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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

GANHO DE PESO NA GRAVIDEZ

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\"Peso
Durante a gravidez toda mulher se depara com inevitáveis mudanças do seu corpo. Entre as mais óbvias está o aumento do peso, provocado não só pela presença do feto em crescimento, mas também por retenção de água, aumento do volume de sangue circulante, ganho de gordura, aumento da massa muscular do útero, etc.

O peso da mãe antes da gravidez, o seu índice de massa corporal (IMC), o padrão de ganho de peso e o ganho de peso total durante os 9 meses de gravidez são fatores que interferem diretamente como o peso, o comprimento e as reservas de gordura do recém-nascido.

O peso ao nascer e as reservas de gordura são importantes, porque eles podem ter um grande impacto na saúde do bebê a curto e a longo prazo, influenciando nos riscos da criança desenvolver problemas de saúde, tais como diabetes, hipertensão e doenças cardiovasculares.

O ganho de peso gestacional também tem impactos na mãe, uma vez que mulheres que ganham peso excessivamente durante a gravidez apresentam maior risco de se tornarem obesas ou de agravarem o seu excesso de peso já preexistente.

Neste artigo nós vamos explicar o que é considerado um ganho de peso saudável e desejado durante a gravidez. Vamos explicar também os riscos do ganho excessivo e do ganho insuficiente de peso.

Fatores que promovem o ganho de peso na gravidez

Quando a mulher engravida, o seu corpo sofre diversas alterações, sendo o ganho de peso e o aumento da silhueta os mais óbvios. Se fôssemos contar somente o peso do bebê, seria esperado que a mãe apresentasse um aumento de peso mínimo, ao redor de 3,5 quilos. Todavia, o peso do feto corresponde apenas a uma fração do total de ganho de peso da gestante.

Quando a mulher engravida, os seguintes fatores colaboram para o aumento do peso:

  • Peso médio do feto: 3,2 a 3,6 kg.
  • Aumento das reservas de gordura do corpo: 2,7 a 3,6 kg.
  • Aumento do volume de sangue circulante no organismo: 1,4 a 1,8 kg.
  • Retenção de líquidos: 0,9 a 1,4 kg.
  • Peso do líquido amniótico: 0,9 kg.
  • Aumento de peso das mamas: 0,45 a 1,4 kg.
  • Aumento de peso do útero: 0,9 kg.
  • Peso da placenta: 0,7 kg.

Isso significa que uma grávida que apresentava um peso corporal normal antes da gravidez deve ganhar, em média, algo em torno de 11 a 14,5 kg até o final da gestação.

Exceto em casos de doenças da gravidez, como na pré-eclampsia, onde há um acúmulo acima do normal de líquidos, a maioria dos fatores listados acima não varia muito de uma gestante para outra. Habitualmente, o que define as diferenças entre o ganho de peso entre duas gestantes é aumento das reservas de gordura, ou seja, é o quanto cada grávida engorda.

Ganho de peso ideal na gravidez

Aos longo das últimas décadas, o ganho de peso considerado ideal na gravidez mudou bastante. Na década de 1930, quando a medicina ainda era praticada muito mais da base da opinião pessoal e da lógica teórica, os obstetras indicavam um ganho máximo de 7 kg durante a gravidez. A restrição alimentar foi uma prática obstétrica comum durante anos e era baseada na crença de que o ganho de peso gestacional excessivo levava ao desenvolvimento de pré-eclâmpsia e outros problemas obstétricos.

Na década de 1960, as indicações obstétricas começaram a ser orientadas por estudos científicos. Nesta época, os trabalhos começaram a mostrar que tamanha restrição do ganho de peso na gestação aumentava o risco de recém-nascidos com baixo peso ou com problemas neurológicos. A partir de então, as recomendações de ganho de peso tornaram-se mais liberais. Ainda assim, até a década de 1980, a maioria dos obstetras ainda recomendava um ganho máximo de 11 kg durante a gravidez. Em 1990, as orientações mudaram novamente, e o ganho de peso gestacional adequado foi estipulado entre 11 e 16 kg.

Nos últimos 20 anos, porém, uma quantidade cada vez maior de estudos científicos de qualidade começou a nos mostrar que o ganho de peso gestacional não podia ser tratado como uma receita de bolo que servia de forma igual para todas as mulheres. Em 2009, portanto, novas diretrizes mundiais foram estabelecidas, determinando que o ganho de peso gestacional ideal deveria variar de acordo com o índice de massa corporal (IMC) das mulheres antes da gravidez. Desta forma, mulheres muito magras poderiam engordar mais quilos na gravidez do que mulheres já previamente com sobrepeso (leia: COMO CALCULAR O IMC ? Índice de massa corporal)

As diretrizes de 2009 ainda valem até o momento e estabelecem que:

1- Ganho de peso indicado para gravidez de feto único:

  • IMC menor que 18.5 kg/m2 (baixo peso) ? ganho de peso gestacional desejado entre 12.5 e 18.0 kg.
  • IMC entre 18.5 e 24.9 kg/m2 (peso normal) ? ganho de peso gestacional desejado entre 11.5 e 16.0 kg.
  • IMC entre 25.0 e 29.9 kg/m2 (sobrepeso) ? ganho de peso gestacional desejado entre 7.0 e 11.5 kg.
  • IMC maior que 30.0 kg/m2 (obesidade) ? ganho de peso gestacional desejado entre 5.0 e 9.0 kg.

2- Ganho de peso indicado para gravidez de gêmeos:

  • IMC menor que 18.5 kg/m2 (baixo peso) ? os estudos ainda não conseguiram produzir dados suficientes para que um valor possa ser indicado.
  • IMC entre 18.5 e 24.9 kg/m2 (peso normal) ? ganho de peso gestacional desejado entre 16.8 e 24.5 kg.
  • IMC entre 25.0 e 29.9 kg/m2 (sobrepeso) ? ganho de peso gestacional desejado entre 14.1 e 22.7 kg.
  • IMC maior que 30.0 kg/m2 (obesidade) ? ganho de peso gestacional desejado entre 11.4 e 19.1 kg.

A maior parte do ganho de peso na gravidez ocorre no 2º e no 3º trimestre. No primeiro trimestre, o ganho de peso é mínimo, variando entre 0,5 a 2,0 kg. Não só não há nenhuma necessidade de engordar nesta fase, como é difícil fazê-lo, já que é nas primeiras semanas de gravidez a gestante costuma ter enjoos e vômitos frequentemente (leia: ENJOOS E VÔMITOS NA GRAVIDEZ). A partir do segundo trimestre de gravidez, o ganho de peso acelera-se, devendo ficar em torno de 0,5 kg por semana.

O termo “comer por dois” durante a gravidez é um mito que não deve ser perseguido. Basta um aumento de 200 a 300 kcal por dia na dieta para que a gestante consiga atingir a meta de 0,5 kg por semana. A gestante deve comer pequenas porções, várias vezes por dia. Não é indicado um jejum maior que 4 horas durante o período que a gestante esteja acordada.

Mulheres previamente obesas não devem tentar fazer dietas muito restritivas durante a gravidez. Se você não emagreceu antes, não será agora, grávida, que deverá fazê-lo. O aconselhável é ter uma dieta saudável, evitando apenas os exageros nas calorias, açúcares e frituras. O objetivo da gestante com sobrepeso não é emagrecer, mas sim manter o seu ganho de peso gestacional dentro da faixa indicada.

Consequências do ganho de peso gestacional excessivo ou insuficiente

A diretrizes sobre o ganho de peso gestacional de 2009 foram estabelecidas após a avaliação de 150 estudos científicos publicados entre os anos de 1990 e 2007.

Entre as evidências encontradas nessa revisão podemos destacar os seguintes fatos:

– Quanto maior é o ganho de peso gestacional, maior é o risco da gestante precisar se submeter a um parto cesária (leia: PARTO POR CESARIANA | Vantagens e riscos).

– Mulheres com aumento do peso gestacional inferior ao desejado apresentam maior risco de terem bebês pequenos, com baixo peso ao nascimento e um maior risco de terem partos prematuros. Por outro lado, mulheres com aumento de peso gestacional acima do desejado apresentam maior risco de terem bebês grandes e com elevado peso ao nascimento, fenômeno chamado de macrossomia (bebês que nascem com mais de 4 kg).

– Em média, para cada quilo de ganho de peso gestacional, o peso do bebê aumenta seu peso entre 16,7 e 22,6 gramas.

– Mulheres que ganham peso excessivamente durante a gravidez têm maior risco de não conseguirem voltar para o seu peso original após o parto. Mulheres já previamente com sobrepeso e que ganham peso excessivamente na gravidez têm um maior risco de tornarem-se obesas ou agravarem a sua obesidade já existente. 40% das mulheres com elevado ganho de peso gestacional permanecem, meses após o parto, com cerca de 8 a 10 kg acima do peso que tinham antes de engravidar.

– O excesso de ganho de peso gestacional também tem sido associado a um risco aumentado de hipertensão gestacional, pré-eclâmpsia e diabetes gestacional (leia: DIABETES GESTACIONAL | Riscos, sintomas e diagnóstico).

– O excesso de ganho de peso gestacional aumenta o risco de obesidade infantil, diabetes e hipertensão nas crianças.

Este post também está disponível em: Espanhol

HIPERTENSÃO NA GRAVIDEZ – Hipertensão Gestacional

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\"Grávida
A hipertensão é o problema de saúde mais comum nas grávidas, estando presente em cerca de 10 a 15% das gestantes. Uma grávida pode ter hipertensão na gravidez seja porque já era hipertensa antes de engravidar ou porque desenvolveu hipertensão arterial durante a sua gestação.

Quando o quadro de hipertensão surge somente após a 20ª semana de gestação em uma mulher que não era previamente hipertensa, nós classificamo-la como hipertensão gestacional. Uma vez que ela surja, a hipertensão gestacional costumam permanecer pelo resto da gravidez, mas tende a desaparecer dentro das 12 primeiras semanas após o parto.

Neste artigo vamos abordar a hipertensão na gravidez, explicando as diferenças entre hipertensão crônica na grávida, hipertensão gestacional e pré-eclâmpsia. Vamos falar também sobre o tratamento da hipertensão na gestante e os riscos para o bebê.

Tipos de hipertensão na gravidez

A grávida pode ser acometida por 4 formas diferentes de hipertensão durante a gravidez, a saber:

1- Hipertensão crônica preexistente ? indivíduos com valores da pressão arterial frequentemente acima de 140/90 mmHg são considerados hipertensos. Na gravidez, é considerada hipertensão preexistente toda hipertensão que já existia antes da mulher ficar grávida. Como era esperado, mulheres que são hipertensas antes da gravidez, continuarão sendo hipertensas durante toda a gestação.

A hipertensão também é considerada preexistente se ela for identificada antes da 20ª semana de gestação. Quando a mulher descobre que está hipertensa antes da 20ª semana é porque ela já era hipertensa antes da gravidez e simplesmente não sabia.

2 – Pré-eclâmpsia ? é o surgimento de hipertensão após a 20ª semana de gravidez associado à perda de proteínas na urina, situação que é chamada de proteinúria (leia: PROTEINÚRIA E URINA ESPUMOSA). Uma hipertensão que surge após a 20ª semana de gestação e está associada a problema renais, do fígado, do sistema nervoso central ou queda no número de plaquetas também pode ser pré-eclâmpsia.

