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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DOR NO RIM – Quais São as Principais Causas?

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A dor no rim, caracterizada por uma dor na região lombar, é uma queixa muito comum na população em geral. Entretanto, ao contrário do que a maioria das pessoas acredita, a grande maioria dos casos de dor nas costas não é provocada pelos rins, mas sim pela coluna e estruturas adjacentes.

A lombalgia por problemas da coluna e a dor renal são completamente diferentes e possuem causas distintas. Neste texto vamos falar sobre as principais características e causas da dor no rim, abordando os seguintes pontos:

  • Anatomia do rim.
  • Causas de dor no rim.
  • Insuficiência renal causa dor nos rins?
  • Características da dor no rim.
  • Diferenças entre dor no rim e dor na coluna.

Para saber mais sobre outros sintomas dos rins, além da dor, leia: 10 SINTOMAS DOS RINS.

Anatomia do rim

A maioria das pessoas possui 2 rins, que se localizam paralelamente à coluna vertebral, habitualmente entre a 12ª vértebra da coluna torácica (T12) e a 3ª vértebra da coluna lombar (L3). O rim esquerdo fica, normalmente, localizado um pouco mais alto que o direito. Os rins são órgãos retroperitoniais, ou seja, ficam localizados mais próximos das costas, atrás da cavidade abdominal, protegidos pela porção posterior das costelas.

Os rins e ureteres (canais tubulares que levam urina dos rins à bexiga) são altamente inervados, o que permite sentirmos dor quando os mesmos sofrem alguma agressão ou inflamação. Esta rica inervação renal, porém, cruza-se com as fibras nervosas vindas de outras estruturas e órgãos próximos, incluindo nervos vindos da pele. Como resultado, o cérebro tem dificuldade de precisar a origem da dor. Por isso, não é incomum que a dor de uma lesão renal ou dor ureter possa surgir em locais distantes, como barriga, testículos ou ovários.

Em geral, a dor dos rins é mal definida e difusa, acometendo lateralmente a região lombar e um dos flancos.

Causas de dor no rim

A dor renal pode ser precipitada por isquemia renal (redução do aporte de sangue), inflamação/infecção dos rins, tração ou distensão da pelve renal ou distensão da cápsula que recobre os rins.

Na prática, isso significa que as seguintes lesões e doenças renais costumam ser as causas mais comuns de dor nos rins:

– Cálculo renal (leia: CAUSAS E SINTOMAS DO CÁLCULO RENAL).
– Infecção dos rins (pielonefrite) (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | Pielonefrite).
– Doença policística renal (leia: RINS POLICÍSTICOS | Doença policística renal).
– Hidronefrose (obstrução da passagem de urina, resultando em dilatação dos rins).
– Trombose da veia renal.
– Isquemia renal.
– Câncer renal.
– Trauma nos rins.

Em geral, as três primeiras doenças citadas acima correspondem pela imensa maioria dos casos de dor renal.

Insuficiência renal causa dor nos rins?

Ao contrário da crença popular, a insuficiência renal, seja ela crônica ou aguda, não causa dor nos rins. Mesmo em fases avançadas, a dor no rim não faz parte dos sintomas do paciente com insuficiência renal. Esse dado é importante, já que a maioria dos pacientes com insuficiência renal é idosa, faixa etária na qual problemas de coluna são muito frequentes. É muito comum o paciente insuficiente renal ter problemas de coluna, mas culpar injustamente os rins pela sua dor.

VÍDEO SUGERIDO:
SAIBA SE OS SEUS RINS ESTÃO DOENTES

A insuficiência renal crônica é uma doença silenciosa até fases bem avançadas. Mesmo os pacientes já sob tratamento com hemodiálise não sentem dor nos rins, a não ser que também tenham algum dos problemas listados acima.

Para saber mais sobre a insuficiência renal, leia:
– INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA
– INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA
– O QUE É HEMODIÁLISE

Sintomas da dor no rim

A dor no rim tem características próprias dependendo da doença responsável pelo seu aparecimento. Além da dor em si, os sintomas associados ajudam muito no esclarecimento da causa.

Exemplos:
– A dor do cálculo renal, chamada de cólica renal, é uma excruciante dor lombar unilateral, talvez a pior dor que o paciente já tenha sentido na vida. Ela surge repentinamente, vai piorando ao longo das próximas horas e não melhora com nada, deixando o paciente extremamente inquieto. Não adianta levantar, deitar, sentar, curvar-se, massagear as costas…  nada funciona! O paciente fica “enlouquecido” com a dor.  É comum haver vômitos e presença de sangue na urina (leia: URINA COM SANGUE | Hematúria). A dor do cálculo renal pode irradiar para flancos ou para região da virilha.

VÍDEO SUGERIDO:
PRINCIPAIS SINTOMAS DA INFECÇÃO URINÁRIAS

– A dor da infecção dos rins, chamada pielonefrite, é uma dor lombar unilateral que geralmente vem associada à febre, calafrios, queda do estado geral, náuseas e vômitos. A dor lombar não tem a ver com posição do tronco ou movimentos da coluna. Sentar, deitar ou levantar não interferem com a dor. Porém, leves socos na região lombar podem agravar a dor, sendo esta uma manobra que os médicos usam durante o exame físico.

– A dor lombar dos pacientes com rins policísticos é mais difícil de ser distinguida. Além dela poder ter características semelhantes às das dores de coluna, como agravamento ao andar ou após movimentos do tronco, se o rim for muito grande, ele próprio pode causar sobrecarga dos músculos e ligamentos da coluna lombar, levando à lombalgia crônica.

Pacientes com rins policísticos podem ter dor renal devido a várias causas, incluindo aumento do tamanho dos cistos, rotura ou sangramento de um cisto, infecção renal, pedra nos rins, etc. Além disso, o rim policístico também pode causar dor abdominal se for muito grande (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas).

Diferenças entre dor no rim e dor na coluna

O principal diagnóstico diferencial para a dor no rim é a dor de origem músculo esquelética da coluna lombar, conhecida como lombalgia. Na verdade, a maioria dos casos de dor lombar tem origem na coluna e seus ligamentos e músculos. Apenas uma pequena parte dos casos é realmente de origem renal.

A principal característica da dor doenças musculoesqueléticas da coluna é o fato desta ter características mecânicas, ou seja, é uma dor que piora com o movimento e em determinadas posições, mas costuma aliviar com o repouso.  As dores de origem musculoesqueléticas também podem causar certa rigidez, impedindo o paciente de fazer movimentos com a coluna. Outras características comuns são a irradiação da dor para a perna, podendo ir até a altura do joelho, fraqueza muscular nos pés e perda de sensibilidade em um dos membros inferiores (leia: HÉRNIA DE DISCO | Sintomas e tratamento).

As dores de coluna costumam ser quadros mais arrastados, com dores de intensidade moderada que duram meses ou até anos. Na maioria dos casos não há outros sintomas, como febre, vômitos, sangue na urina, perda de apetite, etc.

Resumindo, em geral, é fácil distinguir uma dor de origem renal de uma lombalgia musculoesqueléticas.  Não só as características da dor costumam ser bem distintas, como também os sintomas associados são completamente diferentes.

SÍNDROME NEFRÓTICA – Causas, Sintomas e Tratamento

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A síndrome nefrótica é uma doença dos rins provocada pela eliminação inadequada de grandes quantidades de proteína na urina. A perda excessiva de proteínas pela urina recebe o nome de proteinúria e pode ser causada por diversas doenças, entre as quais, diabetes mellitus, lúpus eritematoso sistêmico, sífilis e hepatite viral.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a síndrome nefrótica:

  • Definição de proteinúria e síndrome nefrótica.
  • O que é uma doença glomerular.
  • Sintomas da síndrome nefrótica.
  • Causas de síndrome nefrótica.
  • Diagnóstico da síndrome nefrótica.
  • Tratamento da síndrome nefrótica.

Definição de proteinúria e síndrome nefrótica

O principal papel do rins é filtrar o sangue. Tudo o que for tóxico, inútil ou que esteja em excesso na corrente sanguínea costuma  ser eliminado na urina. As proteínas são substâncias essenciais para o nosso organismo e, portanto, não se encaixam neste grupo, não devendo ser encontradas em quantidade relevantes  na urina de pessoas saudáveis (se você não entende bem o que é uma proteína, leia: O QUE SÃO PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS?).

Em pessoas com rins sadios, a perda diária de proteínas na urina é mínima. Consideramos normal perdas de no máximo 150 mg em 24 horas.  Todo paciente que elimina mais do essa quantidade apresenta proteinúria.  Quanto maior for a proteinúria, mais grave é a lesão renal e maior é o risco do indivíduo desenvolver problemas de saúde.

Em geral, graduamos a perda de proteína na urina da seguinte forma:

– Proteínas na urina menor que 150 mg por dia = normal.
– Proteínas na urina entre 150 mg e 500 mg por dia = proteinúria discreta.
– Proteínas na urina entre 500 mg e 1000 mg por dia = proteinúria leve.
– Proteínas na urina entre 1000 e 3500 mg por dia = proteinúria moderada.
– Proteínas na urina acima de 3500 mg por dia = proteinúria grave (proteinúria nefrótica).

A síndrome nefrótica ocorre nos pacientes com grave perda de proteínas, acima de 3500 mg (3,5 gramas) por dia, e é um sinal de doença dos glomérulos renais.

O que é uma doença glomerular

O glomérulo é uma estrutura microscópica dentro dos rins, que é responsável pela filtração do sangue. Cada glomérulo possui uma membrana que age como filtro ou um coador, separando aquilo que vai ser eliminado pela urina e o que irá permanecer no sangue. Existem cerca de 1 milhão de glomérulos em cada rim. É como se nossos rins fossem compostos por milhões de filtros microscópicos.

Quando os glomérulos estão sadios, as proteínas presentes no sangue não são filtradas. O sangue que entra nos rins tem a mesma quantidade de proteínas que o sangue que sai dos rins. Isso é o normal, já que as proteínas são substâncias importantes e não devem ser desprezadas. Porém, diversas doenças, que serão citadas mais à frente, podem causar lesão nos glomérulos, facilitando o surgimento da proteinúria. A melhor analogia que podemos fazer é com um coador furado. A proteína é uma substância de tamanho maior que os poros da membrana glomerular. Em situações normais ela não passa pelo filtro. Porém, se a membrana apresentar algum “furo”, as proteínas podem “escapar” pela mesma, sendo inapropriadamente eliminadas pelos rins.

Portanto, fechando os conceitos:

– Síndrome nefrótica é um doença que ocorre quando perdemos grandes quantidades de proteínas na urina (mais que 3500 mg por dia).
– A síndrome nefrótica é uma glomerulopatia, ou seja, um problema que se origina devido a glomérulos doentes.

Sintomas da síndrome nefrótica

A síndrome nefrótica é um conjunto de sinais, sintomas e alterações laboratoriais decorrentes da perda excessiva de proteínas na urina. Para ter síndrome nefrótica não basta ter uma proteinúria acima de 3,5 gramas, é preciso também ter sintomas. Portanto, o paciente pode apresentar uma proteinúria nefrótica (acima de 3,5 gramas) sem apresentar síndrome nefrótica.

O sinal mais típico da proteinúria é um excesso de espuma na urina. Geralmente, a espumação começa a aumentar quando a proteinúria encontra-se entre 500 mg e 1000 mg por dia. Quando o paciente tem proteinúria na faixa nefrótica, o excesso de espuma torna-se óbvio, fazendo com que o paciente não tenha muita dúvida de que as características da sua urina mudaram (leia: URINA ESPUMOSA E PROTEINÚRIA).

