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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ROSÉOLA INFANTIL – EXANTEMA SÚBITO

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A roséola infantil, também chamada de exantema súbito, é uma virose muito comum durante a infância, que manifesta-se através de erupções cutâneas (manchas vermelhas na pele) e febre. O exantema súbito é uma infecção viral benigna, que cura-se sozinha sem necessidade de tratamento e raramente provoca complicações.

Neste artigo vamos explicar os conceitos básicos do exantema súbito, incluindo os seus sintomas, suas causas, formas de transmissão, diagnóstico e opções de tratamento.

Para saber mais sobre outras causas comuns de febre e rash cutâneo, acesse o seguinte link: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

O que é a roséola infantil

A roséola é uma uma virose benigna, de curta duração e com baixíssima taxa de complicações. O vírus responsável na maioria dos casos é o herpesvírus humano 6 (HHV-6), um vírus da família do herpes. Porém, a roséola também pode ser provocada por outros vírus, tais como, herpesvírus humano 7 (HHV-7), alguns enterovírus (coxsackievirus A, coxsackievirus B e echovirus), adenovírus e parainfluenza tipo 1.

A roséola infantil é uma infecção típica de bebês. Cerca de 75% dos casos ocorrem em crianças entre 6 meses e 1,5 ano de idade. Meninos e meninas são acometidos com igual frequência. Ao final da infância, praticamente todo mundo já terá tido algum contato com o vírus, mesmo aqueles que se infectaram, mas não chegaram a desenvolver os sintomas da roséola. Por isso, quadros de roséola em adultos são raros.

Transmissão da roséola infantil

A transmissão da roséola é feita habitualmente de pessoa para pessoa através do contato com secreções das vias respiratórias, principalmente pela saliva. Espirros, tosse, beijos, contato com perdigotos e brinquedos que vão à boca e são compartilhados com outras crianças são fontes potenciais de contágio.

Na maioria dos casos, os pacientes não conseguem identificar a origem da transmissão, pois esta se dá frequentemente através de indivíduos que são portadores assintomáticos do vírus. Explicando melhor: uma criança se contamina com o HHV-6, não desenvolve sintomas de roséola, mas passa vários dias sendo uma fonte de transmissão do vírus. Essa criança portadora assintomática pode passar o vírus para dezenas de outras crianças, principalmente se ela estiver frequentando uma creche. Dentre as crianças recém-infectadas, algumas irão desenvolver os sintomas da roséola, mas a maioria delas se transformará em novos portadores assintomáticos do vírus.

Sintomas da roséola infantil

Para aquele pequeno grupo que irá desenvolver sintomas, o período médio de incubação da roséola é de 10 dias. O quadro clínico inicia-se habitualmente com uma febre alta, que pode ultrapassar os 40ºC. A febre pode vir acompanhada de outros sinais e sintomas, tais como dor de ouvido, aumento dos linfonodos do pescoço, irritação, perda do apetite, nariz entupido, dor de garganta ou diarreia. Do mesmo jeito que surge subitamente, após 3 a 5 dias de temperaturas altas, a febre também vai embora rapidamente de uma hora para outra.

O sinal mais característico da roséola é o surgimento súbito de uma exantema (manchas vermelhas na pele) imediatamente após a resolução da febre, daí a doença também ser conhecida como exantema súbito. O rash da roséola não coça nem provoca dor.

O exantema da roséola inicia-se no tronco e depois espalha-se para membros e face. As lesões são habitualmente compostas por múltiplas pequenas manchas avermelhadas, de 0,5 centímetros, que podem ser planas ou com discreto relevo. O exantema dura de 1 a 2 dias, mas em alguns casos pode durar apenas poucas horas.

A roséola cura-se espontaneamente sem provocar complicações na maioria dos casos. Em algumas crianças, porém, a febre muito alta pode desencadear episódios de crise convulsiva. Apesar de ser um quadro bastante assustador para os pais, as crises são auto-limitadas e não provocam problemas maiores na imensa maioria dos casos.

Os vírus HHV-6 e HHV-7 também podem provocar uma outra forma de rash cutâneo, conhecido como pitiríase rósea. Este rash acomete preferencialmente crianças mais velhas e adultos jovens (leia: PITIRÍASE RÓSEA ? Sintomas e tratamento).

Diagnóstico da roséola infantil

Na maioria dos pacientes, a roséola é diagnosticada clinicamente, devido à sua típica apresentação de febre por 3 a 5 dias seguida de rash cutâneo em uma criança com menos de 3 anos. Antes do aparecimento do rash, é muito difícil estabelecer o diagnóstico, pois os sintomas são os mesmos que os de qualquer virose comum.

Raramente, o médico pode pedir uma sorologia, que é um exame que investiga a presença de anticorpos contra a roséola no sangue.

Tratamento da roséola infantil

A roséola é um quadro benigno e auto-limitado, e a maioria das crianças já se encontra curada dentro de uma semana após o surgimento da febre. O tratamento indicado, portanto, é apenas repouso, boa hidratação e controle da febre com analgésicos comuns.

Bebida Alcoólica Com Antibióticos – Quais São os Riscos?

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Todo mundo já ouviu falar que não devemos consumir bebidas alcoólicas se estivermos tomando algum tipo de antibiótico. Entre os propagados motivos para que essa combinação seja evitada estão a perda de eficácia do antibiótico, o aumento da toxicidade do álcool, a ocorrência de efeitos colaterais e até um maior risco de lesões do fígado.

Uma simples busca no Google pelos termos “bebidas alcoólicas e antibióticos” nos permite encontrar dezenas de sites que pregam a abstenção irrestrita do álcool para os pacientes que estão sob tratamento antibiótico. Muitos desses sites citam médicos e trazem supostas explicações científicas para o risco dessa associação.

Infelizmente, a Internet está cheia de artigos pseudocientíficos, que aos olhos da população leiga podem parecer muito bem embasados, mas que carecem de evidências científicas mínimas para defender os seus pontos de vista.

À luz do atual conhecimento científico, não existe uma resposta única para a pergunta: “quem está tomando antibióticos pode beber?“. Para que essa resposta seja dada de forma correta, nós precisamos saber qual é o antibiótico que está sendo tomado, que infecção está sendo tratada, qual é o estado clínico do paciente e qual é a quantidade de álcool que o indivíduo pretende tomar.

Para resumir em apenas uma frase tudo o que será explicado neste artigo, podemos dizer que para a maioria dos pacientes e para a maioria das classes de antibióticos, não há nenhum problema em ingerir bebidas alcoólicas de forma moderada durante o curso dos antibióticos.

O nosso texto será divido nos seguintes tópicos:

  • Por que a mistura entre álcool e antibióticos pode não ser uma boa ideia.
  • Antibióticos que CONTRAINDICAM o consumo de álcool.
  • O que é o efeito dissulfiram.
  • Antibióticos que PERMITEM o consumo de álcool de forma moderada.
  • Situações clínicas que devem desencorajar a mistura de álcool e antibióticos.

Por que a mistura entre álcool e antibióticos pode não ser uma boa ideia

Quantidades moderadas e ocasionais de álcool, como o consumo social de 2 taças de vinho ou 2 latinhas de cerveja (ou 1 dose de bebida destilada), não provocam nenhuma interferência no efeito da maioria dos antibióticos. Na verdade, mesmo doses mais elevadas de álcool não costumam cortar o efeito do antibiótico. O problema, conforme veremos a seguir, são os efeitos colaterais e a ação do álcool no sistema imunológico.

Em princípio, a ideia de que faz-se necessária uma abstinência total durante o tratamento antibiótico é um mito. E isso não é uma opinião pessoal, a própria associação médica britânica (BMA) não impõe qualquer restrição à associação do álcool com a maioria dos antibióticos (as exceções serão explicadas mais à frente). O interessante é que esse mito é bastante comum mesmo entre os médicos. Um estudo na Grã-Bretanha mostrou que até 76% dos médicos pesquisados acham que a mistura de álcool com antibióticos deve ser proibida em todos os casos, sem exceção.

É importante destacar, porém, que mesmo que o consumo de bebidas alcoólicas não seja proibido durante o uso da maioria dos antibióticos, essa mistura, principalmente em altas doses, não é propriamente uma ação isenta de consequências.

O álcool é uma substância muito irritante para a mucosa gastrointestinal, e como alguns antibióticos comuns, tais como a amoxicilina e azitromicina, levam frequentemente a quadros de náuseas, vômitos, dor abdominal ou diarreia, a mistura de doses elevadas de álcool com antibióticos é desaconselhada por potencializar esses efeitos adversos. Se você está doente e tomando antibióticos, é muito mais provável que o álcool provoque efeitos adversos.

Outro potencial problema desta associação é o fato dos pacientes que precisam de antibióticos serem aqueles que estão com alguma infecção e, portanto, precisando de um sistema imunológico competente para combatê-la. Uma ou duas cervejas eventualmente não atrapalham em nada a capacidade do organismo de combater infecções, mas quantidades elevadas de álcool, podem, sim, prejudicar a ação do sistema imunológico, dificultando a cura da doença.

Outro ponto que deve ser destacado é o fato do álcool ser uma substância que é metabolizado no fígado pelas mesmas vias enzimáticas que metabolizam alguns dos antibióticos. O consumo excessivo e repetido de álcool pode deixar o fígado “ocupado” processando o excesso de álcool, fazendo com que o antibiótico não seja adequadamente metabolizado. Esse fato pode provocar não só redução da ação dos antibióticos, mas também o acúmulo de metabólitos tóxicos dos mesmos, aumentando a incidência de efeitos colaterais.

Resumindo, você pode até tomar sua cervejinha ou a habitual taça de vinho durante uma refeição, mesmo que esteja sob tratamento antibiótico. Porém, se você está doente, é sensato que evite o consumo de álcool, assim como o cigarro, o excesso de esforço físico, a má-alimentação, dormir poucas horas por noite e a exposição solar exagerada. Não há, portanto, na maioria dos casos, uma contraindicação formal, é apenas uma questão de bom senso.

Antibióticos que contraindicam o consumo de álcool

Apesar da associação de álcool e antibióticos ser segura na maioria dos casos, há exceções importantes. Algumas classes de antibióticos podem sofrer relevante interação, mesmo com doses baixas de álcool. Já outras, como o metronidazol e o tinidazol, podem causar graves efeitos colaterais, conhecidos como efeito dissulfiram (explico mais à frente o que é esse efeito).

Portanto, se você sente-se bem, tem uma festa programada para o fim de semana, deseja beber de forma responsável, mas está na reta final de um tratamento com antibióticos, a melhor opção é pesquisar se o seu antibiótico enquadra-se no pequeno grupo de medicamentos que contraindicam o consumo de bebidas alcoólicas.

Os antibióticos que NÃO podem de forma alguma ser misturados com álcool são aqueles que podem causar o efeito dissulfiram. São eles:

– Metronidazol.
– Tinidazol.
– Cefotetan.

Mesmo o metronidazol ou o tinidazol em creme para aplicação vaginal podem causar efeito dissulfiram. É importante ter atenção que muitos cremes ginecológicos podem ter 2 ou 3 substâncias diferentes na sua composição, sendo o metronidazol ou o tinidazol um deles.

Para evitar a ocorrência do efeito dissulfiram, o paciente deve estar há pelo menos 72 horas sem tomar os antibióticos para poder consumir qualquer bebida alcoólica.

Raramente, o antibiótico sulfametoxazol + trimetoprim, conhecido como Bactrim, pode também causar efeito dissulfiram. Em geral, isso só ocorre se o paciente abusar nas bebidas alcoólicas. Todavia, por segurança, apesar de ser raro, se você estiver tomando Bactrim, o mais seguro é evitar bebidas alcoólicas.

