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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PARA QUE SERVE A PRÓSTATA?

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A próstata é uma glândula presente apenas no sexo masculino, que fica localizada no trato geniturinário e apresenta íntima relação com a bexiga, uretra e a vesícula seminal.

Apesar de ser um órgão importante, cuja principal função é a proteção dos espermatozoides no líquido ejaculado, a próstata não é essencial para a vida. Pacientes com doenças graves, como o câncer da próstata, podem ter essa glândula retirado cirurgicamente, sem que isso necessariamente acarrete maiores transtornos.

Neste artigo vamos explicar o que é a próstata, onde ela fica, quais são as suas funções, quais são as suas doenças mais comuns e quais são os problemas de se viver sem a próstata.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula (por isso ela é também pode ser chamada de  glândula prostática), que apresenta uma forma arredondada e possui, em média, 3 cm de altura, 4 cm de comprimento e 2 cm de largura, totalizando um volume de aproximadamente 15 a 20 centímetro cúbicos (ou 15 a 20 gramas).

A glândula prostática fica localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto (porção final do intestino grosso). Colada à próstata também ficam as vesículas seminais, órgãos responsáveis pela produção de parte do líquido presente no esperma (veja  figura ao lado para entender melhor onde fica a próstata).

Por dentro da próstata passa a uretra, canal que drena a urina da bexiga em direção ao pênis. Também por dentro passam os vasos deferentes, que são os canais que trazem os espermatozoides produzidos pelos testículos. Os vasos deferentes desembocam na uretra no interior da próstata.

Qual é a função da próstata?

A principal função da próstata é produzir uma secreção que sirva de proteção para os espermatozoides. O líquido prostático corresponde a cerca de 30% do volume do esperma ejaculado; é ele quem dá ao esperma a sua aparência leitosa.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos e transportados pelo vaso deferente, que se junta à vesícula seminal. Ao passarem pela vesícula seminal, os espermatozoides são misturados ao fluido seminal, uma substância alcalina que corresponde a 50-70% do volume total do esperma. Após a vesícula seminal, os espermatozoides chegam à glândula prostática.

Durante a ejaculação, a próstata se contrai e libera o líquido prostático, misturando-se ao líquido seminal já rico em espermatozoides. A primeira fração do esperma ejaculado é rica em fluido prostático e possui os espermatozoides mais ativos, saudáveis e capazes de fecundar um óvulo. O líquido da próstata protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, mantendo o seu DNA intacto. O fluido prostático também prolonga a vida dos espermatozoides e faz com que eles se tornem mais móveis, aumentando as chances de chegarem até o óvulo.

Como o vaso deferente desemboca na uretra dentro da próstata, é preciso haver algum controle para que a urina da bexiga não se encontre com os espermatozoides vindos do testículos. Quando o homem ejacula, a próstata se contrai, empurrando os esperma em direção ao pênis e fechando a porção do ureter que se conecta à bexiga. Deste modo, há a garantia de que não haverá passagem de urina durante a ejaculação.

Quais são as doenças mais comuns da próstata?

a. Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

Um dos grandes problemas da glândula prostática é a sua tendência a crescer com o passar do anos, principalmente após os 40 anos. O aumento da próstata recebe o nome de hiperplasia benigna da próstata.

A hiperplasia benigna da próstata é tão comum que acomete metade dos homens com mais de 50 anos e mais de 80% dos homens com mais de 80 anos de idade.

A HBP tem como principal complicação a obstrução à passagem de urina. Repare na figura acima como uma próstata grande pode obstruir a uretra, dificultando a drenagem da urina.

Para saber detalhes sobre a hiperplasia benigna da próstata, leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento.

b. Câncer de próstata

Outra doença comum da glândula prostática é o câncer de próstata. O adenocarcinoma da próstata (leia: O QUE É UM CARCINOMA?) é o câncer mais comum no sexo masculino, presente em até 80% dos homens que chegam aos 80 anos de idade.

O câncer da próstata é um tumor que costuma ser indolente, crescendo lentamente, podendo permanecer assintomático por vários anos.

Para saber mais sobre o adenocarcinoma da próstata, leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento.

c. Prostatite

A prostatite é uma doença causada pela inflamação da próstata.

A prostatite aguda, que é a forma mais comum de prostatite, é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana, em geral por E. coli, Klebsiella ou Proteus.

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas são a febre, dor para urinar e dor na região pélvica.

Para saber mais sobre a prostatite, leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento.

Exames da próstata

Existem quatro importantes exames para avaliar a próstata. O mais simples é o toque retal. Como a glândula prostática fica colada ao reto, através do toque retal é possível palpá-la, podendo-se obter informações sobre o seu tamanho e formato.

Outro exame simples é a dosagem sanguínea do PSA, uma enzima produzida pela próstata, que costuma estar aumentada nas doenças, principalmente no câncer e na prostatite.

A ultrassonografia da próstata é um exame de imagem útil para se avaliar o tamanho da mesma e a presença de nódulos suspeitos. Quando o ultrassom é feito pela via retal, a eficácia do exame é muito maior, sendo esta a forma ideal de se realizar uma ultrassonografia prostática.

Por fim, há a biópsia da próstata, que é o procedimento realizado quando há suspeitas de tumores. Explicamos a biópsia prostática com detalhes neste texto: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações.

Podemos viver sem a próstata?

Sim, a próstata não é um órgão essencial à vida. Na verdade, nas pessoas idosas, que já não pretendem mais ter filhos, a próstata não tem função, servindo apenas como fonte de problemas.

A grande questão é que a remoção da próstata não é um procedimento livre de complicações. Entre as mais comuns estão a impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento) e a incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico).

Este post também está disponível em: Espanhol

CISTO DE BAKER – Cisto Poplíteo

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O cisto de Baker, também conhecido como cisto poplíteo, é uma pequena bolsa de líquido que surge na região atrás do joelho, chamada fossa poplítea.

O cisto de Baker é uma lesão benigna, que apresenta-se como um nódulo visível e palpável sob a pele, podendo provocar dor no joelho e dificuldade de movimentação desta articulação. Quando o cisto é pequeno, ele pode ser assintomático, passando despercebido pelo paciente.

Neste artigo vamos explicar o que é o cisto Baker, por que ele surge, quais são os seus sintomas e como é feito o tratamento.

O que é o cisto de Baker?

Em medicina chamamos de cisto toda coleção líquida ou semi-liquida que fica envolta por uma membrana, formando uma espécie de bolsa ou saco.

O cisto de Baker (cisto poplíteo) surge quando há um extravasamento do líquido sinovial da articulação do joelho. O líquido sinovial é uma espécie de lubrificante, cuja principal função é reduzir o atrito durante a movimentação de articulações, como a do joelho.

Quando há uma lesão na articulação do joelho ou quando a quantidade de líquido sinovial torna-se excessiva,  o mesmo pode ser comprimido e empurrado para a região posterior da articulação, formando uma herniação, como exemplificado na figura ao lado.

Causas do cisto de baker

Como acabamos de dizer, o cisto poplíteo surge quando há uma lesão do joelho e/ou quando o volume de líquido dentro da articulação torna-se muito grande.

Em geral, traumas do joelhos e doenças inflamatórias da articulação, como as diversas formas de artrite, são os principais fatores de risco.