Neste artigo não iremos abordar a pré-eclâmpsia. Para saber mais sobre essa complicação da gravidez, acesse o seguinte artigo: ECLÂMPSIA | PRÉ-ECLÂMPSIA | Sintomas e tratamento.

3- Pré-eclâmpsia superposta à hipertensão crônica ? é a pré-eclâmpsia que ocorre em mulheres previamente hipertensas.

4- Hipertensão gestacional ? é considerado hipertensão gestacional aquela hipertensão que surge somente depois da 20ª semana de gestação e que não apresenta perdas de proteínas na urina, nem qualquer outra manifestação sugestiva de pré-eclâmpsia.

Neste artigo vamos nos ater à hipertensão gestacional, que é uma forma de hipertensão provocada pela gravidez.

O que é hipertensão gestacional

Conforme acabamos de explicar, hipertensão gestacional é uma forma de hipertensão arterial que surge após a 20ª semana de gravidez em mulheres previamente sadias e que não apresenta nenhum sinal de pré-eclâmpsia.

Apesar desta forma de hipertensão poder aparecer a partir da 20ª semana de gestação, a grande maioria dos casos só surge bem no finalzinho da gravidez, já no terceiro trimestre.

A hipertensão gestacional é uma hipertensão exclusiva da gravidez, desaparecendo, na maioria dos casos, espontaneamente em até 1 ou 2 semanas após o parto. Se até 12 semanas após o parto a hipertensão não desaparecer, a paciente passa a ser considerada como portadora de hipertensão arterial crônica. A não resolução espontânea da hipertensão ocorre em cerca de 15% dos casos.

A hipertensão gestacional é um fator de risco para o desenvolvimento futuro de hipertensão arterial. Mesmo as mulheres que apresentaram normalização da pressão arterial após o parto acabam, a longo prazo, tendo 4 vezes mais riscos de desenvolverem hipertensão arterial crônica (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL).

Como referido na introdução do artigo, cerca de 10 a 15% das gestantes acabam desenvolvendo hipertensão gestacional. Algumas características clínicas aumentam o risco do desenvolvimento da hipertensão durante a gravidez. São elas:

  • Primeira gravidez.
  • Gestantes com sobrepeso (leia: GANHO DE PESO NA GRAVIDEZ).
  • Gestantes de etnia negra.
  • Gestantes com mais de 35 anos.
  • História familiar ou pessoal de pré-eclâmpsia.
  • Gravidez gemelar.
  • Gravidez durante a adolescência.

A hipertensão gestacional é um problema bem menos grave que a pré-eclâmpsia, mas ainda assim ela pode trazer malefícios à grávida e ao bebê. Gestantes hipertensas apresentam maior risco de alterações no fluxo de sangue na placenta, restrição do crescimento fetal, descolamento prematuro da placenta e parto prematuro. As complicações são mais comuns nas mulheres que apresentam hipertensão gestacional grave, caracterizada por níveis de pressão arterial persistentemente acima de 160/110 mmHg.

Risco de pré-eclâmpsia

Entre as gestantes que inicialmente se apresentam com critérios para hipertensão gestacional, cerca de 1/3 acaba por evoluir para ter critérios de pré-eclâmpsia, que é uma forma de hipertensão muito mais grave. Portanto, toda gestante com hipertensão gestacional deve ser cuidadosamente observada durante a gravidez, com pesquisas frequentes de proteinúria através do exame de urina (leia: EXAME DE URINA).

Não sabemos ainda se a hipertensão gestacional e a pré-eclâmpsia são duas doenças distintas ou apenas espectros clínicos diferentes de uma mesma doença.

Algumas características clínicas no momento da apresentação de hipertensão gestacional predizem um aumento do risco de progressão para a pré-eclâmpsia. São elas:

  • Aparecimento da hipertensão antes da 34ª semana de gestação.
  • Hipertensão arterial grave.
  • Alterações no fluxo da artéria uterina detectáveis através do ultrassom com doppler.
  • Níveis de ácido úrico elevados.

Tratamento da hipertensão na gravidez

Muitos dos medicamentos utilizados habitualmente no tratamento da hipertensão são contraindicados na gravidez, o que torna o controle da pressão arterial na gestação uma tarefa mais complicada. Além disso, a margem de segurança é menor, já que uma redução além do desejada da pressão arterial pode provocar grave redução do fluxo sanguíneo para a placenta, trazendo malefícios para o feto. Portanto, exceto nos casos graves, os obstetras costumam optar por não tratar com remédios a hipertensão arterial durante a gravidez.

O tratamento da grávida hipertensa depende do grau de hipertensão arterial.

a) pressão arterial menor que 160/110 mmHg – hipertensão gestacional não-grave.

A maioria das mulheres com hipertensão gestacional que apresenta níveis de pressão arterial abaixo de 160 mmHg/110 mmHg pode ser acompanhada com consultas semanais ou bissemanais para medir a pressão arterial e a excreção de proteínas na urina. A gestante também deve ser orientada a aferir sua pressão arterial diariamente em casa.

O objetivo das consultas tão frequentes é identificar precocemente qualquer sinal de progressão para pré-eclâmpsia. As pacientes devem estar esclarecidas sobre os sinais e sintomas de gravidade, tais como dor de cabeça, alterações visuais, dor abdominal, diminuição dos movimentos fetais ou sangramento vaginal.

Na hipertensão gestacional não-grave, a grávida não precisa ficar de repouso na cama, mas é indicado uma redução nas atividades do dia-a-dia. Exercício físico deve ser evitado e se o trabalho profissional for muito estressante ou extenuante, o ideal é se afastar.

Os estudos científicos nos mostram que o tratamento da pressão arterial na hipertensão gestacional não-grave não traz benefícios nem para a mãe nem para o feto, podendo ainda provocar efeitos colaterais não desejáveis. Portanto, se a gestante não apresentar valores da pressão arterial acima de 160/110 mmHg, não é preciso iniciar nenhuma droga anti-hipertensiva.

O parto na hipertensão gestacional costuma ser realizado entre a 37º e a 39ª semanas de gravidez, de acordo com a situação clínica da gestante e do feto.

b) pressão arterial maior que 160/110 mmHg – hipertensão gestacional grave.

As mulheres que desenvolvem hipertensão gestacional grave têm taxas de complicações semelhantes às da pré-eclâmpsia, e, portanto, devem ser tratadas de forma semelhante.

A hipertensão gestacional grave precisa ser tratada com medicamentos anti-hipertensivos e o parto costuma ser realizado entre 34 e 36 semanas de gravidez.

Se a gestante tiver menos de 34 semanas, a internação hospitalar para controle e monitorização do feto e da pressão arterial costuma ser indicada. O objetivo nesses casos é tentar levar a gravidez de forma segura até, pelo menos, 34 semanas.

As drogas mais utilizadas para o controle da pressão arterial são a Metildopa, Hidralazina, Nifedipina e Labetalol.

SINTOMAS DA GRAVIDEZ – Primeiras 12 Semanas

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\"Sintomas
Quais são os sintomas de gravidez na 1ª semana de gestação? E quais são os sintomas da 2ª semana de gravidez? É possível ter sintomas de gravidez antes do atraso  menstrual? Quando minha barriga começa a crescer? Em que época surgem os enjoos? O meu corpo vai mudar muito? O primeiro trimestre de gravidez é realmente terrível?

Desde o momento da concepção até o dia do parto, o organismo da mulher sofre alterações dramáticas, como em nenhuma outra fase da sua vida. Porém, o padrão das mudanças hormonais e estruturais da gravidez costuma ser muito semelhante entre as gestantes saudáveis, o que nos permite antever e descrever com alguma segurança em que época cada sinal ou sintoma da gravidez costuma surgir.

Ainda assim, a gravidez pode ser uma fase muito confusa e misteriosa para as mulheres, principalmente para as grávidas de primeira viagem. É natural que as futuras mães tenham as dúvidas listadas acima, assim como muitas outras que tentaremos esclarecer ao longo do texto.

Neste artigo vamos descrever as principais mudanças no organismo feminino que ocorrem a cada semana de gravidez, dando ênfase aos sinais e sintomas mais comuns. Este texto tem como alvo as mulheres que já sabem que estão grávidas e procuram apenas uma espécie de roteiro sobre o que esperar ao longo dos primeiro trimestre de gravidez, que é considerado uma das fases mais penosas da gravidez. Falaremos sobre os sintomas do 2º e do 3º trimestres em um artigo à parte, que será escrito brevemente.

Temos também um outro artigo sobre sintomas de gravidez, um pouco diferente deste, cujo o texto foi escrito pensando nas mulheres que ainda não sabem que estão grávidas, mas suspeitam que possa estar, devido ao aparecimento recente de sintomas sugestivos, tais como atraso menstrual, enjoos ou vontade constante de urinar. Para acessar esse artigo, clique no seguinte link: 20 PRIMEIROS SINTOMAS DE GRAVIDEZ.

Sinais e sintomas da gravidez na 1ª semana de gestação

Na 1ª semana de gravidez você não sente absolutamente nenhum sinal ou sintoma de gravidez. E sabe por quê? Porque, por incrível que pareça, nenhuma mulher está realmente grávida no período que costumamos chamar de 1ª primeira semana de gravidez. Não, nós não estamos doidos. Vamos já explicar o porquê.

Como é muito difícil saber o dia que a mulher ovulou, identificar o exato momento que o óvulo foi fecundado é uma grande desafio. Portanto, é impraticável começar a contar o tempo de gravidez a partir de um evento que nós não conseguimos identificar. Por isso, para uniformizar o tempo de gestação de todas as gestantes, convencionou-se chamar de início da gravidez o primeiro dia da última menstruação que a mulher teve.

Vamos ser mais claros. Imaginem uma mulher que tenha menstruado no dia 2 de Março de um ano qualquer. Nos dias 09, 13, 17 e 20 de Março, ela teve relações sexuais desprotegidas, e a sua menstruação que deveria vir no dia 30 de Abril simplesmente não apareceu. Essa mulher, então, faz um teste de gravidez e descobre que está grávida. Como o espermatozoide consegue ficar viável dentro do trato reprodutor feminino por cerca de 3 a 5 dias, é impossível saber com certeza em qual das relações ela engravidou. Por isso, estabelecemos que a data de início da gravidez é 2 de Março, que é o primeiro dia da sua última menstruação, conhecida também pelo acrônimo DUM. Uma gravidez normal, contando a partir da DUM, tem entre 37 e 42 semanas de duração.

Desta forma, a primeira semana de gravidez dessa mulher vai do dia 2 ao dia 8 de Março. Nesta fase, a mulher provavelmente ainda nem tinha ovulado, mas, para efeito de contagem, a sua gravidez já começou. Portanto, é impossível ter sintomas de gravidez quando ainda não se está grávida. A mulher pode ter sintomas de menstruação, mas nunca sintomas de gravidez.

Se você quiser entender um pouco mais sobre o cálculo da idade gestacional e a data provável do parto, leia o seguinte artigo: TEMPO DE GRAVIDEZ | Como calcular a idade gestacional.

Sinais e sintomas da gravidez na 2ª semana de gestação

Na 2ª semana de gravidez você também não sente absolutamente nenhum sinal ou sintoma de gravidez. E o motivo é o mesmo, você ainda não está realmente grávida.

Para facilitar nossa explicação, vamos continuar usando a DUM como dia 2 de Março. A segunda semana de gestação seria, portanto, do dia 9 ao dia 15 de Março. Se essa nossa fictícia mulher tem um ciclo regular de 28 dias, a sua ovulação ocorre habitualmente no 14ª dia do ciclo, que nesse nosso caso hipotético cai no dia 16 de Março. Logo, a segunda semana de gravidez medida pela data da última menstruação acaba e a mulher ainda não ovulou nem engravidou de verdade.

