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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

PARA QUE SERVE A PRÓSTATA?

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A próstata é uma glândula presente apenas no sexo masculino, que fica localizada no trato geniturinário e apresenta íntima relação com a bexiga, uretra e a vesícula seminal.

Apesar de ser um órgão importante, cuja principal função é a proteção dos espermatozoides no líquido ejaculado, a próstata não é essencial para a vida. Pacientes com doenças graves, como o câncer da próstata, podem ter essa glândula retirado cirurgicamente, sem que isso necessariamente acarrete maiores transtornos.

Neste artigo vamos explicar o que é a próstata, onde ela fica, quais são as suas funções, quais são as suas doenças mais comuns e quais são os problemas de se viver sem a próstata.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula (por isso ela é também pode ser chamada de  glândula prostática), que apresenta uma forma arredondada e possui, em média, 3 cm de altura, 4 cm de comprimento e 2 cm de largura, totalizando um volume de aproximadamente 15 a 20 centímetro cúbicos (ou 15 a 20 gramas).

A glândula prostática fica localizada logo abaixo da bexiga e à frente do reto (porção final do intestino grosso). Colada à próstata também ficam as vesículas seminais, órgãos responsáveis pela produção de parte do líquido presente no esperma (veja  figura ao lado para entender melhor onde fica a próstata).

Por dentro da próstata passa a uretra, canal que drena a urina da bexiga em direção ao pênis. Também por dentro passam os vasos deferentes, que são os canais que trazem os espermatozoides produzidos pelos testículos. Os vasos deferentes desembocam na uretra no interior da próstata.

Qual é a função da próstata?

A principal função da próstata é produzir uma secreção que sirva de proteção para os espermatozoides. O líquido prostático corresponde a cerca de 30% do volume do esperma ejaculado; é ele quem dá ao esperma a sua aparência leitosa.

Os espermatozoides são produzidos nos testículos e transportados pelo vaso deferente, que se junta à vesícula seminal. Ao passarem pela vesícula seminal, os espermatozoides são misturados ao fluido seminal, uma substância alcalina que corresponde a 50-70% do volume total do esperma. Após a vesícula seminal, os espermatozoides chegam à glândula prostática.

Durante a ejaculação, a próstata se contrai e libera o líquido prostático, misturando-se ao líquido seminal já rico em espermatozoides. A primeira fração do esperma ejaculado é rica em fluido prostático e possui os espermatozoides mais ativos, saudáveis e capazes de fecundar um óvulo. O líquido da próstata protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, mantendo o seu DNA intacto. O fluido prostático também prolonga a vida dos espermatozoides e faz com que eles se tornem mais móveis, aumentando as chances de chegarem até o óvulo.

Como o vaso deferente desemboca na uretra dentro da próstata, é preciso haver algum controle para que a urina da bexiga não se encontre com os espermatozoides vindos do testículos. Quando o homem ejacula, a próstata se contrai, empurrando os esperma em direção ao pênis e fechando a porção do ureter que se conecta à bexiga. Deste modo, há a garantia de que não haverá passagem de urina durante a ejaculação.

Quais são as doenças mais comuns da próstata?

a. Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

Um dos grandes problemas da glândula prostática é a sua tendência a crescer com o passar do anos, principalmente após os 40 anos. O aumento da próstata recebe o nome de hiperplasia benigna da próstata.

A hiperplasia benigna da próstata é tão comum que acomete metade dos homens com mais de 50 anos e mais de 80% dos homens com mais de 80 anos de idade.

A HBP tem como principal complicação a obstrução à passagem de urina. Repare na figura acima como uma próstata grande pode obstruir a uretra, dificultando a drenagem da urina.

Para saber detalhes sobre a hiperplasia benigna da próstata, leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento.

b. Câncer de próstata

Outra doença comum da glândula prostática é o câncer de próstata. O adenocarcinoma da próstata (leia: O QUE É UM CARCINOMA?) é o câncer mais comum no sexo masculino, presente em até 80% dos homens que chegam aos 80 anos de idade.