Como exemplos de situações habitualmente relacionadas à formação do cisto de Baker, podemos citar a osteoartrose (leia: ARTROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento), artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE ? Sintomas e Tratamento), artrite infecciosa, artrite juvenil e diversos tipos de traumatismos do joelho, principalmente se houver lesão dos meniscos.

Sintomas do cisto de Baker

A maioria dos cistos poplíteos são assintomáticos e invisíveis ao exame físico e acabam, portanto, sendo descobertos por acaso durante a realização de um exame de imagem do joelho, como a ressonância magnética, solicitada por qualquer outro motivo.

Em geral, o cisto de Baker é uma alteração de adultos, ocorrendo com maior frequência a partir dos 35 anos de idade. Conforme o individuo envelhece, mais desgastada torna-se a articulação dos seus  joelhos e maior é a incidência do cisto poplíteo.

A ocorrência de sintomas do cisto de Baker depende de alguns fatores, tais como o seu tamanho ou a existência de complicações, como crescimento exagerado ou rotura do cisto.

Quando há sintomas, os mais comuns são dor na fossa poplítea (parte posterior do joelho), enrijecimento da articulação do joelho, inchaço e aparecimento de um nódulo palpável por trás do joelho, principalmente quando o mesmo se encontra-se em extensão, ou seja, com a perna totalmente esticada. Esses sinais e sintomas podem se agravar com atividade física.

Complicações do cisto poplíteo

O cisto poplíteo pode crescer muito ou se romper, provocando uma quadro que pode ser confundido com trombose venosa profunda dos membros inferiores (leia também: TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP)).

Um cisto que cresce muito pode provocar dor e edema da perna, principalmente se houver compressão das veias adjacentes, atrapalhando o escoamento de sangue dos membros inferiores.

Quando cisto se rompe, o líquido presente escorre pelos músculos, provocando uma reação inflamatória. O quadro é dor, vermelhidão e inchaço na região da panturrilha.

O cisto de Baker é um tipo e câncer?

Não, cisto de Baker não tem nada a ver com câncer. Este cisto é uma tumoração benigna, composta basicamente de líquido. O cisto poplíteo não é câncer e não tem nenhum risco de virar um câncer.

Diagnóstico do cisto de Baker

O exame físico costuma ser suficiente para o diagnóstico da maioria dos cistos de Baker que são grandes o suficiente para serem visíveis.

Quando há dúvidas, ou se o cisto for muito pequeno, exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser utilizados. A ressonância também serve para avaliar a articulação do joelho como um todo, auxiliando no diagnóstico da lesão que propiciou a formação do cisto poplíteo.

Tratamento do cisto de Baker

Nos pacientes com cistos pequenos e assintomático, nenhum tratamento faz-se necessário, uma vez que a maioria desaparece espontaneamente com o tempo.

Quando o cisto é muito grande ou provoca sintomas, o tratamento inicial costuma ser uma artroscopia do joelho, para drenagem do excesso de líquido dentro da articulação e injeção intra-articular de um glicocorticoide, como a triancinolona. Com esse tratamento, dentro de uma semana, cerca de 2/3 dos pacientes apresentam uma significante redução dos sintomas e do tamanho do cisto.

O tratamento da lesão primária do joelho é essencial para reduzir o risco de retorno do cisto no futuro. Não basta tratar o cisto, é preciso controlar a sua causa.

Caso não haja melhora, o ortopedista pode, através de uma agulha, aspirar diretamente o cisto, injetando corticoide em seguida para reduzir o risco de recidiva. Esse procedimento não é o mais indicado, primeiro porque o líquido do cisto costuma ser muito viscoso, não sendo fácil de ser aspirado por uma agulha; segundo porque essa forma não trata a lesão do joelho e, portanto, não ataca a causa da formação cisto, havendo, assim, elevado risco de recorrência.

Nos raros casos em que tratamento com artroscopia e o controle da inflamação do joelho não são suficientes para resolver o cisto poplíteo, uma cirurgia para a retirada do mesmo pode ser proposta.

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ARTROSE – Sintomas, Causas e Tratamento

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Artrite é um termo genérico que significa inflamação das articulações. Existem dezenas de tipos de artrite, sendo a artrose, também conhecida como osteoartrite ou osteoartrose, a forma mais comum.

O local onde dois ossos se encontram é habitualmente coberto com um material borrachoso e lubrificado chamado de cartilagem. A cartilagem permite que os ossos deslizem um sobre o outro com mínimo atrito, sendo, portanto, uma espécie de amortecedor.

A artrose é a doença causada pelo desgaste desta cartilagem, o que provoca aumento da fricção entre os ossos e leva à inflamação local (artrite), dor e incapacidade funcional.

A osteoartrite é uma doença que acomete preferencialmente pessoas idosas, principalmente nas articulações das mãos, joelhos e quadris.

Neste texto vamos abordar as seguintes questões sobre a artrose:

  • O que é a artrose
  • O que é artrite
  • Causas de osteoartrite
  • Sintomas da artrose
  • Tratamento da artrose

O que é artrose?

Para entender a artrose é preciso conhecer um pouquinho a anatomia das articulações.

Articulação é a região onde há conexão entre dois ou mais ossos distintos. Exemplos: O joelho é uma articulação que liga os ossos fêmur e tíbia (conecta a coxa à perna), o cotovelo é uma articulação que liga o osso úmero aos ossos ulna e rádio (conecta o braço ao antebraço) e o tornozelo é uma articulação que liga os ossos tíbia, fíbula e tálus (conecta a perna ao pé).

As articulações citadas acima são móveis, ao contrário, por exemplo, das articulações que conectam os diversos ossos do crânio, que são fixas (o nosso crânio não é formado por um único grande osso, mas sim por vários ossos conectados uns aos outros).

As articulações moveis possuem cartilagem e uma bolsa cheia de líquido, chamado líquido sinovial. A cartilagem é um tecido escorregadio aderido às extremidades dos ossos ligados pelas articulações. Quando há movimento na articulação, graças ao lubrificante líquido sinovial e à amortecedora cartilagem, os ossos deslizam entre si com mínimo atrito.

A artrose é um processo onde há degeneração da cartilagem. Nas fases inicias da artrose a cartilagem torna-se mais áspera, aumentando o atrito durante a movimentação da articulação. A artrose grave surge quando a cartilagem é completamente destruída, fazendo com que o atrito entre os dois ossos cause desgaste dos mesmos.

Este atrito nas articulações provoca uma inflamação da mesma,  que se caracteriza por um quadro de artrite, daí o nome de osteoartrite (artrite = inflamação da articulação). Existem cerca de 100 doenças que podem causar artrite; a artrose (osteoartrite) é a mais comum. Se você quiser mais informações sobre as diferenças entre a artrite da artrose e as artrites de outras doenças, leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças.

Causas e fatores de risco da artrose

A osteoartrose é muito rara antes do 40 anos e muito comum após os 60 anos. Durante muito tempo pensou-se que a degeneração da articulação, e consequentemente a artrose, era um processo natural do envelhecimento. Sabe-se hoje que a idade é um dos principais fatores de risco, mas não é o único.

Além da idade outros fatores de risco para osteoartrite são a obesidade (principalmente para artrose do joelho) (leia: OBESIDADE | Definições e consequências), ser do sexo feminino (mulheres têm até 3x mais chances de desenvolver osteoartrite que homens), falta de prática de exercícios (exceto os de alto impacto nas articulações, que podem levar à artrose), predisposição genética, etc.