Além dos antibióticos, outras drogas usadas no tratamento de infecções, como antivirais, antiparasitários e antifúngicos também podem provocar efeitos colaterais se misturados com o álcool. Entre eles, o mais importantes são:

– Griseofulvina (antifúngico): pode causar efeito dissulfiram.
– Voriconazol (antifúngico): interfere com o efeito do antifúngico.
– Cetoconazol (antifúngico): aumenta o risco de lesão do fígado.
– Didanosina (antirretroviral): aumenta o risco de pancreatite.

Outros efeitos colaterais da associação do álcool com antibiótico

Os antibióticos citados acima são aqueles que podem causar as reações mais graves, caso ingeridos junto com álcool. Porém, ainda existem mais alguns antibióticos que podem causar outros tipos de reação, e, por isso, também deve ser evitada a sua associação com bebidas alcoólicas. São eles:

– Linezolida: pode causar crise hipertensiva se consumido junto com bebidas alcoólicas ricas em tirosina, como cerveja ou vinho tinto.
– Isoniazida, rifampicina ou pirazinamida: essas drogas possuem um risco aumentado de toxicidade hepática (lesão do fígado), por isso, o uso de álcool, principalmente de forma frequente, deve ser desencorajado.
– Eritromicina ou doxiciclina: o álcool pode reduzir a eficácia do antibiótico.

O que é o efeito dissulfiram

O dissulfiram, vendido comercialmente sob o nome Antabuse, é uma substância usada no tratamento do alcoolismo. O dissulfiram impede que o fígado metabolize os metabólitos mais tóxicos do álcool, aumentando em até 10 vezes a sua toxicidade para o organismo. Quando o paciente toma álcool, mesmo em pequenas doses, ele se intoxica rapidamente e sente os efeitos colaterais, tais como vômitos, palpitações, calor, suor excessivo, dificuldade respiratória, intensa dor de cabeça e queda da pressão arterial. O paciente sente-se muito desconfortável, como se estivesse à beira de um colapso, por isso, não consegue continuar bebendo. Se o paciente insistir em beber álcool, a droga pode levar ao coma ou à morte.

LEIA TAMBÉM:
– O QUE É A RESSACA?

Os antibióticos citados no tópico anterior, principalmente o metronidazol e o tinidazol, podem causar um efeito semelhante ao do dissulfiram. Portanto, o consumo de álcool deve ser fortemente desencorajado durante as 24 horas que antecedem o início do tratamento até 72 horas depois do fim do tratamento antibiótico.

Antibióticos que permitem o consumo de álcool de forma moderada

Até o momento, nós citamos 10 antibióticos que não devem ser misturados com álcool. Se você está tomando algum antibiótico que não foi citado acima, não há evidências científicas que contraindiquem o uso moderado de álcool durante o tratamento.

Para sermos mais precisos, não há contraindicação formal ao consumo de álcool em pequenas doses para quem está usando amoxicilina, azitromicina, ciprofloxacino, levofloxacino, penicilina, cefalexina, ceftriaxona e outros antibióticos comuns.

Situações clínicas que devem desencorajar a mistura de álcool e antibióticos

Conforme discutimos no início do texto, o fato de não haver contraindicações formais para o uso de álcool e certos tipos de antibióticos não significa que esta associação seja totalmente segura. Lembre-se, o paciente sob tratamento antibiótico está doente, e abusar no álcool não lhe fará nenhum bem.

Se o paciente estiver com alguma infecção grave ou potencialmente grave, é óbvio que o consumo de álcool deve ser evitado, mesmo que a bebida não tenha nenhuma interação direta com o antibiótico em curso. A questão não é o antibiótico em si, mas sim a doença. O mesmo raciocínio vale para os pacientes com algum problema no fígado, mesmo que temporário, pois a associação álcool-antibiótico pode aumentar a hepatoxicidade de ambos.

Estudos mostram que pacientes em tratamento para doenças sexualmente transmissíveis (DST) apresentam maior risco de terem relações sexuais desprotegidas antes do fim do curso dos antibióticos (antes de estarem curados, portanto), caso consumam bebidas alcoólicas. Esse comportamento coloca em risco outras pessoas e favorece a propagação das doenças venéreas. Por isso, todo paciente com DST em tratamento deve evitar o consumo de álcool.

Este post também está disponível em: Espanhol

SÍNDROME MÃO-PÉ-BOCA – Vírus Coxsackie

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A síndrome mão-pé-boca (SMPB), também chamada de doença mão-pé-boca, é uma infecção viral contagiosa muito comum em crianças, que é caracterizada por pequenas feridas na cavidade oral e erupções nas mãos e nos pés.

A síndrome mão-pé-boca é, na maioria dos casos, uma doença branda e benigna, que desaparece espontaneamente após alguns dias sem causar nenhum tipo de complicação. O maior problema costuma ser o risco de desidratação, pois a dor de garganta pode fazer com que a criança pare de aceitar alimentos e líquidos.

De todas as principais causas de exantemas febris (febre + manchas vermelhas na pele), a doença mão-pé-boca é uma das mais fáceis de ser diagnosticada, devido ao seu típico envolvimento da mucosa oral, solas dos pés e palmas das maões.

Neste artigo, vamos nos ater apenas à síndrome mão-pé-boca, se você procura informações sobre outras causas de febre e manchas vermelhas na pele, acesse o seguinte link: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

O que é a síndrome mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca é uma infecção viral contagiosa, provocada habitualmente, mas não somente, pelo Coxsackievirus A16. Casos da SMPB também podem ser provocados por outros sorotipos do Vírus Coxsackie, tais como o Coxsackievirus A2, A4 ao A10, B2, B3 ou B5. Outros vírus, como o Echovirus 1, 4, 7 ou 19 ou o Enterovirus A71 também podem causar a mesma síndrome, com sinais e sintomas muito semelhantes.

O quadro clínico costuma ser autolimitado e de curta duração em todos os sorotipos, mas a síndrome mão-pé-boca provocada pelo Enterovirus A71 pode ser mais perigosa, pois pode complicar com casos de encefalite, meningite ou miocardite (inflamação do músculo cardíaco).

A SMPB ocorre frequentemente nas crianças com menos de 5 anos, mas pode, eventualmente, acometer adultos.

Transmissão da síndrome mão-pé-boca

O vírus que causam a doença mão-pé-boca podem ser transmitidos por contato com secreções das vias respiratórias, secreções das feridas das mãos ou dos pés e pelo contato com fezes dos pacientes infectados. Isso significa que o Vírus Coxsackie (e os outros vírus causadores da SMPB) podem ser transmitidos nas seguintes situações:

  • Beijar alguém infectado.
  • Ter contato com secreções respiratórias, geralmente através da tosse ou espirro.
  • Beber água contaminada.
  • Apertar a mão de alguém contaminado.
  • Ingerir alimentos preparados por alguém infectado, que não tenha feito a higienização adequada das mãos.
  • Contato com brinquedos ou objetos que possam ter sido contaminados por mãos sujas.
  • Contato com roupas contaminadas.
  • Trocar fraldas de crianças contaminadas.

Geralmente, a fase de maior contágio da síndrome mão-pé-boca é durante a primeira semana de doença. Porém, mesmo após a cura, o paciente pode permanecer eliminando o vírus nas fezes, o que o mantém contagioso durante dias ou até semanas depois dos sintomas terem desaparecidos.

A maioria dos adultos que se contamina com o Vírus Coxsackie não desenvolve sintomas, mas eles podem ser transmissores assintomáticos do vírus.

Sintomas da síndrome mão-pé-boca

O período de incubação da SMPB costuma ser de 3 a 6 dias. Os primeiros sintomas a surgirem costumam ser a dor de garganta e a febre, que fica por volta dos 38ºC. Mal-estar e perda do apetite também são frequentes. Num primeiro momento, a doença é muito parecida com qualquer quadro de virose comum, sendo impossível o seu diagnóstico clínico nesta fase.

Um ou dois dias após os primeiros sintomas, começam a surgir as lesões características que dão o nome à doença mão-pé-boca.

As lesões da boca começam como pontos avermelhados, que se transformam em pequenas bolhas e posteriormente em úlceras dolorosas, semelhantes às aftas comuns (leia: COMO TRATAR AS AFTAS?). Essas ulcerações surgem habitualmente na língua, e nas partes internas dos lábios e bochechas. O palato (céu da boca) também pode ser afetado.

Um ou dois dias após o surgimento das lesões da boca começam também a aparecer as lesões nas palmas das mãos e nas solas dos pés. A ferida inicia-se como pequenas bolhas, com um halo avermelhado ao seu redor. As lesões costumam ter de 0,1 a 1 cm de diâmetro e podem se romper, liberando um líquido que é bem contagioso. Nádegas, coxas, braços tronco e face também podem apresentar algumas lesões.

É importante destacar que nem todas as pessoas contaminadas pelo Vírus Coxsackie desenvolvem o quadro clínico completo da SMPB. 75% dos pacientes têm a síndrome completa, mas o restante pode ter apenas lesões na boca ou na pele.

No caso dos adultos, a imensa maioria dos indivíduos que entra em contato com o Vírus Coxsackie não desenvolve sintoma algum.

Complicações da doença mão-pé-boca

A síndrome mão-pé-boca costuma durar de 7 a 10 dias e cura-se espontaneamente, sem a necessidade de tratamento e sem causar complicações na maioria dos casos.

A complicação mais comum costuma ser a desidratação, pois, além do mal-estar, a dor de garganta é muito forte, e as crianças podem parar de aceitar alimentos e líquidos.

Os casos de SMPB causados pelo Enterovirus A71 também costumam ter um curso benigno, mas há um maior risco de complicações, tais como miocardite, meningite ou encefalite.

Diagnóstico da síndrome mão-pé-boca

Nos pacientes que apresentam o típico quadro de febre, úlceras orais e lesões nas palmas das mãos e plantas dos pés, o diagnóstico é feito facilmente, sem a necessidade de uma maior investigação laboratorial.

Nos casos atípicos, se o médico sentir a necessidade de fazer o diagnóstico, a identificação do vírus pode ser obtida através de exame de fezes ou das secreções da garganta ou das lesões de pele.

Tratamento da síndrome mão-pé-boca

Não existe tratamento específico para a SMPB. E nem precisa, pois a doença costuma ser autolimitada. Em geral, bastam anti-inflamatórios ou analgésicos comuns para controlar os sintomas de dor e febre. É importante manter as crianças bem hidratadas.

Nos casos mais graves, principalmente nas crianças que recusam a alimentação e passam a correr risco de desidratação, a internação hospitalar pode ser necessária.

Prevenção da síndrome mão-pé-boca

Pessoas contaminadas devem ficar em casa. Crianças não devem ir à creche ou à escola, e adultos devem faltar o trabalho até todos os sintomas terem desaparecidos.

Como o vírus ainda pode ser eliminado nas fezes mesmo após a cura dos sintomas, é importante orientar o paciente a lavar as mãos com frequência, principalmente após ir ao banheiro e antes de manusear comida. Nas creches, é preciso ter muito cuidado com a higiene das mãos na hora de trocar as fraldas, para que os profissionais não transmitam o vírus de uma criança pra outra.

Roupas comuns e roupas de cama podem ser fontes de contágio (principalmente se houver secreção das lesões da pele) e devem ser trocadas e lavadas diariamente. Brinquedos também devem ser lavados com frequência.

Ainda não existe vacina contra a doença mão-pé-boca, mas há estudos muito avançados e promissores em curso.

SINTOMAS DA PNEUMONIA ? ADULTOS, CRIANÇAS E IDOSOS

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Pneumonia é o termo utilizado pra descrever a ocorrência de infecção em um ou ambos os pulmões. Existem mais de 100 tipos de micróbios que podem provocar um quadro de pneumonia, incluindo bactérias, vírus, fungos e parasitos. A maioria dos casos, porém, é causada por apenas 4 ou 5 tipos de bactérias ou vírus.

