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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

URINA COM CHEIRO FORTE

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\"Urina
Uma urina mal cheirosa pode ser um indício de desidratação ou infecção urinária. Alimentos e medicamentos também são uma causa comum de alteração do odor da urina.

Neste texto vamos abordar as principais causas de uma urina com cheiro forte.

Causas de urina com cheiro forte

A urina apresenta um odor característico que é causado pela presença de uma substância chamada ureia. Quanto maior for a concentração de ureia, mais forte será o cheiro da urina. Na imensa maioria dos casos, uma urina mal cheirosa indica uma urina pouco diluída; em geral é uma urina com cor amarelo forte.

Portanto, o primeiro passo para que tem uma urina com cheiro forte é aumentar a ingestão de líquidos. Não existe um número mágico, temos que beber líquidos até a urina ficar quase transparente. Às vezes, são necessários até três litros de água por dia (leia: Quantos litros de água devemos beber por dia?).

Além de melhorar o cheiro, uma urina diluída impede a formação de cálculos renais (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Reparem na ilustração acima. Quanto mais desidratado o paciente estiver, mais água os rins irão tentar preservar, o que provoca uma urina concentrada, que se carateriza pela coloração mais amarelada e um odor mais intenso.

Mau cheiro na urina causado por bactérias

Se a urina já está bem diluída e ainda cheira mal, deve-se pensar na presença de bactérias que metabolizam a ureia em amônia, substância que apresenta odor ainda mais forte.

É importante salientar que a presença de bactérias na urina não indica necessariamente que haja uma infecção urinária. Só é considerada infecção urinária se houver sintomas associados à presença de bactérias (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento).

Além da presença de bactérias na urina, algumas uretrites (infecções da uretra), como a gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento), também podem ser a causa do mau cheiro. Um odor forte associado a um corrimento da uretra é muito indicativo de que a origem do cheiro seja uma infecção uretral. Nas mulheres, esse corrimento uretral, que é mais discreto que o corrimento vaginal, pode passar despercebido, sendo o mau cheiro na urina uma dica para o diagnóstico.

Aliás, no sexo feminino é preciso ter certeza de que o suposto mau cheiro da urina não é na verdade um mau cheiro da vagina, causado por corrimentos vaginais. Uma consulta ao ginecologista pode descartar infecções vaginais e uretrites (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE).

Outras causas de cheiro forte na urina

Existem medicamentos e alimentos que podem alterar o cheiro da urina. Aspargo e vitaminas são causas comum de urina com cheiro forte. Alguns antibióticos, principalmente da família da penicilina, também podem ser responsáveis. Às vezes não conseguimos detectar a causa do mau cheiro, mas mudanças na dieta podem melhorar o quadro.

O diabetes mellitus pode causar urina mal cheirosa, mas em geral apresenta outros sintomas associados, como perda de peso, fraqueza, sede, excesso de urina (poliúria), etc. Dificilmente, a urina com cheiro ruim é o único sintoma do paciente com diabetes (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e sintomas).

VÍDEO SUGERIDO:
PRINCIPAIS SINTOMAS DA INFECÇÃO URINÁRIAS

Em pessoas mais velhas, câncer de bexiga e fístula (ligação) da bexiga para o intestino podem ser a causa do cheiro ruim. O câncer de bexiga costuma surgir em fumantes e cursa com hematúria (presença de sangue na urina) (leia: HEMATÚRIA | URINA COM SANGUE). A fístula da bexiga com o intestino causa um sintoma chamado pneumaturia, que é a saída de gases do intestino pela urina. São duas doenças que não devem ser pensadas em pessoas jovens, pois são muito raras nesta faixa etária.

Algumas doenças genéticas raras, como fenilcetonúria também dão cheiro forte, mas são doenças de recém-nascidos.

Tratamento para urina com cheiro forte

O melhor tratamento para uma urina mal cheirosa é uma maior ingestão de líquidos. Antes de qualquer investigação, devemos nos certificar que a urina está bem diluída.

Se a causa da urina com cheiro forte for uma infecção urinária, uma uretrite ou uma vaginite, o odor melhora com o uso de antibióticos para tratar essas infecções. Se forem detectadas bactérias na urina, mas não existirem sintomas de infecção urinária, o tratamento com antibióticos é polêmico. É preciso ter cuidado com o uso indiscriminado de antibióticos para evitar a ocorrências de bactérias resistentes. Se o odor for muito incômodo, um curso único de antibióticos pode até ser aceitável. Porém, se o cheiro forte retornar depois de um tempo, não é prudente ficar repetindo o uso de antibióticos devido ao risco de selecionar bactérias resistentes.

Uso de medicamentos, principalmente aqueles famosos suplementos de vitamina, cuja eficácia para saúde é duvidosa, podem ser a causa. O cheiro pode desaparecer após alguns dias sem estas substâncias.

Se o odor for algo que incomoda muito, sugiro uma consulta ao urologista ou ginecologista para elucidação do quadro.

Este post também está disponível em: Espanhol

PIELONEFRITE – INFECÇÃO DOS RINS

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Infecção urinária é qualquer quadro infeccioso que acometa uma ou mais partes do trato urinário, composto pelos rins, ureteres, bexiga e uretra. As infecções urinárias baixas são aquelas que acometem a bexiga e/ou a uretra. As infecções urinárias altas ocorrem quando há comprometimento de pelo menos um dos rins.

– A infecção da bexiga recebe o nome de cistite.
– A infecção da uretra é conhecida como uretrite.
– A infecção renal é chamada de pielonefrite.

Neste artigo iremos focar apenas a infecção dos rins, ou seja, a pielonefrite.

O que é pielonefrite

A pielonefrite é uma infecção bacteriana de um ou ambos os rins. A infecção renal é um caso potencialmente grave, já que estamos falando da infecção de um órgão vital. É um quadro que pode ter gravidade semelhante a uma pneumonia. Se não tratada a tempo e corretamente, pode levar à sepse (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?) e falência de múltiplos órgãos. Felizmente, a imensa maioria dos casos responde bem ao arsenal de antibióticos disponível no mercado. Os casos que evoluem de forma negativa são aqueles que demoram para receber tratamento ou quando o paciente já se encontra muito debilitado por outras doenças.

A pielonefrite é uma frequente causa de formação de cicatrizes nos rins, podendo levar à perda parcial da função renal, principalmente nos pacientes que têm infecções recorrentes.

Causas da pielonefrite

A infecção dos rins acontece de duas maneiras. A principal via é a ascendente, quando bactérias da bexiga alcançam os ureteres e conseguem subir até os rins. Isto ocorre normalmente nas cistites não tratadas ou tratadas de forma inadequada.

Menos frequentemente, a colonização assintomática da bexiga por bactérias também pode ser a fonte de uma infecção renal. Nestes casos, o paciente tem bactérias em sua bexiga, mas não apresenta sintomas, pois os germes estão apenas colonizando-a, sem atacá-la. Portanto, nem todas as pessoas relatam sintomas de cistite antes do surgimento da pielonefrite.

O segundo modo de infecção dos rins é pelo sangue, quando uma bactéria que está provocando infecção em algum local do corpo viaja pela corrente sanguínea e se aloja no rim. Esta via é bem menos frequente do que a via ascendente.

Além da cistite, que é o principal fator de risco, existem outras situações que podem aumentar o risco de infecção dos rins. Podemos citar o uso de cateteres vesicais (algália), cirurgias urológicas, cálculo renal, anormalidades anatômicas do trato urinário e doenças da próstata que causam obstrução do fluxo da urina (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA E HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA).

Pacientes com sistema imunológico fraco, como nos casos de diabéticos, insuficientes renais, cirróticos, portadores do vírus HIV ou pacientes em uso de medicamentos imunossupressores apresentam maior risco de apresentarem uma cistite que evolua para pielonefrite.

Sintomas da pielonefrite

Os sintomas típicos da pielonefrite são febre, dor lombar, náuseas, vômitos e queda do estado geral. Podem haver também sintomas de cistite, como dor ao urinar e vontade de ir ao banheiro com frequência, mesmo quando a bexiga está vazia. Outro sinal comum é a presença de sangue na urina (hematúria), que se apresenta normalmente como uma urina cor de Coca-Cola (leia: HEMATÚRIA – URINA COM SANGUE).

A pielonefrite é clinicamente dividida em 3 categorias:

– Pielonefrite aguda não complicada.
– Pielonefrite aguda complicada.
– Pielonefrite crônica.

1) Pielonefrite aguda não complicada

Ocorre normalmente em mulheres jovens, sem antecedentes de doenças ou alterações na anatomia do sistema urinário.

O quadro clínico é de febre alta, calafrios, náuseas, vômitos e dor lombar. Os sintomas de cistite, como ardência ao urinar, podem ou não estar presentes.

Assim como nas cistites, a principal bactéria causadora de pielonefrite é a Escherichia coli (leia: BACTÉRIA Escherichia coli | E.coli).

Só há necessidade de internação em casos mais graves. Se o paciente tiver bom estado geral e for capaz de tomar antibióticos por via oral, o tratamento pode ser feito em casa.

2) Pielonefrite aguda complicada

A pielonefrite complicada é aquela que evolui com abscesso dentro ou ao redor dos rins,  necrose da papila renal ou produção de gases dentro do rim, um quadro chamado pielonefrite enfisematosa.

A pielonefrite complicada normalmente ocorre em pessoas com obstrução do trato urinário, bactérias resistentes aos antibióticos ou em diabéticos.