O excesso de espuma na urina é um sinal de proteinúria, não necessariamente de síndrome nefrótica. As alterações necessárias para se caracterizar a síndrome nefrótica são:

1)  Edemas (inchaços), que se iniciam nas pernas, mas podem evoluir para todo o corpo, num quadro chamado anasarca.
2) Níveis sanguíneos baixos de proteínas, principalmente de albumina, que é a principal proteína do sangue.
3) Níveis elevados de colesterol, que ocorrem devido ao aumento da produção de lipoproteínas pelo fígado em resposta à queda dos níveis de proteínas no sangue (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).

Essas três alterações descritas acima são aquelas que definem a existência da síndrome nefrótica em pacientes com proteinúria excessiva. Porém, os problemas não param por aí. A falta de proteínas no sangue que ocorre devido às perdas na urina também podem provocar várias outras alterações, tais como:

– Aumento da incidência de infecções, uma vez que os anticorpos também são um tipo de proteína excretada inapropriadamente na urina.
– Aumento da incidência de tromboses, pois algumas proteínas que agem impedindo a coagulação do sangue também são perdidas na urina (leia:  O QUE É TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP)).
– Desnutrição, por perda de proteínas essenciais na urina.
– Redução do volume de água na circulação sanguínea, pois a falta de proteína faz com que a água presente no sangue migre para para fora dos vasos em direção aos tecidos e pele. Essa redução do volume sanguíneo é chamada hipovolemia.
– Insuficiência renal aguda, que pode surgir devido à hipovolemia, ou por lesão direta do rim pela doença que está provocando a síndrome nefrótica.

É bom destacar que a síndrome nefrótica não é uma doença em si, mas sim o resultado de uma doença que provoca lesão nos rins. Isso significa que, além de todas essas alterações provocadas diretamente pela proteinúria, o paciente ainda pode ter sintomas da sua doença de base.

Causas de síndrome nefrótica

As causas da síndrome nefrótica são divididas em dois grupos: primárias ou secundárias. Vamos começar abordando as causas secundárias que são mais fáceis de explicar.

a) Síndrome nefrótica secundária

A síndrome nefrótica secundária é aquela que ocorre devido a uma doença sistêmica que também ataca os rins. O exemplo mais fácil de entender é o diabetes mellitus (leia: O QUE É DIABETES?). O diabetes é uma doença que ataca diversos órgãos do corpo, entre eles os rins. Uma das primeiras lesões que o diabetes provoca nos rins é a agressão lenta e progressiva da membrana glomerular. O paciente desenvolve proteinúria, que vai se agravando ao longo dos anos, podendo chagar até a faixa de proteinúria nefrótica.

Outras doenças que também podem causar lesão renal e síndrome nefrótica são:

– Lúpus eritematoso sistêmico (leia: SINTOMAS DO LÚPUS).
– Hepatite B (leia: HEPATITE B | Sintomas e vacina).
– Hepatite C (leia: HEPATITE C | Sintomas e tratamento).
– Sífilis (leia: SÍFILIS | Sintomas e tratamento).
– HIV (leia: SINTOMAS DO HIV | AIDS).
– Amiloidose.

b) Síndrome nefrótica primária

A síndrome nefrótica primária é aquela que ocorre por uma doença exclusiva do rim, chamada glomerulopatia primária.

As glomerulopatias primárias que podem cursar com proteinúria relevante e síndrome nefrótica são:

– Doença de lesão mínima, que é a principal causa de síndrome nefrótica em crianças (leia: DOENÇA DE LESÃO MÍNIMA ? Síndrome Nefrótica Infantil).
– Nefropatia pro IgA (leia: DOENÇA DE BERGER | Nefropatia por IgA).
– Nefropatia membranosa.
– Glomerulonefrite membranoproliferativa.
– Glomerulosclerose segmentar e focal (GESF).
– Glomerulonefrite pós-estreptocócica.

As doenças renais citadas acima costumam causar proteinúria, mas nem sempre ela ultrapassa a faixa de 3,5 gramas por dia, levando à síndrome nefrótica. A presença de proteinúria importante costuma ser um sinal de gravidade da lesão renal. Outros sinais de gravidade que podem estar presentes, mas não fazem parte da síndrome nefrótica em si, são a insuficiência renal e a hematúria (sangue na urina).

Diagnóstico da síndrome nefrótica

O diagnóstico da síndrome nefrótica é feito em duas etapas. A primeira parte consiste na identificação de uma proteinúria excessiva. Exames de urina como o EAS (urina tipo 1) e a urina de 24 horas são as análises mais usadas para identificar e quantificar a perda de proteínas na urina (leia: EXAME DE URINA | Leucócitos, nitritos, hemoglobina? e URINA DE 24 HORAS | Como colher e para que serve).

Uma vez identificada a proteinúria nefrótica, o próximo passo é diagnosticar a causa. Nos pacientes com diabetes há muito anos, a causa é obvia e raramente faz-se necessária uma investigação mais complexa. Já em pacientes previamente sadios, sem doenças conhecidas, a elucidação da origem da proteinúria costuma dar mais trabalho. Exames de sangue, como sorologias para hepatite, HIV e sífilis, e pesquisa de auto anticorpos, como o FAN (leia: EXAME FAN (FATOR ANTINUCLEAR)), ajudam a direcionar a investigação. Em geral, porém, a biópsia renal acaba sendo necessária para o diagnóstico final, principalmente se a causa for uma glomerulopatia primária (leia: BIÓPSIA RENAL | Indicações, precauções e riscos).

Tratamento da síndrome nefrótica

O tratamento da síndrome nefrótica depende da sua causa. Nos pacientes com hepatite, sífilis ou HIV, o tratamento destas infecções costuma melhorar a proteinúria.

Como o diabetes é uma doença sem cura, o tratamento da proteinúria nestes casos não costuma ter muito sucesso. Os melhores resultados ocorrem nos pacientes que apresentam glicemia e níveis da pressão arterial controlados.

Medicamentos como os inibidores da ECA (captopril, enalapril, ramipril, lisinopril, etc.) ou os antagonistas dos receptores de angiotensina II (losartana, olmesartana, telmisartana, irbesartana, candesartana, etc.) ajudam a reduzir o grau de proteinúria e estão indicados em praticamente todos os pacientes com proteinúria.

Nos pacientes com glomerulopatia primária, o tratamento costuma ser feito com drogas imunossupressoras, como glicocorticoides (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais), ciclofosfamida, ciclosporina, azatioprina ou micofenolato mofetil. Em alguns casos, a doença responde bem ao tratamento e o paciente pode se ver curado após alguns meses. Porém, nem sempre o resultado é tão bom e a evolução para insuficiência renal terminal após alguns anos é relativamente comum.

Este post também está disponível em: Espanhol

REMÉDIOS PARA PRESSÃO ALTA – HIPERTENSÃO

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\"Pressão
A hipertensão arterial, chamada popularmente de pressão alta, é uma doença que acomete cerca de 1 em cada 3 pessoas no mundo. A hipertensão é uma doença crônica e sem cura na imensa maioria dos casos, mas que atualmente dispõe de um amplo arsenal de medicamentos para o seu controle.

Por que tratar a pressão alta?

A pressão alta, quando não controlada adequadamente, pode levar, a longo prazo, a diversas lesões de órgãos nobres, como coração, cérebro e rins. Como trata-se de uma doença sem cura, o tratamento da hipertensão visa a prevenção das suas complicações, principalmente AVC (derrame cerebral), infarto do miocárdio, insuficiência cardíaca e insuficiência renal crônica.

Sabemos que reduções da pressão arterial para valores abaixo de 140/90 mmHg estão relacionadas a uma menor taxa de complicações e uma maior sobrevida a longo prazo. Por isso, este é o alvo do tratamento.

O tratamento da hipertensão arterial costuma ser baseado em duas estratégias: mudanças de hábitos de vida e terapia medicamentosa. Neste artigo vamos abordar apenas o tratamento com remédios, descrevendo as indicações e efeitos colaterais das principais drogas anti-hipertensivas disponíveis no mercado.

Para obter mais informações sobre a pressão alta, acesse nosso arquivo de artigos sobre Hipertensão arterial.

Remédios para hipertensão arterial

Existem dezenas de drogas diferentes aprovadas para o controle dos níveis de pressão arterial. Estudos recentes têm demonstrado que o mais importante no tratamento da hipertensão é o quanto se consegue reduzir a pressão arterial, e não necessariamente o tipo de droga utilizada.

Atualmente, 3 classes de anti-hipertensivos são considerados de primeira linha por apresentarem boa resposta no controle da pressão arterial e baixa incidência de efeitos adversos graves: diuréticos, IECA (ou ARA 2) e inibidores dos canais de cálcio. Falaremos sobre estas e outras drogas a seguir.

Não há nenhum problema na associação de mais de uma droga anti-hipertensiva. Alguns pacientes com hipertensão grave precisam de 3, 4 ou até 5 drogas para controlar a sua pressão arterial. O tratamento monoterápico, ou seja, com apenas uma droga, costuma ser utilizado apenas nos casos mais leves, naqueles que, sem tratamento, apresentam níveis pressóricos abaixo de 160/90 mmHg. Pacientes com pressões mais elevadas, principalmente com valores acima de 170/90 mmHg, dificilmente conseguirão trazer os valores para abaixo de 140/90 mmHg com apenas uma droga.

 

A maioria dos anti-hipertensivos disponível no mercado é composta por drogas com muitos anos de uso clínico e um bom perfil de segurança. Todavia, como qualquer fármaco, há sempre o risco de efeitos colaterais.  O efeito adverso mais comum a todas as classes é a hipotensão. Esse problema pode ser evitado com um cuidadoso controle das doses dos medicamentos, principalmente no início do tratamento. A impotência sexual é outro problema que pode ocorrer, mas costuma ser mais frequente nos pacientes idosos, que já possuem outros fatores de risco para disfunção erétil (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).

De modo geral, se bem indicados, os anti-hipertensivos são drogas bem toleradas e efetivas.

Vamos, agora, resumir os principais grupos de anti-hipertensivos e suas principais drogas.

1) Diuréticos

Os diuréticos são drogas utilizadas há décadas no tratamento da hipertensão, sendo até hoje consideradas uma das melhores opções para o controle dos níveis de pressão arterial. Os diuréticos podem ser utilizados como monoterapia ou como parte de uma terapia anti-hipertensiva múltipla, com mais de uma droga de classes diferentes.

Em geral, salvo contra-indicações e casos especiais, sugere-se que o diurético seja a primeira ou, no máximo, a segunda droga de qualquer esquema anti-hipertensivo. O paciente hipertenso tratado com 2 ou 3 drogas, não sendo nenhuma delas um diurético, provavelmente está com um esquema  anti-hipertensivo mal escolhido.

Existem três grandes grupos de diuréticos que podem ser usados no tratamento da hipertensão:

a- diuréticos tiazídicos

O tiazídicos são a classe de diuréticos mais indicada no tratamento da hipertensão. São drogas baratas e com bons resultados, principalmente para a população negra,  idosos e diabéticos.

Os diuréticos tiazídicos mais utilizados na prática médica são:

– Hidroclorotiazida (dose recomendada entre 12,5 e 25 mg por dia em dose única diária).
– Clortalidona (dose recomendada entre 12,5 e 25 mg por dia em dose única diária).
– Indapamida (dose recomendada entre 1,25 e 2,5 mg por dia em dose única diária).
– Metolazona (dose recomendada entre 2,5 e 5 mg por dia em dose única diária).

