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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ARTROSE – Sintomas, Causas e Tratamento

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Artrite é um termo genérico que significa inflamação das articulações. Existem dezenas de tipos de artrite, sendo a artrose, também conhecida como osteoartrite ou osteoartrose, a forma mais comum.

O local onde dois ossos se encontram é habitualmente coberto com um material borrachoso e lubrificado chamado de cartilagem. A cartilagem permite que os ossos deslizem um sobre o outro com mínimo atrito, sendo, portanto, uma espécie de amortecedor.

A artrose é a doença causada pelo desgaste desta cartilagem, o que provoca aumento da fricção entre os ossos e leva à inflamação local (artrite), dor e incapacidade funcional.

A osteoartrite é uma doença que acomete preferencialmente pessoas idosas, principalmente nas articulações das mãos, joelhos e quadris.

Neste texto vamos abordar as seguintes questões sobre a artrose:

  • O que é a artrose
  • O que é artrite
  • Causas de osteoartrite
  • Sintomas da artrose
  • Tratamento da artrose

O que é artrose?

Para entender a artrose é preciso conhecer um pouquinho a anatomia das articulações.

Articulação é a região onde há conexão entre dois ou mais ossos distintos. Exemplos: O joelho é uma articulação que liga os ossos fêmur e tíbia (conecta a coxa à perna), o cotovelo é uma articulação que liga o osso úmero aos ossos ulna e rádio (conecta o braço ao antebraço) e o tornozelo é uma articulação que liga os ossos tíbia, fíbula e tálus (conecta a perna ao pé).

As articulações citadas acima são móveis, ao contrário, por exemplo, das articulações que conectam os diversos ossos do crânio, que são fixas (o nosso crânio não é formado por um único grande osso, mas sim por vários ossos conectados uns aos outros).

As articulações moveis possuem cartilagem e uma bolsa cheia de líquido, chamado líquido sinovial. A cartilagem é um tecido escorregadio aderido às extremidades dos ossos ligados pelas articulações. Quando há movimento na articulação, graças ao lubrificante líquido sinovial e à amortecedora cartilagem, os ossos deslizam entre si com mínimo atrito.

A artrose é um processo onde há degeneração da cartilagem. Nas fases inicias da artrose a cartilagem torna-se mais áspera, aumentando o atrito durante a movimentação da articulação. A artrose grave surge quando a cartilagem é completamente destruída, fazendo com que o atrito entre os dois ossos cause desgaste dos mesmos.

Este atrito nas articulações provoca uma inflamação da mesma,  que se caracteriza por um quadro de artrite, daí o nome de osteoartrite (artrite = inflamação da articulação). Existem cerca de 100 doenças que podem causar artrite; a artrose (osteoartrite) é a mais comum. Se você quiser mais informações sobre as diferenças entre a artrite da artrose e as artrites de outras doenças, leia: ARTRITE e ARTROSE | Sintomas e diferenças.

Causas e fatores de risco da artrose

A osteoartrose é muito rara antes do 40 anos e muito comum após os 60 anos. Durante muito tempo pensou-se que a degeneração da articulação, e consequentemente a artrose, era um processo natural do envelhecimento. Sabe-se hoje que a idade é um dos principais fatores de risco, mas não é o único.

Além da idade outros fatores de risco para osteoartrite são a obesidade (principalmente para artrose do joelho) (leia: OBESIDADE | Definições e consequências), ser do sexo feminino (mulheres têm até 3x mais chances de desenvolver osteoartrite que homens), falta de prática de exercícios (exceto os de alto impacto nas articulações, que podem levar à artrose), predisposição genética, etc.

A artrose pode ser primária, quando não há uma causa aparente além da idade, ou secundária, quando surge devido a traumas nas articulações, deformidades ósseas, obesidade, diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas), etc.

Resumindo, os principais fatores de risco para artrose são:

  • Idade.
  • Sexo feminino.
  • Obesidade.
  • Não ter osteoporose (ossos fortes na velhice aumentam o risco de artrose).
  • Ocupação (trabalhos que forcem as articulações cronicamente).
  • Atividades desportivas de alto impacto.
  • Traumas nas articulações.
  • Doenças musculares.
  • Predisposição genética.
  • Deformidades ósseas.
  • Diabetes Mellitus.

 Sintomas da artrose

As articulações mais acometidas pela osteoartrose são as mãos, joelhos, quadril e coluna.

O principal sintoma da artrose é a dor, que normalmente piora com esforço físico e alivia com repouso. A dor costuma ser pior no final do dia e após longos períodos de imobilização, como em viagens de avião ou em poltronas de cinema. Alguns pacientes apresentam piora da dor com mudanças no clima. Conforme a osteoartrite avança, a dor pode surgir com atividades cada vez menos intensas, podendo, por fim, ocorrer mesmo em repouso e durante a noite. A artrose em fases avançadas é uma doença incapacitante.

A dor não é  causada diretamente pela lesão na cartilagem uma vez que esta não apresenta inervação. Isso significa que alguns pacientes com lesões graves da cartilagem, visíveis na radiografia, podem apresentar poucas queixas de dor, enquanto outros com lesões menos visíveis podem ter sintomas de artrose mais evidentes.

Rigidez também é uma queixa comum em pacientes com artrose. A rigidez das articulações doentes é comum nos primeiros minutos após o paciente acordar, melhorando após cerca de meia hora. Durante o dia também podem haver episódios de rigidez articular, principalmente após períodos de inatividade.

A articulação acometida pela osteoartrite costuma apresentar uma mobilidade menor e pode estar inchada, quente e apresentar crepitações à movimentação.

Tratamento da artrose

A artrose é uma doença crônica que piora progressivamente com o passar dos anos. O tratamento da osteoartrite pode muitas vezes reduzir os sintomas, manter o paciente ativo e, em alguns casos, retardar a progressão desta patologia. O tratamento inclui uma combinação de terapias com e sem medicamentos e, em alguns casos, correção cirurgia da articulação.

Os objetivos do tratamento da osteoartrose são o controle a dor e do inchaço, melhorar a qualidade de vida e prevenir a progressão da lesão.

Tratamento não medicamentoso da artrose

Perda de peso

O excesso de peso está associado a um maior risco de desenvolvimento de artrose, principalmente nos joelhos. Estudos que acompanharam pacientes com sobrepeso por 10 anos mostraram que aqueles que perderam pelo menos 4,5 kg diminuíram em 50% o risco de osteoartrose nos joelhos.

Mesmo nos pacientes com sobrepeso ou obesidade que já apresentam artrose estabelecida, perder peso diminui a pressão sobre os joelhos, diminuindo a dor e melhorando a capacidade funcional.

Repouso

A dor da osteoartrite costuma piorar após o uso prolongado da articulação, melhorando após o repouso.

Descansar a articulação afetada no momentos de crise costuma aliviar a dor, no entanto, o descanso prolongado pode levar à atrofia muscular e diminuição da mobilidade articular. Portanto, o descanso é recomendado apenas para curtos períodos de tempo, geralmente 12 a 24 horas em casos de agudizações da dor.

Exercícios físicos

Pacientes com osteoartrite podem achar absurda a ideia de praticar exercícios, tamanho é o incômodo que a movimentação das articulações acometidas causam durante um esforço. Porém, um bom fisioterapeuta pode criar um regime de exercícios individualizado que irá fortalecer os músculos em torno da sua articulação, aumentando a amplitude do movimento.

Quanto mais forte e flexível é a musculatura ao redor das articulações, mais estáveis elas ficam, diminuindo o atrito entre os ossos, a dor e a inflamação.

Órteses

Órteses são dispositivos que ajudam a manter as articulações alinhadas e funcionando corretamente. Existem vários tipos de órteses que podem reduzir os sintomas e ajudar a manter a função das articulações em pacientes com osteoartrite.

Cintas e talas que imobilizam as articulações podem reduzir a dor e a inflamação; muitas delas pode ser usado durante todo o dia e noite. As órteses podem ajudar a estabilizar as articulações instáveis.

Calor local

A aplicação de calor úmido pode aumentar o limiar para a dor e diminuir o espasmo muscular. É preciso ter cuidado para evitar queimaduras. Garrafas de água quente deve ser preenchidas com água quente mas não fervente.

O calor local pode ser aplicado várias vezes ao dia.

TENS (neuroestimulação elétrica transcutânea)

A sigla TENS vem do inglês Transcutaneous electrical nerve stimulation, que significa neuroestimulação elétrica transcutânea.

A TENS é um aparelho que produz uma corrente elétrica suave que estimula as fibras nervosas na pele, interferindo com a transmissão de sinais de dor das articulações com artrose.

O uso da TENS como tratamento da artrite é controverso. Há estudos que mostram algum benefício no controle da dor, enquanto outros não conseguiram mostrar superioridade em relação ao placebo.

Campo eletromagnético pulsátil

Conhecido como Pulsed Signal Therapy (PST), baseia-se na criação de campos eletromagnéticos pulsáteis de baixa intensidade ao redor das articulações. O PST supostamente atua estimulando o metabolismo e a atividade das células das cartilagens. Apesar de haver alguns estudos demonstrando melhora da dor e da capacidade funcional, este tratamento ainda não possui um volume de estudos científicos suficiente para ser amplamente indicado pelas sociedades internacionais de reumatologia.

b. Tratamento da artrose com medicamentos

Glicosamina e condroitina

Apesar da popularidade ganha nos últimas anos, o sulfato de glicosamina e o sulfato de condroitina não apresentam evidências científicas de que realmente sejam benéficos para a osteoartrose. Apesar de alguns pacientes relatarem melhora da dor com estes medicamentos, os estudos mais recentes demonstraram que ambos apresentam apenas efeito placebo.

O sulfato de glicosamina e o sulfato de condroitina não melhoram a inflamação da artrose, não retardam a progressão da doença e não regeneram a articulação acometida pela osteoartrite.