O quadro clínico é igual ao da pielonefrite não complicada, porém apresenta pouca resposta aos antibióticos. O paciente pode apresentar uma resposta apenas parcial, com uma pequena melhora do quadro, mas com fadiga, mal estar, falta de apetite e náuseas que persistem por vários dias.

Uma pielonefrite que não melhora completamente após antibioticoterapia apropriada deve ser estudadas com exames de imagens, como tomografia computadorizada e ultra-som (ecografia), para investigação de anormalidades que possam estar perpetuando a infecção.

3) Pielonefrite crônica

A pielonefrite crônica é um quadro de infecção urinária recorrente, habitualmente associada a má-formações urinárias, obstruções por cálculo renal ou refluxo vesico-ureteral (refluxo da urina da bexiga de volta para o ureter e rins). Costuma levar à cicatrização do rim e à insuficiência renal crônica, principalmente em crianças com refluxo urinário.

Complicações da pielonefrite

Como já referido, se a pielonefrite não for tratada corretamente com antibióticos, existe um risco grande de evolução para sepse grave. As bactérias presentes nos rins conseguem facilmente alcançar a corrente sanguínea, espalhando-se por todo o organismo, podendo levar à falência de múltiplos órgãos.

Outro problema da pielonefrite, principalmente se recorrente, é a lesão permanente do rim. Pacientes com pielonefrite crônica podem evoluir com insuficiência renal terminal e necessitar de hemodiálise (leia: O QUE É HEMODIÁLISE?).

Diagnóstico da pielonefrite

O diagnóstico da infecção renal é geralmente feito apenas com os sintomas clínicos. Exames laboratoriais ajudam a confirmar o diagnóstico. O hemograma tipicamente apresenta uma elevação da contagem de leucócitos e a PCR encontra-se elevada. No exame de urina são comuns os achados de pus (leucócitos na urina) e sangue (hemácias na urina).

A urocultura deve ser sempre solicitada, pois ela é capaz de identificar a bactéria que está provocando a pielonefrite, ajudando na escolha de antibióticos adequados. Porém, como a urocultura demora pelo menos 48 horas para ficar pronta, não devemos esperar o seu resultado para começar o tratamento com antibióticos. Após o resultado sair, o médico decide se mantém o esquema antibiótico inicial ou muda para um mais efetivo.

Tratamento da pielonefrite

Em geral, o tratamento da pielonefrite é feito de forma intra-hospitalar com antibióticos intravenosos. Se o paciente tiver boa saúde e ainda estiver com bom estado geral, ele pode receber a primeira dose por via intravenosa e depois completar o resto do tratamento em casa com antibióticos por via oral. Na maioria dos casos, porém, o paciente encontra-se bem debilitado, e dois ou três  dias de internação acabam sendo necessários para controlar a infecção.

Nos pacientes com pielonefrite crônica, a avaliação do urologista é necessária. Muitas vezes, o paciente precisa ser submetido a uma cirurgia para correção de anormalidades anatômicas do sistema urinário que estejam perpetuando uma infecção dos rins.

A pielonefrite não é uma doença contagiosa, portanto, não há risco de contaminação de familiares ou pessoas próximas.

A pielonefrite deve ser sempre tratada com antibióticos. Medicamentos ditos “naturais” podem proporcionar alívio temporário, porém, apenas postergam o tratamento correto da infecção, acarretando em riscos para o paciente.

EXAME UROCULTURA – Quando fazer e como colher

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\"Urocultura\"
A urocultura, também chamada de urinocultura ou cultura de urina, é o exame indicado para o diagnóstico da infecção urinária. Neste texto vamos abordar a forma correta de colher esta análise, quais suas indicações e falar um pouco sobre os possíveis resultados.

Em textos distintos já abordamos dois outros tipos de exame de urina:

– EAS ou Urina tipo I: EXAME DE URINA | Entenda os seus resultados
– Urina de 24 horas: URINA 24 HORAS | Como colher e para que serve

Temos vários  outros artigos relacionados à infecção urinária, que podem ser acessados através do seguinte link: ARQUIVO DE TEXTOS SOBRE INFECÇÃO URINÁRIA.

O que é a urocultura?

A urocultura é o exame de urina que identifica a presença de bactérias. Como os rins e a bexiga são locais estéreis, ou seja, sem micróbios presentes, a identificação de uma bactéria na urina costuma ser um forte indicador de uma infecção urinária. É importante salientar, porém, que nem sempre a presença de bactérias indica uma infecção ativa. Algumas delas podem colonizar a uretra e a bexiga sem necessariamente causar doença.

Colônias de bactérias no meio de cultura

A urocultura é feita através da colocação da urina em um meio propício à reprodução de bactérias, chamado meio de cultura. Caso a urina contenha germes, em 48 horas será possível identificar a formação de colônias de bactérias, podendo, deste modo, identificarmos qual tipo de bactéria está presente e quais antibióticos são eficazes em combatê-las (antibiograma).

No resultado da urocultura normalmente estão presentes o tipo de bactéria, o número de colônias formadas pela mesma e a lista de antibióticos sensíveis e resistentes. Falarei dos resultados com detalhes mais à frente.

Urocultura no diagnóstico das infecções urinárias

O melhor e o mais indicado exame para o diagnóstico de uma infecção urinária, seja ela uma infecção de bexiga, chamada de cistite, ou uma infecção dos rins, chamada de pielonefrite, é a urocultura (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento e PIELONEFRITE | INFECÇÃO DOS RINS | Sintomas e tratamento).

Um erro muito comum, inclusive para alguns médicos, é fechar o diagnóstico de infecção urinária baseado apenas nos resultados do EAS (exame comum de urina). Muitas vezes o paciente é desnecessariamente submetido a tratamentos com antibióticos apenas por ter leucócitos na urina ou apresentar discreta hematúria (leia:  HEMATÚRIA | URINA COM SANGUE).

É importante salientar que o EAS (urina tipo I) é um exame de urina que ajuda muito no diagnóstico dos males urinários, porém, ele é muito inespecífico e sozinho não deve fechar nenhum diagnóstico. Por exemplo, uma infecção urinária costuma dar leucócitos e sangue na urina, porém, outras doenças também o fazem, como cálculos renais, algumas DSTs (doenças sexualmente transmissíveis) e nefrites, para ficarmos apenas em 3 exemplos.

A urocultura é o exame de urina que identifica a bactéria causadora da infecção urinária. De modo mais simples, podemos dizer que o EAS nos mostra as consequências de uma possível infecção urinária, enquanto que apenas a urocultura é capaz de identificar o germe que está causando a infecção.

Mas o meu médico diagnosticou uma cistite sem pedir exame algum. Ele está errado?

Na verdade, não. Como a cistite é muito comum em mulheres e o resultado da urocultura pode levar até 3 dias para ficar disponível, se a paciente tiver um quadro clínico muito sugestivo de infecção urinária, o médico está autorizado a tentar um curso de antibióticos sem solicitar exames de urina.

Vantagens de se solicitar a urocultura

A urocultura é importante em alguns casos:
– Quando, após a avaliação clínica, o médico ainda não está seguro de se tratar de uma infecção urinária.
– Quando o primeiro curso de antibióticos não consegue eliminar a infecção.
– Quando há suspeita de pielonefrite.
– Nas mulheres grávidas.
– Nos casos de infecções urinárias de repetição.
– Nos casos de febre sem origem definida.
– Antes de procedimentos urológicos.

VÍDEOS SUGERIDOS:
Sintomas da infecção urinária

Por que a cistite é mais comum nas mulheres que nos homens?

Muitas vezes o médico tem certeza do diagnóstico de infecção urinária, mas pede a urocultura para ver o antibiograma e decidir qual o melhor antibiótico para o caso. Isto é muito comum naquelas mulheres com cistites de repetição que fizeram vários cursos de antibióticos ao longo da vida e já apresentam bactérias resistentes a algumas drogas.

Como colher uma urocultura

O primeiro ponto é fazer com que o paciente entenda que a coleta da urina deve ser estéril. É imprescindível impedir a contaminação da amostra de urina por bactérias que vivam no ambiente e em nossa pele. Para tal, alguns passos devem ser seguidos:

– Limpar bem a região genital, principalmente ao redor do meato uretral (saída da uretra). O ideal é usar gazes (compressas) estéreis para limpar e depois secar a região.
– O pote usado para colher a urina deve ser estéril.
– Na hora de urinar, deve se evitar o contato da urina com a pele ao redor, como grandes lábios ou o prepúcio do pênis.
– O primeiro jato de urina é sempre desprezado, pois este serve apenas para limpar as impurezas que ficam na uretra.
– A urocultura deve ser levada imediatamente para o laboratório após a sua coleta. Só é preciso refrigerá-la se o tempo entre a coleta e a entrega for muito longo.

A melhor urina para a urocultura é a primeira da manhã, pois durante a noite é quando a urina permanece por mais tempo na bexiga, favorecendo a multiplicação das bactérias. Entretanto, esta coleta de manhã nem sempre é possível pois o paciente costuma colhê-la logo após sair do consultório médico.

É bom salientar que o paciente não deve começar a tomar antibióticos antes da coleta da urina. Existe sempre a possibilidade do antibiótico não ser forte o suficiente para acabar com a infecção urinária, mas ser eficaz para impedir o crescimento das bactérias no meio de cultura, levando a um resultado falso-negativo da urocultura.

Resultados da urocultura

Uma urocultura é considerada negativa quando, após 48-72 horas de incubação da urina em meio de cultura, não se observa crescimento de colônias de bactérias.