Os trabalhos mais recentes têm apontado um melhor desempenho da clortalidona na redução a longo prazo de eventos cardiovasculares e da mortalidade. A causa provável é o seu longo tempo de ação (mais de 24 horas), que chega a ser mais do que o dobro do da hidroclorotiazida. Porém, conforme já referido, contanto que a pressão consiga ser controlada, qualquer uma das 4 drogas desta classe é uma excelente escolha.

Excetuando-se a metolazona, nos pacientes com insuficiência renal avançada (clearance de creatinina abaixo de 30 ml/min) os tiazídicos não são drogas efetivas, não devendo ser o diurético de escolha para o controle da pressão arterial nestes pacientes.

Entre os efeitos colaterais mais comuns dos tiazídicos estão o agravamento dos níveis de glicose nos diabéticos (este efeito geralmente só ocorre em doses elevadas), elevação do ácido úrico, hipocalemia (potássio sanguíneo baixo), hiponatremia (sódio sanguíneo baixo) e desidratação.

b- Diuréticos de alça

Os diuréticos de alça são diuréticos mais potentes, porém seu tempo de ação é bem mais curto.  Na prática, os diuréticos de alça são menos efetivos no controle da pressão arterial que os tiazídicos, não devendo estes ser a primeira opção de tratamento para a maioria dos pacientes.

As exceções são os pacientes com insuficiência renal crônica avançada ou insuficiência cardíaca com necessidade de controle dos edemas. Nestes casos, os diuréticos de alça são os mais indicados.

Existem mais de um tipo de diurético de alça, mas na prática, a droga mais usada é a furosemida,  muito conhecida pelo nome comercial Lasix.

A furosemida é habitualmente usada no tratamento da hipertensão arterial nas doses de 20 a 80 mg por dia, em dose única ou em duas doses diárias separadas por 6 horas de intervalo (por exemplo: 1 comprimido às 9 horas e 1 comprimido às 15 horas). Não se indica a prescrição da furosemida com intervalos de 12 horas entre as doses. Doses bem mais elevadas que 80 mg podem ser utilizadas em pacientes com quadros de edemas graves.

Os principais efeitos colaterais da furosemida são semelhantes aos dos diuréticos tiazídicos.

c- Diuréticos poupadores de potássio

Os diuréticos poupadores de potássio são diuréticos fracos, não sendo indicados para o tratamento da maioria dos casos de hipertensão. Eles, porém, podem ser usados como droga complementar nos casos de hipertensão arterial resistente (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL DE DIFÍCIL CONTROLE) ou nos pacientes com insuficiência cardíaca, mesmo que o paciente já faça uso de um diurético tiazídicos ou de alça.

Na prática médica, o diurético poupador de potássio mais utilizado é a espironolactona, também conhecida pelo seu nome comercial Aldactone. A dose habitual da espironolactona para hipertensão arterial é de 25 mg a 50 mg por dia em dose única diária.

Entre os seus efeitos colaterais, o mais perigoso é a hipercalemia (excesso de potássio no sangue), que pode levar a graves arritmias cardíacas.

Para saber mais sobre os diuréticos, acesse o link: DIURÉTICOS – Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida

2) Inibidores da enzima conversora da angiotensina (IECA)

Os inibidores da enzima conversora da angiotensina, mais conhecidos pela sigla IECA, são uma classe de anti-hipertensivos utilizados com muito sucesso há mais de 30 anos.

Assim como os diurético, os IECA são drogas que podem ser utilizadas como monoterapia ou como parte de um tratamento com múltiplos medicamentos. Salvo contra-indicações, os IECA podem ser utilizados em qualquer tipo de paciente, mas eles devem ser tratados como droga preferencial para o tratamento da hipertensão nos indivíduos com as seguintes características:

– Diabéticos (leia: O QUE É DIABETES?).
– Pacientes com hipertrofia do ventrículo esquerdo.
– Pacientes com insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA | Causas e sintomas).
– Pacientes que já sofreram um infarto do miocárdio (leia: INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção).
– Pacientes com proteinúria (leia: URINA ESPUMOSA E PROTEINÚRIA).
– Pacientes com insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA).

Em geral, os IECA têm ação anti-hipertensiva mais intensa em pessoas brancas e jovens, sendo menos efetivos em negros e idosos. Isso não significa, porém, que não se possa usar os IECA neste grupo, principalmente se o paciente tiver uma ou mais das 6 características listadas acima.

Os IECA são um grupo bastante explorado pela indústria farmacêutica, existindo atualmente no mercado, diversas drogas diferentes dentro desta família. Em geral, nenhum IECA apresenta nítida superioridade em relação ao outro.

Os IECA mais utilizados na prática médica são:

– Benazepril (dose recomendada entre 10 a 40 mg por dia, em dose única diária).
– Captopril (dose recomendada entre 25 a 150 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
– Cilazapril (dose recomendada entre 0,5 a 2,5 mg por dia, em dose única diária).
– Enalapril (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária ou 2 vezes por dia).
– Lisinopril (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária).
– Perindopril (dose recomendada entre 2 a 16 mg por dia, em dose única diária).
– Ramipril (dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária ou 2 vezes por dia).

O captopril é a droga mais antiga desta lista. Por ter um tempo de ação mais curto, sua posologia é menos confortável, sendo preciso tomá-lo até 3 vezes por dia. Por isso, seu uso atualmente tem sido restrito ao tratamento pontual dos picos de pressão arterial em pacientes que já estão medicados com outras drogas.

A associação dos IECA com diuréticos poupadores de potássio deve ser feita com muita cautela, pois ambas são drogas que podem elevar os níveis de potássio no sangue.

O efeito colateral mais incômodo dos IECA é a tosse, que pode surgir em qualquer momento do tratamento e só desaparece com a suspensão da droga.

3) Antagonistas do receptor da angiotensina II (ARA II):

Os antagonistas do receptor da angiotensina II, conhecidos pela sigla ARA II, são uma classe de anti-hipertensivos relativamente nova, mas com mecanismo de ação semelhante aos IECA.

Como os efeitos, a eficácia e as indicações são os mesmos dos IECA, a escolha entre uma IECA ou ARA II fica por conta de preferência individual do médico ou do paciente. Preço, posologia e perfil de efeitos colateiras são geralmente os fatores levados em conta na hora de escolher entre um IECA ou ARA II.

Os ARA II mais utilizados na prática clínica são:

– Candesartana (dose recomendada entre 16 a 32 mg por dia, em dose única diária).
– Irbesartana (dose recomendada entre 75 a 300 mg por dia, em dose única diária).
– Losartana (dose recomendada entre 50 a 100 mg por dia, em dose única diária).
– Olmesartana (dose recomendada entre 20 a 40 mg por dia, em dose única diária).
– Telmisartana (dose recomendada entre 20 a 80 mg por dia, em dose única diária).
– Valsartana (dose recomendada entre 80 a 320 mg por dia, em dose única diária).

Não há estudos que comprovem superioridade de uma droga sobre a outra entre as citadas acima. Novamente, a escolha é individual.

Assim como os IECA, os ARA II também podem provocar aumento do potássio sanguíneo. A grande vantagem dos ARA II sobre o IECA é a baixa ocorrência de tosse.

A associação de um IECA e um ARA II era indicada até há algum tempo para o tratamento da insuficiência cardíaca e das doenças renais com proteinúria. Esta indicação, porém, tem caído por terra nos últimos anos devidos à elevada taxa de efeitos colaterais e eventos cardiovasculares que os últimos estudos têm demonstrado.

Para saber mais detalhes sobre os IECA e ARA II, leia: INIBIDORES DA ECA E ARA II – Captopril, Enalapril, Losartan…

4) Inibidores do canal de cálcio

Os inibidores do canal de cálcio também são drogas já utilizadas há muitos anos no tratamento da hipertensão arterial. São remédios que até podem ser utilizadas como monoterapia, mas são habitualmente prescritos para ajudar no controle da pressão arterial em pacientes já medicados com IECA (ou ARA II) e/ou diurético. A associação de um inibidor do canal de cálcio com um diurético costuma ser bastante efetiva no controle da hipertensão de pacientes negros ou idosos.

Os inibidores do canal de cálcio mais utilizados na prática clínica são:

– Nifedipina retard (mais conhecido como Adalat retard) (dose recomendada entre 30 a 120 mg por dia, em dose única diária).
– Amlodipina (dose recomendada entre 2,5 a 10 mg por dia, em dose única diária).
– Lercanidipina (dose recomendada entre 10 a 20 mg por dia, em dose única diária).
– Felodipina (dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária).

Os inibidores do canal de cálcio são anti-hipertensivos fortes e devem ser iniciados com cautela em pacientes idosos, devido ao risco de hipotensão. Nestes pacientes deve-se começar com a dose mais baixa, sendo a mesma aumentada paulatinamente a cada 15 dias até o controle adequado da pressão arterial.

O efeito colateral mais comuns dos inibidores do canal de cálcio é o edema (inchaço) nos pés e pernas, principalmente nos pacientes com varizes e sinais de insuficiência venosa dos membros inferiores (leia: INCHAÇOS E EDEMAS e VARIZES | Causas e Tratamento)

Para saber mais detalhes sobre os inibidores do canal de cálcio, leia: Bloqueadores dos Canais de Cálcio| Nifedipina, Adalat, Amlodipina…)

5) Beta-Bloqueadores

Os beta-bloqueadores são drogas utilizadas no tratamento da pressão alta há muitos anos. Desde 2010, porém, o seu uso como droga de primeira linha não é mais indicado.

Não se deve usar beta-bloqueadores como monoterapia, e drogas, como diuréticos, IECA, ARA II ou inibidores do canal de cálcio, devem ter preferência na hora da escolha da composição do tratamento anti-hipertensivo.

Entretanto, em algumas situações clínicas, o uso de beta-bloqueadores para controlar a pressão arterial pode apresentar efeitos benéficos, como:

– Angina de peito (leia: DOR NO PEITO | Sinais de gravidade).
– História de infarto do miocárdio.
– Fibrilação atrial (leia: FIBRILAÇÃO ATRIAL).
– Hipertireoidismo (leia: HIPERTIREOIDISMO | Sintomas e tratamento).
– Enxaqueca (leia: DOR DE CABEÇA | Enxaqueca e sinais de gravidade).
– Hiperidrose (leia: HIPERIDROSE | Suor em excesso).
– Pacientes jovens com distúrbios de ansiedade.
– Tremor essencial.

Se o paciente não apresentar nenhuma das condições clínicas descritas acima, o beta-bloqueador deve ser encarado apenas como 3ª ou 4ª opção de droga para o controle da hipertensão.

Os beta-bloqueadores mais utilizados na prática clínica são:

– Atenolol (dose recomendada entre 25 a 100 mg por dia, em dose única diária).
– Bisoprolol (dose recomendada entre 2,5 a 20 mg por dia, em dose única diária).
– Carvedilol (dose recomendada entre 12,5 a 50 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
– Metoprolol (dose recomendada entre 50 a 450 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
– Nebivolol (dose recomendada entre 5 a 40 mg por dia, em dose única diária).
– Propranolol (dose recomendada entre 40 a 160 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).

Os beta-bloqueadores não deve ser utilizados em pacientes com asma ou pessoas com frequência cardíaca basal abaixo dos 60 batimentos por minuto.

6) Vasodilatadores diretos

Os vasodilatadores diretos, representados pelas drogas hidralazina e minoxidil, são medicamentos que devem ser utilizados apenas no tratamento das hipertensões de difícil controle.

A hidralazina é mais usada que o minoxidil por apresentar um perfil de efeitos colaterais mais leve. Em geral, indica-se o uso da hidralazina em pacientes medicados  com pelo menos um diurético, um IECA (ou ARAII) e um bloqueador dos canais de cálcio, mais ainda sem controle anti-hipertensivo adequado. A dose da hidralazina é de 25 a 100 mg divididos em 2 tomadas diárias.