Todavia, como são drogas praticamente sem efeitos adversos, continuam sendo muito utilizadas por alguns médicos, principalmente pelo seu efeito placebo.

obs: a glicosamina não deve ser usada em pacientes com alergia a frutos-do-mar.

Analgésicos

Analgésicos simples como o paracetamol e a dipirona (metamizol em Portugal) ajudam a aliviar a dor em casos iniciais. Estas drogas , porém, não agem diretamente na inflamação da osteoartrite, tendo efeito apenas temporário.

Leia:
– Dipirona ? Metamizol ? Indicações, Efeitos Colaterais e Perigos.
– PARACETAMOL ? Bula em Linguagem Simples.

Em casos de artrose mais grave, analgésicos opioides (da classe da morfina) podem ser usados por curtos períodos, para evitar dependência. Os melhores resultados no controle das crises nos casos de artrose avançada são obtidos quando se associa um analgésico opioide e um anti-inflamatório.

Anti-inflamatórios

Os anti-inflamatórios possuem efeito analgésico e atuam diretamente na inflamação, apresentando melhores resultados que os analgésicos comuns. São drogas que atuam aliviando a dor até nos casos de artrose moderada/severa.

Apesar da boa resposta, os anti-inflamatórios são medicamentos com alta toxicidade, aumentando os riscos de úlceras do estômago, doenças cardíacas e lesão dos rins (leia: REMÉDIOS QUE PODEM FAZER MAL AOS RINS e ANTI-INFLAMATÓRIOS | AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS).

Corticoides intra-articulares

Os corticoides, quando injetados em articulações artríticas, agem diminuindo a inflamação e aliviando os sintomas da osteoartrite (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais).

Injeções intra-articulares de corticoides podem ser recomendadas para pessoas que têm artrose limitada a poucas articulações, e que não conseguem controlar a dor apenas com o uso de anti-inflamatórios (ou já apresentam sinais de toxicidade aos mesmos).

Os corticoides podem danificar as articulações, principalmente aquelas que suportam peso, como joelhos, quando injetado com frequência. Portanto, recomenda-se não mais que 3-4 injeções por ano em cada articulação.

Injeção de hialuronato de sódio

O líquido articular normal contém uma grande quantidade de hialuronato, que o torna viscoso, permitindo o deslizamento sem atrito dos ossos. Hialuronatos sintéticos podem ser injetados no joelho para tratar a artrite.

Após a injeção, o alívio da dor pode durar vários meses.

Injeções de hialuronato geralmente são reservados para os pacientes com osteoartrite que não podem tomar anti-inflamatórios ou que não apresentem alívio adequado da dor com eles.

c. Tratamento cirúrgico da artrose

A cirurgia é habitualmente reservada para os casos de artrite grave e limitante que não respondem aos tratamentos descritos acima.

É importante ressaltar que a cirurgia é recomendada antes que artrite provoque complicações, como perda muscular e deformidades articulares. Além disso, aqueles que sofrem cirurgia devem ter boa saúde e estar preparados para a reabilitação no pós-operatório.

Sinovectomia artroscópica

A sinovectomia artroscópica é a remoção cirúrgica da sinóvia (o revestimento da articulação que costuma estar inflamado na artrose) usando um artroscópio, que é inserido dentro da articulação. Sinovectomia pode ser recomendada para pessoas que têm osteoartrite que não responde a outras medidas.

Realinhamento

Esta cirurgia pode ser usada para realinhar ossos e outras estruturas que se tornaram desalinhadas por causa da artrose. O realinhamento pode ser recomendada para pacientes mais jovens e mais ativos.

Fusão

Esta cirurgia pode ser usada para fundir permanentemente dois ou mais ossos de uma articulação. Este procedimento pode ser recomendado para articulações danificadas na qual a cirurgia de substituição articular já não é apropriada. A cirurgia de fusão é geralmente indicada para as articulações do punho, tornozelo e das articulações dos dedos.

Substituição da articulação

A cirurgia também pode ser indicada para substituir uma articulação danificada por uma artificial. A cirurgia de substituição articular alivia a dor em pessoas com artrite grave, principalmente do quadril ou joelho. No entanto, pode demorar até um ano para que os benefícios da cirurgia de substituição articular sejam plenamente demonstrados.

Enxertos de cartilagem

Esta cirurgia pode ser usada para enxertar células de cartilagem em articulações danificadas. Os enxertos de cartilagem são indicados quando a lesão está confinado a uma área muito pequena, ainda rodeada por cartilagem normal.

Este post também está disponível em: Espanhol

FASCITE PLANTAR – Dor no Pé

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\"Fascite
A fascite plantar (fasceíte plantar em Portugal) é uma das causas mais comuns de dor no calcanhar ou na sola dos pés, sendo provocada pela inflamação da fáscia plantar, uma espécie de ligamento localizado na sola do pé.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a fascite plantar:

  • O que é a fáscia plantar.
  • O que é a fascite plantar.
  • Quais são as suas causas.
  • Quais são os sintomas da fascite plantar.
  • Como é feito o diagnóstico.
  • Quais são as opções de tratamento.

O que a fáscia plantar

A fáscia plantar, também chamada de aponeurose plantar, é um ligamento que corre ao longo da parte inferior do pé, conhecida como sola ou planta do pé. A fáscia plantar é uma faixa de tecido espesso, intimamente ligada à pele e com propriedades elásticas, capaz de se esticar ligeiramente conforme a movimentação dos pés. Este tecido recobre toda base do pé, estendendo-se desde o osso do calcanhar, chamado osso calcâneo, até a ponta do pés, local onde se divide em cinco ramos, um para cada dedo.

A fáscia plantar age como um elástico. Ela cria uma tensão de modo a manter o pé sempre levemente arqueado. Quando andamos, no momento em que levantamos o calcanhar do chão e ficamos apenas com a ponta dos pés encostada ao solo, a fáscia plantar age como uma espécie de guincho, diminuído pressão que os dedos sofrem ao receber grande parte do peso do corpo.

O que é a fascite plantar

A fascite plantar é uma inflamação da fáscia plantar. Habitualmente, o local onde há maior inflamação da fáscia é próximo à sua ligação com o osso calcâneo.

Causas de fascite plantar

A fascite plantar surge após repetitivos estresses na região da planta dos pés, causados normalmente por tensão e esgarçamento da fáscia plantar, que levam a micro traumas neste tecido e, consequentemente, inflamação da área lesionada.

A fascite plantar ocorre habitualmente em pessoas entre 40 e 60 anos, que ao longo de sua vida tiveram atividades ou problemas que provocaram repetido estresse sobre a fáscia plantar, como por exemplo:

  • Obesidade(leia: OBESIDADE – Síndrome metabólica).
  • Pé chato.
  • Pé cavo.
  • Trabalhar muito tempo em pé, como seguranças, professores, cirurgiões, trabalhadores de fábrica, etc.
  • Uso excessivo de salto alto.
  • Uso de calçados pouco apropriados para os pés, como sapatos apertados, largos ou velhos.
  • Alterações da marcha, como pisar com o pé torto, principalmente com a parte de dentro dos pés.

A fascite plantar também é muito comum em pessoas que praticam determinadas atividades, como corridas, balé, levantamento de peso e dança. Caminhada sem tênis adequado também pode causar estresse sobre a sola dos pés e levar à lesão da fáscia plantar. Estas atividades podem provocar o aparecimento precoce da fascite plantar, antes dos 40 anos.

Esporão do calcâneo e fascite plantar

O esporão do calcâneo é uma protuberância que surge no osso calcâneo devido a múltiplos microtraumatismos nesta região. Portanto, as mesmas lesões que provocam o surgimento da fascite plantar, também causam o aparecimento do esporão.

Antigamente achava-se que o esporão era uma das causas da fascite plantar, mas hoje sabe-se que só 5% dos paciente com esporão apresentam quadro de dor e inflamação na sola do pé.

Para saber mais sobre o esporão de calcâneo, leia: ESPORÃO DE CALCÂNEO – Dor no calcanhar.

Sintomas da fascite plantar

O sintoma mais comum da fascite plantar é a dor, tipo pontada, na planta do pé, especialmente na região logo abaixo do calcanhar. A dor é tipicamente pior durante os primeiros passos, como ao sair da cama de manhã ou levantar-se depois de estar sentado por algum tempo. A dor da fascite plantar costuma acometer apenas um dos pés, apesar de não ser impossível ter a lesão em ambos os pés ao mesmo tempo.

A dor pode ser agravada por andar descalço em superfícies duras ou subir escadas. Em atletas, ela pode ser particularmente agravada pela corrida. Profissionais que permanecem em pé por muito tempo costumam se queixar de piora do quadro ao final do dia.

Um elemento importante na história clínica é o período que antecede o início da fascite plantar. Os pacientes podem relatar que antes do aparecimento da dor haviam aumentado a quantidade das atividades físicas, mudado o tipo de calçado habitual ou sofrido algum trauma no pé.

Diagnóstico da fascite plantar

O diagnóstico pode ser feito através da história clínica do paciente e do exame físico dos pés. O médico irá procurar por sinais de lesão nos pés, pontos dolorosos e alterações anatômicas, como pé chato.

Em caso de dúvida, a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ajudar no diagnóstico. A radiografia do pé é geralmente solicitada quando queremos descartar outras causar para a dor.

Tratamento da fascite plantar

O tratamento é inicialmente feito de forma conservadora, com repouso e gelo local. Outros tratamentos para fascite plantar  incluem:

– Fisioterapia, com execícios e alongamentos específicos para os pés e panturrilhas.
– Calçados com palmilhas especiais. São importantes para quem trabalha muito tempo em pé.
– Em alguns casos, o uso por poucos dias de um anti-inflamatório pode ser necessário para controlar a dor (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e efeitos colaterais).
– O uso de talas noturnas também é uma opção.
– Pessoas com excesso de peso devem emagrecer.