Uma urocultura é considerada positiva quando, após este mesmo tempo, é possível identificar mais que 100.000 colônias de bactérias, chamadas de unidades formadoras de colônias (UFC). Quando a urocultura é positiva, o resultado ainda apresenta o nome da bactéria que foi identificada, junto com os antibióticos que se mostraram eficazes em impedir seu crescimento, o chamado antibiograma.

O grande problema da urocultura está quando há crescimento de colônias de bactérias, mas estas estão em quantidade menor que as 100.000 UFC. Estes valores podem ser resultados de contaminação da amostra. Atualmente só se valorizam uroculturas entre 10.000 e 100.000 UFC quando também há piúria no EAS (leucócitos na urina) e sintomas clínicos sugestivos de infecção urinária.

Valores abaixo de 10.000 UFC são considerados contaminações por bactérias da região perineal.

Há, entretanto, algumas observações a serem feitas:

– Se o paciente estiver tomando antibióticos, estes podem inibir o crescimento das bactérias, e mesmo um resultado com menos de 100.000 UFC deve ser sempre valorizado.
– Em homens, o risco de contaminação é menor, portanto, valores maiores que 10.000 UFC já devem ser valorizados.
– Quando crescem bactérias da família  Pseudomonas, Klebsiella, Enterobacter, Serratia ou Moraxella, o resultado deve ser levado em conta mesmo com contagens menores que 100.000 UFC

Conclusões

Como pôde ser visto, a urocultura deve, como qualquer análise, ser interpretadas por profissionais qualificados. É sempre bom lembrar que quem deve ser tratado é o paciente e não o resultado do exame. Via de regra, se o paciente não tem queixas de infecção urinária, não há motivos para se pedir uma urocultura. O tratamento desnecessário de contaminações ou colonizações do trato urinário sem sinais de infecção, não traz nenhum benefício e ainda pode induzir a criação de bactérias resistentes.

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DOR AO URINAR – Principais Causas

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Dor ao urinar (ou ardência ao urinar) é um dos sintomas mais comuns na prática clínica, recebendo o nome de disúria no meio médico. A maioria das pessoas relaciona a dor para urinar apenas com infecção urinária, mas vários outros problemas do trato urinário ou ginecológico podem causar este tipo de sintoma.

Neste texto vamos tentar explicar quais são as doenças que devem ser pensadas quando um paciente apresenta queixas como dor ao urinar, ardência ao urinar, dor na bexiga ou ardência no canal da urina.

O artigo abordará os seguintes pontos sobre a disúria:

  • O que é disúria.
  • Quais são as suas causas.
  • Sintomas associados à disúria.
  • Como diagnosticar as causas de disúria.
  • QUal é o tratamento.

O que é disúria

A disúria abrange uma data de sintomas semelhantes que costumam indicar inflamação de alguma região do trato geniturinário. Entre os sintomas englobados no termo disúria, podemos citar:

– Dor ao urinar.
– Queimação ao urinar.
– Ardência ao urinar.
– Pontada ao urinar.
– Desconforto ao urinar.
– Dor na bexiga ao urinar.
– Dor na uretra (canal que leva a urina) ao urinar.
– Sensação de peso ao urinar.

A maior parte dos episódios de disúria ocorre por inflamação ou infecção da uretra e/ou bexiga. Porém, inflamações na próstata, testículo, epidídimo, vagina e útero também podem apresentar a disúria como um dos seus sintomas.

É muito importante conhecer as causas de disúria e saber correlacioná-las com o restante do quadro clínico para não cair na armadilha de achar que toda dor ao urinar é infecção urinária.

Antes de seguirmos em frente com o artigo, não deixe de assistir também ao vídeo sobre sintomas da infecção urinária produzido pela equipe do MD.Saúde:


Conheça nosso canal de vídeos do YouTube: MD.Saúde no YouTube

Causas de dor ao urinar

Vamos iniciar as explicações listando as principais causas de disúria para, a seguir, tentar mostrar como distinguir umas das outras:

Doenças que causam dor ao urinar:

Infecção urinária:
a. Cistite (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento).
b. Pielonefrite (leia: PIELONEFRITE | INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas e tratamento).

Uretrite (inflamação da uretra):
a. Clamídia (leia: CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).
b. Gonorreia (leia: GONORREIA – Sintomas e tratamento).
c. Herpes genital (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).

Vulvovaginites (inflamações da vagina e vulva): (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE)
a. Trichomonas vaginalis. (leia: TRICOMONÍASE | Sintomas e tratamento).
b. Candida albicans (leia: CANDIDÍASE | Sintomas e tratamento).

Doenças da próstata:
a. Prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).
b. Hiperplasia benigna da próstata (leia: HIPERPLASIA PROSTÁTICA BENIGNA | Sintomas e tratamento).
c. Câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA |Sintomas e tratamento).

Outras causas de disúria:
a. Epididimite (inflamação do epidídimo).
b. Tumor de bexiga.
c. Vaginite atrófica.
d. Cistite intersticial (leia: CISTITE INTERSTICIAL | Síndrome da bexiga dolorosa).
e. Irritação da uretra por substâncias, como sabonetes, amaciantes de roupa, perfumes ou medicamentos.
f. Trauma na região pélvica.
g. Urina muito concentrada (leia: URINA COM CHEIRO FORTE).
h. Cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | PEDRA NOS RINS | Sintomas da cólica renal).

Como se pode ver, a dor ao urinar é um sintoma que está presente em mais de uma dezena de doenças diferentes, sendo, portanto, necessária a avaliação médica para se estabelecer um diagnóstico correto.

Sintomas comuns associados à dor ao urinar

Como a dor ao urinar é um sintoma muito comum, o médico costuma usar a história clínica e os sintomas associados à disúria na investigação do quadro. Por exemplo, dor ao urinar em mulheres jovens costuma indicar cistite. Já em homens jovens, é mais provável que a disúria seja devido a uma prostatite ou uretrite. Em homens idosos, doenças da próstata devem ser sempre pensados, e em mulheres com corrimento, a uretrite e a vulvovaginite são as melhores apostas.

Vamos mostrar de forma resumida que tipos de informações ajudam a direcionar o diagnóstico da disúria.

1. A cistite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Mulher jovem.
– Aumento da frequência da urina.
– Sensação de esvaziamento incompleto da bexiga.
– Sangue na urina (leia: HEMATÚRIA | URINA COM SANGUE).
– Sintomas que se iniciaram 24-48h após relação sexual.

2. A pielonefrite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria mais:
– Febre alta.
– Suores e Calafrios.
– Vômitos.
– Astenia.
– Intensa dor lombar.
– Sangue na urina.

3. A uretrite por gonorreia ou clamídia é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria mais:
– Corrimento uretral purulento.
– História recente de sexo sem preservativos (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

4. A prostatite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Sexo masculino.
– Dificuldades para urinar.
– Febre.

5. A vaginite atrófica é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Mulher após a menopausa (leia: 25 SINTOMAS DA MENOPAUSA).
– Vagina ressecada.
– Dor durante relação sexual (leia: DURANTE O SEXO ? DISPAREUNIA E VAGINISMO).

6. A vulvovaginite é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Sexo feminino.
– Corrimento vaginal.
– Vermelhidão na vagina.
– Dor durante relações sexuais.

7. O cálculo renal é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Dor que inicia-se nas costas e desce em direção à virilha e genitália.
– Dor que desaparece após a pedra ser expelida na urina (pode não sumir imediatamente se a pedra ferir a uretra durante a passagem).
– Sangue na urina.

8. O aumento da próstata, seja por hiperplasia benigna ou por tumor, é um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Homem acima dos 50 anos.
– Jato urinário fraco.
– Dificuldade para urinar.
– Necessidade de levantar à noite várias vezes para urinar.
– Sangue na urina.

9. Tumor de bexiga é um um provável diagnóstico quando o paciente se queixa de disúria e também apresenta uma ou mais das seguintes características:
– Idade acima de 55 anos.
– Emagrecimento.
– Sangue na urina.
– História de tabagismo (MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).

Diagnóstico da disúria

É importante saber que a disúria é um sintoma e não uma doença. A dor para urinar é a consequência e não a causa. O diagnóstico e o tratamento devem mirar na doença que esteja causando a dor ao urinar. Em geral, os exames mais usados na investigação são:

– Análise simples de urina (EAS ou Urina tipo I) (leia: EXAME DE URINA | Entenda seus resultados).
– Urocultura (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher).
– Análise do corrimento uretral.
– Análise do corrimento vaginal.
– Ultrassonografia de próstata, bexiga e rins.
– Dosagem sanguínea do PSA.

A decisão de solicitar ou não cada um dos exames citados acima depende dos prováveis diagnósticos diferenciais estabelecidos após a avaliação médica inicial.

Em mulheres jovens, a cistite é disparada a principal causa de dor ao urinar, sendo, por vezes, desnecessário solicitar exames complementares para se fazer o diagnóstico. Não é uma conduta errada do médico prescrever antibióticos para infecção urinária após uma simples avaliação clínica.

Entretanto, se em mulheres jovens a cistite é o diagnóstico mais provável nos casos de disúria, o mesmo não se aplica aos homens jovens. Neste grupo, a cistite é pouco comum e as uretrites e prostatites devem sempre ser lembradas como diagnóstico diferencial quando há queixas de ardência ao urinar.