Entre os efeitos colaterais mais comuns da hidralazina estão a retenção de líquidos, a taquicardia (coração acelerado) e a dor de cabeça. O uso concomitante de um diurético e um beta-bloqueador ameniza os efeitos colaterais.

A única situação que o uso da hidralazina pode ser considerado como opção inicial é nos caso das grávidas com hipertensão grave. Como a maioria dos anti-hipertensivos não podem ser utilizada em gestantes, a hidralazina acaba sendo uma das poucas opções disponíveis.

O minoxidil é uma droga poderosíssima, sendo, habitualmente, reservada para aqueles caso de hipertensão grave que não cedem a nenhum tipo de combinação anti-hipertensiva. Geralmente são os casos de pacientes já medicados com 4 ou 5 drogas anti-hipertensivas que ainda mantêm níveis de pressão arterial acima de 200/100 mmHg. O minoxidil possui muitos efeitos colaterais, sendo os mais importantes o crescimento de pelos pelo corpo (hirsutismo) e a retenção de líquidos.

Muitos médicos reservam o minoxidil como última alternativa do tratamento medicamentoso da hipertensão. Sua grande vantagem é o fato de ser extremamente eficiente, conseguindo controlar a pressão arterial como nenhum outro anti-hipertensivo.

7) bloqueadores alfa-1

Os bloqueadores alfa-1 são drogas que têm sido cada vez menos utilizadas no tratamento da hipertensão. Estudos têm mostrado que esse grupo é menos efetivo e apresenta mais efeitos adversos que as drogas de primeira linha.

Atualmente só indica-se o uso de bloqueadores alfa-1 para o controle da hipertensão arterial em homens idosos que também apresentem hipertrofia benigna da próstata, pois estes medicamentos atuam reduzindo o tamanho da próstata (leia: HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA). Nestes casos, ela é uma boa opção para ser a 3ª ou 4ª droga do esquema anti-hipertensivo.

Os bloqueadores alfa-1 mais utilizados na prática clínica são:

– Doxazosina (dose recomendada entre 1 a 16 mg por dia, em dose única diária).
– Prazosina (dose recomendada entre 2 a 20 mg por dia, divididos em 2 ou 3 tomadas por dia).
– Terazosina (dose recomendada entre 1 a 20 mg por dia, divididos em 1 ou 2 tomadas por dia).

8) Agonistas alfa 2 adrenérgicos

Os agonistas alfa 2 adrenérgicos também são drogas utilizadas apenas em casos de hipertensão de difícil controle. Devem ser a 4ª ou 5º opção de tratamento.

São anti-hipertensivos poderosos, mas seus efeitos colaterais são muito comuns, incluindo sonolência, boca seca, dor de cabeça e tonturas. Outro problema dos agonistas alfa 2 é o chamado efeito rebote, caracterizado por uma súbita elevação da pressão arterial quando essas drogas são suspensas.

As drogas mais usadas desta classe são:

– Clonidina (dose recomendada entre 0,1 a 0,8 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
– Metildopa (dose recomendada entre 250 a 1000 mg por dia, divididos em 2 tomadas por dia).
– Rilmenidina (dose recomendada entre 1 a 2 mg por dia, em dose única diária).

PREVENÇÃO DA INFECÇÃO URINÁRIA

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\"Prevenção
A infecção urinária é uma das doenças  bacterianas mais comuns no ser humano, principalmente no sexo feminino. Estima-se que 60 a 70% das mulheres terão pelo menos um episódio de infecção urinária durante a sua vida.

A cistite, que é a infecção da bexiga, é a forma de infecção urinária mais comum e se caracteriza por sintomas como dor ao urinar e necessidade constante de fazer xixi, mesmo quando a bexiga encontra-se vazia.

Muitas mulheres têm mais de um episódio de cistite durante a vida. Outras têm mais de um episódio por ano. Ainda há, também, aquelas que apresentam a chamada infecção urinária de repetição, com mais de 3 episódios de cistite a cada ano.

A cistite ocorre quando bactérias naturais do intestino (enterobactérias) e da região ao redor do ânus, tais como E.coli, Proteus e Klebsiella,  conseguem migrar para a região da vagina, passando a colonizar a entrada do uretra, canal que transporta a urina vinda da bexiga. Uma vez na uretra, as bactérias conseguem facilmente chegar à bexiga, onde irão se multiplicar e provocar intensa reação inflamatória.

A infecção urinária é uma doença causada pela contaminação da bexiga por bactérias do seu próprio corpo. Não é, portanto, uma doença transmitida de uma pessoa para outra.

Nem toda infecção urinária pode ser prevenida, todavia, medidas que evitem ou dificultem a migração de bactérias dos intestinos para a bexiga ajudam a reduzir o risco.

Neste artigo falaremos sobre algumas medidas simples que podem ser instituídas com o intuito de reduzir a incidência de infecções urinárias. Vamos focar na mulheres, pois a infecção urinária é muito mais comum no sexo feminino. As infecções urinárias no homem costumam estar relacionadas a problemas urológicos, tais como doenças da próstata, presença de cateter vesical ou duplo J, ou defeitos anatômicos da região urogenital. Homens jovens com infecção urinária frequente devem ser avaliados por um urologista.

Se você quiser saber mais sobre cistite e infecção urinária, acesse nosso diretório de artigos sobre o tema através do seguinte link: ARTIGOS SOBRE INFECÇÃO URINÁRIA

Prevenção da infecção urinária

Dica nº 1 para prevenir a cistite – Sempre passar o papel higiênico de frente para trás

Como a infecção urinária é provocada por bactérias que vêm do períneo e da região anal, na hora que você for limpar o ânus ou a vagina com um papel higiênico, a direção deve ser sempre de frente para trás, ou seja, o papel passa primeiro na vagina e depois do ânus, nunca o contrário. O objetivo é não arrastar bactérias da região anal em direção à vaginal.

Seguindo a mesma lógica, não se deve passar o mesmo papel duas vezes seguidas. Passe o papel uma vez. Se ainda precisar limpar mais, use um novo pedaço.

Dica nº 2 para prevenir a cistite – Evite uma higiene íntima excessiva

A cistite pode ser provocada por maus hábitos de higiene, mas também por excesso de higiene. A vagina possui sua flora natural de germes, que ajudam a impedir a chegada de bactérias nocivas vindas do ânus. Se você limpa a região da vulva e do períneo com muita frequência, ou uso produtos antissépticos especiais, pode haver uma redução da população natural de bactérias da sua vagina, o que acaba facilitando a vida das bactérias invasoras, que encontraram muito menos concorrência ao chegar na região ao redor da uretra.

Portanto, a limpeza deve ser feita de forma parcimoniosa e somente com água e sabão neutro. Não é preciso gastar dinheiro comprando produtos especiais para higiene íntima.

Dica nº 3 para prevenir a cistite – Evite banhos de banheira

A água da banheira torna-se rapidamente povoada por bactérias da região do períneo. Se você ficar muito tempo sentada, há um risco maior de enterobactérias conseguirem migrar para a região ao redor da uretra. Ficar relaxando na banheira cheia de espuma é muito bonito em filmes, mas se você tem problemas de infecção urinária frequente, dê preferência a banhos de chuveiro.

Obs: banhos de piscina ou de mar não são problemas, não só pelo volume de água muito maior, mas também pela presença do cloro na piscina ou de altas concentrações de iodo e sal do mar.

Dica nº 4 para prevenir a cistite – Evite ducha vaginal

O banho de chuveiro é a forma mais segura, porém, não se deve direcionar a ducha em direção à vagina. Duchas vaginais não ajudam na higiene íntima e ainda facilitam a migração de enterobactérias.

Dica nº 5 para prevenir a cistite – Não use produtos químicos na região íntima

Produtos químicos, como perfumes, desodorantes ou talcos não devem ser usados nas partes íntimas, pois ele podem provocar irritação. Bactérias se aderem mais facilmente em locais onde a pele encontra-se irritada. Se a região ao redor da uretra estiver inflamada, as enterobactérias terão mais facilidade de colonizar o local. Evite usar qualquer produto que seja à base de álcool ou tenha cheiro forte nesta região.

Dica nº 6 para prevenir a cistite – Troque o absorvente íntimo com frequência

A presença de umidade e sangue aumenta muito o risco de proliferação de bactérias. Não deixe o seu absorvente íntimo ficar cheio por muito tempo, principalmente se for um absorvente externo, que pode deixar a pele ao redor da uretra úmida e com sangue. Ainda há controvérsias entre os especialistas sobre qual tipo de absorvente é o mais perigoso: internos ou externos. Na dúvida, independente do absorvente usado, troque-o com frequência.

Dica nº 7 para prevenir a cistite – Urine depois das relações sexuais.

A infecção urinária não é uma doença sexualmente transmissível, mas o ato sexual por si só produz atrito, o que leva à irritação da região genital e ajuda a espalhar as bactérias do períneo. O ato de urinar ao fim de cada relação ajuda a “lavar” a uretra, empurrando para fora as bactérias que possam ter migrado durante o sexo.

VÍDEOS SUGERIDOS:
Sintomas da infecção urinária

Por que a cistite é mais comum nas mulheres que nos homens?

Obs: o uso de camisinha não diminui o risco de infecção urinária pós-coito. Lembre-se, a bactéria não vem do parceiro.

Dica nº 8 para prevenir a cistite – Lave a região do períneo antes de ter relações sexuais

Lavar com água e sabão a região anal e perineal logo antes do ato sexual ajuda a reduzir a quantidade de enterobactérias que possam ser empurradas em direção à vagina.

Dica nº 9 para prevenir a cistite – Evite sexo anal

O sexo anal, principalmente se procedido por sexo vaginal, aumenta muito o risco de infecção urinária. O motivo é óbvio, pois bactérias da região anal são levadas diretamente para a vagina. Mas, mesmo o sexo anal isolado pode ser suficiente para espalhar bactérias do reto pela região do períneo.

Dica nº 10 para prevenir a cistite – Beba bastante água

A ingestão de líquido mantém a urina mais diluída e faz com que o paciente sinta necessidade de urinar com mais frequência, ajudando a expelir bactérias que estejam no trato urinário.

Dica nº 11 para prevenir a cistite – Evite segurar a urina por muito tempo

Evite ficar intervalos maiores que 4 horas sem urinar. A urina parada na bexiga facilita a proliferação de bactérias.

Dica nº 12 para prevenir a cistite – Não use espermicidas

A aplicação de espermicidas, sejam em gel ou creme, aumenta o risco de infecção urinária, pois eles podem causar irritação na região genital. Da mesma forma, camisinhas que contenham espermicidas também devem ser evitadas.

Dica nº 13 para prevenir a cistite – Evite o uso de diafragma 

Mulheres que usam diafragma e têm infecção urinária frequentemente devem ponderar uma mudança de método anticoncepcional, porque o diafragma pode pressionar a bexiga ou a uretra, dificultando o esvaziamento completo da urina. Uma bexiga que não esvazia completamente fica mais exposta à proliferação de bactérias.

Dica nº 14 para prevenir a cistite – Use roupas de algodão ou tecidos leves

Use roupas leves de forma a não deixar a região genital muito úmida pelo suor. A pele úmida e fechada por muito tempo debaixo de roupas que não permitem a circulação do ar favorece a proliferação de bactérias.