Injeções de corticoides no calcanhar podem ser utilizadas nos casos em que não há resposta satisfatória ao tratamento conservador (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES – efeitos colaterais).

Alguns estudos tem mostrado benefícios com injeção de botox, com resposta semelhante ao uso de corticoides (leia: BOTOX – Aplicações e complicações).

Em geral, mais de 80% dos pacientes respondem a esses tratamentos. A cirurgia é última opção, sendo  raramente necessária.

ESPORÃO DE CALCÂNEO – Dor no calcanhar

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O esporão de calcâneo, ou esporão de calcanhar, é um problema ortopédico que surge devido ao crescimento anormal de uma parte do osso do calcanhar, formando uma protuberância, que pode provocar intensa dor na sola do pé.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o esporão do calcanhar:

  • O que é o esporão de calcanhar.
  • Causas do esporão de calcâneo.
  • Sintomas do esporão de calcanhar.
  • Tratamento do esporão de calcâneo.

O que é o esporão de calcâneo?

Calcâneo é nome dado ao osso do calcanhar. O esporão do calcâneo é uma protuberância óssea, que surge habitualmente na base do osso calcâneo, na sola do pé (veja ilustração abaixo). Outro local onde o esporão pode surgir é na região posterior do calcâneo, próximo à inserção do tendão de Aquiles.

Esporão de calcâneo

O esporão costuma se desenvolver devido a microtraumas e inflamação crônica da parte inferior do calcanhar, afetando não só osso calcâneo, mas também os tendões e a fáscia plantar (ligamento localizado na planta dos pés, cuja uma das extremidades fica aderida ao osso calcâneo). Os múltiplos microtraumas e a inflamação crônica ao longo de vários meses favorecem a calcificação dos tecidos ao redor do osso do calcanhar, o que leva à formação dos esporões.

Causas de esporão do calcanhar

Qualquer situação que cause estresse crônico à região do calcanhar pode provocar o desenvolvimento de um esporão. Como uma das extremidades da fáscia plantar fica aderida à base do osso calcâneo, a fascite plantar (inflamação da fáscia) possui os mesmos fatores de riscos que o esporão de calcanhar (leia: FASCITE PLANTAR | Dor no pé), sendo comum a coexistência dos dois problemas ortopédicos.

São fatores de risco para o desenvolvimento do esporão de calcâneo e da fascite plantar:

  • Idade acima de 40 anos.
  • Obesidade (leia: OBESIDADE | Síndrome metabólica).
  • Pé chato.
  • Pé cavo.
  • Prática de esportes de alto impacto nos pés, como corrida, ballet e dança.
  • Trabalhar muito tempo em pé, como seguranças, professores, cirurgiões, trabalhadores de fábrica, etc.
  • Uso excessivo de salto alto.
  • Uso de calçados pouco apropriados para os pés, como sapatos apertados, largos ou velhos.
  • Alterações da marcha, como pisar com o pé torto, principalmente com a parte de dentro dos pés.

Sintomas do esporão de calcâneo

Os esporões de calcanhar frequentemente causam pouco ou nenhum sintoma. A simples existência de um esporão não é suficiente para causar dor em cerca de 95% dos pacientes. Para haver dor é preciso existir também inflamação na região ao redor do calcanhar, geralmente com acometimento da fáscia plantar.

Apesar de ter uma forma pontiaguda, a dor do esporão não costuma ocorrer pelo espetamento de alguma estrutura ao seu redor. A dor surge pelo processo inflamatório local que é provocado por microtraumas repetitivos. Em geral, os pacientes com esporão de calcanhar que se queixam de dor apresentam também o quadro de fascite plantar (é bom salientar que o esporão do calcanhar não provoca a fascite plantar).

Portanto, não é o esporão em si que causa dor nos pés. O esporão é apenas um sinal indireto de que aquela região do calcanhar esteve nos últimos meses, ou anos, exposta a traumas e estresses repetitivos.

Quando há inflamação local o sintoma mais comum é uma dor na planta do pé, especialmente na região abaixo do calcanhar. A dor é tipicamente pior durante os primeiros passos, como ao sair da cama de manhã ou levantar-se depois de estar sentado por algum tempo.

Tratamento do esporão de calcanhar

O tratamento do esporão de calcâneo só é necessário quando há inflamação dos tecidos ao redor, habitualmente sob a forma de fascite plantar. Inicialmente, o controle da inflamação pode ser feito com repouso e gelo local.

Em casos mais resistentes, outras opções são a  fisioterapia, com execícios e alongamentos específicos para os pés e panturrilhas, e o uso de calçados com palmilhas especiais para reduzir a pressão sobre o calcâneo e a fáscia plantar. Pessoas obesas devem emagrecer para reduzir o estresse que o excesso de peso provoca sobre os pés.

Se não houver contra-indicações, o uso de anti-inflamatórios por curto período ajuda bastante no controle do processo inflamatório (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS | Ação e efeitos colaterais). Injeções de corticoides no calcanhar podem ser utilizadas nos casos em que não há resposta satisfatória ao tratamento conservador (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais).

A cirurgia para retirada do esporão é a última alternativa e atualmente é raramente indicada, pois a grande maioria dos pacientes consegue controle da dor com medidas conservadoras.

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CISTO DE BAKER – Cisto Poplíteo

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O cisto de Baker, também conhecido como cisto poplíteo, é uma pequena bolsa de líquido que surge na região atrás do joelho, chamada fossa poplítea.

O cisto de Baker é uma lesão benigna, que apresenta-se como um nódulo visível e palpável sob a pele, podendo provocar dor no joelho e dificuldade de movimentação desta articulação. Quando o cisto é pequeno, ele pode ser assintomático, passando despercebido pelo paciente.

Neste artigo vamos explicar o que é o cisto Baker, por que ele surge, quais são os seus sintomas e como é feito o tratamento.

O que é o cisto de Baker?

Em medicina chamamos de cisto toda coleção líquida ou semi-liquida que fica envolta por uma membrana, formando uma espécie de bolsa ou saco.

O cisto de Baker (cisto poplíteo) surge quando há um extravasamento do líquido sinovial da articulação do joelho. O líquido sinovial é uma espécie de lubrificante, cuja principal função é reduzir o atrito durante a movimentação de articulações, como a do joelho.

Quando há uma lesão na articulação do joelho ou quando a quantidade de líquido sinovial torna-se excessiva,  o mesmo pode ser comprimido e empurrado para a região posterior da articulação, formando uma herniação, como exemplificado na figura ao lado.

Causas do cisto de baker

Como acabamos de dizer, o cisto poplíteo surge quando há uma lesão do joelho e/ou quando o volume de líquido dentro da articulação torna-se muito grande.

Em geral, traumas do joelhos e doenças inflamatórias da articulação, como as diversas formas de artrite, são os principais fatores de risco.

Como exemplos de situações habitualmente relacionadas à formação do cisto de Baker, podemos citar a osteoartrose (leia: ARTROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento), artrite reumatoide (leia: ARTRITE REUMATOIDE ? Sintomas e Tratamento), artrite infecciosa, artrite juvenil e diversos tipos de traumatismos do joelho, principalmente se houver lesão dos meniscos.

Sintomas do cisto de Baker

A maioria dos cistos poplíteos são assintomáticos e invisíveis ao exame físico e acabam, portanto, sendo descobertos por acaso durante a realização de um exame de imagem do joelho, como a ressonância magnética, solicitada por qualquer outro motivo.

Em geral, o cisto de Baker é uma alteração de adultos, ocorrendo com maior frequência a partir dos 35 anos de idade. Conforme o individuo envelhece, mais desgastada torna-se a articulação dos seus  joelhos e maior é a incidência do cisto poplíteo.

A ocorrência de sintomas do cisto de Baker depende de alguns fatores, tais como o seu tamanho ou a existência de complicações, como crescimento exagerado ou rotura do cisto.

Quando há sintomas, os mais comuns são dor na fossa poplítea (parte posterior do joelho), enrijecimento da articulação do joelho, inchaço e aparecimento de um nódulo palpável por trás do joelho, principalmente quando o mesmo se encontra-se em extensão, ou seja, com a perna totalmente esticada. Esses sinais e sintomas podem se agravar com atividade física.

Complicações do cisto poplíteo

O cisto poplíteo pode crescer muito ou se romper, provocando uma quadro que pode ser confundido com trombose venosa profunda dos membros inferiores (leia também: TROMBOSE VENOSA PROFUNDA (TVP)).

Um cisto que cresce muito pode provocar dor e edema da perna, principalmente se houver compressão das veias adjacentes, atrapalhando o escoamento de sangue dos membros inferiores.

Quando cisto se rompe, o líquido presente escorre pelos músculos, provocando uma reação inflamatória. O quadro é dor, vermelhidão e inchaço na região da panturrilha.

O cisto de Baker é um tipo e câncer?

Não, cisto de Baker não tem nada a ver com câncer. Este cisto é uma tumoração benigna, composta basicamente de líquido. O cisto poplíteo não é câncer e não tem nenhum risco de virar um câncer.

Diagnóstico do cisto de Baker

O exame físico costuma ser suficiente para o diagnóstico da maioria dos cistos de Baker que são grandes o suficiente para serem visíveis.

Quando há dúvidas, ou se o cisto for muito pequeno, exames de imagem, como a ultrassonografia e a ressonância magnética podem ser utilizados. A ressonância também serve para avaliar a articulação do joelho como um todo, auxiliando no diagnóstico da lesão que propiciou a formação do cisto poplíteo.

Tratamento do cisto de Baker

Nos pacientes com cistos pequenos e assintomático, nenhum tratamento faz-se necessário, uma vez que a maioria desaparece espontaneamente com o tempo.

Quando o cisto é muito grande ou provoca sintomas, o tratamento inicial costuma ser uma artroscopia do joelho, para drenagem do excesso de líquido dentro da articulação e injeção intra-articular de um glicocorticoide, como a triancinolona. Com esse tratamento, dentro de uma semana, cerca de 2/3 dos pacientes apresentam uma significante redução dos sintomas e do tamanho do cisto.

