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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

DIFERENÇAS ENTRE BRONQUITE E ASMA

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Bronquite e asma  são doenças distintas, que costumam ser confundidas pela população leiga. É muito comum ver pessoas chamando asma de bronquite, como se ambos os termos fossem sinônimos.  Do mesmo modo, termos como bronquite asmática e bronquite alérgica também são frequentemente empregados para descrever quadros clínicos que são, na verdade, asma.

Asma brônquica, bronquite aguda e bronquite crônica são três doenças diferentes, que apresentam causas, fisiopatologias e tratamentos distintos, mas que podem provocar sinais e sintomas muito parecidos.

Neste artigo nos vamos nos ater apenas às diferenças e semelhanças da bronquite e da asma. Se você está interessado em saber mais detalhes sobre essas doenças, acesse os links abaixo:

– CAUSAS E SINTOMAS DA ASMA.
– DPOC | Bronquite crônica e enfisema pulmonar.

O que é asma?

A asma é uma doença inflamatória das pequenas vias aéreas dos pulmões (bronquíolos), de causa ainda desconhecida, mas com importante componente genético. O pulmão do paciente asmático é altamente sensível e desenvolve ataques de broncoespasmo sempre que exposto a determinados estímulos ambientais, como pólen, fumaça, poeira, ácaros, ar frio, etc.

Durante a crise de asma, há uma reação inflamatória das vias aéreas pulmonares, provocada pelos mesmos mediadores químicos que surgem nos processos alérgicos. Com a inflamação, os bronquíolos ficam inchados e se contraem, dificultando a passagem de ar durante a respiração. O broncoespasmo da asma é temporário, podendo ser revertido com medicamentos ou espontaneamente com passar do tempo.

Os principais sintomas das asma são falta de ar, tosse e chiado no peito (sibilos).

O que é bronquite aguda?

A bronquite aguda é processo inflamatório transitório dos brônquios, vias aéreas mais largas, provocado, habitualmente, por uma infecção de origem viral, como a gripe.

O principal sintoma da bronquite aguda é uma tosse persistente, seca ou com expectoração, que pode durar até 20 dias. Febre não é comum e serve para distinguir o quadro de outras infecções do pulmão, como a pneumonia.

Alguns pacientes podem ter sibilos pelo broncoespasmo, menos intensos que na asma, mas facilmente perceptíveis através da auscultação dos pulmões com o estetoscópio.

O quadro de bronquite aguda é autolimitado e melhora espontaneamente após algumas semanas

O que é bronquite crônica?

A bronquite crônica é um quadro inflamatório persistente das vias aéreas, provocado por exposição prolongada a substâncias nocivas, como o cigarro. A fumaça do cigarro irrita e causa destruição e posterior cicatrização da parede das vias áreas e do tecido pulmonar ao seu redor, levando a uma redução permanente do calibre dos bronquíolos.

A bronquite crônica, junto com o enfisema pulmonar, faz parte de um grupo chamado DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica), uma doença progressiva e com mau prognóstico, principalmente naqueles que continuam fumando.

Os principais sintomas da bronquite crônica são uma tosse com exuberante expectoração, falta de ar, broncoespasmo (sibilos) e cansaço para executar atividades.

Diferenças entre bronquite aguda e asma

A bronquite aguda é geralmente um quadro isolado na vida do paciente, sendo a tosse o seu sintoma mais característico. Já a asma é quadro crônico, com períodos de melhora intercalados com períodos de crise, no qual a dificuldade para respirar e o chiado no peito são sintomas importantes. Um sinal característico da asma é o sibilo durante a expiração, pois o o ar tem mais dificuldade para sair dos pulmões do que para entrar.

A crise de asma pode ser, assim como a bronquite aguda, desencadeada por uma infecção respiratória viral, mas a bronquite não surge espontaneamente, após contato com estímulos simples como poeira ou pólen.

Diferenças entre bronquite crônica e asma

Os sintomas da bronquite crônica e da asma podem ser muito parecidos. Muitas vezes, o que diferencia são fatores epidemiológicos, uma vez que a asma é mais comum em crianças e a bronquite crônica costuma surgir em adultos mais velhos, fumantes há vários anos.

A asma é um doença não progressiva e que pode desaparecer sozinha após alguns anos. Exceto pelos casos mais graves, o paciente asmático apresenta-se bem fora dos períodos de exacerbação. A bronquite crônica, por outro lado, é uma doença progressiva, na qual o paciente vai ficando cada vez pior com o passar dos anos, chegando ao ponto de ter dificuldade respiratória permanente e necessidade de receber oxigênio suplementar, mesmo em repouso.

Na asma, a doença fica restrita às vias aéreas e raramente causa lesão permanente nestas estruturas.  Já na bronquite crônica, ocorre destruição e formação de cicatriz  não só nas nas vias aéreas, mas também no tecido pulmonar.

A tosse da asma costuma ser seca ou com pouca expectoração. A tosse da bronquite é tipicamente com catarro persistente.

A redução do calibre das vias aéreas da asma apresenta grande reversão após a administração de broncodilatadores, as famosas bombinhas dos asmáticos. Já na bronquite crônica, o uso de broncodilatadores tem ação apenas parcial, pois os brônquios e bronquíolos já destruídos não apresentam  resposta ao medicamento.

Quando o paciente apresenta asma de início na vida adulta, a distinção entre as duas doenças pode ser mais difícil, principalmente porque muitos pacientes com bronquite crônica também podem apresentar asma.

Por que é importante saber diferenciar bronquite de asma?

A distinção entre bronquite e asma é importante, não só pelo fato de impedir que o paciente seja rotulado com uma doença que não tem, mas principalmente porque o tratamento e o prognóstico a longo prazo dessas doenças é diferente. A asma, na maioria dos casos, é uma doença bem mais benigna que a bronquite crônica.

DIFERENÇAS ENTRE PNEUMONIA E TUBERCULOSE

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Tuberculose e pneumonia são duas formas distintas de infecção do pulmão que compartilham alguns sinais e sintomas em comum, motivo pelo qual podem levar a diagnósticos equivocados.

Na maioria dos casos, não é difícil fazer a distinção entre a pneumonia e a tuberculose pulmonar. Entretanto, em pacientes idosos, diabéticos, portadores de insuficiência renal crônica, hepatopatas ou portadores do vírus HIV, o quadro clínico e radiológico, tanto da pneumonia quanto da tuberculose, pode ser atípico, dificultando o estabelecimento de um diagnóstico correto.

A situação mais comum na qual a distinção correta entre pneumonia e tuberculose se torna necessária é quando o paciente apresenta um quadro sugestivo de pneumonia, com febre e tosse, mas não responde de forma adequada aos antibióticos habitualmente usados para tratar uma pneumonia. A tuberculose pulmonar é, portanto, um dos principais diagnósticos diferenciais de uma pneumonia de difícil resolução.

Neste artigo vamos resumir as principais diferenças clínicas e radiológicas da tuberculose na sua forma pulmonar e da pneumonia. Para saber mais sobre a tuberculose e a pneumonia, acesse os links abaixo:

– PNEUMONIA | Sintomas e tratamento.
– TUBERCULOSE | Sintomas e tratamento.
– 10 SINTOMAS DA TUBERCULOSE.

Principais diferenças entre tuberculose e pneumonia

Agentes etiológicos

Enquanto a pneumonia pode ser provocada por diversas bactérias diferentes, além de fungos ou vírus, a tuberculose possui um único agente etiológico, que é o Mycobacterium tuberculosis, uma bactéria conhecida também como bacilo de Koch.

A pneumonia bacteriana é habitualmente provocada por uma bactéria chamada Streptococcus pneumoniae, mas infecções por Haemophilus influenzae, Mycoplasma pneumoniae, Chlamydophila pneumoniae, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e várias outras bactérias também são muito comuns.

Transmissão

Enquanto a tuberculose é uma doença contagiosa, que pode ser transmitida através do contato próximo e requer isolamento do paciente por alguns dias, a pneumonia não passa de uma pessoa para outra, não havendo necessidade de afastar o paciente infectado dos seus amigos e familiares.

A tuberculose é uma infecção transmitida pelo ar, principalmente através de gotículas expelidas durante a tosse ou enquanto o paciente fala. Um contato próximo é necessário para que haja a transmissão do bacilo. Familiares e pessoas que trabalham no mesmo ambiente são os contactantes com maior risco de contágio.

A pneumonia, por outro lado, é provocada pela aspiração de bactérias habitualmente presentes na orofaringe. Em situações normais, o sistema imunológico das vias aéreas consegue neutralizar essas bactérias que vêm da boca, mantendo os pulmões livres de germes. Porém, por fatores diversos, tais como redução da imunidade, tabagismo, estresse, falta de sono adequado, presença de outras doenças, contato com bactérias mais virulentas que o habitual, etc., as defesas das vias aéreas podem falhar e as bactérias invasoras pode levar ao desenvolvimento de uma infecção no pulmão.

Tempo de doença

Uma diferença essencial entre pneumonia e tuberculose é o tempo de evolução de ambas. A pneumonia é uma infecção aguda, de rápida progressão. Em algumas horas, o quadro clínico do paciente se agrava e o mesmo sente a necessidade de procurar atendimento médico. Em geral, o intervalo entre o surgimento dos primeiros sintomas e a procura de atendimento médico é de 48 a 72 horas.

Às vezes, a pneumonia é precedida de um quadro gripal. O paciente apresenta uma gripe comum e alguns dias depois nota um súbito agravamento do quadro, com piora do estado geral, da falta de ar e da tosse com expetoração.

Na tuberculose a evolução é diferente. Os sintomas vão surgindo de forma lenta e gradual. O paciente nota emagrecimento e queda progressiva do estado geral. A febre geralmente começa baixa e vai se elevando. O mesmo ocorre com a tosse, que se agrava com o tempo. Semanas podem passar até que o paciente resolva procurar auxílio médico.

Sinais e sintomas

Os sintomas mais comuns da pneumonia são a febre, que é tipicamente alta, acima de 38,5ºC, e a tosse com expectoração amarela ou esverdeada. Também são comuns a dor torácica, principalmente à respiração profunda, o cansaço e a falta de ar. O paciente habitualmente encontra-se com estado geral deteriorado, com taquicardia (frequência cardíaca aumentada) e taquipneia (respiração rápida).

Nos idosos, porém, o quadro pode ser atípico, mais arrastado e sem os sintomas habituais. Mesmo a febre e a tosse podem não ser evidentes.

A tuberculose, por sua vez,  costuma apresentar uma febre moderada, entre 37,5ºC e 38,5ºC, de predomínio vespertino (mais alta no fim da tarde). Sudorese e calafrios noturnos também são comuns. O paciente costuma apresentar cansaço progressivo, perda de apetite e emagrecimento.

