina, que pode ser acessado através do seguinte link: CLORIDRATO DE FLUOXETINA | Indicações e efeitos

b) Sertralina (Zoloft®, Assert®, Serpax®)

A sertralina é um antidepressivo presente no mercado desde 1992.

Sua dose efetiva é de 50mg/dia podendo ser aumentada até 200mg/dia.

O perfil da sertralina é muito semelhante ao da fluoxetina, por isso vou me ater somente as diferenças significativas.

Os efeitos colaterais são semelhantes, porém, as queixas de náuseas costumam ser mais frequentes com a sertralina do que com outros antidepressivos ISRS. Porém, a sertralina parece ter uma taxa de sucesso no tratamento da depressão até 40% maior que a fluoxetina.

c) Paroxetina (Seroxat®, Dropax®, Paxil®, Benepax®, Pondera®, Parox®)

A paroxetina foi lançada logo após a sertralina, em 1993.

Sua dosagem varia entre 20mg/dia a 50mg/dia.

Ao contrário da fluoxetina e da sertralina que podem causar ansiedade e agitação, a paroxetina mais frequentemente causa sonolência. A disfunção sexual parece ser mais frequente com a paroxetina quando comparado com os outros ISRS. Sintomas de boca seca e ganho de peso também são mais comuns com esta droga.

Apesar do pior perfil de efeitos adversos, a paroxetina parece ser o antidepressivo mais eficaz desta classe.

d) Citalopram (Celexa®, Cipramil®, Cipram® Città®, Procimax®)

O citalopram apresenta como principal característica o fato de ser o ISRS com menos efeitos colaterais de ordem sexual. Também parece ser o melhor antidepressivo desta classe para pacientes com quadros de ansiedade associado.

A dose indicada de citalopram é 20mg/dia, podendo chegar até 60mg/dia.

e) Escitalopram (Cipralex®, Lexapro®)

Lançado em 2001, o escitalopram é um derivado do citalopram com maior poder de ação. 10 mg de escitalopram apresentam a mesma eficácia de 40 mg de citalopram. A sua dose indicada varia entre 10mg/dia e 20mg/dia.

Porém, quando tomados em dose equivalentes, o escitalopram apresenta a mesma eficácia e perfil de efeitos colaterais do citalopram.

CLORIDRATO DE FLUOXETINA – Indicações e Efeitos

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O cloridrato de fluoxetina, também conhecida pelo seu nome comercial mais famoso, Prozac, é um medicamento antidepressivo que pertence à classe do inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). A fluoxetina é o mais antigo e o mais estudo antidepressivo do grupo dos ISRS, tendo sido lançada no mercado em 1987.

Apesar de ser classificada como antidepressivo, a fluoxetina pode também ser usada para vários outros distúrbios, tais como transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia nervosa e síndrome do pânico.

Neste artigo vamos tentar criar uma bula simplificada da fluoxetina, explicado em linguagem clara os seus efeitos, indicações, forma de uso, contraindicações e efeitos colaterais. Também vamos dedicar uma seção do texto à seguinte pergunta: fluoxetina emagrece?

Se você procura informações não só da fluoxetina, mas também de toda a classe do inibidores seletivos da recaptação da serotonina, acesse o seguinte link: ANTIDEPRESSIVOS – Inibidores seletivos da recaptação da serotonina

Como age a fluoxetina

O mecanismo de ação da fluoxetina é o mesmo de todos os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Vamos a uma rápida explicação.

A serotonina é um neurotransmissor, ou seja, é uma substância envolvida na comunicação entre os neurônios. A serotonina age sobre a regulação do humor, das emoções, do sono e do apetite. Níveis reduzidos de serotonina no sistema nervoso central podem causar depressão do humor, alterações de comportamento, e ainda provocam distúrbios no sono e no apetite.

A quantidade de serotonina disponível para os neurônios depende do quanto é produzido e do quanto é removido (recaptado) no cérebro. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina agem diminuindo a taxa de remoção da serotonina da fenda sináptica, local onde este neurotransmissor exerce suas ações. Deste modo, os ISRS fazem com que a serotonina permaneça disponível por mais tempo para os neurônios, levando a uma melhora do humor dos pacientes.

Para que serve a fluoxetina

Sendo um antidepressivo, é mais do que óbvio que a principal indicação da fluoxetina é para o tratamento da depressão. Contudo, esta não é única. A fluoxetina também é eficaz no tratamento de outros distúrbios de origem psiquiátrica, como, por exemplo: transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia nervosa, síndrome do pânico e estresse pós-traumático. A fluoxetina também pode ser usada como tratamento auxiliar na fibromialgia (leia: O QUE É FIBROMIALGIA?) e na tensão pré-menstrual (leia: TPM – TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL).

Apresentações da fluoxetina

A fluoxetina é um medicamento que já possui uma versão genérica, tanto no Brasil quanto em Portugal. Além da forma genérica, a fluoxetina também pode ser encontrada sob os seguintes nomes comerciais:

  • Daforin.
  • Depress.
  • Digassim.
  • Fluxene.
  • Prozac.
  • Prozen.
  • Psipax.
  • Psiquial.
  • Verotina S.

No Brasil, a fluoxetina pode ser encontrada em comprimidos de 10 ou 20 mg e em solução oral na concentração de 20 mg/ml. Em Portugal, as apresentações disponíveis são comprimidos de 20 mg ou solução oral na concentração de 4 mg/ml.

Como tomar e efeitos da fluoxetina

A fluoxetina pode ser tomada em qualquer horário e a sua absorção não é influenciada pela alimentação. O medicamento costuma ser tomado em dose única diária, mas doses acima de 20 mg podem ser divididas em 2 tomadas ao longo do dia.

A dose efetiva da fluoxetina costuma ser de 20 mg por dia, porém, para minimizar os efeitos colaterais, o seu médico pode iniciar o tratamento com uma dose de apenas 10 mg por dia, autorizando o aumento para 20 mg após 1 semana. Esta prática costuma ser comum quando o paciente é idoso.

A dose da fluoxetina pode ser progressivamente elevada em 10 a 20 mg a cada 4 semanas até que o efeito desejado seja alcançado. Os efeitos clínicos da fluoxetina demoram cerca de 15 a 20 dias para se tornarem evidentes, por isso, não indicamos elevações da dose com menos de 1 mês de tratamento. A dose máxima recomendada é 80 mg por dia. Na maioria dos casos, o paciente consegue controle dos seus sintomas com doses entre 20 e 40 mg por dia.

A fluoxetina emagrece?

Apesar de ser uma pergunta pertinente e frequentemente feita na Internet, ela não tem uma resposta única. A fluoxetina emagrece? Depende, às vezes sim, às vezes não. Essa mesma pergunta fica mais fácil de ser respondida se for feita de formas diferentes. Por exemplo:

A fluoxetina provoca alterações no peso?