O tratamento da lesão primária do joelho é essencial para reduzir o risco de retorno do cisto no futuro. Não basta tratar o cisto, é preciso controlar a sua causa.

Caso não haja melhora, o ortopedista pode, através de uma agulha, aspirar diretamente o cisto, injetando corticoide em seguida para reduzir o risco de recidiva. Esse procedimento não é o mais indicado, primeiro porque o líquido do cisto costuma ser muito viscoso, não sendo fácil de ser aspirado por uma agulha; segundo porque essa forma não trata a lesão do joelho e, portanto, não ataca a causa da formação cisto, havendo, assim, elevado risco de recorrência.

Nos raros casos em que tratamento com artroscopia e o controle da inflamação do joelho não são suficientes para resolver o cisto poplíteo, uma cirurgia para a retirada do mesmo pode ser proposta.

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HÉRNIA DE DISCO – Sintomas e Tratamento

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\"Hérnia
A hérnia de disco, também chamada de hérnia discal ou protusão discal,  é um problema da coluna vertebral que provoca compressão dos nervos, causando dor, fraqueza e perda de sensibilidade em um dos membros. As protusões discais  mais comuns são as hérnias lombares e as hérnias cervicais.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a hérnia de disco:

  • Noções sobre a coluna vertebral e a medula espinhal.
  • O que é uma hérnia de disco.
  • Quais são as principais causas.
  • Quais são os sintomas.
  • Como é feito o diagnóstico.
  • Quais são as opções de tratamento.

Noções sobre a coluna vertebral e a medula espinhal

Se não explicarmos a anatomia da coluna vertebral e da medula espinhal, fica impossível descrever de forma simples o que é uma hérnia discal. Esta introdução pode parecer um pouco mais complicada, mas sua compreensão tornará muito fácil  o entendimento das causas e dos sintomas da hérnia de disco. Leia esta parte com calma e acompanhe a ilustração ao lado para uma melhor compreensão.

Nossa coluna vertebral é composta por vários pequenos ossos empilhados chamados de vértebras. Temos 24 vértebras articuladas (as vértebras da região sacra são fundidas), sendo 7 na coluna cervical, 12 na coluna torácica e 5 na coluna lombar.  Cada vértebra tem um orifício no centro, chamado forame vertebral.  Nas laterais de cada par de vértebra forma-se outro orifício, chamado forame intervertebral.

Por dentro do forame vertebral passa a medula espinhal, estrutura responsável pelo transporte de estímulos nervosos do entre o cérebro e o resto do corpo. A medula espinhal nasce no cérebro e vai até o fim da coluna, possuindo cerca de 45 cm de comprimento. Ao  longo do seu trajeto pela coluna, a medula libera vários segmentos, chamados raízes nervosas,  que são prolongamentos que servem para inervar as regiões do corpo.  Por exemplo, o nervo que inerva a sua mão tem origem em uma dessas raízes nervosas que saem da medula. Na divisão entre cada duas vértebras, uma raiz nervosa é lançada bilateralmente através dos forames intervertebrais. No total, a medula libera 31 pares de raízes nervosas ao longo de toda a coluna, que vão ser responsáveis pela inervação de todo o corpo.

As raízes nervosas que saem da coluna cervical vão dar origem aos nervos que inervam o pescoço, ombros e os membros superiores. As raízes nervosas que saem da coluna torácica vão dar origem aos nervos que inervam o tronco. As raízes nervosas que saem da coluna lombar e sacra vão dar origem aos nervos que inervam a pelve e os membros inferiores.

Como já referido, as vértebras formam a coluna ficando empilhadas uma em cima da outra. Entre uma vértebra e outra há uma estrutura cartilaginosa, de consistência borrachosa,  em forma de disco, chamada disco intervertebral. O disco intervertebral funciona como uma espécie de amortecedor ou almofada, cujo objetivo é reduzir o atrito entre uma vértebra e outra, facilitando o trabalho da coluna de mover-se e suportar o peso do corpo.

Bom, feitas as devidas explicações sobre a anatomia básica da coluna vertebral, vamos falar da hérnia de disco propriamente dita.

O que é uma hérnia de disco

Hérnia é a palavra usada para descrever a projeção ou protusão de determinada estrutura através de um orifício ou canal. Uma hérnia de disco ocorre quando uma parte do disco intervertebral se projeta através do forame intervertebral ou em direção à medula espinhal, podendo provocar compressão de uma das raízes nervosas (veja a figura abaixo).

O disco intervertebral é composto por um região mais externa e rígida, chamada anel fibroso, e uma região  central, composta por uma material gelatinoso, chamado núcleo pulposo. O disco intervertebral é maleável e funciona como uma mola amortecedora, sendo capaz de se comprimir quando há peso sobre a coluna, e relaxar quando a coluna está em repouso, sem receber peso algum.

Quando o disco intervertebral é exposto a uma crônica postura errada da coluna, a movimentos repetitivos, a excesso de carga ou a traumas, ele pode sofrer desgaste do seu anel fibroso, provocando uma fissura por onde o núcleo pulposo pode herniar, empurrando parte do disco em direção a uma das raízes nervosas. Se o disco hernia o suficiente para comprimir a raiz nervosa, o paciente passará a apresentar os sintomas característicos da hérnia de disco.

A maior parte das hérnias de disco surge na coluna lombar, que é a região da coluna que acaba tendo que suportar mais peso e sofre mais estresses ao longo da vida. Em segundo lugar vêm as hérnias de disco da coluna cervical. Hérnias da coluna torácica são mais  raras.

Causas a hérnia de disco

Conforme vamos envelhecendo, o disco intervertebral vai se tornado cada vez menos flexível e elástico, ficando mais exposto a fissuras e roturas. A maioria das protusões discais ocorre em pessoas com mais de 35 anos.

Entre os principais fatores de risco para o desenvolvimento de uma hernia discal, podemos citar:

– Trabalhos que demandam carregar pesos excessivos.
– Fazer musculação sem devida orientação, sobrecarregando a coluna.
– Levantar pesos do chão forçando a coluna (o correto não é dobrar a coluna para pegar algo do chão, mas sim se agachar para levantá-lo).
– Traumas nas costas.
– Má postura.
– Trabalhos que demandam movimentos repetitivos da coluna.
– Sedentarismo.
– Tabagismo (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).

Na maioria dos casos, a hérnia não surge de forma aguda. Ela costuma ser um processo de estresse e lesão repetitiva do disco. Habitualmente, exceto pelos casos de hérnias que surgem após traumas ou quedas, os pacientes não se recordam de um evento específico que tenha desencadeado os sintomas. A dor pode surgir subitamente em repouso.

Sintomas da hérnia de disco

A hérnia de disco propriamente dita não dói. Se o disco intervertebral estiver herniando, mas não houver compressão relevante da raiz nervosa adjacente, o paciente pode não apresentar sintoma algum.

Do mesmo modo, quando há sintomas, eles podem ser leves, moderados ou intensos e incapacitantes, dependendo do grau de lesão da raiz nervosa. A compressão e lesão da raiz nervosa recebe o nome de radiculopatia.

Os sintomas mais comuns da hérnia de disco são dor, perda da sensibilidade, formigamento e fraqueza em um dos membros.

A localização dos sintomas depende da região da coluna vertebral que apresenta a hérnia de disco. Vamos citar algumas das apresentações mais comuns.

Sintomas da hérnia lombar e sacral

A hérnia de disco mais comum ocorre na 5ª vértebra lombar (L5). O seu quadro clínico costuma ser de dor lombar, com irradiação por toda região lateral de uma das pernas. Fraqueza nos pés também é muito caraterístico. O paciente pode ter dificuldade de realizar movimentos, como dorsiflexão dos pés, extensão dos dedos, inversão e eversão dos pés. Perda de sensibilidade na porção lateral da perna e do pé também podem ocorrer.

A hérnia de disco das vértebras L2, L3 ou L4 também são comuns e apresentam sintomas semelhantes entre si. O quadro é de dor lombar com irradiação para parte anterior da coxa, até o joelho.  Pode haver fraqueza para extensão do joelho ou flexão do quadril. A perda de sensibilidade costuma ocorrer na porção anterior da coxa e na face interna da panturrilha, descendo até o arco do pé.

A hernia da primeira vértebra sacral (S1) pode causar dor ciática (este tipo de dor também pode ocorrer com compressão de L5 ou L4), que se caracteriza por dor lombar e no quadril, que irradia pela porção posterior e/ou lateral da coxa, podendo ir até o calcanhar. Fraqueza para extensão da perna e flexão dos dedos podem estar presentes, assim como perda de sensibilidade na região posterior do membro inferior.

Sintomas da hérnia cervical

As hernias cervicais mais comuns ocorrem entre as 5ª, 6ª e 7ª vértebras (C5, C6 e C7).

As hérnias de C5 costumam causar fraqueza e dor na musculatura do pescoço, ombro e início do braço. Pode ocorrer também perda de sensibilidade na região da axila.

As hérnia de C6 é a hernia cervical mais frequente, podendo causar fraqueza e dor na musculatura do pescoço, ombro e braço, acometendo bíceps e antebraço. Pode ocorrer também perda de sensibilidade na região lateral do antebraço até o polegar e dedo indicador.

As hérnia de C7  pode causar  dor na musculatura do pescoço, ombro, dedo médio e mão. A fraqueza costuma ocorrer no músculo tríceps. Pode surgir também perda de sensibilidade na região do tríceps, irradiando para mão e dedos indicador e médio.

Diagnóstico da hérnia de disco

Na maioria dos casos, o exame físico e a história clínica são suficientes para o diagnóstico de uma hernia discal. Se o neurologista quiser comprovar a existência da hérnia ou descartar outras causas de radiculopatia, alguns exames podem ser solicitados. Entre os mais comuns estão a tomografia computadorizada e a ressonância magnética.