A artrose pode ser primária, quando não há uma causa aparente além da idade, ou secundária, quando surge devido a traumas nas articulações, deformidades ósseas, obesidade, diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas), etc.

Resumindo, os principais fatores de risco para artrose são:

  • Idade.
  • Sexo feminino.
  • Obesidade.
  • Não ter osteoporose (ossos fortes na velhice aumentam o risco de artrose).
  • Ocupação (trabalhos que forcem as articulações cronicamente).
  • Atividades desportivas de alto impacto.
  • Traumas nas articulações.
  • Doenças musculares.
  • Predisposição genética.
  • Deformidades ósseas.
  • Diabetes Mellitus.

 Sintomas da artrose

As articulações mais acometidas pela osteoartrose são as mãos, joelhos, quadril e coluna.

O principal sintoma da artrose é a dor, que normalmente piora com esforço físico e alivia com repouso. A dor costuma ser pior no final do dia e após longos períodos de imobilização, como em viagens de avião ou em poltronas de cinema. Alguns pacientes apresentam piora da dor com mudanças no clima. Conforme a osteoartrite avança, a dor pode surgir com atividades cada vez menos intensas, podendo, por fim, ocorrer mesmo em repouso e durante a noite. A artrose em fases avançadas é uma doença incapacitante.

A dor não é  causada diretamente pela lesão na cartilagem uma vez que esta não apresenta inervação. Isso significa que alguns pacientes com lesões graves da cartilagem, visíveis na radiografia, podem apresentar poucas queixas de dor, enquanto outros com lesões menos visíveis podem ter sintomas de artrose mais evidentes.

Rigidez também é uma queixa comum em pacientes com artrose. A rigidez das articulações doentes é comum nos primeiros minutos após o paciente acordar, melhorando após cerca de meia hora. Durante o dia também podem haver episódios de rigidez articular, principalmente após períodos de inatividade.

A articulação acometida pela osteoartrite costuma apresentar uma mobilidade menor e pode estar inchada, quente e apresentar crepitações à movimentação.

Tratamento da artrose

A artrose é uma doença crônica que piora progressivamente com o passar dos anos. O tratamento da osteoartrite pode muitas vezes reduzir os sintomas, manter o paciente ativo e, em alguns casos, retardar a progressão desta patologia. O tratamento inclui uma combinação de terapias com e sem medicamentos e, em alguns casos, correção cirurgia da articulação.

Os objetivos do tratamento da osteoartrose são o controle a dor e do inchaço, melhorar a qualidade de vida e prevenir a progressão da lesão.

Tratamento não medicamentoso da artrose

Perda de peso

O excesso de peso está associado a um maior risco de desenvolvimento de artrose, principalmente nos joelhos. Estudos que acompanharam pacientes com sobrepeso por 10 anos mostraram que aqueles que perderam pelo menos 4,5 kg diminuíram em 50% o risco de osteoartrose nos joelhos.

Mesmo nos pacientes com sobrepeso ou obesidade que já apresentam artrose estabelecida, perder peso diminui a pressão sobre os joelhos, diminuindo a dor e melhorando a capacidade funcional.

Repouso

A dor da osteoartrite costuma piorar após o uso prolongado da articulação, melhorando após o repouso.

Descansar a articulação afetada no momentos de crise costuma aliviar a dor, no entanto, o descanso prolongado pode levar à atrofia muscular e diminuição da mobilidade articular. Portanto, o descanso é recomendado apenas para curtos períodos de tempo, geralmente 12 a 24 horas em casos de agudizações da dor.

Exercícios físicos

Pacientes com osteoartrite podem achar absurda a ideia de praticar exercícios, tamanho é o incômodo que a movimentação das articulações acometidas causam durante um esforço. Porém, um bom fisioterapeuta pode criar um regime de exercícios individualizado que irá fortalecer os músculos em torno da sua articulação, aumentando a amplitude do movimento.

Quanto mais forte e flexível é a musculatura ao redor das articulações, mais estáveis elas ficam, diminuindo o atrito entre os ossos, a dor e a inflamação.

Órteses

Órteses são dispositivos que ajudam a manter as articulações alinhadas e funcionando corretamente. Existem vários tipos de órteses que podem reduzir os sintomas e ajudar a manter a função das articulações em pacientes com osteoartrite.

Cintas e talas que imobilizam as articulações podem reduzir a dor e a inflamação; muitas delas pode ser usado durante todo o dia e noite. As órteses podem ajudar a estabilizar as articulações instáveis.

Calor local

A aplicação de calor úmido pode aumentar o limiar para a dor e diminuir o espasmo muscular. É preciso ter cuidado para evitar queimaduras. Garrafas de água quente deve ser preenchidas com água quente mas não fervente.

O calor local pode ser aplicado várias vezes ao dia.

TENS (neuroestimulação elétrica transcutânea)

A sigla TENS vem do inglês Transcutaneous electrical nerve stimulation, que significa neuroestimulação elétrica transcutânea.

A TENS é um aparelho que produz uma corrente elétrica suave que estimula as fibras nervosas na pele, interferindo com a transmissão de sinais de dor das articulações com artrose.

O uso da TENS como tratamento da artrite é controverso. Há estudos que mostram algum benefício no controle da dor, enquanto outros não conseguiram mostrar superioridade em relação ao placebo.

Campo eletromagnético pulsátil

Conhecido como Pulsed Signal Therapy (PST), baseia-se na criação de campos eletromagnéticos pulsáteis de baixa intensidade ao redor das articulações. O PST supostamente atua estimulando o metabolismo e a atividade das células das cartilagens. Apesar de haver alguns estudos demonstrando melhora da dor e da capacidade funcional, este tratamento ainda não possui um volume de estudos científicos suficiente para ser amplamente indicado pelas sociedades internacionais de reumatologia.

b. Tratamento da artrose com medicamentos

Glicosamina e condroitina

Apesar da popularidade ganha nos últimas anos, o sulfato de glicosamina e o sulfato de condroitina não apresentam evidências científicas de que realmente sejam benéficos para a osteoartrose. Apesar de alguns pacientes relatarem melhora da dor com estes medicamentos, os estudos mais recentes demonstraram que ambos apresentam apenas efeito placebo.

O sulfato de glicosamina e o sulfato de condroitina não melhoram a inflamação da artrose, não retardam a progressão da doença e não regeneram a articulação acometida pela osteoartrite.

Todavia, como são drogas praticamente sem efeitos adversos, continuam sendo muito utilizadas por alguns médicos, principalmente pelo seu efeito placebo.

obs: a glicosamina não deve ser usada em pacientes com alergia a frutos-do-mar.

Analgésicos

Analgésicos simples como o paracetamol e a dipirona (metamizol em Portugal) ajudam a aliviar a dor em casos iniciais. Estas drogas , porém, não agem diretamente na inflamação da osteoartrite, tendo efeito apenas temporário.

Leia:
– Dipirona ? Metamizol ? Indicações, Efeitos Colaterais e Perigos.
– PARACETAMOL ? Bula em Linguagem Simples.