Sim, a fluoxetina pode provocar alterações no peso, seja para mais ou para menos. Ambos os casos costumam estar ligados ao controle da depressão e da ansiedade. A maioria dos pacientes depressivos ou com pânico perdem o apetite e emagrecem. Conforme a fluoxetina exerce seus efeitos, a depressão e a ansiedade vão sendo controladas e o apetite retorna. Por isso, o paciente ganha peso. O oposto também pode ser real. O consumo exagerado de alimentos pode ser um sintoma de doença psiquiátrica, que passa a ser controlado conforme a fluoxetina passa a agir.

Em alguns pacientes, a fluoxetina pode provocar perda de apetite como efeito colateral. nestes casos, ela pode levar à perda de peso.

Fluoxetina pode ser usada como remédio para emagrecer?

A fluoxetina não é um medicamento indicado exclusivamente para o tratamento da obesidade. Além dela não provocar perda de peso em todos os pacientes, a sua eficácia é muito menor do que a de outras drogas disponíveis no mercado (leia: REMÉDIOS PARA EMAGRECER). A redução do apetite descrita acima é um efeito que ocorre em apenas 1/5 dos pacientes.

Efeitos colaterais da Fluoxetina

Os efeitos colaterais mais frequentes da fluoxetina são náuseas (12% to 29%), insônia (10% to 33%), redução da libido (1% to 11%), diarreia (8% to 18%), retardo na ejaculação (7%), impotência sexual (7%), tremores (3% to 13%), redução do apetite (4% to 17%), sonolência (5% to 17%) e ansiedade (6% to 15%).

Em geral, os efeitos adversos da fluoxetina surgem no início do tratamento e desaparecem com o tempo. A fluoxetina parece ser o antidepressivo ISRS que menos provoca efeitos colaterais na área sexual.

Contraindicações e precauções da Fluoxetina

A principal contraindicação da fluoxetina é o seu uso em pacientes que estejam tomando, ou que tenham tomado nos últimos 14 dias, medicamentos que pertençam a classe dos inibidores da monoamina oxidase (IMAO) (ex: Isocarboxazida, Fenelzina ou Tranilcipromina).

A fluoxetina deve ser utilizada com cuidado em pacientes com diabetes, pois há um maior risco de hipoglicemia, e em pacientes com doenças hepática. A fluoxetina também deve ser evitada em pacientes em fase maníaca, pois pode agravar os sintomas. A fluoxetina não costuma ser o melhor medicamento para os casos de doença bipolar (maníaco-depressivo).

O consumo de álcool deve ser evitado, pois aumenta o risco de efeitos colaterais da fluoxetina.

Apesar de não ser totalmente contraindicada, a fluoxetina costuma ser evitada na gravidez, já que existem outros antidepressivos mais seguros, como a Sertralina. O mesmo raciocínio vale para as mulheres que estão amamentando.

Interações medicamentosas da Fluoxetina

Alguns medicamentos não devem ser usados em associação com a fluoxetina. Os principais são:

– Haloperidol.
– Ivabradina.
– Triptofano.
– Linezolide.
– Propafenona.
– Tamoxifeno.

RIVOTRIL – CLONAZEPAM ? Efeitos, Indicações e Doses

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O clonazepam, mais conhecido pelo nome comercial Rivotril, é uma droga que pertence à classe das benzodiazepinas, frequentemente usada no tratamento da síndrome do pânico e no controle da crise convulsiva (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas e tratamento).

Neste artigo vamos abordar, em linguagem acessível para o público leigo, o mecanismo de ação do clonazepam, sua posologia habitual, os seus efeitos colaterais, suas contraindicações e a ocorrência de interações com outros medicamentos.

Obs: como são o mesmo medicamento, ao longo do artigo, vamos usar os nomes Rivotril e clonazepam como sinônimos, já que não há diferenças relevantes entre o genérico e o medicamento de marca.

Para o que serve o clonazepam

Assim como qualquer benzodiazepínico, o clonazepam é um ansiolítico, ou seja, uma droga que age diretamente no sistema nervoso central, deprimindo a sua atividade e reduzindo a ansiedade.

Vamos a uma rápida explicação do mecanismo de ação do Rivotril para que possamos entender a sua utilidade em doenças como o distúrbio do pânico.

O nosso sistema nervoso central possui neurotransmissores que são estimulantes e neurotransmissores que são depressores (desestimulantes). O equilíbrio entre esses dois tipos de neurotransmissores é que nos mantém alerta e  emocionalmente/psicologicamente estáveis.

Um dos principais neurotransmissores depressores é o GABA (ácido gama-aminobutírico). A ação inibitória do GABA sobre os neurônios provoca, entre outras ações, aumento da sonolência, redução da excitação, diminuição do tônus muscular e letargia. Os benzodiazepínicos, como o Rivotril, são drogas que potencializam a ação do neurotransmissor GABA, provocando, portanto, aumento do seus efeito efeitos inibitórios sobre os neurônios.

Esse aumento da ação do GABA torna o Rivotril, e outros benzodiazepínicos, muito úteis no tratamento da síndrome do pânico, pois ele age diminuindo a ansiedade, reduzindo a frequência das crises e inibindo o sentimento de medo. A ação inibitória do GABA nos neurônios do córtex motor também torna o clonazepam uma excelente opção para o controle da crise convulsiva.

De todos os benzodiazepínicos disponíveis no mercado, o clonazepam é atualmente o mais indicado para o tratamento da síndrome do pânico. Além de ter um tempo de ação maior, o que reduz o número de vezes que o paciente precisa tomar comprimidos ao longo dia, o Rivotril também provoca menos “escapes” do efeito ansiolítico, isto é, quando começa a chegar na hora de tomar um novo comprimido, o Rivotril ainda consegue manter o paciente calmo. Não há, portanto, perda importante do efeito do comprimido entre as suas doses.

Como tomar o clonazepam

No Brasil, o clonazepam genérico e o Rivotril são vendidos em comprimidos ou gotas. As dosagens existentes são:

  • Rivotril comprimido sublingual 0,25 mg.
  • Clonazepam ou Rivotril comprimido 0,5 mg.
  • Clonazepam ou Rivotril comprimido 2,0 mg.
  • Clonazepam ou Rivotril solução oral 2,5 mg/ml.

A dose inicial do clonazepam para o distúrbio do pânico é 0,25 mg, 2 vezes por dia (dose diária total de 0,5 mg). A dose pode ser aumentada com acréscimos de 0,25 a 0,5 mg/dia a cada três dias até que o distúrbio do pânico esteja controlado ou até que os efeitos colaterais impeçam novos aumentos. Em geral, são necessárias doses de 1,0 a 2,0 mg por dia para o controle dos sintomas. Alguns pacientes podem precisar de doses mais elevadas, contudo, sugere-se não ultrapassar a dose total de 4,0 mg por dia.

A solução oral do rivotril é de 2,5 mg/ml, o que significa aproximadamente 0,1 mg por gota. Portanto: 5 gotas = 0,5 mg; 10 gotas = 1,0 mg. A dose inicial do rivotril em gotas é de 2 a 3 gotas (0,2 mg a 0,3 mg) tomadas 2 vezes por dia. Pode-se aumentar 1 a 2 gotas em cada tomada a cada 3 dias, até atingir a dose alvo diária de 1,0 a 2,0 mg por dia.