O câncer da próstata é um tumor que costuma ser indolente, crescendo lentamente, podendo permanecer assintomático por vários anos.

Para saber mais sobre o adenocarcinoma da próstata, leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento.

c. Prostatite

A prostatite é uma doença causada pela inflamação da próstata.

A prostatite aguda, que é a forma mais comum de prostatite, é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana, em geral por E. coli, Klebsiella ou Proteus.

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas são a febre, dor para urinar e dor na região pélvica.

Para saber mais sobre a prostatite, leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento.

Exames da próstata

Existem quatro importantes exames para avaliar a próstata. O mais simples é o toque retal. Como a glândula prostática fica colada ao reto, através do toque retal é possível palpá-la, podendo-se obter informações sobre o seu tamanho e formato.

Outro exame simples é a dosagem sanguínea do PSA, uma enzima produzida pela próstata, que costuma estar aumentada nas doenças, principalmente no câncer e na prostatite.

A ultrassonografia da próstata é um exame de imagem útil para se avaliar o tamanho da mesma e a presença de nódulos suspeitos. Quando o ultrassom é feito pela via retal, a eficácia do exame é muito maior, sendo esta a forma ideal de se realizar uma ultrassonografia prostática.

Por fim, há a biópsia da próstata, que é o procedimento realizado quando há suspeitas de tumores. Explicamos a biópsia prostática com detalhes neste texto: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações.

Podemos viver sem a próstata?

Sim, a próstata não é um órgão essencial à vida. Na verdade, nas pessoas idosas, que já não pretendem mais ter filhos, a próstata não tem função, servindo apenas como fonte de problemas.

A grande questão é que a remoção da próstata não é um procedimento livre de complicações. Entre as mais comuns estão a impotência sexual (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento) e a incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA | Causas, tipos e diagnóstico).

Este post também está disponível em: Espanhol

BIÓPSIA DA PRÓSTATA – Indicações e Complicações

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A biópsia da próstata é um procedimento no qual o urologista obtém amostras do tecido prostático com o propósito de tentar identificar células cancerígenas. Neste texto vamos explicar como é feita a biópsia de próstata, quais são suas indicações e possíveis complicações.

O que é uma biópsia?

A biópsia é um procedimento médico onde uma pequena amostra de um tecido é retirada de um órgão de um ser vivo para avaliação microscópica à procura de doenças. A biópsia da próstata é feita, portanto, retirando-se uma pequena amostra da próstata para posterior avaliação em um microscópio por um médico patologista à procura de células tumorais.

Indicações da biópsia de próstata

Habitualmente, a biópsia da próstata é indicada quando o urologista suspeita da presença de um câncer da próstata após uma avaliação clínica e laboratorial inicial. Os principais dados que levam o urologista a indicar uma biópsia são um exame de PSA aumentado, um toque retal que identifique tumoração ou irregularidades da próstata ou uma ultrassonografia que detecte um nódulo suspeito.

Se você quiser saber mais sobre câncer de próstata e sua investigação, sugerimos a leitura de:

– CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento
– CÂNCER DE PRÓSTATA | Perguntas mais frequentes

Como é feita a biópsia de próstata

O modo mais comum de ser realizar uma biópsia da próstata é pela via transretal, ou seja, através do ânus/reto. A biópsia transretal é um procedimento simples, geralmente realizado no próprio consultório do urologista com o paciente acordado durante todo o procedimento e apenas com anestesia local. O procedimento é feito com o paciente deitado de lado e com os joelhos e quadril fletidos.

O urologista insere pelo ânus uma sonda de ultra-som, semelhante à sonda usada na ultrassonografias transretais da próstata, com a diferença de haver também acoplada uma agulha de biópsia (acompanhe o texto com a ilustração abaixo). Não se assuste, pois a agulha permanece o tempo inteiro “escondida”, sendo exteriorizada apenas na hora de se obter as amostras de tecido. O exame quando feito com anestesia é praticamente indolor, porém, ainda assim pode ser um pouco desconfortável para pessoas mais ansiosas.