Tratamento da ardência ao urinar

O tratamento da disúria depende obviamente da causa. Infecções são tratadas com antibióticos, doenças da próstata devem ser avaliadas por um urologista, a vaginite atrófica melhora com estrogênio vaginal, etc. Não existe um remédio único que trate todas as causas de disúria ao mesmo tempo. Portanto, se não houver uma investigação adequada, não é possível haver um tratamento adequado.

Um erro muito comum é tratar apenas a dor ao urinar com analgésicos, como o Pyridium® (fenazopiridina), deixando de lado a verdadeira causa da disúria. O paciente toma o remédio, sente alívio temporário da dor, mas não se cura. A dor volta assim que o efeito do remédio acaba (em alguns casos a dor nem sequer desaparece completamente). Essa conduta além de atrasar a cura do quadro, pode trazer complicações por deixar a doença causadora da disúria progredir.

Este post também está disponível em: Espanhol

INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ

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\"Infecção
A infecção urinária, principalmente a infecção da bexiga, chamada de cistite, é uma complicação relativamente comum nas gestantes. A gravidez provoca mudanças hormonais e físicas no corpo da mulher que, junto à dificuldade com a higiene devido a uma barriga distendida, aumentam a frequência de infecções do trato urinário. Neste texto vamos falar sobre a infecção urinária na gravidez.

Chamamos de infecção urinária qualquer infecção que acometa rins, bexiga e/ou uretra. A infecção dos rins recebe o nome de pielonefrite, a infecção da bexiga chama-se cistite e infecção da uretra é a uretrite.

Temos no site outros artigos relacionados à infecção urinária, que podem ser acessados através do seguinte link: ARQUIVO DE TEXTOS SOBRE INFECÇÃO URINÁRIA.

Infecção urinária na gravidez – Bacteriúria

O nosso trato urinário habitualmente é estéril, ou seja, não contém germes. Todavia, algumas pessoas podem ter bactérias detectáveis em seu exame de urina, chamada de bacteriúria, sem que isso necessariamente indique uma infecção urinária. A presença de bactérias na urina sem a ocorrência de sintomas de infecção urinária é chamada de bacteriúria assintomática. Na maioria das pessoas a bacteriúria assintomática não possui relevância clínica e não precisa ser tratada. Entretanto, a gravidez é uma das poucas exceções a esta regra.

Mulheres grávidas apresentam um maior risco de desenvolverem infecção urinária quando apresentam bacteriúria. Alterações hormonais e da musculatura dos órgãos urinários favorecem o refluxo de urina e a dilatação dos ureteres, fatos que aumentam o risco de bactérias da bexiga chegarem aos rins, provocando pielonefrite.

Além do maior risco de pielonefrite, a bacteriúria assintomática na gravidez tem sido associada a um risco aumentado de nascimento prematuro, baixo peso do feto e aumento da mortalidade perinatal.

VÍDEO SUGERIDO:
PRINCIPAIS SINTOMAS DA INFECÇÃO URINÁRIAS

Portanto, ao contrário do que ocorre nas mulheres não grávidas, nas gestantes indica-se a pesquisa de bactérias na urina mesmo que as mesmas não apresentem queixas urinárias. Se for detectada bacteriúria, mesmo que não haja uma cistite ou pielonefrite, antibióticos estão indicados para esterilizar o trato urinário e evitar complicações na gravidez. Se não tratadas a tempo, cerca de 40% das gestantes com bacteriúria assintomática desenvolverão pielonefrite.

Cistite na gravidez

A cistite, infecção da bexiga, ocorre em aproximadamente 1 a 2% das mulheres grávidas. Como o risco de ascensão das bactérias em direção aos rins é maior nas gestantes, a cistite da grávida é considerada um quadro mais grave que as cistites das mulheres não grávidas.

A cistite na gestante é causada pelas mesmas bactérias das cistites comuns, com especial ênfase para a bactéria E.coli. O mecanismo de contaminação do trato urinário por bactérias é semelhante ao que ocorre em mulheres não gestantes, com o agravante de que o aumento do útero atrapalha o esvaziamento da bexiga, favorecendo o acúmulo de urina por mais tempo que o habitual, o que aumenta o risco de multiplicação de bactérias.

Os mecanismos, os fatores de risco e a prevenção da cistite, tanto em grávidas como em não grávidas, podem ser lidos no texto: INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas da cistite.

Os sintomas da cistite na grávida são os clássicos:

  • Dor ou ardência para urinar.
  • Vontade de urinar frequentemente.
  • Dificuldade em segurar a urina.
  • Vontade de urinar mesmo com bexiga vazia.
  • Dor ou sensação de peso na bexiga.
  • Sangue na urina.

O diagnóstico da cistite é feito através da urocultura.

Pielonefrite aguda na gravidez

A pielonefrite é a complicação mais comum do trato urinário em mulheres grávidas, ocorrendo em aproximadamente 2% de todas as gestações.

Assim como na cistite, a pielonefrite é geralmente causada pela bactéria E.coli. Como já explicado, as alterações hormonais e físicas da gravidez favorecem a ascensão de bactérias da bexiga para os rins, provocando infecção dos mesmos. A pielonefrite é uma infecção bem mais grave que a cistite e pode levar à sepse grave, com choque circulatório e insuficiência respiratória (leia: O QUE É SEPSE E CHOQUE SÉPTICO?).

Os sintomas pielonefrite são febre, calafrios e dor no flanco. Náuseas, vômitos e ardência ao urinar também podem estar presentes.

Assim como na cistite, o diagnóstico da pielonefrite também é feito através da urocultura.

Se quiser mais informações sobre pielonefrite, leia: INFECÇÃO URINÁRIA | Sintomas da pielonefrite.

Tratamento da infecção urinária na gravidez

Toda grávida deve colher uma urocultura na primeira visita ao obstetra ou entre a 12ª e 16ª semana de gestação. Também é comum o obstetra solicitar nova urocultura no terceiro trimestre.

Toda gestante com urocultura positiva deve ser tratada com antibióticos, independente de ter sintomas ou não. Na grávida, a bacteriúria assintomática é encarada como uma cistite.

a) Bacteriúria assintomática ou cistite

Antibióticos da classe quinolonas, como ciprofloxacino, norfloxacino e ofloxacino (leia: ANTIBIÓTICOS | Tipos, resistência e indicações), muito usados para tratar infecção urinária, são contraindicados na gravidez. O Bactrim também não deve ser usado como primeira opção.

Atualmente as opções seguras para tratar bacteriúria assintomática ou cistite na grávida são:

  • Nitrofurantoína (Macrodantina ®) (100 mg por via oral cada 12 horas durante 5-7 dias)
  • Amoxicilina (500 mg por via oral cada 8 ou 12 horas durante 3-7 dias)
  • Amoxicilina-clavulanato (500 mg por via oral cada 12 horas durante 3-7 dias)
  • Cefalexina (500 mg por via oral cada 6 horas durante 3-7 dias)*
  • Fosfomicina (3 g por via oral em dose única).

* A FEBRASGO indica um intervalo de 6/6h, porém algumas fontes internacionais sugerem cefalexina 500 mg de 12/12h por 3 a 7 dias.

Uma semana após o término do tratamento deve-se repetir a urocultura para se confirmar a eliminação da bactéria. Se a urocultura se mantiver positiva, o tratamento deve ser repetido, desta vez por mais tempo.

Após a comprovada eliminação da bactéria, a urocultura deve ser repetida todo mês até o final da gestação.

Pacientes com mais de dois episódios de bacteriúria durante a gravidez podem se beneficiar de um tratamento profilático com macrodantina, um comprimido de 100mg diariamente, até o fim da gravidez.

Em mulheres com história de cistite de repetição antes da gravidez, o uso de antibióticos profiláticos também pode ser usado. Nas mulheres com aumento da incidência de cistite após relação sexual, indica-se uma dose de antibióticos pós-coito como medida profilática.

b) Pielonefrite

Com base no maior risco de complicações em mulheres grávidas, a pielonefrite tem sido tradicionalmente tratada com hospitalização e antibióticos intravenosos até que a paciente encontre-se assintomática e afebril por pelo menos 48 horas. Após este período a paciente pode ter alta hospitalar com antibióticos por via oral visando completar 14 dias de tratamento.

10 SINTOMAS DA INFECÇÃO URINÁRIA

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A infecção urinária é um termo amplo usado para descrever a infecção de alguma estrutura do sistema urinário. A infecção urinária pode acometer rins, bexiga ou uretra, e é geralmente causada por uma bactéria.

Existem três tipos de infecção do trato urinário, que são classificadas da seguinte forma:

– Quando a infecção acomete os rins, o paciente apresenta um quadro chamado de pielonefrite.
– Quando a infecção acomete a bexiga, o paciente apresenta um quadro chamado de cistite.
– Quando a infecção acomete a uretra, o paciente apresenta um quadro chamado de uretrite.

Neste texto vamos falar especificamente sobre os sintomas de infecção do sistema urinário, seja ela uma cistite, uretrite ou pielonefrite.

Sintomas da infecção urinária 1# – Dor para urinar (disúria)

– Origem provável: uretra ou bexiga

A dor para urinar, chamada disúria, é talvez o sintoma de infecção urinária mais comum. A disúria é um termo que engloba diferentes queixas durante a micção, tais como dor, ardência, queimação, incômodo ou sensação de peso na bexiga.

A disúria é um sintoma muito comum na cistite e na uretrite, podendo ocorrer eventualmente na pielonefrite. É causada pela irritação da bexiga e da uretra provocada pela infecção.