Nos pacientes que têm de epilepsia com síndrome convulsiva, a dose inicial é de 0,5 mg, 3 vezes por dia (dose diária total de 1,5 mg). A cada 3 dias, a dose diária pode ser aumentada em 0,5 a 1,0 mg, até que as crises estejam controladas. A dose máxima recomendada para epilepsia é de 20 mg/dia.

Efeitos colaterais do clonazepam

Os principais efeitos colaterais do clonazepam estão habitualmente associados à depressão do sistema nervoso. Alguns efeitos são transitórios e desaparecem espontaneamente no decorrer do tratamento. Em muitos casos, a redução da dose é suficiente para controlar os efeitos adversos. A elevação lenta e progressiva da dose no início do tratamento ajuda a amenizar e a reduzir a incidência das reações indesejadas.

Os principais efeitos colaterais do Rivotril são a sonolência, cansaço, diminuição da coordenação motora, diminuição da capacidade de concentração e amnésia para eventos recentes. Outros efeitos comuns são a tontura, aumento da salivação, dor muscular, distúrbios do sono, aumento da frequência urinária e visão borrada. O uso do Clonazepam pode provocar em algumas pessoas pensamentos suicidas, principalmente se o paciente já tiver depressão grave.

Um efeito adverso curioso das benzodiazepinas é a chamada reação paradoxal. Em vez do medicamento causar inibição do sistema nervoso, ele provoca um efeito contrário, deixando o paciente hiperativo e, às vezes, agressivo. Esse efeito é mais comum em pessoas jovens e em pacientes psiquiátricos.

Pacientes que fazem uso de benzodiazepínicos por muitos meses podem criar dependência, sofrendo efeitos de abstinência quando suspendem a droga. O clonazepam também podem provocar esses efeitos, mas eles costumam ser menos intensos do que em outros benzodiazepínicos, como alprazolam, lorazepam e oxazepam.

Cuidados e contraindicações do clonazepam

Por causa da sonolência e da redução dos reflexos motores, os pacientes que tomam Rivotril não devem manusear máquinas pesadas nem dirigir carros sob o efeito da droga.

A droga também deve ser administrada com cautela em pacientes com doenças do fígado, em pessoas com depressão grave, com histórico de abuso de drogas ou álcool ou em idosos com elevado risco de sofrer quedas.

O clonazepam não deve ser usado na gravidez e durante o aleitamento materno.

Interações medicamentos do clonazepam

O fato de existir interação não significa que as drogas não possam ser usadas concomitantemente, mas sim que o seu uso deve ser feito com cautela, tendo em mente que a ocorrência de efeitos colaterais pode ser maior.

Dezenas de medicamentos interagem com o clonazepam. A lista é muito longa e não vale a pena expô-la por completo aqui, uma vez que ela pode ser encontrada em qualquer bula do clonazepam. É importante destacar, porém, que qualquer substância que também provoque depressão do sistema nervoso não deve ser usada junto com o clonazepam, incluindo bebidas alcoólicas e anti-histamínicos..

Exemplo de drogas que não devem ser associadas ao Rivotril:

  • Zolpidem.
  • Erva de São João.
  • Metadona
  • Olanzapina.
  • Talidomida.
  • Ácido fusídico.
  • Droperidol.

GRAVIDEZ PSICOLÓGICA – PSEUDOCIESE

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\"Pseudociese\"
A pseudociese, conhecida popularmente como gravidez psicológica ou falsa gravidez, é uma síndrome rara na qual uma mulher, que não está grávida, não só acredita piamente que está esperando um bebê, como passa a apresentar sintomas típicos de uma gravidez, incluindo ausência de menstruação e aumento do volume abdominal.

A pseudociese é um distúrbio psicológico, que nada tem a ver com fingimento ou farsa. Uma mulher que finge estar grávida não tem gravidez psicológica. Para ser pseudociese, a paciente tem que realmente acreditar que está grávida.

Neste artigo vamos abordar o seguintes pontos sobre a gravidez psicológica:

  • Incidência na população.
  • Causas de pseudociese.
  • Sintomas da gravidez psicológica.
  • Diagnóstico da gravidez falsa.
  • Tratamento da pseudociese.

Incidência de gravidez psicológica na população

A gravidez psicológica é uma condição que afeta mulheres de todas etnias, regiões e níveis sociais. A pseudociese é mais comum em mulheres casadas e com idades entre 20 e 40 anos, mas há casos descritos de falsa gravidez em crianças e em mulheres mais velhas, mesmo após a menopausa.

A gravidez psicológica é um assunto bastante explorado em filmes, novelas e livros, porém sua real incidência é muito baixa. Apenas 1 em cada 22.000 gravidezes é falsa, ou seja, somente 0,005% das mulheres grávidas têm, na verdade, pseudociese.

Causas de pseudociese

A pseudociese é uma síndrome já conhecida há vários séculos. Sua incidência já foi maior, mas acredita-se que a mudança do papel da mulher na sociedade tenha sido a responsável pela queda na ocorrência de casos de gravidez psicológica. Durante muitos séculos a mulher era vista unicamente no papel de mãe, sendo considerada inútil se não fosse capaz de gerar uma família. Atualmente, as mulheres têm outras responsabilidades e anseios além de serem mães. Além disso, os avanços tecnológicos permitem que muitas mulheres com problemas de fertilidade consigam engravidar, diminuindo os casos de mulheres inférteis que não conseguem ter filhos.

A pseudociese parece ocorrer devido a estímulos do sistema neuroendócrino provocados por fatores psicológicos. Casos de estresse, ansiedade e/ou intensa pressão social/familiar poderiam agir sobre eixo hipotálamo-hipófise-ovário, desregulando a produção hormonal, o que levaria a sintomas semelhantes aos da gravidez, como ausência de menstruação, enjoos e aumento dos seios.

Entre as situações que já foram identificadas como gatilhos para gravidezes psicológicas, podemos citar:

– Achar que o marido vai largá-la, caso não consiga ter um filho.
– Solidão.
– Depressão.
– Baixa autoestima.
– Intensa pressão familiar por uma gravidez.
– Medo de engravidar.
– Abuso sexual durante a infância.
– Estar passando por grande estresse emocional.
– Infertilidade em mulheres que desejam muito engravidar.
– Ocorrência de abortos espontâneos em mulheres que ainda não têm filhos (e quer tê-los).
– Estar próxima da menopausa e ainda querer ter filhos.
– Ter uma personalidade que não lida bem com críticas ou eventos indesejáveis.

Para ser pseudociese a paciente tem que realmente acreditar que está grávida. Pessoas que fingem uma gravidez de forma intencional não se enquadram neste quadro.

Sintomas da gravidez psicológica

A gravidez psicológica, em alguns casos, pode ser uma situação impressionante, com múltiplos sintomas de uma gravidez real.

Entre os sintomas de gravidez que a pseudociese pode produzir estão:

– Aumento do volume abdominal.
– Enjoos matinais.
– Ausência de menstruação.
– Aumento dos seios.
– Produção de leite.
– Sentir movimentos fetais.
– Ganho de peso.

Há casos, inclusive, de mulheres que chegam ao pronto-socorro com sintomas de trabalho de parto.