Com o ultrassom o médico consegue identificar a próstata e a  localização do(s) nódulo(s) suspeito(s), inserindo a agulha no ponto exato para coleta de material. Além dos locais suspeitos identificados pelo ultrassom, o urologista também costuma tirar pelo menos mais 6 amostras difusas de tecido prostático para aumentar a probabilidade de se obter uma amostra positiva. Quanto maior for o volume da próstata, mais amostras podem ser obtidas.

Normalmente, o procedimento não dura mais do que 10 minutos e o paciente pode ir para casa a seguir. O resultado costuma demorar uma semana para ficar pronto.

Eventualmente o paciente pode ter um câncer de próstata e esse não ser identificado pela biópsia. Se o tumor não for muito grande, a agulha pode não pegá-lo, sendo obtidas apenas amostras de tecido prostático sadio. Se o quadro clínico for muito sugestivo de câncer e a biópsia apontar apenas tecido saudável, o urologista pode optar por repeti-la. Quando a biópsia é repetida, o médico pode decidir pela chamada biópsia de saturação, quando são obtidos entre 12 e 24 amostras da próstata. Deste modo, a chance de se pegar uma área acometida por células malignas torna-se bem grande.

A biópsia da próstata também pode ser feita pela via transuretral (pela uretra, canal do pênis) ou transperineal (pelo períneo, região entre o ânus e a bolsa escrotal). Essa duas vias, porém, são usadas geralmente em casos especiais apenas.

Cuidados antes da biópsia de próstata

A biópsia da próstata aumenta o risco de infecção urinária, por isso, é comum o urologista solicitar uma urocultura antes da biópsia para não fazê-la caso o paciente apresente bactérias na urina (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher). Se a urocultura for positiva, o paciente deve antes fazer um tratamento com antibióticos por 5 a 7 dias para esterilizar a urina. Mesmo estando a urocultura negativa, é recomendado o uso de pelo menos um comprimido de antibiótico, geralmente 500mg a 1000mg de ciprofloxacino, uma hora antes do procedimento. Também é comum a prescrição de antibióticos por alguns dias após a biópsia.

Alguns urologista indicam a lavagem intestinal com um enema para ser realizada no dia do procedimento em casa, porém, esta conduta não é essencial e nem todos os médicos a indicam.

Um jejum de pelo menos 4 horas é indicado.

A biópsia é um procedimento que sangra, os pacientes não devem estar tomando drogas que inibam a coagulação. Se você toma medicamentos como Clopidogrel, Ticlopidina, Aspirina (leia: ASPIRINA | AAS | Indicações e efeitos colaterais), anti-inflamatórios (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais) ou Varfarina (leia: INTERAÇÕES COM A VARFARINA (MAREVAN, VARFINE, COUMADIN)) alerte seu médico deste fato, pois a maioria dos urologistas prefere suspender estas drogas dias antes da biópsia.

Se o paciente apresenta uma próstata grande e dificuldades para urinar, o médico costuma passar uma sonda vesical para impedir que o edema da próstata após a biópsia obstrua totalmente a passagem da urina.

Cuidados após a biópsia de próstata

Após a biópsia o paciente pode ir para casa. Sugere-se evitar atividades físicas, incluindo atividade sexual até o dia seguinte. Como alguns médicos optam por uma sedação leve antes da biópsia, não é indicado dirigir após os procedimento.

É normal haver um pouco de dor na região pélvica e uma pequena perda de sangue pelo ânus. Também são comuns a presença de pequena quantidade de sangue na urina e no esperma por alguns dias. Outro achado não preocupante é uma mudança de cor do esperma por algumas semanas, ficando este geralmente mais claro.

Se o sangramento urinário ou retal for de grande quantidade ou persistir por mais de três dias, o médico deve ser consultado. Outro sinal de complicação é a retenção urinária. Se após a biópsia o paciente tiver vontade de urinar, mas não conseguir, deve-se contatar o urologista. Uma dor que se agrava em vez de melhorar com o passar dos dias ou a presença de febre também são sinais de possíveis complicações.