Nas mulheres, infecções ginecológicas podem causar dor para urinar, seja por inflamação na área ao redor da entrada da uretra ou pela dor que o contato da urina ácida provoca com a vulva inflamada. A dica para se pensar em infecção ginecológica e não em infecção urinária é a presença de corrimento vaginal (leia: Tipos de Corrimento Vaginal: Branco, Amarelo, Marrom?).

Temos um texto específico sobre disúria e suas causas: DISÚRIA | DOR AO URINAR

Sintomas da infecção urinária 2# – Sangue na urina (hematúria)

– Origem provável: uretra, bexiga ou rins

A presença de sangue na urina é chamada de hematúria. Sangue na urina é o sinal de infecção urinária que mais assusta os pacientes, mas geralmente não é um sinal de gravidade. A hematúria pode ser macroscópica, quando é facilmente notada na urina, ou microscópica, quando só é detectada através de exames laboratoriais.

A presença de sangue na urina é um sintoma comum na cistite, mas também pode ocorrer na pielonefrite ou na uretrite. Assim como a disúria, a presença de sangue surge pela irritação da bexiga e da uretra.

Temos um textos específico sobre hematúria: HEMATÚRIA | URINA COM SANGUE

Sintomas da infecção urinária 3# – Febre

– Origem provável: rins

Quando se pensa em infecção, a febre é sempre um dos sinais que  vêm à mente. Na infecção urinária, entretanto, a febre só costuma surgir nos casos de pielonefrite. Cistite não costuma causar febre, quando o faz, geralmente é abaixo dos 38ºC. A febre também não é comum na uretrite, exceto nos casos mais graves, onde há disseminação da bactéria para a corrente sanguínea.

Na pielonefrite a febre costuma ser alta, maior que 38ºC, e é frequentemente acompanhada de calafrios. A febre alta é o sinal que costuma diferenciar a pielonefrite das outras causas de infecção urinária.

Falamos especificamente sobre febre neste texto: O QUE É FEBRE?

Sintomas da infecção urinária 4# – Vontade constante de urinar

– Origem provável: uretra ou bexiga

Sentir necessidade de urinar a toda hora também é um sintoma comum da cistite e recebe o nome de polaciúria. O paciente sente vontade urinar com frequência, porém o volume de urina a cada micção é pequeno. Muitas vezes há uma sensação de esvaziamento incompleto da bexiga; sente-se que ainda há urina  mas ela simplesmente não sai. Na verdade, a bexiga está vazia, mas como encontra-se irritada, o paciente tem a falsa impressão de que precisa urinar.

Sintomas da infecção urinária 5# – Corrimento uretral

– Origem provável: uretra

A saída de pus pela uretra é um sinal típico das uretrites, sendo quase sempre causada por uma doença sexualmente transmissível (leia: O QUE É UMA DST?). O corrimento uretral vem frequentemente acompanhado de disúria.

Tanto a cistite quanto a pielonefrite não provocam corrimento uretral, sendo este é um sintoma típico de infecção da uretra. Nas mulheres com uretrite, o corrimento uretral pode vir acompanhado também de corrimento vaginal, pois é comum que infecções como gonorreia e clamídia também provoquem inflamação da vagina.

Sintomas da infecção urinária 6# – Náuseas e vômitos

– Origem provável: rins

Náuseas e vômitos são sintomas comuns na pielonefrite e costumam aparecer junto com a febre. A cistite pode causar um mal estar, mas não costuma provocar vômitos. A perda do apetite também é frequente na pielonefrite. Assim como a febre, náuseas e vômitos só costumam surgir nas uretrites em casos de doença mais avançada.

Sintomas da infecção urinária 7# – Dor lombar

– Origem provável: rins

A dor lombar, geralmente mais intensa de um lado, é outro sintoma comum da pielonefrite. Na verdade, são poucas as doenças que fazem o rim doer; a pielonefrite é uma delas. A cistite também pode causar uma leve dor lombar, mas é habitualmente bem menos intensa que na pielonefrite.

Falamos especificamente sobre causas de dor no rim neste artigo: DOR NO RIM

VÍDEOS SUGERIDOS:
Sintomas da infecção urinária

Por que a cistite é mais comum nas mulheres que nos homens?

Sintomas da infecção urinária 8# – Mau cheiro na urina

– Origem provável: bexiga ou uretra

Uma urina com mau cheiro pode ser um sinal de bactérias na urina, cuja origem pode ser uma cistite ou uma uretrite. Porém, na maioria dos casos, a causa do odor ruim é apenas uma urina muito concentrada. A ureia, uma substância presente em grande quantidade na urina, e a causa do odor característico da urina. Se a urina estiver pouco diluída, o cheiro da ureia torna-se mais perceptível.

Falamos sobre urina mal cheirosa no seguinte artigo: URINA COM MAU CHEIRO

Sintomas da infecção urinária 9# – Desorientação e alterações do estado de consciência

– Origem provável: rins

A pielonefrite é um caso potencialmente grave, que pode levar a um quadro de infecção generalizada. Se não reconhecida e tratada a tempo, o paciente pode começar a apresentar sinais neurológicos, como desorientação, prostração e até redução do nível de consciência.

Os idosos são a população que mais apresentam esse tipo de quadro durante uma infecção do trato urinário. Muitas vezes, não há febre nem outros sintomas, sendo a alteração neurológica a única pista de que há uma infecção em curso.

Sintomas da infecção urinária 10# – Perda involuntária de urina

– Origem provável: bexiga

Além da vontade constante de urinar, o paciente com infecção da bexiga pode ter dificuldade em segurar a urina. O indivíduo sente vontade de urinar, mas não consegue chegar a tempo ao banheiro, perdendo urina involuntariamente. Esse sinal chama-se urgência urinária, e é muito comum nas crianças e nos idosos.

Resumindo os sintomas de infecção do trato urinário e sua origem:

Principais sintomas da cistite:

  • Ardência, dor ou desconforto para urinar.
  • Sangue na urina.
  • Vontade constante de urinar, mesmo com a bexiga vazia (ou quase vazia).
  • Sensação de peso na bexiga.
  • Urgência urinária (não conseguir segurar a urina até chegar ao banheiro).

Principais sintomas da pielonefrite:

  • Febre alta.
  • Calafrios.
  • Náuseas e vômitos.
  • Dor lombar.
  • Prostração.
  • Desorientação (mais comum nos idosos).
  • Sangue na urina.

Principais sintomas da uretrite:

  • Corrimento purulento pela uretra.
  • Ardência para urinar.
  • Sangue no sêmen.
  • Incômodo nos órgãos genitais.
  • Dor durante o sexo.
  • Sangue na urina.

Este post também está disponível em: Espanhol

TRATAMENTO PARA INFECÇÃO URINÁRIA

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Infecção urinária é o nome dado à infecção de qualquer estrutura do trato urinário, incluindo uretra, bexiga, ureteres ou rins. Em mais de 95% dos pacientes a infecção é de origem bacteriana, sendo a bactéria Escherichia coli responsável por mais de 3/4 destes casos.

Não existe um tratamento único que sirva para todas as formas de infecção urinária. O medicamento mais indicado vai depender do agente causador, do sexo do paciente, do local do trato urinário acometido, da gravidade da doença e do estado clínico do paciente.

Neste artigo vamos abordar tratamento da cistite, incluindo as seguintes nas situações clínicas:

  • Tratamento da cistite em mulheres.
  • Tratamento da cistite em homens.
  • Tratamento da cistite em grávidas.

Para ler sobre a pielonefrite, infecção urinária que acomete os rins, acesse o link: INFECÇÃO URINÁRIA | Pielonefrite

Tratamento da cistite

Cistite é o nome dado à infecção da bexiga, sendo a forma mais simples e mais comum de infecção urinária. A cistite ocorre preferencialmente em mulheres, sendo incomum em homens saudáveis.

Vamos dividir a explicação do tratamento da cistite em 5 grupos:

a. Cistite não complicada em mulheres.
b. Cistite complicada em mulheres.
c. Cistite em grávidas.
d. Cistite em homens.
e. Urocultura positiva em pacientes sem sintomas.

Se você quiser saber mais informações sobre cistite, além do tratamento, leia: CISTITE | Sintomas e tratamento.

a. Cistite não complicada

A infecção da bexiga que ocorre em mulheres sem problemas de saúde é chamada de cistite não complicada. Este é o tipo mais comum de infecção urinária.

A imensa maioria dos casos de cistite não complicada é causada pela bactéria E.coli (leia: BACTÉRIA Escherichia coli | E.coli), mas outras bactérias, como o Proteus mirabilis, Klebsiella pneumoniae e Staphylococcus saprophyticus também podem ser as causadoras. Portanto, o tratamento da cistite não complicada em mulheres deve sempre incluir um antibiótico que tenha ação contra estas bactérias, principalmente sobre a E.coli, responsável por mais de 80% dos casos.

A escolha do antibiótico é feita mais corretamente quando baseada nos resultados da urocultura, exame de urina usado para identificar qual é a bactéria que está causando a infecção. No resultado da urocultura, além da identificação da bactéria, o laboratório também fornece uma lista com os antibióticos que invitro se mostraram mais eficazes para combatê-la. Esta lista é chamada antibiograma. Portanto, quando o médico tem acesso ao resultado da urocultura, a escolha do antibiótico deve sempre se basear no antibiograma (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher).