A pseudociese costuma durar algumas semanas, mas há casos que persistem por meses ou anos. Em algumas mulheres, os sintomas desparecem após elas entrarem em “trabalho de parto”. As mulheres sentem dores terríveis, como se estivem parindo, e depois melhoram do quadro. Nem sempre elas entendem o que ocorreu. É comum ouvir a paciente dizer que teve um aborto ou que o filho foi levado embora por Deus.

A gravidez psicológica pode preceder o parecimento de alguma outra doença psiquiátrica, como depressão ou psicose.

Diagnóstico de gravidez psicológica

Em muitas mulheres, a gravidez psicológica só apresenta uma única diferença em relação às gravidezes reais: a falta de um feto no útero. Todas as mulheres com sintomas de gravidez devem realizar um teste de gravidez que consiste na dosagem do BhCG, hormônio produzido pela placenta durante a gestação. Como era de se esperar, mulheres com pseudociese não produzem BhCG e os testes de gravidez são negativos.

Outro exame que pode ser feito é a ultrassonografia abdominal que irá demonstrar um útero vazio, provando que não há nenhuma gravidez em curso. Nas mulheres que apresentam secreção de leite pelas mamas é importante descartar a presença do prolactinoma, um tumor da glândula hipófise que estimula a produção de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite.

Tratamento da pseudociese

Em geral, não é fácil convencer uma mulher, que há meses acha que está gravida, de que o que ela tem é uma ilusão, que foi tudo criado pela sua cabeça. Muitas vezes, a pseudociese é a válvula de escape que o cérebro encontrou para lidar com as adversidades psicológicas. Não há um tratamento estabelecido para a gravidez psicológica.

Habitualmente, indicamos o acompanhamento com um psiquiatra, mesmo nos casos em que os sintomas desaparecem espontaneamente.

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DELIRIUM – Confusão mental nos idosos

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O delirium, também chamado de estado confusional agudo, é uma perturbação grave da função mental do paciente, caracterizado por distúrbios da consciência, com reduzida capacidade de concentração, alterações da memória, confusão mental e alteração da percepção do ambiente. O início do delirium é geralmente súbito, evoluindo dentro de horas ou alguns dias.

Quandros de confusão mental são extremamente comuns em idosos, principalmente durante infecções ou internações hospitalares.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre o delirium:

  • Delirium vs. delírio
  • Sintomas do delirium.
  • Causas de delirium.
  • Estados confusionais em pacientes internados.
  • Prevenção e tratamento do delirium.
  • Delirium tremens

Delirium é diferente de delírio

Apesar de terem nomes muito semelhantes, delirium e delírio são coisas diferentes. O delírio é um sintoma de doença psiquiátrica, habitualmente transtornos psicóticos. O delírio é uma crença ou uma forte convicção sobre fatos absurdos, que vão contra a razão. Como exemplo, podemos citar aquelas pessoas que se julgam a reencarnação de Jesus Cristo, que afirmam terem sido abduzidas por alienígenas, que acham que a televisão conversa com elas ou que juram que alguém implantou um chip dentro do seu cérebro para vigiar seus pensamentos.

É importante separar charlatões de pessoas com delírio real. O paciente com delírio realmente acredita no absurdo que está relatando, e por mais que você use argumentos válidos, nunca o convencerá de que seu delírio não é real. O charlatão por sua vez é uma pessoa desonesta, que inventa histórias de forma consciente para obter vantagens, geralmente de origem financeira.

Este artigo, porém, não é sobre deliro, mas sim delirium. Vamos explicar.

Sintomas do delirium

O delirium é bem diferente do delírio. O paciente com delirium fica confuso e desorientado, tanto temporalmente quanto espacialmente, tendo dificuldades de saber onde está e de reconhecer a atual data (quando questionado em que ano estamos, ele pode responder algo como 1958). O paciente com delirium pode estar mais sonolento e com discurso letárgico.

Há uma perda na capacidade de concentração, fazendo que o paciente não consiga prestar atenção por muito tempo em nada. Isto é evidente quando tenta-se conversar com o paciente, pois o mesmo distrai-se facilmente, não conseguindo manter uma conversação. Alterações da memória recente também são comuns, fazendo com que o paciente não consiga se lembrar de situações que ocorreram há poucas horas ou dias.

Distúrbios de percepção são comuns. Os pacientes podem não reconhecer o seu médico ou familiares. Episódios de delírio podem ocorrer durante o delirium, como imaginar que está sendo perseguido ou que a equipe médica quer lhe fazer mal. Podem haver alucinações simples, com sombras ou formas; ou complexas, como ver pessoas que não existem ou que já morreram. As alucinações podem ser visuais e/ou auditivas.

Durante o delirium, os pacientes podem perder a capacidade de escrever ou falar uma segunda língua. Um estrangeiro que vive há anos no Brasil pode perder a capacidade de falar português durante o estado confusional.

O delirium surge de modo súbito e desenvolve-se ao longo de poucas horas, podendo persistir por dias ou meses. O fato de surgir subitamente é a característica mais útil na distinção com a demência, que é um quadro de instalação lenta e progressiva. Além disso, o delirium é flutuante, tornando-se mais intenso durante a tarde e a noite. Não é incomum um paciente com delirium parecer relativamente lúcido durante as visitas matinais, ficando mais confuso conforme o dia passa. A troca do dia pela noite também é típico do delirium. O paciente fica acordado e agitado durante toda noite e passa boa parte do dia dormindo.

Ao contrário da demência, o delirium é transitório e melhora com o passar do tempo.

Causas de delirium

Não se sabe exatamente por que surge o delirium, mas o fato é que ele parece ser uma doença de origem multifatorial. O paciente que desenvolve estados confusionais costuma apresentar mais de um dos fatores de risco listados abaixo:

– Doença neurológica prévia, como Parkinson (leia: DOENÇA DE PARKINSON | Sintomas e tratamento), Alzheimer (leia: MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e diagnóstico) ou AVC (leia: 7 SINTOMAS DO AVC).
– Idade avançada.
– Internação hospitalar prolongada.
– Uso de vários medicamentos, principalmente sedativos, ansiolíticos, antidepressivos ou antipsicóticos.
– Infecções.
– Desidratação.
– Deficiência visual ou auditiva.
– Doenças crônicas em estágio avançado.
– Abstinência de álcool ou drogas.
– Pouca mobilidade, estando restrito à cama.
– Privação do sono.
– Estresse emocional.
– Dor.
– Uso prolongado de sonda vesical.

Estado confusional em pacientes internados

O delirium pode surgir em qualquer idade em em qualquer tipo de pessoa. Porém, o mais habitual é ele aparecer em idosos que estão internados em hospitais ou em lares da terceira idade. Até metade dos idosos que permanecem internados desenvolvem algum grau de confusão mental. Se o paciente já possui alguma doença neurológica, ou se a internação foi motivada por alguma infecção, como pneumonia ou infecção urinária, o risco de delirium é altíssimo. Quanto mais debilitado estiver o paciente, maior é o risco de desenvolver confusão mental.

