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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas

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A anafilaxia, ou reação anafilática, é uma reação alérgica grave e potencialmente fatal.

Toda alergia é uma resposta exagerada do sistema imunológico a alguma substância estranha ao nosso organismo. Os sintomas comuns das alergias não são causados primariamente por comidas, picadas de insetos, pólen, drogas ou qualquer outra substância alérgica; os sintomas são causados pela ação das células de defesa chamadas de mastócitos e basófilos, pelo anticorpo do tipo IgE e pela grande liberação de uma substância chamada histamina.

Portanto, a reação alérgica é nada mais do que um tipo de reação inflamatória (leia: O que é o pus ? O que é um abscesso? O que é uma inflamação?). O choque anafilático é a reação alérgica no seu extremo. (leia: CHOQUE CIRCULATÓRIO. O QUE É ISTO ?)

Causas de anafilaxia

  • Comidas: Derivados de leite, ovos, peixes e frutos do mar, soja, amêndoas e amendoim são os mais comuns
  • Picadas de insetos
  • Antibióticos: Derivados da penicilina são os mais comuns
  • Anti-inflamatórios: Quem tem alergia a um tipo costuma ter a todos, inclusive aspirina e dipirona (metamizol) que não são propriamente do mesmo grupo
  • Anti-hipertensivos: Inibidores da ECA (ex: captopril e enalapril)
  • Látex
  • Iodo: Incluindo contrastes para exames radiológicos e anti-sépticos para pele.

Ainda existe a anafilaxia idiopática, que ocorre sem causa definida.
Obviamente que para se ter anafilaxia devido a alguma dessas substâncias, a pessoa precisa ser alérgica a elas.

Sintomas da anafilaxia

A anafilaxia costuma ocorrer em pacientes com histórico prévio de alergias à alguma substância, mas pode também acometer pessoas que nunca tiveram episódios alérgicos.

O quadro é imprevisível. Os sintomas costumam iniciar poucos minutos após o contato com a substância alérgena, mas podem demorar até 1 hora.

Urticária

Os 2 sintomas mais comuns e que ocorrem em até 90% dos casos são:

– Urticária: É uma erupção cutânea, muito pruriginosa, caracterizada por placas avermelhadas distribuídas pelo corpo (leia: URTICÁRIA | Sintomas e tratamento).

– Angioedema: Inchaço da pele ou mucosa. Os mais comuns são os edemas em volta dos olhos, nos lábios, na língua. O mais perigoso é o edema da laringe, também conhecido como edema de glote.

Outros sintomas que também podem ocorrer:

Angioedema

– Asma.
– Conjuntivite (leia: CONJUNTIVITE | Sintomas e Tratamento).
– Congestão nasal e rinite (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento).
– Comichão generalizado.
– Náuseas e vômitos.
– Tonturas (leia: TONTURA E VERTIGEM | Causas e sintomas).
– Hipotensão e/ou síncope (Leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL).

É importante salientar que nem toda urticária ou angioedema significa necessariamente um episódio de anafilaxia. Um quadro de urticária, mesmo que generalizada, sem angioedema ou alguns dos sintomas descritos acima, não se caracteriza como anafilaxia. Do mesmo modo, um angioedema isolado, também não. Quadros de alergia são comuns, mas anafilaxia ou choque anafilático propriamente ditos, são eventos raros.

Nos casos mais graves onde o paciente desenvolve dificuldade respiratória e choque circulatório, pode-se evoluir rapidamente para o óbito se não for tratado a tempo. Esses casos mais sérios de choque anafilático normalmente ocorrem após infusão de medicamentos por via venosa ou picadas de insetos.

Muitas vezes a reação anafilática é bifásica, ou seja, apresenta uma recaída dentro de 48-72h do primeiro episódio.

Não se consegue prever quando uma pessoa vai desenvolver um choque anafilático, porém alguns pessoas apresentam mais riscos que outros, principalmente pacientes com antecedentes de asma ou com episódio anterior de alergia à alguma substância.