Tratamento da hérnia de disco

O tratamento conservador, com repouso, fisioterapia, compressas mornas, educação postural e/ou acupuntura, alivia os sintomas em mais de 90% dos pacientes com hérnia de disco. A maioria se recupera, tornando-se aptos a retornar para as suas atividades habituais em um ou dois meses. Exames de imagem, como tomografia ou ressonância mostram que, com tratamento adequado,  a protusão discal encolhe-se ao longo do tempo, diminuindo a compressão da raiz nervosa e provocando melhora dos sintomas.

Medicamentos para hérnia de disco.

Em geral, analgésicos comuns e anti-inflamatórios aliviam bem os sintomas da radiculopatia. Em alguns casos mais graves, medicamentos mais fortes podem ser necessários, como tramadol. Medicamentos que agem sobre dor de origem neurológicas também podem ser úteis, como gabapentina, pregabalina, duloxetina ou amitriptilina. Relaxantes musculares ou diazepam também ajudam a aliviar a dor. Em alguns pacientes, o neurologista pode indicar a injeção local com corticoides para diminuir a inflamação do nervo (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais)

Cirurgia para hernia de disco

Atualmente apenas uma minoria dos pacientes com hérnia de disco precisa de cirurgia. O tratamento cirúrgico das hérnias discais está indicado nos casos em que o tratamento conservador não oferece melhora após 6 semanas, quando o quadro de fraqueza muscular torna-se progressivamente pior ou quando a dor e a fraqueza são incapacitantes.

A cirurgia mais comum consiste na remoção da parte herniada do disco, aliviando a compressão do nervo. Em alguns casos o disco intervertebral inteiro precisa ser removido e as duas vértebras são fundidas. Outra opção é remoção do disco avariado e substituição por um disco artificial.

Técnicas minimamente invasivas

Existem várias técnicas cirúrgicas para hérnia de disco que são consideradas minimamente invasivas. Entre elas, a discectomia percutânea, discectomia endoscópica, discectomia a Laser e nucleoplastia com radiofrequência.

As técnicas minimamente invasivas envolvem incisões menores e cirurgia com o auxílio de visualização indireta. Alguns desses procedimentos empregam laser ou radiofrequência para dissolver partes do disco.

As cirurgias minimamente invasivas têm a vantagem potencial de uma recuperação mais rápida quando comparadas com a discectomia aberta, que é a técnica cirúrgica clássica.

DOR NO NERVO CIÁTICO – DOR CIÁTICA

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A dor no nervo ciático, também chamada de dor ciática, ciatalgia ou, simplesmente, ciática, é uma dor de origem neuropática, que ocorre quando o nervo ciático encontra-se inflamado. O quadro clínico clássico da ciatalgia é de dor lombar com irradiação para uma das pernas, podendo também haver perda da sensibilidade e fraqueza muscular no membro acometido.

Neste artigo vamos os seguintes pontos sobre a dor no nervo ciático:

  • O que é o nervo ciático.
  • Causas da dor ciática.
  • Fatores de risco para ciatalgia.
  • Sintomas da dor ciática.
  • Diagnóstico da ciatalgia.
  • Tratamento da dor do nervo ciático.

O que é o nervo ciático

O nervo ciático, também chamado de nervo isquiático, surge da junção das raízes nervosas que nascem entre a 4ª vértebra lombar e a 3ª vértebra do osso sacro, dando origem a um espesso nervo que desce em direção ao membro inferior.

O nervo ciático é o nervo mais longo do nosso corpo, indo desde a coluna lombar até os pés, passando pelos glúteos, coxas e pernas. Ao longo do seu trajeto, vários ramos são lançados de forma a inervar as estrutura do membros inferiores, como músculos, articulações e pele.

A compressão da raiz de um nervo da coluna vertebral recebe o nome de radiculopatia. A dor ciática ocorre, habitualmente, devido à compressão de uma de suas raízes na coluna lombar ou sacra, sendo considerada, portanto, uma radiculopatia lombar.

Quando um nervo é comprimido, ele fica inchado e inflamado, provocando dor ao longo do seu trajeto e, em alguns casos, perda da força muscular e dormência na área afetada.

Causas de dor ciática

A principal causa de compressão do nervo ciático e, consequentemente, de dor ciática é a hérnia de disco na coluna lombar (leia: HÉRNIA DE DISCO | Sintomas e tratamento). Outras causas de compressão do nervo ciático são a espondilolistese (deslizamento de uma vértebra sobre a outra), traumas, tumores ou infecções da coluna lombar, estenose (estreitamento) do canal vertebral onde passa a medula, osteófitos (bico de papagaio) ou artrose da coluna.

Outra causa possível de dor do nervo ciático é uma condição chamada síndrome do músculo piriforme. Este problema surge quando o músculo piriforme, localizado na região glútea, sofre um espasmo e provoca compressão do nervo ciático que passa por baixo do mesmo.

Fatores de risco para dor ciatalgia

Os principais fatores de risco para o desenvolvimento de uma ciatalgia são:

– Idade avançada: pacientes idosos têm maior risco de problemas degenerativos da coluna, sendo muito mais comum a ocorrência de hérnias discais, bico de papagaio ou artrose da coluna.

– Obesidade: o excesso de peso, principalmente após longos anos, sobrecarrega a coluna lombar, favorecendo a ocorrência de lesões ou alterações anatômicas na mesma (leia: 60 DICAS PARA EMAGRECER ? PERDER PESO).

– Trabalho pesado: o tipo de ocupação profissional também é um relevante fator de risco para compressão do nervo ciático. Pessoas que trabalham carregando peso, que precisam frequentemente fazer força com as costas ou passam longas horas sentadas ou em pé em uma mesma posição também apresentam uma maior incidência de ciatalgia.

– Sedentarismo: O sedentarismo e a falta de exercícios para a musculatura da região lombar também favorecem o aparecimento de problemas na coluna.

– Diabetes mellitus: o diabetes é uma doença que por si só provoca lesão dos nervos periféricos, podendo o nervo ciático e seus ramos serem um dos acometidos (leia: O QUE É DIABETES?).

– Gravidez: o rápido ganho de peso, as mudanças corporais e a ação hormonal, que provoca relaxamento de tendões e ligamentos, podem causar alterações anatômicas na coluna lombar, favorecendo a compressão do nervo ciático (leia: 20 PRIMEIROS SINTOMAS DE GRAVIDEZ).

Sintomas da dor no nervo ciático

Quando um nervo é comprimido, ele fica inchado e inflamado, provocando dor ao longo do seu trajeto e, em alguns casos, perda da força muscular e da sensibilidade tátil.

No caso específico da compressão do nervo ciático, o sintoma mais comum é uma dor lombar que irradia unilateralmente para o glúteo, descendo pela parte posterior da coxa e lateral da perna e do pé (veja a figura abaixo). É importante ressaltar que existe um nervo ciático em cada membro inferior, mas a ciatalgia costuma acometer apenas um deles, fazendo com que a dor surja somente em uma das pernas.

A intensidade da dor varia muito de caso a caso. Ela pode ser leve, causando apenas desconforto ou queimação ocasional. Em casos mais graves, porém, a dor pode ser excruciante, impedindo o paciente de ficar em pé. Uma sensação de choque elétrico pelo trajeto do nervo também é comum.

Irradiação da dor da ciatalgia

A ciatalgia pode piorar após esforço, tosse ou espirro. Ficar sentado por longas horas também costuma agravar os sintomas da dor ciática.

Além da dor, a compressão do nervo ciático também pode provocar dormência, formigamento ou redução da força muscular no membro acometido. Em casos graves, o paciente pode apresentar incontinência urinária ou fecal.

Diagnóstico da ciatalgia

Em muitos casos, a dor ciática é típica e não são necessários exames complexos para o seu diagnóstico. Os exames complementares costumam ser solicitados quando a dor é muito intensa e/ou quando não há melhora após o tratamento inicial.

A eletroneuromiografia e estudos de condução nervosa podem ser úteis quando existe dúvida quanto ao diagnóstico. Já os exames de imagem, como ressonância magnética ou tomografia computadorizada são habitualmente usados para identificar a causa da ciatalgia, principalmente se esta for provocada por lesões, como hérnia de disco, estreitamentos do canal da medula ou tumores.

Tratamento da dor ciática

O tratamento inicial da ciatalgia é com medicamentos para controle da dor, tais como anti-inflamatórios ou analgésicos comuns. Em muitos casos, a dor dura poucos dias e desaparece sem nenhuma conduta mais agressiva.

Em casos de dor intensa, opioides (derivados da morfina) podem ser necessários. O uso de relaxante muscular ou benzodiazepinas, como o diazepam, também ajudam no controle dos sintomas. Como a dor da ciatalgia é uma dor de origem neurológica, medicamentos com antidepressivos ou anticonvulsivantes podem ser usados para controlar dores mais crônicas.

Não é necessário repouso físico. Na verdade, atividades leves, que não sobrecarregam a coluna,  parecem melhorar mais a ciatalgia do que ficar deitado na cama. Natação e fisioterapia costumam ter boa resposta. Em alguns casos, a acupuntura também apresenta bons resultados.

Dependendo da causa ou da gravidade da ciatalgia, a cirurgia para correção da lesão na coluna lombar é a única opção para controle definitivo da dor.

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FRATURA DO COLO DO FÊMUR | FRATURA DO QUADRIL

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Conforme a expectativa de vida se eleva, as doenças típicas da terceira idade vão se tornando cada vez mais frequentes. A fratura do colo do fêmur (fratura do quadril) é um dos muitos exemplos.

A fraqueza natural dos ossos pelo envelhecimento, a perda de força muscular, a maior dificuldade para se manter equilibrado, a perda da acuidade visual e o frequente uso de medicamentos que causam redução da pressão arterial ou que agem no sistema nervosos central favorecem a queda e a consequente fratura do quadril nas pessoas mais idosas.