O paciente internado, além de obviamente estar doente, o que por si só é um fator de risco para o delirium, sai completamente da sua rotina, perde a noção do tempo, muitas vezes não acompanha o ciclo dia-noite, usa diversos medicamentos e costuma ficar a maior parte do tempo, quando não todo o tempo, restrito ao leito do quarto. A internação hospitalar geralmente é um momento em que vários fatores de risco para o desenvolvimento de um estado confusional estão presentes, tornado o delirium uma situação extremamente comum.

Quando um paciente idoso em bom estado desenvolve delirium em casa, geralmente há alguma causa oculta por trás. Idosos costumam reagir de modo diferente às infecções. Muitos não apresentam febre e podem não ter queixas muito específicas. O aparecimento de delirium pode ser a única dica para um quadro infeccioso em curso, como infecção urinária (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | Pielonefrite) ou pneumonia (leia: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento).

Prevenção e tratamento do delirium

Não existe tratamento específico para o delirium. O tratamento deve ser direcionado à doença ou à condição que está precipitando o estado confusional. Porém, mais importante do que tratar o delirium, é tentar prevenir o seu aparecimento. Para isso, deve-se:

– Evitar manter o paciente internado por longos períodos.
– Controlar adequadamente a dor.
– Evitar uso excessivo de medicamentos.
– Evitar uso prolongado de cateteres e sondas.
– Estimular o paciente a não ficar restrito ao leito.
– Tratar infecções em tempo hábil.

Se o paciente estiver confuso e muito agitado, o uso de drogas para acalmá-lo e controlar a agitação podem ser necessárias. Em casos extremos, o paciente pode ficar contido ao leito, principalmente se o mesmo estiver sob risco de queda da cama ou tentando arrancar soros e medicações feitas por via venosa.

Delirium tremens

O delirium tremens é uma condição definida por alucinações, desorientação, hipertensão, taquicardia (aceleração dos batimentos cardíacos), febre, agitação e sudorese provocados pela abstinência a drogas, mais comumente ao álcool.

O delirium tremens é uma emergência médica e pode evoluir para colapso cardiovascular ou insuficiência respiratória se não tratado a tempo.

Os quadro de abstinência leve ocorrem dentro de 6-24 horas após a última bebida, sendo caracterizados por tremores, ansiedade, náuseas, vômitos e insônia. Os quadros de abstinência alcoólica grave ocorrem 10-72 horas após a última bebida. Os sinais e sintomas incluem alucinações visuais e auditivas, tremores do corpo inteiro, vômitos, sudorese e hipertensão. Crise convulsiva também pode ocorrer (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas e tratamento).

Aproximadamente 5% dos pacientes alcoólatras que suspendem, voluntariamente ou involuntariamente, o consumo de álcool sofrem de delirium tremens. O quadro costuma durar de um a cinco dias e a internação hospitalar costuma estar indicado para controle da situação.

SINTOMAS DA DEPRESSÃO

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Momentos de desânimo e tristeza ocorrem com todo mundo e fazem parte da vida. O problema surge quando este sentimento de vazio custa a desaparecer, atrapalhando suas atividades habituais, tirando-lhe o prazer de viver; atividades sociais e amigos já não lhe interessam como antes, você está exausto o tempo todo, sente-se inútil e a simples espera pelo passar do dia passa a ser intolerável. Se este desgosto permanente lhe é familiar, você pode estar sofrendo sintomas da depressão.

Neste artigo vamos abordar os principais sintomas da depressão, incluindo os tipos conhecidos como depressão major, distimia e depressão reativa.

Se você procura por um artigo mais completo sobre a depressão, abordando causas, fatores de risco, diagnóstico e tratamento, acesse o seguinte link: DEPRESSÃO – Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento.

Sintomas da depressão

A depressão é uma doença que pode se manifestar de maneiras diferentes e com gravidades distintas. Há vários tipos depressão, sendo as mais comuns a chamada depressão major (depressão maior) e a depressão crônica, também conhecida como distimia. Outros tipos de depressão comuns são o distúrbio bipolar, depressão sazonal, depressão reativa, depressão atípica, depressão pós-parto e depressão minor.

A extrema tristeza é o sintoma da depressão mais típico, embora a doença possa causar vários outros sintomas físicos e psicológicos. A principal característica da depressão é o fato dos sintomas serem persistentes e capazes de interferir nas atividades diárias, no trabalho e nos relacionamentos.

Infelizmente, não há nenhum sintoma único que sirva como definidor do diagnóstico de depressão. Mesmo a tristeza profunda pode ocorrer em outras situações que não a depressão. Além disso, há casos de depressão atípica em que o paciente não refere tristeza, mas sim um conjunto de outros sinais e sintomas físicos e psicológicos.

Engana-se que acha que a depressão é uma doença de sintomas estritamente psicológicos. Muitas pessoas não reconhecem que estão deprimidas porque não ligam seus sintomas físicos, como cansaço, dores difusas pelo corpo, alterações do apetite, insônia, etc., ao transtorno depressivo. Há estudos que mostram que até um terço dos pacientes que procuram atendimento médico por sintomas físicos, têm, na verdade, sintomas de depressão.

Depressão major

A depressão major é o tipo de depressão mais comum, sendo caracterizada por uma combinação de sintomas que interferem com a capacidade do paciente de se relacionar com outros, trabalhar, dormir, estudar, comer e desfrutar atividades que anteriormente eram consideradas agradáveis.

Todos nós passamos por momentos de tristeza, desânimo e solidão, principalmente após perdas, como na morte de familiares ou ao fim de relacionamentos. A depressão, porém, distingue-se destas situações por ser persistente e incapacitante. A depressão também não precisa de um fato triste para surgir, o paciente pode passar a apresentar humor deprimido sem motivo aparente.

A depressão major costuma apresentar pelo menos cinco dos nove sintomas listados abaixo, sendo um deles obrigatoriamente a tristeza ou a perda do interesse nas atividades diárias. Os sintomas devem ser diários e estarem presentes por mais de 2 semanas consecutivas.

1- Tristeza na maior parte do dia, particularmente na manhã.
2- Perda do interesse pelas atividades do dia-a-dia.
3- Alterações significativas do apetite e/ou do peso (pode ser aumento ou redução).
4- Insônia ou sono excessivo.
5- Agitação ou letargia.
6- Fadiga ou falta de energia persistente.
7- Sentimentos de inutilidade ou culpa.
8- Incapacidade de concentração e indecisão.
9- Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.

A depressão major é uma doença recorrente. A maioria dos pacientes após um primeiro episódio apresenta uma taxa de recorrência acima de 40% nos dois primeiros anos. Nos pacientes com dois episódios, o risco de recorrência dentro de cinco anos é de aproximadamente 75%. Até 1/3 dos pacientes tratados por um episódio depressivo major terá uma recuperação incompleta, mantendo sintomas persistentes ou distimia.

Sinais de gravidade da depressão major

Pessoas com depressão major grave apresentam uma ou mais das seguintes características:

  • Planos de suicídio ou homicídio.
  • Sintomas psicóticos, como delírios ou alucinações (leia: O QUE É PSICOSE?).
  • Catatonia, que é a incapacidade de mover ou falar normalmente.
  • Capacidade de julgamento afetada, pondo risco a si mesmo e outras pessoas.
  • Incapacidade de cuidar de si próprio, incluindo a recusa em ingerir líquidos ou alimentos.