Este post também está disponível em: Espanhol

HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA

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A hiperplasia prostática benigna ou hiperplasia benigna da próstata (HBP) é uma condição caracterizada pelo aumento do tamanho da próstata com características benignas, ou seja, sem nenhuma relação com o câncer da próstata.

Neste texto vamos explicar o que é a hiperplasia benigna da próstata, abordando as suas causas, sintomas, diagnóstico e opões de tratamento.

O que é a próstata?

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3cm de diâmetro), com aproximadamente 20 gramas de peso, presente apenas no sexo masculino. Localiza-se na base da bexiga e circunda a parte inicial da uretra, canal que leva a urina da bexiga para pênis.

A próstata faz parte do sistema reprodutor masculino, sendo responsável pela secreção de um fluído alcalino (com pH elevado) que protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina e aumenta sua mobilidade, facilitando a chegada dos mesmos ao óvulo.

Como apresenta íntima relação com a uretra (canal que drena urina da bexiga), alterações no tamanho da próstata podem comprimir a mesma e dificultar a passagem de urina, levando aos sintomas de prostatismo, que serão explicados mais à frente.

Como a próstata encontra-se encostada ao reto, ela pode ser palpada através do toque retal, um dos métodos mais simples de avaliação da glândula. Uma próstata aumentada de tamanho ou de forma irregular devido à presença de um tumor pode ser facilmente identificada por este método. Falaremos com mais detalhes sobre o toque retal na parte de diagnóstico.

A próstata pode crescer e causar sintomas por três motivos:

– Hiperplasia benigna da próstata.
– Câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas, diagnóstico e tratamento).
– Prostatite – infecção da próstata (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).

Para mais detalhes sobre a próstata, leia: O QUE É A PRÓSTATA?

Hiperplasia benigna da próstata (HBP)

O aumento do tamanho da próstata é um processo estimulado pela presença do hormônio testosterona e ocorre durante toda vida no sexo masculino. Quanto mais velho é uma pessoa, mais tempo a sua próstata teve para crescer. Isto significa que com a idade, praticamente todos os homens terão uma próstata grande. Aos 40 anos 10% dos homens já têm uma próstata aumentada de tamanho; aos 50 anos, esse número pula para 50%; após os 80 anos, mais de 80% da população masculina apresenta hiperplasia prostática benigna.

A hiperplasia benigna da próstata, como o próprio nome diz, é um crescimento benigno, que nada tem a ver com câncer. Repetindo para não haver confusão: a hiperplasia da próstata é um processo natural do envelhecimento e NÃO se transforma em câncer de próstata. Esta confusão surge frequentemente porque quase todo paciente com câncer de próstata tem mais de 60 anos, idade na qual a prevalência da HBP é alta. Fazendo uma comparação grosseira, podemos dizer  que muitos pacientes com câncer de próstata têm cabelo branco, mas nem por isso achamos que ter cabelo branco causa câncer.

Sintomas da hiperplasia benigna prostática

O aumento da próstata em si não é um problema. O problema está no fato da próstata estar anatomicamente localizada junto a algumas estruturas do trato urinário, principalmente a uretra.  O aumento da próstata comprime a uretra e atrapalha a saída da urina, podendo inclusive causar obstrução, hidronefrose (acúmulo de urina no rim) e insuficiência renal. Veja a ilustração do início do texto para entender como se dá a compressão da uretra.

Os sintomas da hiperplasia benigna prostática estão relacionados à obstrução da uretra. Os primeiros sinais são a perda de força do jato urinário e a necessidade de urinar frequentemente.

Explicando: a próstata aumentada comprime a uretra e atrapalha a drenagem da urina. Na maioria das vezes essa obstrução é parcial e permite que algum volume de urina passe, principalmente quando a bexiga está cheia e a pressão consegue vencer a resistência causada pela próstata aumentada. Porém, quando o nível de urina dentro da bexiga desce, a pressão cai e o jato, que já é fraco, se interrompe. O resultado final é uma bexiga que não consegue mais se esvaziar por completo, ficando sempre com alguma urina em seu interior. Por isso, o paciente sente vontade de urinar frequentemente, mas só consegue eliminar pequenos volumes.