Doentes com histórico de insuficiência cardíaca (leia: INSUFICIÊNCIA CARDÍACA – CAUSAS E SINTOMAS) ou DPOC (bronquite crônica / enfisema pulmonar), correm maiores riscos de morte quando apresentam um quadro de anafilaxia.

Tratamento do choque anafilático

O paciente com sintomas de anafilaxia deve ser imediatamente levado para um hospital. Quadros novos de angioedema ou urticárias também devem ser avaliados por um médico, pois não há como prever se eles evoluirão para choque anafilático ou não. A evolução costuma ser rápida e por isso não se deve perder tempo.

O tratamento é feito com adrenalina, corticóides (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES), broncodilatadores e anti-histamínicos.

Alguns pacientes com história conhecida de reação anafilática carregam consigo uma seringa automática de adrenalina para auto-administração em casos de urgência.

Todo mundo que já tenha apresentado algum reação anafilática deve ser consultado por um alergologista. É importante também andar com alguma identificação da doença, como uma pulseira, para o caso do paciente estar inconsciente e não poder fornecer história no momento do atendimento médico.

RINITE ALÉRGICA – Sintomas, Causas e Tratamento

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Rinite alérgica é um quadro de inflamação das mucosas da cavidade nasal causada por uma reação exagerada do sistema imune a partículas alérgenas do ar.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a rinite alérgica:

  • O que é alergia.
  • O que é rinite alérgica.
  • Fatores de risco para rinite alérgica.
  • Sintomas da rinite alérgica.
  • Tratamento da rinite alérgica.

O que é alergia?

Alérgeno é qualquer partícula que tenha capacidade de desencadear uma reação alérgica, que nada mais é do que uma reação do sistema imune a agentes estranhos. Os alérgenos podem entrar em contato com nosso corpo por:

1. inalação, como pólen, fumaça, produtos químicos, poeira, etc.
2. ingestão, como comidas, remédios e suplementos.
3. contato com a pele, como substâncias químicas, perfumes, cremes, látex, plantas, etc.
4. inoculação na pele, como picadas de insetos.

O que causa a reação alérgica não é a ação direta e ativa do alérgeno, mas sim a resposta exagerada do organismo ao contato com o mesmo. Isto explica por que algumas pessoas têm alergia a determinadas partículas e outras não. O pólen, por exemplo, pode ser alérgeno para alguns e inócuo para outros.

Rinite é a inflamação das mucosas da cavidade nasal, causada geralmente por uma infecção viral ou por uma reação alérgica. Neste texto vamos nos ater à rinite alérgica.

Nos próximos dois parágrafos usarei um pouco mais termos técnicos para explicar o mecanismo de inflamação da rinite alérgica, mas não se assuste, procurarei usar analogias e ser o mais didático possível. A informação a seguir será importante para entender como funcionam alguns dos tratamentos.

O que é rinite alérgica?

A rinite alérgica surge quando uma pessoa alérgica inala alguma partícula que estimula o seu sistema imune. Quando criança, nós entramos em contato com diversos potenciais alérgenos sem que tenhamos maiores problemas. As pessoas alérgicas são aquelas que ao entrar em contato com determinadas partículas passam a produzir anticorpos contra elas, como se fossem agentes invasores danosos, tipo vírus, bactérias, etc.

Vamos usar o pólen como exemplo. Pessoas alérgicas ao pólen são aquelas que ao entrar contato com este alérgeno pela primeira vez produzem em grande quantidade um anticorpo chamado IgE. A partir deste momento, a mucosa nasal começa a ficar povoada com uma célula do sistema imune chamada mastócito, que possui vários anticorpos IgE em sua superfície. É como se o corpo pensasse que o pólen era um assaltante e passasse a encher a cavidade nasal de seguranças (mastócitos) altamente armados (IgE). Assim que esta pessoa entra novamente em contato com o pólen, os anticorpos IgE rapidamente o capturam, ativando os mastócitos que liberam vários mediadores químicos para destruir o invasor, sendo o mais importante a histamina, responsável pelos principais sintomas da rinite, que serão explicados mais à frente.