Se essa mulher tivesse um ciclo menstrual mais curto que 28 dias, ela até pode ovular antes do fim da 2ª semana do ciclo menstrual. Neste caso, a fecundação poderia ocorrer nesta época. Ainda assim, isso não faz diferença, pois a fecundação em si não é um evento que provoque sinais ou sintomas perceptíveis.

Portanto, qualquer sintoma que a mulher sinta na segunda semana de gravidez, não é propriamente um sintoma de gravidez, mas sim do período pré-ovulatório. Entre os sintomas que podem ocorrer na fase da ovulação podemos citar: cólicas, aumento da sensibilidade dos seios, alterações no olfato e paladar, aumento dos gases e alterações no muco da vagina. Em geral, esses sintomas são muito discretos e passam despercebidos na maioria das mulheres.

Sinais e sintomas da gravidez na 3ª semana de gestação

Na 3ª semana de gravidez você até pode já estar grávida, mas, na maioria dos casos, ainda não irá sentir sinal ou sintoma algum.

No nosso caso fictício, a terceira semana vai do dia 16 ao dia 22 de Março. Vamos imaginar que a ovulação e a fecundação tenham ocorrido no dia 16 de março, no primeiro dia da 3ª semana de gravidez.

A fecundação do óvulo pelo espermatozoide ocorre dentro de uma das trompas uterinas e dá origem a uma célula chamada zigoto (primeira fase do embrião). Assim que o zigoto é formado, ele começa a se deslocar ao longo da trompa uterina em direção ao útero. Essa migração dura entre 6 a 12 dias. Esse processo todo não produz sintoma nenhum. Repare que a fecundação ocorre na 3º semana de gravidez, mas a chegada do embrião ao útero só se completa na 4ª semana, na maioria dos casos.

O primeiro sinal de gravidez pode ocorrer no momento da implantação do embrião na parede do útero e se caracteriza por um discreto sangramento vaginal. Esse sangramento é mínimo e dura apenas 1 dia, mas como ele ocorre próximo da época que a mulher está esperando a sua menstruação chegar, ele pode ser confundido com uma menstruação que veio fraca.

A implantação do embrião no útero ocorre entre o final da 3ª semana e o início da 4ª semana de gravidez. Portanto, é perfeitamente normal você terminar a sua 3ª semana de gravidez não estando tecnicamente grávida* e não apresentando sintomas de gravidez.

* É importante destacar que a medicina só considera que há uma gravidez em curso quando o embrião se implanta com sucesso na parede uterina. Se o embrião não conseguir se fixar à parede, ele não consegue continuar o seu desenvolvimento e acaba sendo eliminado do útero. Isso não é considerado aborto, pois tecnicamente a gravidez ainda não havia começado. O mesmo raciocínio vale para aqueles casais com problemas de fertilidade que precisaram da ajuda da fertilização in vitro (FIV). Ninguém considera que a mulher já esteja grávida só porque há um óvulo fecundado dentro de um tubo de ensaio. Da mesma forma, ninguém considera aborto quando os embriões da FIV (geralmente 2 ou 3) são colocados no útero, mas eles não conseguem se implantar e gerar uma gravidez em curso.

Sinais e sintomas da gravidez na 4ª semana de gestação

Finalmente chegamos na fase em que a mulher está realmente grávida. Só para nos localizarmos no tempo, a 4ª semana de gestação calculada pela DUM corresponde mais ou menos a 2ª semana após a relação sexual que deu origem à fecundação do óvulo e a 1ª semana de gravidez de fato. Nesse momento, o embrião tem cerca de 0,2 mm de diâmetro, é composto por cerca de 200 células e acabou de se implantar na parede do útero. Nesta fase, o embrião é tão pequeno que ainda não é possível ser visto pelo ultrassom (leia: ULTRASSOM NA GRAVIDEZ).

A partir do momento da implantação, inicia-se a produção do HCG, hormônio vital para a manutenção da gestação nos primeiros meses e responsável pelo surgimento dos primeiros sinais e sintomas de gravidez.

O sinal mais mais óbvio de gravidez que surge ao redor da 4ª semana de gestação é o atraso menstrual. Porém, nem sempre o atraso do período é rapidamente percebido pela gestante. O primeiro motivo é o fato de muitas mulheres terem ciclos menstruais irregulares, o que torna difícil prever a data exata da próxima mesntruação. O segundo motivo é o já explicado sangramento uterino que pode ocorrer como consequência da implantação do embrião no útero. Esse sangramento é bem diferente da menstruação, mas algumas mulheres acabam por confundi-los.

A dor e o aumento da sensibilidade das mamas, causado pelo aumento do aporte de sangue para esta região, é outro sintoma que surge bem precocemente, geralmente durante a 4ª semana de gravidez. Outro sintoma possível nesta fase é o aumento da sensibilidade do olfato.

Na maioria dos casos, a 4ª semana ainda é pobre em sinais e sintomas de gravidez, sendo o atraso menstrual o mais significativo deles. Eventualmente, sintomas como náuseas e vômitos, sensação de barriga distendida, vontade frequente de urinar, cansaço e alterações do humor podem surgir no final da 4ª semana de gestação, mas eles são mais comuns a partir da 5ª e 6ª semanas.

Sinais e sintomas da gravidez na 5ª semana de gestação

A 5ª semana de gravidez calculada pela DUM equivale, mais ou menos, à 2ª semana de gravidez de fato.

Neste momento, a produção de HCG acelera e a concentração sanguínea desse hormônio dobra a cada 48h. Os níveis de estrogênio e progesterona também estão elevados, o que favorece o surgimento de sintomas e alterações no corpo da futura mãe.

Além da sensibilidade, as mamas crescem e o mamilo começa a escurecer. Os lábios vaginais também tonam-se mais escuros. Um cansaço leve, aumento da vontade de urinar, alterações de humor, aumento da salivação e aumento dos gases intestinais são sintomas que costumam surgir ao longo desta semana.

Sinais e sintomas da gravidez na 6ª semana de gestação

A 6ª semana de gravidez calculada pela DUM equivale, mais ou menos, à 3ª semana de gravidez de fato.

Essa semana de gravidez costuma ser um marco divisório. As felizardas mulheres que conseguiram chegar à 6ª semana ainda sem sintomas relevantes, dificilmente chegam à 7ª semana sem apresentar nenhum sinal da gravidez. Já aquelas pobres coitadas que já começaram a ter sintomas desde a 4ª semana, assistem a um agravamento dos mesmos a partir da 6ª semana.

Nesta fase, o cansaço começa a tornar-se maior, as idas ao banheiro tornam-se mais frequentes, inclusive à noite, e o famoso enjoo da grávida costuma aparecer. Além das náuseas, a gestante pode começar a ter desejos por alimentos específicos. Comidas que eram adoradas antes da gravidez podem ser desprezadas, ao mesmo tempo que alimentos que antes causavam repulsa podem ser intensamente desejados. Se você vir uma mulher que não come carne vermelha tendo um profundo desejo por um Big Mac, pode apostar que ela está grávida. Variações de humor, medos e aumento dos seios também são marcantes nesta fase.

Na 6ª semana, o embrião ainda é muito pequeno (não tem nem 1 cm de comprimento) e o útero praticamente não mudou de tamanho. Porém, a gestante sente-se com a barriga inchada e pode notar que as suas calças já não lhe cabem mais tão bem.

Sinais e sintomas da gravidez na 7ª semana de gestação

A 7ª semana de gravidez calculada pela DUM equivale, mais ou menos, à 4ª semana de gravidez de fato.

LEIA TAMBÉM:
– GANHO DE PESO NA GRAVIDEZ

Cerca de 90% das mulheres chegam ao final desta semana tendo sintomas claros de gravidez. Além dos enjoos, do excesso de saliva, do excesso de urina, do cansaço, dos seios que não param de crescer, das variações de humor, da sensação de barriga inchada, você ainda pode começar a sentir sintomas de refluxo gastrointestinal. Pra piorar, você ainda pode ficar com prisão de ventre.

O cansaço tende a se agravar nesta fase, e tudo o que a gestante mais deseja é poder ficar dormindo na sua cama. Tonturas também são comuns.

Apesar dos enjoos e de restrição a alguns alimentos, é provável que você já esteja a aumentar de peso.

Sinais e sintomas da gravidez da 8ª a 12ª semana de gestação

A 8ª semana de gestação marca o início do 3ª mês, enquanto a 12ª semana marca o final do primeiro trimestre. Vamos abordar esse intervalo em conjunto, pois as novidades já não surgem mais a cada semana.

Durante o terceiro mês de gravidez a mulher já sente-se “plenamente grávida”. Os sintomas que tinham que surgir já surgiram, e a tendência é que eles se tornem mais intensos até a 11ª-12ª semana, quando a pior fase começa a passar. O enjoo e o cansaço intenso tendem a desaparecer após a 12ª semana. Porém, boa parte dos sintomas permanecem, principalmente a vontade frequente de urinar  e o refluxo.

É possível que ao final do 1º trimestre você note o surgimento de um discreto corrimento vaginal, que tem coloração clara, não causa dor, coceira nem tem odor (leia: CORRIMENTO NA GRAVIDEZ).

Sabe aquela história de que a pele da grávida brilha e fica maravilhosa? Pois é, você foi enganada. Algumas mulheres até ficam com a pele mais macia e brilhosa, mas na maioria, a intensa exposição aos hormônios progesterona e estrogênio provoca alterações nada maravilhosas na sua pele, tais como acne, aumento da oleosidade, hiperpigmentação, aparecimentos de pequenos vasos, pelos mais grossos e alterações nas unhas. Aliás, pelos, cabelos e unhas podem começar a crescer rapidamente. As gengivas tornam-se frágeis e a ocorrência de gengivite também é comum.

Algumas mulheres referem sentir o bebê se mexendo ao final das 12 primeiras semanas de gravidez, mas isso não corresponde à realidade, pois o feto tem apenas cerca de 5 a 6 cm neste momento. Os mais provável é que você esteja sentindo a movimentação dos gases dentro dos intestinos. Os primeiros movimentos reais do feto só são percebidos a partir da 16ª a 18ª semana de gravidez.

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TESTE DE GRAVIDEZ CASEIRO FUNCIONA?

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O relato mais antigo que nós conhecemos de um teste de gravidez caseiro vem do antigo Egito, no ano de 1350 a.C. Um teste descrito num papiro dizia que a mulher que suspeitava estar grávida deveria urinar em cima de sementes de trigo e cevada. Se o trigo florescesse, a mulher estava grávida de uma menina. Já se fosse a cevada a florescer, a gravidez era de um menino. Se nenhum dos dois crescesse, isso era um sinal de que a mulher não estava grávida.

Na década de 1960, uma época em que não existia a fartura de testes de gravidez cientificamente comprovados que temos hoje, um grupo de cientistas resolveu pôr à prova o teste descrito no antigo papiro. Por incrível que pareça, o estudo mostrou que o teste acertava a existência da gravidez em cerca de 70% dos casos, um percentual longe de ser brilhante, mas que com certeza mostrava algum êxito, que não poderia ser explicado apenas pelo acaso. Na época, a grande concentração de estrogênio na urina das grávidas acabou sendo a explicação para esse fato.