Em casos de artrose mais grave, analgésicos opioides (da classe da morfina) podem ser usados por curtos períodos, para evitar dependência. Os melhores resultados no controle das crises nos casos de artrose avançada são obtidos quando se associa um analgésico opioide e um anti-inflamatório.

Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios possuem efeito analgésico e atuam diretamente na inflamação, apresentando melhores resultados que os analgésicos comuns. São drogas que atuam aliviando a dor até nos casos de artrose moderada/severa.

Apesar da boa resposta, os anti-inflamatórios são medicamentos com alta toxicidade, aumentando os riscos de úlceras do estômago, doenças cardíacas e lesão dos rins (leia: REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS e ANTI-INFLAMATÓRIOS | AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS).

Corticoides intra-articulares

Os corticoides, quando injetados em articulações artríticas, agem diminuindo a inflamação e aliviando os sintomas da osteoartrite (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Injeções intra-articulares de corticoides podem ser recomendadas para pessoas que têm artrose limitada a poucas articulações, e que não conseguem controlar a dor apenas com o uso de anti-inflamatórios (ou já apresentam sinais de toxicidade aos mesmos).

Os corticoides podem danificar as articulações, principalmente aquelas que suportam peso, como joelhos, quando injetado com frequência. Portanto, recomenda-se não mais que 3-4 injeções por ano em cada articulação.

Injeção de hialuronato de sódio

O líquido articular normal contém uma grande quantidade de hialuronato, que o torna viscoso, permitindo o deslizamento sem atrito dos ossos. Hialuronatos sintéticos podem ser injetados no joelho para tratar a artrite.

Após a injeção, o alívio da dor pode durar vários meses.

Injeções de hialuronato geralmente são reservados para os pacientes com osteoartrite que não podem tomar anti-inflamatórios ou que não apresentem alívio adequado da dor com eles.

c. Tratamento cirúrgico da artrose

A cirurgia é habitualmente reservada para os casos de artrite grave e limitante que não respondem aos tratamentos descritos acima.

É importante ressaltar que a cirurgia é recomendada antes que artrite provoque complicações, como perda muscular e deformidades articulares. Além disso, aqueles que sofrem cirurgia devem ter boa saúde e estar preparados para a reabilitação no pós-operatório.

Sinovectomia artroscópica

A sinovectomia artroscópica é a remoção cirúrgica da sinóvia (o revestimento da articulação que costuma estar inflamado na artrose) usando um artroscópio, que é inserido dentro da articulação. Sinovectomia pode ser recomendada para pessoas que têm osteoartrite que não responde a outras medidas.

Realinhamento

Esta cirurgia pode ser usada para realinhar ossos e outras estruturas que se tornaram desalinhadas por causa da artrose. O realinhamento pode ser recomendada para pacientes mais jovens e mais ativos.

Fusão

Esta cirurgia pode ser usada para fundir permanentemente dois ou mais ossos de uma articulação. Este procedimento pode ser recomendado para articulações danificadas na qual a cirurgia de substituição articular já não é apropriada. A cirurgia de fusão é geralmente indicada para as articulações do punho, tornozelo e das articulações dos dedos.

Substituição da articulação

A cirurgia também pode ser indicada para substituir uma articulação danificada por uma artificial. A cirurgia de substituição articular alivia a dor em pessoas com artrite grave, principalmente do quadril ou joelho. No entanto, pode demorar até um ano para que os benefícios da cirurgia de substituição articular sejam plenamente demonstrados.

Enxertos de cartilagem

Esta cirurgia pode ser usada para enxertar células de cartilagem em articulações danificadas. Os enxertos de cartilagem são indicados quando a lesão está confinado a uma área muito pequena, ainda rodeada por cartilagem normal.

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CLORIDRATO DE FLUOXETINA – Indicações e Efeitos

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O cloridrato de fluoxetina, também conhecida pelo seu nome comercial mais famoso, Prozac, é um medicamento antidepressivo que pertence à classe do inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS). A fluoxetina é o mais antigo e o mais estudo antidepressivo do grupo dos ISRS, tendo sido lançada no mercado em 1987.

Apesar de ser classificada como antidepressivo, a fluoxetina pode também ser usada para vários outros distúrbios, tais como transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia nervosa e síndrome do pânico.

Neste artigo vamos tentar criar uma bula simplificada da fluoxetina, explicado em linguagem clara os seus efeitos, indicações, forma de uso, contraindicações e efeitos colaterais. Também vamos dedicar uma seção do texto à seguinte pergunta: fluoxetina emagrece?

Se você procura informações não só da fluoxetina, mas também de toda a classe do inibidores seletivos da recaptação da serotonina, acesse o seguinte link: ANTIDEPRESSIVOS – Inibidores seletivos da recaptação da serotonina

Como age a fluoxetina

O mecanismo de ação da fluoxetina é o mesmo de todos os antidepressivos inibidores seletivos da recaptação da serotonina. Vamos a uma rápida explicação.

A serotonina é um neurotransmissor, ou seja, é uma substância envolvida na comunicação entre os neurônios. A serotonina age sobre a regulação do humor, das emoções, do sono e do apetite. Níveis reduzidos de serotonina no sistema nervoso central podem causar depressão do humor, alterações de comportamento, e ainda provocam distúrbios no sono e no apetite.

A quantidade de serotonina disponível para os neurônios depende do quanto é produzido e do quanto é removido (recaptado) no cérebro. Os inibidores seletivos da recaptação de serotonina agem diminuindo a taxa de remoção da serotonina da fenda sináptica, local onde este neurotransmissor exerce suas ações. Deste modo, os ISRS fazem com que a serotonina permaneça disponível por mais tempo para os neurônios, levando a uma melhora do humor dos pacientes.

Para que serve a fluoxetina

Sendo um antidepressivo, é mais do que óbvio que a principal indicação da fluoxetina é para o tratamento da depressão. Contudo, esta não é única. A fluoxetina também é eficaz no tratamento de outros distúrbios de origem psiquiátrica, como, por exemplo: transtorno obsessivo-compulsivo, bulimia nervosa, síndrome do pânico e estresse pós-traumático. A fluoxetina também pode ser usada como tratamento auxiliar na fibromialgia (leia: O QUE É FIBROMIALGIA?) e na tensão pré-menstrual (leia: TPM – TENSÃO PRÉ-MENSTRUAL).

Apresentações da fluoxetina

A fluoxetina é um medicamento que já possui uma versão genérica, tanto no Brasil quanto em Portugal. Além da forma genérica, a fluoxetina também pode ser encontrada sob os seguintes nomes comerciais:

  • Daforin.
  • Depress.
  • Digassim.
  • Fluxene.
  • Prozac.
  • Prozen.
  • Psipax.
  • Psiquial.
  • Verotina S.

No Brasil, a fluoxetina pode ser encontrada em comprimidos de 10 ou 20 mg e em solução oral na concentração de 20 mg/ml. Em Portugal, as apresentações disponíveis são comprimidos de 20 mg ou solução oral na concentração de 4 mg/ml.

Como tomar e efeitos da fluoxetina

A fluoxetina pode ser tomada em qualquer horário e a sua absorção não é influenciada pela alimentação. O medicamento costuma ser tomado em dose única diária, mas doses acima de 20 mg podem ser divididas em 2 tomadas ao longo do dia.