Tosse com expectoração é comum e, após alguns dias de doença, o escarro pode se tornar sanguinolento.

Achados radiológicos

Leia também:

Na pneumonia, a radiografia de tórax costuma evidenciar infiltrados ou condensações.  A imagem típica é uma mancha branca homogênea ou heterogênea na base do pulmão afetado ou no terço médio.  Derrame pleural no mesmo lado é um achado também comum.

A tuberculose costuma provocar uma cavitação no ápice do pulmão, que proporciona uma imagem arrendondada, com ar no interior. Derrame pleural também é possível de ser encontrado.

Obviamente, a imagem radiológica nem sempre é tão clara como nos exemplos abaixo.

Resposta ao tratamento

A pneumonia, quando tratada com os antibióticos apropriados, costuma apresentar sinais de melhora já nas primeiras 48 horas. Em alguns pacientes, em 24 horas já é possível notar melhora clínica. O tratamento costuma durar apenas 8 dias e o paciente em 3 ou 4 dias já encontra-se completamente livre dos sintomas.

Já a tuberculose é uma infecção que demora mais a responder. A sensação de melhora demora alguns dias para surgir e a febre pode desaparecer somente após 15 dias. A recuperação é mais lenta e o tempo de tratamento é bem maior, durando, no mínimo, 6 meses.

PNEUMONIA É CONTAGIOSA?

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Vamos começar respondendo logo a pergunta do título: pneumonia é contagiosa?

Na verdade, não existe uma resposta simples. Em geral, não, a pneumonia não é uma doença contagiosa. Porém, existem exceções. Há alguns tipos especiais de pneumonia que podem ser transmitidas de uma pessoa para outra, como as pneumonias de origem viral e algumas formas de pneumonia bacteriana.

É importante destacar, porém, que a maioria das pessoas que entra em contato com algum paciente que esteja doente com uma forma contagiosa de pneumonia não desenvolve pneumonia.

Neste artigo vamos explicar como se “pega pneumonia” e quais são os tipos de pneumonias contagiosas. Se você quiser saber mais sobre a pneumonia, incluindo os seus sintomas, diagnóstico e tratamento, acesse o seguinte link: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento.

Como se pega pneumonia?

Pneumonia é o nome dado à infecção do tecido pulmonar, principalmente dos alvéolos, que são as microscópicas bolsas de ar responsáveis pela passagem do oxigênio dos pulmões para o sangue. Cada pulmão possui milhões de alvéolos, que são estruturas completamente estéreis, ou seja, livres da presença de qualquer microrganismo causador de doenças.

Para que alguém desenvolva pneumonia é preciso que um fungo, vírus ou bactéria chegue até os alvéolos. Em geral, isso é muito difícil, pois o trato respiratório possui um complexo sistema de defesa, que incluem desde cílios que “varrem” constantemente as vias respiratórias até milhões de anticorpos e células do sistema imunológico espalhadas por toda a sua superfície. O próprio espirro e o reflexo da tosse são mecanismos de defesa, ativados para expulsar qualquer estrutura das porções mais internas do sistema respiratório.

Os indivíduos que contraem uma pneumonia são geralmente expostos a dois fatores: um germe altamente virulento e uma falha no sistema de defesa das vias respiratórias.

A pneumonia pode ser transmitida pelo ar após o contato com secreções de pessoas contaminadas. Esta via de transmissão, porém, é uma das menos comuns e só ocorre em alguns tipos de pneumonia, como veremos mais à frente. Na maioria dos casos, o germe que provoca a infecção pulmonar vem da cavidade nasal ou da orofaringe do próprio paciente. São as bactérias que habitualmente colonizam as vias aéreas superiores as responsáveis pela maioria dos casos de pneumonia. Enquanto o sistema imunológico do paciente encontra-se forte, essas bactérias são impedidas de migrarem para o pulmão. Porém, ao primeiro sinal de fraqueza, elas podem conseguir ultrapassar a barreira de defesa e se instalar no tecido pulmonar.

Existem mais de 100 germes, entre vírus, bactérias, parasitos e fungos, que podem provocar pneumonia. Contudo, a imensa maioria dos casos é provocada por apenas 4 ou 5 germes, que habitualmente colonizam nossas vias respiratórias superiores.

Pessoas idosas, crianças muito pequenas, fumantes, indivíduos desnutridos, portadores de doenças crônicas, portadores de doenças pulmonares ou pacientes imunossuprimidos são o grupo com maior risco de desenvolverem pneumonia, pois costumam apresentar um sistema imunológico mais fraco e/ou um pulmão cronicamente doente. Viroses respiratórias, como aquelas causadas pelo vírus da gripe ou do resfriado, também aumentam o risco de pneumonia (leia: DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO).

Fator gripe na transmissão da pneumonia

A gripe e outras viroses respiratórias aumentam o risco de pneumonia de duas formas: a primeira é através da inflamação das vias aéreas, que atrapalha o funcionamento das células de defesa e favorece a invasão do pulmão por bactérias da orofaringe. Uma das complicações mais comuns da gripe é exatamente a pneumonia bacteriana, que surge geralmente dias após o início dos sintomas da gripe. Nestes casos, o que costuma ocorrer é um paciente que, passados alguns dias de virose, começa a apresentar sinais de melhora da gripe, mas subitamente volta a piorar, com subida febre, agravamento da tosse e queda do estado geral. A segunda forma na qual a gripe aumenta o risco de pneumonia é através de uma infecção pulmonar pelo próprio vírus Influenza. Na maioria dos casos, o Influenza se restringe às vias áreas superiores, mas em determinados indivíduos, o próprio vírus da gripe pode ser a origem da pneumonia.

Portanto, a gripe é um fator de risco tanto para pneumonia bacteriana quanto para pneumonia viral.

Para saber mais sobre a gripe, acesse os seguintes artigos:
– GRIPE | Sintomas, Tratamentos e Vacina
– GRIPE H1N1 – Gripe Suína

Pneumonia contagiosa x pneumonia não contagiosa

Como já referido, existem pneumonias contagiosas e pneumonias não contagiosas. As pneumonias provocadas por fungos ou parasitos não são transmitidas diretamente de uma pessoa para outra. Já as pneumonias virais são habitualmente contagiosas. As pneumonias de origem bacteriana não são contagiosas na maioria dos casos, mas existem algumas exceções.

Pneumonia viral

As 4 formas de pneumonia viral mais comuns são provocadas pelos vírus Influenza, Parainfluenza, Adenovírus e Vírus sincicial respiratório. O primeiro é o agente infeccioso da gripe, enquanto os 3 restantes são vírus que provocam resfriado. Em pacientes susceptíveis, essas viroses podem ir além de uma virose respiratória simples, provocando uma pneumonia viral. Esta situação é muito comum em idosos, crianças pequenas e pessoas imunossuprimidas.

Consideramos as pneumonias virais como de origem contagiosa, mas, na verdade, quem é contagioso é a virose. Se você tiver contato com um paciente portador de pneumonia por Influenza, por exemplo, o seu grande risco é de ficar gripado. Se você tiver um sistema imunológico fraco, pode também desenvolver pneumonia viral, mas isso será uma complicação da virose que você adquiriu.

Pneumonia bacteriana

A maioria dos casos de pneumonia bacteriana não é contagiosa. Os principais agentes bacterianos que provocam pneumonia são: Streptococcus pneumoniae, Haemophilus influenzae, Klebsiella pneumoniae, Pseudomonas aeruginosa e Staphylococcus aureus. Nenhuma dessas bactérias é habitualmente transmitida de uma pessoa para outra, são bactérias já presentes no nosso organismo.

Em algumas situações, porém, germes como o Streptococcus pneumoniae podem ser contagiosos. Apesar de não ser a forma mais comum de contaminação, crianças pequenas e pacientes imunossuprimidos podem adquirir pneumonia após o contato direto com pessoas infectadas. É importante salientar que o Streptococcus pneumoniae é muito menos contagioso que qualquer um dos vírus respiratórias descritos anteriormente, sendo necessário contato próximo e prolongado para haver transmissão.

Existe também um grupo de bactérias que são responsáveis por um tipo de pneumonia conhecida como pneumonia atípica. Essa forma de pneumonia é chamada de atípica porque as manifestações clínicas são habitualmente diferentes. O quadro clínico costuma ser mais brando e arrastado que o da pneumonia tradicional. Mycoplasma pneumoniae e Chlamydophila pneumoniae são duas bactérias desse grupo, que podem ser transmitidas diretamente de uma pessoa para outra através de secreções respiratórias, da mesma forma que viroses comuns são transmitidas.

Apesar do Mycoplasma pneumoniae ser uma bactéria bastante contagiosa, a maioria das pessoas que a adquire não desenvolve doença ou apresentam apenas sintomas respiratórios brandos. A pneumonia só costuma ocorrer em pacientes clinicamente mais vulneráveis e com fatores de risco para pneumonia.

A tuberculose não é considerada exatamente uma pneumonia, mas é uma forma de infecção pulmonar altamente contagiosa (leia: DIFERENÇAS ENTRE PNEUMONIA E TUBERCULOSE).

Isolamento do paciente com pneumonia

A grande parte dos pacientes internados com pneumonia não precisa ficar em isolamento respiratório, pois o risco de transmissão para a equipe médica ou para outros pacientes é muito baixo. Medidas simples de higiene, como lavar as mãos e evitar o contato direto de um paciente com o outro são suficientes. Apenas nos casos de pneumonia por Mycoplasma pneumoniae é que sugere-se que o paciente fique em quarto separado e a equipe médica deve vestir máscaras respiratórias.

Pacientes com pneumonia por gripe, principalmente quando a infecção ocorre durante quadros de epidemias de novas cepas, como ocorreu recentemente com a Influenza H1N1, também costumam ficar em isolamento. Máscaras devem ser utilizadas pela equipe de saúde e pelos familiares que vêm para visita.

No caso da tuberculose, a transmissão de uma pessoa para outra é bem mais comum, e o isolamento respiratório deve ser ainda mais rigoroso. O paciente precisa ficar isolado em um quarto especial, com pressão atmosférica negativa e renovação do ar. A equipe médica só pode entrar no quarto vestindo máscaras com filtros.

Este post também está disponível em: Espanhol

LEGIONELOSE – Doença do Legionário

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A legionelose, também conhecida como doença do(s) legionário(s), é uma infecção potencialmente grave, provocada por uma bactéria chamada Legionella pneumophila. A legionelose é uma infecção não contagiosa, que costuma ser adquirida através da inalação de partículas água contaminadas com a bactéria Legionella e pode provocar uma pneumonia atípica.

Neste artigo vamos explicar o que é a doença dos legionários, como é a sua transmissão, quais são os seus sintomas e quais são as opções de tratamento.