Esse relato é interessante, pois demonstra que os povos antigos já reconheciam (ou pelo menos imaginavam) o papel da urina no diagnóstico da gravidez. Também chama a atenção o fato de que mais de 3000 anos depois, ainda muita gente utiliza métodos caseiros, não baseados no método científico, para tentar diagnosticar uma gravidez.

Portanto, se um teste caseiro idealizado por povos tão antigos e com conhecimento científico tão primitivo pode apresentar algum grau de eficácia, qual será a real utilidade dos testes de gravidez caseiros tão propagados pela Internet?

Neste artigo vamos fazer uma crítica aos mais conhecidos testes de gravidez caseiros, incluindo o teste da água sanitária, da fervura, do cloro, do vinagre e da pasta de dente.

Testes de gravidez cientificamente comprovados

Se você é uma pessoa que procura informações apenas sobre testes de gravidez cuja confiabilidade é cientificamente comprovada, então nenhum dos testes caseiro que será descrito neste artigo serve pra você. Nenhum deles, absolutamente nenhum, é baseado em premissas científicas.

Antes de seguirmos com as explicações sobre os testes caseiros, vamos só relembrar quais são os testes de gravidez devidamente estudados e comprovados pela ciência.

O teste de gravidez mais confiável que existe é a dosagem do hormônio hCG no sangue. A taxa de acerto é próxima de 100% quando a mulher já está com pelo menos 1 dia de atraso menstrual. A sua grande desvantagem é o fato de ser um exame laboratorial que precisa de uma amostra de sangue.

Os testes de farmácia são mais simples que os teste de sangue, pois podem ser feitos em casa e precisam apenas de uma amostra de urina. A capacidade de identificar a presença do hCG é um pouco mais baixa que a dos exames de sangue, porém, ainda é bastante elevada. A taxa de acerto é altíssima se o teste for feito com pelo menos 5 dias de atraso menstrual. Atualmente, um teste de gravidez de farmácia custa algo em torno de 5 a 20 reais, dependendo da marca.

Se você quiser mais informações sobre os testes de gravidez sanguíneo e urinário, acesse os seguintes links para ler artigos exclusivos sobre o assunto:

Teste de gravidez da água sanitária (lixívia)

Como é feito o teste de gravidez da água sanitária:

O teste da água sanitária é simples, basta você misturar em um recipiente a urina da mulher com um pouco de água sanitária. Se a solução borbulhar ou mudar de cor, o teste é positivo e indica que você está grávida.

O teste supostamente se baseia na detecção indireta do hormônio hCG, que reagiria com a água sanitária provocando as alterações descritas acima.

Criticas ao teste de gravidez da água sanitária:

Quando fazemos uma rápida procura pelo Google à procura de informações sobre o teste caseiro da água sanitária, nos deparamos com um grave problema, que também está presente em quase todos os testes caseiros que iremos descrever: a completa falta de padronização e metodologia.

Repare que não há um recipiente adequado, dependendo da fonte, pode ser um copo de plástico, vidro, acrílico, cerâmica… Também não há concordância entre as quantidades de urina e de água sanitária. A concentração mais adequada da água sanitária não é descrita e ninguém diz também a partir de que momento (quantos dias de menstruação atrasada, por exemplo) o teste deve ser feito.

Essa falta de metodologia por si só seria suficiente para tornar o teste pouco confiável. Quem já teve algum contato com trabalho laboratorial sabe que uma pequena alteração na concentração de um reagente pode ser suficiente para alterar completamente um resultado.

Mas há um problema ainda mais grave com esse teste. A urina é rica em ureia e possui quantidades variáveis de amônia. A reação destas substâncias ao contato com o hipoclorito de sódio (água sanitária) é muito conhecida. As borbulhas são geradas pela produção de cloramina e gás clorino. Além da reação nada ter a ver com o hormônio hCG da gravidez, ambas substâncias são bastante tóxicas se inaladas. Em alguns casos, a quantidade de gás tóxico produzida por ser relevante, provocando uma grande reação e um odor extremamente desagradável.

O teste parece dar positivo para algumas pessoas e negativo para outras, estando elas grávidas ou não, exatamente pela ausência de padronização. Quantidades e concentrações diferentes de água sanitária, aliadas a quantidades e concentrações diferentes de urina podem gerar reações mais ou menos intensas. O teste pode ser positivo tanto em homens como em mulheres.

Veredito:

O teste de gravidez da água sanitária não só não funciona, como ainda pode gerar gases e vapores tóxicos.

Teste de gravidez do cloro

Como é feito o teste de gravidez do cloro:

O teste do cloro consiste em misturar dentro de um recipiente a urina da mulher com cloro. Se a solução borbulhar ou mudar de cor, o teste é positivo e indica que você está grávida.

Criticas ao teste de gravidez do cloro:

Na verdade, o teste do cloro é apenas uma variação do teste da água sanitária, uma vez que ambas substâncias contém o elemento químico cloro como principal componente. Assim como ocorre com a água sanitária, as substâncias naturais da urina reagem com o cloro e produzem gases tóxicos, como a tricloramina e o cloreto de cianogênio. A mudança de cor e a produção de espuma são resultados dessa reação. Não tem nada a ver com a presença do hormônio hCG na urina.

Só como curiosidade, você sabe por que em algumas piscinas sentimos um forte cheiro de cloro e nossos olhos ardem e ficam vermelhos? Não é porque essas piscinas tem cloro em excesso, mas sim porque elas estão contaminadas com grande quantidade de urina e suor. O odor forte de cloro e os olhos irritados ocorrem pelas substâncias tóxicas produzidas pela mistura de urina e do suor com o cloro da piscina.

Veredito:

O teste de gravidez do cloro não só não funciona, como ainda pode gerar gases e vapores tóxicos.

Teste de gravidez da pasta de dente

Como é feito o teste de gravidez do creme dental:

Em um copo transparente, você deve misturar urina com uma pequena quantidade de pasta de dente branca (não serve colorida). Se após 2 minutos a pasta branca torna-se azulada ou começar a espumar, o teste é positivo.

Críticas ao teste de gravidez da pasta de dente:

O teste da pasta de dente parece ser um pouquinho mais padronizado que o da água sanitária, ainda assim discrepâncias entre a quantidade de creme dental e urina são facilmente encontradas.

O teste não funciona. A mudança de cor não ocorre na maioria dos casos, mesmo quando a mulher está gravida. Já a formação de espuma é comum e ocorre até com a urina de homens. A espuma é uma reação da acidez da urina com a pasta de dente alcalina. Alguns cremes dentais também possuem lauril eter sulfato, substância que facilita a formação de espuma. Quanto mais alcalina for a pasta e mais ácida for a urina, maior é a chance de reações.

Veredito:

O teste de gravidez da pasta de dente não funciona. Resultados positivos e negativos ocorrem aleatoriamente, de acordo com a composição da pasta e a acidez da urina.

Teste de gravidez da fervura da urina

Como é feito o teste da fervura da urina:

O teste da fervura consiste em utilizar um recipiente de alumínio para ferver a urina.  Se a urina ferver como leite, criando um sobrenadante, o teste é positivo. Se ferver como água, o teste é negativo.

Criticas ao teste da fervura da urina:

A urina é um líquido rico em diversas substâncias, ao contrário da água, que é basicamente água e quantidades mínimas de alguns sais minerais. As substâncias presentes na urina têm pontos de ebulição distintos, diferentemente da água pura, que ferve de forma homogênea. É esperado que as características da fervura sejam mesmo diferentes. A sua urina só ira ferver de forma parecida com a água se ela estiver muito diluída. Para isso, você precisa beber muita água ao longo do dia.

Portanto, o teste da fervura vai dar positivo para a maioria das pessoas, mesmo mulheres não grávidas e homens.

Veredito:

O teste da fervura não funciona e dá positivo na maioria dos casos.

Teste de gravidez do vinagre

Como é feito o teste do vinagre:

O teste do vinagre é feito misturando urina e vinagre em um recipiente transparente. Se a solução mudar de cor ou espumar, o teste é positivo. Se não mudar de cor, é negativo.

Criticas ao teste do vinagre:

O vinagre é comporto por ácido acético, que é um ácido fraco. A urina também é uma substância levemente ácida. Em geral, a mistura das duas substâncias não provoca reação nenhuma, exceto pela mudança de cor, que se dá mais porque o vinagre tem coloração ou tonalidade diferente da urina. Aliás, esse é um dos problemas do teste, não há uma padronização do tipo de vinagre a ser utilizado.

Em algumas situações clínicas, a urina pode ser tornar alcalina, o que favoreceria a ocorrência de reações com o ácido acético. Mas isso nada tem a ver com a presença ou não do hormônio hCG na urina.

Veredito:

O teste do vinagre não funciona.

Conclusão sobre os testes de gravidez caseiros

Nós escolhemos 5 testes como exemplo, mas na Internet existem dezenas deles. Há ainda o teste da agulha, teste da Coca Cola, teste do Pinho Sol, teste da pimenta, etc. Não é preciso falar de um por um, pois todos são falaciosos e não seguem o método científico.

A verdade é que a urina da grávida nos primeiros dias de gravidez é basicamente igual à urina da mulher não grávida. A diferença está na presença do hormônio hCG, que encontra-se em concentrações baixíssimas nos primeiros dias. Mesmo que esses testes tivessem alguma base científica por trás, dificilmente eles seriam capazes de detectar quantidades tão pequenas do hormônio hCG.

O teste de sangue, que é o teste de gravidez mais sensível de todos, utiliza técnicas laboratoriais moderníssimas, desenvolvidas ao longo de décadas. Por isso, ele é capaz de identificar concentrações mínimas de hCG circulando no sangue materno.

Se você suspeita que possa estar grávida, mas não quer ir a um laboratório colher sangue, compre um teste de gravidez de farmácia. Eles são baratos, confiáveis e fornecem o resultado em poucos minutos. Não adianta ficar sujando panela ou copos com urina, nem gastando os produtos químicos que você tem casa. Nenhum deles funciona e, como vimos, podem até fazer mal, por liberarem vapores tóxicos.

MENSTRUAÇÃO NA GRAVIDEZ É POSSÍVEL?

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\"Menstruação
Menstruação e gravidez são dois eventos completamente incompatíveis entre si. Quem está grávida não menstrua, e quem está menstruada não pode estar grávida. Não há exceções.

No entanto, é importante deixar claro que afirmar que as mulheres grávidas não podem menstruar não é a mesma coisa que dizer que as mulheres grávidas não podem ter episódios frequentes de sangramento vaginal durante a sua gestação. A questão é que esses sangramentos podem ter várias causas, mas, com certeza, a menstruação nunca será uma delas.

Se você tem alguma desconfiança de que a afirmação acima não está correta, e não só acha que é plenamente possível uma gestante menstruar, como ainda é capaz de citar casos pessoais nos quais essa situação tenha ocorrido, sugiro que leia esse texto com atenção, pois ele irá sanar todas as suas dúvidas.

Para que você possa entender o motivo da total incompatibilidade entre a gravidez e a menstruação, precisamos primeiro explicar o que é a menstruação e como ela ocorre. Neste artigo vamos falar do ciclo menstrual de forma resumida, se você deseja informações mais detalhadas, não deixe de ler também o seguinte texto: CICLO MENSTRUAL | Como ocorre a menstruação.

O que é a menstruação?

