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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

OLHO SECO E FALTA DE LÁGRIMAS

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Secura nos olhos, falta de lágrima, sensação de areia nos olhos, incômodo e queimação podem ser sinais da síndrome do olho seco.

Já faz alguns anos a medicina reconheceu o papel crucial da lágrima para a saúde ocular. A lágrima, ou melhor, o filme lacrimal, além da função óbvia de lubrificação, fornece nutrientes e oxigênio para superfície ocular, tem função antibacteriana e até visual.

A lágrima é composta por 3 camadas. Uma camada mais externa, composta por lipídeos e produzida pelas glândulas de meibomius existentes na margem palpebral (foto abaixo), uma outra aquosa produzida pelas glândulas lacrimal principal e acessórias e uma mais interna produzida por células distribuídas na superfície ocular. Cada uma tem um função especifica e qualquer alteração em uma dessas 3 camadas compromete o filme lacrimal como um todo.

A produção lacrimal sofre influência de fatores hormonais (estrogênio e androgênio p.ex) e também de alguns estímulos externos, como poluição, alérgenos, trauma e emoção.

Uma doença cada vez mais comum é a síndrome do olho seco. O olho seco é uma doença crônica, caracterizada pela diminuição da produção da lágrima ou deficiência em alguns de seus componentes, ou seja, pouca quantidade e/ou má qualidade da lágrima.

Estima-se que quase 14% dos idosos apresentem sintomas de olho seco e que 10% utilizem lágrimas artificiais.

Mulheres na menopausa, usuários de lente de contato, pessoas com doença auto-imune, artrite reumatoide, síndrome de sjögren, lúpus ou que usam alguns medicamentos (antidepressivos, anti-histamínicos, diuréticos, beta-bloqueadores, tranquilizantes entre outros) estão mais propensos a sofrer dessa síndrome.

Pessoas que trabalham com computador especialmente em ambientes com ar condicionado são alguns dos pacientes mais frequentes nos consultórios oftalmológicos. Crianças que brincam muito com vídeo games também relatam esses sintomas.

Sintomas do olho seco

Geralmente, o quadro é leve e inclui sensação de areia, queimação, hiperemia (vermelhidão), fotofobia (intolerância a luz) e embaçamento. Esses sintomas costumam piorar no final do dia, nas condições de baixa umidade (ar condicionado, vento etc.) ou após períodos prolongados de leitura, televisão etc.

Lacrimejamento excessivo é um sintoma frequente, o que confunde o paciente. Na verdade, é um lacrimejamento reflexo do olho, na tentativa de combater uma superfície ocular doente.
Casos mais graves causam uma grande morbidade e podem levar a comprometimento da córnea e até a perda da visão.

Pacientes submetidos à cirurgia refrativa também podem apresentar, ainda que passageiro, um quadro de olho seco no pós operatório e isso deve ser avaliado e discutido antes da cirurgia.
O diagnóstico é feito pela história clínica e por exames de avaliação da lágrima relativamente simples e que podem ser feitos no consultório médico, como teste de schirmer, teste do corante de rosa bengala e tempo de rotura do filme lacrimal (BUT).

Teste de Schirmer

Como os sintomas são inespecíficos, deve-se fazer o diagnóstico diferencial com outras doenças como alergia ocular, conjuntivites crônicas, blefarite, episclerite, etc.

Tratamento do olho seco

O tratamento é variado e complexo, nem sempre eficaz e deve ser individualizado para cada caso. É importante tentar diferenciar em qual das 3 camadas da lágrima há a alteração inicial, pois isso influencia o tratamento.

Lágrimas artificiais das mais variadas composições, anti-inflamatórios tópicos e orais, imunossupressores e até cirurgias (como oclusão dos orifícios de drenagem lacrimal) podem ser utilizados.

A suplementação alimentar com ácidos graxos essências (Omega 3) presente nos peixes (salmão, sardinha) e no óleo de linhaça são medidas úteis para quase todos os pacientes.

Este texto é de autoria do Dr. Renato Souza Oliveira
Oftalmologista formado pela UFRJ e com pós-graduação na UNIFESP
Contato pelo email:
renatocso@bol.com.br

DEGENERAÇÃO MACULAR – Causas e Sintomas

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A degeneração macular é uma doença que causa perda da visão central, atrapalhando atividades simples como ler, assistir TV e dirigir. Saiba mais.

Mudanças significativas têm surgido nos últimos anos no cenário da Oftalmologia. A progressiva alteração das características da pirâmide populacional elevou significativamente a parcela de indivíduos maiores de 50 anos em nosso país. Aspectos sociais e econômicos atuais associaram esse aumento da expectativa de vida a uma manutenção desses indivíduos na faixa da população economicamente ativa.

Esses indivíduos estão sob um risco aumentado de desenvolvimento de uma doença conhecida como Degeneração Macular Relacionada à Idade – DMRI.

A degeneração macular é uma doença complexa que compreende alterações progressivas da retina, estrutura localizada no fundo do olho, responsável pela captação dos estímulos luminosos e transformação em sinal elétrico para o cérebro. A mácula, porção central da retina, responsável pela visão central e de detalhes, é a principal região acometida.

A degeneração macular é a principal causa de cegueira irreversível nos países desenvolvidos, e essa tendência vem se revelando também em nosso país. Ela atinge 8% dos indivíduos maiores de 50 anos, com um aumento exponencial com o avanço da idade, acometendo 2/3 da população acima de 90 anos. Além da idade, outros fatores de risco são:

A boa notícia é que o recente aumento da incidência de degeneração macular foi acompanhado por uma sensível evolução nos métodos diagnósticos e, principalmente, no tratamento desta doença.

A forma mais comum, e menos grave, de degeneração macular é a forma seca. Esta se caracteriza pelo acúmulo de resíduos do metabolismo celular da retina, que se depositam sob a forma de drusas e que, aliado a graus variáveis de atrofia do tecido retiniano, causam uma perda visual central, de progressão lenta, podendo dificultar a realização de algumas atividades como ler e escrever ou a identificação de traços de fisionomia.