Vamos abordar apenas a legionelose, uma forma grave de pneumonia atípica. Se você procura informações sobre a forma clássica de pneumonia comunitária, causadas por outras bactérias que não a Legionella pneumophila, acesse o seguinte texto: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento

O que é doença do legionário?

A legionelose é uma infecção que só foi reconhecida em 1976, após um surto de pneumonia entre os participantes de uma convenção dos legionários americanos, um grupo formado por veteranos de guerra dos EUA. A convenção foi realizada em um hotel na Filadélfia, cujo sistema de ar condicionado central estava contaminado pela bactéria Legionella pneumophila. Apenas uma semana após a convenção, 130 participantes do evento já tinham sido hospitalizados e 25 tinham falecidos com um estranho quadro de dor torácica, falta de ar, tosse e febre.

A origem da doença só foi reconhecida meses depois, após intensa investigação por parte do departamento de saúde americano. Tanto a doença, quanto o seu agente causador, desconhecidos da ciência até aquele momento, foram batizados em homenagem aos legionários que adoeceram.

A descoberta da Legionella pneumophila e da sua forma de propagação provocou uma radical mudança nos padrões de higiene e segurança dos sistemas de ar-condicionado e de água em geral. Contudo, apesar dos cuidados, dezenas de novos surtos de legionelose continuaram a ocorrer em todo o mundo desde a identificação da doença. Há casos, inclusive, de transmissão dentro de hospitais.  Os surtos mais recentes ocorreram em Portugal, Alemanha, Austrália e EUA. O surto mais extenso registrado até o momento ocorreu na Espanha, em 2001, com cerca de 450 casos confirmados.

Desde a sua identificação, o conhecimento acerca da doença dos legionários aumentou consideravelmente. Sabemos hoje que a legionelose se transmite pelo ar, através de gotículas contaminadas de água, e que pode causar grave pneumonia, principalmente em pessoas mais debilitadas, como idosos, imunossuprimidos ou pacientes com doença pulmonar prévia. A bactéria Legionella pneumophila também pode provocar um quadro mais brando, chamado de doença de Pontiac, que se assemelha muito à gripe comum (leia: GRIPE | Sintomas, Tratamentos e Vacina).

Algumas fontes bibliográfica chamam de legionelose qualquer infecção pela Legionella, incluindo as formas brandas. Neste artigo vamos nos referir à forma grave da doença apenas como legionelose ou doença do legionário. A forma branda será sempre chamada de doença de Pontiac. Farei essa distinção para não haver confusão, já que a doença de Pontiac é uma forma benigna, que não cursa com pneumonia nem risco de morte.

Formas de transmissão da doença do legionário

Como já observado no primeiro parágrafo deste artigo, a legionelose não é uma doença contagiosa. Não existe transmissão de uma pessoa para outra, por isso, pacientes internados com legionelose não precisam ficar em isolamento. Se você tem um parente ou amigo diagnosticado com a doença dos legionários, a sua preocupação não deve ser com o contato recente que vocês tiveram, mas sim com o tipo de ambiente em que ambos estiveram presentes recentemente.

A transmissão também não parece ocorrer através da ingestão da água. Não se pega legionelose bebendo água, mas sim aspirando partículas de água contaminadas presentes no ar. Vamos explicar com mais detalhes.

A Legionella pneumophila é uma bactéria que vive em ambientes aquáticos, incluindo lagos e córregos. Porém, nas fontes naturais de águas, a quantidade de Legionella existente é muito pequena, sendo baixo o risco de contaminação. A bactéria parece gostar mesmo é de reservatórios artificiais de água. Locais onde a água fica estocada, com temperaturas amenas (25 a 42ºC), como encanamentos e reservatórios, são ideais para a multiplicação da Legionella. A presença de outros microrganismos aquáticos, tais como algas, amebas, protozoários ciliados e outras bactérias também ajudam a promover o crescimento da Legionella.

Uma enormidade de sistemas de água já foram identificados como potenciais fontes de legionelose. Entre os mais comuns estão sistemas de aquecimento ou arrefecimento de água, ares-condicionados centrais, banheiras de hidromassagem, chuveiros, equipamentos de água sob alta pressão, umidificadores, chafarizes, fontes artificiais, nebulizadores, saunas a vapor, etc. Qualquer ambiente onde haja vaporização ou emissão de partículas de água pode ser uma fonte de contágio, caso, logicamente, a água esteja contaminada com a bactéria.

Só para ilustrar, existem casos descritos de doença do legionário que foram adquiridas por causa de chafariz em lobby de hotel luxuoso, banheiras de hidromassagem em spas e até piscinas de clubes. Alguns casos de legionelose adquiridos em hospitais ocorreram porque o encanamento de água estava colonizado com a bactéria. Há também um caso descrito na Itália de legionelose contraída em um consultório odontológico, através de água contaminada nos instrumentos de alta pressão que o dentista usava para lavar a boca dos pacientes durante os seus procedimentos.

O uso de canos de cobre e a presença de cloro na água reduzem muito o risco de colonização pela Legionella pneumophila. Os sistemas água de grandes estabelecimentos, incluindo edifícios residenciais ou comerciais, shoppings, hospitais, clubes, hotéis, etc., devem passar por controles sistemáticos de qualidade da água dos seus reservatórios e encanamentos. Os surtos costumam ocorrer quando há negligência no controle da qualidade da água em ambientes comunitários. Se o encanamento ou o reservatório de água do seu prédio estiver contaminado, você pode contrair legionelose ao tomar uma simples ducha.

Apesar do quadro assustador que as explicações acima podem estar pintando, o fato é que a legionelose é uma doença relativamente pouco frequente, principalmente se levarmos em conta que bilhões de pessoas no mundo inteiro são expostas diariamente a aerossóis de água. Um estudo recente constatou que na Europa, a taxa de legionelose é de aproximadamente 10 casos por ano para cada 1 milhão de pessoas. No Brasil não existem dados epidemiológicos claros, mas se extrapolarmos a taxa existente na Europa, chegamos a uma estimativa de 2000 casos por ano.

Também é importante destacar que nem todo mundo que é exposto à bactéria Legionella pneumophila acaba desenvolvendo a forma mais grave de doença. A taxa de infecção é de apenas 5%. Portanto, 95% das pessoas expostas à bactéria não desenvolvem a doença do legionário. Dentro desse grupo de 95%, uma boa parte apresenta doença de Pontiac, que acaba passando despercebida, como se fosse uma gripe comum

A legionelose é incomum em pessoas jovens e sadias. Os principais fatores de risco para a doença dos legionários é o tabagismo e a doença pulmonar obstrutiva crônica – DPOC (leia: DPOC | Enfisema pulmonar e bronquite crônica). Idade acima de 55 anos, consumo excessivo de álcool, diabetes mellitus ou imunossupressão (HIV, quimioterapia, uso de corticoides…) também são fatores que facilitam o surgimento da doença.

Sintomas da doença do legionário

A pneumonia é a manifestação mais típica da doença dos legionários. O período de incubação é, em média, de 2 a 10 dias.

Nos primeiros dias de doença, o quadro costuma ser brando, com tosse seca, mal estar, dor muscular e dor de cabeça, semelhante à qualquer virose respiratória comum. A partir do segundo dia, o quadro começa a se agravar. A tosse torna-se mais intensa e a expectoração pode vir acompanhada de sangue (leia. TOSSE E ESCARRO COM SANGUE | Principais causas). O quadro evolui com febre alta, geralmente acima de 39ºC, dor torácica, falta de ar e prostração. Sintomas gastrointestinais também podem estar presentes, incluindo diarreia, vômitos e dor abdominal.

Laboratorialmente, o paciente pode ter aumento do número de leucócitos no sangue, alterações da função renal (leia: EXAME DA CREATININA E UREIA), alterações das provas função hepática (leia: O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?) e hiponatremia (níveis baixos de sódio no sangue). Sangue na urina também é comum, mas ele costuma ser microscópico, só detectável através do exame de urina (leia: EXAME DE URINA | Leucócitos, nitritos, hemoglobina?).

Os pacientes com legionelose frequentemente precisam ser internados e a taxa de mortalidade varia entre 5 a 30%.

Doença de Pontiac

A doença de Pontiac, como já explicado, é uma infecção bem mais benigna. A bactéria causadora é a mesma, mas o quadro clínico é completamente diferente.

Ao contrário da doença dos legionários, a doença de Pontiac tem um período de incubação bem mais curto, entre 1 a 3 dias. O quadro clínico é de febre, mal estar e dor de cabeça. Tosse com expectoração não costuma ocorrer e os pacientes não desenvolvem pneumonia. Raramente há necessidade de hospitalização e a infecção se cura espontaneamente em 100% dos casos.

Diagnóstico da legionelose

O diagnóstico rápido da doença do legionário é essencial, uma vez que o início precoce do tratamento adequado está claramente associado a uma melhor evolução do quadro.

O nível de suspeição deve ser alto, uma vez que a Legionella pneumophila não costuma ser identificada nos exames habitualmente feitos para diagnosticar pneumonias comuns.

Para o diagnóstico da doença do legionário, dois exames costumam ser solicitados:
– Pesquisa de antígenos solúveis na urina.
– Cultura das secreções respiratórias.

Ambos os exames citados acima não fazem parte da investigação inicial de quadros de pneumonia comum. Portanto, se o médico não pensar em legionelose, ele não fará o diagnóstico precocemente, pois não irá solicitar os exames necessários para tal.

Tratamento da doença do legionário

O tratamento da pneumonia por legionella deve ser feito com antibióticos. Conforme já referido, quanto mais cedo o antibiótico foi iniciado, maior é a chance de sucesso do tratamento. Em casos mais leves, o paciente pode ser tratado com antibióticos por via oral em casa. Nos casos mais graves, internação hospitalar faz-se necessária e o tratamento com antibióticos é feito por via intravenosa.

Os dois antibióticos mais usados para o tratamento da doença do Legionário são o levofloxacino ou a azitromicina (leia: AZITROMICINA | Indicações e efeitos colaterais). Em ambos os casos, o tratamento é feito por 7 a 10 dias. Nos pacientes imunossuprimidos, ou naqueles com quadro muito grave, podem ser necessários 21 dias de antibioticoterapia.

Os pacientes com doença de Pontiac, ou seja, sem pneumonia pela Legionella, não precisam de hospitalização nem de antibióticos. A infecção se comporta como uma virose comum e cura-se espontaneamente após poucos dias, sem deixar qualquer tipo de sequela.

Até o momento não existe vacina contra a Legionella.

APNEIA DO SONO – Causas, Sintomas e Tratamento

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A apneia do sono, também conhecida como síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), é um distúrbio provocado por frequentes obstruções parciais ou completas das vias respiratórias durante o sono, o que leva a episódios repetidos de cessação da respiração enquanto o paciente dorme.