A camada mais superficial da parede do útero chama-se endométrio. A cada ciclo menstrual, o endométrio se prepara para receber um possível embrião. Esse processo se dá através da proliferação das células do endométrio e do desenvolvimento de vasos sanguíneos, que serão responsáveis pelo fornecimento de fluidos e nutrientes para o futuro feto. A preparação do útero para a gravidez ocorre todo mês e inicia-se no primeiro dia do ciclo menstrual, sendo primeiramente estimulado pelo hormônio estrogênio e posteriormente pelo hormônio progesterona.

Se fizermos um ultrassom nos primeiros dias do ciclo menstrual vamos ver um endométrio fino, com uma camada única, com menos de 0,4 cm de espessura e pobre em vasos sanguíneos. Conforme passam-se os dias, a estimulação hormonal faz com que as células do endométrio se proliferem e novos vaso sanguíneos sejam criados. Na fase final do ciclo, o endométrio torna-se espesso, com 3 camadas, viscoso, rico em vasos sanguíneos e com cerca de 1,5 cm de espessura, que é quase 4 vezes mais espesso que no início do ciclo.

Após a ovulação, se o óvulo não for fecundado em cerca de 24 horas, ele se degenera e o estímulo para a produção de estrogênio e progesterona acaba. Como já não há mais possibilidade de surgir uma gravidez neste ciclo, não há porque o organismo manter a preparação do útero para a implantação de um embrião. Sem a presença dos hormônios estrogênio e progesterona, a espessa parede do endométrio perde o seu estimulo para se proliferar e o suprimento de sangue é subitamente cortado. Como efeito, a parede do endométrio começa a desabar, levando consigo tecido endometrial, muco, água e sangue.

A menstruação, então, nada mais é que o descolamento de parte expressiva da parede interna do útero, que ao longo do ciclo menstrual se preparou para receber um embrião que nunca foi gerado.

Portanto, para que exista a menstruação, a mulher precisa passar por 2 fases:

1- Produzir estrogênio em ritmo crescente, de forma a induzir a ovulação e proliferar o endométrio.
2- Ovular e não ser fecundada, pois a ausência da fecundação e a degeneração do óvulo é que provoca o fim do estímulo hormonal, que, por sua vez, leva ao desabamento da parece uterina.

Obs: quando a mulher usa pílula anticoncepcional, ela utiliza hormônios para enganar o sistema reprodutor, fazendo com que o endométrio se prolifere, sem, porém, induzir a ovulação. Quando a pílula é interrompida, o endométrio desaba e a paciente menstrua.

Por que a menstruação não ocorre durante a gravidez?

Quando o óvulo é fecundado, em vez dos níveis de estrogênio e progesterona caírem rapidamente, tal como ocorre quando o óvulo não fecundado degenera, eles fazem o oposto, elevam-se, mantendo o endométrio espesso e apto para receber o embrião. Esse é o primeiro ponto, se a mulher menstruasse após a fecundação, o endométrio estaria descamado e não teria condições de receber nem manter viável o embrião que acabou de chegar.

O segundo ponto é que, uma vez que o embrião tenha se implantado e esteja a se desenvolver adequadamente no endométrio, um novo hormônio começa a ser produzido: a gonadotrofina coriônica humana, também conhecida pelo acrônimo hCG. Um dos vários papeis do hCG é avisar ao organismo materno que há um bebê em desenvolvimento. Isso significa, entre outras coisas, que o ovário é ?orientado? a não mais maturar óvulos todo mês, o que, na prática, faz com que a mulher não ovule durante todo o período em que estiver grávida.

Portanto, como um dos requisitos básicos para haver menstruação é a ovulação, se a mulher não ovula nem tem as flutuações hormonais de estrogênio e progesterona que ocorrem ao longo do ciclo menstrual, ela não apresenta os estímulos necessários para que possa menstruar todo o mês.

Mas o principal motivo da incompatibilidade da gravidez com a menstruação é muito mais simples do que os mecanismos hormonais descritos acima. Pense bem, se o embrião está fixado à parede do endométrio e é dele que a placenta recebe o sangue necessário para o seu desenvolvimento, caso a mulher menstruasse, ou seja, caso a parede do endométrio desabasse, como o embrião poderia permanecer inserido no útero? Não poderia. Assim como é impossível que um quadro permaneça pendurado a uma parede que tenha sido derrubada, um embrião não consegue permanecer fixado ao útero, caso a parede deste útero tenha sido arruinada.

Resumindo, a mulher grávida não tem nenhum dos estímulos necessários para que a menstruação ocorra, mas, mesmo que tivesse, isso significaria o término imediato da gravidez, pois, assim que ela menstruasse, o embrião seria expelido junto com o tecido endometrial que desabou.

Alguns de vocês devem estar pensando: mas eu conheço mulheres que sangravam durante a gravidez, como isso é possível?

Como já referido na introdução do texto, nem todo sangramento vaginal é menstruação. Existem diversas causas para sangramento na gestante, mas nenhuma delas é a menstruação.

Causas de sangramento vaginal na gravidez

Já falamos sobre as causas de sangramento na gravidez em um artigo à parte, que pode ser acessado através do seguinte link: SANGRAMENTO NA GRAVIDEZ.

Aqui, portanto, vamos apenas explicar de forma resumida os motivos pelo qual algumas mulheres apresentam sangramento vaginal durante a gestação.

São diversas as causas de sangramento durante a gravidez, sendo que até 1 em cada 5 grávidas apresenta, pelo menos, um episódio de sangramento vaginal nas 12 primeiras semanas de gestação. Algumas dessas causas são inocentes, mas outras podem indicar problemas graves na gravidez, tais como risco de abortamento ou gravidez ectópica (leia: GRAVIDEZ ECTÓPICA | Sintomas e tratamento).

Entre as causas benignas de sangramento na gravidez está o chamado sangramento de implantação, que é uma discreta perda sanguínea que pode surgir quando o embrião se implanta na parede do endométrio. Esse sangramento, apesar de ter um aspecto bem diferente da menstruação, é frequentemente confundido com o período, pois ele costuma ocorrer ao redor da 4ª semana do ciclo menstrual, época em que a mulher está à espera da sua menstruação.

Sangramentos sem relevância clínica podem ocorrer também após um exame ginecológico ou mesmo após relações sexuais. Esses sangramentos ocorrem porque a vagina e o colo do útero encontram-se mais sensíveis, com alterações nos seus tecidos e com maior aporte de sangue durante a gravidez. Mulheres com pólipos ou miomas uterinos também podem ter episódios de sangramento vaginal ao longo da gestação (leia: O QUE É UM MIOMA UTERINO).

Entrando na área das doenças, as infecções ginecológicas, tais como gonorreia, herpes, clamídia, candidíase ou outras formas de vaginite, podem deixar a mucosa vaginal irritada, facilitando a ocorrência de sangramentos.

A partir da 20ª semana de gestação, a placenta prévia (implantação da placenta à frente do orifício de saída do útero) ou descolamento prematuro da placenta (quando a placenta solta-se do útero antes da hora do parto) são causas comuns e preocupantes de sangramento vaginal.

Independentemente da causa, todo sangramento durante a gravidez deve ser prontamente avaliado pelo obstetra. Como já referido, não existe menstruação durante a gravidez. Se você está grávida e está a perder sangue pela vagina, mesmo em pequena quantidade, não assuma que está tudo bem. Entre em contato com o seu médico e deixe que ele decida se o sangramento é ou não preocupante.

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QUANDO FAZER O TESTE DE GRAVIDEZ?

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Com quantos dias de gravidez eu já posso fazer o teste de gravidez? Quantos dias depois da concepção o teste de gravidez torna-se positivo? É realmente necessário esperar pelo atraso menstrual? Posso fazer os testes caseiros antes de realizar o teste de farmácia?

Temos vários artigos sobre gravidez e diagnóstico de gravidez no nosso site, mas nenhum deles foca o momento correto de se fazer o teste de gravidez. As perguntas listadas acima têm sido feitas com alguma frequência pelas nossas leitoras, motivo pelo qual resolvemos escrever um artigo exclusivo sobre quando fazer o teste de gravidez. Neste artigo nós vamos explicar quantos dias de gravidez são necessários para que o resultado do teste de gravidez torne-se confiável.

Afinal, se a mulher já está grávida, por que os testes dão negativos nos primeiros dias e gestação?

Quanto tempo devo esperar para fazer o teste de gravidez?

Não existe uma resposta única para essa pergunta, pois isso depende do tamanho do ciclo menstrual da mulher e do momento que ocorreu a fecundação. Porém, como a maioria das mulheres tem um ciclo com mais ou menos 28 dias, umas com alguns dias a mais, outras com alguns dias a menos, o momento em que o teste de gravidez torna-se positivo não varia muito na maioria dos casos.

Todos os testes de gravidez utilizam o hormônio beta hCG como forma de diagnosticar uma gravidez em curso. Isso faz sentido, pois esse hormônio começa a ser produzido pelas células do embrião nos primeiros dias após a concepção (leia: ENTENDA O SEU BETA HCG).

Em geral, recomenda-se fazer o teste somente após a menstruação ter atrasado, pois é mais ou menos nessa época que os níveis de beta hCG tornam-se altos o suficiente para serem detectados pelos testes de gravidez.

Por que é necessário esperar a menstruação ter atrasado para fazer o teste de gravidez?

O atraso menstrual em si nada tem a ver com os níveis de Beta hCG. É apenas uma coincidência que, na maioria das mulheres, os níveis de beta hCG só tornem-se suficientemente elevados para serem detectados ao redor do fim do ciclo menstrual, ou seja, na época que a menstruação deveria aparecer. Vamos explicar com mais detalhes.

A ovulação costuma ocorrer no meio do ciclo menstrual. Isso significa que a maioria das mulheres ovula mais ou menos 14 dias antes do fim do ciclo. Como o tempo de vida do óvulo é de apenas 24 horas, ele precisa ser fecundado neste curto intervalo de tempo, caso contrário, não há como ocorrer uma gravidez. Logo, quando a mulher engravida, o óvulo é fecundado cerca de 14 dias antes da data prevista para a próxima menstrual descer.

Uma vez fecundado, o zigoto (produto da fecundação do óvulo pelo espermatozoide) migra das trompas em direção ao útero. Essa migração demora de 6 a 12 dias. Durante esse tempo o zigoto se transforma em embrião e desenvolve o trofoblasto, um grupo de células que irão dar origem à placenta. É o trofoblasto quem produz o hormônio hCG. Essa produção, porém, só inicia-se quando o embrião implanta-se na parede do útero (leia: Sintomas da Gravidez nas Primeiras 12 Semanas).

Portanto, na melhor das hipóteses, o hormônio hCG começa a ser produzido 6 dias depois da fecundação; na pior das hipóteses, 12 dias depois da fecundação. Só por essa explicação já dá para entender por que não adianta fazer o teste de gravidez poucos dias depois de ter tido uma relação sexual desprotegida. Se ainda não foi iniciada a produção do hCG pelo embrião, não há como nenhum teste de gravidez dar positivo.

Após o início da produção do hCG, são necessários alguns dias para que ele alcance uma concentração sanguínea suficiente para que possa ser detectado pelos exames de sangue mais sensíveis. Isso significa que mesmo na melhor das hipóteses, que é uma implantação do embrião no útero ao redor do 6º dia após a concepção, são necessários mais uns 2 a 4 dias para que tenhamos quantidades relevantes de hCG no sangue. Consequentemente, na melhor das hipóteses, o hCG só torna-se detectável de 4 a 6 dias antes da menstruação descer. Na maioria dos casos, porém, o embrião não implanta-se tão cedo, e a época que o hCG torna-se detectável é apenas 1 ou 2 dias antes da data esperada para próxima menstruação. E não podemos esquecer que existem os casos de implantação tardia, o que faz com que o hCG só torne-se positivo depois do atraso menstrual.