A degeneração macular causa uma perda da visão central que pode afetar atividades como ler e identificar traços de fisionomia

O diagnóstico é feito pelo médico oftalmologista através de uma avaliação cuidadosa dos sintomas e exame detalhado da retina, que é feito através da identificação das lesões características após dilatação das pupilas, comumente com auxílio de exames complementares. Neste estágio, é importante a detecção precoce e a definição adequada do momento em que o indivíduo deve receber suplementação vitamínica específica para diminuir o risco de evolução para a forma grave da doença, conhecida como forma úmida.

A forma úmida acomete cerca de 10% dos indivíduos com degeneração macular e ocorre quando, além das alterações da forma seca, surgem também hemorragias e acúmulo de líquido devido ao surgimento de vasos sanguíneos anormais sob a retina. Nesse momento, há uma perda visual de progressão rápida ou até mesmo súbita.

Até poucos anos atrás, os tratamentos disponíveis para a forma úmida da degeneração macular apresentavam baixa eficácia e era frequente vermos pacientes em plena atividade útil sofrerem perda visual progressiva, com grande limitação de sua qualidade de vida. Hoje, as novas medicações comumente aplicadas sob a forma de injeções intraoculares, propiciaram a interrupção da perda visual ou até mesmo a recuperação visual. Para isso, o diagnóstico precoce da forma úmida, mais rara e mais grave, é de grande importância, para imediata instituição do tratamento, a fim de que seja reduzido o risco de perda permanente de visão.

Inúmeras pesquisas científicas no campo da degeneração macular estão em andamento. Muitas envolvem a identificação em cada paciente de genes que poderiam estar associados à doença. Esse trabalho pode ser muito útil na prevenção e tratamento da degeneração macular, tanto para o paciente como para seus familiares.

Concluímos que apesar da gravidade e crescente incidência da degeneração macular, essa doença é ainda desconhecida pela maioria das pessoas, e, portanto, a conscientização da importância do diagnóstico e dos novos recursos de tratamento é de especial utilidade.

Este texto é de autoria do Dr. Flávio MacCord.
Especialista em Retina Clínica e Cirúrgica pela Universidade de São Paulo, Mestre em Ciências Médicas pela Universidade de Campinas, membro da Sociedade Brasileira de Oftalmologia e médico oftalmologista da Clínica São Vicente, Rio de Janeiro.

LENTES DE CONTATO

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O uso de lentes de contato ganhou muita popularidade ao longo das últimas duas décadas. Estima-se que, atualmente, mais de 130 milhões de pessoas em todo mundo as usem frequentemente.

As lentes de contato apresentam algumas vantagens em relação aos óculos, como a comodidade para se praticar esportes, um maior campo de visão e o fato de serem praticamente imperceptíveis, o que esteticamente acaba sendo conveniente.

As lentes de contato apresentam três indicações básicas:

– Correção visual de grau, seja por miopia, hipermetropia, astigmatismo ou presbiopia.
– Cosmética, como no caso das lentes de contato coloridas.
– Terapêutico, para correção de algumas doenças oculares como ceratocone ou após cirurgias.

O uso cosmético das lentes tem se tornado muito popular. Algumas pessoas usam lentes coloridas para mudar a cor dos olhos. Outros usam lentes estilizadas para alterar o formato dos olhos, o que tem sido muito comum em filmes e festas. Nos E.U.A, durante a época de Halloween, é frequente as pessoas usarem este tipo de lentes junto com suas fantasias.

As lentes de contato costumam ser divididas em gelatinosas e rígidas.

Tipos de lente de contato

a) Lentes de contato gelatinosas

São as lentes de contato mais confortáveis e de fácil adaptação, sendo por isso mesmo, as mais vendidas e usadas.

Entre as lentes gelatinosas existem várias marcas diferentes, compostas por diversos materiais distintos. Cada uma apresenta uma taxa própria de oxigenação da córnea e acúmulo de detritos. Dependendo destas características, o tempo de uso pode variar bastante:

– Lentes de contato por um dia: devem ser descartadas diariamente. São ideais para pessoas que usam lentes apenas esporadicamente ou que tenham sensibilidade às soluções desinfetantes, já que este tipo de lente dispensa o seu uso.

– Lentes de contato por duas semanas: podem ser usadas por até 15 dias. Indica-se retirá-las para dormir, apesar de algumas destas poderem ser usadas por até seis dias ininterruptos.

– Lentes de contato por um mês: devem ser usadas durante o dia e retiradas à noite, porém, algumas marcas têm aprovação para uso ininterrupto por 30 dias.

A escolha de qual tipo de lente de contato mais apropriada é individual e deve ser feita em conjunto com seu médico oftalmologista.

b) Lentes de contato rígidas gás permeável

Ao contrário do que muitos pensam, as atuais lentes de contato rígidas são menos nocivas aos olhos. Entretanto, são mais incômodas e necessitam de um tempo maior de adaptação.

Atualmente menos de 10% das lentes vendidas são do tipo rígida.

Complicações das lentes de contato

O uso de lentes de contato não é um procedimento inócuo. Apesar de bastante seguro, se não forem tomadas as devidas precauções, problemas oculares sérios podem surgir, incluindo infecções e lesões irreversíveis da visão. Por mais modernas que sejam as atuais lentes de contato, todas elas causam algum grau de obstrução à oxigenação da córnea e podem levar à destruição das suas células se usadas de forma incorreta.

Lembrem-se que para o nosso organismo as lentes de contato não deixam de ser um corpo estranho nos seus olhos durante várias horas por dias, vários dias por semana. Se não forem bem cuidadas, elas acumulam excessos de detritos e proteínas, e ainda podem se infectar com fungos, bactérias ou amebas.

O manuseio das lentes de contato sem a devida higiene pode causar infecções nos olhos, sendo a mais comum o terçol (leia: TERÇOL (TERSOL) | HORDÉOLO | Causas e tratamento)

Portanto, nunca se deve usar lentes sem orientação de um oftalmologista.