Não existe um quadro de sinais e sintomas único que se encaixe em todos os pacientes. Na verdade, os sintomas da pneumonia podem ser muito diferentes de um paciente para o outro, variando de acordo com a idade, com estado clínico prévio do indivíduo e com agente infeccioso. Mesmo aqueles sintomas mais típicos, tais como tosse e febre, podem ter apresentações bem distintas, consoante as características clínicas da pessoa doente. Por exemplo, há casos de pneumonia com febre alta, casos de pneumonia com febre baixa e casos de pneumonia sem febre; a tosse pode ter expectoração clara, esverdeada, amarelada ou sanguinolenta, mas ela também pode não ter secreção alguma ou simplesmente não estar presente.

Neste artigo vamos falar sobre os principais sinais e sintomas da pneumonia de acordo com a faixa etária do paciente. Serão abordados os seguintes tópicos:

  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nas crianças.
  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nos adultos.
  • Sintomas da pneumonia viral e bacteriana nos idosos.

Nesta revisão nós iremos nos concentrar apenas nos sinais e sintomas da pneumonia. Se você deseja mais informações sobre a doença, tais como causas, formas de transmissão, métodos de diagnóstico e tratamento, acesse os seguinte artigos: PNEUMONIA | Causas, Sintomas e Tratamento e PNEUMONIA É CONTAGIOSA?

Se você gostaria de saber as diferenças entre a pneumonia e a tuberculose, acesse: DIFERENÇAS ENTRE PNEUMONIA E TUBERCULOSE.

SINTOMAS DA PNEUMONIA BACTERIANA NAS CRIANÇAS

Os sinais e sintomas da pneumonia bacteriana nas crianças variam de acordo com o agente infeccioso, a idade da criança, a gravidade da infecção e as características clínicas do paciente, isto é, se é uma criança saudável ou previamente com algum problema de saúde.

Em geral, a pneumonia é um quadro de instalação rápida, com surgimento de febre alta, prostração e tosse, que evolui em questão de poucas horas. Porém, nas chamadas pneumonias atípicas, o quadro pode ser mais insidioso, com instalação progressiva dos sintomas ao longo de vários dias.

Entre os sintomas mais comuns da pneumonia bacteriana nas crianças, podemos citar:

  • Febre.
  • Tosse.
  • Taquipneia (respiração acelerada).
  • Letargia.
  • Vômitos.
  • Sinais de esforço para respirar.
  • Respiração ruidosa.
  • Recusa alimentar.
  • Dor no peito.
  • Dor abdominal.

Apesar de não ser um sintoma obrigatório, a febre está presente em mais de 90% dos casos de pneumonia, principalmente nas crianças com mais de 1 ano. Em alguns casos, a febre pode ser o único sinal presente.

A tosse é outro sintoma comum, que pode ser encontrado em até 70% dos casos. Porém, uma tosse com expectoração amarelada ou esverdada, que é um sintoma típico de infecções pulmonares, pode não estar presente em mais da metade do casos. Pneumonia apresentando-se com tosse seca é bastante comum.

Não é comum, mas é perfeitamente possível uma criança ter pneumonia sem febre ou tosse, principalmente nos bebês. Em algumas crianças, a pneumonia pode se apresentar apenas com dificuldade respiratória e taquipneia. Outras podem apresentar apenas sonolência e pouca reatividade.

A taquipneia, aliás, é um dos principais sintomas a ser pesquisado quando queremos avaliar a possibilidade de uma pneumonia com sinais de gravidade. Toda a criança que apresenta uma frequência respiratória elevada, mesmo sem febre ou tosse, deve ser imediatamente levada para avaliação médica. Consideramos um sinal de gravidade quando a criança apresenta a seguinte frequência de incursões respiratórias (número de inspirações por minuto):

  • Crianças com menos de 2 meses ? mais de 60 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças entre 2 e 12 meses ? mais de 50 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças de 1 a 5 anos ? mais de 40 incursões respiratórias por minuto.
  • Crianças maiores que 5 anos ? mais de 20 incursões respiratórias por minuto.

É importante destacar que a taquipneia é mais útil para avaliar gravidade do que para fazer o diagnóstico de pneumonia, isso porque nos primeiros dias de infecção, a criança não costuma ter uma respiração muito acelerada.

Na verdade, o único sinal que parece ser universal em todas as crianças com pneumonia é aparência de estar doente. Isso significa que a criança fica menos ativa, come menos, fica com uma carinha de doente, mais irritada ou sonolenta? Ou seja, é um conjunto de fatores que fazem com que a mãe logo note que a criança não está no seu estado habitual.

SINTOMAS DE PNEUMONIA VIRAL NAS CRIANÇAS

A pneumonia viral normalmente surge como complicação de um quadro de virose respiratória comum. Gripe e resfriado podem, em alguns casos, evoluir para pneumonia. Nos adultos saudáveis isso é raro, porém, nas crianças com menos de 5 anos, a pneumonia de origem viral é a causa mais comum de pneumonia.

A pneumonia viral pode ter sintomas parecidos com os da pneumonia bacteriana, mas costuma ser menos grave, apesar de haver casos fatais. Em geral, o paciente além da febre e da tosse também apresenta sintomas de virose, como dor de garganta, coriza, dor de ouvido, espirros, dores pelo corpo e dor de cabeça. Bronquiolite é uma complicação comum.

A pneumonia viral costuma durar de 3 a 5 dias e, ao contrário da pneumonia bacteriana, resolve-se de forma espontânea na maioria dos casos.

SINTOMAS DE PNEUMONIA NOS ADULTOS

Nos adultos saudáveis com menos de 65 anos, o quadro de pneumonia costuma ter origem bacteriana e se instala rapidamente, com instauração dos sintomas nas primeiras 24 a 48 horas. É comum o quadro de pneumonia bacteriana ser antecedido em 2 ou 3 dias por uma virose respiratória.

Os sinais e sintomas mais comuns da pneumonia nos adultos são:

  • Febre ? pode ser alta ou baixa.
  • Tosse ? pode ser seca ou ter expectoração clara, amarelada, esverdeada ou sanguinolenta.
  • Calafrios.
  • Suores.
  • Dor torácica, que geralmente agrava-se com a respiração profunda (esse tipo de dor é conhecido como dor pleurítica).
  • Falta de ar.
  • Prostração.
  • Cansaço aos pequenos esforços.
  • Náuseas e vômitos.

Os quadros de pneumonia podem ser leves, permitindo tratamento com antibióticos por via oral em casa, ou graves, necessitando de internação hospitalar e antibioterapia por via venosa. Cerca de 20% dos pacientes com pneumonia acabam precisando de tratamento no hospital.

SINTOMAS DA PNEUMONIA VIRAL NOS ADULTOS

A pneumonia viral nos adultos costuma ser causada pelo vírus Influenza, o mesmo que causa a gripe. A pneumonia viral é mais comum em crianças e idosos, mas pode acometer também adultos, principalmente as mulheres grávidas, os indivíduos obesos ou pessoas previamente debilitadas por outras doenças.

O quadro clínico é o de uma gripe forte que em vez de melhorar após alguns dias, mantém agravamento progressivo dos sintomas, com febre alta, tosse persistente, prostração e falta de ar, que vai se tornando cada vez mais intensa.

SINTOMAS DA PNEUMONIA NOS IDOSOS

Os sintomas da pneumonia nos idosos dependem muito do estado de saúde do individuo. Em idosos saudáveis e com bom estado geral, os sintomas costumam ser muito parecidos como os da população adulta. Porém, quanto mais velho e maior o número de doenças associadas, mais atípica pode ser a apresentação clínica de uma pneumonia.

Ao contrário do que ocorre nos adultos mais jovens, a pneumonia nos idosos frequentemente não cursa com febre e os sintomas respiratórios podem ser brandos. A tosse, quando presente, é habitualmente seca. Se o paciente já tem alguma doença pulmonar prévia, a dica é um agravamento dos seus sintomas habituais.

O sintoma de pneumonia mais comum nos idosos é a alteração de comportamento. O paciente pode ficar desorientado em relação ao tempo e ao espaço, pode ter alucinações e desenvolver um discurso incoerente. Recusa alimentar e uma deterioração do estado geral, com intensa prostração também são bastante comuns.

A pneumonia nos idosos costuma ser mais grave, primeiro porque o paciente já habitualmente mais debilitado, e segundo porque o diagnóstico pode não ser feito rapidamente, principalmente naqueles cujos sintomas são típicos. A necessidade de internação hospitalar é comum nessa faixa etária, e a taxa de mortalidade é bem maior. Além disso, os idosos que precisam de internações prolongadas frequentemente não voltam a ter o mesmo nível de independência nas suas atividades cotidianas que tinham antes.

Assim como ocorre nas crianças, a pneumonia de origem viral é bastante comum nos idosos. O quadro costuma ser menos grave que na pneumonia de origem bacteriana, ainda assim, muitos idosos precisam de tratamento hospitalar, principalmente aqueles que já eram previamente mais debilitados. O tratamento com antivirais costuma ser indicado para reduzir o risco de complicações.

Este post também está disponível em: Espanhol

FEBRE MACULOSA – Doença do Carrapato Estrela

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A febre maculosa é uma doença que surge quando uma pessoa é picada por um carrapato contaminado pela bactéria Rickettsia rickettsii.

A febre maculosa é uma doença que ocorre em todo o continente americano, acometendo países desde o Canadá até a Argentina. No Brasil, a maioria dos casos se na concentra na Região Sudeste, havendo também casos isolados em estados de outras regiões, tais como Bahia, Ceará, Santa Catarina, Paraná, Rio Grande do Sul, Distrito Federal, Goiás e Mato Grosso do Sul. São Paulo e Minas Gerais são os estados com maior número de casos notificados.

Apesar de ser uma doença tipicamente rural, nos últimos anos, o número de casos urbanos têm vindo a crescer. A doença não é muito comum, sendo responsável por cerca de 40 a 100 casos por ano em todo o país.

A febre maculosa responde bem ao tratamento com antibióticos, mas se não for tratada prontamente, pode causar sérios danos aos órgãos internos, como os rins, fígado e coração, e levar ao óbito. O problema é que, exatamente por não ser uma doença muito comum, ela frequentemente não é corretamente identificada, o que atrasa a instituição de um tratamento adequado e faz com que a taxa anual de mortalidade fique ao redor de 15 a 35%.

O primeiros sinais e sintomas da infecção são a febre alta, dor de cabeça e mal-estar. Poucos dias depois, lesões de pele, chamadas de máculas, podem aparecer nos membros e no tronco, daí o nome da doença ser febre maculosa.

Carrapato Estrela – Carrapato da febre maculosa

Qualquer espécie de carrapato pode ser hospedeiro da bactéria Rickettsia rickettsii, incluindo os carrapatos que atacam os cães, como é comum nos EUA. No Brasil, porém, o principal vetor da febre maculosa é o carrapato da espécie Amblyomma cajennense, mais conhecido como carrapato estrela, que é um carrapato que costuma parasitar cavalos, bois e capivaras.

Outros carrapatos da espécie Amblyomma também já foram reconhecidos como vetores da febre maculosa no Brasil, incluindo o Amblyomma aureolatum (comum de cães) e o Amblyomma dubitatum (comum nas capivaras).

Os carrapatos têm um tempo de vida que varia de 18 a 36 meses, e uma vez infectados pela bactéria Rickettsia rickettsii, assim permanecem pelo resto da vida, podendo, inclusive, passar a infecção de forma vertical, de uma geração para outra de carrapatos. Outra forma de infecção dos carrapatos é através da cópula com macho ou fêmea infectados ou quando o carrapato pica uma animal previamente infectado pela Rickettsia rickettsii.

Transmissão humana da febre maculosa

Os seres humanos se contaminam com a Rickettsia rickettsii quando são picados por um carrapato contaminado. Não há transmissão da febre maculosa diretamente de uma pessoa para outra.