O não esvaziamento completo da bexiga faz com que um grande volume de urina fique sempre represado, favorecendo o crescimento de bactérias em seu interior, já que o ato de urinar expulsa boa parte dos micro-organismos presentes na urina. Nos pacientes com hiperplasia benigna da próstata, há sempre um “laguinho” de urina para as bactérias se reproduzirem. Não é de se estranhar que a cistite (infecção da bexiga), rara em homens até os 45-50 anos, passe a ser um diagnóstico comum em idosos (leia: INFECÇÃO URINÁRIA (CISTITE) para entender mais sobe o assunto).

O fato da urina ficar represada dentro da bexiga também favorece a formação de cálculos (pedras) no seu interior (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Conforme a próstata cresce, mais comprimida fica a uretra, até o ponto onde pode haver uma completa obstrução da passagem da urina. A urina que não é drenada se acumula na vias urinárias e acaba por acometer os rins, levando à hidronefrose (dilatação dos rins). O resultado final é a insuficiência renal grave, podendo haver necessidade de hemodiálise de urgência. (leia: HEMODIÁLISE).

É bom destacar que não é necessária a suspensão completa da urina para se ter grave lesão nos rins. O paciente pode ainda conseguir urinar e mesmo assim estar com obstrução e hidronefrose grave. Basta que ele tenha um ritmo de eliminação de urina menor do que a produzida pelos rins.

Quanto mais tempo os rins ficam obstruídos e cheios de urina, menor é a chance de recuperação após a desobstrução do fluxo. Após 7 a 10 dias de hidronefrose, começam a surgir lesões irreversíveis dos rins, um processo que se completa após 3-4 meses de obstrução, época em que provavelmente o doente permanecerá dependente de hemodiálise, mesmo que venha a corrigir o problema.

Outro sintoma do crescimento da próstata é a disfunção erétil (impotência), que ocorre por compressão dos nervos que controlam a ereção (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).

Resumindo os sintomas da hiperplasia prostática benigna:

– Dor ou dificuldade para urinar.
– Jato urinário fraco.
– Necessidade de urinar pequenos volumes com grande frequência.
– Incapacidade de esvaziar a bexiga.
– Infecção urinária.
– Cálculo de bexiga.
– Insuficiência renal nos casos de grave obstrução e hidronefrose.

Como muitos pacientes com aumento da próstata e hidronefrose ainda conseguem urinar, não é incomum que os mesmo não procurem ajuda médica precocemente, negligenciando seus sintomas urinários. Este comportamento acaba por tornar o quadro bem mais grave, muitas vezes fazendo com que o paciente pare no hospital, tempos depois, com um quadro de insuficiência renal avançada. É importante que qualquer idoso, ao primeiro sinal ou sintoma de crescimento da próstata, seja avaliado por um urologista.

Como é feito o diagnóstico da hiperplasia prostática benigna?

Existe um tabela de pontos chamada de ESCORE INTERNACIONAL DE SINTOMAS PROSTÁTICOS. São 7 perguntas e cada uma recebe uma pontuação de 0 a 5

  • Quantas vezes ficou a sensação de não esvaziar totalmente a bexiga?
  • Quantas vezes teve de urinar novamente menos de 2 horas após ter urinado?
  • Quantas vezes observou que, ao urinar, parou e recomeçou várias vezes?
  • Quantas vezes observou que foi difícil conter a urina?
  • Quantas vezes observou que o jato urinário estava fraco?
  • Quantas vezes teve de fazer força para começar a urinar?
  • Quantas vezes, em média, teve de se levantar à noite para urinar?