A dose efetiva da fluoxetina costuma ser de 20 mg por dia, porém, para minimizar os efeitos colaterais, o seu médico pode iniciar o tratamento com uma dose de apenas 10 mg por dia, autorizando o aumento para 20 mg após 1 semana. Esta prática costuma ser comum quando o paciente é idoso.

A dose da fluoxetina pode ser progressivamente elevada em 10 a 20 mg a cada 4 semanas até que o efeito desejado seja alcançado. Os efeitos clínicos da fluoxetina demoram cerca de 15 a 20 dias para se tornarem evidentes, por isso, não indicamos elevações da dose com menos de 1 mês de tratamento. A dose máxima recomendada é 80 mg por dia. Na maioria dos casos, o paciente consegue controle dos seus sintomas com doses entre 20 e 40 mg por dia.

A fluoxetina emagrece?

Apesar de ser uma pergunta pertinente e frequentemente feita na Internet, ela não tem uma resposta única. A fluoxetina emagrece? Depende, às vezes sim, às vezes não. Essa mesma pergunta fica mais fácil de ser respondida se for feita de formas diferentes. Por exemplo:

A fluoxetina provoca alterações no peso?

Sim, a fluoxetina pode provocar alterações no peso, seja para mais ou para menos. Ambos os casos costumam estar ligados ao controle da depressão e da ansiedade. A maioria dos pacientes depressivos ou com pânico perdem o apetite e emagrecem. Conforme a fluoxetina exerce seus efeitos, a depressão e a ansiedade vão sendo controladas e o apetite retorna. Por isso, o paciente ganha peso. O oposto também pode ser real. O consumo exagerado de alimentos pode ser um sintoma de doença psiquiátrica, que passa a ser controlado conforme a fluoxetina passa a agir.

Em alguns pacientes, a fluoxetina pode provocar perda de apetite como efeito colateral. nestes casos, ela pode levar à perda de peso.

Fluoxetina pode ser usada como remédio para emagrecer?

A fluoxetina não é um medicamento indicado exclusivamente para o tratamento da obesidade. Além dela não provocar perda de peso em todos os pacientes, a sua eficácia é muito menor do que a de outras drogas disponíveis no mercado (leia: REMÉDIOS PARA EMAGRECER). A redução do apetite descrita acima é um efeito que ocorre em apenas 1/5 dos pacientes.

Efeitos colaterais da Fluoxetina

Os efeitos colaterais mais frequentes da fluoxetina são náuseas (12% to 29%), insônia (10% to 33%), redução da libido (1% to 11%), diarreia (8% to 18%), retardo na ejaculação (7%), impotência sexual (7%), tremores (3% to 13%), redução do apetite (4% to 17%), sonolência (5% to 17%) e ansiedade (6% to 15%).

Em geral, os efeitos adversos da fluoxetina surgem no início do tratamento e desaparecem com o tempo. A fluoxetina parece ser o antidepressivo ISRS que menos provoca efeitos colaterais na área sexual.

Contraindicações e precauções da Fluoxetina

A principal contraindicação da fluoxetina é o seu uso em pacientes que estejam tomando, ou que tenham tomado nos últimos 14 dias, medicamentos que pertençam a classe dos inibidores da monoamina oxidase (IMAO) (ex: Isocarboxazida, Fenelzina ou Tranilcipromina).

A fluoxetina deve ser utilizada com cuidado em pacientes com diabetes, pois há um maior risco de hipoglicemia, e em pacientes com doenças hepática. A fluoxetina também deve ser evitada em pacientes em fase maníaca, pois pode agravar os sintomas. A fluoxetina não costuma ser o melhor medicamento para os casos de doença bipolar (maníaco-depressivo).

O consumo de álcool deve ser evitado, pois aumenta o risco de efeitos colaterais da fluoxetina.

Apesar de não ser totalmente contraindicada, a fluoxetina costuma ser evitada na gravidez, já que existem outros antidepressivos mais seguros, como a Sertralina. O mesmo raciocínio vale para as mulheres que estão amamentando.

Interações medicamentosas da Fluoxetina

Alguns medicamentos não devem ser usados em associação com a fluoxetina. Os principais são:

– Haloperidol.
– Ivabradina.
– Triptofano.
– Linezolide.
– Propafenona.
– Tamoxifeno.

GRAVIDEZ PSICOLÓGICA – PSEUDOCIESE

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\"Pseudociese\"
A pseudociese, conhecida popularmente como gravidez psicológica ou falsa gravidez, é uma síndrome rara na qual uma mulher, que não está grávida, não só acredita piamente que está esperando um bebê, como passa a apresentar sintomas típicos de uma gravidez, incluindo ausência de menstruação e aumento do volume abdominal.

A pseudociese é um distúrbio psicológico, que nada tem a ver com fingimento ou farsa. Uma mulher que finge estar grávida não tem gravidez psicológica. Para ser pseudociese, a paciente tem que realmente acreditar que está grávida.

Neste artigo vamos abordar o seguintes pontos sobre a gravidez psicológica:

  • Incidência na população.
  • Causas de pseudociese.
  • Sintomas da gravidez psicológica.
  • Diagnóstico da gravidez falsa.
  • Tratamento da pseudociese.

Incidência de gravidez psicológica na população

A gravidez psicológica é uma condição que afeta mulheres de todas etnias, regiões e níveis sociais. A pseudociese é mais comum em mulheres casadas e com idades entre 20 e 40 anos, mas há casos descritos de falsa gravidez em crianças e em mulheres mais velhas, mesmo após a menopausa.

A gravidez psicológica é um assunto bastante explorado em filmes, novelas e livros, porém sua real incidência é muito baixa. Apenas 1 em cada 22.000 gravidezes é falsa, ou seja, somente 0,005% das mulheres grávidas têm, na verdade, pseudociese.

Causas de pseudociese

A pseudociese é uma síndrome já conhecida há vários séculos. Sua incidência já foi maior, mas acredita-se que a mudança do papel da mulher na sociedade tenha sido a responsável pela queda na ocorrência de casos de gravidez psicológica. Durante muitos séculos a mulher era vista unicamente no papel de mãe, sendo considerada inútil se não fosse capaz de gerar uma família. Atualmente, as mulheres têm outras responsabilidades e anseios além de serem mães. Além disso, os avanços tecnológicos permitem que muitas mulheres com problemas de fertilidade consigam engravidar, diminuindo os casos de mulheres inférteis que não conseguem ter filhos.

A pseudociese parece ocorrer devido a estímulos do sistema neuroendócrino provocados por fatores psicológicos. Casos de estresse, ansiedade e/ou intensa pressão social/familiar poderiam agir sobre eixo hipotálamo-hipófise-ovário, desregulando a produção hormonal, o que levaria a sintomas semelhantes aos da gravidez, como ausência de menstruação, enjoos e aumento dos seios.

Entre as situações que já foram identificadas como gatilhos para gravidezes psicológicas, podemos citar:

– Achar que o marido vai largá-la, caso não consiga ter um filho.
– Solidão.
– Depressão.
– Baixa autoestima.
– Intensa pressão familiar por uma gravidez.
– Medo de engravidar.
– Abuso sexual durante a infância.
– Estar passando por grande estresse emocional.
– Infertilidade em mulheres que desejam muito engravidar.
– Ocorrência de abortos espontâneos em mulheres que ainda não têm filhos (e quer tê-los).
– Estar próxima da menopausa e ainda querer ter filhos.
– Ter uma personalidade que não lida bem com críticas ou eventos indesejáveis.