Cuidados com a sua lente de contato

– Tenha as mãos limpas todas as vezes que for por as lentes de contato. Lave-as com sabão neutro, de preferência.
– Ao secar as mãos após lavá-las certifique-se que não há fiapos de toalha nos dedos.
– Mantenha as unhas bem cortadas para evitar sujeiras e lesões nos olhos na hora de tirar e colocar as lentes de contato
– Use as soluções de limpeza da lente de acordo com as orientações do seu oftalmologista. Diferentes tipos de lentes necessitam de cuidados higiênicos diferentes.
– Antes de colocar as lentes sempre certifique-se que não há detritos visíveis ou danificações.
– Mantenha seu estojo de lentes sempre limpo. Lave-o uma vez por semana com água quente e esfregue-o com uma escova de dentes limpa. Não é preciso usar sabão.
– Troque seu estojo a cada seis meses, pelo menos.
– Sempre coloque as lentes antes de aplicar maquiagem para evitar contaminação.
– Sempre que possível, evite dormir com suas lentes, mesmo quando autorizado. Durante o sono elas não têm nenhum uso e você ainda dá um descanso aos olhos.
– Se surgirem sinais de infecção ou irritação, retire as lentes e procure seu oftalmologista
– Mesmo que esteja tudo bem, uma consulta anual com o oftalmologista é sempre bem-vinda.

O que NUNCA fazer em relação as suas lentes de contato

– NUNCA use saliva para limpar suas lentes. Nossa boca é das regiões do corpo com maior concentração de bactérias.
– NUNCA lave suas lentes com água da pia ou qualquer produto que não tenha sido explicitamente indicado pelo oftalmologista. O uso de água corrente para limpeza está associado a um maior risco de contaminações por amebas.
– NUNCA troque de lentes com amigos. As lentes são pessoais e intransferíveis.
– NUNCA use as lentes por mais tempo que indicado.
– NUNCA durma com suas lentes se não houver autorização para tal. Nem todas as lentes podem ser usadas durante o sono.
– NUNCA reuse as soluções de limpeza. Uma vez usada, esta deve ser descartada do estojo.

Lentes de contato e colírios

Existem basicamente dois tipos de colírios, aqueles que possuem medicamentos e os que possuem apenas substâncias lubrificantes. Qualquer colírio que possua medicamento NÃO DEVE ser usado nas lentes de contato, pois podem danificá-la. Se o uso do colírio com medicamento for necessário, deve-se retirar as lentes, aplicar o colírio e só depois de vinte minutos é que se pode colocar as lentes de contato novamente.

Entre os colírios que são apenas lubrificantes e podem ser usados com lentes de contato, citamos:

– Lacrifilm.
– Systane.
– Fresh Tears.
– Refresh.
– Genteal.
– Ecofilm.

Incômodos relacionados às lentes de contato

As lentes de contato devem passar despercebidas pelo paciente. Se a lente está causando olhos vermelhos, vista embaçada ou dor, interrompa o seu uso e procure um oftalmologista. Você pode estar desenvolvendo uma úlcera de córnea.

Uma lente que causa ardência nos olhos logo após ser colocada pode estar suja ou com resíduos de produtos de limpeza, sejam líquidos próprios para lente ou até restos de sabonete nos dedos.

Se você coloca a lente de contato e fica o tempo notando sua presença, com sensação de corpo estranho nos olhos, provavelmente é necessária uma prescrição personalizada. As lentes são feitas com tamanhos e curvaturas padrões, que podem não ser as mais indicadas no seu caso.

Se os seus olhos coçam muito com as lentes, isso pode ser alergia a algum componente da lente de contato ou aos produtos de limpeza.

Outra queixa comum é o incômodo que surge no final do dia. Isto pode ser devido a baixa oxigenação da córnea após várias horas com a lentes de contato. Muitas vezes a mudança do tipo de lente ajuda.

O fato é que as lentes devem estar sempre confortáveis. Se você sente desconforto, não force o uso. Procure seu oftalmologista e explique o tipo incômodo que está ocorrendo.

Lentes de contato para vista cansada

Pacientes com presbiopia, a famosa vista cansada que surge com o passar dos anos, também podem continuar usando lentes de contato. Porém, algumas adaptações precisam ser feitas. A mais simples consiste em se continuar usando as lentes para longe e passar a usar óculos para ler de perto.

Quem não quer usar óculos tem 3 opções:

– Usar uma lente de contato para perto em um olho e outra para longe no outro olho. Pode parecer estranho, mas esta opção funciona muito bem. Este método é chamado de monovisão.
– Usar lentes de contato bifocal. Todavia, o que na teoria seria a solução ideal, na prática se mostra uma opção na qual vários pacientes não se adaptam. A maioria acaba preferindo usar o método de monovisão descrito acima.
– Usar uma lente para longe em um olho e uma lente bifocal no outro olho.

Este post também está disponível em: Espanhol

GLAUCOMA – Sintomas, Causas e Tratamento

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\"Glaucoma\"
Glaucoma não é uma doença única, mas sim, um grupo de doenças que resultam na lesão no nervo óptico, o responsável por levar os estímulos visuais captados pelos olhos até o cérebro. Com o nervo óptico lesado, as imagens captadas pelos olhos não chegam cérebro e o resultado é a cegueira.

O glaucoma é a principal causa de cegueira irreversível no mundo. A cegueira pela catarata é mais comum que pelo glaucoma, mas ela é uma causa de cegueira reversível (leia: CATARATA ? O que é, Sintomas e Tratamento).

Para saber sobre outra causa importante de cegueira, acesse: DEGENERAÇÃO MACULAR – Causas e Sintomas.

O que causa o glaucoma?

Um aumento da pressão intraocular, ou seja, da pressão dentro dos olhos, é a principal causa de glaucoma, porém, não é a única. Existem casos de glaucoma onde a pressão intraocular encontra-se normal.

Vamos entender o que é a pressão intraocular. Acompanhe a figura a seguir.

Entre a córnea e o cristalino existe uma cavidade que é preenchida com um líquido, chamado de humor aquoso. O humor aquoso é constantemente produzido e drenado, de modo que o seu volume e pressão mantém-se sempre mais ou menos constantes.

Quando ocorre algum distúrbio neste ciclo, seja por aumento da produção do humor aquoso, ou por uma diminuição da sua drenagem, o aumento de líquido nesta cavidade causa uma aumento da pressão dentro dos olhos.