0 = Nenhuma
1 = Menos de 1 vez em 5
2 = Menos da metade das vezes
3 = Metade das vezes
4 = Mais da metade das vezes
5 = Quase sempre

Leve: 0 a 7;
Moderada: 8 a 19;
Severa: 20 ou mais

O escore acima avalia a severidade dos sintomas prostáticos, mas não diferencia entre HBP, câncer de próstata e prostatites, que apresentam sintomas muito parecidos.

O diagnóstico diferencial envolve o toque retal, a dosagem do PSA, a ultrassonografia transretal e abdominal, e a biópsia da próstata (leia: BIÓPSIA DA PRÓSTATA | Indicações e complicações)

PSA

O PSA é um marcador de doença prostática, colhido através de análises de sangue. O PSA eleva-se na HPB, nas prostatites e, principalmente, no câncer de próstata.

PSA menor que 2,5 = Baixo risco de câncer.
PSA entre 2,5 e 10 = Risco intermediário de câncer.
PSA maior que 10 = Alto risco de câncer.
PSA maior que 20 = Muito alto risco de câncer e elevada chance de doença metastizada.

Pacientes com PSA baixo raramente tem câncer. Quando o valor do PSA é intermediário, o diagnóstico mais provável é a HBP, mas o câncer de próstata não pode ser descartado. PSA alto indica alto risco de câncer, mas também é possível que seja prostatite ou até mesmo apenas HBP. PSA maiores que 20, praticamente só surgem no câncer ou em alguns casos de prostatite.

Toque retal

O toque retal consegue detectar o aumento da próstata, pois a mesma encontra-se encostada ao reto. Este exame da próstata, quando realizado por médico experiente, permite, em muitos casos, saber se o aumento da próstata é uniforme, ou seja, causado pela HBP, ou localizado, causado por um tumor.

O toque retal permite ao médico detectar irregularidades, nódulos, assimetrias e mudanças na consistência da próstata.

Ultrassonografia da próstata

O ultrassom realizado pela via retal permite uma boa visualização da próstata, permitindo calcular o seu tamanho e volume, podendo também detectar nódulos suspeitos.

O ultrassom abdominal permite calcular o volume de urina na bexiga e avaliar a capacidade de esvaziamento da mesma. Também é possível ver os rins e diagnosticar eventuais obstruções graves que estejam causando hidronefrose.

Se após a realização de todos esses exames, o câncer continuar sendo uma hipótese, faz-se necessária a realização da biópsia da próstata para se fechar o diagnóstico.

Tratamento da hiperplasia benigna da próstata

Pacientes que apresentam HBP diagnosticada em exames de rotina e não apresentam nenhuma queixa ou sinal de obstrução urinária podem ser acompanhados regularmente sem tratamento específico.

Se houver aumento da próstata e sinais de obstrução moderada das vias urinárias, geralmente o tratamento indicado é feito com medicamentos que diminuem o tamanho da próstata. Entre as drogas disponíveis podemos citar:

– Terazosina.
– Doxazosina.
– Tansulosina.
– Alfuzosina.
– Finasterida.
– Dutasterida.

Quando a obstrução das vias urinárias é grave ou quando o tratamento com medicamentos não tiver sucesso, ou seja, se não houver redução do tamanho da próstata, a cirurgia passa a ser uma opção.

A ressecção transuretral da próstata (RTUP) é atualmente o procedimento cirúrgico mais usado. Neste procedimento o urologista retira grande parte da próstata com um aparelho chamado ressectoscópio, que é introduzido através da uretra. Por este aparelho é possível introduzir uma lâmina para ressecar a próstata e aspirar o tecido retirado. Geralmente retira-se todo o interior da próstata, deixando apenas a parte externa. A cirurgia é feita com anestesia geral (leia: ANESTESIA GERAL | Como funciona e quais os riscos) ou regional e dura em média 90 minutos.

Se a próstata não for muito grande uma cirurgia possível é a incisão transuretral da próstata (ITUP), semelhante a RTUP, mas apenas retirando uma pequena parte de tecido da próstata, o suficiente para desobstruir a uretra.