Para que a transmissão da bactéria ocorra, o carrapato precisa estar, pelo menos, de 4 a 10 horas aderido à pele. Como as formas jovens (larva e ninfa) são menores e possuem uma picada menos dolorosa, elas costumam ser mais perigosas que os carrapatos adultos, que costumam ser identificados e removidos antes do tempo necessário para transmitirem a Rickettsia rickettsii.

O curioso é que até 1 em cada 3 pacientes com febre maculosa não se recorda de ter sido picado por carrapato em nenhum momento, o que ressalta a importância do não reconhecimento da presença do aracnídeo aderido à pele no processo de transmissão da doença.

A transmissão também pode ocorrer se o carrapato for removido da pele de forma inadequada. Ao ser esmagado, por exemplo, grandes quantidades da bactérias entram em contato com a pele lesionada devido ao extravasamento de conteúdo gástrico do carrapato, que é rico em Rickettsia rickettsii. Essa forma de transmissão pode ocorrer também quando uma pessoa tentar retirar de forma errada carrapatos de outros animais, como cavalos, bois ou cães, e acaba se contaminando.

Sintomas da febre maculosa

O período de incubação da febre maculosa varia de 2 a 14 dias, dependo da quantidade de bactérias que foi inoculada.

O quadro costuma iniciar-se de forma inespecífica, com febre alta, dor de cabeça, dor no corpo, mal-estar generalizado, náuseas e vômitos. No início do quadro é muito difícil distinguir a febre maculosa de várias outra doenças febris comum, incluindo as viroses mais conhecidas.

Ao redor do 3º dia de doença, 90% dos pacientes desenvolvem o típico rash da febre maculosa, que são várias manchinhas avermelhadas (máculas), de 1 a 6 mm de diâmetro, que evanescem ao serem pressionadas com os dedos. As lesões costumam surgir nos punhos e tornozelos e vão se espalhando em direção ao tronco. Palmas das mãos e plantas dos pés também são frequentemente acometidos. Como o passar dos dias, as lesões tornam-se mais violáceas e deixam de evanescer à pressão (tornam-se petéquias). Neste momento, a lesões podem confluir, formando placas arroxeadas (equimoses).

A ausência do rash nas primeiras 72 horas torna o diagnóstico precoce muito difícil. A não ser que o paciente comente algo sobre uma picada recente de carrapato, é pouco provável que a febre maculosa seja uma das hipóteses diagnósticas do médico ao examinar o paciente nos primeiros dias de sintomas. Somente 10 a 15% dos pacientes apresentam rash no primeiro dia de sintomas.

Cerca de 10% dos pacientes não apresentam rash em momento algum da doença, o que torna o seu diagnóstico um desafio. Nos pacientes de pele muito escura, o problema é parecido, pois o surgimento do rash pode não ser tão óbvio.

Se a doença não for reconhecida nos primeiros dias, ela pode tornar-se grave. No momento em que o rash surge, o médico precisa pensar no diagnóstico e deve instituir o tratamento com antibióticos apropriados.

Se o tratamento não for iniciado, a doença evolui, e as áreas da pele que são irrigadas por vasos sanguíneos muito pequenos, como as pontas dos dedos e as orelhas, podem sofrer necrose. A bactéria se espalha pelo organismo e começa a acometer órgãos internos, tais como rins, coração, pulmões e fígado. O sistema nervoso central também é habitualmente acometido pela infecção, podendo causar meningite (o quadro pode parecer muito com meningite meningocócica), encefalite, crise convulsiva e coma. Os pacientes com acometimento neurológico são aqueles que cursam com pior prognóstico.

Leia também: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

Diagnóstico da febre maculosa

O diagnóstico da febre maculosa costuma ter mais utilidade do ponto de vista de vista epidemiológico do que para auxiliar o médico no tratamento.

A sorologia, que é a pesquisa de anticorpos no sangue, é o exame mais utilizado para o estabelecer o diagnóstico da febre maculosa. O problema é que os anticorpos IgG e IgM contra a Rickettsia rickettsii só surgem a partir do 7º dia de doença, o que é muito tarde. O médico não deve esperar pelos resultados da sorologia para decidir pelo tratamento.

A biópsia das lesões de pele é uma alternativa. Em locais com muitos recursos técnicos, o resultado pode ser obtido em algumas horas. Mas são poucos os locais que conseguem fornecer o resultado de forma tão rápida.

Tratamento da febre maculosa

Sem tratamento, o taxa de mortalidade da febre maculosa chega a 75%. Estudos mostram que o divisor de águas é o 5º dia de doença. Os pacientes que começam o tratamento com antibiótico antes do 5ª dia têm até 5 vezes mais chances de ficarem curados e sem sequelas do que os pacientes que só iniciam o tratamento após o 5º dia de doença.

Quando o quadro torna-se grave, com acometimento de múltiplos órgãos, principalmente do sistema nervoso, a instituição de antibióticos já pode não ser muito eficaz. E aqueles felizardos que ainda conseguem ficar curados podem apresentar sequelas, como surdez ou paralisia de algum membro.

Felizmente, nem todos os casos evoluem de forma desastrosa. Há formas mais brandas da doença, que pode curar-se espontaneamente após 2 ou 3 semanas de sintomas. Porém, a maioria dos casos não se comporta de forma tão benigna. Não se deve esperar para ver se o paciente vai apresentar a forma grave ou branda, pois essa espera pode ser fatal. Da mesma forma, se pela história clínica e epidemiológica o médico suspeitar de febre maculosa, ele não deve esperar pelo aparecimento do rash para confirmá-la,  muito menos pelos resultados dos exames laboratoriais. Se o médico suspeita de febre maculosa, ele deve iniciar os antibióticos, mesmo não tendo certeza do diagnóstico.

Por exemplo, se o paciente tem os sintomas iniciais da doença, principalmente febre alta e mal-estar, e conta uma história de picada recente de carrapato, isso já é suficiente para o início do tratamento. De forma semelhante, se o paciente com sintomas vem de uma área que recentemente têm registrado casos de febre maculosa, isso também já autoriza o médico a iniciar o tratamento.

Entretanto, é importante destacar que o simples fato de ter sido picado por um carrapato não é motivo para iniciar o tratamento. Estima-se que apenas 1% dos carrapatos em áreas endêmicas estejam contaminados com a Rickettsia rickettsii. E fora das áreas endêmicas, virtualmente nenhum carrapato está contaminado. Portanto, se o paciente não tem sintomas de febre maculosa, ele não deve ser tratado para febre maculosa.

Se o médico têm dúvidas, não é errado começar mais de um antibiótico visando o tratamento das hipótese diagnósticas mais graves. Sendo assim, o médico pode começar antibióticos visando a febre maculosa e a meningite meningocócica, por exemplo. Ambas são infecções com alta taxa de mortalidade e que precisam de tratamento precoce (leia: SINAIS E SINTOMAS DA MENINGITE).

O antibiótico de escolha para o tratamento da febre maculosa é a doxiclina, que pode ser administrada de forma oral ou intravenosa, dependendo da gravidade do quadro. O tratamento é mantido até 72 horas depois do desaparecimento da febre, o que costuma ocorrer no 2º ou 3º dia de tratamento. Na maioria dos casos o tratamento costuma durar 7 dias.

Uma alternativa é o cloranfenicol, sendo este o antibiótico mais indicado para grávidas com febre maculosa, pois a doxiclina é contraindicada na gravidez.  O problema do cloranfenicol é o risco de efeitos colaterais graves, como a aplasia de medula, evento que ocorre em 1 a cada 25.000 pessoas tratadas. Portanto, em todas as pessoas não grávidas o tratamento deve ser feito preferencialmente com doxiclina.

A maioria dos pacientes responde rapidamente ao tratamento e a mortalidade é bem baixa quando o antibiótico é iniciado nos primeiros 5 dias.

Uma vez curado, a maioria dos pacientes desenvolve imunidade contra Rickettsia rickettsii para o resto vida, não havendo risco de ter a doença novamente.

A IMPORTÂNCIA DE LAVAR AS MÃOS

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Lavar as mãos é uma das medidas mais importantes para impedir a propagação de doenças. A higienização adequada das mãos pode impedir que você fique doente e também é capaz de interromper a transmissão de infecções virais, bacterianas e parasitárias para outras pessoas.

Grande parte das infecções comuns, tais como resfriados, gripes, intoxicação alimentar, hepatite A, parasitoses intestinais e muitas outras, são transmitidos habitualmente por mãos contaminadas. Mesmo as infecções respiratórias, que podem ser transmitidas através da tosse ou do espirro, são, na verdade, transmitidas com mais frequência pelas mãos do que pelo ar.

Não é exagero, portanto, dizer que o simples hábito de lavar as mãos com frequência pode salvar vidas, não só a sua, como também as das pessoas que você têm contato. Isso é especialmente importante se você tiver contato próximo com bebês, idosos ou pessoas debilitadas.

Neste artigo vamos explicar por que a mão é uma via tão importante para transmissão de doenças. Vamos ensinar também em que momentos a higienização das mãos é importante e quais são as formas corretas de lavar as mãos.

Por que a mão pode transmitir tantas doenças?

Pense bem: quando você tosse ou espirra, qual é a parte do corpo que você usa para proteger a boca? Quando o seu nariz está escorrendo, qual é a parte do corpo que você mais usa para limpá-lo. Quando você termina de evacuar qual é a parte do corpo que você usa para se limpar? E para dar descarga? Quando você desce uma escada em um local público, o que você usa para se apoiar no corrimão? E para abrir portas ou segurar em dinheiro? Quando o metrô ou ônibus estão lotados e você fica em pé, que parte do corpo você usa para se apoiar e não cair? E para trocar as fraldas do seu bebê?

Agora reflita: que parte do corpo você usa para preparar a comida? Que parte do corpo você usa para comer? E para coçar os olhos ou o nariz. E para escovar os dentes ou usar o fio dental?  Quantas vezes por dia você passa a mãos nos lábios?

Mesmo que você em alguns desses casos utilize panos ou papel para auxiliá-lo, a verdade que são sempre as mãos que estão diretamente envolvidas em todas essas atividades.

Existem neste exato momento trilhões de micróbios nas suas mãos. Obviamente, a maior parte deles é inofensiva e faz parte da flora microbiana natural da sua pele. Porém, nem todos os micróbios no qual as nossas mãos entram em contato ao longo do dia são inofensivos.

Só para ilustrar a enormidade de microrganismos que uma mão pode carrear, repare na imagem na baixo de 2 placas de Petri, que são recipientes utilizados para cultivar micróbios em laboratório. À esquerda, vemos o resultado após uma pessoa tossir diretamente contra a placa. À direta, é o resultado após uma criança de 8 anos encostar a mão contra a placa. Cada bolinha é uma colônia de micróbios que cresceu ao longo dos dias. Cada colônia dessas possui milhões de micróbios. Quanto maior o diâmetro da colônia, maior é o número de microrganismos.

Como as mãos transmitem doenças

Existe incontáveis maneiras de uma infecção ser transmitida de uma pessoa para a outra através das mãos. Vírus, fungos, bactérias e parasitos são todos germes passíveis de serem transmitidos por um simples aperto de mão.

Vamos descrever três simples situações cotidianas para mostrar como esse tipo de contaminação é comum.

1- Uma pessoa na sua escola ou trabalho está gripada. Ela usa as mãos para proteger a boca ao espirrar e para limpar as secreções do nariz. Sem lavar as mãos, ela toca no mouse do computador, encosta no telefone, apoia-se na mesa e depois usa o corrimão para descer a escada. Os vírus das vias respiratórias que estão nas suas mãos contaminadas são transportados para todos os objetos que essa pessoa gripada manuseou ao longo do dia. O vírus da gripe que acabou de ser depositado nesses objetos pode sobreviver nos mesmos por várias horas.