Qualquer pessoa pode desenvolver apneia obstrutiva do sono, embora ela seja muito mais comum em indivíduos com mais de 60 anos, obesos ou fumantes.

Se você ronca muito, acorda subitamente durante a noite com sensação de estar engasgado e sente-se muito sonolento durante o dia, existe uma grande chance de você estar sendo acometido pela síndrome da apneia obstrutiva do sono.

Neste artigo vamos explicar a apneia obstrutiva do sono, dando ênfase às causas, fatores de risco, diagnóstico, sintomas e opções de tratamento.

Se você procura informações sobre o ronco simples, aquele que ocorre sem que exista a síndrome da apneia obstrutiva do sono, acesse o seguinte artigo: COMO PARAR DE RONCAR.

O que é a apneia obstrutiva do sono

A apneia obstrutiva do sono é um distúrbio caracterizado por interrupções curtas e repetidas da respiração durante o sono. Ela ocorre quando os músculos das vias respiratória alta relaxam enquanto dormimos, fazendo com que os tecido moles na parte de trás da garganta colapsem, bloqueando a passagem do ar em direção aos pulmões (veja a ilustração abaixo).

O relaxamento e o consequente colapso dos músculos da faringe podem provocar reduções parciais ou totais da respiração, eventos que recebem, respectivamente, os nomes de hipopneia e apneia. Os episódios de obstrução respiratória costumam durar entre 10 e 30 segundos, mas alguns podem persistir por mais de um minuto, provocando importantes reduções na saturação de oxigênio no sangue.

A queda abrupta na taxa de oxigenação do sangue alerta o cérebro, que responde provocando uma súbita interrupção do sono para que o indivíduo possa voltar a respirar. Esse padrão de obstrução das vias aéreas seguida de interrupção do sono pode ocorrer centenas de vezes em uma noite.

O paciente pode acordar subitamente, com sensação de estar sufocado ou engasgado, contudo, em casos menos severos, a superficialização do sono pode ser tão efêmera, que o indivíduo volta a dormir imediatamente e depois não se recorda de ter acordado.

O resultado da apneia do sono é um padrão sono fragmentado, não restaurador, que muitas vezes resulta em um excessivo nível de sonolência durante o dia. E o mais curioso é que muitos dos pacientes nem sequer desconfiam que a causa do seu sono excessivo seja o fato de dormirem mal, já que eles não se lembram de acordar várias vezes durante a noite.

Causas da síndrome da apneia obstrutiva do sono

A síndrome apneia obstrutiva do sono é um distúrbio extremamente comum. Estima-se que cerca de 20 a 30% da população adulta masculina e 10 a 15% da população adulta feminina sofram desse mal. Apenas uma minoria desses indivíduos, porém, tem o diagnóstico corretamente estabelecido por um médico.

O relaxamento da musculatura respiratória é comum durante o sono, e na maioria das pessoas ele não é intenso o suficiente para causar obstrução ao fluxo aéreo. Para que a síndrome da apneia obstrutiva do sono ocorra, alguns outros fatores precisam estar presentes. A obesidade, a idade avançada, o tabagismo, a história familiar e alterações da anatomia das vias respiratória costumam ser os fatores de risco mais importantes. Mas eles não são os únicos.

A seguir, vamos descrever os fatores de risco mais comuns para a SAOS.

  • Idade ? a apneia do sono é rara em crianças e vai ficando cada vez mais comum conforme envelhecemos. A partir dos 50 anos, ela se torna bastante prevalente.
  • Obesidade ? provavelmente o fator de risco mais importante é excesso de peso. Apenas 10% dos homens com IMC normal têm SAOS, enquanto entre os homens com IMC maior que 30 kg/m² essa taxa é superior a 60% (leia: IMC | Como calcular o índice de massa corporal).
  • Gênero ? a SAOS é 2 a 3 vezes mais comum em homens. Porém, a partir da menopausa, essa diferença reduz-se bastante.
  • Anormalidades anatômicas ? alterações nos ossos do crânio, principalmente uma mandíbula ou maxilar curtos, hipertrofia das amígdalas, hipertrofia das adenoides, desvio de septo, pólipos nasais ou ter um pescoço pequeno e largo são fatores que favorecem o aparecimento da apneia obstrutiva do sono.
  • Congestão nasal ? indivíduos que apresentam o rinite frequente também estão sob maior risco .
  • Cigarro ? a SAOS é 3 vezes mais comum em fumantes do que em não-fumantes (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).
  • Álcool ? O consumo de álcool aumenta o relaxamento da musculatura da faringe durante o sono, favorecendo o aparecimento da obstrução das vias aéreas.
  • Dormir de barriga para cima ? a posição que mais favorece a obstrução das vias áreas é a chamada posição supina, que é a posição de barriga para cima. Desta forma, além do colapso da musculatura da faringe, há também grande risco de queda da língua em direção à garganta.

Sintomas da apneia obstrutiva do sono

A sonolência diurna é um dos sintomas mais comuns da SAOS, sendo frequentemente o motivo pelo qual o paciente procura ajuda médica. É importante saber distinguir a sonolência da fadiga (cansaço). A primeira é uma incapacidade de permanecer completamente desperto ou alerta durante o dia, enquanto a fadiga é uma queixa subjetiva de falta de energia física ou mental.

Inicialmente, a sonolência diurna pode passar despercebida ou ser subestimada, pois o quadro costuma evoluir muito lentamente ao longo de meses ou anos. O paciente pode não descrever o sintoma como sonolência, utilizando outros termos, tais como fadiga, cansaço, desânimo ou falta de energia. Contudo, se o paciente for questionado de forma cuidadosa, geralmente revela-se um padrão de sonolência excessiva, com adormecimento frequente durante situações passivas ou monótonas, como leituras, aulas, missas, assistir televisão, ir ao cinema ou até mesmo durante a condução de um carro. O consumo desmedido de café durante o dia também pode ser um sinal de sonolência diurna excessiva.

Alguns pacientes queixam-se mais de insônia do que da sonolência diurna. Geralmente isso ocorre nos indivíduos com episódios repetidos de apneia durante o sono, o que impossibilita a entrada do paciente no estágio de sono profundo. Este tipo de queixa é mais comum nas mulheres.

O ronco durante o sono é a outra característica típica da apneia obstrutiva do sono. Cabe aqui um esclarecimento, nem todo paciente que ronca tem SAOS, porém mais de 90% dos pacientes com SAOS roncam. Portanto, dito de outra forma, a existência de ronco não é suficiente para fechar o diagnóstico da apneia do sono, mas a sua ausência torna a SAOS uma hipótese pouco provável.

A síndrome da apneia obstrutiva do sono não deve ser a primeira hipótese diagnóstica em indivíduos magros com ronco leve, mas é um cenário bastante provável no caso de pessoas obesas que roncam alto.

A presença do parceiro(a) ou de algum familiar que durma na mesma casa costuma ser importante durante a consulta médica, pois eles habitualmente têm um conhecimento sobre o padrão do sono melhor que o próprio paciente. Eventos associados ao sono, tais como roncos, períodos de interrupção da respiração, agitação noturna, engasgos ou episódios súbitos de despertar sobressaltado são mais facilmente constatados por quem está ao lado.

Além de sonolência diurna e dos roncos, há outros sinais e sintomas frequentemente associados à síndrome da apneia obstrutiva do sono. São eles:

  • Despertar subitamente com uma sensação de asfixia, engasgo ou sufocamento.
  • Despertar frequentemente com a boca seca ou com dor na garganta.
  • Períodos de interrupção da respiração durante o sono, que duram pelo menos 10 segundos.
  • Mau humor ou irritabilidade frequentes.
  • Falta de concentração.
  • Lapsos de memória.
  • Dor de cabeça matinal.
  • Diminuição da libido ou impotência (leia: IMPOTÊNCIA SEXUAL | Causas e tratamento).
  • Despertar com dor no peito (leia: DOR NO PEITO | Sinais de gravidade).
  • Pesadelos frequentes.
  • Necessidade frequente de urinar durante a madrugada.
  • Sintomas da fibromialgia (leia: FIBROMIALGIA | Causas, sintomas e tratamento).

Complicações da apneia obstrutiva do sono

Pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam um maior risco de acidentes ou de desenvolvimento de doenças clínicas.

Acidentes – Acidentes de trânsito são duas a três vezes mais comuns entre pacientes com SAOS do que na população em geral. Indivíduos com apneia do sono não devem conduzir veículos, operar máquinas pesadas nem receber responsabilidades que exijam atenta vigilância.

Doenças cardiovasculares – Pacientes com SAOS, particularmente nos casos moderados a grave, estão sob risco aumentado de desenvolverem uma ampla gama de complicações cardiovasculares, incluindo hipertensão arterial, hipertensão pulmonar, doença coronariana, arritmias cardíacas, insuficiência cardíaca e AVC.

Diabetes e síndrome metabólica – Pacientes com apneia obstrutiva do sono apresentam uma maior prevalência de pré-diabetes, diabetes e síndrome metabólica. Embora estas doenças estejam nitidamente relacionadas à obesidade, a existência da SAOS é um fator de risco adicional.

Depressão – Vários estudos têm mostrado que os pacientes com SAOS apresentam uma incidência aproximadamente duas vezes maior de depressão do que o resto da população (leia O QUE É DEPRESSÃO?)

Complicações operatórias – Pacientes com apneia obstrutiva do sono, que precisam ser operados por qualquer motivo, estão sob maior risco de complicações cirúrgicas, tais como insuficiência respiratória aguda, eventos cardíacos no pós-operatório ou necessidade de condução do pós-operatório em unidades de terapia intensiva.

Mortalidade – Pacientes com SAOS grave e não tratada têm duas a três vezes maior risco de mortalidade, por qualquer causa, quando em comparação com indivíduos sem esse distúrbio.

Diagnóstico da apneia obstrutiva do sono

Pacientes com história clínica que levante a suspeita de apneia do sono devem ser avaliados com um exame de polissonografia, que costuma ser realizado em centros especializados em tratamento dos distúrbios do sono.

A polissonografia é um exame não invasivo, no qual o paciente dorme enquanto a equipe médica faz um registro completo da atividade do organismo, incluindo a atividade elétrica cerebral, ritmo respiratório e cardíaco, tônus muscular, movimentos oculares e taxa de oxigenação do sangue.

Nos adultos, o diagnóstico da SAOS costuma ser confirmado se pelo menos uma das duas situações a seguir existir durante a polissonagrafia:

1- Cinco ou mais eventos respiratórios obstrutivos, tipo apneias, hipopneias ou despertar súbito com falta de ar, a cada hora de sono, associados a pelo menos um sintoma típico de SAOS descrito no tópico anterior.

2- Quinze ou mais eventos respiratórios obstrutivos por hora de sono, independentemente da presença de outros sintomas de SAOS.