Dica nº 15 para prevenir a cistite – Consuma alimentos com cranberry (oxicoco)

Uma frutinha da família das amoras, chamada cranberry ou oxicoco, parece ser eficaz na prevenção da cistite. A fruta pode ser consumida como suco ou através de cápsulas já amplamente comercializadas. Ainda não existem evidências inequívocas da eficácia dessa fruta, mas como mal não faz, a maioria dos médicos acaba indicando o seu uso.

Dica nº 16 para prevenir a cistite – Cremes de estrogênio na menopausa

Após a menopausa, a falta de estrogênio provoca secura vaginal e redução da flora bacteriana natural. Essas duas alterações aumentam o risco de colonização da vagina por enterobactérias. O uso de estrogênio sob a forma de creme vaginal ajuda a restaurar o ambiente natural da vagina, reduzindo a incidência de infecções urinárias.

Dica nº 17 para prevenir a cistite – Evite o uso indiscriminado de antibióticos

Algumas pessoas com quadros frequentes de infecção respiratória alta, principalmente de garganta, nariz ou ouvido, acabam fazendo uso frequente de antibióticos, muitas vezes de forma desnecessária, já que boa parte dessas infecções são provocadas por vírus.

O uso indiscriminado de antibióticos durante a vida pode alterar a composição normal da flora bacteriana vaginal, facilitando a ocorrências de infecções ginecológicas, como candidíase, ou infecção urinária. O uso frequente de antibióticos também pode selecionar as bactérias dos intestinos, criando cepas resistentes, o que leva ao aparecimento de infecções urinárias multirresistente aos antibióticos habituais.

Dica nº 18 para prevenir a cistite – Probióticos

Probióticos Lactobacillus são medicamentos tomados por via oral ou intra-vaginal, cujo objetivo é reforçar a flora vaginal e atrapalhar a fixação de enterobactérias na região ao redor da uretra. É um tratamento ainda em estudo, mas que aparentemente é eficaz em reduzir a incidência das infecções urinárias.

Dica nº 19 para prevenir a cistite – Vacinas

Já existem vacinas compostas por cepas mortas da bactéria E.coli,  responsável por mais de 80% dos casos de infecção urinária, que apresentam bons resultados. Exemplos são: Solco-Urovac, Urovaxom e Strovac.

As vacinas que apresentam administração intra-vaginal ou intra-muscular parecem ser mais eficazes que as vacinas por via oral.

É importante destacar que essas vacinas não protegem contra a cistite provocada por enterobactérias que não a E.coli.

Dica nº 20 para prevenir a cistite – Antibióticos profiláticos

Algumas mulheres, por mais que sigam todas as dicas descritas anteriormente, permanecem tendo quadros repetidos de infecção urinária. Nestes casos, o uso prolongado de antibióticos em baixa dose pode estar indicado. Estudos têm demonstrado que o uso diário de antibióticos,  como o Bactrim (sulfametoxazol/trimetoprim), podem ser utilizados com segurança e eficácia por até 5 anos, reduzindo em mais de 95% a taxa de novas infecções urinárias.

Dica nº21 para prevenir a cistite – Antibióticos pós-coito

Algumas mulheres têm quadros repetidos de cistite claramente relacionados à atividade sexual. São cistites que surgem sempre 24 a 48 horas após o coito. Nestes casos, a profilaxia com antibiótico pode ser feita pontualmente, somente após o ato sexual. Em vez de tomar antibióticos diariamente, como descrito na dica nº20, a mulher é orientada a tomar um único comprimido de antibiótico apropriado toda vez que tiver relação sexual.

VÍDEO: SEUS RINS PODEM ESTAR DOENTES

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A insuficiência renal crônica é uma doença que surge quando os rins tornam-se doentes e perdem de forma irreversível a capacidade de filtrar o sangue. Em muitos casos, a insuficiência renal crônica progride lentamente e de forma assintomática, podendo tornar-se grave sem que o paciente se dê conta disso.

Neste vídeo explicativo de 3 minutos abordamos as principais causas da insuficiência renal e o valor de um exame de sangue chamado creatinina, capaz de diagnosticar as doenças renais de forma precoce.

Para saber mais detalhes sobre as doenças dos rins, acesse os links abaixo.

Quantos litros de água devemos beber por dia?

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A água é o principal componente químico do nosso organismo. O ser humano consegue sobreviver muito mais tempo sem consumir alimentos do que sem ingerir água. Precisamos tanto da água, que cerca de 60% do peso do nosso corpo é composto apenas por ela.

A desidratação, que é o nome que damos  à redução do volume de água no organismo, pode causar sérios problemas de saúde, inclusive morte, nos casos mais graves. Por outro lado, o consumo excessivo de água também pode ser prejudicial, pois pode levar a um quadro chamado intoxicação por água, que também pode ser fatal em algumas circunstâncias.

Portanto, voltando à pergunta que dá título a este artigo, quantos litros de água devemos beber por dia? A resposta é: depende. Não existe uma número mágico de litros que seja adequado para toda a população. Diversos fatores podem fazer com que um individuo precise de mais ou menos água que outros. A famosa regra que diz que devemos beber 2 litros de água por dia (ou 6 a 8 copos de água) é, na verdade, uma orientação empírica, sem grande embasamento em evidências científicas.

Neste artigo vamos explicar quais são os fatores que uma pessoa deve levar em conta na hora de decidir a quantidade de água que ela deve ingerir ao longo do dia. Vamos explicar também o que é a intoxicação por água e como ela surge.

A água no nosso organismo

Conforme dissemos na introdução, a quantidade de água diária que cada pessoa precisa ingerir é muito individual. Alguns indivíduos precisam de muita, outros precisam de pouca. Para facilitar a compreensão do tema, vamos iniciar o artigo falando, de forma resumida e simples, sobre como o nosso organismo lida com o volume de água corporal.

Distribuição da água no corpo

Se cerca de 60% do nosso peso é composto de água, isso significa que uma pessoa de 70 quilos têm aproximadamente 42 quilos ou 42 litros de água no organismo (1 litro de água pesa 1 quilo). Desses 42 quilos, 2/3 (28 quilos ou 28 litros) estão dentro das células e 1/3 (14 quilos ou 14 litros) encontra-se fora das células. Dos 14 litros de água que encontram-se fora das células, cerca de 10 litros estão distribuídos entre os tecidos e órgãos (espaço que é chamado de interstício) e apenas 4 litros estão efetivamente dentro dos vasos sanguíneos. Portanto, de toda água corporal, apenas cerca de 7% encontra-se dentro do sangue.

A desidratação é, por consequência, um estado que afeta muito mais as células e os tecidos do que propriamente o volume de sangue corrente. Quando um indivíduo perde 3 litros de água corporal, ele perde 2 litros nas células, 800 ml nos tecidos e apenas 200 ml no sangue. Assim sendo, o paciente começa a sofrer os efeitos da desidratação das células muito antes de apresentar uma queda relevante da pressão arterial, o que só ocorre em casos graves de desidratação.

Da mesma maneira, quando o corpo encontra-se com excesso de água, a distribuição se dá de forma semelhante, sendo o meio intracelular e o interstício os mais acometidos, o que pode provocar edema nas células e nos órgãos, incluindo o cérebro.

Como o organismo controla a quantidade de água no nosso corpo?

O órgão que controla a quantidade de água no organismo é o rim, e ele o faz de forma muito precisa. Pequenas elevações ou reduções da quantidade de água corporal são suficientes para o rins passarem a eliminar mais ou menos água na urina. Em vista disso, mesmo que consumamos água de forma aquém ou além do necessário, os rins irão agir para manter o volume de água corporal equilibrado, fazendo com que você urine mais ou menos ao longo do dia.

Obviamente, a capacidade de correção dos rins tem um limite. Para eliminar as toxinas e as substâncias filtradas no sangue, o rim precisa eliminar no mínimo uns 400-500 ml de água por dia, caso contrário não conseguiria diluir os compostos químicos. Se o paciente encontra-se muito desidratado, e o rim está tão ávido para reter água no organismo que ele praticamente deixa de urinar, o indivíduo entra em insuficiência renal aguda. E mesmo quando o paciente para de urinar completamente, se o indivíduo não se hidratar, a escassez de água continuará agravando, pois há perdas de líquidos por outras vias, como suor e fezes, que não podem ser interrompidas nem ajustadas (explico mais à frente).

De forma inversa, em estados de excesso de água corporal, o rim é capaz de aumentar a sua produção de urina em até 500 a 600 ml por hora, o que dá cerca de 12 litros de urina por dia. Se o paciente consome grandes quantidades de água ao longo do dia, para manter estável o volume de água corporal, o rim precisa produzir grandes quantidades de urina, fazendo com que o paciente sinta vontade de ir ao banheiro a toda hora. Como a vontade de urinar geralmente surge quando o volume de urina na bexiga fica entre 300 e 400 ml, basta o rim produzir 300 ml de urina por hora para que a pessoa precisa ir ao banheiro de hora em hora.

Como os rins só conseguem produzir um máximo de 600 ml de urina por hora, caso o indivíduo por algum motivo resolva consumir 5 litros de água de uma só vez, a quantidade de água excessiva irá se distribuir nas células, provocando inchaço das mesmas em uma quadro potencialmente fatal chamado intoxicação por água. O rins só irão conseguir controlar o volume de água corporal após algumas horas, o que em alguns casos pode ser tarde demais. Ao final deste artigo iremos explicar esse problema com mais detalhes.

Quais são os fatores que influenciam no volume de água que devemos beber?

A quantidade de água que devemos consumir diariamente deve ser aquela que é necessária para ajudarmos os rins a manter o volume de água corporal estável. Mas por que esse valor pode variar tanto de indivíduo para o outro? Por vários motivos, por exemplo:

a) Quantidade basal de água corporal

Crianças têm proporcionalmente mais água no organismo que adultos, que por sua vez têm mais água que idosos. Homens têm mais água que mulheres. Pessoas obesas, musculosas ou muito altas têm quantidade de água corporal diferentes de pessoal muito magras ou baixinhas. Só por isso, definir um número mágico de consumo de água diário que servisse a toda a população já seria difícil. Mas há outros problemas mais relevantes, conforme veremos a seguir.

b) Perdas de água ao longo do dia

Basicamente, nosso organismo perde água de 4 formas diferentes:

  • Volume de urina – cerca de 1 a 2 litros por dia.
  • Suor e evaporação de água pela pele – cerca de 300-500 ml por dia.
  • Evaporação de água pela respiração – cerca de 200-400 ml por dia
  • Perdas de água nas fezes – cerca de 100 a 200 ml de água por dia.

Isso significa que nosso organismo perde diariamente cerca de 1,5 a 3 litros de água por dia, boa parte dela de forma imperceptível, o que é chamado de perdas insensíveis de água. É por conta desses 1,5 a 3 litros de perda de água basal que é muito comum ouvirmos conselhos para consumir por volta de 1,5 a 3 litros de água por dia.

Porém, os valores descritos acima são apenas aproximações, estimadas em situações cotidianas. Em dias muitos quentes, por exemplo, a perda de água pela pele é muito maior do que em dias frios. Perdemos diariamente cerca 400 ml de água pela pele quando a temperatura está ao redor dos 20ªC, mas essa perda pode ser maior que 1 litro quando o termômetro passa dos 35ºC. Da mesma forma, em uma única sessão de sauna de 20 minutos é possível perder até 500 ml de água.  Pacientes com febre também perdem mais mais água pela pele que o habitual.

A pratica de atividade física também influencia na perda de água pela pele. A cada hora de exercício pesado, o corpo pode perder mais de 1 litro de água, dependendo da temperatura exterior. Em uma maratona, por exemplo, você pode perder mais de 5 litros de água.