Cabe ressaltar que na maioria das vezes a cistite é uma infecção simples e de fácil tratamento, não havendo necessidade de solicitar urocultura para todos os casos. O resultado da urocultura demora de 2 a 4 dias para ficar pronto, o que atrasaria em vários dias o início do tratamento e o alívio dos sintomas. Em geral, como os sintomas são muito típicos, na suspeita de cistite não complicada em mulheres, o médico está autorizado a começar antibióticos empiricamente, sem pedir qualquer exame.

VÍDEOS SUGERIDOS:
Sintomas da infecção urinária

Por que a cistite é mais comum nas mulheres que nos homens?

Os remédios mais utilizados contra a cistite são os antibióticos que agem sobre as bactérias que habitualmente provocam infecção urinária, principalmente contra a bactéria E.coli. As melhores opções de tratamento empírico (sem orientação do antibiograma) incluem:

– Nitrofurantoína 100 mg de 12/12 por 5 a 7 dias.
– Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por 3 dias.
– Fosfomicina 3g em dose única.
– Levofloxacino 250mg a 500 mg 1x por dia por 3 dias.
– Ciprofloxacino 250 a 500 mg de 12/12 horas por 3 dias (leia: INFORMAÇÕES SOBRE CIPROFLOXACINO).
– Norfloxacino 400 mg de 12/12 horas por 3 dias.
– Amoxicilina-clavulanato 500 mg de 12/12 horas por 5 a 7 dias (amoxicilina pura, sem ácido clavulânico não é muito eficaz para tratar cistite) – leia: AMOXICILINA E AMOXICILINA COM CLAVULANATO | Bula simplificada.

A escolha do melhor tratamento cabe ao médico, baseado no conhecimento do perfil de sensibilidade da E.coli em cada comunidade. Há locais, por exemplo, onde a taxa de resistência da E.coli ao Bactrim é sabidamente elevada, não sendo esta uma boa opção para tratamento empírico.

O Pyridium (Fenazopiridina) ou o Cystex não são antibióticos efetivos e, portanto, não servem para tratar infecção urinária. Estas drogas são somente analgésicos, servindo apenas para aliviar temporariamente os sintomas de ardência urinária, sem ter ação efetiva sobre as bactérias (leia: DOR AO URINAR | Principais causas).

ATENÇÃO: não use este texto para se automedicar. Indicar antibióticos é tarefa do médico. A escolha equivocada pode causar graves efeitos colaterais e criar bactérias resistentes.

b. Cistite complicada

Cistite complicada é a infecção da bexiga que ocorre em mulheres com algum problema de saúde que aumente o risco de falha no tratamento. São geralmente consideradas cistites complicadas aquelas que ocorrem em pacientes com:

– Diabetes (leia: O QUE É DIABETES?).
– História de pielonefrite aguda nos últimos 12 meses.
– Sintomas prolongados de infecção urinária.
– Infecção urinária por bactéria multirresistente.
– Infecção urinária adquirida em ambiente hospitalar.
– Insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA).
– Obstrução do trato urinário.
– Presença de cálculo renal (leia: CÁLCULO RENAL | Causas e sintomas).
– Presença de um cateter vesical, stent ureteral ou nefrostomia.
– Instrumentação ou cirurgias recentes do trato urinário.
– Anormalidade anatômica do trato urinário.
– Incontinência urinária (leia: INCONTINÊNCIA URINÁRIA).
– História de infecção do trato urinário na infância
– Transplante renal ou outras causas de imunossupressão.

Pacientes com cistite complicada devem sempre colher exames de urina, principalmente urocultura. Não é preciso esperar o resultado dos exames para começar o tratamento com antibióticos, mas ter um antibiograma e a bactéria causadora da infecção urinária identificada dentro de 2 ou 3 dias ajuda muito a decidir o próximo passo, caso o paciente não tenha melhorado nas primeiras 72 horas de tratamento empírico. Em geral, sugerimos ao paciente que ele vá ao laboratório fazer um exame de urina e logo depois inicie o tratamento com antibióticos.

As melhores opções de tratamento empírico (sem orientação do antibiograma) da cistite complicada incluem:

– Levofloxacina 500 a 750mg 1x por dia por 5 a 14 dias, dependendo da gravidade do caso.
– Ciprofloxacina 500mg de 12/12 horas por 5 a 14 dias, dependendo da gravidade do caso.

Se o paciente não apresentar sinais de melhora em 2 ou 3 dias, o antibiótico deve ser trocado de acordo com o antibiograma, que já deverá estar disponível nesta altura.

Nos casos de pacientes com cálculos renais ou obstruções do trato urinário, a remoção cirúrgica destes pode ser necessária para que o tratamento tenha sucesso. Do mesmo modo, pacientes com sonda vesical ou stent no ureter podem ter que trocá-los para conseguir se livrar da infecção urinária. A bactéria pode se alojar em qualquer uma destas estruturas e conseguir “se esconder ” do antibiótico, sendo muito difícil sua eliminação apenas com remédios.

c. Cistite em grávidas

Aproximadamente 2% das mulheres grávidas apresentam pelo menos um episódio de cistite durante a gestação. O risco de ascensão das bactérias da bexiga em direção aos rins é maior nas mulheres grávidas, fazendo com que toda cistite neste grupo seja considerada uma cistite complicada. Além disso, a presença de bactérias na urina está associada a problemas na gravidez, como parto prematuro, baixo peso do feto e morte fetal.

Devido ao risco de má formações fetais, nem todos os antibióticos podem ser usados nas mulheres grávidas. Por isso, as gestantes merecem uma abordagem distinta das outras pacientes com cistite complicada.

Todas as gestantes com sintomas sugestivos de cistite devem colher urocultura e iniciar tratamento antibiótico empírico. As melhores opções são:

– Nitrofurantoína 100 mg de 12/12 horas por 5 a 7 dias.
– Cefpodoxima 100 mg de 12/12 horas por 3 a 7 dias.
– Amoxicilina-clavulanato 500 mg de 12/12 horas por 3 a 7 dias.
– Fosfomicina 3 g em dose única.
– Cefalexina 500 mg de 12/12 horas durante 3-7 dias (leia: INFORMAÇÕES SOBRE A CEFALEXINA).

O Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por 3 dias é uma opção, mas apenas a partir do segundo trimestre, devendo este ser evitado nas primeiras 12 semanas de gravidez. Os antibióticos da família das quinolonas, como ciprofloxacino, norfloxacino e levofloxacino são contraindicados na gravidez.

Uma semana após o fim do tratamento, a urocultura deve ser repetida para se confirmar a eliminação da bactéria. Se a urocultura for novamente positiva para a mesma bactéria, o tratamento deve ser repetido, desta vez por mais tempo.

Por outro lado, se a urocultura confirmar a eliminação da bactéria, ela deve ser repetida todo mês até o final da gestação, para termos certeza de que não haverá novas infecções.

Para saber mais detalhes sobre infecção urinária na gravidez, leia: INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ.

d. Cistite em homens

A cistite é um quadro muito menos comum em homens do que em mulheres, devido ao maior comprimento da uretra, ao ambiente periuretral menos úmido, à menor colonização de bactérias na região ao redor da uretra e à presença de substâncias antibacterianas no líquido prostático.

Habitualmente, as cistites em homens ocorrem naqueles com anormalidades do trato urinário, sejam más-formações em crianças pequenas ou doenças urológicas em pacientes idosos, como problemas da próstata. No entanto, cistites não complicadas podem ocorrer em um pequeno número de homens entre os 15 e os 50 anos de idade, sem nenhum problema de saúde.

Todos os homens com sintomas sugestivos de cistite devem colher urocultura e iniciar tratamento antibiótico empírico. As melhores opções são:

– Trimetoprim-sulfametoxazol (Bactrim) 160/800 mg de 12/12 horas por no mínimo 7 dias.
– Levofloxacino 500mg 1x por dia por no mínimo 7 dias.
– Ciprofloxacino 500mg de 12/12 horas por no mínimo 7 dias.

Se após 48-72 horas não houver melhora, o tratamento deve ser ajustado de acordo com o resultado da urocultura e do antibiograma. Nestes casos, uma investigação para alterações na anatomia urológica deve ser avaliada

É preciso ter sempre em mente que sintomas de infecção urinária em homens não necessariamente indicam uma cistite, já que prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento) e uretrite, como no caso da gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento), podem ter sintomas muito parecidos.

Urocultura positiva em pacientes sem sintomas – bacteriúria assintomática.

Cistite é a inflamação da bexiga causada por bactérias. A simples presença de bactérias na urina, sem sinais de inflamação da bexiga não é considerada uma infecção, mas sim uma colonização. Uma analogia fácil de entender é com a pele. Ter bactérias presentes na pele é completamente diferente de ter uma infecção de pele. Portanto, a simples presença de bactérias na urina não é suficiente para o diagnóstico de uma infecção. Para ser cistite é preciso que o paciente tenha sintomas de uma bexiga inflamada, como dor para urinar, sangue na urina, vontade constante de urinar, mesmo com a bexiga vazia, etc.

Mesmo no caso da bactéria E.coli, há cepas menos virulentas, capazes de se proliferar na urina, mas sem força para causar inflamação da bexiga. Uma urocultura positiva, mesmo para E.coli, em um paciente sem nenhuma queixa, não deve ser valorizada na maioria dos casos. Na verdade, se o paciente não tem queixas urinárias, não faz sentido solicitar uma urocultura.