Gravidade da apneia do sono

Os pacientes que satisfazem os critérios para o diagnóstico de SAOS são tradicionalmente classificados como portadores de doença leve, moderada ou grave, com base nos seus sintomas e nos resultados da polissonografia.

Apneia obstrutiva do sono leve – Pacientes com 5 a 15 eventos respiratórios por hora de sono. Esses pacientes costumam ter poucos sintomas e a sonolência diurna é branda, não sendo capaz de afetar a qualidade de vida. Complicações cardiovasculares não costumam ocorrer.

Apneia obstrutiva do sono moderada – Pacientes 15 a 30 eventos respiratórios por hora de sono. Esses pacientes costumam notar relevante sonolência diurna, que é capaz de interferir nas atividades diárias. Neste grupo, já há um aumento da incidência de acidentes automobilísticos, e complicações, como a hipertensão arterial, já podem existir.

Apneia obstrutiva do sono grave – Pacientes com mais de 30 eventos respiratórios por hora de sono ou que apresentam à polissonografia quedas importantes na taxa de saturação de oxigênio no sangue (oximetria abaixo de 90%) em pelo menos 1/5 do tempo do exame. Esses pacientes têm grande sonolência diurna e tendem a cair no sono muitas vezes durante o dia, mesmo sentados. Pacientes com SAOS grave têm um risco aumentado de mortalidade por complicações cardiovasculares ou acidentes.

Tratamento da Apneia obstrutiva do sono

O tratamento da SAOS visa acabar ou amenizar os episódios de apneia ou hipopneia e melhorar a saturação de sanguínea de oxigênio no sangue durante o sono. Nos casos leves, medidas simples podem ser efetivas. Na formas mais graves, aparelhos respiratórios podem ser necessários.

1- Mudanças de estilo de vida

A atitude mais importante é emagrecer, caso o paciente tenha uma IMC acima de 25 kg/m². A prática de exercício físico regularmente também ajuda. Diminuir o consumo de bebidas alcoólicas e suspender o cigarro são essenciais.

Evitar dormir de barriga para cima pode ajudar a reduzir o número de eventos respiratórios  durante o sono.

Medicamentos para dormir, como os ansiolíticos, não devem ser usados sem orientação médica, pois estes podem aumentar o risco de apneia do sono.

2- CPAP

O CPAP é uma sigla em inglês que significa Continuous Positive Airway Pressure (pressão positiva contínua nas vias aéreas). É um método bastante eficaz para as formas moderadas e graves da apneia do sono.

O CPAP é um tratamento que consiste no uso de uma máquina ventilatória que fornece ar sob pressão através de uma máscara que deve ser acoplada ao paciente antes de dormir. O CPAP reduz o número de eventos respiratórios à noite, reduz a sonolência diurna e melhora a qualidade de vida do paciente.

Embora o CPAP seja o método mais bem sucedido e mais comumente utilizado para o tratamento de apneia obstrutiva do sono, algumas pessoas acham que a máscara é desconfortável ou máquina barulhenta. As máquinas mais recentes, no entanto, são menores e produzem bem menos ruídos que máquinas mais antiga.

3- Aparelhos orais

Para os pacientes com SAOS leve ou moderada que não toleram ou não querem tratamento com CPAP, um aparelho oral que acerta o posicionamento da mandíbula e da língua é uma alternativa possível. A pressão positiva de vias aéreas é geralmente mais eficaz, mas a maioria dos pacientes acabam se adaptando melhor aparelho oral. Como a adesão ao tratamento é um aspecto essencial de sucesso, o uso de aparelhos orais acaba sendo uma alternativa aceitável.

Nos casos de SAOS grave, porém, somente o CPAP é uma opção eficaz.

4- Cirurgia

Se nenhum dos tratamentos funcionar, a cirurgia para correção de alterações anatômicas pode ser a solução. A cirurgia, porém, fica reservada para casos específicos e só é indicada após cuidadosa avaliação médica.

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COMO PARAR DE RONCAR

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O ato de roncar, também chamado de ressonar, é extremamente comum e acomete cerca de 40% da população de forma recorrente. O ronco surge toda vez que a respiração durante o sono encontra-se parcialmente obstruída, fazendo com que a passagem do ar pelas vias aéreas provoque vibrações nos tecidos à volta.

O ronco, portanto, pode surgir de forma pontual em qualquer pessoa que tenha algum grau de obstrução temporária das vias áreas, como, por exemplo, durante um quadro de virose respiratória ou rinite alérgica. Quando o ressonar é intenso, frequente e está associado a uma má qualidade do sono, ele pode ser um sinal de outras doenças, como a síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS).

Neste artigo faremos uma revisão sobre o ronco, destacando a suas causas e as características que podem sugerir a presença da síndrome da apneia obstrutiva do sono. Falaremos também sobre as opções de tratamento para fazer uma pessoa parar de roncar.

O que é o ronco

Como já referido na introdução do artigo, o ronco surge sempre que há algum grau de obstrução nas vias respiratórias, fazendo com que os tecidos ao seu redor vibrem devido ao aumento da resistência à passagem do ar. O palato mole, que é a parte do “céu da boca” mais macia e próxima da garganta, é geralmente a região que produz o típico som do ronco. Via de regra, o ressonar surge durante a inspiração, mas pode também ser provocado durante a expiração.

Durante o sono, a musculatura da língua e ao redor da orofaringe costuma estar mais relaxada e tende a “cair”, reduzindo o calibre das vias aéreas e dificultando a passagem do ar. Na maioria das pessoas, esse relaxamento não é suficiente para provocar obstruções relevantes, contudo, em pacientes já com algum grau de obstrução das vias aéreas superiores é o que basta para provocar o ronco.

Quando o aumento da resistência à passagem do ar é pequeno, o paciente apresenta um ronco leve, intermitente e a qualidade do sono não costuma ser afetada. O indivíduo dorme e sente-se restaurado ao acordar de manhã. Conforme a resistência à passagem do ar vai aumentando, a intensidade e a frequência do ronco também elevam-se, e a qualidade do sono pode ser afetada.

Para que a ventilação pulmonar mantenha-se adequada, o indivíduo com algum grau de obstrução das vias aéreas precisa aumentar o esforço respiratório de forma a vencer esta resistência. Esse aumento do esforço do diafragma e dos músculos respiratórios é feito de forma involuntária, já que o paciente está dormindo. Em alguns casos, porém, a obstrução torna-se tão significativa que o cérebro precisa acordar o indivíduo para que ele possa voltar a respirar adequadamente. Estes períodos de apneia (interrupção da respiração) são um sinal de gravidade e caracterizam a síndrome da apneia obstrutiva do sono.

Ronco e síndrome da apneia obstrutiva do sono

O ronco é um sintoma típico da síndrome da apneia obstrutiva do sono (SAOS), mas nem todo mundo que ronca tem necessariamente esta síndrome.

Além do ronco, a apneia obstrutiva do sono é caracterizada por períodos de interrupção da respiração, que podem durar de 10 segundos até mais de 1 minuto, e por intensa sonolência durante o dia, pois os frequentes episódios de obstrução das vias respiratórias impedem que o paciente tenha um sono restaurador durante a noite.

Mesmo que o paciente ronque de forma intensa e durante quase toda a noite, para que ele seja diagnosticado com SAOS, é preciso que ele apresente também períodos de apneia noturna e deve estar frequentemente cansado e sonolento durante o dia seguinte, o que é um sinal de má qualidade do sono na noite anterior.

A apneia obstrutiva do sono é, por conseguinte, apenas uma das possíveis causas de ronco durante o sono. Por ser uma das causas mais graves, ela deve ser sempre descartada, mas não é o diagnóstico principal na maioria dos casos, principalmente se a pessoa for magra e o ronco apenas leve e de curta duração durante a noite.

Se você quiser saber detalhes sobre a síndrome da apneia obstrutiva do sono, temos um artigo exclusivo sobre o tema, que pode ser acessado através do seguinte link: APNEIA OBSTRUTIVA DO SONO ? Causas, Sintomas e Tratamento.

Por que roncamos?

Muitos fatores, tais como alterações na anatomia das vias aéreas e dos seios nasais, o consumo de álcool ou tabaco, alergias, infecções respiratórias etc., podem levar uma pessoa a roncar. Entretanto, a idade e o sobrepeso parecem ser os fatores de risco mais comuns para o ronco. Homens também costumam roncar mais que as mulheres.

O ronco pode acometer crianças, adultos e idosos, mas ele é bem mais comum no último grupo. Conforme envelhecemos, os tecidos da garganta e da língua tendem a ficar mais frouxos, aumentando o grau de relaxamento dos mesmos durante o sono. Por isso, obstruções das vias aéreas enquanto dormimos são mais fáceis de ocorrer a partir dos 40 anos.

Além da idade, outro fator determinante é o sobrepeso. Estudos mostram que um aumento de apenas 10% no peso eleva em 6 vezes o risco do paciente desenvolver distúrbios respiratórios durante o sono. Ademais, cerca de dois terços das pacientes com síndrome da apneia obstrutiva do sono estão, pelo menos, 20% acima do seu peso corporal ideal.

O excesso de peso costuma estar relacionado a um acúmulo de gordura ao redor da garganta e a uma diminuição do tônus muscular nesta região. Ambos os casos favorecem a obstrução das vias aéreas durante o sono.

Outros fatores de risco para o surgimento do ronco são:

Diagnóstico do ronco

A pessoa que ronca não costuma ter conhecimento do seu ronco, a não ser que alguém que durma na mesma casa ou cama lhe conte. Por outro lado, as pessoas que dormem no mesmo domicílio não costumam ter dúvida nenhuma de que há um roncador entre elas, afinal, não é preciso muito brilhantismo para saber se alguém ronca.

A questão, portanto, não é saber se alguém ronca ou não, mas sim identificar quando o ronco é um sinal de problemas respiratórios mais graves, como a apneia obstrutiva do sono.

Se o indivíduo tem sobrepeso, ronca muito alto, apresenta episódios de interrupção da respiração ou engasgos durante o sono, e no dia seguinte encontra-se sempre cansado e sonolento, o diagnóstico da apneia obstrutiva do sono deve ser levado em consideração.  Nestes casos, os pacientes devem ser avaliados com um exame de polissonografia, que costuma ser realizado em centros especializados em tratamento dos distúrbios do sono.

É possível parar de roncar?

Sim, é possível parar de roncar. Mas para isso é preciso que as causas do ronco sejam bem definidas. Em alguns casos, a solução é simples: emagrecer, praticar exercícios aeróbicos, cortar o cigarro, moderar o consumo de bebidas alcoólicas e drogas com efeito sedativo, etc. Dê uma revisada nos fatores de risco listados anteriormente, que é possível encontrar vários fatores de risco reversíveis para o ronco.