Para ser pseudociese a paciente tem que realmente acreditar que está grávida. Pessoas que fingem uma gravidez de forma intencional não se enquadram neste quadro.

Sintomas da gravidez psicológica

A gravidez psicológica, em alguns casos, pode ser uma situação impressionante, com múltiplos sintomas de uma gravidez real.

Entre os sintomas de gravidez que a pseudociese pode produzir estão:

– Aumento do volume abdominal.
– Enjoos matinais.
– Ausência de menstruação.
– Aumento dos seios.
– Produção de leite.
– Sentir movimentos fetais.
– Ganho de peso.

Há casos, inclusive, de mulheres que chegam ao pronto-socorro com sintomas de trabalho de parto.

A pseudociese costuma durar algumas semanas, mas há casos que persistem por meses ou anos. Em algumas mulheres, os sintomas desparecem após elas entrarem em “trabalho de parto”. As mulheres sentem dores terríveis, como se estivem parindo, e depois melhoram do quadro. Nem sempre elas entendem o que ocorreu. É comum ouvir a paciente dizer que teve um aborto ou que o filho foi levado embora por Deus.

A gravidez psicológica pode preceder o parecimento de alguma outra doença psiquiátrica, como depressão ou psicose.

Diagnóstico de gravidez psicológica

Em muitas mulheres, a gravidez psicológica só apresenta uma única diferença em relação às gravidezes reais: a falta de um feto no útero. Todas as mulheres com sintomas de gravidez devem realizar um teste de gravidez que consiste na dosagem do BhCG, hormônio produzido pela placenta durante a gestação. Como era de se esperar, mulheres com pseudociese não produzem BhCG e os testes de gravidez são negativos.

Outro exame que pode ser feito é a ultrassonografia abdominal que irá demonstrar um útero vazio, provando que não há nenhuma gravidez em curso. Nas mulheres que apresentam secreção de leite pelas mamas é importante descartar a presença do prolactinoma, um tumor da glândula hipófise que estimula a produção de prolactina, hormônio responsável pela produção de leite.

Tratamento da pseudociese

Em geral, não é fácil convencer uma mulher, que há meses acha que está gravida, de que o que ela tem é uma ilusão, que foi tudo criado pela sua cabeça. Muitas vezes, a pseudociese é a válvula de escape que o cérebro encontrou para lidar com as adversidades psicológicas. Não há um tratamento estabelecido para a gravidez psicológica.

Habitualmente, indicamos o acompanhamento com um psiquiatra, mesmo nos casos em que os sintomas desaparecem espontaneamente.

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DEPRESSÃO – Causas, Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A depressão, também chamada de transtorno depressivo major ou depressão unipolar, é uma doença psiquiátrica capaz de causar inúmeros sintomas psicológicos e físicos. Seu sintoma mais conhecido é uma profunda e prolongada tristeza, o que não significa que toda tristeza esteja relacionada necessariamente a um quadro de depressão.

A maioria dos adultos com transtorno depressivo nunca chega a ser avaliado por um psiquiatra, já que muitas vezes seus sintomas não são devidamente reconhecidos. Esta confusão ocorre até mesmo entre médicos não habituados a lidar com problemas relacionados à saúde mental. Estudos mostram que mais da metade dos pacientes com depressão atendidos por clínicos gerais por apresentarem sintomas físicos da depressão, como dores, insônia ou cansaço crônico, acabam não sendo reconhecidos como tal. O diagnóstico correto acaba surgindo apenas após meses ou anos de sintomas e várias consultas a médicos diferentes.

O que é depressão?

O transtorno depressivo major é uma doença psiquiátrica crônica, extremamente comum, caracterizada por uma alteração do humor do paciente, que deixa-o triste além do normal, desanimado, sem energia, com baixa autoestima e com dificuldade de lidar com sua vida pessoal e profissional.

A depressão foi uma doença muito mal compreendida durante décadas, o que levou a interpretações equivocadas sobre as suas causas e sintomas, provocando uma estigmatização dos seus portadores. Até hoje é comum encontrarmos pessoas deprimidas que não aceitam o seu diagnóstico ou familiares/amigos que tratam o paciente deprimido como alguém mentalmente fraco, incapaz de superar as dificuldades da vida. Não se deve tratar o paciente deprimido como alguém simplesmente triste, incapaz de reagir.

Mais do que apenas um ataque de tristeza, a depressão não é uma fraqueza ou falta de disciplina, nem é algo que o paciente possa simplesmente resolver apenas com a vontade própria. Para o deprimido, deixar de estar triste não é que nem o fumante que pretende parar com o cigarro; não é uma questão de tomar a decisão e manter-se fiel a ela. A depressão é uma doença crônica que geralmente requer tratamento a longo prazo, como são o diabetes ou a hipertensão. Assim como ninguém deixa de ser diabético apenas com a força de vontade e pensamento positivo, a depressão também precisa de ajuda médica para ser controlada.

O transtorno depressivo pode surgir em qualquer fase da vida, desde a infância até a terceira idade. É uma doença tão comum que estima-se que 12% dos homens e até 25% das mulheres apresentarão algum grau de depressão ao longo de suas vidas. Esse distúrbio é duas vezes mais comum em mulheres do que homens e é mais comum em adultos jovens do que em idosos.

Diferenças entre tristeza e depressão

O termo deprimido é muitas vezes usado como sinônimo de triste. Tristeza e depressão são coisas diferentes. Na verdade, a tristeza costuma ser um dos sintomas da depressão, mas só ela não basta para o seu diagnóstico.

A tristeza é uma reação normal e esperada para muitas situações, como a morte de um ente querido, o fim de um relacionamento amoroso, perda do emprego, etc. É completamente normal o indivíduo passar alguns dias ou semanas tristes após situações de perda. Isto não é considerado um transtorno depressivo major.

Para ser depressão o quadro de tristeza tem que ser prolongado e acima do normal, sendo suficiente para interferir nas atividades diárias da pessoa, reduzindo a capacidade de cuidar de si mesmo, atrapalhando relacionamentos, prejudicando suas atribuições profissionais, etc. Se você perde um parente e sente-se triste por semanas, isso é normal. Mas se esta tristeza for tão intensa que semanas após a perda você ainda não conseguiu retomar a sua vida em questões básicas, como trabalhar, manter higiene pessoal, cuidar da casa, isso pode ser depressão.

Na tristeza, o indivíduo costuma apresentar períodos de melhora ao longo do dia, conseguindo esquecer por momentos a causa da sua tristeza, como, por exemplo, durante a visita de uma pessoa querida. Na depressão, o sentimento é contínuo e não alivia com a ajuda de outros. A depressão costuma também provocar um sentimento de culpa, mas sem motivo aparente. O deprimido sente uma pesada culpa, mas não sabe explicar bem o porquê.

É bom salientar que o paciente deprimido nem sempre apresenta para os amigos e família aquele clássico comportamento de tristeza excessiva. O transtorno depressivo pode ser mais sutil, manifestando-se como perda do interesse em atividades que antes eram prazerosas, ausência de planos para o futuro, alterações do padrão do sono, isolamento social ou baixa autoestima. Para estar deprimido não é preciso passar o dia inteiro na cama chorando.