A pressão intraocular normal varia entre 8 e 21 mmHg. Quando esta se torna maior que 21 mmHg, começa a haver risco de lesão do nervo óptico.

O problema do glaucoma é o fato deste ser uma doença silenciosa já que o simples aumento da pressão intraocular não é capaz de causar nenhum sintoma. Dor nos olhos só costuma ocorrer quando a pressão já está altíssima, normalmente acima dos 40 mmHg.

Diferença entre glaucoma de ângulo aberto e glaucoma de ângulo fechado

O humor aquoso que circula na cavidade anterior do olho é drenado constantemente através de um tecido poroso, parecido com uma peneira, chamado de malha trabecular.

O glaucoma de ângulo fechado ocorre quando há uma obstrução física à malha trabecular e, consequentemente, à drenagem deste líquido. No glaucoma de ângulo aberto a malha trabecular está livre de obstruções, porém, sua capacidade de drenagem está reduzida.

Para facilitar o entendimento, imagine a malha trabecular como o ralo da pia e a água da torneira aberta como a produção de novo humor aquoso. O glaucoma de ângulo fechado é semelhante ao que ocorre quando subitamente colocamos uma tampa no ralo e impedimos por completo a drenagem da água. Já o glaucoma de ângulo aberto seria aquele caso em que a abertura do ralo está livre, mas há algum grau de entupimento dos canos impedindo a drenagem completa da água, fazendo com está lentamente vá subindo de nível.

O glaucoma de ângulo fechado agudo (que ocorre subitamente) é uma emergência médica, pois a pressão intra-ocular sobe rapidamente, e em questão de horas, o nervo óptico pode ser destruído, levando a perda irreversível da visão.

Sintomas do glaucoma

A cegueira causada pelo glaucoma costuma ocorrer de modo lento e de fora para dentro, ou seja, acomete primeiro o campo de visão periférico e progressivamente vai se tornando mais central, como na ilustração abaixo. Às vezes, o processo de perda de visão é tão gradual que o paciente só nota estar ficando cego em fases avançadas do glaucoma.

\"Glaucoma\"

Evolução da perda de visão do glaucoma

Os principais sintomas do glaucoma de ângulo fechado agudo são:

– Forte dor nos olhos
– Náuseas e vômitos
– Visão borrada
– Olhos vermelhos
– Diminuição da visão, perincipalmente se há baixa luminosidade.

O glaucoma de ângulo fechado também pode ocorrer de modo crônico, quando a obstrução da malha trabecular ocorre de modo progressivo. Neste caso a evolução é mais lenta, parecida com o glaucoma de ângulo aberto.

No glaucoma de ângulo aberto, como já dito, o quadro é insidioso, progredindo lentamente sem causar sintomas até fases avançadas da doença, quando o paciente nota estar perdendo a visão.

Fatores de risco para o glaucoma

  • Pressão intraocular elevada – A imensa maioria dos casos de glaucoma estão associados a hipertensão ocular, porém, por motivos ainda não bem esclarecidos, existem casos de lesão do nervo óptico mesmo com a pressão intraocular normal.
  • Raça negra – Não se sabe o porquê, mas negros têm de 6 a 8x mais chances de desenvolver glaucoma que brancos. Além disso, o glaucoma em negros também costuma ser mais grave.
  • Idade – Todo mundo com mais de 60 anos apresenta maior risco de desenvolver glaucoma. Negros devem começar a ter sua pressão ocular avaliada a partir dos 30 anos.
  • História familiar de glaucoma – Pessoas com parente de primeiro grau com glaucoma apresentam até 6x mais chances de também desenvolverem a doença.
  • Diabetes – Pacientes diabéticos parecem ter maior risco de desenvolverem glaucoma (leia: DIABETES MELLITUS – DIAGNÓSTICO E SINTOMAS).
  • Uso crônico de corticóides (leia:INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICOIDES).

Diagnóstico do glaucoma

Como se trata e uma doença silenciosa, somente uma avaliação com o oftalmologista é capaz de identificar o glaucoma em fases iniciais, o que é essencial para evitar lesões irreversíveis do nervo óptico. Durante a avaliação do glaucoma, o seu oftalmologista deverá realizar diversos testes diferentes para se chegar ao diagnóstico

Normalmente o primeiro exame realizado é a tonometria, usada para medir a pressão intraocular. Este exame deve ser feito rotineiramente em toda consulta com oftalmologista.

O exame de fundo de olho, ou fundoscopia, é realizado para se avaliar o nervo óptico. Do mesmo modo, a retinografia ou estereofoto de papila é um exame onde se obtém fotografias do nervo óptico para uma melhor avaliação e posterior comparação com futuros exames (leia: FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia)

A campimetria é usada para avaliar se há defeitos no campo visual causados por lesão do nervo óptico.

A gonioscopia é o exame que distingue o glaucoma de ângulo aberto do glaucoma de ângulo fechado.

Tratamento do Glaucoma

O glaucoma não tem cura e as lesões já existente não podem ser revertidas. Portanto, o objetivo do tratamento do glaucoma é reduzir a hipertensão ocular e evitar o aparecimento novas lesões no nervo óptico.

O melhor tratamento é feito com colírios. A classe mais usada é dos beta-bloqueadores, como o timolol. Outras opções são alfa-agonistas como brimonidina, inibidores da anidrase carbônica como dorzolamida e acetazolamida, ou ainda, prostaglandinas como a latanoprosta.

Em casos mais graves, quando os colírios já não mais funcionam, ou em glaucomas de ângulo fechado, pode ser necessária uma cirurgia para desobstruir a drenagem do humor aquoso.

TERÇOL – Causas, Sintomas e Tratamento

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O terçol, chamado em medicina de hordéolo, é uma inflamação das glândulas das pálpebras, localizadas junto à raiz dos cílios (leia: O QUE É INFLAMAÇÃO?).

Antes de falarmos da doença terçol, cabe aqui uma rápida explicação sobre sua grafia correta. É muito comum encontrarmos a doença terçol escrita erradamente como tersol. Incrivelmente, já encontrei a grafia tersol em sites médicos e até em alguns dicionários online. Tersol com “s” é um tipo de toalha usada em missas pelos padres. Terçol com “ç” é a inflamação nas pálpebras, objetivo deste texto. O plural de terçol é terçóis.