A perda de peso para quem tem um IMC acima de 25 kg/m² é uma das atitudes mais importantes (leia: IMC | Como calcular o índice de massa corporal). Um estudo realizado na Universidade da Flórida com roncadores intensos mostrou que a perda de apenas 3 quilos foi capaz de reduzir o número de roncos por hora de 320 para 176. Nos pacientes que perderam  pelo menos 7 quilos, o números de roncos por hora caiu para apenas 14.

Em alguns casos, porém, a solução não é tão simples. Alguns pacientes com rinite ou sinusite crônica precisam de um acompanhamento com médico otorrinolaringologista. Se não houver sucesso na desobstrução das vias nasais, dificilmente o paciente deixa de roncar.

Situação semelhante apresentam aqueles que têm desvio de septo nasal. Nestes, a cirurgia para correção do defeito anatômico costuma ser a única opção com relevante efeito terapêutico.

O dentista também pode ajudar em algumas circunstâncias, indicando o uso de um aparelho intraoral, que ajuda a acertar a posição da língua e do palato mole durante o sono, reduzindo assim a ocorrência de obstruções.

Nos paciente com ronco intenso e intratável, o uso do CPAP (sigla em inglês para pressão positiva contínua nas vias aéreas) é uma opção que deve ser levada em conta. O CPAP é um tratamento que consiste no uso de uma máquina ventilatória, que fornece ar sob pressão através de uma máscara que deve ser acoplada ao paciente antes de dormir. O CPAP reduz o número de eventos respiratórios à noite, reduz a sonolência diurna e melhora a qualidade de vida do paciente. Este é o tratamento mais indicado para os pacientes com SAOS.

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SINTOMAS DA PNEUMONIA ? ADULTOS, CRIANÇAS E IDOSOS

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Pneumonia é o termo utilizado pra descrever a ocorrência de infecção em um ou ambos os pulmões. Existem mais de 100 tipos de micróbios que podem provocar um quadro de pneumonia, incluindo bactérias, vírus, fungos e parasitos. A maioria dos casos, porém, é causada por apenas 4 ou 5 tipos de bactérias ou vírus.

Não existe um quadro de sinais e sintomas único que se encaixe em todos os pacientes. Na verdade, os sintomas da pneumonia podem ser muito diferentes de um paciente para o outro, variando de acordo com a idade, com estado clínico prévio do indivíduo e com agente infeccioso. Mesmo aqueles sintomas mais típicos, tais como tosse e febre, podem ter apresentações bem distintas, consoante as características clínicas da pessoa doente. Por exemplo, há casos de pneumonia com febre alta, casos de pneumonia com febre baixa e casos de pneumonia sem febre; a tosse pode ter expectoração clara, esverdeada, amarelada ou sanguinolenta, mas ela também pode não ter secreção alguma ou simplesmente não estar presente.

Neste artigo vamos falar sobre os principais sinais e sintomas da pneumonia de acordo com a faixa etária do paciente. Serão abordados os seguintes tópicos:

  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nas crianças.
  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nos adultos.
  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nos idosos.

Nesta revisão nós iremos nos concentrar apenas nos sinais e sintomas da pneumonia. Se você deseja mais informações sobre a doença, tais como causas, formas de transmissão, métodos de diagnóstico e tratamento, acesse os seguinte artigos: PNEUMONIA | Causas, Sintomas e Tratamento e PNEUMONIA É CONTAGIOSA?

Se você gostaria de saber as diferenças entre a pneumonia e a tuberculose, acesse: DIFERENÇAS ENTRE PNEUMONIA E TUBERCULOSE.

SINTOMAS DA PNEUMONIA BACTERIANA NAS CRIANÇAS

Os sinais e sintomas da pneumonia bacteriana nas crianças variam de acordo com o agente infeccioso, a idade da criança, a gravidade da infecção e as características clínicas do paciente, isto é, se é uma criança saudável ou previamente com algum problema de saúde.

Em geral, a pneumonia é um quadro de instalação rápida, com surgimento de febre alta, prostração e tosse, que evolui em questão de poucas horas. Porém, nas chamadas pneumonias atípicas, o quadro pode ser mais insidioso, com instalação progressiva dos sintomas ao longo de vários dias.

Entre os sintomas mais comuns da pneumonia bacteriana nas crianças, podemos citar:

  • Febre.
  • Tosse.
  • Taquipneia (respiração acelerada).
  • Letargia.
  • Vômitos.
  • Sinais de esforço para respirar.
  • Respiração ruidosa.
  • Recusa alimentar.
  • Dor no peito.
  • Dor abdominal.

Apesar de não ser um sintoma obrigatório, a febre está presente em mais de 90% dos casos de pneumonia, principalmente nas crianças com mais de 1 ano. Em alguns casos, a febre pode ser o único sinal presente.

A tosse é outro sintoma comum, que pode ser encontrado em até 70% dos casos. Porém, uma tosse com expectoração amarelada ou esverdada, que é um sintoma típico de infecções pulmonares, pode não estar presente em mais da metade do casos. Pneumonia apresentando-se com tosse seca é bastante comum.

Não é comum, mas é perfeitamente possível uma criança ter pneumonia sem febre ou tosse, principalmente nos bebês. Em algumas crianças, a pneumonia pode se apresentar apenas com dificuldade respiratória e taquipneia. Outras podem apresentar apenas sonolência e pouca reatividade.

A taquipneia, aliás, é um dos principais sintomas a ser pesquisado quando queremos avaliar a possibilidade de uma pneumonia com sinais de gravidade. Toda a criança que apresenta uma frequência respiratória elevada, mesmo sem febre ou tosse, deve ser imediatamente levada para avaliação médica. Consideramos um sinal de gravidade quando a criança apresenta a seguinte frequência de incursões respiratórias (número de inspirações por minuto):

  • Crianças com menos de 2 meses ? mais de 60 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças entre 2 e 12 meses ? mais de 50 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças de 1 a 5 anos ? mais de 40 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças maiores que 5 anos ? mais de 20 incursões respiratórias por minuto.

É importante destacar que a taquipneia é mais útil para avaliar gravidade do que para fazer o diagnóstico de pneumonia, isso porque nos primeiros dias de infecção, a criança não costuma ter uma respiração muito acelerada.

Na verdade, o único sinal que parece ser universal em todas as crianças com pneumonia é aparência de estar doente. Isso significa que a criança fica menos ativa, come menos, fica com uma carinha de doente, mais irritada ou sonolenta? Ou seja, é um conjunto de fatores que fazem com que a mãe logo note que a criança não está no seu estado habitual.

SINTOMAS DE PNEUMONIA VIRAL NAS CRIANÇAS

A pneumonia viral normalmente surge como complicação de um quadro de virose respiratória comum. Gripe e resfriado podem, em alguns casos, evoluir para pneumonia. Nos adultos saudáveis isso é raro, porém, nas crianças com menos de 5 anos, a pneumonia de origem viral é a causa mais comum de pneumonia.

A pneumonia viral pode ter sintomas parecidos com os da pneumonia bacteriana, mas costuma ser menos grave, apesar de haver casos fatais. Em geral, o paciente além da febre e da tosse também apresenta sintomas de virose, como dor de garganta, coriza, dor de ouvido, espirros, dores pelo corpo e dor de cabeça. Bronquiolite é uma complicação comum.

A pneumonia viral costuma durar de 3 a 5 dias e, ao contrário da pneumonia bacteriana, resolve-se de forma espontânea na maioria dos casos.

SINTOMAS DE PNEUMONIA NOS ADULTOS

Nos adultos saudáveis com menos de 65 anos, o quadro de pneumonia costuma ter origem bacteriana e se instala rapidamente, com instauração dos sintomas nas primeiras 24 a 48 horas. É comum o quadro de pneumonia bacteriana ser antecedido em 2 ou 3 dias por uma virose respiratória.

Os sinais e sintomas mais comuns da pneumonia nos adultos são:

  • Febre ? pode ser alta ou baixa.
  • Tosse ? pode ser seca ou ter expectoração clara, amarelada, esverdeada ou sanguinolenta.
  • Calafrios.
  • Suores.
  • Dor torácica, que geralmente agrava-se com a respiração profunda (esse tipo de dor é conhecido como dor pleurítica).
  • Falta de ar.
  • Prostração.
  • Cansaço aos pequenos esforços.
  • Náuseas e vômitos.

Os quadros de pneumonia podem ser leves, permitindo tratamento com antibióticos por via oral em casa, ou graves, necessitando de internação hospitalar e antibioterapia por via venosa. Cerca de 20% dos pacientes com pneumonia acabam precisando de tratamento no hospital.

SINTOMAS DA PNEUMONIA VIRAL NOS ADULTOS

A pneumonia viral nos adultos costuma ser causada pelo vírus Influenza, o mesmo que causa a gripe. A pneumonia viral é mais comum em crianças e idosos, mas pode acometer também adultos, principalmente as mulheres grávidas, os indivíduos obesos ou pessoas previamente debilitadas por outras doenças.

O quadro clínico é o de uma gripe forte que em vez de melhorar após alguns dias, mantém agravamento progressivo dos sintomas, com febre alta, tosse persistente, prostração e falta de ar, que vai se tornando cada vez mais intensa.

SINTOMAS DA PNEUMONIA NOS IDOSOS

Os sintomas da pneumonia nos idosos dependem muito do estado de saúde do individuo. Em idosos saudáveis e com bom estado geral, os sintomas costumam ser muito parecidos como os da população adulta. Porém, quanto mais velho e maior o número de doenças associadas, mais atípica pode ser a apresentação clínica de uma pneumonia.

Ao contrário do que ocorre nos adultos mais jovens, a pneumonia nos idosos frequentemente não cursa com febre e os sintomas respiratórios podem ser brandos. A tosse, quando presente, é habitualmente seca. Se o paciente já tem alguma doença pulmonar prévia, a dica é um agravamento dos seus sintomas habituais.

O sintoma de pneumonia mais comum nos idosos é a alteração de comportamento. O paciente pode ficar desorientado em relação ao tempo e ao espaço, pode ter alucinações e desenvolver um discurso incoerente. Recusa alimentar e uma deterioração do estado geral, com intensa prostração também são bastante comuns.

A pneumonia nos idosos costuma ser mais grave, primeiro porque o paciente já habitualmente mais debilitado, e segundo porque o diagnóstico pode não ser feito rapidamente, principalmente naqueles cujos sintomas são típicos. A necessidade de internação hospitalar é comum nessa faixa etária, e a taxa de mortalidade é bem maior. Além disso, os idosos que precisam de internações prolongadas frequentemente não voltam a ter o mesmo nível de independência nas suas atividades cotidianas que tinham antes.