Pessoas com transtorno depressivo major grave costumam precisar de internação hospitalar pra tratamento psiquiátrico.

Distimia

A distimia é uma forma mais branda de depressão, porém prolongada, presente por pelo menos 2 anos. Às vezes, o paciente só é diagnosticado após muitos anos de doença, sendo os sintomas da distimia confundidos com a personalidade do indivíduo. Este fato é muito comum em crianças. No adulto, é comum o paciente não se lembrar de quando foi o último período em que esteve sem humor deprimido.

O humor depressivo na distimia está presente durante a maior parte do dia, por vários dias ao longo do mês. O paciente distímico passa mais dias com humor deprimido do que com humor normal. Além da sensação de tristeza prolongada, a distimia costuma vir acompanhada por dois ou mais dos seguintes sintomas:

1- Apetite diminuído ou aumentado.
2- Insônia ou excesso de sono.
3- Falta de energia.
4- Baixa autoestima.
5- Dificuldade de concentração.
6- Desânimo ou ausência de perspectivas na vida.

Na distimia os sintomas não são tão numerosos e intensos como na depressão major. Períodos livres de sintomas podem ocorrer, mas são curtos. 10% dos pacientes com distimia acabam evoluindo para um quadro de depressão major.

Depressão reativa

A depressão reativa, também chamada de transtorno de adaptação, é uma condição que ocorre em resposta a um estresse emocional identificável. O fato estressante pode ser único, como o término de uma relação, ou múltiplo, como pressões diárias da vida ou do trabalho.

A depressão reativa é um distúrbio que provoca ansiedade e humor deprimido, mas não apresenta critérios para o diagnóstico de depressão major. Por isso, o nome transtorno de adaptação é mais adequado que depressão reativa.

O transtorno de adaptação é diferente da tristeza que ocorre no luto.

As características do transtorno de adaptação são os seguintes:

– Humor deprimido que ocorre em resposta a um fator estressante identificável nos últimos três meses.
– Humor depressivo excessivo, além do que seria esperado pela natureza do fator de estresse.
– Funcionamento social, acadêmico ou profissional prejudicado.
– Resolução dos sintomas em um prazo de seis meses após o fim do evento estressante.

É importante destacar que um quadro de depressão major pode ser desencadeado por um evento emocional. Para ser considerado transtorno de adaptação, o paciente não pode preencher critérios para outros problemas psiquiátricos, como distimia ou depressão major.

Transtorno bipolar

Pessoas com transtorno bipolar, antigamente chamada de psicose maníaco-depressiva, apresentam períodos de mania (sentir-se excessivamente eufórico, impulsivo, irritável, ou irracional) e períodos de depressão major.

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DEPRESSÃO – Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A depressão, também chamada de transtorno depressivo major ou depressão unipolar, é uma doença psiquiátrica capaz de causar inúmeros sintomas psicológicos e físicos. Seu sintoma mais conhecido é uma profunda e prolongada tristeza, o que não significa que toda tristeza esteja relacionada necessariamente a um quadro de depressão.

A maioria dos adultos com transtorno depressivo nunca chega a ser avaliado por um psiquiatra, já que muitas vezes seus sintomas não são devidamente reconhecidos. Esta confusão ocorre até mesmo entre médicos não habituados a lidar com problemas relacionados à saúde mental. Estudos mostram que mais da metade dos pacientes com depressão atendidos por clínicos gerais por apresentarem sintomas físicos da depressão, como dores, insônia ou cansaço crônico, acabam não sendo reconhecidos como tal. O diagnóstico correto acaba surgindo apenas após meses ou anos de sintomas e várias consultas a médicos diferentes.

O que é depressão?

O transtorno depressivo major é uma doença psiquiátrica crônica, extremamente comum, caracterizada por uma alteração do humor do paciente, que deixa-o triste além do normal, desanimado, sem energia, com baixa autoestima e com dificuldade de lidar com sua vida pessoal e profissional.

A depressão foi uma doença muito mal compreendida durante décadas, o que levou a interpretações equivocadas sobre as suas causas e sintomas, provocando uma estigmatização dos seus portadores. Até hoje é comum encontrarmos pessoas deprimidas que não aceitam o seu diagnóstico ou familiares/amigos que tratam o paciente deprimido como alguém mentalmente fraco, incapaz de superar as dificuldades da vida. Não se deve tratar o paciente deprimido como alguém simplesmente triste, incapaz de reagir.

Mais do que apenas um ataque de tristeza, a depressão não é uma fraqueza ou falta de disciplina, nem é algo que o paciente possa simplesmente resolver apenas com a vontade própria. Para o deprimido, deixar de estar triste não é que nem o fumante que pretende parar com o cigarro; não é uma questão de tomar a decisão e manter-se fiel a ela. A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento a longo prazo, como são o diabetes ou a hipertensão. Assim como ninguém deixa de ser diabético apenas com a força de vontade e pensamento positivo, a depressão também precisa de ajuda médica para ser controlada.

O transtorno depressivo pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a terceira idade. É uma doença tão comum que estima-se que 12% dos homens e até 25% das mulheres apresentarão algum grau de depressão ao longo de suas vidas. Esse distúrbio é duas vezes mais comum em mulheres do que homens e é mais comum em adultos jovens do que em idosos.

Diferenças entre tristeza e depressão

O termo deprimido é muitas vezes usado como sinônimo de triste. Tristeza e depressão são coisas diferentes. Na verdade, a tristeza costuma ser um dos sintomas da depressão, mas só ela não basta para o seu diagnóstico.

A tristeza é uma reação normal e esperada para muitas situações, como a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento amoroso, perda do emprego, etc. É completamente normal o indivíduo passar alguns dias ou semanas tristes após situações de perda. Isto não é considerado um transtorno depressivo major.

Para ser depressão o quadro de tristeza tem que ser prolongado e acima do normal, sendo suficiente para interferir nas atividades diárias da pessoa, reduzindo a capacidade de cuidar de si mesmo, atrapalhando relacionamentos, prejudicando suas atribuições profissionais, etc. Se você perde um parente e sente-se triste por semanas, isso é normal. Mas se esta tristeza for tão intensa que semanas após a perda você ainda não conseguiu retomar a sua vida em questões básicas, como trabalhar, manter higiene pessoal, cuidar da casa, isso pode ser depressão.

Na tristeza, o indivíduo costuma apresentar períodos de melhora ao longo do dia, conseguindo esquecer por momentos a causa da sua tristeza, como, por exemplo, durante a visita de uma pessoa querida. Na depressão, o sentimento é contínuo e não alivia com a ajuda de outros. A depressão costuma também provocar um sentimento de culpa, mas sem motivo aparente. O deprimido sente uma pesada culpa, mas não sabe explicar bem o porquê.

É bom salientar que o paciente deprimido nem sempre apresenta para os amigos e família aquele clássico comportamento de tristeza excessiva. O transtorno depressivo pode ser mais sutil, manifestando-se como perda do interesse em atividades que antes eram prazerosas, ausência de planos para o futuro, alterações do padrão do sono, isolamento social ou baixa autoestima. Para estar deprimido não é preciso passar o dia inteiro na cama chorando.