Os sintomas alérgicos da rinite alérgica são, portanto, um efeito colateral da guerra química que o sistema imune trava contra algumas partículas. O pólen em si não causa nenhum mal, mas o sistema imune do alérgico não pensa assim.

Pessoas não alérgicas são aquelas que entram em contato com o pólen, por exemplo, e corretamente não desenvolvem IgE específicas contra ele. Em outras palavras, o corpo reconhece o pólen como partícula estranha, mas não o vê como uma ameaça e não produz anticorpos contra o mesmo.

Fatores de risco para rinite alérgica

Como a rinite alérgica é nada mais do que uma reação alérgica da cavidade nasal, pessoas com outras doenças de origem alérgica, como asma, eczema, conjuntivite alérgica, urticária, etc. apresentam um maior risco de também terem rinite de origem alérgica.

Outros fatores de risco para rinite alérgica incluem:

– Ser do sexo masculino.
– História familiar de alergias.
– Nascimento durante a época do pólen.
– Bebês que pararam o aleitamento materno precocemente .
– Exposição frequente à fumaça de cigarro no primeiro ano (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).
– Exposição precoce a antibióticos.
– Viver ou trabalhar em ambientes ricos em potenciais alérgenos.

Sintomas da rinite alérgica

Sinais de rinite alérgica

Os sintomas da rinite alérgica incluem espirros, coriza nasal, entupimento nasal, lacrimejamento e coceira nos olhos, nariz e palato (céu da boca). A ocorrência de sinusite também é frequente, caracterizando um quadro de rinossinusite (rinite + sinusite). Falamos mais especificamente da sinusite neste texto: SINUSITE | Sintomas e tratamento). Outros sintomas comuns são dor de garganta, rouquidão, tosse e diminuição do paladar e olfato.

Dois sinais típicos da rinite alérgica são a acentuação das linhas das pálpebras inferiores (sinal chamado de linhas de Dennie-Morgan) e o escurecimento da pele abaixo dos olhos, tipo uma olheira. A foto acima ilustra bem esses dois sinais.

A rinite alérgica em algumas pessoas pode ser sazonal, ocorrendo apenas em determinadas épocas do ano. Entretanto, muitos pacientes apresentam um quadro quase constante de rinite alérgica, como numerosos episódios ao longo de todo o ano. Estes geralmente são aqueles que ficam expostos a alérgenos constantemente, seja em casa ou no trabalho.

Se o paciente convive em um meio onde está exposto ao alérgeno de forma frequente, a tendencia é de que os sintomas fiquem cada vez piores e cada vez mais uma menor quantidade de alérgeno seja capaz de desencadear as crises. Algumas pessoas se tornam tão sensíveis que outros fatores podem passar a desencadear a rinite, como exposição ao frio, fumaça ou cheiro forte.

Tratamento da rinite alérgica

Além do controle dos sintomas, o tratamento da rinite alérgica deve sempre visar a redução da exposição aos alérgenos desencadeadores das crises. Se o alérgeno for desconhecido, existem testes de alergia de pele que podem identificá-lo.

a) Solução salina: a lavagem das narinas com soro fisiológico ou outras soluções salinas é eficiente para eliminar os alérgenos aderidos na mucosa nasal naqueles casos mais leves. A lavagem pode ser feita várias vezes ao dia e pode ser usada para limpar a cavidade antes da aplicações de outros medicamentos.

b) Descongestionantes nasais: durante muitos anos os descongestionantes nasais foram as drogas mais populares no tratamento da rinite. As substâncias mais usadas são pseudoefedrina, fenilefrina e oximetazolina. Estas drogas causam uma constrição dos vasos nasais, diminuindo a secreção de muco e aliviando os sintomas. Entretanto, esses sprays nasais NÃO devem ser usados por mais do que três dias seguidos, pois costumam causar dependência, fazendo com que o nariz volte a ficar entupido a não ser que os descongestionantes voltem a ser usados repetidamente. Esta dependência é difícil de ser revertida.