As perdas de água pela respiração também elevam-se durante o exercício, podendo chegar a 600 ml por dia. Pessoas que vivem ao nível do mar e sobem para altitudes acima de 2500 metros acabam perdendo mais água pelas vias respiratórias, pois a menor disponibilidade de oxigênio faz com que elas aumentem o trabalho pulmonar e acelerem a frequência respiratória.

Outra situação comum que pode alterar dramaticamente a quantidade de água perdida é a ocorrência de diarreia ou vômitos. Um paciente com uma intoxicação alimentar perde facilmente 1 litro de água diária por vômitos e/ou diarreia.

c) Quantidade de água nos alimentos

A água que consumimos não vem só dos líquidos. Todos os alimentos têm água, alguns em maior ou menor quantidade. Em geral, somente através dos alimentos, conseguimos ingerir cerca de 0,5 a 1 litro de água por dia. Sopas, iogurtes, sorvete, gelatina ou qualquer outro alimento que assuma a forma líquida na temperatura ambiente deve ser contabilizado como consumo de líquidos. Entre os alimentos sólidos, as frutas, verduras e legumes são habitualmente os mais ricos em água, como a melancia, laranja, tomate, alface, pepino, pimentão, couve-flor, etc.

Portanto, como podemos ver, as necessidades de água podem variar não só de indivíduo para indivíduo, como também de um dia para o outro. A famosa recomendação de 2 litros de água por dia pode ser suficiente para alguns casos, mas com certeza será insuficiente em muitas situações.

Como saber se eu preciso beber mais água?

Nosso organismo é equipado com alguns mecanismos de defesa contra a desidratação. Toda vez que o volume de água corporal reduz-se e as células começam a se desidratar, o cérebro lança mão de 2 ações: o surgimento da sensação de sede e a liberação de hormônios que estimulam os rins a reter água.

Portanto, se você tem sede frequentemente e a sua urina encontra-se muito concentrada, ou seja, com pouca água, isso é um sinal de que o seu organismo está tentando compensar um estado de carência de água.

O mecanismo de sede é muito sensível e costuma ser ativado em fases muito iniciais da desidratação. A nossa boca e a faringe são ricas em receptores que identificam rapidamente que a pessoa está consumindo água, motivo pelo qual a sensação de sede desparece assim que bebemos água. O cérebro sabe que você ingeriu água antes dela ter sido absorvida no trato gastrointestinal e distribuída pelas células do corpo. A água gelada estimula esses receptores de forma mais intensa, por isso, quando estamos com sede, ela parece ser mais eficaz que a água na temperatura ambiente, apesar de hidratar da mesma forma.

O mecanismo de sede é muito importante, mas ele pode não ser tão confiável em algumas pessoas, principalmente nos idosos ou em indivíduos doentes. Uma forma simples de saber se a pessoa está desidratada mesmo sem ter sede é avaliar o quão úmido estão a língua e o interior da boca. Se ao longo do dia o indivíduo tem a boca e a língua bem secas, sem nenhum sinal de saliva, isso é um sinal claro de desidratação.

A cor da urina é outra forma de avaliar o estado de hidratação da pessoa. Uma urina muito amarelada e com cheiro forte indica que os rins estão retendo água. Por outro lado, uma urina totalmente transparente, com cor de água e em grandes volumes, significa que os rins estão excretando elevadas quantidades de água do corpo. Em geral, a urina saudável é aquela com um amarelo bem clarinho.

Um terceira forma de avaliar o estado de hidratação é através do peso. Pese-se antes e depois de fazer alguma atividade física. A diferença será a quantidade  de água que você perdeu neste período. Você pode fazer o mesmo no trabalho, pesando-se logo depois do café da manhã e antes do almoço. Se após o café você pesava 71 quilos e antes do almoço pesa 70,6 kg (sem ter ingerido nada nesse período), isso significa que você perdeu cerca de 400 gramas (400 ml) de água neste período. Isso serve como uma base meio grosseira para você calcular o quanto perde de água por hora no trabalho.

Portanto, você deve beber água sempre que tiver sede. Se você tem sede várias vezes por dia, isso é um sinal de que precisa aumentar o consumo de água. Aumente a ingestão de água também caso a sua urina esteja persistente muito concentrada.

Intoxicação por água

A intoxicação por água é um evento muito mais comum do que as pessoas imaginam. A água torna-se tóxica quando ela é consumida em quantidades muito acima do necessário em relativamente pouco tempo, diluindo o sangue e fazendo com que a concentração de sódio sanguíneo caia para níveis perigosos de forma aguda.

A intoxicação por água tem sido muito relatada em participantes de maratonas, triatlos ou outras competições de intenso esforço.  Quando suamos de forma prolongada, o corpo perde grandes quantidades de água e sais minerais, principalmente sódio (Na+), que é o principal eletrólito do sangue. Quando este atleta se reidrata apenas com água, ele repõe as necessidades de água do corpo, mas não a quantidade de sais minerais perdidos no suor, o que leva a um quadro de baixa concentração de sódio no sangue, conhecido como hiponatremia. Se o atleta durante a corrida consome um volume de água maior do que aquele que ele perdeu no suor, o risco de hiponatremia torna-se ainda mais alto.

A substituição de água por isotônicos comerciais não muda muito a situação, pois estes possuem baixa concentração de sódio. Uma garrafa de Gatorade, por exemplo, possui uma concentração de sódio de apenas 23 meq/L, que é muito abaixo dos 140 meq/L do nosso sangue. Portanto, apesar de serem um pouco melhor que a água pura, os isotônicos, se consumidos em grande quantidade, também podem causar hiponatremia.

Atualmente, recomenda-se que os atletas consumam água de acordo com a sua sede. Desta forma, o corpo consegue controlar de forma mais segura a quantidade de água e sódio do organismo.

Graus leves de hiponatremia não costumam causar sintomas, principalmente se a redução do sódio for se estabelecendo de forma lenta, ao longo de vários dias. Porém, casos de hiponatremia grave e aguda, como são aquelas que ocorrem nos casos de intoxicação pela água, podem causar edema cerebral e até levar à morte.

A intoxicação por água não ocorre só em atletas que se reidratam de forma incorreta. Em 2007, um caso fatal de intoxicação tornou-se muito famoso nos EUA. Durante um concurso promovido por uma rádio, que premiava o participante que bebesse mais água e conseguisse segurar a urina, uma mulher de 28 anos desenvolveu um quadro de grave intoxicação por água e morreu em casa horas depois do concurso.

Algumas pessoas com problemas psiquiátricos costumam ingerir água de forma descontrolada, podendo beber mais de 10 a 15 litros por dia, o que é um fator de risco para ocorrer intoxicação por água.

COMO É A SESSÃO DE HEMODIÁLISE

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Como os rins são órgãos vitais, não há como sobrevivermos sem eles estejam funcionando minimamente. Quando os rins param de funcionar, o paciente só tem 3 opções: transplante renal, hemodiálise ou diálise peritonial. Esses três tratamentos fazem parte do que chamamos de terapia de substituição renal, que, como o próprio nome diz, são tratamentos que visam substituir os rins naturais.

A hemodiálise (HD), assunto que iremos tratar aqui, é, portanto, uma das opções de tratamento que permite que o paciente com insuficiência renal grave e irreversível possa manter-se vivo e ativo por vários anos.

Este artigo terá como objetivo explicar para os familiares, ou para o próprio paciente que está prestes a entrar em tratamento hemodialítico, como são feitas as sessões de hemodiálise, quanto tempo duram e o que costuma acontecer durante cada tratamento.

Se você quiser entender questões mais técnicas, tais como o funcionamento da hemodiálise e as formas como esse tratamento consegue substituir parte das funções dos rins, acesse o seguinte artigo: O QUE É HEMODIÁLISE.

Por quanto tempo é preciso fazer hemodiálise?

A hemodiálise é um tratamento que serve para pacientes com insuficiência renal aguda (IRA) ou insuficiência renal crônica (IRC). O primeiro caso ocorre quando um paciente que previamente tinha uma função renal adequada apresenta um problema que faz com que os seus rins parem de funcionar de uma hora pra outra. A IRA costuma ocorrer em casos de intoxicação exógena, uso de drogas nefrotóxicas, desidratação grave ou obstrução do trato urinário. Na insuficiência renal aguda, uma vez tratada a causa, os rins voltam a funcionar adequadamente. Portanto, as sessões de hemodiálise são feitas apenas enquanto os rins não se recuperam, o que costuma ocorrer após alguns dias.

Já a insuficiência renal crônica é uma doença progressiva e irreversível dos rins. É uma lesão renal provocada habitualmente por anos e anos de agressão contínua aos rins, como nos casos de diabetes ou hipertensão arterial. Os pacientes com insuficiência renal crônica quando chegam em fases avançadas da doença necessitam de hemodiálise e, salvo raros casos, ficam dependentes da máquina para o resto da vida, pois não há chance de recuperação da função renal.

A partir desse ponto, vamos falar sobre as sessões de hemodiálise no paciente com insuficiência renal crônica.

Sala da hemodiálise

Os pacientes com insuficiência renal crônica que precisam iniciar tratamento hemodialítico são habitualmente alocados em uma clínica de hemodiálise. As clínicas de hemodiálise são unidades extra-hospitalares, cuja única função é oferecer este tipo de tratamento aos pacientes.

As salas de hemodiálise costumam ter várias máquinas, sendo capazes de receber, às vezes, até 20 pacientes em uma só sala. Clínicas grandes podem ter 4 ou 5 salas, o que lhes permite dialisar dezenas de pacientes a cada turno.

Cada paciente tem direito a uma poltrona, que é totalmente reclinável e contém dois apoios para o braço. A maioria das salas tem um ou mais aparelhos de TV para que os pacientes possam assistir programas enquanto dialisam.

A equipe responsável pelas salas de hemodiálise é composta por um ou dois médicos e um grupo de enfermeiros.

Quanto tempo dura uma sessão de hemodiálise?

As sessões de hemodiálise duram habitualmente 4 horas e são realizadas 3 vezes por semana. O paciente pode optar pelos dias ímpares (terça, quinta e sábado) ou pelos dias pares (segunda, quarta e sexta). Também é possível optar por um dos três turnos do dia: manhã, tarde ou noite.

Cada clínica estabelece o seu horário, mas, em geral, o turno da manhã é feito de 7 às 11h, o turno da tarde de 12h às 16h e o turno da noite de 17 às 21h. Algumas clínicas fazem intervalos mais curtos entre os turnos e conseguem oferecer um 4º turno, que costuma começar às 20h e terminar à meia-noite.

O pacientes mais jovens e ainda ativos profissionalmente costumam preferir o turno da noite, enquanto os mais idosos habitualmente fazem a sua sessão de HD nos turnos da manhã.

O paciente deve permanecer fixo nos turnos e dias escolhidos, mas, em casos pontuais, ele pode solicitar antecipadamente a troca de horário ou de dia.

Já existem clínicas que oferecem sessões de hemodiálise durante a madrugada. O paciente chega na clínica no final da noite e se submete a uma sessão mais prolongada, de 6 a 8 horas. Ou seja, o paciente 3 vezes por semana dorme na clínica de hemodiálise enquanto faz a sua sessão de HD. Essa modalidade de HD parece ser pouco atraente, mas é a que vem apresentando melhores resultados em relação a complicações e taxa de mortalidade a longo prazo.

Como é feita a sessão de hemodiálise?

Assim que o paciente chega à clínica, ele deve aguardar até que o enfermeiro lhe chame para entrar na sala. Quando autorizado, o paciente dirige-se à sala de HD, pesa-se e depois e senta-se na poltrona ao lado da máquina que está reservada para si. Após uma breve conversa, com objetivo de saber se há algum problema ou queixa por parte do paciente, o enfermeiro afere a sua pressão arterial. Se estiver tudo ok, o enfermeiro prepara-se para iniciar a sessão.