A presença de bactérias na urina sem sintomas é chamada bacteriúria assintomática e não deve ser tratada com antibióticos na grande maioria dos casos. As únicas exceções são as grávidas e os pacientes que irão ser submetidos a cirurgias urológicas. Nestes casos está indicada a realização de urocultura, mesmo sem sintomas, e o tratamento de acordo com o resultado do antibiograma. Em todos os outros casos, o tratamento da bacteriúria assintomática não apresenta benefícios e pode ainda estimular o desenvolvimento de bactérias resistentes.

PREVENÇÃO DA INFECÇÃO URINÁRIA

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\"Prevenção
A infecção urinária é uma das doenças  bacterianas mais comuns no ser humano, principalmente no sexo feminino. Estima-se que 60 a 70% das mulheres terão pelo menos um episódio de infecção urinária durante a sua vida.

A cistite, que é a infecção da bexiga, é a forma de infecção urinária mais comum e se caracteriza por sintomas como dor ao urinar e necessidade constante de fazer xixi, mesmo quando a bexiga encontra-se vazia.

Muitas mulheres têm mais de um episódio de cistite durante a vida. Outras têm mais de um episódio por ano. Ainda há, também, aquelas que apresentam a chamada infecção urinária de repetição, com mais de 3 episódios de cistite a cada ano.

A cistite ocorre quando bactérias naturais do intestino (enterobactérias) e da região ao redor do ânus, tais como E.coli, Proteus e Klebsiella,  conseguem migrar para a região da vagina, passando a colonizar a entrada do uretra, canal que transporta a urina vinda da bexiga. Uma vez na uretra, as bactérias conseguem facilmente chegar à bexiga, onde irão se multiplicar e provocar intensa reação inflamatória.

A infecção urinária é uma doença causada pela contaminação da bexiga por bactérias do seu próprio corpo. Não é, portanto, uma doença transmitida de uma pessoa para outra.

Nem toda infecção urinária pode ser prevenida, todavia, medidas que evitem ou dificultem a migração de bactérias dos intestinos para a bexiga ajudam a reduzir o risco.

Neste artigo falaremos sobre algumas medidas simples que podem ser instituídas com o intuito de reduzir a incidência de infecções urinárias. Vamos focar na mulheres, pois a infecção urinária é muito mais comum no sexo feminino. As infecções urinárias no homem costumam estar relacionadas a problemas urológicos, tais como doenças da próstata, presença de cateter vesical ou duplo J, ou defeitos anatômicos da região urogenital. Homens jovens com infecção urinária frequente devem ser avaliados por um urologista.

Se você quiser saber mais sobre cistite e infecção urinária, acesse nosso diretório de artigos sobre o tema através do seguinte link: ARTIGOS SOBRE INFECÇÃO URINÁRIA

Prevenção da infecção urinária

Dica nº 1 para prevenir a cistite – Sempre passar o papel higiênico de frente para trás

Como a infecção urinária é provocada por bactérias que vêm do períneo e da região anal, na hora que você for limpar o ânus ou a vagina com um papel higiênico, a direção deve ser sempre de frente para trás, ou seja, o papel passa primeiro na vagina e depois do ânus, nunca o contrário. O objetivo é não arrastar bactérias da região anal em direção à vaginal.

Seguindo a mesma lógica, não se deve passar o mesmo papel duas vezes seguidas. Passe o papel uma vez. Se ainda precisar limpar mais, use um novo pedaço.

Dica nº 2 para prevenir a cistite – Evite uma higiene íntima excessiva

A cistite pode ser provocada por maus hábitos de higiene, mas também por excesso de higiene. A vagina possui sua flora natural de germes, que ajudam a impedir a chegada de bactérias nocivas vindas do ânus. Se você limpa a região da vulva e do períneo com muita frequência, ou uso produtos antissépticos especiais, pode haver uma redução da população natural de bactérias da sua vagina, o que acaba facilitando a vida das bactérias invasoras, que encontraram muito menos concorrência ao chegar na região ao redor da uretra.

Portanto, a limpeza deve ser feita de forma parcimoniosa e somente com água e sabão neutro. Não é preciso gastar dinheiro comprando produtos especiais para higiene íntima.

Dica nº 3 para prevenir a cistite – Evite banhos de banheira

A água da banheira torna-se rapidamente povoada por bactérias da região do períneo. Se você ficar muito tempo sentada, há um risco maior de enterobactérias conseguirem migrar para a região ao redor da uretra. Ficar relaxando na banheira cheia de espuma é muito bonito em filmes, mas se você tem problemas de infecção urinária frequente, dê preferência a banhos de chuveiro.

Obs: banhos de piscina ou de mar não são problemas, não só pelo volume de água muito maior, mas também pela presença do cloro na piscina ou de altas concentrações de iodo e sal do mar.

Dica nº 4 para prevenir a cistite – Evite ducha vaginal

O banho de chuveiro é a forma mais segura, porém, não se deve direcionar a ducha em direção à vagina. Duchas vaginais não ajudam na higiene íntima e ainda facilitam a migração de enterobactérias.

Dica nº 5 para prevenir a cistite – Não use produtos químicos na região íntima

Produtos químicos, como perfumes, desodorantes ou talcos não devem ser usados nas partes íntimas, pois ele podem provocar irritação. Bactérias se aderem mais facilmente em locais onde a pele encontra-se irritada. Se a região ao redor da uretra estiver inflamada, as enterobactérias terão mais facilidade de colonizar o local. Evite usar qualquer produto que seja à base de álcool ou tenha cheiro forte nesta região.

Dica nº 6 para prevenir a cistite – Troque o absorvente íntimo com frequência

A presença de umidade e sangue aumenta muito o risco de proliferação de bactérias. Não deixe o seu absorvente íntimo ficar cheio por muito tempo, principalmente se for um absorvente externo, que pode deixar a pele ao redor da uretra úmida e com sangue. Ainda há controvérsias entre os especialistas sobre qual tipo de absorvente é o mais perigoso: internos ou externos. Na dúvida, independente do absorvente usado, troque-o com frequência.

Dica nº 7 para prevenir a cistite – Urine depois das relações sexuais.

A infecção urinária não é uma doença sexualmente transmissível, mas o ato sexual por si só produz atrito, o que leva à irritação da região genital e ajuda a espalhar as bactérias do períneo. O ato de urinar ao fim de cada relação ajuda a “lavar” a uretra, empurrando para fora as bactérias que possam ter migrado durante o sexo.

VÍDEOS SUGERIDOS:
Sintomas da infecção urinária

Por que a cistite é mais comum nas mulheres que nos homens?

Obs: o uso de camisinha não diminui o risco de infecção urinária pós-coito. Lembre-se, a bactéria não vem do parceiro.

Dica nº 8 para prevenir a cistite – Lave a região do períneo antes de ter relações sexuais

Lavar com água e sabão a região anal e perineal logo antes do ato sexual ajuda a reduzir a quantidade de enterobactérias que possam ser empurradas em direção à vagina.

Dica nº 9 para prevenir a cistite – Evite sexo anal

O sexo anal, principalmente se procedido por sexo vaginal, aumenta muito o risco de infecção urinária. O motivo é óbvio, pois bactérias da região anal são levadas diretamente para a vagina. Mas, mesmo o sexo anal isolado pode ser suficiente para espalhar bactérias do reto pela região do períneo.

Dica nº 10 para prevenir a cistite – Beba bastante água

A ingestão de líquido mantém a urina mais diluída e faz com que o paciente sinta necessidade de urinar com mais frequência, ajudando a expelir bactérias que estejam no trato urinário.

Dica nº 11 para prevenir a cistite – Evite segurar a urina por muito tempo

Evite ficar intervalos maiores que 4 horas sem urinar. A urina parada na bexiga facilita a proliferação de bactérias.

Dica nº 12 para prevenir a cistite – Não use espermicidas

A aplicação de espermicidas, sejam em gel ou creme, aumenta o risco de infecção urinária, pois eles podem causar irritação na região genital. Da mesma forma, camisinhas que contenham espermicidas também devem ser evitadas.

Dica nº 13 para prevenir a cistite – Evite o uso de diafragma 

Mulheres que usam diafragma e têm infecção urinária frequentemente devem ponderar uma mudança de método anticoncepcional, porque o diafragma pode pressionar a bexiga ou a uretra, dificultando o esvaziamento completo da urina. Uma bexiga que não esvazia completamente fica mais exposta à proliferação de bactérias.

Dica nº 14 para prevenir a cistite – Use roupas de algodão ou tecidos leves

Use roupas leves de forma a não deixar a região genital muito úmida pelo suor. A pele úmida e fechada por muito tempo debaixo de roupas que não permitem a circulação do ar favorece a proliferação de bactérias.

Dica nº 15 para prevenir a cistite – Consuma alimentos com cranberry (oxicoco)

Uma frutinha da família das amoras, chamada cranberry ou oxicoco, parece ser eficaz na prevenção da cistite. A fruta pode ser consumida como suco ou através de cápsulas já amplamente comercializadas. Ainda não existem evidências inequívocas da eficácia dessa fruta, mas como mal não faz, a maioria dos médicos acaba indicando o seu uso.

Dica nº 16 para prevenir a cistite – Cremes de estrogênio na menopausa

Após a menopausa, a falta de estrogênio provoca secura vaginal e redução da flora bacteriana natural. Essas duas alterações aumentam o risco de colonização da vagina por enterobactérias. O uso de estrogênio sob a forma de creme vaginal ajuda a restaurar o ambiente natural da vagina, reduzindo a incidência de infecções urinárias.

Dica nº 17 para prevenir a cistite – Evite o uso indiscriminado de antibióticos

Algumas pessoas com quadros frequentes de infecção respiratória alta, principalmente de garganta, nariz ou ouvido, acabam fazendo uso frequente de antibióticos, muitas vezes de forma desnecessária, já que boa parte dessas infecções são provocadas por vírus.