c) Anti-histamínicos: como a histamina é a substância que causa os sintomas da rinite alérgica, drogas anti-histamínicas podem ser usadas para o tratamento. Entretanto, os anti-histamínicos apesar de melhorarem os espirros, a coceira e a coriza, não são tão efetivos contra a congestão nasal, sendo um descongestionante normalmente necessário. É muito comum no mercado a associação de uma solução nasal que combine um anti-histamínico e um descongestionante.

Os anti-histamínicos também podem ser tomados em comprimidos, mas geralmente causam alguma sonolência. Os mais comuns são: Loratadina, desloratadina, cetirizina, levocetirizina, difenidramina , clemastina e fexofenadina.

d) Corticoides nasais: os corticoides por via nasal são atualmente a droga de primeira linha no tratamento da rinite alérgica. Existem várias opções no mercado: fluticasona, mometasona, budesonida, flunisolida, triancinolona e beclometasona. São todos semelhantemente eficazes. Pacientes com quadro de congestão nasal muito intensa às vezes precisam usar descongestionantes nasais e anti-histamínicos por um ou dois dias antes de iniciarem o corticoide, para que este tenha maior eficácia.

Os corticoides nasais são efetivos no tratamento e na prevenção da rinite alérgica, podendo ser usados mesmo fora das crises.

Ao contrário dos corticoides sistêmicos, os corticoides nasais são drogas seguras que podem ser usadas seguidamente por muitos anos (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais). Aconselha-se apenas que os pacientes que estão usando corticoides nasais por prolongados períodos tenham sua cavidade nasal examinada por um otorrinolaringologista periodicamente para evitar as raras complicações, como lesões da mucosa e infecções.

e) Imunoterapia: chamada também de “vacinas”, a imunoterapia é um tratamento que visa dessensibilizar o paciente aos alérgenos. Consiste na injeção de pequenas doses do alérgeno de modo a acostumar o organismo ao mesmo, diminuindo a resposta à sua exposição. A imunoterapia atualmente só existe para os alérgenos mais comuns, como pólen, ácaros, pelo de animais, etc. O tratamento dura alguns anos e não deve ser interrompido sob o risco da perda de eficácia.

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COMO TRATAR PICADAS DE MOSQUITO

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O mosquito, também conhecido como pernilongo, muriçoca, carapanã ou melga, é um inseto voador que se alimenta de sangue de animais vertebrados, incluindo o ser humano. Existem centenas de espécies de mosquitos, algumas delas capazes de transmitir doenças para o homem, como são os casos da dengue e da febre amarela.

Mesmo as espécies de mosquito que não são capazes de transmitir doenças podem ser extremamente incômodas, pois suas picadas geram uma intensa reação local, provocando lesões que podem coçar por vários dias.

Uma vez que o mosquito já tenha lhe picado, não há muitas medidas efetivas para aliviar a coceira, por isso, a prevenção das picadas é a melhor estratégia.

Neste artigo, além de listarmos as doenças que podem ser transmitidas por mosquitos, vamos falar um pouco sobre a picada em si, sugerindo formas de preveni-la e de tratar a coceira.

Doenças transmitidas por mosquitos

a) Existentes no Brasil:

– Dengue (leia: DENGUE | Sintomas e tratamento).
– Malária.
– Febre Amarela (leia: FEBRE AMARELA | Vacina e sintomas).
– Leishmaniose (leia: LEISHMANIOSE | Sintomas e tratamento).
– Filariose (elefantíase).

b) Não existentes no Brasil:

– Febre do Nilo Ocidental.
– Febre de Rift Valley.
– Febre de Ross River.
– Encefalite japonesa.
– Encefalite de St. Louis.
– Encefalite La Crosse.