Como já explicado, o nome científico do terçol é hordéolo, sendo este também conhecido popularmente como treçol, terçolho, treçolho, viúvo ou belezinha.

Neste artigo vamos explicar o que é o terçol, como ele surge, quais são os seus sintomas e quais são as opções de tratamento.

Por que surge o terçol?

Nas nossas pálpebras, junto aos folículos pilosos que produzem nosso cílios, temos também glândulas sebáceas, produtoras de gordura, responsáveis por evitar o ressecamento da pele. Temos glândulas sebáceas por toda a pele. Nas pálpebras elas recebem o nome de glândulas de Zeiss e glândulas de Mol (clique na imagem ao lado para ampliá-la)

O terçol ocorre quando há obstrução e contaminação destas glândulas, geralmente pela bactéria Staphylococcus aureus (leia: STAPHYLOCOCCUS AUREUS | quais os riscos desta bactéria). O processo é muito semelhante ao que ocorre na formação da acne comum (espinhas) na pele, com obstrução de uma glândula sebácea e contaminação da mesma por uma bactéria (leia: ACNE | CRAVOS | ESPINHAS | Causas e tratamento).

Um dos principais fatores de risco para o surgimento do terçol é a blefarite, uma condição onde há inflamação na margem das pálpebras, com aumento da secreção gordurosa ao redor dos cílios e a aparência de que há caspa nos mesmos.

 

Esta inflamação associada à grande produção de gordura facilita a obstrução das glândulas e proliferação de bactérias.

Outras situações que favorecem o aparecimento do terçol incluem poucos cuidados higiênicos ao manusear lentes de contato(leia: LENTES DE CONTATO | Tipos, cuidados e complicações) e uso contínuo de maquiagem, principalmente quando não se lava o rosto à noite antes de dormir.

Sintomas do terçol

O terçol se caracteriza por um pequeno nódulo avermelhado nas pálpebras que pode parecer com uma pequena espinha, associado a um pequeno inchaço e dor local. Pode também haver algum grau de prurido, secreção, sensação de corpo estranho e aumento da sensibilidade dos olhos à luz.

O terçol não é uma doença contagiosa, portanto, não há necessidade de isolamento ou do uso de óculos escuros, como na conjuntivite, por exemplo.

Tratamento do terçol

O tratamento do terçol é simples e se baseia na higiene adequada dos olho e da pele ao seu redor, associado à utilização de calor local, que pode ser feito com compressas de gaze ou algodão umedecidas com água morna colocadas sob a lesão por 15 minutos, quatro vezes por dia.

Na maioria das vezes, o terçol é um processo autolimitado durando no máximo uma semana. Porém, se a inflamação for persistente e não melhorar com as compressas mornas, pode ser necessário o uso de colírios e pomadas contendo antibióticos e corticoides (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Em alguns casos mais complicados, com inflamação crônica ou grande coleção de pus, uma pequena incisão na pálpebra para drenagem do abscesso pode ser indicada pelo oftalmologista.

CONJUNTIVITE – Sintomas e Tratamento

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A conjuntivite é a doença ocular causada pela inflamação e/ou infecção da conjuntiva, fina membrana que recobre parte dos nossos olhos. Os principais sintomas da conjuntivite são os olhos vermelhos, dor e lacrimejamento.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a conjuntivite:

  • O que é a conjuntiva.
  • Sintomas da conjuntivite.
  • Diferenças entre conjuntivite bacteriana, viral e alérgica.
  • Transmissão da conjuntivite.
  • Tratamento da conjuntivite.

O que é a conjuntiva?

A conjuntiva é uma fina membrana transparente que recobre a parte interna das pálpebras e a esclera (parte branca dos nosso olhos). Aqueles pequenos vasos sanguíneos que conseguimos ver na parte branca dos olhos e na parte de dentro das pálpebras estão, na verdade, na conjuntiva. Quando a conjuntiva se inflama, esses minúsculos vasos se tornam mais proeminentes, dando o característico aspecto de olhos vermelhos. Vejam as fotos abaixo (clique para ampliar).

vasos sanguíneos da conjuntiva recobrindo a esclera

Conjuntiva recobrindo a pálpebra

Sintomas da conjuntivite

Os primeiros sintomas da conjuntivite costumam ser ardência, lacrimejamento, sensação de areia nos olhos e de “colamento” das pálpebras ao acordar. Em pouco tempo, os olhos tornam-se vermelhos e uma secreção purulenta pode surgir (excesso de remela).

Outros sintomas comuns são a coceira nos olhos, dor, inchaço nas pálpebras e fotofobia (intolerância à luz forte). Em geral, exceto pela fotofobia, não há outras alterações na capacidade visual. O paciente sente muito incômodo nos olhos, mas continua enxergando bem.

A conjuntivite costuma iniciar-se em um dos olhos e passar para o outro após alguns dias.

Conjuntivite

O que causa conjuntivite?

Existem basicamente 3 tipos de conjuntivite:

– Conjuntivite viral.
– Conjuntivite bacteriana.
– Conjuntivite alérgica.

a.) Conjuntivite viral

É a forma mais comum de conjuntivite, normalmente causada por um vírus chamado Adenovírus. Pode vir acompanhada por outros sintomas de virose, como febre, dor de garganta e sinais de infecção respiratória, semelhantes a um resfriado.

A conjuntivite viral é extremamente contagiosa, sendo transmitida através de mãos contaminadas por secreções oculares. A conjuntivite é tão contagiosa que se um paciente coçar os olhos e tocar em um objeto, outras pessoas podem se contaminar através deste.

Ao contrário do que muita gente pensa, a conjuntivite não costuma ser transmitida pelo ar. Ao ver uma pessoa com conjuntivite, você não precisa sair correndo para longe dela. Basta que não tenha contato direto com ela ou com objetos manuseados pela mesma. Contudo, se o indivíduo contaminado apresentar também sintomas respiratórios, como espirros e tosse, a conjuntivite pode ser transmitida pelo contato com essas secreções.