Qual teste de gravidez torna-se positivo primeiro?

Existem apenas 2 tipos de testes de gravidez confiáveis: a dosagem do beta hCG no sangue e os testes de farmácia que detectam a presença do hCG na urina (leia: TESTE DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA). O teste mais confiável é com certeza a dosagem sanguínea do hCG. Esse exame é tão mais confiável, que mesmo que você tenha um teste de farmácia positivo, é indicado fazer o exame de sangue para confirmar o resultado.

Os testes de sangue conseguem detectar o beta hCG com concentrações até 20 menores que os testes de urina. Além disso, para que o beta hCG apareça na urina, é preciso antes que o hCG no sangue esteja em concentrações relevantes. Por isso, o teste de sangue torna-se positivo alguns dias antes do teste de urina, podendo estar positivo mesmo antes do atraso menstrual.

Contudo, como o teste de farmácia é muito mais simples de ser feito, fornece um resultado de forma quase que instantânea, não requer picadas com agulha e é capaz de detectar o beta hCH apenas poucos dias depois do teste de sangue, ele acaba sendo a opção mais simples para quem quer saber se está grávida ou não.

Se você quiser saber a forma de fazer o teste de gravidez em marcas específicas, como os testes Clearblue, Confirme, Gravtest Easy, Materntest tira test, Baby Sure e outros, leia: COMO FAZER OS TESTES DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA.

Quando o resultado do teste de gravidez é realmente confiável?

As causas de teste de gravidez falso positivo, ou seja, um teste dar positivo em uma mulher que não está grávida, são raras. Portanto, em princípio, se um teste de gravidez, seja de urina ou sangue, der positivo, devemos acreditar que a mulher esteja realmente grávida.

Em contrapartida, um teste de gravidez falso negativo, ou seja, um teste dar negativo em uma mulher grávida, é relativamente comum, principalmente se o teste estiver sendo feito antes do atraso menstrual. Nestes casos, o teste dá negativo não é porque a mulher não está grávida, mas sim porque o nível de hCG produzidos pelo embrião ainda está tão baixo, que os exames não conseguem detectá-lo. Falsos negativos são mais comuns nos exames de urina do que nos exames de sangue.

Os testes de gravidez sanguíneos costumam ficar positivos entre o 8º e o 13º dia após a concepção (isto é, 1 a 6 dias antes do atraso menstrual). A partir do primeiro dia de atraso menstrual, a chance do teste de gravidez de sangue dar positivo é de 99%. Se a sua menstruação está atrasada um dia e o teste de sangue deu negativo, a chance de você estar grávida é muito baixa. Se por acaso você estiver com sintomas de gravidez e não se convencer que não está grávida, o teste pode ser repetido após 5 dias (leia: 20 PRIMEIROS SINTOMAS DE GRAVIDEZ). Às vezes, a mulher erra o cálculo do seu ciclo e acaba achando que a menstruação está atrasada quando ainda não está. Isso é comum em mulheres com ciclos muito irregulares. Nestes casos, o teste de sangue realmente pode dar falso negativo.

Já o teste de gravidez de farmácia não é tão simples de ser interpretado. Existem dezenas de marcas diferentes, algumas delas com maior sensibilidade que outras para detectar o beta hCG. Algumas marcas conseguem detectar o beta hCG com 1 dia de atraso menstrual em 97% das mulheres grávidas, mas há outras cuja a sensibilidade é só de 54%, ou seja, 46% das grávidas terão um falso negativo. Portanto, para que um teste de gravidez de farmácia seja realmente confiável, o ideal é só fazê-lo com 5 dias de atraso menstrual. O teste de farmácia pode até ser feito após 1 dia de atraso, mas se ele vier negativo, é preciso repeti-lo após 1 semana, pois a chance de ser um falso negativo não é baixa.

O teste de gravidez caseiro pode ser feito antes dos testes de farmácia ou de sangue?

Conforme nós explicamos detalhadamente no artigo: Teste de Gravidez Caseiro ? Mito ou Verdade?, os testes de gravidez feitos em casa, seja com água sanitária, Coca-Cola, vinagre, pasta de dente ou qualquer outro produto caseiro, não são confiáveis e não servem para diagnosticar ou descartar uma gravidez. Esses testes não têm nenhum embasamento científicos e ainda podem fazer mal, pois a reação da urina com cloro ou com a água sanitária pode liberar gases tóxicos.

Portanto, se você acha que pode estar grávida, não adianta fazer teste de gravidez caseiro. A conduta correta é ir à farmácia comprar um teste de gravidez real.

Perguntas comuns sobre o momento certo de fazer o teste de gravidez

Se eu estiver usando algum método anticoncepcional, a época de fazer o teste de gravidez pode ser alterada?

Não, nenhum método contraceptivo interfere no resultado do beta hCG.

Algum medicamento pode impedir o teste de gravidez de ficar positivo?

Não, nenhum medicamento interfere no resultado do beta hCG de forma a torná-lo negativo em mulheres grávidas.

Teste de gravidez negativo após 1 semana de atraso menstrual é definitivo?

Sim, a não ser que você tenha errado a data da vinda da menstruação. Se você acha que a menstruação está atrasada 7 dias, mas ela realmente só está atrasada 1 ou 2 dias, pode haver um falso negativo.

Se eu não souber a data da próxima menstruação, quando devo fazer o teste de gravidez?

Caso a mulher tenha um ciclo muito irregular ou não esteja acompanhando as datas da sua menstruação para saber quando o próximo período deve chegar, o teste de gravidez deve ser feito, pelo menos, 21 dias depois da relação sexual que poderia gerar uma gravidez. Se a mulher teve múltiplas relações neste período, o intervalo deve ser contado a partir da última relação desprotegida. Obviamente, caso a menstruação desça antes do 21º dia, não é preciso mais fazer o exame, pois isso indica que a mulher não engravidou.

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É POSSÍVEL ENGRAVIDAR ESTANDO MENSTRUADA?

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\"Engravidar
É possível engravidar durante a menstruação? Essa pergunta é muito comum e pode ser respondida de forma curta ou longa. Vamos começar pela forma curta.

Todo mundo sabe que para engravidar é preciso haver o encontro de um espermatozoide com o óvulo, fato que só é possível ocorrer durante o período fértil da mulher. Sendo assim, faz todo sentido imaginar que seja impossível que a mulher engravide no momento da sua menstruação, uma vez que a menstruação não faz parte do período fértil do ciclo.

O raciocínio acima está correto, mas a conclusão está errada. É possível, sim, engravidar se você tiver relações desprotegidas durante a sua menstruação. Não é comum nem muito provável, mas de forma alguma é impossível.

Portanto, a resposta curta e simples para a pergunta que dá origem ao título desse artigo é: sim, é possível engravidar estando menstruada.

Vamos então à resposta longa, que vai explicar por que, apesar de parecer ilógico, é possível engravidar durante o período menstrual. Ao longo do texto vamos procurar responder e explicar as três seguintes perguntas:

1- Posso engravidar estando menstruada?
2- Posso engravidar logo depois do fim do período menstrual?
3- Posso engravidar logo antes do início da próxima menstruação?

Antes de seguirmos em frente com as explicações, vamos falar superficialmente sobre o período fértil e a fecundação, que é o momento em que o espermatozoide encontra com o óvulo.

Neste artigo vamos falar do período fértil apenas o suficiente para podermos explicar sobre os riscos de engravidar durante a menstruação. Se você procura informações mais detalhadas sobre o período fértil, acesse os seguintes links:

Atenção, esse texto só faz sentido para as mulheres que não fazem uso de anticoncepcionais hormonais. Se você usa pílula anticoncepcional, não há risco de gravidez por todo o ciclo menstrual, mesmo no momento da pausa da cartela.

É possível estar fértil durante a menstruação?

É pouco provável, mas há situações especiais em que isso torna-se possível. São esses os casos que levam a mulher a engravidar quando ela tem relações desprotegidas durante o período menstrual.

Para entender como isso é possível, vamos explicar de forma bem simples 4 conceitos:

  • Duração do ciclo menstrual.
  • Momento da ovulação.
  • Duração da menstruação.
  • Período fértil.

Duração do ciclo menstrual

O ciclo menstrual, também chamado de ciclo ovulatório, começa no primeiro dia da menstruação e termina no dia anterior à nova menstruação. Ou seja, o ciclo começa quando a menstruação desce num determinado mês e termina assim que a menstruação volta no mês seguinte.

Na maioria das mulheres, o ciclo menstrual dura cerca de 28 a 35 dias. Mas algumas pessoas podem ter ciclos mais curtos ou mais longos que essa média. Os ciclos muito curtos ou muito longos são especialmente comuns nas adolescentes e nas mulheres que estão próximas da menopausa.

Há mulheres que têm o ciclo menstrual bem regular, com duração estável ao longo dos meses, enquanto outras têm ciclos irregulares, com durações que variam de mês a mês.

Momento da ovulação

Independentemente do tamanho do ciclo e da sua regularidade, a ovulação costuma ocorrer entre 12 a 14 dias antes do fim do ciclo. Isso significa que uma mulher que menstruou após um ciclo de 28 dias, ovulou ao redor do 14º dia. Já uma mulher com ciclo de 40 dias ovulou ao redor do 26º dia, enquanto uma mulher com um ciclo curto de 22 dias ovulou ao redor do 8º dia de ciclo.

Conforme veremos mais à frente, são as mulheres que têm ciclo menstrual curto que podem estar tecnicamente férteis durante a menstruação.

Duração da menstruação

A menstruação em si costuma durar de 3 a 7 dias. Aquele sangue que a mulher perde durante o período menstrual é, na verdade, o revestimento interno do útero que está desabando, estimulado por alterações hormonais do fim do ciclo ovulatório. É importante destacar que o fato de você estar menstruando não significa que o seu ciclo hormonal esteja parado à espera da menstruação acabar. Pelo contrário, o ciclo hormonal que levará à próxima ovulação foi reiniciado no primeiro dia da menstruação. Isso significa que no 7º dia do seu período,  o seu corpo já está no 7º dia do ciclo ovulatório.

Período fértil

A última informação que precisamos saber para fechar nosso raciocínio é o conceito de período fértil. Chamamos de período fértil o intervalo de tempo em que é possível que uma relação sexual desprotegida gere uma gravidez.

Quando a mulher ovula, o seu óvulo fica viável para ser fecundado somente por 12 a 24 horas, indo a um máximo de 36 horas em alguns casos. Isso não significa, porém, que o período fértil dure apenas 12 a 36 horas. Os espermatozoides são capazes de sobreviver no sistema reprodutor feminino por 3 a 5 dias (há alguns que permanecem viáveis por até 7 dias, mas isso não é comum). Isso significa, portanto, que o período fértil compreende os 5 dias de vida dos espermatozoides mais as 24 horas do óvulo, ou seja, o período fértil costuma ser de 6 dias no total.

Situações nas quais é possível engravidar estando menstruada

Se você entendeu tudo o que foi explicado até aqui, provavelmente já consegue imaginar por que uma mulher pode engravidar tendo relações durante a menstruação. Vamos concluir nossas explicações com alguns exemplos.