A tristeza sempre tem uma causa, a depressão não. Obviamente, o falecimento de uma pessoa próxima pode desencadear um transtorno depressivo, mas nem sempre situações tristes precisam ocorrer para o indivíduo iniciar um quadro de depressão.

Causas da depressão

Assim como acontece em diversas doenças psiquiátricas, não existe uma causa única para a depressão. A doença parece ser provocada pela interação de diversos fatores, sejam eles físicos ou psicológicos.

1- FATORES ORGÂNICOS RESPONSÁVEIS PELA DEPRESSÃO

A depressão não surge apenas por problemas emocionais ou psicológicos. Já foram reconhecidas vários fatores de risco e causas orgânica para o transtorno depressivo major.

1.1 – Genética

Pessoas que possuem familiares com depressão apresentam um maior risco de também desenvolverem a doença, indicando que existe uma vulnerabilidade à depressão que pode ser herdada geneticamente. Na verdade, ter familiares próximos com outras doenças psiquiátricas, como síndrome do pânico, distúrbios afetivo ou até mesmo alcoolismo, também são fatores de risco para depressão.

Apesar de intensos estudos na área, ainda não se conseguiu identificar os genes responsáveis pela vulnerabilidade à depressão.

Apesar da herança genética ser aparentemente um fator importante, ela sozinha não é suficiente para desencadear a doença. Isso é facilmente comprovado através de estudos de irmãos gêmeos idênticos, onde se viu que há concordância em apenas 40% dos casos. Portanto, outros fatores além da genética são necessários para que o transtorno depressivo surja.

1.2 – Neurotransmissores

O cérebro humano é uma estrutura altamente complexa, cujo funcionamento depende de centenas de mediadores químicos. Sabemos hoje que boa parte das doenças psiquiátricas estão relacionadas a pelo menos 5 destes neurotransmissores: noradrenalina, serotonina, dopamina, ácido gama aminobutírico (GABA) e acetilcolina.

A abundância ou a falta de alguns destes neurotransmissores em certas partes do cérebro podem desencadear graves distúrbios psiquiátricos e neurológicos. Exemplos: uma falta de dopamina em determinadas áreas da base do cérebro provoca a doença de Parkinson (leia: DOENÇA DE PARKINSON | Sintomas e tratamento). Já a doença de Alzheimer parece estar relacionada com níveis baixos de acetilcolina no cérebro (leia: MAL DE ALZHEIMER | Sintomas e diagnóstico).

A depressão tem origem no funcionamento anormal de alguns destes neurotransmissores, como a dopamina, serotonina, noradrenalina e GABA. Dentre estes, a serotonina parece ter o papel mais relevante, estando habitualmente em níveis reduzidos nos pacientes com depressão.

1.3 – Uso de drogas ou álcool

As doenças que causam dependência também estão sob a influência destes neurotransmissores citados acima. Drogas e álcool exercem seus efeitos através do aumento da liberação de dopamina no cérebro, o que provoca euforia e uma sensação agradável. O problema é que o uso repetido de drogas ou álcool dessensibiliza o sistema da dopamina, fazendo com que o mesmo se acostume com a presença destas substâncias. Por isso, pessoas viciadas precisam cada vez de mais drogas ou álcool para atingirem o mesmo grau de satisfação, podendo deixá-las deprimidas quando estão fora do efeito destas substâncias. O cérebro se acostuma a viver com níveis cada vez mais elevados de neurotransmissores estimulantes, fazendo com que os níveis normais passem a ser insuficientes para controlar o humor do indivíduo.

1.4 – Alterações do cérebro

Além da redução da concentração de neurotransmissores, pacientes com transtorno depressivo crônica também apresentam alterações na anatomia do cérebro, como reduções de volume do lobo frontal e do hipocampo.

Estudos de neuroimagem também evidenciam alterações no funcionamento de várias áreas do cérebro em pessoas com depressão. Pesquisadores descobriram uma área do córtex pré-frontal com uma atividade anormalmente diminuída em pacientes com esse distúrbio. Esta região está relacionada com a resposta emocional e tem conexões generalizados com outras áreas do cérebro responsáveis pela regulação de neurotransmissores associados ao humor, como noradrenalina, dopamina e serotonina.

1.5 – Doenças cerebrais

É cada vez mais aceita a relação entre o acidente vascular cerebral (AVC) e o surgimento da depressão. Sabemos hoje que a depressão que surge após um AVC não é provocada somente por abalos psicológicos devido às consequências perceptíveis do AVC, como sequelas motoras ou da fala. A própria lesão direta do cérebro pelo derrame cerebral aumenta o risco do surgimento da depressão, mesmo que as consequências do AVC não tenham grande efeito psicológico no paciente (leia: AVC ? Acidente Vascular Cerebral ? Causas e Sintomas).

Além do AVC, várias outras doenças neurológicas aumentam o risco de depressão, entre elas, Parkinson, Alzheimer, esclerose múltipla (leia: ESCLEROSE MÚLTIPLA | Sintomas e tratamento), epilepsias (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA | Sintomas e tratamento), tumores do cérebro (leia: SINTOMAS DE TUMOR CEREBRAL) e traumatismos cranianos.

1.6 – Doenças crônicas

Pacientes portadores de doenças crônicas também estão mais vulneráveis ao aparecimento do transtorno depressivo. As mais comuns são: diabetes, doenças cardíacas, hipotireoidismo, AIDS, cirrose, doença inflamatória intestinal, lúpus, artrite reumatoide, fibromialgia, entre outras.

2- FATORES PSICOLÓGICOS ASSOCIADOS À DEPRESSÃO

Estresses emocionais são um importante gatilho para o aparecimento da depressão. Muitas vezes, um evento traumático é fator que falta para um indivíduo susceptível desenvolver um processo depressivo.

2.1 – Traumas na infância

Traumas adquiridos na infância são um importante fator de risco para o desenvolvimento da depressão. Entre os traumas estão abusos, ausência do pai, falecimento de um ente próximo, agressões ou falta de afetividade por parte dos pais.

Relações problemáticas com pais, irmãos e colegas são comuns em crianças e adolescentes com depressão. Adultos depressivos também frequentemente relatam pouco envolvimento paterno e superproteção materna durante a primeira infância.

Crianças que sofreram bullying também estão sob maior risco de se tornarem depressivas.

2.2 – Estresses emocionais

Embora o transtorno depressivo possa surgir sem quaisquer fator emocional precipitante, estresses e perdas pessoais certamente aumentam o risco. Perdas de pessoas amadas são fatores de risco importantes nos indivíduos mais jovens. Nos idosos com longos casamentos, a perda do esposo ou da esposa também costuma ser um evento desencadeador de depressão.

Dor crônica, doença crônica, incapacidade e doenças que deixam sequelas também podem levar à depressão.

Isolamento social, excesso de críticas e cobranças por parte da família, dificuldade econômica persistente, separação matrimonial ou baixa autoestima também são fatores comuns.

Ter contato próximo e frequente com alguém deprimido também aumenta o risco de depressão.

2.3 – Depressão pós-parto

A depressão pós-parto é uma espécie de transtorno depressivo que algumas mulheres desenvolvem depois de dar a luz. A maioria das mulheres com depressão pós-parto começa a apresentar sintomas no primeiro mês de vida do bebê, mas algumas demoram  até 12 meses para desenvolver o quadro depressivo. Cerca de 10% das mães sofrem de depressão pós-parto.