Neste artigo, vamos explicar o que é a fratura do colo do fêmur, quais são suas implicações e quais são as opções de tratamento.

O que é o quadril e o colo do fêmur?

Antes de falarmos propriamente da fratura do colo do fêmur, é essencial perdermos algumas linhas explicando a anatomia do fêmur e do quadril. Acompanhe a ilustração abaixo para facilitar o entendimento.

O fêmur é o maior, mais volumoso e mais forte osso do nosso corpo. Ele fica localizado na região da coxa, ligando-se ao joelho na extremidade inferior e à pelve na extremidade superior. Nesta extremidade superior, o fêmur apresenta uma projeção óssea, dividida em 3 partes: cabeça do fêmur, pescoço do fêmur (também chamada colo do fêmur) e trocante maior.

A cabeça do fêmur tem um formato de esfera e se encaixa perfeitamente no osso da pelve, em um local chamado acetábulo. Esta região, composta pela parte lateral do osso da pelve e pela extremidade superior do fêmur, é chamada de quadril ou anca. A junção do cabeça do fêmur com o acetábulo é chamada de articulação do quadril.

Fratura do colo do fêmur

Apesar de ser um osso bastante forte, a região do colo do fêmur é bastante susceptível a fraturas, principalmente em mulheres idosas com osteoporose.  Traumatismos da região do quadril provocados por queda são a principal causa de fratura do colo do fêmur.

Ao contrário das fraturas de outros ossos, que ocorrem por traumas nas pessoas mais jovens, a fratura do quadril é um quadro bem mais grave e complicado. Não basta imobilizar o osso para curar uma fratura do colo do fêmur. O tratamento deve ser feito através de cirurgia, com colocação de placas, parafusos ou próteses metálicas, e a recuperação completa é bem lenta, podendo durar vários meses. Muitos pacientes não conseguem voltar a andar e tornam-se dependentes de ajuda para executar suas atividades comuns de vida. Como essa lesão corre habitualmente em pacientes idosos e já com algumas doenças associadas, a taxa de complicações graves a curto e médio prazo é alta, fazendo com que a mortalidade durante o intervalo de 1 ano após fratura chegue a 20%.

Fatores de risco para fratura do colo do fêmur

As fraturas do colo do fêmur ocorrem habitualmente quando dois fatores agem em conjunto: traumatismo da região do quadril (na maioria dos casos por conta de quedas da própria altura) e ossos fracos.

Por isso, como já referido, os idosos são o principal grupo de risco, pois além de terem uma maior taxa de osteoporose, a incidência de quedas é muito maior nesta faixa etária.

Qualquer fator que contribua para enfraquecimentos dos ossos ou para um maior risco de quedas pode ser considerado um fator de risco para fratura do quadril, principalmente se eles estiverem presentes em pessoas mais idosas. Alguns exemplos são:

– Uso crônico de medicamentos que enfraquecem os ossos, tais como: glicocorticoides, heparina, varfarina, fenitoína, metotrexate e vários outros que favorecem o aparecimento da osteoporose.
– Uso de drogas que causam sonolência, que baixam a pressão arterial ou que diminuam os reflexos, pois aumentam o risco de quedas.
– Sedentarismo, pois a falta de atividades deixa os ossos e a musculatura mais fracos.
– Deficiência de vitamina D, pois a falta desta vitamina esta relacionada a ocorrência de ossos mais fracos (leia: DEFICIÊNCIA DE VITAMINA D).
– Menopausa, também relacionado à perda de massa óssea (leia: SINTOMAS DA MENOPAUSA).
– Mieloma múltiplo, por ser uma doença que ataca os ossos e facilita a ocorrência de fraturas (leia: MIELOMA MÚLTIPLO).
– Tabagismo e alcoolismo, pois estão associados à perda de massa óssea.

Quanto mais fraco for o osso, menor será o impacto necessário para que ocorra uma fratura. Muitas vezes, o osso está tão enfraquecido que uma simples torção da região do quadril pode ser suficiência para parti-lo.

Em pessoas jovens e saudáveis, a fratura do colo do fêmur só ocorre em caso de grandes impactos na região do quadril, como nos casos de acidentes automobilísticos.

Tipos de fratura do quadril

As fraturas do quadril costumam ocorrer na região do colo do fêmur, porém, há outros pontos do osso fêmur que também podem partir. Saber qual é o tipo de fratura do quadril que o paciente sofreu é importante, pois o tratamento e a incidência de complicações variam de acordo com o sitio anatômico fraturado.

As fraturas do colo e da cabeça do fêmur são chamadas de fraturas intracapsulares. As fraturas que ocorrem abaixo do colo do fêmur são chamadas de fraturas extracapsulares.

As fraturas intracapsulares costumam ter maiores taxas de complicações, pois a região do colo e da cabeça do fêmur são naturalmente mais mal vascularizadas. Quando ocorre uma fratura nesta região, há grande risco de interrupção do fluxo sanguíneo, dificultando não só a cicatrização do osso, mas também aumentando o risco de necrose ou alterações degenerativas da cabeça do fêmur.

Nas fraturas extracapsulares a principal complicação é hemorragia, pois essa região do osso é bastante vascularizada.

Sintomas da fratura do colo do fêmur

Nos idosos, quedas simples, aparentemente sem maiores danos, podem ser suficientes para partir o colo do fêmur. O paciente cai e passa apresentar intensa dor na região do quadril e da coxa, associada a incapacidade de mobilizar a perna. Se a fratura for completa e partir o osso em duas partes, o membro inferior acometido passa a ter menor comprimento que o membro sadio. A perna acometida também tende a fazer uma rotação externa (apresentação mais comum) ou interna.

As complicações da fratura do colo do fêmur costumam ser derivadas do longo período de recuperação necessários para a cicatrização da lesão. Muitos pacientes ficam acamados e, por serem idosos e previamente portadores de várias outras doenças, acabam não conseguindo mais voltar a andar. Isso facilita a surgimento de complicações devido à imobilização crônica, como trombose venosa profunda, embolia pulmonar, úlceras da pele, pneumonia, infecções urinárias, etc. Quanto mais idosos e debilitado o paciente era antes da fratura, maior é o risco dele não conseguir uma recuperação completa.

O diagnóstico é habitualmente feito de forma clínica, através dos sintomas e pela história de queda. A radiografia do quadril serve para confirmar o diagnóstico e mostrar o local da fratura. Se a suspeita clínica de fratura do colo do fêmur for muito forte, mas a radiografia não mostrar uma imagem muito clara, uma tomografia computadorizada ou uma ressonância magnética podem ser solicitados para esclarecer a dúvida.

Tratamento da fratura do colo fêmur

O tratamento das fraturas do quadril deve ser cirúrgico, pois está é a forma com maior chance de recuperação. Se o paciente estiver clinicamente estável, a cirurgia ortopédica deve ser feita preferencialmente nas primeiras 48 horas após a fratura. Quanto mais tarde for feita a cirurgia, piores são os resultados.

O tratamento pode ser feito com fixação do osso com parafusos, pinos ou placas, dependendo do tipo da fratura. Se a cabeça do fêmur estiver bem danificada ou se houver risco de falta de perfusão sanguínea para a mesma, o ortopedista pode remover parte do quadril e substitui-lo por uma prótese artificial.

O paciente é estimulado a andar logo no dia seguinte da cirurgia, mesmo que com ajuda de muletas, para evitar que sua musculatura fique enfraquecida por longos períodos de imobilização na cama. A fisioterapia também deve ser iniciada precocemente. O ponto crucial do tratamento da fratura do quadril é impedir que o paciente não consiga voltar a andar.

TENDINITE – Sintomas, Causas e Tratamento

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Tendinopatia ou tendinose são os termos atualmente usados para descrever as lesões do tendão que antigamente eram chamadas de tendinite.

A tendinose é uma síndrome clínica caracterizada por dor crônica e espessamento do tendão. Ele geralmente resulta do uso excessivo do tendão, principalmente em trabalhadores que fazem movimentos repetidos ou atletas amadores.

O termo tendinite tem sido abandonado, pois o sufixo “ite” é habitualmente usado para descrever a presença de inflamação em alguma estrutura, como nos casos de meningite (inflamação da meninge), apendicite (inflamação do apêndice) ou faringite (inflamação da faringe). A palavra tendinite, portanto, significa inflação do tendão. O fato é que na maioria das tendinopatias provocadas por uso excessivo do tendão há pouca ou nenhuma inflamação presente, o que torna o termo tendinite inadequado.

Resumindo, o termo tendinose deve ser usado para descrever uma lesão crônica do tendão, provocada pelo seu uso excessivo, o que antigamente era chamado de tendinite. O termo tendinite só deve ser usado para os poucos casos no qual há realmente um processo inflamatório do tendão. O termo tendinopatia é mais amplo e pode ser empregado para descrever qualquer lesão do tendão, seja ela uma tendinose, tendinite real, rutura, etc.

Feitas as devidas explicações, por ser um termo bastante consagrado e de mais fácil reconhecimento pelo público leigo, vou, ao longo do artigo, me dar a liberdade de usar os nomes tendinite, tendinopatia e tendinose como sinônimos, apesar de você já saber que o mais correto é mesmo tendinose.

Neste artigo falaremos sobre a tendinite em geral, ao longo das próximas semanas prepararemos artigos específicos sobre tendinite de ombro, joelhos, calcanhar e cotovelo.

O que é tendinite

O tendão é um cordão fibroso, composto de tecido conjuntivo e colágeno, que existe ao final de cada músculo, sendo responsável pela fixação do mesmos aos ossos. De forma bem simples, podemos dizer que o tendão é uma espécie de corda que fica grudada aos ossos, ajudando os mesmos a se moverem toda vez que o músculo se contrai. É graças aos tendões que conseguimos mover os dedos, as mãos, pernas, ombros, e diversas outras partes do corpo.

Alguns tendões são superficiais e facilmente identificáveis, como os tendões das mãos e dos pés demonstrados nas fotos ao lado.