Para que a máquina de hemodiálise consiga fazer o seu trabalho de limpar as toxinas do sangue e remover o excesso de líquidos do corpo, ela precisa ter acesso ao sangue do paciente. Isso é feito através de uma fístula arteriovenosa (FAV) ou de um cateter venoso central (CVC). Explicamos melhor essas duas vias de acesso no artigo: O QUE É HEMODIÁLISE.

Vamos usar a FAV como exemplo, pois este é o acesso vascular mais indicado para realizar uma sessão de HD. A fístula do paciente precisa ser puncionada por duas agulhas, uma para puxar o sangue em direção à máquina e outra para devolver o sangue já filtrado de volta para o paciente. Isso significa que o paciente será picado duas vezes sempre que for iniciar a sessão de HD. Em geral, as picadas são realizadas no mesmo local, o que cria um pequeno túnel, que facilita a punção e reduz a incidência da dor.

Ao iniciar a sessão, o circuito extracorpóreo da máquina é enchido com cerca de 300 mililitros de sangue do paciente, que através de uma bomba é levado em direção ao filtro da hemodiálise, que é a estrutura que efetivamente filtra o sangue e retira o excesso de líquido. Durante 4 horas, o sangue do paciente fica passando continuamente pelo circuito e pelo filtro.

O processo de limpeza do sangue e a retirada do excesso de água é controlado por um computador. Como o paciente em diálise não urina (ou quase não urina), se entre uma sessão de HD e outra ele ganhar 3 quilos, isso significa que ele acumulou cerca de 3 litros de líquidos neste período. Essa será, estão, a quantidade de água que a máquina irá retirar do seu corpo durante as 4 horas de sessão. Se o paciente for pouco disciplinado e beber água indiscriminadamente entre uma sessão e outra, ele pode ganhar 5 ou 6 quilos neste intervalo, o que é uma quantidade de água muito grande para ser retirada em apenas 4 horas de sessão.

Uma ou duas vezes a cada hora de sessão, os sinais vitais do paciente, incluindo pressão arterial, frequência cardíaca e temperatura corporal são aferidos para termos certeza que está correndo tudo bem durante o tratamento. Caso haja algum problema, o médico é chamado à sala para avaliar o paciente. Na imensa maioria das vezes, as intercorrências são simples, e o médico não precisa tomar nenhuma medida mais agressiva.

Como termina a sessão de hemodiálise?

Após as 4 horas, o circuito extracorpóreo da máquina de HD é esvaziado e todo o sangue retorna para o paciente. Estando tudo bem, a equipe de enfermagem retira uma agulha de cada vez e solicita que o paciente use os seus dedos para pressionar o local da punção de forma a impedir que haja algum sangramento. Em geral, esse processo demora uns 5 minutos. Após esse tempo, a equipe de enfermagem certifica-se de que o local da punção já não apresenta risco de sangramento e o cobre com uma curativo.

A pressão arterial é medida mais uma vez, e se tudo estiver bem, o paciente é liberado para ir embora para a sua casa. Antes de sair, ela pesa-se para confirmar a retirada de líquido. Se a máquina estava programada para retirar 3 litros de água, o paciente precisa sair da HD com cerca de 3 quilos a menos que entrou.

DOENÇA DE LESÃO MÍNIMA – Síndrome Nefrótica Infantil

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A doença de lesão mínima, também conhecida como nefropatia por lesão mínima, doença glomerular por lesões mínimas ou síndrome nefrótica por lesões mínimas, é uma doença dos rins, muito comum nas crianças, que se caracteriza pela perda exagerada de proteínas pela urina.

Entre os sinais e sintomas da doença de lesão mínima, o principal é a retenção de líquidos, que costuma provocar inchaços por todo o corpo, incluindo a face, barriga e os membros inferiores.

A doença por lesão mínima costuma responder bem ao tratamento, principalmente nas crianças. Porém, cerca de 10% dos casos são resistentes aos fármacos e podem evoluir com lesão permanente dos rins.

Neste artigo vamos explicar o que a doença de lesão mínima, quais são as suas causas, sintomas, formas de diagnóstico e os tratamentos disponíveis.

O que é a doença de lesão mínima

A nefropatia por lesão mínima é uma glomerulopatia, ou seja, uma doença dos glomérulos renais. O glomérulo é uma estrutura microscópica, cuja principal função é a filtração do sangue. Cada um dos nossos rins possui cerca de 1 milhão de glomérulos.

Quando os glomérulos estão saudáveis, eles exercem adequadamente a sua função de filtro do organismo: o sangue chega aos rins, e os glomérulos distinguem o que é e o que não é importante para o nosso corpo. O que é desnecessário é eliminado na urina, o que é necessário permanece no sangue. As proteínas, principalmente a albumina, são substâncias importantes para o nosso organismo, e, por isso, em condições normais, não devem ser eliminadas na urina como se fossem alguma substância tóxica ou dispensável.

Um paciente com rins saudáveis perde quantidades mínimas de proteínas na urina, menos de 150 mg por dia. A presença de proteínas na urina em quantidade maior que 150 mg/dia é chamada de proteinúria, sendo este um sinal típico de lesão dos glomérulos. Quanto mais grave for a lesão glomerular, maior será a proteinúria. Os pacientes com nefropatia por lesão mínima costumam perder na urina mais de 3500 mg (3.5 gramas) de proteínas por dia, podendo chegar, em alguns casos, a mais de 10000 mg (10 gramas) por dia.

A nefropatia por lesão mínima é uma doença na qual há lesão das paredes dos capilares glomerulares, que é efetivamente o local do glomérulo onde ocorre a filtração do sangue. A lesão dos capilares glomerulares faz com que substâncias que deveriam permanecer no sangue acabem “escapulindo” para a urina, como se fosse um filtro cheio de buracos.

Como os pacientes com nefropatia por lesão mínima apresentavam relevante proteinúria, era óbvio que eles tinham uma lesão dos glomérulos, mas os patologistas não eram capazes de identificá-la nas amostras de biópsia renal vistas através do microscópio ótico. Por isso, a doença recebeu o nome de nefropatia por lesões mínimas. Somente com o advento da microscopia eletrônica, que é capaz de magnificar uma imagem em mais de 10.000 vezes, contra cerca de 400 vezes do microscópio ótico, é que foi possível identificarmos a lesão dos capilares glomerulares. O nome antigo, porém, permaneceu.

Para saber mais sobre outras doenças glomerulares, leia: O QUE É UMA GLOMERULONEFRITE ? Doença Glomerular.

Causas da doença de lesão mínima

O paciente pode adquirir a doença de lesão mínima ao longo da vida (doença adquirida) ou pode já nascer com ela (doença congênita).

A forma congênita de lesão mínima é a mais grave, pois além de se manifestar já nos primeiros meses de vida, ela não responde aos medicamentos habitualmente utilizados para o tratamento. O paciente nasce com um defeito nos capilares glomerulares e não há nada que possa ser feito, além do transplante renal.

A forma adquirida da doença de lesão mínima é mais comum e costuma acometer crianças entre 1 e 12 anos de idade. A maioria dos casos ocorre antes dos 6 anos. Ao contrário da forma congênita, a nefropatia por lesão mínima adquirida costuma responder bem ao tratamento.

A glomerulopatia por lesão mínima adquirida é uma doença de origem imunológica, cuja a causa ainda é obscura. A doença parece ter origem na produção pelos linfócitos T (uma das células de defesa do nosso sistema imunológico) de substâncias nocivas aos capilares glomerulares. A nefropatia por lesão mínima é, portanto, uma doença que surge devido a um mal funcionamento do sistema imunológico do próprio paciente (leia também: DOENÇA AUTOIMUNE ? Causas e Sintomas).

Nas crianças, a nefropatia por lesão mínima costuma ser uma doença idiopática e primária do rim, ou seja, ela só acomete o rim e não há uma causa conhecida para o seu surgimento. Já nos adultos, a doença por lesão mínima pode ter origem em outras doenças, como por exemplo linfomas, leucemia, alergia, infecções, uso abusivo de anti-inflamatórios, etc.

Sintomas da doença de lesão mínima

Proteinúria

A principal característica da doença glomerular por lesões mínimas é a proteinúria, que, como já foi explicado, é o termo utilizado para designar a perda excessiva de proteínas na urina.

Um dos principais sinais da presença de proteínas na urina é uma exagerada formação de espuma, tipo colarinho de cerveja, quando o paciente urina. Quanto mais intensa for a proteinúria, mais espumosa será a urina.

É importante destacar que toda urina provoca algum grau de espuma no vaso sanitário. Porém, a espuma que a proteinúria provoca é acentuada, nitidamente mais intensa que a espuma que a sua urina habitualmente produz.

A proteinúria não é uma complicação exclusiva da doença de lesões mínimas. Ela costuma estar presente em várias outras doenças que acometem os rins, inclusive o diabetes mellitus. Muitas vezes, a urina espumosa é o sintoma mais precoce de uma doença renal e pode preceder em meses ou anos o aparecimento de outros sintomas. Portanto, se de uma hora para outra você notar que a sua urina passou a espumar de forma exagerada, o ideal é fazer um exame de urina para descartar a possibilidade de existir proteinúria.

Explicamos melhor a proteinúria e a urina espumosa nesse artigo: URINA ESPUMOSA E PROTEINÚRIA.

Síndrome nefrótica

A urina espumosa não é o único sinal da perda de proteínas na urina. Como já referido, o normal é perder menos de 150 mg por dia de proteínas na urina. Perdas a partir de 500 mg por dia já podem causar aumento perceptível da espuma na urina. Os pacientes com doença de lesões mínimas têm, habitualmente, proteinúrias de mais de 3500 mg por dia.

Todo paciente com proteinúria acima de 3500 mg por dia (50 mg/kg nas crianças) está sob risco de desenvolver o que chamamos de síndrome nefrótica, que é um conjunto de sinais e sintomas que ocorrem quando a perda de proteínas na urina é muito grande.

A perda maciça de proteínas na urina provoca uma redução da concentração de proteínas no sangue, que por sua vez, leva à retenção de líquidos e ao extravasamento de água de dentro dos vasos sanguíneos para os tecidos, principalmente para pele, provocando quadros de edemas (inchaços).

O paciente com síndrome nefrótica apresenta-se tipicamente com edemas na face, principalmente ao redor dos olhos, e nos membros inferiores. Também é comum o acúmulo de líquido na região do abdômen. Nos homens, a bolsa escrotal costuma ficar inchada. Nos casos mais graves, o extravasamento de líquido acomete os pulmões e provoca quadros de cansaço e falta de ar.

A retenção de líquidos causa ganho de peso, e não é incomum que o paciente chegue a ficar 5 a 10 kg mais pesado (não é ganho de gordura, mas sim retenção e líquido).

Várias doenças podem provocar síndrome nefrótica, mas a nefropatia por lesão mínima é disparada a principal causa nas crianças, sendo responsável por até 90% dos casos nessa faixa etária. Nos adultos, ela é menos comum e representa somente cerca de 10 a 15% dos casos de síndrome nefrótica.

Para saber mais sobre a síndrome nefrótica e suas causas, leia: SÍNDROME NEFRÓTICA ? Causas, Sintomas e Tratamento.

Diagnóstico da doença de lesão mínima

O primeiro passo para o diagnóstico da síndrome nefrótica e da doença de lesão mínima é identificar e quantificar as proteínas na urina. Análises como o exame simples de urina e a urina de 24 horas costumam ser usados para esse objetivo.