Existem outras técnicas para ressecção da próstata, como Laser, micro-ondas, cauterização, etc. A técnica depende da gravidade de cada caso e da experiência do urologista.

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PROSTATITE – Sintomas e Tratamento

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Prostatite é um termo amplo que engloba várias condições que cursam com inflamação da próstata. Seus sintomas incluem febre, dor para urinar, dificuldade para urinar e dor na região pélvica.

Neste texto vamos abordar os diferentes tipos de prostatites, abordando os seguintes pontos:

  • O que é próstata.
  • O que é prostatite.
  • Tipos de prostatite
  • Causas da prostatite
  • Sintomas da prostatite
  • Tratamento da prostatite

A próstata

A próstata é uma glândula do tamanho de uma noz (3 a 4 cm de diâmetro), com aproximadamente 20 gramas de peso, presente apenas no sexo masculino. Localiza-se na base da bexiga e circunda a parte inicial da uretra, canal que escoa a urina da bexiga.

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Localização da próstata

Cerca de 70% do líquido ejaculado durante o orgasmo é produzido pela próstata.. Este líquido é uma secreção alcalina (com pH elevado) que se mistura e protege os espermatozoides do ambiente ácido da vagina, aumentando sua mobilidade e facilitando a chegada dos mesmos ao óvulo.

Devido a sua localização anatômica, as doenças da próstata costumam causar sintomas associados a urina e bexiga, como dor ao urinar e fraqueza do jato urinário.

Prostatite

A prostatite não é uma doença única, mas sim um grupo de quatro doenças que cursam com sintomas semelhante, relacionados à inflamação da próstata. Atualmente divide-se as prostatites em quatro grupos:

I- Prostatite aguda
II- Prostatite bacteriana crônica
III- Prostatite não bacteriana crônica ou Síndrome da dor pélvica crônica
(IIIa. inflamatória / IIIb. não inflamatória)
IV- Prostatite inflamatória assintomática

A categoria IIIb (Prostatite não bacteriana crônica / síndrome da dor pélvica crônica não inflamatória) era antigamente chamada de prostatodinia.

Vamos falar um pouquinho sobre cada uma delas.

I. Prostatite aguda

A prostatite aguda é um quadro inflamatório normalmente causado por uma infecção bacteriana da próstata. As bactérias mais comuns da prostatite aguda são as mesmas que costumam causar infecção urinária, como E. coli, Klebsiella e Proteus. A contaminação da próstata se dá pela invasão da mesma por bactérias que se encontram na uretra ou na bexiga, normalmente devido a uma urina previamente contaminada.

Entre os principais fatores de risco para a prostatite aguda podemos citar:

– Infecção urinária (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas da cistite).
– Uso de cateter vesical.
– Traumas locais por uso prolongado de bicicletas ou andar a cavalo.
– Infecção pelo HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)).
– Uretrites por DSTs (leia: GONORRÉIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).

Sintomas da prostatite aguda

A prostatite aguda pode ocorrer tanto em homens jovens quanto em idosos e os seus principais sintomas incluem:

– Febre.
– Calafrios.
– Disúria (dor ao urinar) (leia: DISÚRIA | DOR AO URINAR | Causas).
– Dificuldade em urinar.
– Dor pélvica.
– Urina turva.
– Mal estar.
– Dores musculares e nas articulações.

Os sintomas da prostatite aguda podem ser muito intensos, fazendo com que muitas vezes o doente necessite de hospitalização. A sepse é uma complicação possível desta infecção (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?).

Diagnóstico da prostatite aguda

O diagnóstico da prostatite aguda é feito através da avaliação conjunta do sinais clínicos e do toque retal, que demonstra uma próstata dolorosa ao exame. Assim como na infecção urinária, a urocultura serve para identificar a bactéria responsável pela infecção (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher). O exame simples de urina (EAS) costuma apresentar piócitos na urina (pus) e sangramento microscópico (leia: EXAME DE URINA | Entenda seus resultados).