O uso indiscriminado de antibióticos durante a vida pode alterar a composição normal da flora bacteriana vaginal, facilitando a ocorrências de infecções ginecológicas, como candidíase, ou infecção urinária. O uso frequente de antibióticos também pode selecionar as bactérias dos intestinos, criando cepas resistentes, o que leva ao aparecimento de infecções urinárias multirresistente aos antibióticos habituais.

Dica nº 18 para prevenir a cistite – Probióticos

Probióticos Lactobacillus são medicamentos tomados por via oral ou intra-vaginal, cujo objetivo é reforçar a flora vaginal e atrapalhar a fixação de enterobactérias na região ao redor da uretra. É um tratamento ainda em estudo, mas que aparentemente é eficaz em reduzir a incidência das infecções urinárias.

Dica nº 19 para prevenir a cistite – Vacinas

Já existem vacinas compostas por cepas mortas da bactéria E.coli,  responsável por mais de 80% dos casos de infecção urinária, que apresentam bons resultados. Exemplos são: Solco-Urovac, Urovaxom e Strovac.

As vacinas que apresentam administração intra-vaginal ou intra-muscular parecem ser mais eficazes que as vacinas por via oral.

É importante destacar que essas vacinas não protegem contra a cistite provocada por enterobactérias que não a E.coli.

Dica nº 20 para prevenir a cistite – Antibióticos profiláticos

Algumas mulheres, por mais que sigam todas as dicas descritas anteriormente, permanecem tendo quadros repetidos de infecção urinária. Nestes casos, o uso prolongado de antibióticos em baixa dose pode estar indicado. Estudos têm demonstrado que o uso diário de antibióticos,  como o Bactrim (sulfametoxazol/trimetoprim), podem ser utilizados com segurança e eficácia por até 5 anos, reduzindo em mais de 95% a taxa de novas infecções urinárias.

Dica nº21 para prevenir a cistite – Antibióticos pós-coito

Algumas mulheres têm quadros repetidos de cistite claramente relacionados à atividade sexual. São cistites que surgem sempre 24 a 48 horas após o coito. Nestes casos, a profilaxia com antibiótico pode ser feita pontualmente, somente após o ato sexual. Em vez de tomar antibióticos diariamente, como descrito na dica nº20, a mulher é orientada a tomar um único comprimido de antibiótico apropriado toda vez que tiver relação sexual.

MACRODANTINA | NITROFURANTOÍNA – Bula Simplificada

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A nitrofurantoína, também conhecida pelos nomes comerciais Macrodantina (Brasil) e Furadantina (Portugal), é um antibiótico antigo, presente no mercado desde a década de 1950, mas que ainda é muito útil no tratamento e na prevenção da infecção urinária, principalmente da cistite, que é a infecção da bexiga.

A nitrofurantoína é um antibiótico muito usado no tratamento da cistite nas mulheres grávidas, principalmente no 2º e 3º trimestres, pois muitos dos outros antibióticos habitualmente utilizados no tratamento da infecção urinária são contraindicados na gravidez.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a nitrofurantoína:

  • Para que serve.
  • Nomes comerciais.
  • Como tomar.
  • Efeitos colaterais.
  • Contraindicações.
  • Interações medicamentosas.

Atenção: este texto não pretende ser uma típica bula da Macrodantina. Nosso objetivo é ter uma linguagem menos técnica que a de uma bula e mais útil aos pacientes que procuram informações sobre este medicamento.

Para que serve a Nitrofurantoína – Macrodantina

A nitrofurantoína é um antibiótico indicado exclusivamente para o tratamento e para a prevenção da infecção urinária. Atualmente, não indicamos o uso da Macrodantina para o tratamento de nenhum outro tipo de infecção.

Apesar da Macrodantina só ser útil contra infecção urinária, ela não deve ser utilizada de forma indiscriminada neste tipo de infecção; há situações específicas nas quais a nitrofurantoína está indicado, que são as seguintes:

  • Tratamento da cistite quando a bactéria isolada na urocultura é sabidamente sensível à nitrofurantoína (leia: EXAME UROCULTURA ? Quando fazer e como colher).
  • Tratamento da cistite nas grávidas (evitar no primeiro trimestre e após 37 semanas) – Leia: INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ.
  • Tratamento das bacteriúrias assintomáticas nas grávidas (evitar no primeiro trimestre e após 37 semanas).
  • Prevenção da cistite nas mulheres que apresentam infecção urinária recorrente.

A nitrofurantoína não costuma ser a primeira escolha de antibióticos nas seguintes situações de infecção urinária:

  • Tratamento da pielonefrite (infecção dos rins).
  • Tratamento inicial da cistite, antes do resultado da urocultura.

A nitrofurantoína não consegue atingir concentrações elevadas nos rins, não sendo, portanto, eficaz para matar as bactérias que estejam causando uma infecção renal (pielonefrite). Já na bexiga, a a macrodantina consegue atingir boas concentrações, motivo pelo qual ela é eficaz para o tratamento das cistites. Todavia, como em algumas regiões a taxa de resistência das bactérias à nitrofurantoína é alta, ela não costuma ser indicada como primeira opção, a não ser que o médico tenha em mãos o resultado de um antibiograma indicando que a bactéria é sensível à macrodantina.

Nomes comerciais da nitrofurantoína

A nitrofurantoína é um antibiótico já presente no mercado há muitos anos. Você pode adquiri-la sob a forma genérica ou pelos vários nomes comerciais disponíveis, incluindo:

– Furadantina MC (Portugal).
– Hantina.
– Macrodantina.
– Nitrofen.
– Trofurim.

Em Portugal, a caixa de furadantina com 50 cápsulas de 100 mg custa cerca de 2,90 Euros. No Brasil, a caixa com 28 cápsulas de 100 mg custa ao redor de 4 Reais. Já a Macrodantina, que é uma das marcas comerciais da nitrofurantoína, costuma custar cerca de 9 Reais a caixa com 28 cápsulas de 100 mg.

Como tomar a nitrofurantoína

1- Dose da nitrofurantoína indicada para tratar infecção da bexiga – cistite:

  • Adultos ou crianças com mais de 12 anos: uma cápsula de 100 mg de 12/12 horas* (ou 50 mg de 6/6h) por 5 a 7 dias.
  • Crianças de 1 mês a 12 anos: 5 a 7 mg por quilo de peso por dia, divididos em 4 tomadas diárias. Dose máxima por cada tomada = 100 mg.

* Algumas fontes sugerem 100 mg de 6/6 horas. Estudos mostram, porém, que a dose de 100 mg a cada 12 horas é tão eficaz quanto.

2- Dose da nitrofurantoína indicada para a prevenção da cistite:

  • Profilaxia contínua – 1 cápsula diária de 100 mg por um período de 6 a 12 meses.
  • Profilaxia pós-coito – 1 cápsula de 100 mg após cada relação sexual.

Para saber mais sobre o tratamento e a prevenção da cistite, leia os seguintes artigos:

? PREVENÇÃO DA INFECÇÃO URINÁRIA.
? TRATAMENTO PARA INFECÇÃO URINÁRIA.

Efeitos colaterais da nitrofurantoína

A Macrodantina é um antibiótico com baixa taxa de efeitos colaterais. Entre os afeitos adversos mais comuns podemos citar náuseas, vômitos, diarreia, dor abdominal, flatulência e perda do apetite. Esses efeitos ocorrem em cerca de 1 a 8% dos casos.

Em alguns pacientes, a urina pode ficar mais escura, com uma cor acastanhada (leia: COR DA URINA (URINA VERDE, ROXA, LARANJA, AZUL)).

Alguns efeitos colaterais mais graves podem ocorrer, tais como anemia, icterícia, queda de cabelo e reações alérgicas. Eles, porém, são raros e ficam restritos a menos de 0,1% dos casos.

Entre os efeitos adversos raros e graves da nitrofurantoína, um se destaca: a lesão pulmonar, um quadro que se caracteriza por febre, tosse, falta de ar, dor torácica e cansaço, sendo muito semelhante aos sintomas de uma pneumonia (leia: SINTOMAS DA PNEUMONIA ? ADULTOS, CRIANÇAS E IDOSOS).

Precauções com o uso da nitrofurantoína

A Macrodantina deve ser evitada nas seguintes situações:

  • Insuficiência renal com taxa de filtração glomerular menor que 40 ml/min.
  • Gravidez no primeiro trimestre (não é contraindicado, mas há outras opções mais seguras, tais como fosfomicina, amoxicilina e cefalexina).
  • Gravidez após 37 semanas (há um maior risco de icterícia neonatal).
  • Durante o aleitamento materno.
  • História de alergia à nitrofurantoína.
  • Bebês com menos de 1 mês de idade.
  • Pacientes com doença do fígado.

Interações medicamentosas da nitrofurantoína

A nitrofurantoína não costuma provocar interações medicamentosas com frequência. Entre os fármacos que devem ser evitados durante os tratamento com a Macrodantina estão:

  • Vacina para febre tifoide.
  • Norfloxacino.
  • Picossulfato de sódio.
  • Trissilicato de magnésio.
  • Probenecid.
  • Espironolactona.

A nitrofurantoína, assim como a grande maioria dos antibióticos, não interfere na eficácia da pílula anticoncepcional (leia: Antibióticos Cortam o Efeito dos Anticoncepcionais?).

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