Imagine uma mulher com um ciclo menstrual curto, de apenas 24 dias. Se o seu ciclo tem 24 dias, isso significa que a ovulação ocorre ao redor do 10º dia de ciclo. Como já sabemos que os espermatozoides costumam ficar viáveis durante 5 dias dentro do corpo da mulher e que o óvulo sobrevive por 24 horas, isso significa que qualquer relação sexual desprotegida que tenha ocorrido entre o 5º e o 11º do ciclo podem gerar uma gravidez. Portanto, se a menstruação desta mulher tiver duração de 5 a 7 dias, é perfeitamente possível que ela engravide caso tenha relações nos 2 últimos dias do seu ciclo menstrual (5º ao 7º dia de ciclo)

Portanto, quanto mais curto for o ciclo menstrual e mais longo for o tempo de menstruação, maiores são as chances de uma mulher engravidar durante o seu período. Mulheres com ciclo menstrual menor que 24 dias e tempo de menstruação maior que 5 dias são aquelas com maior risco.

É importante lembrar que a maioria das mulheres não tem ciclos tão curtos nem menstruações tão longas. Uma mulher com ciclo menstrual de 28 dias e tempo de menstruação de 5 dias não consegue engravidar durante a menstruação, pois a sua ovulação ocorre ao redor do 14º de ciclo e a menstruação dura somente até o 5º dia. Mesmo que essa mulher tenha relações no último dia da sua menstruação, os espermatozoides só iram sobreviver até o 10º do ciclo. Quando a ovulação chegar, há pelo 4 dias que não haverá mais espermatozoides viáveis para fecundar o óvulo.

É possível engravidar nos primeiros dias de menstruação?

É muito pouco provável, mas também não é impossível. Se uma mulher tiver um ciclo extremamente curto, com cerca de 20 ou 21 dias de duração, a sua ovulação ocorre ao redor do 6º dia de ciclo, o que permite que uma relação sexual no primeiro dia de menstruação ainda possa prover espermatozoides viáveis no momento da ovulação.

Essa situação é extremamente incomum, mas, mais uma vez, não é impossível.

É possível engravidar logo após o fim da menstruação?

Como já vimos, ainda que baixo, quanto mais perto do final da menstruação, maior é o risco de uma relação desprotegida gerar uma gravidez. Portanto, um relação sexual que tenha ocorrido após o fim da menstruação tem ainda mais riscos que uma relação que tenha ocorrido dentro do período menstrual. E esse risco vai aumentando exponencialmente conforme os dias vão passando. Uma relação que tenha ocorrido 3 dias depois do fim do período tem mais risco que uma relação que ocorreu dois antes, que por sua vez tem mais risco que uma relação ocorrida no dia seguinte ao fim da menstruação.

Novamente, quanto mais curto for o ciclo e mais longo for o tempo de menstruação, maior é o risco de gravidez quando se tem uma relação desprotegida logo após o fim do período menstrual.

É possível engravidar logo antes da descida da menstruação?

Essa é a situação mais improvável de todas. Para que uma relação sexual que tenha ocorrido 1 ou 2 dias antes da descida da menstruação leve à uma gravidez seriam necessários a ocorrência simultânea de várias situações improváveis, como uma ovulação muitíssimo precoce e um esperma de altíssima qualidade, que gerasse espermatozoides viáveis por pelo menos 7 dias. É muito pouco provável.

Portanto, o período mais seguro para se ter relações desprotegidas ocorre no intervalo de tempo entre o momento que o óvulo degenera-se e torna-se inviável (cerca de 24 a 36 horas depois da ovulação) e o início do próximo período menstrual. Isso significa um intervalo de segurança de 10 a 12 dias nas mulheres com ciclo ovulatório ao redor de 28 dias.

O problema é que a maioria das mulheres não sabe quando ovulou e não consegue ter certeza do dia exato que a próxima menstruação virá. Desta forma, é muito difícil saber quando são esses 10 dias mais seguros para ter relações sem proteção.

Este post também está disponível em: Espanhol

COMO FAZER OS TESTES DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA

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Os testes de gravidez de farmácia estão disponíveis desde a década de 1970, mas somente nos últimos anos eles se tornaram amplamente acessíveis, economicamente viáveis e confiáveis do ponto de visto clínico.

Há atualmente no mercado farmacêutico dezenas de marcas diferentes de teste de gravidez que podem ser feitos em casa e que fornecem o resultado em poucos minutos. Já existem até testes digitais que fornecem o resultado por escrito de forma clara e inequívoca.

Porém, essa grande oferta de testes diferentes pode trazer alguma confusão, pois o modo como cada uma das marcas sugere que o teste seja feito e a forma como elas fornecem o resultado não costumam ser exatamente iguais.

Para facilitar a compreensão dos resultados e para ensinar como deve ser feita a colheita da urina, selecionamos algumas marcas de testes de gravidez famosas e vamos explicar como cada uma delas deve ser feita. Lembre-se que todo teste de farmácia positivo deve ser confirmado com um teste de gravidez sanguíneo feito em laboratório. Os testes de farmácia são testes de rastreio, que apesar de serem muito confiáveis, não fazem o diagnóstico definitivo da gravidez. A dosagem do Beta hCG sanguíneo é o teste definitivo.

Neste artigo vamos nos ater apenas à apresentação dos resultados e à forma correta de colher a urina. Se você procura mais informações sobre os testes de gravidezl, não deixe de ler também os seguintes artigos:

– QUANDO FAZER O TESTE DE GRAVIDEZ?
– COMO FUNCIONA O TESTE DE GRAVIDEZ DE FARMÁCIA
– TESTE DE GRAVIDEZ CASEIRO FUNCIONA?
– ENTENDA O SEU BETA HCG

Como devem ser feitos os testes de gravidez mais vendidos do mercado

1- Teste de Gravidez Clearblue Digital

Vamos começar pelo mais fácil. O teste de Gravidez Clearblue Digital é aquele que apresenta os resultados de forma mais evidente, pois ele aparece por escrito em um pequeno painel digital. Esse teste tem a vantagem de também estimar as semanas de gravidez.

O teste de Gravidez Clearblue Digital deve ser feito idealmente a partir do primeiro dia de atraso menstrual, pois, deste modo, a sua taxa de confiabilidade é maior que 99%.

Para fazer o exame, retire a tampa a azul e urine diretamente sobre a fita por cerca de 5 segundos. Outra opção é colher a urina em um recipiente seco e limpo e mergulhar a fita por 20 segundos. Deixe o aparelho deitado na pia ou em qualquer superfície reta. Se não tiver onde apoiar, fique segurando o aparelho com a fita voltada para baixo. Após 3 minutos, o aparelho irá apresentar os resultado no seu painel digital, conforme demonstrado na imagem ao lado.

Não é preciso utilizar a primeira urina da manhã. Esse teste de gravidez pode ser realizado a qualquer hora do dia.

O teste de Gravidez Clearblue DIGITAL pode ser encontrado nas farmácias por um preço ao redor de R$ 20,00 a R$ 30,00.

2- Teste de Gravidez Confirme em tira

O teste de gravidez Confirme em tira é muito popular por ser um dos mais baratos do mercado, custando entre R$ 5,00 e R$ 10,00. Apesar de barato, sua taxa de confiabilidade é de 99%, se o teste for realizado a partir do primeiro dia de atraso menstrual.

Para fazer esse teste, retire a tira da embalagem somente na hora de fazer o exame. O teste de gravidez Confirme em tira pode ser realizado a qualquer momento do dia.

Use o pote que vem com o teste para colher a urina. A seguir, segure a tira na extremidade azul e mergulhe no pote com urina, tendo atenção para não ultrapassar a área demarca (veja ilustração acima).

Após 1 minuto, retire a tira da urina e deixe-a repousar sobre uma bancada por 5 minutos. A leitura do resultado deve ser feita aos 5 minutos. Se o teste tiver sido bem feito, logo abaixo da área azul da tira surgirá uma fina faixa roxa ou rosada, que é chamada faixa controle. Essa primeira faixa indica apenas que o teste foi realizado com sucesso, ela não tem nada a ver com o resultado do teste em si.

Se o exame for positivo, ou seja, se a mulher estiver grávida, abaixo da faixa controle surgirá também outra faixa roxa ou rosada, que pode ter intensidade forte ou fraca. Se a gravidez ainda estiver muito inicial e os níveis de hormônio beta-hCG na urina ainda estiverem baixos, a reação da tira será fraca, assim como a intensidade da faixa. Portanto, se após 5 minutos existirem 2 faixas roxas, por mais fraca que seja a segunda, isso indica um teste positivo.

Por outro lado, se a mulher não estiver grávida, e o teste for negativo, só haverá uma única faixa visível, que é a faixa controle. Se não houver faixa alguma, isso significa que o teste não foi bem feito e deve ser repetido com uma nova tira.

É importante frisar que o resultado do teste deve ser lido com 5 a 10 minutos após a sua realização. Novas faixas que possam surgir após 10 minutos não têm valor.

Outros testes em tira no mercado que são feitos de forma semelhante:

  • Gravtest Easy.
  • Materntest tira test.
  • Baby Sure.
  • Easy Test Plus.
  • Gravindex.
  • Fast test.
  • Bioeasy.

Obs: não deixe de ler a bula, pois, apesar dos princípios serem os mesmos, podem haver pequenas variações nos tempos indicados.

3- Teste de gravidez Confirme Plus

O teste de gravidez Confirme Plus é uma versão mais estruturada e com uma aparência mais elegante que os testes em tira, mas, no fundo, apresenta o mesmo princípio e a mesma taxa de confiabilidade, caso seja realizado a partir do primeiro dia de atraso menstrual.

A forma de fazer esse teste é ligeiramente diferente. Abra o envelope e segure o dispositivo na área de suporte. Retire a tampa e urine diretamente sobre a membrana absorvente por cerca de 10 segundos. Tenha cuidado para não molhar a janela que apresenta os resultados. Se achar essa forma difícil, você pode urinar em um pote e mergulhar a membrana absorvente, como explicado nos testes anteriores.

Após ter certeza que a membrana ficou bem molhada, volte a tampar o dispositivo e deixo-o em repouso sobre uma superfície plana. O resultado deve ser lido após 5 minutos. Assim como nos testes em tira, o aparecimento de apenas um listra ao lado da letra C (controle) indica teste negativo, enquanto o aparecimento de 2 listras, uma ao lado da letra C e outra ao lado da letra T, independentemente da sua intensidade, indica teste positivo. O resultado do teste não deve ser lido após 10 minutos.

Se não aparecer uma listra ao lado da letra C, isso significa que o teste não foi bem feito e deve ser repetido com um novo kit.

O teste de gravidez Confirme Plus custa entre R$ 10,00 e R$ 20,00.

Outros testes em tira no mercado que são feitos de forma semelhante:

  • Confirme Compact.
  • Gravilex Gold.

4- Teste de Gravidez Clearblue Plus

O teste de gravidez Clearblue plus é muito semelhante ao teste de gravidez Confirme Plus descrito acima. A diferença está na forma como o resultado é apresentado.

Abra o envelope e segure o dispositivo na área de suporte. Retire a tampa e urine diretamente sobre a membrana absorvente branca por cerca de 5 segundos. Assim que a membrana entrar em contato com a urina, ela se tornará rosa. Se achar essa forma difícil, você pode urinar em um pote e mergulhar a membrana absorvente, como explicado nos testes anteriores.

O teste de gravidez Clearblue plus fornece o resultado em 3 minutos. Se for negativo, haverá uma faixa vertical na janela controle e uma faixa horizontal na janela de resultado. Se o teste for positivo, haverá uma faixa vertical na janela controle e uma cruz, de intensidade variável, na janela controle.