A tristeza sempre tem uma causa, a depressão não. Obviamente, o falecimento de uma pessoa próxima pode desencadear um transtorno depressivo, mas nem sempre situações tristes precisam ocorrer para o indivíduo iniciar um quadro de depressão.

Causas da depressão

Assim como acontece em diversas doenças psiquiátricas, não existe uma causa única para a depressão. A doença parece ser provocada pela interação de diversos fatores, sejam eles físicos ou psicológicos.

1- FATORES ORGÂNICOS RESPONSÁVEIS PELA DEPRESSÃO

A depressão não surge apenas por problemas emocionais ou psicológicos. Já foram reconhecidas vários fatores de risco e causas orgânica para o transtorno depressivo major.

1.1 – Genética

Pessoas que possuem familiares com depressão apresentam um maior risco de também desenvolverem a doença, indicando que existe uma vulnerabilidade à depressão que pode ser herdada geneticamente. Na verdade, ter familiares próximos com outras doenças psiquiátricas, como síndrome do pânico, distúrbios afetivo ou até mesmo alcoolismo, também são fatores de risco para depressão.

Apesar de intensos estudos na área, ainda não se conseguiu identificar os genes responsáveis pela vulnerabilidade à depressão.

Apesar da herança genética ser aparentemente um fator importante, ela sozinha não é suficiente para desencadear a doença. Isso é facilmente comprovado através de estudos de irmãos gêmeos idênticos, onde se viu que há concordância em apenas 40% dos casos. Portanto, outros fatores além da genética são necessários para que o transtorno depressivo surja.

1.2 – Neurotransmissores

O cérebro humano é uma estrutura altamente complexa, cujo funcionamento depende de centenas de mediadores químicos. Sabemos hoje que boa parte das doenças psiquiátricas estão relacionadas a pelo menos 5 destes neurotransmissores: noradrenalina, serotonina, dopamina, ácido gama aminobutírico (GABA) e acetilcolina.

A abundância ou a falta de alguns destes neurotransmissores em certas partes do cérebro podem desencadear graves distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Exemplos: uma falta de dopamina em determinadas áreas da base do cérebro provoca a doença de Parkinson (leia: DOENÇA DE PARKINSON | Sintomas e tratamento). Já a doença de Alzheimer parece estar relacionada com níveis baixos de acetilcolina no cérebro (leia: MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e diagnóstico).

A depressão tem origem no funcionamento anormal de alguns destes neurotransmissores, como a dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA. Dentre estes, a serotonina parece ter o papel mais relevante, estando habitualmente em níveis reduzidos nos pacientes com depressão.

1.3 – Uso de drogas ou álcool

As doenças que causam dependência também estão sob a influência destes neurotransmissores citados acima. Drogas e álcool exercem seus efeitos através do aumento da liberação de dopamina no cérebro, o que provoca euforia e uma sensação agradável. O problema é que o uso repetido de drogas ou álcool dessensibiliza o sistema da dopamina, fazendo com que o mesmo se acostume com a presença destas substâncias. Por isso, pessoas viciadas precisam cada vez de mais drogas ou álcool para atingirem o mesmo grau de satisfação, podendo deixá-las deprimidas quando estão fora do efeito destas substâncias. O cérebro se acostuma a viver com níveis cada vez mais elevados de neurotransmissores estimulantes, fazendo com que os níveis normais passem a ser insuficientes para controlar o humor do indivíduo.

1.4 – Alterações do cérebro

Além da redução da concentração de neurotransmissores, pacientes com transtorno depressivo crônica também apresentam alterações na anatomia do cérebro, como reduções de volume do lobo frontal e do hipocampo.

Estudos de neuroimagem também evidenciam alterações no funcionamento de várias áreas do cérebro em pessoas com depressão. Pesquisadores descobriram uma área do córtex pré-frontal com uma atividade anormalmente diminuída em pacientes com esse distúrbio. Esta região está relacionada com a resposta emocional e tem conexões generalizados com outras áreas do cérebro responsáveis pela regulação de neurotransmissores associados ao humor, como noradrenalina, dopamina e serotonina.

1.5 – Doenças cerebrais

É cada vez mais aceita a relação entre o acidente vascular cerebral (AVC) e o surgimento da depressão. Sabemos hoje que a depressão que surge após um AVC não é provocada somente por abalos psicológicos devido às consequências perceptíveis do AVC, como sequelas motoras ou da fala. A própria lesão direta do cérebro pelo derrame cerebral aumenta o risco do surgimento da depressão, mesmo que as consequências do AVC não tenham grande efeito psicológico no paciente (leia: AVC ? Acidente Vascular Cerebral ? Causas e Sintomas).

Além do AVC, várias outras doenças neurológicas aumentam o risco de depressão, entre elas, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla (leia: ESCLEROSE MÚLTIPLA | Sintomas e tratamento), epilepsias (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas e tratamento), tumores do cérebro (leia: SINTOMAS DE TUMOR CEREBRAL) e traumatismos cranianos.

1.6 – Doenças crônicas

Pacientes portadores de doenças crônicas também estão mais vulneráveis ao aparecimento do transtorno depressivo. As mais comuns são: diabetes, doenças cardíacas, hipotireoidismo, AIDS, cirrose, doença inflamatória intestinal, lúpus, artrite reumatoide, fibromialgia, entre outras.

2- FATORES PSICOLÓGICOS ASSOCIADOS À DEPRESSÃO

Estresses emocionais são um importante gatilho para o aparecimento da depressão. Muitas vezes, um evento traumático é fator que falta para um indivíduo susceptível desenvolver um processo depressivo.

2.1 – Traumas na infância

Traumas adquiridos na infância são um importante fator de risco para o desenvolvimento da depressão. Entre os traumas estão abusos, ausência do pai, falecimento de um ente próximo, agressões ou falta de afetividade por parte dos pais.

Relações problemáticas com pais, irmãos e colegas são comuns em crianças e adolescentes com depressão. Adultos depressivos também frequentemente relatam pouco envolvimento paterno e superproteção materna durante a primeira infância.

Crianças que sofreram bullying também estão sob maior risco de se tornarem depressivas.

2.2 – Estresses emocionais

Embora o transtorno depressivo possa surgir sem quaisquer fator emocional precipitante, estresses e perdas pessoais certamente aumentam o risco. Perdas de pessoas amadas são fatores de risco importantes nos indivíduos mais jovens. Nos idosos com longos casamentos, a perda do esposo ou da esposa também costuma ser um evento desencadeador de depressão.

Dor crônica, doença crônica, incapacidade e doenças que deixam sequelas também podem levar à depressão.

Isolamento social, excesso de críticas e cobranças por parte da família, dificuldade econômica persistente, separação matrimonial ou baixa autoestima também são fatores comuns.

Ter contato próximo e frequente com alguém deprimido também aumenta o risco de depressão.