Picada de mosquito

Os mosquitos alimentam-se basicamente do néctar das plantas, mas a fêmeas da espécie podem também alimentar-se de sangue de animais. Os mosquitos não dependem de sangue para sobreviver, porém, o sangue é necessário na produção e desenvolvimento dos seus ovos. A maioria dos mosquitos é mais ativa nos períodos da manhã e no final da tarde, quando há menos calor, sendo estes horários os mais prováveis para se receber uma picada.

Os mosquitos são capazes de reconhecer odores e apresentam predileção por alguns tipos de pessoas em relação a outras. Geralmente são substâncias presentes no suor e na pele que atraem os mosquitos. Uma substância já reconhecida é o dióxido de carbono. Não é impossível que duas pessoas permaneçam em um mesmo local povoado por mosquitos e apenas uma delas sofra picadas, ou ainda, uma sofra inúmeras picadas e a outra apenas uma ou duas. Não se sabe bem por que, mas os mosquitos têm predileção por homens, pessoas obesas, grávidas e pessoas com sangue tipo O. O corpo quente e suado também parece atrair mais os mosquitos.

Antes de sugar, os mosquitos injetam sua própria saliva, que apresenta propriedades anticoagulantes, impedindo a coagulação do sangue que será ingerido. É esta saliva que costuma causar as reações alérgicas típicas das picadas de mosquito. Na maioria dos casos, a reação à picada é pequena e localizada, sendo os sintomas da picada de mosquito apenas uma pequena elevação avermelhada na pele com intenso prurido (coceira). Os sintomas da picada costumam surgir dentro de 20 minutos e podem ficar causando coceira por até 2 dias. Quanto mais sensível a pessoa é à saliva do mosquito, mais extensa e mais intensa costuma ser a reação à picada. Ao longa da vida vamos ganhando resistência às picadas, fazendo com as reações tornem-se menos intensas. É nas crianças que as picadas de mosquito costumam causar mais sintomas.

Raramente uma picada de mosquito pode levar a quadros alérgicos mais graves como anafilaxia (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas).

Além das reações alérgicas e da possível transmissão de doenças por algumas espécies de mosquito, uma outra complicação passível da picada é a infecção secundária causada pelo ato de cocar as lesões. Se o indivíduo coçar a pele com muita força, pode causar lesões, abrindo portas de entrada para as bactérias da pele em direção ao interior do organismo. Diabéticos, por exemplo, são um grupo de risco para desenvolverem infecções de pele secundárias a picadas de mosquitos, como impetigo, celulite ou erisipela. (leia: IMPETIGO COMUM e IMPETIGO BOLHOSO | Sintomas e tratamento e ERISIPELA | CELULITE | Sintomas e tratamento).

Prurigo estrófulo (alergia à picada de mosquito)

O prurigo estrófulo, também chamado de prurigo agudo simplex ou prurigo agudo infantil, é um processo alérgico da pele que surge geralmente após picadas de mosquitos em pessoas alérgicas. Comum em crianças, o estrófulo pode eventualmente surgir também em adultos. O quadro clínico é de várias lesões semelhantes às picadas comuns de mosquito, muito pruriginosas (coçam muito) e com o desenvolvimento de uma minúscula bolha em seu centro. Uma única picada é capaz de desencadear várias lesões, como se a criança tivesse recebido várias picadas. As lesões podem durar por até 1 mês.

Como evitar picadas de mosquito

É essencial reduzir a população e mosquitos ao seu redor. Jogue fora qualquer tipo de água parada que possa servir como reservatório para os ovos de mosquitos. Evite deixar as janelas abertas no início da manhã e no final da tarde. Se o calor for grande, use telas para evitar a entrada de mosquitos. Se a temperatura do ambiente permitir, evite andar com pouca roupa no final da tarde.