O quadro de conjuntivite viral normalmente começa em um dos olhos, transmitindo-se para o outro 24 a 48 horas depois. A conjuntivite viral é auto-limitada, curando-se sozinha após 7 a 10 dias, sem necessidade de tratamento específico. A transmissão costuma durar pelo tempo em que o olho permanece vermelho.

b.) Conjuntivite bacteriana

A conjuntivite bacteriana é bem menos comum que a conjuntivite viral, sendo normalmente causada por uma destas cinco bactérias: Staphylococcus aureus (leia: STAPHYLOCOCCUS AUREUS | quais os riscos desta bactéria?), Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Moraxella catarrhalis ou Pseudomonas aeruginosa.

A transmissão da conjuntivite bacteriana se dá da mesma maneira que a conjuntivite viral, ou seja, através do contato com secreções contaminadas. Na forma bacteriana, espirros e tosse são pouco comuns e a transmissão acaba ficando restrita ao contato pessoal. Partilhar toalhas e dividir a mesma cama são situações de elevado risco.

É bom salientar que apesar dos sintomas da conjuntivite serem quase que exclusivamente oculares, a bactéria ou vírus podem estar por toda a pele, sendo possível a contaminação das suas mãos com um simples contato com a roupa da pessoa infectada.

Ao contrário da forma viral, a conjuntivite bacteriana precisa de colírios com antibióticos para melhorar (falarei sobre o tratamento da conjuntivite mais à frente).

c.) Conjuntivite alérgica

A conjuntivite alérgica ocorre quando os olhos entram em contato com alguma substância no ar que cause irritação. A inflamação da conjuntiva ocorre por uma reação alérgica a esta substância, que pode ser, por exemplo, pólen, poeira, pelos de animal, mofo, etc.

A conjuntivite alérgica não é transmissível. Quem tem conjuntivite alérgica não precisa se ausentar da escola ou do trabalho. Também não é necessário separar toalhas, talheres e roupas de cama.

A forma alérgica se difere da bacteriana e viral pelo intensa coceira ocular que causa. Muitas vezes, outros sintomas alérgicos, como espirros e coriza nasal, também estão presentes (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento).

Uma pessoa que mora comigo está com conjuntivite infecciosa (bacteriana ou viral). Como devemos proceder?

– Não compartilhe toalhas, roupa de cama ou talheres.
– Não durma na mesma cama.
– Evite contato muito próximo, tipo abraços e beijos.
– Os dois devem lavar as mãos com frequência.
– Evite coçar os olhos. Se o fizer, lave as mãos antes e depois.
– Óculos escuros ajudam na sensibilidade à luz, mas não previnem a transmissão.

É importante saber que mesmo com todo cuidado, as conjuntivites, principalmente as virais, são muito contagiosas, portanto, invariavelmente a pessoa que divide o mesmo teto acaba se contaminando também.

Tratamento da conjuntivite

O primeiro passo para todo paciente com olhos vermelhos é procurar um oftalmologista. Primeiro porque várias doenças oftalmológicas, que não conjuntivite, podem causar olhos vermelhos. Segundo porque a distinção entre conjuntivite viral, alérgica ou bacteriana é importante, não só no tratamento, mas também na indicação de afastamento temporário da escola ou do trabalho.

Fazer o diagnóstico diferencial entre os tipos de conjuntivite não é fácil. A maioria dos médicos não oftalmologistas não sabe fazê-la corretamente. Isto implica em uma excessiva prescrição de colírios com antibióticos para conjuntivites virais e alérgicas, que não necessitam dos mesmos.

De modo geral, indica-se lavar os olhos frequentemente com soro fisiológico frio. Compressas embebidas em soro frio também ajudam. Nos casos de conjuntivite bacteriana, colírios com antibióticos apropriados devem ser usados por 7 a 10 dias.

Nunca se automedique. Existem colírios específicos para cada tipo de conjuntivite. Alguns possuem anti-inflamatórios, outros antibióticos e ainda há os colírios com antialérgicos.

Quem usa lentes de contato, deve evitá-las até o desaparecimento dos sintomas. (leia: LENTES DE CONTATO | Tipos, cuidados e complicações).

FUNDO DE OLHO | Oftalmoscopia

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O fundo do olho é a mais rica e detalhada pintura ao vivo e em cores da situação das artérias, veias e nervos do corpo humano, pois na sua visualização somente meios transparentes se interpõe entre o médico e a retina do paciente, salvo em situações patológicas. A retina funciona assim como uma janela através da qual se enxerga a saúde do organismo de uma maneira geral.

A retina é um tecido nervoso sensível à luz, localizado na superfície interna da parte posterior do olho, cuja função é transformar o estímulo luminoso em um estímulo nervoso. Comparando com o processo fotográfico, a retina é como se fosse o filme da máquina, que capta imagens por meio das suas células fotorreceptoras para enviá-las ao cérebro.

Fundo de olho normal

A fundoscopia ou oftalmoscopia é o exame em que se visualizam as estruturas do fundo de olho, dando atenção ao nervo óptico, os vasos retinianos, e a retina propriamente dita, especialmente sua região central denominada mácula. O exame de fundo de olho é realizado desde 1851, quando Von Helmholtz inventou o primeiro oftalmoscópio e se constitui no principal elo entre a oftalmologia e os demais ramos da medicina. O principio óptico consiste na projeção de luz, proveniente do oftalmoscópio, no interior do olho e mediante a reflexão dessa luz na retina é possível observar essas estruturas.

Existem dois tipos de fundoscopia: a direta, na qual se obtém uma imagem ampliada quinze vezes maior, mas com restrito campo de visão, e a indireta, que proporciona uma imagem com ampliação menor, porém com visualização mais ampla da retina, evidenciando-se até sua periferia. A oftalmoscopia direta é comumente realizada pelo clínico geral e utiliza-se um aparelho simples e portátil, enquanto a oftalmoscopia indireta é geralmente restrita ao médico oftalmologista e depende de equipamentos mais complexos.

Indivíduos que não tem problemas oculares ou doenças que predispõem a males na região dos olhos, como hipertensão arterial e diabetes, precisam fazer o exame anualmente, especialmente se já passaram dos 40 anos. O clinico geral ou o médico oftalmologista irá sugerir uma periodicidade diferente para quem está em acompanhamento para alguma doença ocular ou sistêmica, levando em conta o histórico do paciente.