2.3 – Depressão pós-parto

A depressão pós-parto é uma espécie de transtorno depressivo que algumas mulheres desenvolvem depois de dar a luz. A maioria das mulheres com depressão pós-parto começa a apresentar sintomas no primeiro mês de vida do bebê, mas algumas demoram  até 12 meses para desenvolver o quadro depressivo. Cerca de 10% das mães sofrem de depressão pós-parto.

No primeiros 2 ou 3 dias após ter um bebê, muitas mulheres costumam apresentar um tipo leve de depressão pós-parto, chamada tristeza pós-parto ou melancolia pós-parto. Este quadro acomete até 80% das mães e se caracteriza por mau humor, irritação, dificuldades de concentração, insônia e crises de choro.

A melancolia pós-parto ocorre por alterações hormonais que surgem com o término da gravidez e por estresses psicológicos causados pela responsabilidade de cuidar de um recém-nascido, associado ao cansaço físico que a tarefa provoca. Na maioria dos casos, a tristeza pós-parto desaparece em 2 ou 3 semanas.

A depressão pós-parto é um quadro mais importante que a melancolia pós-parto, durando mais tempo e apresentando sintomas mais severos. Mulheres com histórico de depressão estão mais propensas a ter depressão pós-parto do que mulheres que nunca foram deprimidas.

Mulheres com depressão pós-parto costumam não conseguir dormir, mesmo quando seus bebês dormem. Além disso apresentam-se muito irritadas, incapazes de cuidar do bebê, com grave sentimento de culpa e com sentimento de não ter laços afetivos com o novo filho.

A depressão pós-parto pode levar a mãe a ter pensamentos de ferir a si e ao bebê, na maioria dos casos, porém, a mãe consegue reconhecer o absurdo da ideia, tendo capacidade de controlar este estranho pensamento.

A depressão pós-parto pode desaparecer espontaneamente, porém, a ajuda médica é importante, porque em alguns casos o transtorno depressivo não melhora com o tempo e há riscos da mãe infligir danos ao filho.

Sintomas da depressão

O transtorno depressivo é uma doença que pode se manifestar de diversas maneiras. A forma mais comum é o chamado transtorno depressivo major, também conhecido como depressão maior. Outro forma bastante comum é a depressão crônica, que recebe o nome de distimia. Outros tipos de depressão que podem ocorrer são o distúrbio bipolar, depressão sazonal, depressão reativa, depressão atípica, depressão pós-parto e depressão minor.

A depressão major costuma apresentar pelo menos cinco dos nove sintomas listados abaixo, sendo um deles obrigatoriamente a tristeza ou a perda do interesse nas atividades diárias.

1- Tristeza na maior parte do dia, particularmente na manhã.
2- Perda do interesse pelas atividades do dia a dia.
3- Alterações significativas do apetite ou do peso (pode ser aumento ou redução).
4- Insônia ou sono excessivo.
5- Agitação ou letargia.
6- Fadiga ou falta de energia persistente.
7- Sentimentos de inutilidade ou culpa.
8- Incapacidade de concentração e indecisão.
9- Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.

Para que sejam considerados um critério de transtorno depressivo major, os sintomas listados acima devem ser diários e devem estar presentes por mais de 2 semanas consecutivas.

Explicamos com mais detalhes os sintomas da depressão major, da distimia e da depressão reativa em uma artigo à parte, que pode ser acessado através do seguinte link: SINTOMAS DA DEPRESSÃO.

Diagnóstico da depressão

O diagnóstico da depressão é feito preferencialmente pelo médico psiquiatra e é baseado nos sintomas, na duração e nos efeitos globais que os mesmos causam na vida do paciente. Não há atualmente nenhum exame laboratorial ou de imagem que identifique a depressão, embora alguns testes de sangue possam ser feitos para descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como o hipotireoidismo, por exemplo (leia: SINTOMAS DO HIPOTIREOIDISMO).

O diagnóstico de depressão major exige que os sintomas sejam graves o suficiente para interferir nas atividades diárias do paciente e na capacidade de cuidar de si mesmo, manter relacionamentos, participar de atividades de trabalho, etc. O diagnóstico também requer que os sintomas estejam ocorrendo diariamente durante pelo menos duas semanas.

Após o diagnóstico é importante tentar identificar pensamentos suicidas, para que o tratamento adequado seja instituído o mais rápido possível.

Tratamento da depressão

O tratamento inicial da depressão major deve incluir medicamentos antidepressivos e psicoterapia, que pode ser feita com psiquiatra ou psicólogo.

Estudos mostram que o tratamento combinado (medicamentos + psicoterapia) é mais efetivo que a tratamento isolado com apenas uma das duas opções. A psicoterapia e os medicamentos antidepressivos são igualmente eficazes, mas a psicoterapia tem um efeito mais relevante a longo prazo, pois ela ajuda o paciente a desenvolver novas formas enfrentamento dos sintomas, bem como uma maior capacidade de racionalizar e se adaptar aos problemas da vida.

Medicamentos antidepressivos

Existem dezenas de fármacos com ação antidepressiva no mercado. Atualmente, as classes mais usadas são:

  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI) – Ex: Citalopram, Escitalopram, Fluoxetina, Paroxetina e Sertralina (leia: ANTIDEPRESSIVOS – Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina?).
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN ou SNRI) – Ex: Venlafaxina, Duloxetina, Milnaciprano e Desvenlafaxina.
  • Antidepressivos atípicos – Ex: Mirtazapina, Bupropiona, Trazodona e Nefazodona.

Os inibidores da monoamina oxidase (IMAO) e os antidepressivos tricíclicos (ex: seleginina, amitriptilina, nortriptilina e imipramina), são fármacos mais antigos, que são atualmente pouco utilizados no tratamento da depressão por apresentarem muitos efeitos colaterais.

Habitualmente, os médicos iniciam o tratamento da depressão com um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI), por ser esta uma classe de antidepressivos segura e com baixa taxa de efeitos colaterais. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN ou SNRI) também são uma boa alternativa para o início do tratamento.

Não existe uma receita pronta que possa ser aplicada para todos os pacientes com depressão. O medicamento a ser escolhido depende das características clínicas e das condições financeiras do indivíduo. Por exemplo, se o paciente, além da depressão, tem dificuldade pra dormir, fármacos que provocam sonolência, tais como a mirtazapina, podem ser a melhor escolha.

Os antidepressivos podem demorar para atingir o seu efeito pleno, muitas pessoas só começam a se sentir melhor após duas semanas. Porém, para sentir o efeito completo do fármaco, o paciente pode levar até 6 a 12 semanas. Ainda assim, se o paciente não referir alívio de seus sintomas após quatro semanas de tratamento, o psiquiatra pode aumentar a dose, adicionar uma nova medicação ou simplesmente substituir a anterior. É importante ter em mente que a resposta aos antidepressivos é individual e que o tratamento pode levar semanas para ser ajustado.

A ocorrência de efeitos colaterais pode ser um motivo para substituição do medicamento. Alguns efeitos secundários desaparecem ao longo do tempo, mas outros não. Encontrar a medicação correta ou a combinação de medicamentos nas doses certas, por vezes, leva tempo e é necessário um pouco de tentativa e erro. O importante é não desanimar.

Este post também está disponível em: Espanhol

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