Os repelentes servem para diminuir a atração do mosquito pela sua pele. Dê preferência aos que possuem DEET em sua fórmula. O DEET já é usado há mais de 40 anos como repelente e ainda é o mais efetivo de todos. A fórmulas com DEET 10% podem ser usadas em crianças acima de 2 anos. Os repelentes podem ser aplicados na pele e na roupas. O DEET 10% confere proteção por cerca de 2h enquanto o DEET 30% o faz por até 5h. Este repelente não deve ser administrado mais do que 3x por dia e deve-se evitar uso diário e prolongado do mesmo.

Uma opção para quem prefere produtos naturais é o óleo de eucalipto limão, que apresenta eficácia semelhante ao DEET 10%.

Durante a década de 1960 um trabalho mostrou que o consumo de vitamina B1 poderia produzir odores na pele que manteriam as fêmeas do mosquito afastadas. Até hoje, entretanto, não foi publicado mais nenhum outro trabalho científico que confirmasse tal resultado, o que significa que não há evidências claras de que a vitamina B1 seja efetiva contra as picadas de mosquitos

Procutos eletrônicos e por ultrassom vendidos como repelentes não apresentam comprovação científica da sua eficácia. Apenas os aparelhos de tomada que liberam inseticida (líquido ou pastilha) são eficazes em ambientes fechados, mas devem ser evitados em quartos com bebês, devido ao risco de intoxicação.

Aparelhos elétricos que emitem luz ultravioleta e eletrocutam os insetos atraídos também não funcionam, pois atraem muito mais insetos inofensivos do que propriamente os mosquitos, podendo causar desequilíbrios no ecossistema se usados em massa.

Como tratar as picadas de mosquito

A picada de mosquito na imensa maioria dos casos não acarreta em maiores complicações, porém, pode ser muito incômoda, principalmente se forem múltiplas. O mais importante é evitar ficar coçando frequentemente, pois as unhas podem causar feridas na pele, facilitando a infecção secundária por bactérias.

Se a coceira estiver muito forte, tente colocar uma compressa de gelo no local. Se não for suficiente, é possível usar algumas substâncias tópicas que aliviam a coceira. Uma simples é a mistura de bicarbonato de sódio com água, de forma a criar uma pasta. Algumas alternativas incluem a solução de calamina ou o creme Caladril®. Pomadas com corticoides também podem ser usadas. Se as picadas forem múltiplas ou houver estrófulo, o uso de anti-histamínicos orais é uma solução.

ALERGIA ALIMENTAR – Alergia à comida

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Reações à comida são comuns e podem ser dividas em duas categorias: alergia a alimentos e reações não-alérgicas a alimentos. Neste texto vamos abordar as causas, sintomas e tratamento da alergia alimentar.

A distinção entre os tipos de reação à comida é importante, uma vez que apresentam graus de gravidade e tratamentos diferentes.

a) Alergia a alimentos: é uma reação do sistema imunológico a uma ou mais proteínas de um ou mais tipos de alimentos. A alergia à comida pode, em alguns casos, levar a um quadro grave de anafilaxia (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas).

b) Reações não-alérgicas: são reações que não são causadas por ativação do sistema imune, entre elas podemos citar intolerância a lactose, refluxo gastroesofágico (leia: HÉRNIA DE HIATO | Refluxo gastroesofágico), dor de estômago, intoxicação alimentar, etc.

Alergia alimentar

A alergia alimentar acomete cerca de 8% das crianças pequenas e até 3% dos adultos. A alergia à comida tem uma forte componente genético e até 70% dos pacientes apresentam história familiar positiva.

A alergia alimentar clássica é aquela causada pela ação de um anticorpo chamado IgE. O nosso sistema imune é programado para combater qualquer substância estranha que invada nosso corpo, porém, há uma certa tolerância quando essas substâncias entram pelo sistema gastrointestinal. Um paciente alérgico a um determinado alimento possui, na verdade, um sistema imunológico que reage desproporcionalmente à chegada de uma determinada proteína, achando que a mesma é um agente invasor perigoso (leia: O QUE SÃO PROTEÍNAS E AMINOÁCIDOS?). Um paciente com alergia alimentar costuma apresentar outros tipos de alergia, como rinite, asma, alergias de pele, etc. pois o problema é produção de IgEs direcionadas a alvos inapropriados, ou seja, a proteínas não nocivas ao nosso organismo. Mais de 1/3 das crianças com dermatite atópica também apresentam alergia alimentar a alguma comida.