Tempos depois, você chega à sala que a pessoa doente esteve utilizando. Você usa o mesmo mouse e teclado, fala ao telefone e apoia suas mãos na mesma mesa. De repente, você sente uma leve coceira nos olhos e inocentemente usa a mão para coçá-los. Pronto, você acabou de levar os vírus que estavam no ambiente para dentro do seu corpo. Se você vai ficar gripado ou não vai depender agora da virulência do vírus e da competência do seu sistema imunológico em impedir a replicação desse germe que você acabou de adquirir. O fato é que existe uma grande chance de você ficar doente mesmo sem nunca ter encontrado a pessoa que lhe passou o vírus.

Se a pessoa gripada tivesse o hábito de lavar as mãos após contato com suas secreções, ela evitaria a contaminação de objetos utilizados por outras pessoas. Por outro lado, se você tivesse o hábito de lavar as mãos antes de levá-las aos olhos ou à boca, provavelmente não teria se contaminado.

2- Uma pessoa que trabalha na cozinha de um bar ou restaurante sente vontade de evacuar durante o seu expediente. Em um único grama de fezes existem mais de 1 trilhão de germes. Mesmo que a pessoa tenha cuidado na hora de se limpar com o papel higiênico, o simples ato de ativar a descarga faz com que milhares de germes sejam lançados no ar. Num banheiro, praticamente tudo ao redor do vaso sanitário está contaminado. Ir ao banheiro e não lavar as mãos, portanto, é quase certeza de sair de lá com as mãos contaminadas por germes que vivem nas fezes.

Se o cozinheiro não lavar as mãos, a partir deste momento, qualquer comida que ele for preparar será contaminada e poderá ser transmitida para os clientes do restaurante, principalmente se forem alimentos crus. Se o cozinheiro estiver contaminado com alguma doença, a situação é ainda mais grave. Após evacuar, a sua mão pode ter grandes quantidades de ovos de parasitos, vírus que causam gastroenterites, vírus da hepatite A ou bactérias diversas causadoras de diarreia.

3- Uma médico ou um enfermeiro passa visita num paciente contaminado com algum germe. Ele o examina, encosta na roupa de cama e aperta a sua mão. Qualquer germe que esteja infectando o paciente, automaticamente passa para as mãos do médico. Em seguida, o médico vai para outro quarto e repete o mesmo procedimento com o novo paciente. Se o médico não tiver lavado as mãos, ele acabou de levar germes de um paciente para o outro. Um paciente que foi internado por um problema, pode acabar tendo sua internação prolongada por uma infecção hospitalar, provocada por um membro da equipe de saúde que não realizou a higienização adequada das mãos.

Estudos mostram que a lavagem das mãos pela equipe de saúde antes e depois de examinar qualquer paciente é a medida mais importante para reduzir a ocorrência de infecção hospitalar.

Quando as mãos devem ser lavadas

Para evitar a transmissão de doenças, as mãos devem sempre ser lavadas nas seguintes situações:

  • Antes e depois de preparar comidas.
  • Antes de começar a comer.
  • Antes de tratar qualquer ferida ou machucado.
  • Antes e depois de entrar em contato com qualquer pessoa doente.
  • Depois de usar o banheiro.
  • Depois de trocar fraldas ou limpar alguma criança que tenha ido ao banheiro.
  • Depois de assoar o nariz, tossir, espirrar ou ter contato com qualquer tipo de secreção corporal.
  • Depois de apertar as mãos de outra pessoa.
  • Depois de entrar em contato com animais.
  • Depois de manusear lixo.
  • Toda a vez que a mão estiver nitidamente com alguma sujeira.

Você também deve lavar as mãos após o contato com superfícies de uso público, como corrimão, transporte público ou dinheiro. Enquanto você não tiver acesso à água ou álcool em gel, evite levar as mãos à boca, ao nariz ou aos olhos. Enquanto o germe estiver restrito à pele, ele não irá lhe faz mal. A nossa pele é uma espécie de armadura contra microrganismos. O problema é que quando levamos a mão suja à boca ou tocamos em alguma ferida,  estamos dando aos germes acesso à parte interior do nosso corpo.

Como lavar as mãos de forma correta

Para que você consiga eliminar de forma relevante os germes presentes nas suas mãos, o processo de higienização deve seguir alguns passos. Não basta lavar as mãos apenas com água, é preciso usar sabão. O sabão em barra é aceitável, mas a forma líquida é a melhor.

O processo de lavagem das mãos precisa durar pelo menos 30 a 40 segundos. Estudos mostram que se você demora menos de 10 segundos lavando as mãos, uma grande quantidades de germes ainda permanecem viáveis. E se você não gasta nem 5 segundos nesse processo, o resultado final é praticamente nulo, como se você não tivesse lavados as mãos.

Abaixo, mostramos a forma mais adequada de lavar as mãos e eliminar qualquer germe que possa lhe causar alguma doença.

Fonte: Organização Mundial de Saúde

Sabão comum ou sabão antibacteriano?

Apesar de haver muita publicidade dos sabões antimicrobianos, reforçando o senso comum de que esse tipo de sabonete é mais eficiente, o fato é que ele não é melhor que o sabão comum e ainda pode fazer mal.

Ao contrário do que ocorre no sabonete antimicrobiano, o mecanismo principal de ação do sabão comum não é matar os germes, mas sim fazer com eles sejam removidos e eliminados quando a mão é enxaguada.

Abaixo, listamos os motivos pelo qual você deve usar sabão comum em vez de sabão antibacteriano ou antimicrobiano:

  1. Estudos mostram que os sabões antimicrobianos não são superiores aos sabonetes comuns na prevenção da transmissão de doenças.
  2. Sabão comum é mais barato.
  3. O uso disseminado de sabão antimicrobiano pode levar ao desenvolvimento de bactérias resistentes.
  4. Estudos em animais mostram que o triclosan, substância ativa utilizada nos sabões antibacterianos, pode causar problemas de saúde, tais como alteração no funcionamento da tireoide, infertilidade, puberdade precoce ou outras alterações endocrinológicas.
  5. Crianças expostas frequentemente ao triclosan têm maior risco de desenvolver quadros de alergia, incluindo alergia ao pólen, rinite alérgica e alergia ao amendoim.
  6. O sabonete antimicrobiano é mais agressivo ao meio ambiente que o sabão comum.

Sabão comum ou álcool em gel?

O álcool em gel (com pelo menos 60% de álcool) é uma forma alternativa e muito eficaz de higienizar as mãos e impedir infecções.

Muitas pessoas preferem o álcool em gel em relação ao sabão pelos seguintes motivos:

  • O álcool em gel é tão eficaz quanto a lavagem das mãos.
  • O álcool gel não é mais agressivo à pele que os sabonetes comuns.
  • Enquanto a higienização adequada das mãos demora de 3o a 40 segundos, em apenas 20 segundos o álcool em gel já é eficaz (tempo que leva para o álcool secar totalmente).
  • O álcool em gel não precisa de enxágue.
  • Você pode carregar um pequeno frasco na bolsa, tendo ele disponível a qualquer momento.

Todavia, quando as suas mãos estiverem nitidamente sujas ou engorduradas, você deve dar preferência à lavagem com água e sabão. Também é importante lembrar que o álcool em gel é bem mais caro que o sabonete comum.

Os profissionais de saúde podem utilizar o álcool em gel em substituição à lavagem das mãos, mas devem ficar atentos ao fato de que o álcool gel não é tão eficaz como o sabão contra a bactéria Clostridium difficile, que é uma importante causa de diarreia em pacientes hospitalizados (leia: COLITE PSEUDOMEMBRANOSA | Clostridium difficile).

PITIRÍASE RÓSEA – Sintomas e tratamento

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A pitiríase rósea é uma erupção de pele relativamente comum, que provoca um rash cutâneo caracterizado por manchas avermelhadas ou rosadas, que provocam intenso comichão. As suas causas ainda não estão totalmente esclarecidas, mas acredita-se que a doença tenha uma origem viral.

A pitiríase rósea é uma doença benigna e autolimitada. O seu maior problema é o fato de coçar muito e demorar para várias semanas para desaparecer.

Neste artigo vamos explicar o que é a pitiríase rósea, quais são as suas prováveis causas, os seus sintomas e as opções de tratamento.

Se você procura informações sobre a pitiríase versicolor, também conhecida como pano branco, acesse o seguinte link: PITIRÍASE VERSICOLOR ? PANO BANCO.

O que é pitiríase rósea

A pitiríase rósea é uma erupção de pele provavelmente provocada por alguns vírus da família do herpesvírus humano, tais como o herpesvírus humano 6 (HHV-6) e o herpesvírus humano 7 (HHV-7), os mesmos que causam nas crianças uma doença chamada exantema súbito, também conhecida como roséola infantil (leia: ROSÉOLA INFANTIL | EXANTEMA SÚBITO).

O exantema súbito e a pitiríase rósea são doenças diferentes causadas pelo mesmos vírus. O exantema súbito caracteriza-se por ser um rash cutâneo com febre alta e sem comichão, enquanto a pitiríase é um rash de pele sem febre, mas com intensa coceira.

Apesar de ser provocada por alguns membros da vírus da família do herpesvírus humano, a pitiríase rósea nada tem a ver com o herpes labial ou o herpes genital, que são doenças provocados por outros tipos de vírus desta família, nomeadamente os herpesvírus humano 1 (HHV-1) e o herpesvírus humano 2 (HHV-2) (leia: HERPES | Sintomas e tratamento).

Apesar de ser uma doença de provável origem viral, a pitiríase rósea não é contagiosa. Esse rash pode surgir em qualquer época da vida, mas é mais comum entre os 10 e 35 anos de idade, sendo rara nos bebês e nos idosos. Ela mais comum nas mulheres que nos homens, e os meses de outono e na primavera são as épocas na qual a doença surge com maior frequência.

Sintomas da pitiríase rósea

Em até 90% dos casos a pitiríase rósea iniciam-se com uma lesão única, chamada placa-mãe ou medalhão, que apresenta forma arrendondada ou ovalada, com 2 a 5 cm de diâmetro, bordas bem delimitadas e coloração rosada. Nos indivíduos de pele mais escura, a lesão pode ser arroxeada ou cinzenta. Com o passar dos dias, a placa-mãe cresce, começa a apresentar uma fina descamação e o seu centro torna-se mais claro. Abdômen, tórax e costas são as localizações mais comuns desta lesão inicial.

Alguns pacientes referem o aparecimento de alguns sintomas inespecíficos de virose dias antes do surgimento da placa-mãe. Os mais comuns são dor de garganta, mal-estar, dor de cabeça, diarreia ou dores pelo corpo.

Com o passar dos dias, inicia-se o chamado período eruptivo, também conhecido como rash secundário. Essa fase consiste no aparecimento de múltiplas lesões semelhantes à placa-mãe, porém menores. Em geral, essas lesões filhas se restringem ao tronco e à raiz das pernas, sendo muito comum o acometimento da região das virilhas. O acometimento do pescoço, face, pés e mãos pode ocorrer, mas é incomum, pois as lesões tendem a ficar centralizadas no centro do corpo, poupando as extremidades.

O número de lesões filhas pode variar de dezenas a centenas, dependendo da intensidade do rash. Essa múltiplas lesões também são avermelhadas, apresentam fina descamação e podem ser muito pruriginosas. Em alguns casos, a lesão mãe é muito maior que as lesões filhas, mas em outros, ela pode ser apenas levemente maior. Após o início do período eruptivo, o paciente pode ficar tendo novas lesões do rash ainda por vários dias, às vezes semanas.

Conforme as lesões vão ficando antigas, elas passam a ter um centro mais claro e um halo ao redor com descamação. Após 4 a 6 semanas, as primeiras lesões começam a sumir, mas podem deixar uma área despigmentada (mais branca que a pele), que pode durar meses para voltar à cor normal. Quanto mais escura é a pele, mais evidente é essa despigmentação.