Assim como ocorre nas crianças, a pneumonia de origem viral é bastante comum nos idosos. O quadro costuma ser menos grave que na pneumonia de origem bacteriana, ainda assim, muitos idosos precisam de tratamento hospitalar, principalmente aqueles que já eram previamente mais debilitados. O tratamento com antivirais costuma ser indicado para reduzir o risco de complicações.

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VOCÊ SABIA QUE CIGARROS SÃO RADIOATIVOS?

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O cigarro comum é um produto composto inicialmente por cerca de 600 substâncias diferentes. Digo inicialmente, porque, ao ser aceso, o processo de combustão gera uma quantidade imensa de novas substâncias, fazendo com que um simples cigarro e sua fumaça contenham mais de 7000 substâncias químicas diferentes. Destas, 400 são sabidamente tóxicas e, pelo menos, 70 são reconhecidamente carcinogênicas, isto é, capazes de provocar câncer.

Dentre as centenas de substâncias nocivas do cigarro, podemos citar a acetona (usada como solvente de esmaltes, tintas e vernizes), amoníaco (utilizado em produtos de limpeza e fertilizantes), arsênio (presente em venenos de rato, inseticidas e herbicidas) e o monóxido de carbono (gás tóxico que sai dos escapamentos dos carros).

Apesar das informações acima já serem suficientes para afirmar que o cigarro é um produto extremamente tóxico e perigoso, por incrível que pareça, a realidade é ainda pior. Além de todas essas substâncias químicas tóxicas, o cigarro também contém substâncias altamente radioativas, como o polônio-210 e o chumbo-210.

Mas se você está surpreso por nunca ter ouvido falar que cigarros são produtos que emitem radiação ionizante, saiba que essa informação já é conhecida pela comunidade científica desde a década de 1960. Aliás, há pelo menos 50 anos que a indústria do tabaco tem conhecimento da presença de elementos radioativos em seus cigarro e nada faz para removê-los. Pelo contrário, toda as pesquisas sobre o assunto patrocinadas pela própria indústria foram escondidas do público nas últimas décadas.

Neste artigo vamos explicar em detalhes que tipo de radiação o cigarro produz, qual é a sua quantidade e quais são os seus riscos para os fumantes e para as pessoas à sua volta.

Se você quiser saber mais sobre os danos que o cigarro pode provocar à sua saúde, leia também: DOENÇAS DO CIGARRO ? Como Parar de Fumar.

Onde podemos encontrar radiações ionizantes e não-ionizantes

Antes de falarmos especificamente sobre a radiação dos cigarros, faz-se necessário esclarecer conceitos básicos sobre o termo radiação. Entender essa parte do texto é importante para que você, mais à frente, consiga ter a dimensão do quão grave é a radiação que um fumante é exposto ao longo de décadas de fumo.

A maioria das pessoas quando ouve falar de radiação pensa imediatamente em materiais radioativos produzidos por usinas nucleares ou bombas atômicas. Mas ser exposto à radiação é algo extremamente comum, muito mais do que você imagina. Radiação é qualquer propagação de energia de um ponto ao outro. Por exemplo, as ondas eletromagnéticas dos rádios, das emissoras de TV, dos telefones celulares, dos aparelhos de micro-ondas e a própria luz são formas de radiação. Essas radiações, porém, são inofensivas, pois fazem parte do grupo de radiações não-ionizantes.

Considera-se uma radiação ionizante aquela que tem energia suficiente para arrancar elétrons dos átomos, ou seja, que são capazes de ionizar átomos. No nosso organismo, a ionização de átomos pelas radiações ionizantes provoca lesões do DNA, dos cromossomos e das proteínas celulares. Quando a exposição é alta e aguda, ele costuma ser letal, como foram os casos do acidente radiológico em Goiânia com Césio-137 e do acidente nuclear de Chernobyl, ambos na década de 1980. Mas a exposição à radiação ionizante é perigosa mesmo em doses baixas, caso ela seja frequente, pois está associada a um maior risco de formação de cânceres.

O interessante nessa história é que a radiação ionizante não tem origem apenas em materiais radioativos produzidos pelo homem, há radiação ionizante de origem natural no ar que respiramos, na comida que comemos, nas paredes dos edifícios e no solo que pisamos. Há também radiação de origem cósmica, que atinge nosso planeta, mas que felizmente é filtrada em boa parte pela nossa atmosfera e pelo campo magnético terrestre.  A quantidade de radiação ionizante que recebemos em elevadas altitudes é maior do que a quantidade que recebemos quando estamos a nível do mar. Durante uma viagem de avião, por exemplo, recebemos mais radiação do que o habitual.

Logicamente, a quantidade total de radiação ionizante nessas fontes citadas acima é mínima, não sendo suficiente para causar danos à nossa saúde. Portanto, chamamos de radiação de fundo a quantidade de radiação ionizante que o nosso ambiente emite de forma natural, boa parte dela pela presença do elemento químico radônio no ar.

Veja na tabela abaixo a quantidade de radiação ionizante que algumas fontes naturais e artificias emitem. A unidade para medir a radiação utilizada abaixo é o milisievert (mSv):

  • Radiação ionizante natural de fundo que uma pessoa é exposta ao longo de 1 ano inteiro ao nível do mar ? 2 a 3 mSv (dependendo do local).
  • Radiação ionizante presente em uma banana (devido à radiação produzida pelo potássio) ? 0,0001 mSv.
  • Radiação ionizante presente em 100 gramas de castanha do Pará (alimento mais radioativo conhecido, rico em potássio e rádio) ? 0,01 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia de dente ? 0,005 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia do braço ? 0,01 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia de tórax ? 0,02 mSv.
  • Radiação ionizante emitida ao longo de um ano por uma casa construída por pedra, tijolo ou concreto ? 0,07 mSv.
  • Radiação ionizante que uma pessoa é exposta em uma viagem transatlântica de avião ? 0,08 mSv.
  • Dose anual média de radiação que um trabalhador de usina nuclear recebe ? 0,18 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única tomografia computadorizada de crânio ? 2 mSv.
  • Radiação ionizante que uma pessoa atualmente recebe se ficar durante 1 hora na usina nuclear de Chernobyl ? 6 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única tomografia computadorizada de abdômen ? 8 mSv.
  • Dose média de radiação ionizante recebida pela tripulação de voos transatlânticos ao longo de 1 ano ? 9 mSv.
  • Dose máxima anual de radiação ionizante permitida por lei para uma pessoa que trabalha com exposição à radiação ? 20 mSv.
  • Dose anual de radiação ionizante claramente associada ao surgimento de cânceres ? 100 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo capaz de provocar alterações imediatas nas células do sangue ? 100 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo capaz de provocar sintomas de intoxicação por radioatividade ? 400 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo que é potencialmente fatal ? 4000 mSv.
  • Dose média de radiação ionizante recebida pelos trabalhadores de Chernobyl que morreram no primeiro mês após o acidente ? 6000 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo que é fatal, mesmo com pronto atendimento médico ? 8000 mSv.

Quantidade de radiação recebida por um fumante

Agora que já temos uma noção básica dos perigos da radiação ionizante e das doses de radiação de várias fontes naturais e artificiais, podemos focar nosso artigo na radioatividade do cigarro.

Os cigarros são radioativos porque contêm polônio-210 e chumbo-210. Esses elementos penetram nas lavouras de tabaco por causa do tipo de fertilizante habitualmente utilizado para o seu cultivo. Uma vez que a folha de tabaco absorva elementos radioativos, não há como retirá-los.

Estudos científicos publicados nos últimos 50 anos mostram que uma pessoa que fuma diariamente um maço e meio de cigarros ao longo de um ano recebe cerca de 4,6 mSv de radiação causada pela presença de polônio-210 e chumbo-210 . Essa quantidade de radiação, que é cerca de 50 a 100% maior que a radiação natural de fundo, não parece, à primeira vista, algo muito grave. O problema, porém, é a forma como esses elementos radioativos se acumulam no pulmão. Nos fumantes, o alcatrão presente no cigarro tende a se depositar nas áreas de bifurcação dos brônquios, absorvendo consigo quantidades relevantes de polônio e chumbo radioativos.

Esse acúmulo de material radioativo nos brônquios expõe o pulmão do fumante a níveis elevados de radiação. Um pessoa que fuma cerca de 30 cigarros por dia (1 maço e meio) chega a receber ao longo do ano uma radiação de 80 a 160 mSv em determinados pontos do pulmão. Reparem na gravidade dessa dose de radiação. Se usarmos a estimativa mais baixa de radiação (80 mSv por ano), ainda assim o consumo diário de 1,5 maço de cigarros por ano equivale a:

  • Radiação cumulativa equivalente a 4000 radiografias de tórax.
  • 444 vezes mais radiação anual que um trabalhador de uma usina nuclear recebe.
  • 40 vezes mais que a radiação natural de fundo.
  • 4 vezes a dose anual máxima permitida para pessoas que trabalham com radiação.

Fumantes são radioativos?

Se nós dizemos que há acúmulo de material radioativo no pulmão de fumantes, é natural que você imediatamente questione se o seu amigo ou familiar fumante que está ao seu lado é uma potencial fonte de radiação. A resposta é sim e não.

A resposta é sim, se vocês morarem juntos e você for um fumante passivo. Cerca de 75% do polônio-210 presente na fumaça do cigarro não é absorvida pelo próprio fumante e acaba se espalhando pelo ar, podendo ser inalada por não-fumantes ao seu redor. A quantidade total de polônio-210 absorvida por fumantes passivos é desconhecida, mas ao longo de anos de exposição é provável que ela seja relevante.

Por outro lado, a resposta é não, caso o seu contato com o fumante se dê somente quando ele não está fumando. Apesar de haver material radioativo depositado nos pulmões do fumante, a radiação emitida pelo Po-210 é do tipo alfa, que tem baixa capacidade de penetrar os tecidos. Isso significa, portanto, que a ação radioativa do Po-210 fica restrita a pequenas regiões dos pulmões, apenas onde há depósito de material radioativo. Você pode até abraçar o seu amigo fumante, que nenhuma radiação extra irá lhe atingir.

CIGARRO ELETRÔNICO FAZ MAL? Conheça os Riscos e Benefícios

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O cigarro eletrônico, também chamado de e-cigarro, é um dispositivo movido à bateria, que simula a experiência de um cigarro comum, supostamente com menos riscos à saúde por conter apenas vapores de nicotina, sem o alcatrão e as centenas de outras substâncias nocivas do cigarro.

Os cigarros eletrônicos têm ganhado popularidade nos últimos anos, principalmente entre a população mais jovem e os fumantes que desejam uma forma menos nociva de consumir a nicotina. Mesmo no Brasil, onde o e-cigarro tem a sua comercialização proibida*, o produto tem gerado muita curiosidade e angariado adeptos, que adquirem o dispositivo através da Internet ou em viagens a países que permitem a sua venda, tais como Estados Unidos, França, Itália ou Portugal.