Por exemplo, um paciente alérgico a frutos do mar é, na verdade, alérgico a uma ou mais proteínas presentes nestes alimentos. Por isso, o paciente alérgico ao camarão pode não tolerar outros crustáceos, uma vez que as proteínas são muito semelhantes. Seguindo a mesma lógica, pacientes alérgicos a amendoim podem também apresentar reação ao ingerir soja, ervilha ou feijões.

Angioedema e urticária

Quando uma dessas proteínas chega ao trato digestivo, os anticorpos do tipo IgE pensam equivocadamente que estas são nocivas ao organismo e desencadeiam uma reação inflamatória na tentativa de destruir este agente invasor. Quando os anticorpos IgE se ligam a uma proteína, eles ativam outras células do sistema imune como os mastócitos (presentes em grandes quantidades no pulmão, garganta, pele, nariz e intestinos) e os basófilos circulantes no sangue. Estas células produzem substâncias químicas, como a histamina, responsáveis pela destruição de agente invasores que, no final das contas, acabam causando os sintomas típicos da alergia. O mecanismo da alergia alimentar é semelhante, por exemplo, ao da rinite alérgica (leia: RINITE ALÉRGICA | Sintomas e tratamento).

Quanto maior for a reação do organismo à presença de determinada proteína, maior é a liberação de produtos químicos pelos mastócitos e basófilos, e maior é a reação alérgica. Em alguns casos a reação é tão desproporcional que coloca a vida do paciente em risco, em um quadro chamado de anafilaxia.

Sintomas da alergia alimentar

Os sintomas de uma alergia alimentar aparecem dentro de alguns minutos após a ingestão dos alimentos, porém, podem demorar até 4 a 6 horas. Como há grande quantidade de mastócitos no pulmão, garganta, pele, nariz e intestinos, os sintomas alérgicos costumam estar ligados a estes órgãos.

O sintoma mais comum de uma alergia à comida é a urticária, placas vermelhas e pruriginosas (que coçam) localizadas geralmente no tronco (leia: URTICÁRIA | Sintomas e tratamento). Outro sintoma comum, mas mais perigoso, é o angioedema, um inchaço das mucosas que costuma se manifestar com edema dos lábios. Quando o angioedema é grave pode haver inchaço da língua e das mucosas da garganta, causando obstrução do fluxo de ar para o s pulmões. O paciente pode parar de respirar devido a esta obstrução do ar.

Outros sintomas da alergia alimentar incluem a rinite, conjuntivite (leia: CONJUNTIVITE | Sintomas e Tratamento), asma, diarreia, dor abdominal e vômitos.

Se houver uma ativação maciça dos basófilos e mastócitos a reação pode ser tão forte que causa uma vasodilatação exagerada, levando o paciente ao estado de choque circulatório, conhecido como choque anafilático.

Síndrome de alergia oral

A síndrome da alergia oral, também conhecida como síndrome da alergia pólen-comida, é um tipo de alergia alimentar que acomete até metade dos pacientes com rinite alérgica ao pólen. Esses pacientes apresentam um quadro de alergia a frutas e vegetais crus que se manifesta imediatamente após a ingestão destes. Os alimentos mais comuns são banana, melão, melancia, maça, pêssego, ameixa, cenoura, pepino, abobrinha, avelã, aipo entre outros.

Alergia alimentar após exercício físico

Existe um tipo de alergia alimentar que só se manifesta se o paciente praticar alguma atividade física até 4 horas após a ingestão de determinados alimentos. O paciente com este tipo de alergia pode comer camarão e nada sentir, mas se comê-lo e for praticar algum exercício pode até sofrer uma reação anafilática.