Para além das lesões de pele, a coceira é o único sintoma que a pitiríase rósea costuma provocar. A intensidade do comichão varia de pessoa pra pessoa. Na maioria dos casos, a coceira é leve a moderada, mas pelo 1 em cada 4 pacientes classifica o seu prurido como intenso.

A pitiríase rósea cura-se espontaneamente, mas pode demorar. Contando desde o surgimento da placa-mãe até o desaparecimento das últimas lesões do rash secundário, a doença pode ter de 4 a 12 semanas de duração.

Caso o rash dure mais de 3 meses para desaparecer, a hipótese diagnóstica de pitiríase rósea deve ser repensada. Em geral, indica-se um biópsia da pele para confirmar o diagnóstico.

Diagnóstico da pitiríase rósea

Uma vez que o período eruptivo tenha surgido, o diagnóstico da pitiríase rósea costuma ser relativamente simples. Uma história de uma lesão mãe, com fina descamação e centro pálido, precedendo em alguns dias o surgimento de um rash pruriginoso e sem outros sintomas é uma apresentação muito típica da pitiríase rósea.

O diagnóstico pode ser mais complexo nos casos atípicos ou quando a lesão mãe ainda está numa fase muito inicial. Em cerca de 10% dos casos, não há a placa-mãe antecedendo o período eruptivo, o que torna o diagnóstico um pouco mais difícil.

Algumas doenças podem ser confundidas como a pitiríase rósea, sendo a dermatofitoses (lesões fúngicas da pele), a sífilis secundária e psoríase gutata as mais parecidas. Algumas alergias medicamentosas também podem causar lesões semelhantes às da pitiríase rósea. HIV é outro diagnóstico diferencial a ser pensado em casos atípicos.

Na maioria dos casos não é necessária a realização de exames complementares. Se o médico, porém, achar que o quadro clínico não está muito típico, alguns exames para descartar os diagnósticos diferenciais podem ser solicitados, tais como pesquisa de VDRL ou FTA-ABS para sífilis, sorologia para HIV e exame micológico da pele para descartar fungos.

Tratamento da pitiríase rósea

Não há um tratamento específico para a pitiríase rósea. A doença cura-se espontaneamente e sem deixar sequelas após 2 ou 3 meses, independentemente do que se faça.

O tratamento é geralmente indicado para aqueles pacientes que queixam-se de muita coceira. Pomadas ou cremes à base de corticoides de média potência, tais como hidrocortisona, mometasona ou triancinolona ajudam a aliviar o comichão. Essas pomadas podem ser aplicadas 2 a 3 vezes por dia por no máximo 3 semanas, para minimizar os riscos de efeitos adversos.

Loções tópicas com mentol ou calamina também ajudam e têm menos risco de provocar efeitos colaterais que os corticoides.

Anti-histamínicos por via oral também ajudam. Se o paciente tem dificuldade para dormir devido ao prurido, anti-histamínicos de primeira geração, que provocam sono, como a hidroxizina podem ser utilizados.

Uma vez que o rash e a coceira tenham desaparecidos, é rara a recorrência da doença.

Este post também está disponível em: Espanhol

MORDIDA DE CACHORRO – Cuidados e Tratamento

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O cão pode até ser o melhor amigo do homem, mas isso não impede que milhões de pessoas sejam mordidas por estes animais todos os anos. Não existem dados confiáveis no Brasil, mas nos EUA a estimativa é de cerca de 4.5 milhões de pessoas mordidas por cachorros, com variados graus de gravidade, todos os anos. As crianças, principalmente aquelas entre 5 e 9 anos, são as mais afetadas. Destas 4.5 milhões de mordidas, cerca de 900 mil (20%) evoluem com infecção da ferida.

Quando uma pessoa é mordida por um cachorro, a primeira coisa que vem a cabeça é o risco de contaminação pelo vírus da raiva. Atualmente, porém, a raiva não é a principal complicação das mordias caninas, pois esta é uma doença relativamente rara nos dias de hoje. As complicações mais frequentes das mordidas de cães são a infecção bacteriana da ferida provocada ou a lesão traumática da pele, músculos, vasos, nervos e dos tendões, principalmente quando a mordida é provocada por cães grandes e com músculos maxilares fortes, tais como Pitbull, Rottweiler, Mastim, Pastor Alemão e Fila brasileiro.

Neste artigo vamos explicar quais são os problemas mais comuns que podem surgir em decorrência de uma mordida de cachorro e quais são os tratamentos e cuidados necessários para minimizar os riscos de complicações.

Tipos de mordida de cachorro

Dependendo da raça do cão, as mordidas podem causar basicamente três tipos de lesão: perfuração, dilaceração ou esmagamento.

Os dois últimos tipos de mordida são aqueles que possuem o maior risco de causar lesões graves em estruturas internas, inclusive fratura óssea, ou deixar cicatrizes permanentes na pele. Já as mordidas penetrantes têm como maior risco de complicação a contaminação da ferida e o desenvolvimento de infecções bacterianas na pele.

Qualquer mordida de cachorro pode provocar uma infecção, mas as feridas penetrantes são as mais perigosas pois elas inoculam bactérias naturais da boca do cão profundamente na pele, o que é mais difícil de limpar.

As mordidas caninas leves, que provocam apenas arranhões superficiais, sem causar sangramento ou exposição das camadas inferiores da pele, são menos preocupantes, pois o risco de infecção é baixo. Para haver infecção, as bactérias precisam passar pela barreira protetora da pele.

Nos adultos, os locais mais habitualmente atacados por cães são as mãos, braços e pernas. Já nas crianças, braços, cabeça e pescoço são os locais mais acometidos.

Na maioria dos casos, a mordida é provocada por um cão conhecido, muitas vezes da própria família. Crianças são as vítimas mais comuns, pois elas são mais estabanadas, têm menos noção do perigo e menor capacidade de reconhecer quando um cachorro está prestes a atacar.

Infecção da mordida de cachorro

A flora bacteriana natural da boca dos cães possuem mais de 60 gêneros de bactérias diferentes, muitas delas capazes de provocar infecções no homem. Apenas a título de exemplo, uma mordida de cachorro pode provocar uma infecção pelos seguintes gêneros de bactérias:

  • Bacteroides.
  • Corynebacterium.
  • Clostridium.
  • Eikenella.
  • Enterobacter.
  • Fusobacterium.
  • Haemophilus.
  • Klebsiella.
  • Moraxella.
  • Neisseria.
  • Pasteurella.
  • Porphyromonas.
  • Prevotella.
  • Proteus.
  • Staphylococcus.
  • Streptococcus.

Geralmente, uma mordida infectada de cachorro é provocada por mais de um tipo de bactéria. Algumas vezes, por até 5 tipos de bactérias ao mesmo tempo. As bactérias do gênero Pasteurella são as que mais frequentemente provocam infecção da ferida, sendo responsáveis ou corresponsáveis por mais de 50% das infecções.

Os sinais e sintomas de infecção da ferida costumam aparecer dentro das primeiras 24 horas, mas, às vezes, podem surgir já nas primeiras 8 horas após a mordida. Febre, inchaço, intensa vermelhidão, dor, drenagem de pus, formação de abcesso ou necrose da pele são os achados clínicos mais comuns.

Se não tratada adequadamente, a infecção da mordida pode causar complicações, tais como osteomielite (infeção do osso), artrite séptica (infecção da articulação) ou tenossinovite (infecção dos tendões). Nos casos mais graves, as bactérias podem se espalhar pela corrente sanguínea, provocando infecção generalizada e choque séptico (leia: O QUE É CHOQUE SÉPTICO?).

Transmissão de raiva pela mordida de cachorro

A raiva é uma doença de origem viral que possui uma taxa de mortalidade de praticamente 100%. Não há tratamento eficaz, mas a profilaxia (prevenção) é possível através de vacina ou imunoglobulina.

A raiva é transmitida através da saliva do cão. A mordida é o principal meio de inoculação da saliva infectada no organismo humano.

Todo indivíduo mordido por um cão deve primeiramente tentar obter sua carteira de vacinação para saber se o animal está devidamente vacinado, uma vez que cães vacinados não são fontes de transmissão da raiva. Se o cachorro estiver com a vacina em dia, não há necessidade de iniciar qualquer tratamento, a não ser que o animal passe a apresentar sintomas da raiva poucos dias depois da mordida.

Nos cães, o tempo máximo de evolução da doença, desde o aparecimento do vírus na saliva até a sua morte, é de apenas 10 dias. Portanto, quando alguém é mordido por um cachorro, indica-se a observação do animal por até 10 dias. Se o cão não adoecer neste intervalo é porque ele não estava contaminante no dia da mordida, não havendo, portanto, risco algum de raiva para o paciente, mesmo que o cão não esteja com a vacina em dia.

Se o animal for um cão de rua, sem dono, é importante capturá-lo para que ele possa ser analisado por um veterinário, de modo a procurar sinais do vírus da raiva. Se a captura do animal não for viável, o tratamento profilático (preventivo) deve ser indicado, partindo do princípio que este esteja contaminado com o vírus da raiva. Portanto, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, já que a profilaxia contra a raiva é considerada uma urgência médica.

Para saber mais detalhes sobre os sintomas, formas de transmissão e prevenção da raiva, acesse o seguinte artigo: RAIVA HUMANA – Transmissão, Sintomas e Vacina.

O que fazer após uma mordida de cachorro

O primeiro passo após uma mordida de cachorro é limpar vigorosamente a área ferida com água e sabão por pelo menos 5 minutos. Se houver sangramento, o local deve ser comprimido para até que a hemorragia seja estacada.

Atendimento médico deve ser buscado imediatamente em caso de sangramentos que não cessam, lesões extensas que precisem ser suturadas, mordidas com grave lesão da pele, principalmente se houver exposição de estruturas internas, tais como músculo, nervos e tendões, suspeita de fratura de osso, lesão dos tendões ou mordidas penetrantes profundas. Lesões que parecem estar a piorar com o passar das horas também devem sempre ser avaliadas por médicos.

O tratamento com antibiótico está indicado em todos os casos que houver suspeita de infecção da ferida. Porém, em alguns casos específicos, os antibióticos podem ser iniciados de forma profilática, ou seja, antes de haver sinais claros de infecção da pele. São eles:

  • Feridas penetrantes e profundas.
  • Lesões graves com esmagamento da área afetada.
  • Múltiplas mordidas pelo corpo.
  • Lesões com comprometimento dos vasos sanguíneos.
  • Mordidas nas mãos, face ou genitália.
  • Mordidas que necessitam de sutura.
  • Pacientes que tenham possuam algum grau de imunossupressão.

Amoxicilina com ácido clavulânico costuma ser o antibiótico de escolha para o tratamento de infecção por mordida (leia: AMOXICILINA COM CLAVULANATO – Bula simplificada).

Indivíduos cuja última dose da vacina contra tétano já tenha mais de 10 anos devem receber uma dose de reforço da vacina (leia: TÉTANO – Causas, Sintomas e Vacina), pois o Clostridium tetani é uma das bactérias que podem ser inoculadas através da mordida.

Se o médico considerar que a ferida conseguiu ser bem lavada e há baixo risco de infecção, a lesão pode ser suturada. Entretanto, há situações em que o risco de infecção da ferida é muito grande, e a lesão deve ser deixada aberta para que cicatrize naturalmente. São elas:

  • Mordidas nas mãos ou pés.
  • Mordidas profundas.
  • Mordidas com mais de 12 horas.
  • Mordidas em pacientes imunossuprimidos.

Nestas situações citadas acima, a sutura da ferida pode aumentar o risco de infecção, senso assim desaconselhada.

Este post também está disponível em: Espanhol

Faringite Estreptocócica – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A dor de garganta é um sintoma muito incômodo, que costuma ocorrer tanto em adultos quanto em crianças. Em geral, a dor de garganta é provocada por uma inflamação das amígdalas ou da faringe, quadros que chamamos de amigdalite e faringite, respectivamente. Quando ambos estão inflamados, situação muito comum, dizemos que o paciente tem uma faringoamigdalite.