No primeiros 2 ou 3 dias após ter um bebê, muitas mulheres costumam apresentar um tipo leve de depressão pós-parto, chamada tristeza pós-parto ou melancolia pós-parto. Este quadro acomete até 80% das mães e se caracteriza por mau humor, irritação, dificuldades de concentração, insônia e crises de choro.

A melancolia pós-parto ocorre por alterações hormonais que surgem com o término da gravidez e por estresses psicológicos causados pela responsabilidade de cuidar de um recém-nascido, associado ao cansaço físico que a tarefa provoca. Na maioria dos casos, a tristeza pós-parto desaparece em 2 ou 3 semanas.

A depressão pós-parto é um quadro mais importante que a melancolia pós-parto, durando mais tempo e apresentando sintomas mais severos. Mulheres com histórico de depressão estão mais propensas a ter depressão pós-parto do que mulheres que nunca foram deprimidas.

Mulheres com depressão pós-parto costumam não conseguir dormir, mesmo quando seus bebês dormem. Além disso apresentam-se muito irritadas, incapazes de cuidar do bebê, com grave sentimento de culpa e com sentimento de não ter laços afetivos com o novo filho.

A depressão pós-parto pode levar a mãe a ter pensamentos de ferir a si e ao bebê, na maioria dos casos, porém, a mãe consegue reconhecer o absurdo da ideia, tendo capacidade de controlar este estranho pensamento.

A depressão pós-parto pode desaparecer espontaneamente, porém, a ajuda médica é importante, porque em alguns casos o transtorno depressivo não melhora com o tempo e há riscos da mãe infligir danos ao filho.

Sintomas da depressão

O transtorno depressivo é uma doença que pode se manifestar de diversas maneiras. A forma mais comum é o chamado transtorno depressivo major, também conhecido como depressão maior. Outro forma bastante comum é a depressão crônica, que recebe o nome de distimia. Outros tipos de depressão que podem ocorrer são o distúrbio bipolar, depressão sazonal, depressão reativa, depressão atípica, depressão pós-parto e depressão minor.

A depressão major costuma apresentar pelo menos cinco dos nove sintomas listados abaixo, sendo um deles obrigatoriamente a tristeza ou a perda do interesse nas atividades diárias.

1- Tristeza na maior parte do dia, particularmente na manhã.
2- Perda do interesse pelas atividades do dia a dia.
3- Alterações significativas do apetite ou do peso (pode ser aumento ou redução).
4- Insônia ou sono excessivo.
5- Agitação ou letargia.
6- Fadiga ou falta de energia persistente.
7- Sentimentos de inutilidade ou culpa.
8- Incapacidade de concentração e indecisão.
9- Pensamentos recorrentes sobre morte ou suicídio.

Para que sejam considerados um critério de transtorno depressivo major, os sintomas listados acima devem ser diários e devem estar presentes por mais de 2 semanas consecutivas.

Explicamos com mais detalhes os sintomas da depressão major, da distimia e da depressão reativa em uma artigo à parte, que pode ser acessado através do seguinte link: SINTOMAS DA DEPRESSÃO.

Diagnóstico da depressão

O diagnóstico da depressão é feito preferencialmente pelo médico psiquiatra e é baseado nos sintomas, na duração e nos efeitos globais que os mesmos causam na vida do paciente. Não há atualmente nenhum exame laboratorial ou de imagem que identifique a depressão, embora alguns testes de sangue possam ser feitos para descartar outras doenças com sintomas semelhantes, como o hipotireoidismo, por exemplo (leia: SINTOMAS DO HIPOTIREOIDISMO).

O diagnóstico de depressão major exige que os sintomas sejam graves o suficiente para interferir nas atividades diárias do paciente e na capacidade de cuidar de si mesmo, manter relacionamentos, participar de atividades de trabalho, etc. O diagnóstico também requer que os sintomas estejam ocorrendo diariamente durante pelo menos duas semanas.

Após o diagnóstico é importante tentar identificar pensamentos suicidas, para que o tratamento adequado seja instituído o mais rápido possível.

Tratamento da depressão

O tratamento inicial da depressão major deve incluir medicamentos antidepressivos e psicoterapia, que pode ser feita com psiquiatra ou psicólogo.

Estudos mostram que o tratamento combinado (medicamentos + psicoterapia) é mais efetivo que a tratamento isolado com apenas uma das duas opções. A psicoterapia e os medicamentos antidepressivos são igualmente eficazes, mas a psicoterapia tem um efeito mais relevante a longo prazo, pois ela ajuda o paciente a desenvolver novas formas enfrentamento dos sintomas, bem como uma maior capacidade de racionalizar e se adaptar aos problemas da vida.

Medicamentos antidepressivos

Existem dezenas de fármacos com ação antidepressiva no mercado. Atualmente, as classes mais usadas são:

  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI) – Ex: Citalopram, Escitalopram, Fluoxetina, Paroxetina e Sertralina (leia: ANTIDEPRESSIVOS – Escitalopram, Fluoxetina, Sertralina?).
  • Inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN ou SNRI) – Ex: Venlafaxina, Duloxetina, Milnaciprano e Desvenlafaxina.
  • Antidepressivos atípicos – Ex: Mirtazapina, Bupropiona, Trazodona e Nefazodona.

Os inibidores da monoamina oxidase (IMAO) e os antidepressivos tricíclicos (ex: seleginina, amitriptilina, nortriptilina e imipramina), são fármacos mais antigos, que são atualmente pouco utilizados no tratamento da depressão por apresentarem muitos efeitos colaterais.

Habitualmente, os médicos iniciam o tratamento da depressão com um inibidor seletivo da recaptação da serotonina (ISRS ou SSRI), por ser esta uma classe de antidepressivos segura e com baixa taxa de efeitos colaterais. Os inibidores seletivos da recaptação da serotonina e noradrenalina (ISRSN ou SNRI) também são uma boa alternativa para o início do tratamento.

Não existe uma receita pronta que possa ser aplicada para todos os pacientes com depressão. O medicamento a ser escolhido depende das características clínicas e das condições financeiras do indivíduo. Por exemplo, se o paciente, além da depressão, tem dificuldade pra dormir, fármacos que provocam sonolência, tais como a mirtazapina, podem ser a melhor escolha.

Os antidepressivos podem demorar para atingir o seu efeito pleno, muitas pessoas só começam a se sentir melhor após duas semanas. Porém, para sentir o efeito completo do fármaco, o paciente pode levar até 6 a 12 semanas. Ainda assim, se o paciente não referir alívio de seus sintomas após quatro semanas de tratamento, o psiquiatra pode aumentar a dose, adicionar uma nova medicação ou simplesmente substituir a anterior. É importante ter em mente que a resposta aos antidepressivos é individual e que o tratamento pode levar semanas para ser ajustado.

A ocorrência de efeitos colaterais pode ser um motivo para substituição do medicamento. Alguns efeitos secundários desaparecem ao longo do tempo, mas outros não. Encontrar a medicação correta ou a combinação de medicamentos nas doses certas, por vezes, leva tempo e é necessário um pouco de tentativa e erro. O importante é não desanimar.

Este post também está disponível em: Espanhol

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