Fundo de olho com sinais de toxoplasmose ocular

O exame de fundo de olho pode trazer informações importantes em indivíduos de todas as idades. Recém-nascidos prematuros e cujas mães tiveram infecções durante a gestação devem ser submetidos rotineiramente a um exame detalhado de fundo de olho. Todos os demais bebês devem ser avaliados com o teste do reflexo vermelho, em que é avaliada a coloração avermelhada gerada pela retina através da pupila quando submetida a uma iluminação direta. Esse teste pode ser realizado pelo próprio pediatra, no berçário ou na sala de parto, que encaminhará ao oftalmologista em caso de qualquer alteração ou um resultado duvidoso. A oftalmoscopia, nestes casos, pode indicar a presença de tumores como o retinoblastoma, infecções como toxoplasmose, rubéola, citomegalovírus e sífilis*, além de doenças como a retinopatia da prematuridade, doença relacionada à formação dos vasos da retina que pode levar à cegueira.

* Leia sobre:
– SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO
– RUBÉOLA | SINTOMAS E VACINA
– TOXOPLASMOSE NA GRAVIDEZ | TOXOPLASMOSE CONGÊNITA

Em adultos, o exame de fundo de olho realizado regularmente é fundamental para o diagnóstico precoce de diversas doenças oculares, entre elas o glaucoma (leia: GLAUCOMA | Sintomas e tratamento). Aliado à medida da pressão intraocular, permite que o tratamento seja iniciado antes da presença de sintomas, já que o glaucoma, segunda causa de cegueira no Brasil, é uma doença silenciosa que pode levar anos para causar dificuldade visual.

As alterações relacionadas ao envelhecimento, como o surgimento de drusas na retina e o desenvolvimento de degeneração macular relacionada a idade, também são sempre observadas pelo oftalmologista durante a fundoscopia (leia: DEGENERAÇÃO MACULAR | Causas e sintomas).

Lesões oculares pela hipertensão

A fundoscopia, por suas ligações com a clínica médica, a neurologia e outras especialidades, é um elemento importante para o diagnóstico e acompanhamento de diversas doenças sistêmicas. Em indivíduos com hipertensão arterial ou diabetes*, uma fundoscopia cuidadosa pode trazer informações valiosas sobre a situação vascular subjacente. É interessante destacar que a fundoscopia é um método prático e fácil para se avaliar os danos em órgãos alvo, além de fornecer informações sobre a atividade e tempo de desenvolvimento dessas doenças. Este exame é mais um meio a ser utilizado pelo clínico para um melhor acompanhamento e tratamento destas doenças e prevenir suas complicações oculares e sistêmicas.

* Leia também:
– DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas
– HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento

Na neurologia, a fundoscopia é comumente empregada por exemplo em pacientes em coma na procura de sinais como o edema de papila que pode indicar hipertensão intracraniana e a presença de hemorragia sub-hialóide, que pode sugerir hemorragia intracraniana.

Assim, nestas últimas décadas, em que presenciamos grandes avanços na medicina, a prevenção assume naturalmente papel fundamental na promoção da saúde. A riqueza de informações contidas no fundo de olho é uma ferramenta valiosa nesse cuidado com o paciente.

Este texto foi é de autoria do Dr. Flavio Mac Cord, Mestre e Doutorando em Ciências Médicas pela Unicamp, Pós-Graduado em Retina Clínica e Cirúrgica pela USP, Professor Substituto da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e médico do Hospital Federal dos Servidores do Estado e da Clínica São Vicente.

CATARATA – O que é, Sintomas e Tratamento

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\"Catarata\"
A catarata é uma doença ocular extremamente comum, principalmente nas pessoas idosas, que é provocada pela opacificação parcial ou total do cristalino, a lente natural dos nossos olhos.

A catarata é uma doença de evolução lenta e progressiva, sendo, atualmente, a principal causa de perda de visão no mundo. Cerca de 160 milhões de pessoas em todo o planeta sofrem de catarata em algum grau. Dentre a população com mais de 65 anos, quase metade dos indivíduos tem catarata.

Apesar de ser uma causa comum de cegueira, felizmente, a catarata tem cura e pode ser corrigida através de cirurgia. Mesmo os pacientes com casos de catarata avançada podem voltar a enxergar após a cirurgia.

Neste artigo vamos explicar o que é a catarata ocular, quais são os seus sintomas, quais são as opções de tratamento e como é feita a cirurgia.

O que é a catarata

O cristalino é uma lente, transparente, biconvexa e gelatinosa, que fica localizada logo atrás da íris (parte colorida dos olhos) e da pupila, como pode ser visto na ilustração abaixo.

Como já referido, o cristalino é a lente natural dos nossos olhos. Como ela é flexível, o ângulo da sua curvatura pode ser alterado através da contração dos músculos oculares, o que nos permite focar objetos de longe ou de perto com igual eficácia.

Para exemplificar o papel do cristalino como lente, podemos citar os casos de presbiopia, também conhecida como “vista cansada”, que é uma anomalia da visão que ocorre a partir dos 40 anos de idade e se caracteriza pela diminuição da capacidade do olho de focar objetos que estão muito próximos. A presbiopia ocorre devido a uma perda da flexibilidade do cristalino.

Já a catarata é uma doença que surge quando o cristalino perde a sua transparência natural e torna-se progressivamente opaco, tornado a visão embaçada ou enevoada. Em casos avançados, o paciente perde a visão por completo.

Causas da catarata

O cristalino é composto basicamente por água e proteínas. As proteínas do cristalino têm características próprias e são responsáveis pela sua clareza e transparência. Com o envelhecimento dos olhos, a estrutura dessas proteínas se altera, o que provoca uma perda gradual da transparência do cristalino.

A catarata que surge na população idosa é chamada catarata senil, sendo esta a forma mais comum.

Além da catarata senil, existem outras causas para a perda da transparência do cristalino, entre elas:

– Catarata congênita: é uma forma de catarata que está presente ao nascimento ou que se desenvolve durante o primeiro ano de vida. A catarata congênita pode ter várias causas, entre as mais comuns estão as doenças de origem genética e as infecção durante a gravidez, tais como toxoplasmose, rubéola, sífilis, citomegalovírus e herpes.