Na maioria dos casos, a dor de garganta tem origem em uma infecção. Faringites e amigdalites virais são as causas mais comuns de garganta inflamada, mas as infecções bacterianas também são fontes comuns de inflamação na garganta.

Dentre as bactérias que provocam faringite ou amigdalites, o Streptococcus pyogenes (Estreptococo do grupo A) é o que merece mais destaque, não só por ser a forma mais comum de faringoamigdalite bacteriana, mas também porque é a forma de infecção de garganta que mais causa complicações. O Streptococcus pyogenes é responsável por cerca de 30% dos casos de faringite nas crianças e 10% nos adultos.

Neste artigo vamos falar especificamente das amigdalites e faringites provocadas pelo Streptococcus pyogenes. Vamos abordar os seus sintomas, formas de transmissões, métodos de diagnósticos, complicações possíveis e opções de tratamento.

Se você procura informações mais abrangentes sobre todas as causas de dor de garganta, incluindo as faringites de origem viral e as de origem não infecciosa, acesse o seguinte artigo: DOR DE GARGANTA ? Causas, Sintomas e Tratamento.

O que é o Streptococcus pyogenes – Estreptococo do grupo A

A bactéria do gênero Streptococcus possui várias espécies diferentes, muitas delas capazes de causar infecções nos seres humanos. Só como exemplos, o Streptococcus pneumoniae é uma causa comum de pneumonia, o Streptococcus agalactiae pode provocar infecções graves em recém-nascidos e o Streptococcus viridans é uma causa comum de endocardite.

O Streptococcus pyogenes, alvo do nosso artigo, é também conhecido como Estreptococo beta-hemolítico do grupo A. Essa espécie de Streptococcus é a causa mais comum de dor de garganta de origem bacteriana. Ou seja, se um paciente tem uma inflamação da garganta provocada por uma bactéria, a chance desta bactéria ser o Streptococcus pyogenes é muito grande.

Mas o Streptococcus pyogenes não provoca só faringites e amigdalites, ele também pode ser responsável por outras infecções, tais como impetigo (leia: IMPETIGO – Sintomas e Tratamento), erisipela (leia: ERISIPELA ? Sintomas e tratamento) e psoríase Gutata, uma forma rara de psoríase (leia. PSORÍASE – Sintomas e Tratamento). Neste artigo, entretanto, vamos nos focar apenas nas faringites e na suas complicações.

Transmissão da faringite estreptocócica

A bactéria Streptococcus pyogenes é altamente contagiosa, podendo ser transmitida através da tosse, espirro, gotículas de saliva emitidas durante a fala ou pelo compartilhamento de talheres ou copos. Mãos contaminadas por secreções respiratórias também são um importante veículo de transmissão do Estreptococo do grupo A (leia: A IMPORTÂNCIA DE LAVAR AS MÃOS PARA PREVENIR DOENÇAS).

Geralmente, as crianças entre 3 e 14 anos são o grupo com maior risco de contaminação. Porém, nem todas as pessoas que se contaminam com o Streptococcus pyogenes vão desenvolver inflamação na garganta. Os adultos frequentemente entram em contato com a bactéria e não desenvolvem sintomas.

Há também os casos de pacientes que entram em contato com o Streptococcus pyogenes, não desenvolvem sintomas, mas passam a ser carreadoras da bactéria na orofaringe. Na época do inverno, período no qual as pessoas ficam mais tempo juntas em locais fechados, cerca de 20% das crianças em idade escolar tornam-se portadoras assintomáticas do Estreptococo do grupo A nas suas orofaringes.

Esses carreadores assintomáticos podem permanecer com a bactéria por vários meses sem apresentar nenhum problema. Em muitos desses carreadores, a bactéria só se torna ativa quando o paciente desenvolve uma infecção respiratória viral. Nestes casos, é muito difícil fazer a distinção entre uma faringite viral pura ou uma faringite bacteriana oportunista, que se aproveitou de uma inflamação provocada por uma virose para se tornar ativa.

Esses carreadores não costumam ser fonte de transmissão da bactéria enquanto estão assintomáticos. Porém, se em algum momento a bactéria torna-se ativa e provoca infecção da garganta, o risco de contágio torna-se real.

Sintomas da faringite estreptocócica

O período de incubação do Streptococcus pyogenes, ou seja, o intervalo de tempo entre a contaminação e o surgimento dos primeiros sintomas, é de 24 a 72 horas, mas pode ser  tão longo quanto 2 semanas em alguns casos.

Os principais sintomas da faringite e/ou amigdalite estreptocócica são a dor de garganta, febre, dor de cabeça e vermelhidão da faringe e amígdalas. Esse sinais e sintomas, porém, não ajudam muito no diagnóstico, pois são comuns a quase todos os tipos de faringite, principalmente às faringoamigdalites de origem viral.

Na verdade, nem sempre é fácil distinguir uma faringite estreptocócica de uma faringite de origem viral. Todavia, alguns achados no exame físico podem ajudar. Por exemplo, os seguintes sinais falam muito a favor de uma faringite por Streptococcus pyogenes:

  • Amígdalas inchadas e com pus (presença de placas ou pontos brancos nas amígdalas ou faringe)
  • Faringe inflamada e com pontos de pus.
  • Linfonodos aumentados e dolorosos na região anterior do pescoço, logo abaixo da mandíbula.
  • Presença de petéquias no palato (vários pontos vermelhos no céu da boca).
  • Inflamação e inchaço da úvula (campainha ou sininho da garganta).
  • Início abrupto e desenvolvimento rápido dos sintomas.

Por outro lado, a presença de sintomas característicos de infecção viral, tais como espirros, tosse, coriza, rouquidão, conjuntivite, diarreia ou úlceras na boca, direcionam o diagnóstico mais para um faringoamigdalite viral, como uma gripe ou resfriado.

Porém, como já foi referido anteriormente, é perfeitamente possível um paciente desenvolver uma faringite bacteriana no meio de uma infecção respiratória viral, o que torna a distinção entre as inflamações de garganta de origem vital e bacteriana muito difícil.

Os sinais mais específicos de faringite/amigdalite bacteriana são as petéquias no palato e a presença de pus na faringe ou nas amígdalas. Ainda assim, nenhum deles nos permite afirmar com 100% de certeza que estamos diante de uma faringite bacteriana, pois 5 a 10% das inflamações de garganta de origem não bacteriana podem ter esses sinais.

Por isso, em menos de 50% dos casos de inflamação da garganta há um conjunto de sinais e sintomas específicos o suficiente que permitam ao médico fechar o diagnóstico da faringite estreptocócica apenas com o exame físico. Na maioria dos casos, a certeza do diagnóstico só é obtida através de exames complementares, como o teste rápido ou a cultura de material da faringe, que apontam a presença do Streptococcus pyogenes na orofaringe, conforme veremos mais à frente.

O quadro de faringite estreptocócica costuma ter um tempo de duração limitado. Habitualmente, a dor de garganta desaparece dentro de 5 dias, mesmo sem tratamento com antibióticos. Ainda assim, o tratamento com antibióticos está indicado, principalmente nas crianças, pois ele reduz o tempo de doença, alivia os sintomas e, mais importante de tudo, diminui os riscos de complicações.

Complicações da faringite estreptocócica

O grande problema das faringites estreptocócicas não costuma ser a inflamação da garganta em si, mas sim o risco de complicações. As crianças são as principais vítimas dessas complicações, sendo elas o grupo que mais necessita de tratamento com antibióticos para prevenção.

Algumas complicações são graves, inclusive com risco de morte, como é o caso da síndrome do choque toxico por Estreptococo. Outras, podem causar lesões de órgãos internos, como os rins no caso da glomerulonefrite pós-estreptocócica, ou o coração na febre reumática. Há também situações mais simples, como a escarlatina, que é uma erupção de pele que costuma ser benigna e de fácil tratamento.

Entre as possíveis complicações da faringoamigdalite estreptocócica, podemos destacar:

É importante destacar que a maioria dos casos de faringoamigdalite estreptocócica não cursam com complicações. Porém, como alguns desses problemas são graves, o uso de antibiótico acaba sendo indicado como forma de prevenção, principalmente nas crianças.

Diagnóstico da faringite estreptocócica

Identificar corretamente se uma faringite tem origem bacteriana, viral ou não infecciosa é importante na hora de traçar estratégias que visam a prevenção de complicações e a interrupção do contágio para outras pessoas, além de minimizar o uso desnecessário de antibióticos em crianças e adolescentes que têm inflamação de garganta de origem não bacteriana, o que representa a maioria dos casos.

Swab – coleta de material para detecção do estreptococo

Atualmente, a forma mais utilizada para se detectar uma faringite estreptocócica é através do teste de detecção rápida do Estreptococo do grupo A. Esse teste é feito através de um swab (zaragatoa), que é uma espécie de cotonete comprido que é usado para colher material das amígdalas (veja imagem ao lado). Esse exame consegue identificar a presença do Streptococcus pyogenes na orofaringe e o seu resultado é obtido em alguns minutos. Se o teste for positivo, o paciente deve ser tratado com antibióticos apropriados.

Se o teste for negativo, mas a suspeita de faringite estreptocócica for muito forte, o material colhido pelo swab pode ser enviado para cultura, que é um método mais confiável que o teste rápido. A desvantagem da cultura é o fato do resultado só estar disponível após 48 horas.

Tratamento da faringite estreptocócica

O objetivo do tratamento com antibióticos visa a erradicação do estreptococos do grupo A da orofaringe. A eliminação da bactéria traz os seguintes benefícios:

– Redução da duração e da gravidade dos sinais e sintomas.
– Redução da incidência de complicações.
– Redução do risco de transmissão da bactéria para outras pessoas.

Com apenas 12 a 24 horas após o início do tratamento com antibióticos, a maioria dos pacientes já não é mais capaz de transmitir a bactéria para outras pessoas. Isso significa que a criança pode voltar a frequentar a escola no dia seguinte ao início do tratamento, caso sinta-se bem. Em relação aos sintomas, a melhora é sentida em 24 a 48 horas após o início do antibiótico.

Os antibióticos derivados da penicilina devem ser sempre a primeira opção de tratamento, pois eles são os mais efetivos. Os esquemas mais indicados são:

  • Penicilina benzatina por via intramuscular em dose única na dose de 600.000 U para pacientes com menos de 27 quilos ou 1.200.000 U para aqueles com mais de 27 quilos.
  • Penicilina V por via oral na dose 250 mg 2 ou 3 vezes por dia para crianças ou 500 mg 2 vezes por dia para adultos. O tratamento deve ter duração de 10 dias.
  • Amoxicilina por via oral na dose de 25 mg/kg (dose máxima de 500 mg por dose) 2 vezes por dia. O tratamento deve ter duração de 10 dias.

Dentre as 3 opções acima, a melhor de todas é a penicilina benzatina (leia: PENICILINA BENZATINA – Injeção de benzetacil), pois ela é a de mais simples administração e é a mais eficaz na prevenção das complicações, principalmente da febre reumática em crianças.

A amoxicilina pode ser administrada com ou sem ácido clavulânico, dependendo do perfil de resistência do estreptococo na comunidade que o paciente vive (leia: AMOXICILINA E AMOXICILINA COM CLAVULANATO | Bula simplificada).

Para os pacientes com alergia à penicilina (leia: ALERGIA À PENICILINA), as melhores opções de tratamento são:

  • Cefalexina por via oral na dose de 20 mg/kg (dose máxima de 500 mg por dose) 2 vezes por dia. O tratamento deve ter duração de 10 dias.
  • Azitromicina por via oral na dose de 12 mg/kg (dose máxima de 500 mg por dose) 1 vez por dia. O tratamento deve ter duração de 5 dias (leia: AZITROMICINA ? Indicações e efeitos colaterais).
  • Claritromicina por via oral na dose de 7.5 mg/kg (dose máxima de 250 mg por dose) 2 vezes por dia. O tratamento deve ter duração de 10 dias.