Outro tendão facilmente identificado é o tendão de aquiles, também chamado tendão calcâneo, que liga os músculos da panturrilha ao calcanhar. Se você passar os dedos logo acima do osso do calcanhar irá notar a presença deste um robusto cordão fibroso.

Como os tendões são os responsáveis por transmitir as forças dos músculos aos ossos, os mesmo são constantemente submetidos a tração e estresses mecânicos, que, caso ocorram de forma intensa e/ou repetida, podem levar a pequenas fissuras e degenerações do tendão, principalmente em indivíduos mais velhos, que já possuem um tendão menos elástico e, portanto, mais susceptível a esgarçamentos.

A tendinopatia geralmente ocorre quando o tendão sofre lesões por uso excessivo e não consegue ter um “descanso” para se curar adequadamente, tornado-se mais espesso e com cicatrizes. Também são comuns alterações tais como áreas de desorganização das fibras, calcificações e até necrose do tendão.

Causas da tendinite

Conforme vamos envelhecendo, nosso tendões vão perdendo elasticidade, fazendo com que, a partir dos 35 anos, as tendinopatias se tornem cada vez mais comuns.

O fato de nas últimas décadas a população de meia-idade ter se tornado mais ativa colaborou para o aumento da incidência de tendinites, principalmente os do tendão de aquiles e tendões do joelho, cotovelo, punho e ombro.

A tendinite pode surgir por movimentos repetitivos que ocorrem no trabalho ou mesmo durante a prática de exercícios, como correr, jogar tênis, basquete, volei ou golfe. Pessoas com sobrepeso, com musculatura fraca ou que trabalhem em condições inadequadas também apresentam mais riscos de desenvolverem tendinites.

Sintomas da tendinite

O principal sintoma da tendinite é a dor, que piora quando o tendão é utilizado. Nas tendinopatias dos tendões mais superficiais, como no caso do tendão de Aquiles, é possível notar dor e um espessamento do tendão à palpação do mesmo. Um inchaço na região do tendão também é comum.

O quadro clínico específico depende do tipo de tendão acometido. Por exemplo, nas tendinites do ombro (tendinopatia do manguito rotator), o paciente sente uma dor profunda no ombro quando tenta fazer movimentos com o braço; na tendinite do joelho (tendinopatia patelar), há uma dor na porção anterior do joelho toda vez que o paciente anda, sobe ladeira ou quando está sentado e levanta-se.

Diagnóstico da tendinite

Uma tendinose pode ser diagnosticada apenas com o exame físico. Quando há dúvidas, exames de imagens, como a ultrassonografia ou a ressonância magnética podem ser solicitados.

Tratamento da tendinite

Muitas vezes, o paciente acaba se automedicando para a dor e demora para procurar um ortopedista, que é o especialista para tratar tendinopatias. A demora para iniciar um tratamento pode diminuir as chances de cura completa.

O primeiro passo no tratamento da tendinose é identificar e corrigir a causa. Posições inadequadas na hora de escrever ou datilografar, tênis inapropriados para correr, falta de orientação de um profissional de educação física na hora de fazer musculação ou nadar, etc., podem ser causas corrigíveis de tendinopatias. Para as pessoas que trabalham com computador e têm tendinite no braço, a troca por um teclado mais ergonômico pode ser a solução. Às vezes, basta mudar a altura da cadeira ou a posição do punho ou do cotovelo durante o trabalho para reduzir a carga sobre o tendão afetado.

No período de recuperação, o paciente deve evitar sobrecarregar o tendão lesionado. Repouso é essencial. A fisioterapia para reabilitação muscular e do tendão é muito importante no processo de recuperação. É preciso ter paciência, pois o tratamento de reabilitação do tendão pode durar várias semanas.

Medicamentos anti-inflamatórios podem ser usados por curto período, como 5 a 7 dias. Tratamentos mais prolongados não apresentam benefícios e ainda aumentam muito os risco de efeitos colaterais (leia: EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS). As pomadas contendo anti-inflamatórios podem ajudar na dor e apresentam menos efeitos colaterais que os comprimidos.

Da mesma forma, a injeção de corticoides pode ser usada de forma pontual para aliviar os sintomas na fase mais crítica da tendinite, porém, o seu uso de forma repetida é prejudicial, já que aumenta o risco de rotura do tendão (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Efeitos colaterais).

Aplicação local de calor ou gelo podem ser usados para aliviar a dor.

Tratamento vendidos como de última geração, tipo Laser, ultrassom ou ondas de choque apresentam mais publicidade do que resultados nos estudos clínicos.

A Acupuntura pode ajudar no controle da dor aguda, mas não há evidências científicas de que, a longo prazo, haja benefícios.

Se após 6 meses de tratamento não houver relevante melhora da dor, deve-se pensar no tratamento cirúrgico,

CAPSULITE ADESIVA – Ombro Congelado

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A capsulite adesiva, conhecida popularmente como “ombro congelado”, é um quadro que se caracteriza por limitação dos movimentos e intensa dor no ombro, que pode durar de vários meses até anos. A capsulite adesiva é provocada por uma inflamação da cápsula que reveste a articulação do ombro.

O ombro congelado é um problema relativamente comum, acometendo cerca de 3 a 5% da população geral. A doença torna-se mais frequente a partir dos 55 anos, sendo rara antes dos 40 anos de idade. As mulheres são mais acometidas que os homens.

Estudos mostram que o ombro do braço não dominante é ligeiramente mais susceptível à capsulite adesiva; portanto, canhotos têm mais risco de lesão no ombro direito e destros têm mais chances de ter capsulite no ombro esquerdo. Independentemente de qual ombro foi acometido primeiro, em cerca de 10% dos pacientes, o ombro contralateral também torna-se doente dentro de um intervalo de 5 anos.

Neste artigo vamos explicar o que é a capsulite adesiva, como ela surge, quais são os seus sintomas e quais são as formas de tratamento atualmente disponíveis.

O que é a capsulite adesiva

O ombro é uma articulação formada por 3 ossos: o úmero (osso do braço), a clavícula e a espátula (também conhecida como omoplata).

Acompanhe a ilustração ao lado para entender melhor a anatomia do ombro. A extremidade superior do úmero, chamada de cabeça do úmero, tem a forma de um globo e se encaixa na cavidade glenoide, que é uma fossa em formato esférico na lateral da escápula. O encaixe de um osso com extremidade convexa em uma fossa côncava cria uma articulação que permite ao osso mover-se de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos.

A articulação do ombro é envolvida pela cápsula articular do ombro, que é uma membrana que ao mesmo tempo cria estabilidade e permite a livre movimentação da articulação.

A capsulite adesiva é uma doença que provoca inflamação, fibrose, espessamento e rigidez da cápsula articular, levando à dor e à impotência funcional do ombro. A capsula, que normalmente é um tecido elástico, torna-se rígida e bastante dolorosa.

A capsulite adesiva é uma lesão ombro diferente da bursite e da tendinite do ombro. A bursite do ombro é provocada pela inflamação da bursa sinovial, que é uma espécie de almofada localizada no interior da articulação. Já a tendinite do ombro, como o próprio nome diz, é uma inflamação dos tendões do ombro.

Leia também:
– BURSITE NO OMBRO ? Causas, Sintomas e Tratamento.
– TENDINITE ? Sintomas, Causas e Tratamento.

Causas da capsulite adesiva

A capsulite adesiva pode estar relacionada a traumas do ombro ou a doenças sistêmicas, que nada têm a ver a articulação do ombro, tais como diabetes, hipotireoidismo ou doenças cardiovasculares. O ombro congelado também pode ser uma doença idiopática, isto é, um problema que surge sem que possamos identificar uma causa clara.

Não sabemos exatamente qual é o mecanismo fisiopatológico que leva à formação da capsulite adesiva, mas alguns fatores de risco já estão bem estabelecidos. São eles:

Sintomas da capsulite adesiva

Os dois principais sintomas do ombro congelado são a dor e a incapacidade funcional, que é a dificuldade de fazer os movimento habituais do ombro.

A capsulite adesiva habitualmente se desenvolve em três fases:

  1. Fase dolorosa ou inflamatória ? o quadro de capsulite adesiva inicia-se com progressiva dor ao movimento, que torna-se muito intensa e causa também gradual perda da capacidade de mover o ombro. Os sintomas agravam-se ao longo de semanas e costumam ser piores à noite. Ao contrario da bursite e da tendinite, cuja dor estão associadas a determinados movimentos do ombro, a dor da capsulite surge com qualquer tipo de movimento. Essa fase dura de 2 a 9 meses.
  2. Fase de congelamento ou rigidez ? Após meses de agonia, a dor começa a reduzir. Por outro lado, a rigidez do ombro torna-se mais intensa, impedindo a sua mobilidade. Nesta fase, que dura de 4 a 12 meses, a incapacidade funcional não está diretamente ligada à dor, o paciente simplesmente não consegue mover o ombro como antigamente porque ele encontra-se rígido ou “congelado”. Levantar o braço, coçar as costas, vestir um casaco ou fechar o sutiã podem se tornar tarefas impossíveis. Nesta fase, a dor só costuma surgir quando o paciente tenta mover o ombro para além do possível.
  3. Fase de recuperação ou descongelamento ? após mais de 1 ano de dor e incapacidade funcional, o ombro começa a “descongelar”. O paciente vai, aos poucos, retomando a capacidade de mover os ombros de forma ampla e a dor desaparece completamente. Essa fase pode demorar de 5 a 24 meses para ficar completa.

O tempo de evolução da doença varia de caso a caso, mas é muito comum que o ombro congelado atrapalhe as atividades normais da vida do paciente por pelo menos 2 anos. Alguns pacientes podem ficar com sequelas, perdendo de forma definitiva cerca de 15% da mobilidade do ombro.

Diagnóstico da capsulite adesiva

O diagnóstico do ombro congelado é feito habitualmente pelo médico ortopedista, através do exame físico e de exames complementares.