– Catarata traumática: é uma forma de catarata de surge após um trauma do olho. Ao contrário das outras formas, catarata traumática costuma ser unilateral. Alguns tipos de cirurgia dos olhos também podem causar esse tipo de catarata.

– Catarata por radiação: é o tipo de catarata que surge após exposição à radiação ionizante, como, por exemplo, no caso dos pacientes que são submetidos a radioterapia em regiões próximas aos olhos.

– Catarata secundária a drogas: vários fármacos, se usados de forma contínua por vários anos, podem facilitar o surgimento da catarata. Os mais comuns são os glicocorticoides, como a prednisona (leia: PREDNISONA E OUTROS CORTICOIDES – Efeitos colaterais e indicações). O uso prolongado de estatinas, medicamentos usados no tratamento do colesterol alto, também aumentam o risco de catarata, mas esse risco é bem mais baixo que o dos corticóides (leia: REMÉDIOS PARA BAIXAR O COLESTEROL ALTO).

Fatores de risco para catarata

A catarata senil é uma situação que vai ocorrer em praticamente todas as pessoas, principalmente naquelas com mais de 70-80 anos. Algumas situações, porém, aumentam o risco de lesão do cristalino, favorecendo o surgimento mais precoce da catarata. Entre os principais fatores de risco podemos citar:

Sintomas da catarata

A catarata é um processo lento, gradual e indolor. Nas fases iniciais ela pode passar despercebida. A catarata na imensa maioria dos casos acomete os dois olhos, mas ela o faz, habitualmente, de modo assimétrico. Em geral, um olho apresenta uma catarata em estágio mais avançado que o outro.

As primeiras queixas com relação à catarata costumam ser a dificuldade para ver em locais com pouca iluminação, dirigir veículos à noite e dificuldade para ler placas ou letras pequenas. Agravamento de uma miopia já existente também é um sintoma inicial comum. A necessidade de trocar o grau dos óculos com alguma frequência pode ser um sinal de catarata.

Com a progressão da turvação do cristalino, a visão vai se tornando cada vez mais nebulosa e os contrastes menos perceptíveis. Outros sintomas comuns são o incômodo com luzes fortes, que causam um brilho intenso na visão, e queixas de que as cores dos objetos e do ambiente estão mais amareladas, acastanhadas ou menos intensas. Alguns pacientes com catarata desenvolvem visão dupla.

Em estágios mais avançados é possível ver o cristalino opacificado através da pupila, que se torna acinzentada, como na imagem abaixo. Em geral, a catarata leva muitos anos para chegar a este ponto.

Tratamento da catarata

O único tratamento efetivo para curar a catarata é a cirurgia. Óculos e lentes de aumento podem aliviar os sintomas nas fases inicias, mas para corrigir definitivamente o problema, a única opção é operar.

Em geral, a cirurgia de catarata é indicada quando a opacificação do cristalino já é grande o suficiente para interferir nas atividades comuns do dia a dia. O ideal é o médico decidir conjuntamente com o paciente a melhor hora de operar. Ao contrário do que acontecia antigamente, quando a técnica cirúrgica ainda era pouco desenvolvida e os riscos de complicações eram altos, não é mais preciso esperar a catarata chegar a estágios muitos avançados para se operar. Se a catarata incomoda o paciente, isso já motivo suficiente para marcar a cirurgia.

Nas crianças, porém, a conduta é diferente. Assim que o diagnóstico da catarata é feito, o médico deve programar a cirurgia, pois a catarata atrapalha o desenvolvimento normal do olhos nos bebês.

Como é a cirurgia de catarata?

A cirurgia de catarata é simples e consiste na remoção do cristalino opaco e substituição por uma lente artificial.

A técnica mais moderna de cirurgia de catarata chama-se facoemulsificação. Essa cirurgia é feita de forma ambulatorial, sem a necessidade de internação hospitalar, e sob anestesia local, com colírios ou injeção. Não é preciso fazer anestesia geral (leia: TIPOS DE ANESTESIA e ANESTESIA GERAL ? Quais são os riscos?).

A cirurgia de facoemulsificação é feita através de uma pequena incisão, de menos de 3 milímetros na córnea. Através dessa abertura insere-se um aparelho que emite ondas de ultrassom que fragmentam o cristalino defeituoso em vários pedaços. Esse mesmo aparelho também é capaz de aspirar os fragmentos do cristalino despedaçado. Depois que o cristalino defeituoso é todo removido, uma nova lente intraocular (LIO) é inserida através da mesma abertura na córnea, substituindo perfeitamente a antiga lente natural. A lente artificial pode ser multifocal, o que além de curar a catarata também permite que o paciente deixe de precisar de óculos para longe ou perto.

A cirurgia de facoemulsificação dura cerca de 30 minutos e o pós-operatório é feito em casa, o paciente não precisa ficar internado. Ao final do dia, o paciente já pode voltar a fazer suas atividades diárias mais leves, tais como comer, ler, andar ou assistir à televisão. Não é necessária nenhuma dieta especial. O paciente precisa apenas aplicar os colírios prescritos de forma correta e evitar esforços físicos ou levar as mãos aos olhos. Uma leve coceira ou desconforto são comuns no pós-operatório, por isso, é preciso cuidado para não ficar mexendo no olho a toda hora. Nos primeiros dias o paciente pode ficar com um curativo tapando o olho operado.

Após a cirurgia de catarata, a visão retorna progressivamente, mas, habitualmente, nos primeiros dias, a acuidade visual já está muito boa. É comum o médico reavaliar o paciente no dia seguinte e mais uma ou duas vezes ao longo do primeiro mês.

Habitualmente, por questões de segurança, o oftalmologista opera um olho de cada vez. O intervalo entre as duas cirurgias depende da recuperação da primeira. Como a cicatrização completa da cirurgia leva de 4 a 8 semanas, esse costuma ser o intervalo entre as duas operações. Há pacientes, porém, que operam o segundo olho após apenas 1 semana, caso a primeira cirurgia tenha decorrido bem.

Este post também está disponível em: Espanhol

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