A maioria das pessoas melhora dentro de 48 horas, mas é essencial que o tratamento seja mantido até o final, mesmo que o paciente já esteja completamente assintomático. A interrupção do antibiótico antes do final aumenta o risco da ocorrência de complicações. Como a penicilina benzatina é o único tratamento feito com dose única, ele é a opção com maior taxa de sucesso e de aderência.

Além do antibiótico, o paciente também pode ser medicado com anti-inflamatórios ou analgésicos, visando o controle dos sintomas enquanto os antibióticos não fazem efeito. Explicamos o tratamento sintomático das faringite em um artigo à parte: REMÉDIOS PARA GARGANTA INFLAMADA.

VIROSE – Sintomas, Causas e Tratamento

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Virose é um termo pouco específico, que significa doença viral ou infecção provocada por um vírus. Se formos interpretar a expressão virose ao pé da letra, estaremos diante de um gigantesco grupo de doenças que engloba centenas de infecções virais diferentes, desde as mais simples, como resfriados e verrugas de pele, até as mais graves, como AIDS, raiva, hepatite e ebola.

Apesar do termo virose abranger todas as infecções de origem viral, na prática, os médicos costumam reservar esse diagnóstico para as infecções virais leves, de origem respiratória ou gastrointestinal, que habitualmente são autolimitas e curam-se espontaneamente após alguns dias. Nenhum médico diz para o paciente que está com sarampo, ebola ou AIDS que ele tem “apenas uma virose”.

Neste artigo vamos explicar o que é uma virose e quais são as infeções que costumam ser chamadas pelos médicos de virose.

Se você está à procura de uma revisão mais abrangente sobre as doenças causadas por vírus, acesse o seguinte artigo: QUAIS SÃO AS DOENÇAS CAUSADAS POR VÍRUS?

“É só uma virose”

Imagine a seguinte situação: dois pacientes aguardam consulta médica em um centro de pronto atendimento. O primeiro entra e relata ao médico que está sentindo cansaço, dor no corpo, dor de cabeça, tosse, espirros e nariz entupido. Ao fim da consulta, o médico diz que ele tem apenas um virose e que deve ir pra casa descansar e se hidratar bem. Chega a vez do segundo paciente, que relata ao médico estar com mal-estar, cansaço, cólicas, diarreia e vômitos. Novamente, o médico diz que ele tem apenas um virose e que deve ir pra casa descansar e se hidratar bem.

Como pode o médico dar o mesmo diagnóstico e indicar o mesmo tratamento para dois pacientes com sintomas tão diferentes?

Por mais que para o público leigo possa parecer que o médico está “chutando” o diagnóstico, existe uma grande chance do profissional ter acertado nas duas situações. A imensa maioria dos quadros respiratórios, com espirros e dores pelo corpo, e dos quadros gastrointestinais agudos, sem febre alta ou sangue nas fezes, são provocados por infecções virais de curta duração, como aquelas causadas pelos vírus Rinovírus, Parainfluenza, Influenza, Coronavírus, Rotavírus ou Norovírus.

Nestes casos, o importante para o médico não é fazer um diagnóstico preciso do vírus responsável pelo quadro clínico, mas sim ter certeza que o paciente não apresenta sinais e sintomas que possam indicar um outro problema, que não apenas uma simples virose. Entre esses sinais e sintomas estão a febre alta, pus nas amígdalas, sangue nas fezes, dor abdominal intensa, sinais de desidratação, hipotensão arterial, sintomas com mais de 1 semana de duração, etc.

Em alguns casos, quadros de infecções mais graves podem se apresentar nos primeiros dias de forma muito parecida com uma virose comum, só vindo a manifestar os sintomas mais claramente após 48-72 horas. Além disso, apesar de não ser o habitual, algumas viroses comuns podem causar complicações. A gripe é um exemplo bem claro. A imensa maioria dos pacientes com gripe recupera-se espontaneamente após alguns dias, mas cerca de 1% dos pacientes podem ter complicações sérias.

Algumas das complicações incomuns, mas possíveis das viroses são:

O correto, portanto, é o médico examinar o paciente à procura de sinais e sintomas de gravidade e explicar que as viroses comuns costumam melhorar espontaneamente após 3 ou 4 dias. Se o paciente, em vez de melhorar, notar um agravamento dos sintomas ao longo das próximas 48 horas, uma nova avaliação médica costuma ser necessária.

Sintomas de virose

Tecnicamente, qualquer infecção provocada por um vírus pode ser chamado de virose, logo, existe uma vasta gama de sinais e sintomas possíveis. Entretanto, conforme já explicamos, na prática, o termo virose acaba ficando restrito aos tipos de infecção viral que são brandos e autolimitados.

Podemos dividir em três grandes grupos os principais quadros clínicos provocados por viroses: viroses respiratórias, viroses gastrointestinais e viroses exantematosas. Vamos falar um pouco sobre cada uma das três.

1- Sintomas das viroses respiratórias

As viroses respiratórias são provocados pelo vírus da gripe, chamado vírus Influenza, ou pelos vários vírus que provocam o resfriado comum, entre eles: Rinovírus, Adenovirus, Vírus sincicial respiratório, Coronavirus, Parainfluenza.

Entre os sintomas mais comuns das viroses respiratórias podemos citar:

  • Febre.
  • Espirros.
  • Coriza.
  • Sinusite.
  • Tosse.
  • Conjuntivite.
  • Dor de cabeça.
  • Dor de garganta.
  • Dor no corpo.
  • Cansaço.
  • Mal-estar generalizado.

Cabe salientar que o paciente não precisa apresentar todos os sintomas listados acima para ter uma virose. Um paciente que apresente apenas coriza, espirros, dor de cabeça e cansaço já apresenta um quadro bastante rico para o diagnostico de virose respiratória.

Quando o médico se depara com uma virose respiratória, é importante que ele procure descartar infecções bacterianas que possam ter sintomas semelhantes, mas que precisam ser tratados com antibióticos, tais como a faringite bacteriana, a pneumonia e a sinusite bacteriana.

Quadros alérgicos, como a rinite alérgica, também podem cursar com alguns dos sintomas das viroses e o tratamento deve ser feito com medicamentos antialérgicos.

As viroses respiratórias duram de 2 a 7 dias e curam-se espontaneamente. Raramente há complicações.

Explicamos a gripe e o resfriado comum com mais detalhes nos seguintes artigos:

– GRIPE ? Sintomas, Tratamentos e Vacina.
– DIFERENÇAS ENTRE GRIPE E RESFRIADO.

2- Sintomas das viroses gastrointestinais

A maioria dos quadros de diarreia aguda costuma ser causada pelas viroses gastrointestinais, que incluem infecções pelos vírus rotavírus, Norovírus, Astrovírus e Adenovírus entérico.

As viroses gastrointestinais se caracterizam por um quadro de diarreia aguda que dura, em média, de 3 a 7 dias, e está frequentemente acompanhada por cólicas abdominais e vômitos, principalmente nos primeiros dias. Febre baixa, abaixo de 38,5ºC, também é um sintoma bastante comum.

Quando um médico se depara com um paciente com quadro sugestivo de virose gastrointestinal, ele precisa estar atento para alguns sinais e sintomas que possam indicar outra causa que não uma infecção viral simples. Entre os sinais de alerta estão:

  • Febre alta.
  • Intensa e persistente dor abdominal.
  • Diarreia sanguinolenta.
  • Sinais de desidratação grave.
  • Sintomas prolongados, geralmente por mais de 10 dias.
  • Perda de peso importante.

A maioria das viroses gastrointestinais resolve-se espontaneamente, sem necessidade de tratamento ou dietas muito rigorosas. A complicação mais comum é a desidratação, que pode ser evitada, caso o paciente consiga manter uma boa hidratação.

Explicamos as gastroenterites de origem viral com mais detalhes no seguinte artigo: VÔMITOS E DIARREIA – Virose Gastrointestinal.

3- Sintomas das viroses exantemáticas

As viroses exantemáticas são um grupo de doenças de origem viral que cursam com o aparecimento de exantemas, que nada mais são do que erupções avermelhadas na pele. Entre as viroses exantemáticas mais conhecidas podemos citar a catapora (varicela), a rubéola e o sarampo. A dengue, a febre Chicungunha e a febre Zika também são exemplos de viroses que podem cursar com exantemas, apesar das lesões de pele não serem os sinais mais importantes destas infecções.

Temos um artigo no qual explicamos as 10 principais causas de febre e manchas avermelhadas na pele: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

Nem sempre, porém, as viroses que produzem exantemas apresentam um quadro clínico típico que nos permite enquadrá-las em um diagnóstico específico. Muitas vezes, o paciente recebe mesmo é o inespecífico diagnóstico de virose. Algumas das viroses respiratórias e gastrointestinais citadas nos tópicos anteriores podem também causar machas avermelhadas na pele, que não possuem características de nenhuma doença em especial. Não é incomum encontrarmos um paciente com um quadro de curta duração que consista em manchas avermelhadas na pele, febre, dores no corpo e alguns sintomas respiratórios.

Também não é incomum que os pacientes tenham formas brandas e atípicas de algumas viroses exantemáticas clássicas. Algumas pessoas só descobrem que tiveram catapora, dengue ou rubéola quando fazem exames de sangue, pois, na época da infecção, vários anos atrás, os sintomas foram tão inespecíficos, que muitas vezes nem atendimento médico o paciente procurou.

Portanto, se as lesões de pele não tiverem algumas características próprias, nem sempre é possível fazer o diagnóstico preciso de uma virose exantemática, principalmente se ela for de curta duração e com sintomas leves.

Diagnóstico das viroses

Umas das maiores frustrações do paciente que recebe o diagnóstico de virose é o fato do médico solicitar poucos ou nenhum exame e não estabelecer um diagnóstico mais preciso. Isso do ponto de vista médico, entretanto, não é um problema. Se há um grupo de doenças que tenham sintomas semelhantes, sejam de curta duração e não necessitem de nenhum tratamento específico, não faz sentido gastar tempo e dinheiro do paciente para fazer um diagnóstico mais preciso, uma vez que isso em nada irá alterar a conduta do médico. Mesmo que o paciente tenha um quadro de catapora ou dengue branda, com manifestações atípicas, saber ou não o diagnóstico correto não vai mudar em nada o tratamento. Da mesma forma, saber se o paciente tem um resfriado por adenovírus ou por Parainfluenza não traz nenhuma vantagem na maioria dos casos.

A solicitação de exames complementares pode ser indicada quando o médico não se sente seguro com o diagnóstico de virose. Análises de sangue, radiografia de tórax ou uma amostra de secreções da orofaringe podem ser solicitadas, caso o médico queira ter mais certeza que a infecção não tem origem bacteriana.

Outra situação em que o diagnóstico mais preciso pode ser interessante é nos períodos de epidemia de gripe. Do ponto de vista de saúde pública, saber se há ou não uma nova cepa do vírus Influenza pode ajudar no estabelecimento de estratégias de tratamento, prevenção e na formulação de vacinas para os anos seguintes.

Tratamento das viroses

A maioria dos quadros que chamamos de virose são autolimitados, ou seja, curam-se espontaneamente após alguns dias. Sendo assim, não há necessidade de nenhum tipo de tratamento específico. Isso não significa, porém, que o médico não possa prescrever alguns remédios visando o alívio dos sintomas do paciente, principalmente nos casos de febre e dor. Nos pacientes com vômitos e diarreia, o tratamento deve visar a adequada hidratação do paciente.

Uma medida importante para evitar a transmissão das viroses para outras pessoas e a lavagem frequente das mãos. A principal forma de transmissão dos vírus não é através do ar, mas sim através de mãos contaminadas (leia: A IMPORTÂNCIA DE LAVAR AS MÃOS).

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