Se não houver uma faixa na janela controle, o teste não tem validade e deve ser repetido com um novo kit.

O teste de gravidez Clearblue Plus custa entre R$ 10,00 e R$ 20,00.

Se você tiver dúvidas sobre a forma de fazer algum teste de gravidez que não tenha sido citado neste artigo, deixe um comentário na área de perguntas mais abaixo.

A TABELA CHINESA PARA SABER O SEXO DO BEBÊ FUNCIONA?

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A tabela chinesa da gravidez, também conhecida como tabela chinesa do sexo do bebê, é uma técnica desenvolvida pela medicina tradicional chinesa, que supostamente teria a capacidade de prever o sexo do bebê, baseando-se no calendário lunar chinês.

A tabela chinesa ganhou muita popularidade com a Internet, havendo centenas de sites que indicam essa técnica para as grávidas curiosas em saber o sexo do seu bebê. Há também quem indique a tabela para os casais que ainda não engravidaram, mas querem ter a possibilidade de escolher o sexo do futuro filho(a). Os apologistas da tabela chinesa dizem que a técnica tem mais de 90% de eficácia. Alguns sites vão além e afirmam que a eficiência da tabela é de 99%.

Mas o que a ciência tem a dizer sobre a tabela chinesa? Existem estudos científicos sobre esse método? Se a tabela chinesa da gravidez é apenas um folclore, um mito, por que ela se tornou tão popular na Internet?

Neste artigo vamos falar especificamente sobre a tabela chinesa; se você procura informações sobre formas cientificamente comprovadas de saber o sexo do bebê durante a gravidez, leia o seguinte artigo: COMO SABER O SEXO DO BEBÊ ? É menino ou menina?

O que é a tabela chinesa da gravidez

Segundo reza a lenda, a tabela chinesa da gravidez teria sido usada pelos imperadores como guia para que eles pudessem escolher o sexo dos seus futuros filhos, garantindo assim que eles tivessem descendentes homens, o que lhes assegurava a continuidade da sua linhagem real.

Abaixo fornecemos um exemplo da tabela chinesa, conforme publicado anualmente pelo Almanaque dos Fazendeiros Chineses. Para utilizar a tabela chinesa é necessário o uso de algumas ferramentas, que servem para equiparar o calendário chinês com o nosso calendário gregoriano ocidental. Essas ferramentas são facilmente encontradas pela Internet. Essa tabela não foi concebida para ser usada com o nosso tradicional calendário (mais à frente explico algumas diferenças entre os calendários).

Dependendo da fonte na qual se pesquisa, a história da tabela chinesa costuma apresentar algumas diferenças importantes. Há pelo menos 3 versões distintas para a origem da tabela:

1- A versão mais elaborada da história diz que tabela chinesa para prever o sexo do bebê seria um gráfico originado na Dinastia Qing (1644-1912) que teria desaparecido no ano de 1900 no Palácio de Verão do imperador Guangxu depois que a Dinastia perdeu a guerra com a Aliança das Oito Nações no mesmo ano. Ao fim do confronto, a tabela original teria sido enviada à Inglaterra onde a monarquia britânica mantinha-a escondida como tesouro. Muitos anos depois, em 1972, em circunstâncias não esclarecidas, o papel apareceu na Áustria. Lá ele foi visto por um historiador chinês, que copiou o conteúdo e o publicou em um jornal de Taiwan. Desde então, o gráfico tem sido publicado anualmente pelo Almanaque dos Fazendeiros Chineses e está disponível nas salas de parto dos hospitais chineses.

2- Outra versão sobre a origem da tabela diz que o gráfico foi encontrado nas proximidades de Pequim, em um túmulo de família real da Dinastia Qing. O gráfico teria cerca de 700 anos de idade, sendo, portanto, anterior à Dinastia Qing.

3- Uma terceira versão conta que a tabela chinesa original foi encontrado em uma sala subterrânea de Cidade Proibida na Dinastia Qing. O gráfico teria sido concebido a partir da teoria do Yin Yang, dos 5 elementos (metal, água, madeira, fogo e terra) e do Pa Kua.

Apesar das diferentes histórias sobre a sua origem, todas as fontes concordam que a tabela se baseia na idade chinesa da mãe e no mês da concepção, sempre de acordo com o calendário lunar chinês, o que acarreta em algumas diferenças relevantes quando comparados com o nosso calendário ocidental gregoriano, que é baseado somente no sol.

Segundo algumas fontes, na China, o bebê já nasce com 1 ano de idade e completa 2 anos no dia do ano novo chinês, que costuma ser entre Janeiro e Fevereiro, sem uma data fixa anual.

Portanto, para que a tabela chinesa possa ser utilizada, é preciso antes descobrir qual é a idade da mãe segundo o calendário chinês. Em geral, exceto para as mulheres que nasceram em Janeiro e Fevereiro, a idade lunar chinesa é um ano acima da idade real. Por exemplo, se você nasceu em 30.08.1990 e engravidou em 20.09.2016, a sua idade real será 26 anos, mas a sua idade chinesa será 27. Por outo lado, se você nasceu em 25.01.1990 e engravidou em 20.09.2016, sua idade real e sua idade chinesa serão de 26 anos.

Problemas da tabela chinesa

À luz do conhecimento científico atual, há inúmeros problemas teóricos com a tabela chinesa; e nenhuma das fontes explica qual é a relação ou a lógica por trás do uso da idade da mãe e do mês da concepção na definição do sexo do bebê.

Qual seria a explicação racional para acreditarmos, por exemplo, que todas as mulheres com 30 anos que foram fecundadas no mês de Junho vão ter sempre bebês do sexo masculino? E qual é a razão para que mulheres com 21 anos só tenham chance de ter filhos homens, caso a concepção ocorra no mês de Janeiro?

Quando esse tipo de previsão, que foge ao bom senso e briga com a lei das probabilidades, é feita, esperamos que uma boa explicação seja fornecida, caso contrário, a utilização da tabela fica muito mais próxima da superstição do que da racionalidade.

Mas os problemas de fundamentos da tabela chinesa não se resumem a uma simples falta de explicações lógicas sobre o seu funcionamento. Há questões amplamente conhecidas que fazem com que a confiabilidade da tabela seja baixa. Vamos citar algumas delas:

1- O primeiro problema é saber exatamente o dia da concepção. Sabemos que a concepção na maioria dos casos não ocorre no dia da relação sexual. O espermatozoide consegue sobreviver por até 5 ou 6 dias dentro do trato reprodutor feminino. Portanto, uma mulher que teve relações no dia 29 de Abril, pode ter ovulado (e ter sido fecundada) somente no dia 4 de Maio. Isso implica dizer que todas as mulheres que tiveram relações na última semana de mês vão ter dificuldades de dizer quando foi realmente o mês da sua concepção (explicamos o período fértil com mais detalhes no artigo: PERÍODO FÉRTIL PARA ENGRAVIDAR).

E as mulheres que tiveram múltiplas relações nos últimos meses? Como saber o dia correto da concepção?

2- Sabemos que quem “define” o sexo do bebê é o espermatozoide masculino, que pode transportar o cromossoma sexual X ou Y.  Se o espermatozoide que fecundar o óvulo tiver o cromossoma Y, o feto será homem; se tiver o cromossoma X, o feto será mulher. Na definição do sexo do bebê, a genética da mulher tem pouca ou nenhum influência, pois como o seu par de cromossomas são obrigatoriamente XX, elas só podem doar um cromossoma X para o seu filho(a).

Portanto, é estranho que a tabela chinesa só leve em conta a idade da mãe e o mês da concepção. De que forma esses dados poderiam decidir que tipo de espermatozoide vai ser o responsável pela fecundação?

Não é impossível que o organismo da mulher tenha alguma influência na escolha do espermatozoide, mas para que isso tenha alguma credibilidade, faz-se necessária alguma explicação plausível, de preferência baseada em dados científicos.

É interessante lembrar que a tabela foi supostamente concebida há vários séculos, numa época em que o conhecimento científico era muito pobre. Faz todo o sentido que os povo mais antigos imaginassem que, de alguma forma, era o organismo da mulher quem decidia o sexo do bebê.

3- Como explicar os casos de mulheres que têm gêmeos, cada um de um sexo diferente?

4- Se a tabela é realmente eficaz, como explicar que a linha sucessória dos imperadores chineses não seja composta exclusivamente por filhos homens ao longo da história?

O que dizem os estudos científicos sobre a tabela chinesa

Muitos websites que fazem apologia da tabela chinesa frequentemente descrevem o gráfico da seguinte forma: “apesar de não haver comprovação científica, a tabela apresenta impressionante taxa de acerto”.

Na verdade, há, sim, comprovação científica. O problema é que os estudos mostram exatamente o oposto, que a tabela não é confiável e apresenta uma baixa taxa de acerto. Portanto, o consenso científico existe e é de que a tabela não é confiável.

O estudo mais famoso e importante sobre a tabela chinesa foi feito na Suécia em 2010 (http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed/20618730). Neste estudo, os pesquisadores levantaram os dados de cerca de 3,4 milhões de nascimentos ocorridos ente os anos de 1973 e 2006. Destes, os pesquisadores conseguiram obter dados confiáveis das mães em cerca de 2,8 milhões de casos. A taxa de acerto da tabela chinesa nesse grupo de 2,8 milhões de mulheres foi de aproximadamente 50%, ou seja, exatamente a taxa de eficácia esperada para qualquer teste que não funcione, como, por exemplo, tentar adivinhar o sexo do bebê através do cara ou coroa. E a taxa foi sempre ao redor de 50%, não importando a idade da mãe ou o mês da concepção.

Esse estudo sueco é o maior, mas não é o único. Há diversos estudos publicados sobre o efeito do calendário lunar sobre a gravidez, não só sobre o sexo do bebê, mas também sobre a data do parto, risco de complicações, evolução do bebê e aumento da fertilidade. Em todos eles não se conseguiu comprovar qualquer relação causal entre o calendário lunar e os resultados da gravidez.

Por que a tabela chinesa é tão popular na internet?

A tabela chinesa possui uma taxa de acerto de 50%. Isso significa que em 3 milhões de mulheres grávidas, ela vai acertar o sexo do bebê em 1.5 milhão. Portanto, mesmo com uma elevada taxa de erro, para 50% das pessoas que fizerem o teste, ele parecerá ser eficaz. Já a chance do teste acertar o sexo com 2 filhos é de 25%, ou seja, 750 mil mulheres num universo de 3 milhões de grávidas. Por isso, é tão comum encontrar relatos de mães que garantem que a tabela é realmente confiável.

Conclusão: a tabela chinesa é confiável?

Por tudo o que foi explicado até aqui, como era de se esperar, podemos concluir que a tabela chinesa para prever o sexo do bebê não possui nenhuma base teórica plausível e falhou ao ser testada de forma científica em um grupo imenso de mulheres. Aliás, até o momento, todos os estudos que tentam encontrar alguma relação entre as fases da lua e os resultados da gravidez não conseguiram sucesso.

Se você está grávida e deseja saber qual é o sexo do seu bebê, as formas mais confiáveis são o exame de sexagem fetal, que a partir da 8º semana de gestação tem mais de 99% de taxa de acerto, ou através do ultrassom fetal, que a partir da 14ª semana de gestação já consegue identificar a genitália do bebê.

Apenas como nota pessoal, o autor desse texto tem 3 filhas. A tabela chinesa errou o sexo em 2 delas.

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