Cerca de 20 a 30% dos pacientes com doença de lesão mínima também apresentam hematúria microscópica, que é a presença de sangue na urina só detectável através das análises laboratoriais (leia: CAUSAS DE SANGUE NA URINA ? HEMATÚRIA).

Análises de sangue também ajudam. Os principais achados no exame de sangue são valores baixos de albumina e a elevação do colesterol (leia: COLESTEROL HDL, COLESTEROL LDL E TRIGLICERÍDEOS).

A maioria dos pacientes não apresenta alteração da função renal, mas 1 em cada 5 podem apresentar insuficiência renal aguda, caracterizada pelo aumento do valor da creatinina sanguínea (leia: EXAME DA CREATININA E UREIA).

Se o paciente tiver edema generalizado e proteinúria relevante nas análises de urina, o diagnóstico da síndrome nefrótica já pode ser estabelecido. O próximo passo é estabelecer a sua causa.

O exame utilizado para o diagnóstico definitivo é a biópsia renal (leia: BIÓPSIA RENAL – Indicações, precauções e riscos.). Porém, como nas crianças 90% dos casos de síndrome nefrótica são causados pela doença de lesão mínima, e a biópsia é um procedimento invasivo que acarreta alguns riscos, a maioria dos médicos opta pelo início do tratamento sem um diagnóstico confirmado. Nas crianças com menos de 12 anos, a biópsia fica reservado para os casos que não respondem ao tratamento ou quando o médico tem algum motivo para suspeitar que a síndrome nefrótica da criança tenha outra causa que não a nefropatia de lesão mínima.

Nos adultos a situação é diferente. Como existem dezenas de causas diferentes de síndrome nefrótica e nenhuma delas é notadamente mais comum que as outras nessa faixa etária, é impossível definir um diagnóstico e estabelecer uma estratégia terapêutica sem o resultado da biópsia. Portanto, para um diagnóstico definitivo da causa da síndrome nefrótica nos adultos, a biópsia renal costuma ser a melhor opção.

Tratamento da doença de lesão mínima

O tratamento inicial da doença por lesão mínima é feito com glicocorticoides, tipicamente prednisona ou prednisolona. As doses e o tempo de tratamento mais utilizados são os seguintes:

  • Crianças – 2 mg/kg por via oral (até um máximo de 60 mg) em dias alternados por 6 semanas. Após essas 6 semanas a dose é reduzida para 1,5 mg/kg (dose máxima de 40 mg) por mais 6 semanas. Após essas 12 semanas, a dose deve ser reduzida progressivamente ao longo dos próximos 2 ou 3 meses até a sua suspensão completa*.
  • Adultos – 1 mg/kg por dia por via oral (dose máxima 80 mg) por 12 a 16 semanas. Após esse período, redução progressiva da dose ao longo de 6 meses até a sua suspensão completa*.

* Esse processo de redução progressiva da dose dos corticoides chama-se desmame e deve ser sempre respeitado, pois a suspensão abrupta dos corticoides após tratamentos prolongados pode causar graves efeitos adversos.

Mais de 90% dos pacientes apresentam remissão da proteinúria, e a grande maioria o faz dentro das 4 primeiras semanas de tratamento. Porém, cerca de metade dos pacientes pode apresentar uma recaída da doença após o fim do tratamento, com a suspensão completa dos corticoides. Neste casos, um novo curso de corticoides está indicado.

Como os corticoides são responsáveis por uma grande quantidade de efeitos colaterais, principalmente quando usados de forma prolongada (leia: PREDNISONA E OUTROS CORTICOIDES ? Efeitos Colaterais e Indicações), o ideal é mudar o tratamento nos pacientes com múltiplas recaídas (o que corresponde a cerca de 20% dos casos), de forma a minimizar os efeitos tóxicos dos corticoides a longo prazo. Nos adultos, o fármaco de escolha para as recaídas frequentes é a ciclofosfamida, enquanto na crianças é o micofenolato mofetil.

Como explicado anteriormente, os casos de síndrome nefrótica congênita não respondem ao tratamento com medicamentos.

Nos adultos com doença de lesão mínima secundária a alguma doença, o tratamento da sua síndrome nefrótica passa pelo tratamento doença inicial. Por exemplo, se o paciente desenvolveu doença de lesão mínima por causa de um quadro de linfoma, o tratamento não é direcionado para a nefropatia de lesão mínima, mas sim contra o linfoma. A cura do linfoma leva à cura da doença de lesão mínima. Se o quadro tiver sido provocado por uso abusivo de anti-inflamatórios, o tratamento é simplesmente a suspensão dos anti-inflamatórios.

O pacientes que não conseguem obter controle da sua síndrome nefrótica ao longo dos anos encontra-se em elevado risco de desenvolver insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA).

MACRODANTINA | NITROFURANTOÍNA – Bula Simplificada

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A nitrofurantoína, também conhecida pelos nomes comerciais Macrodantina (Brasil) e Furadantina (Portugal), é um antibiótico antigo, presente no mercado desde a década de 1950, mas que ainda é muito útil no tratamento e na prevenção da infecção urinária, principalmente da cistite, que é a infecção da bexiga.

A nitrofurantoína é um antibiótico muito usado no tratamento da cistite nas mulheres grávidas, principalmente no 2º e 3º trimestres, pois muitos dos outros antibióticos habitualmente utilizados no tratamento da infecção urinária são contraindicados na gravidez.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a nitrofurantoína:

  • Para que serve.
  • Nomes comerciais.
  • Como tomar.
  • Efeitos colaterais.
  • Contraindicações.
  • Interações medicamentosas.

Atenção: este texto não pretende ser uma típica bula da Macrodantina. Nosso objetivo é ter uma linguagem menos técnica que a de uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações sobre este medicamento.

Para que serve a Nitrofurantoína – Macrodantina

A nitrofurantoína é um antibiótico indicado exclusivamente para o tratamento e para a prevenção da infecção urinária. Atualmente, não indicamos o uso da Macrodantina para o tratamento de nenhum outro tipo de infecção.

Apesar da Macrodantina só ser útil contra infecção urinária, ela não deve ser utilizada de forma indiscriminada neste tipo de infecção; há situações específicas nas quais a nitrofurantoína está indicado, que são as seguintes:

  • Tratamento da cistite quando a bactéria isolada na urocultura é sabidamente sensível à nitrofurantoína (leia: EXAME UROCULTURA ? Quando fazer e como colher).
  • Tratamento da cistite nas grávidas (evitar no primeiro trimestre e após 37 semanas) – Leia: INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ.
  • Tratamento das bacteriúrias assintomáticas nas grávidas (evitar no primeiro trimestre e após 37 semanas).
  • Prevenção da cistite nas mulheres que apresentam infecção urinária recorrente.

A nitrofurantoína não costuma ser a primeira escolha de antibióticos nas seguintes situações de infecção urinária:

  • Tratamento da pielonefrite (infecção dos rins).
  • Tratamento inicial da cistite, antes do resultado da urocultura.

A nitrofurantoína não consegue atingir concentrações elevadas nos rins, não sendo, portanto, eficaz para matar as bactérias que estejam causando uma infecção renal (pielonefrite). Já na bexiga, a a macrodantina consegue atingir boas concentrações, motivo pelo qual ela é eficaz para o tratamento das cistites. Todavia, como em algumas regiões a taxa de resistência das bactérias à nitrofurantoína é alta, ela não costuma ser indicada como primeira opção, a não ser que o médico tenha em mãos o resultado de um antibiograma indicando que a bactéria é sensível à macrodantina.

Nomes comerciais da nitrofurantoína

A nitrofurantoína é um antibiótico já presente no mercado há muitos anos. Você pode adquiri-la sob a forma genérica ou pelos vários nomes comerciais disponíveis, incluindo:

– Furadantina MC (Portugal).
– Hantina.
– Macrodantina.
– Nitrofen.
– Trofurim.

Em Portugal, a caixa de furadantina com 50 cápsulas de 100 mg custa cerca de 2,90 Euros. No Brasil, a caixa com 28 cápsulas de 100 mg custa ao redor de 4 Reais. Já a Macrodantina, que é uma das marcas comerciais da nitrofurantoína, costuma custar cerca de 9 Reais a caixa com 28 cápsulas de 100 mg.

Como tomar a nitrofurantoína

1- Dose da nitrofurantoína indicada para tratar infecção da bexiga – cistite:

  • Adultos ou crianças com mais de 12 anos: uma cápsula de 100 mg de 12/12 horas* (ou 50 mg de 6/6h) por 5 a 7 dias.
  • Crianças de 1 mês a 12 anos: 5 a 7 mg por quilo de peso por dia, divididos em 4 tomadas diárias. Dose máxima por cada tomada = 100 mg.

* Algumas fontes sugerem 100 mg de 6/6 horas. Estudos mostram, porém, que a dose de 100 mg a cada 12 horas é tão eficaz quanto.

2- Dose da nitrofurantoína indicada para a prevenção da cistite:

  • Profilaxia contínua – 1 cápsula diária de 100 mg por um período de 6 a 12 meses.
  • Profilaxia pós-coito – 1 cápsula de 100 mg após cada relação sexual.

Para saber mais sobre o tratamento e a prevenção da cistite, leia os seguintes artigos:

? PREVENÇÃO DA INFECÇÃO URINÁRIA.
? TRATAMENTO PARA INFECÇÃO URINÁRIA.

Efeitos colaterais da nitrofurantoína

A Macrodantina é um antibiótico com baixa taxa de efeitos colaterais. Entre os afeitos adversos mais comuns podemos citar náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, flatulência e perda do apetite. Esses efeitos ocorrem em cerca de 1 a 8% dos casos.

Em alguns pacientes, a urina pode ficar mais escura, com uma cor acastanhada (leia: COR DA URINA (URINA VERDE, ROXA, LARANJA, AZUL)).

Alguns efeitos colaterais mais graves podem ocorrer, tais como anemia, icterícia, queda de cabelo e reações alérgicas. Eles, porém, são raros e ficam restritos a menos de 0,1% dos casos.

Entre os efeitos adversos raros e graves da nitrofurantoína, um se destaca: a lesão pulmonar, um quadro que se caracteriza por febre, tosse, falta de ar, dor torácica e cansaço, sendo muito semelhante aos sintomas de uma pneumonia (leia: SINTOMAS DA PNEUMONIA ? ADULTOS, CRIANÇAS E IDOSOS).

Precauções com o uso da nitrofurantoína

A Macrodantina deve ser evitada nas seguintes situações:

  • Insuficiência renal com taxa de filtração glomerular menor que 40 ml/min.
  • Gravidez no primeiro trimestre (não é contraindicado, mas há outras opções mais seguras, tais como fosfomicina, amoxicilina e cefalexina).
  • Gravidez após 37 semanas (há um maior risco de icterícia neonatal).
  • Durante o aleitamento materno.
  • História de alergia à nitrofurantoína.
  • Bebês com menos de 1 mês de idade.
  • Pacientes com doença do fígado.

Interações medicamentosas da nitrofurantoína

A nitrofurantoína não costuma provocar interações medicamentosas com frequência. Entre os fármacos que devem ser evitados durante os tratamento com a Macrodantina estão:

  • Vacina para febre tifoide.
  • Norfloxacino.
  • Picossulfato de sódio.
  • Trissilicato de magnésio.
  • Probenecid.
  • Espironolactona.

A nitrofurantoína, assim como a grande maioria dos antibióticos, não interfere na eficácia da pílula anticoncepcional (leia: Antibióticos Cortam o Efeito dos Anticoncepcionais?).

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