Nas análises de sangue, a dosagem do PSA pode ajudar, pois o mesmo costuma estar elevado durante as prostatites. Os marcadores de atividade inflamatória como PCR e VHS também encontram-se elevados (leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR , LDH, Ferritina e CK) e o hemograma costuma apresentar leucocitose (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

Tratamento da prostatite aguda

A prostatite aguda tem cura e o tratamento é feito com administração de antibióticos por um período médio de quatro semanas. Como as bactérias que causam a prostatite costumam ser as mesmas da infecção urinária, os antibióticos também são iguais, sendo o Bactrim® e as quinolonas (ciprofloxacina, levofloxacina e norfloxacina) os mais usados. Os antibióticos podem ser alterados posteriormente de acordo com os resultados da urocultura, que costumam demorar de 48 a 72h para ficarem prontos.

Os sintomas costumam começar a desaparecer com 48 horas de antibioticoterapia. Depois de sete dias de tratamento a urocultura já é negativa, não apresentando mais bactérias na urina.

Para o alívio da dor analgésicos comuns e anti-inflamatórios podem ser usados, se não houver contraindicações.

II. Prostatite bacteriana crônica

A prostatite bacteriana crônica é um complicação possível da prostatite aguda não devidamente tratada.

O quadro é bem mais brando que na  prostatite aguda e os sintomas podem ser sutis. Na maioria das vezes as queixas se restringem a disúria (incômodo ao urinar), vontade urinar frequentemente e mal-estar. A febre, quando presente, costuma ser baixa.

Como vocês já puderam notar, muitos dos sintomas da prostatite crônica são semelhantes aos da cistite (infecção da bexiga), podendo causar alguma confusão no diagnóstico (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento). É importante saber que nos homens adultos e/ou jovens a cistite é uma infecção pouco comum, devendo a prostatite ser sempre uma das hipóteses diagnósticas nos pacientes do sexo masculino com sintomas semelhantes aos de uma infecção urinária.

O diagnóstico da prostatite crônica também é feito através da história clínica e do toque retal.  Neste caso, durante o toque retal, é possível realizar a massagem da próstata para estimular a secreção de líquidos para a análise laboratorial. A massagem prostática nunca deve ser feita na prostatite aguda devido ao risco de estimular a liberação de bactérias para a corrente sanguínea. A urocultura colhida após massagem prostática também é uma opção para o diagnóstico da prostatite crônica.

As bactérias que causam a prostatite crônica são, em geral, as mesmas da prostatite aguda. Paciente que apresentam sintomas de prostatite crônica, com pus no exame simples de urina, mas cujas uroculturas e culturas da secreção prostática são persistentemente negativas, devem ser investigados para infecção por clamídia (leia: GONORRÉIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).

O tratamento da prostatite crônica é semelhante ao da prostatite aguda, com duração entre 4 a 6 semanas. Pacientes que apresentam infecção recorrente podem precisar de tratamento mais prolongado.

III. Prostatite não bacteriana crônica ou Síndrome da dor pélvica crônica

A síndrome da dor pélvica crônica é uma síndrome que cursa com sintomas urológicos e desconforto na região pélvica. O termo síndrome da dor pélvica crônica é mais correto que prostatite não bacteriana crônica, porque muitas vezes não há envolvimento da próstata no quadro, apesar dos sintomas serem sugestivos de prostatite crônica.

A síndrome da dor pélvica crônica é um diagnóstico de exclusão, ou seja, só pode ser dado depois que se descartam a prostatite bacteriana e outras causas para dor pélvica como tumores, infecções urinárias, hemorroidas e doenças testiculares.

Os sintomas da síndrome da dor pélvica crônica incluem aqueles da prostatite crônica e outros como dor pélvica, desconforto anal e incômodo nos testículos.

Não há tratamento específico para a síndrome da dor pélvica crônica. Quando não se consegue descartar uma prostatite bacteriana crônica, um curso de quatro semanas de antibióticos é uma conduta aceitável. Nos casos onde não é possível determinar a causa da dor, o tratamento se limita ao uso de analgésicos.

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