* No Brasil, a lei não permite a produção e a comercialização dos cigarros eletrônicos, mas o seu uso não é considerado crime.

Neste artigo vamos fornecer uma visão geral sobre o cigarro eletrônico, incluindo informações sobre os diferentes tipos de dispositivos, efeitos adversos para a saúde, uso como tratamento para parar de fumar e o seu impacto sobre a saúde pública.

Se você procura informações sobre os malefícios do cigarro comum, não deixe de ler também os seguintes artigos:

O que é um cigarro eletrônico

Os cigarros eletrônicos entraram no mercado em 2003, na China. Em 2006, eles chegaram aos Estados Unidos e à Europa. Na maioria dos países, os e-cigarros entram no mercado como produtos comuns, sem regulamentação do governo. Somente nos últimos anos, com a popularização do produto, é que os órgãos estatais de controle de vários países passaram a prestar mais atenção ao cigarro eletrônico.


Inicialmente, os cigarros eletrônicos eram produzido por pequenas empresas, mas já há alguns anos, de olho no rápido crescimento desses produtos, as grandes empresas de tabaco adquiriram e passaram a desenvolver também essa forma de cigarro.

Os cigarros eletrônicos consistem em:

  • Um reservatório que contém um líquido, geralmente rico em nicotina.
  • Um atomizador, que é o dispositivo responsável por aquecer o líquido e gerar o vapor.
  • Um sensor que ativa o atomizador toda vez que o usuário faz uma inalação (alguns funcionam através de um botão).
  • Uma bateria.
  • Um recarregador de bateria.

O utilizador ativa o atomizador através da inalação ou ao apertar um botão, dependendo das características do dispositivo. O atomizador aquece o líquido no reservatório e cria uma fumaça de vapor, que se parece, mas não é igual à fumaça dos cigarros comuns. O cigarro eletrônico, portanto,  simula a experiência de fumar um cigarro convencional, mas sem combustão e sem a inalação de todas as substâncias tóxicas presentes no tabaco.

Os primeiros e-cigarros foram concebidos de forma a terem um design muito parecido com os cigarros convencionais, tanto em formato quanto em tamanho. Existiam até versões descartáveis, que não podiam ser recarregadas. O paciente fumava e jogava fora o e-cigarro quando o seu conteúdo acabava.

Com o passar dos anos, a tecnologia por trás dos cigarros eletrônico evoluiu. Atualmente, a maioria dos e-cigarros tem uma aparência mais parecida com a de uma grande caneta. Eles possuem baterias de longa duração, que podem ser recarregadas, reservatórios de líquido que podem ser reabastecidos, reguladores para controlar a quantidade de vapor e a temperatura do atomizador, luz LED e uma grande variedade de opções em relação a cores e aparência do e-cigarro, como pode ser visto na imagem mais abaixo.

Que substâncias existem no líquido do e-cigarro?

Ao contrário dos cigarros convencionais, que queimam tabaco pra gerar fumo, os cigarros eletrônicos vaporizam um líquido, que alguns chamam de e-líquido. Esse e-líquido é comprado à parte em pequenos frascos (chamados de refills), já havendo no mercado mais de 7000 variações de sabores.

A maior parte dos líquidos à venda são compostos por nicotina (existem também e-líquidos sem nicotina), propilenoglicol (glicerol) e aromas. Porém, uma grande variedade de outras substâncias já foram identificadas, tais como estanho, chumbo, níquel, crômio, nitrosaminas e compostos fenólicos, alguns destes com potencial carcinogênico, conforme veremos mais à frente quando formos discutir os malefícios dos e-cigarros.

Diversas opções de cigarro eletrônico

O teor de nicotina contido no e-líquido costuma variar de zero até 36 mg/mL. As concentrações mais comuns são as de 6 mg/mL, 12 mg/mL, 18 mg/mL ou 24 mg/mL.

Porém, estudos têm mostrado que o teor de nicotina atestado pelos fabricantes nem sempre é confiável, sendo frequentemente maior do que aquele indicado nos rótulos. Há inclusive e-líquidos que dizem ser livres de nicotina, mas que ao serem analisados, apresentavam nicotina no seu conteúdo.

Malefícios para a saúde

Se por um lado parece ser verdade que o cigarro eletrônico é menos prejudicial que os cigarros convencionais, também é verdade que eles não são de forma alguma produtos isentos de riscos à saúde.

Por ser um produto relativamente novo e que passou a receber atenção dos órgãos governamentais somente recentemente, não há ainda grandes estudos científicos sobre as consequências do uso prolongado do e-cigarro. Apesar de teoricamente ser mais seguro que o cigarro comum, não há evidencias científicas que confirmem essa suposta maior segurança. Esse é o motivo pelo qual países como Brasil, Áustria, Argentina, Canadá e Colômbia não permitem a sua comercialização. Outros, como Austrália, Dinamarca, Bélgica e Austrália só permitem a venda de cigarros eletrônicos sem nicotina.

Mas as preocupações com o cigarro eletrônico não estão apenas relacionadas à falta de estudos a longo prazo. Algumas das substâncias presentes no e-líquido são sabidamente nocivas.

Nicotina

A nicotina, por exemplo, é uma substância, que além de altamente viciante, também causa danos à saúde. Pessoas que fumam cigarros eletrônicos conseguem inalar quantidades de nicotina muito parecidas com aquelas inaladas nos cigarros comuns.

A nicotina está relacionada, entre outros efeitos, a um aumento do risco de eventos cardiovasculares, a atraso no desenvolvimento fetal, maior risco de aborto espontâneo, maior risco de parto prematuro e a alterações no desenvolvimento cerebral de jovens e adolescentes.

O consumo agudo de doses elevadas de nicotina tem potencial de intoxicação, provocando sintomas que vão desde náuseas e vômitos até convulsões e depressão respiratória, nos casos mais graves. Isto é particularmente verdadeiro em crianças, cujo limiar para intoxicação por nicotina é bem mais baixo que nos adultos. Já há casos, inclusive, de crianças que morreram por envenenamento após usarem os e-cigarros dos pais. Só para se ter uma ideia do risco, a dose de nicotina considerada potencialmente fatal para uma criança é de 10 mg. Um refill comum de 5 mL de e-líquido na concentração de 18 mg/dL possui 90 mg de nicotina, 9 vezes mais que a dose potencialmente fatal.

Como muitos cigarros eletrônicos são ativados pela inalação, é muito fácil para uma criança, querendo imitar os pais, conseguir fumar um cigarro eletrônico. Esse é um dos motivos pelo qual alguns países estão exigindo que os e-cigarros venham com algum tipo de lacre de segurança contra o uso acidental por parte das crianças.

Substâncias carcinogênicas

Como já referido anteriormente, várias das substâncias carcinogênicas do cigarro convencional podem ser encontradas em algumas marcas de e-cigarro.

Testes laboratoriais realizadas em 2009 pelo FDA (o órgão norte-americano equivalente à ANVISA) identificaram produtos químicos cancerígenos e tóxicos, incluindo ingredientes usados como anti-congelante, em 20 marcas de e-cigarros, sendo 2 delas entre as líderes de vendas no mercado.

Um estudo de 2014 descobriu que o aerossol produzido a partir dos cigarros eletrônicos com maior potência do atomizador continha grandes quantidades de formaldeído e acetaldeído, que são agentes com o potencial de causar câncer.

Outras substâncias perigosas

Os sabores artificiais dos cigarros eletrônicos são também uma fonte de preocupação, não só porque eles servem para atrair o público mais jovem, mas porque eles próprios podem ser nocivos. Os fabricantes dos e-cigarros dizem que os aromas artificias são seguros, pois eles são os mesmos utilizados nos alimentos industrializados. O problema, porém, é que a segurança destes aromatizantes só foi estudada em relação à ingestão. Não sabemos se a vaporização e a inalação destes produtos é segura.

Além disso, algumas marcas de cigarro eletrônico utilizam o diacetil, que é um produto químico com sabor amanteigado, frequentemente presente nas pipocas de microondas, que estão associados a uma grave e irreversível lesão do pulmão, vulgarmente conhecida como “pulmão da pipoca” ou “doença da pipoca de microondas”.

Estudos em animais e em laboratórios sugerem que mesmo os cigarros eletrônicos sem nicotina podem fazer mal aos pulmões. Esses trabalham mostraram que o vapor inalado irrita as células e atrapalha o bom funcionamento dos tecidos e cílios do tecido da árvore respiratória.

Cigarro eletrônico como tratamento para parar de fumar

Como o cigarro comum é um dos mais nocivos produtos de livre comercialização já criados, é natural que, mesmo com todos os problemas, os cigarros eletrônicos ainda consigam ser menos maléficos à saúde.

Algumas das vantagens dos cigarros eletrônicos em relação ao cigarro tradicional são:

  • Exposição a menos substâncias químicas tóxicas, ainda que haja substâncias tóxicas no e-cigarro.
  • Não deixa os dentes amarelados.
  • Não provoca mau cheiro.
  • É menos poluente.
  • É mais barato.
  • O fumo passivo parece ser menos tóxico.
  • Parece haver um menor risco de doenças pulmonares, apesar de haver riscos.

Ainda que existam algumas vantagens, por tudo o que foi exposto até aqui, a imensa maioria dos médicos e das associações médicas não recomenda o cigarro eletrônico como forma de tratamento para o tabagismo por conta de 4 problemas:

1- Os cigarros eletrônicos aparentemente não são produtos isentos de toxicidade. Há opções mais seguras e com maior embasamento científico, como fármacos e chicletes ou adesivos de nicotina.

2- As pessoas que usam o e-cigarro até diminuem o consumo de cigarros tradicionais, mas um estudo de 2013 mostrou que 77% dos usuários do cigarro eletrônico continuam a fumar cigarros comuns. Em muitos casos, o consumo de nicotina não é reduzido e o paciente continua tão viciando quanto antes.

3- Não há conhecimento científico adequado sobre esse produto. Não sabemos se a longo prazo o cigarro eletrônico é realmente mais seguro que os cigarros convencionais.

4- O estímulo ao uso do cigarro eletrônico pode, após anos de queda consistente, devido às campanhas anti-tabágicas, provocar um aumento no número de pessoas viciadas em nicotina. A falsa impressão de segurança pode fazer com que o número de fumantes volte a crescer. Há estudos que mostram que ex-fumantes, que tinham parado completamente de fumar cigarros comuns, voltaram a fumar, agora com cigarros eletrônicos.

Do ponto de vista de saúde pública, a popularização do cigarro eletrônico pode significar um passo atrás no controle do tabagismo. Já há, inclusive, pessoas que querem fumar o e-cigarro em locais fechados, pois acham que o fumo passivo deste tipo de cigarro é seguro.

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