Um teste que pode ser utilizado para distinguir a capsulite adesiva de outras patologias dolorosas do ombro é o teste da injeção. O médico injeta uma quantidade de anestésico na articulação e nota se o paciente consegue voltar a mover o ombro de forma normal. Nos pacientes com ombro congelado, a anestesia alivia a dor, mas não melhora a mobilidade.

A radiografia e a ultrassonografia não são bons exames para o diagnóstico da capsulite adesiva, mas eles ajudam no diagnóstico diferencial, pois podem identificar outras causas de dor no ombro, como bursite e tendinites.

Se após o exame físico, teste da injeção e exames de imagem, o médico ainda estiver na dúvida do diagnóstico, a ressonância magnética é o exame mais adequado para avaliar a saúde da cápsula articular. Nas fases inciais da doença, porém, a ressonância pode não conseguir identificar a capsulite.

Tratamento da capsulite adesiva

Como a capsulite adesiva é uma doença autolimitada, que resolve-se sozinha após vários meses, o tratamento inicialmente visa o controle da dor e o restabelecimento de parte dos movimentos do ombro.

1 – Tratamento da fase dolorosa da capsulite adesiva

A dor pode ser inicialmente tratada com analgésicos comuns, tais como paracetamol ou dipirona (metamizol) (leia: Dipirona | Metamizol ? Indicações, Efeitos Colaterais e Perigos). Anti-inflamatórios são medicamentos com boa eficácia, mas o seu uso diário por vários meses seguidos deve ser desencorajado devido aos efeitos colaterais gástricos, renais e cardiovasculares (leia: ANTI-INFLAMATÓRIOS – Ação e Efeitos Colaterais). Em casos de dor de difícil controle, o médico pode prescrever analgésicos mais fortes, à base de derivados da morfina.

A injeção intra-articular de corticoides (infiltração) é uma boa opção para o controle da dor nos primeiros meses, principalmente para aqueles pacientes que não melhoram com o uso de analgésicos ou anti-inflamatórios diariamente. Corticoides por via oral não são indicados pelo elevado risco de efeitos colaterais (leia: PREDNISONA E GLICOCORTICOIDES ? Efeitos Colaterais e Indicações).

2 – Tratamento da fase de rigidez da capsulite adesiva

Após o alívio da dor, o médico pode indicar exercícios e fisioterapia para melhorar a mobilidade do ombro afetado. Os exercícios devem ser começados de forma leve, sempre utilizando a dor como parâmetro.

3 – Tratamento cirúrgico da capsulite adesiva

O tratamento cirúrgico, habitualmente feito por artroscopia, costuma ficar restrito apenas aos casos mais graves e que não obtêm resposta satisfatórias com outros tipos de tratamento. O objetivo da cirurgia é “libertar” a cápsula, permitindo que a articulação possa voltar a se mover livremente. Em geral, a cirurgia é feita apenas após 1 ano de doença, numa fase em que há menos inflamação e mais fibrose da cápsula.

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BURSITE NO OMBRO – Causas, Sintomas e Tratamento

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\"bursite\"
A dor no ombro é uma situação tão comum, que até 70% das pessoas terão este tipo de dor ao menos uma vez ao longo das suas vidas. Entre as várias causas possíveis de dor no ombro, a bursite do ombro, também chamada de bursite subacromial ou bursite subdeltoidea, é uma das mais comuns.

Bursite é o nome que damos à inflamação da bursa, também conhecida como bolsa sinovial, que é uma pequena bolsa cheia de líquido que age como um amortecedor, diminuindo o atrito entre músculos, tendões e ossos ao redor das articulações.

Neste artigo vamos explicar o que é a bursite no ombro, quais são as suas causas, sintomas, tratamentos disponíveis e formas de prevenção.

O que é a bursite subacromial

O ombro é uma das articulações mais complexas do nosso esqueleto, sendo formado por três ossos e vários músculos, tendões e ligamentos. O ombro é um articulação que permite a movimentação do braço de forma multiaxial, nos possibilitando uma grande amplitude de movimentos. Pra facilitar o deslizamento, diminuir o atrito e amortecer o impacto entre as estruturas anatômicas do ombro existe a bursa, que é uma pequena bolsa com líquido lubrificante, que no caso específico do ombro localiza-se abaixo do acrômio (extremidade superior do osso escápula) e do músculo deltoide, motivo pelo qual ela é chamada de bursa subacromial subdeltoidea (veja ilustração abaixo).

A bursite do ombro, também conhecida como bursite subacromial, é um problema que surge quando a bursa subacromial subdeltoidea encontra-se inflamada. Frequentemente, a bursite faz parte de um quadro que chamamos de síndrome do impacto do ombro, que é uma patologia do ombro na qual não apenas a bursa encontra-se inflamada, mas também os músculos que passam pelo espaço subacromial apresentam sinais de tendinite (inflamação dos tendões – leia: TENDINITE ? Sintomas, Causas e Tratamento).

A síndrome do impacto e a bursite no ombro podem ser provocados por diversos fatores, incluindo traumas ou movimentos excessivos e repetitivos do ombro, como no caso de jogadores de vôlei, nadadores, golfistas, tenistas, ginastas, praticantes de musculação, pintores, jardineiros, carpinteiros, empregados da limpeza ou qualquer outra atividade profissional que exija movimentos frequentes e repetitivos do ombro.

A bursite do ombro também pode ter origem em doenças inflamatórias sistêmicas, tais como a polimialgia reumática, gota, artrite reumatoide, lúpus, atrite psoriásica e esclerodermia.

Sintomas da bursite no ombro

Dor no ombro e dificuldade para mover o braço são os sintomas mais comuns da bursite subacromial e da síndrome do impacto do ombro.

A dor da bursite costuma se localizar na parte superior do braço, ao longo do músculo deltoide, podendo irradiar-se até quase o cotovelo. A dor tende a inicia-se de forma leve, agravando-se ao longo de dias ou semanas.  A dor da bursite ou da síndrome do impacto agrava-se com a movimentação do braço, principalmente quando tentamos levantá-lo acima da linha do ombro. Como o tempo a dor torna-se presente mesmo com o braço em repouso. À noite, a dor pode atrapalhar o sono, principalmente nos momentos em que o paciente dorme com o corpo virado de lado, em cima do ombro afetado.

Com o agravamento da dor, o paciente começa a limitar os seus movimentos com o braço. Coçar as costas, vestir um casaco, fechar o zíper de um vestido, fechar o sutiã ou levantar o braço acima da cabeça tornam-se atitudes muito dolorosas. Como o paciente sente dor, a tendência é que ele progressivamente utilize menos o ombro afetado. Essa restrição dos movimentos do ombro pode levar ao surgimento de um segundo problema, que é a capsulite adesiva, também conhecida como ombro congelado. Explicamos a capsulite adesiva um artigo à parte: CAPSULITE ADESIVA ? Ombro Congelado.

Se a bursite no ombro não for tratada nas suas fases iniciais, a inflamação tende a ser tornar crônica e de mais difícil resolução. A prolongada inflamação da bursa pode levar à deposição de cálcio na mesma, o que provoca calcificação, enrijecimento e perda da sua capacidade de proteger a articulação.

Diagnóstico da bursite no ombro

O diagnóstico da bursite no ombro e da síndrome do impacto é habitualmente feito após avaliação conjunta da história clínica, do exame físico e de exames de imagens.

Durante o exame físico, o ortopedista fará alguns testes, movendo o seu ombro de diversas formas para tentar identificar quais são os movimentos que causam mais dor. Um outro teste habitualmente utilizado é a injeção de anestésico intra-articular. No caso da bursite ou da síndrome do impacto do ombro, a aplicação de anestésicos alivia a dor e permite que o paciente volte a ter a amplitude normal de movimentos. Já na capsulite adesiva,  o alívio da dor não vem acompanhada do retorno dos movimentos.

A radiografia do ombro não faz o diagnóstico da bursite, mas ajuda a descartar outras possíveis causas de dor no ombro, como lesões nos ossos ou osteoartrose (leia: ARTROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento).

Se após a completa avaliação clínica o ortopedista ainda tiver dúvidas do diagnóstico, o melhor exame de imagem para avaliar a bursa e os tendões é a ressonância magnética do ombro.

Tratamento da bursite no ombro

O tratamento inicial da bursite subacromial consiste em repouso, aplicação de gelo local e controle da dor com analgésicos e anti-inflamatórios.

Se o tratamento inicial não apresentar resultados satisfatórios dentro de 72 horas, ou se o paciente tiver contraindicações ao uso de anti-inflamatórios, o médico pode optar pela aplicação de uma injeção intra-articular de corticosteroides. Em muitos casos de bursite do ombro, uma simples injeção intra-articular leva à cura do quadro.

Após o controle da dor, a fisioterapia pode ser indicada, para que o paciente restabeleça sua força muscular e amplitude dos movimento do ombro.

Nos raros casos de bursite crônica que não respondem a nenhum tipo de tratamento, a cirurgia para remoção da bursa pode ser a solução.

Prevenção da bursite no ombro

Após o efetivo tratamento da bursite no ombro, algumas medidas podem ser implementadas para diminuir o risco de recorrência:

– Atividade física orientada por profissional para fortalecimento da musculatura.
– Alongamentos com orientação profissional.
– Evitar tarefas que exijam movimentos repetitivos do ombro durante muito tempo.
– Se não for possível evitar tarefas que sobrecarreguem os ombros, procure ao menos fazer algumas pausas durante o dia.
– Evitar atividades que causem dor no ombro.
– Usar as duas mãos para segurar ferramentas ou objetos pesados.
– Não ficar com o ombro imobilizado por longos períodos de tempo.
– Procurar manter um boa postura ao longo do dia, principalmente durante o trabalho.
– Iniciar repouso e tratamento assim que a dor no ombro surgir.

Este post também está disponível em: Espanhol

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