Diagnóstico da alergia alimentar

O diagnóstico envolve a história clínica, onde deve ser dado ênfase aos alimentos ingeridos antes das reações e ao tempo que decorreu para que os sintomas surgissem.

Os testes de pele podem ajudar. Nestes, o médico alergologista inocula vários tipos de proteínas no antebraço do paciente à procura de reações às mesmas. O resultado costuma demorar apenas 15 minutos. O principal valor do teste é quando este é negativo, servindo para descartar a proteína que não causou reação. O teste positivo não dá certeza de que o paciente seja alérgico àquela proteína.

Em alguns casos com alto riso de reação anafilática, o médico pode optar por não fazer este teste pelo risco de reação exagerada.

Atualmente é possível realizar a dosagem de IgE específicas no sangue para se identificar contra quais alimentos o paciente desenvolve alergia.

Tratamento da alergia alimentar

O melhor tratamento da alergia a alimentos é a prevenção. Não há um tratamento que cure a alergia alimentar. O mais importante é identificar os alimentos que causam alergia e evitá-los permanentemente.

Teste cutâneo

Quando o paciente ainda não conhece os alimentos que lhe causam alergia ou quando há ingestão acidental de um alimento proibido, o tratamento visa o controle da reação alérgica. As drogas mais usadas são os antialérgicos (anti-histamínicos) e os corticoides (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | Indicações e efeitos colaterais). Nos casos de choque anafilático o tratamento é feito com injeção de adrenalina.

Pacientes com histórico de reação anafilática a alimentos devem portar cartões ou pulseiras explicando sua alergia para que possam ser rapidamente diagnosticados e tratados, caso necessário. Muitos pacientes andam com seringas automáticas de adrenalina caso seja necessário tratamento imediato.

Aproximadamente 85% das crianças espontaneamente deixam de ser alérgicas à maioria dos alimentos (ovos, leite de vaca, trigo e soja) entre os 3-5 anos de idade. O teste cutâneo permanece positivo apesar de haver tolerância ao alimento. A alergia alimentar ao amendoim, nozes, peixe e camarão raramente desaparece.

ALERGIA À PENICILINA

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A penicilina é o mais antigo dos antibióticos, tendo sido descoberta em 1928 pelo médico Alexander Fleming. Quase 100 anos depois do seu desenvolvimento, a penicilina e seus derivados continuam sendo amplamente utilizados na prática médica como uma das principais armas contra infecções bacterianas.

A alergia às penicilinas é uma situação tão comum que 1 em cada 10 pacientes refere ser alérgico a esta classe de antibióticos.

Neste texto abordaremos os seguintes pontos sobre a alergia à penicilina:

  • O que são as penicilinas.
  • Reações adversas às penicilinas.
  • Sintomas da alergia à penicilina.
  • Tipos de alergia às penicilinas.
  • Diagnóstico da alergia à penicilina.
  • Reação cruzada às penicilinas.
  • Tratamento dos pacientes alérgicos à penicilina.

O que são as penicilinas

A penicilina foi o primeiro antibiótico a ser usado em larga escala no mundo. Hoje em dia, quando falamos em penicilina já não nos referimos mais àquele antibiótico descoberto no iníco do século XX, mas sim ao grande grupo de antibióticos desenvolvidos a partir daquela primeira droga.

Portanto, quando falamos que um paciente é alérgico à penicilina, queremos dizer que o paciente é, na verdade, alérgico a todos os antibióticos da família da penicilina, que são:

Amoxicilina
Ampicilina
Azlocilina
Carbenicilina
Cloxacilina
Dicloxacilina
Mezlocilina
Nafcilina
Oxacilina
Penicilina G
Penicilina V
Penicilina Benzatina (Benzetacil)
Piperacilina
Ticarcilina

Apesar de serem da mesma família, as diferentes penicilinas possuem atividades contra bactérias e infecções distintas. Por exemplo, a amoxicilina é frequentemente usada para infecções respiratórias simples, enquanto a piperacilina costuma ser indicada para diversos tipos de infecção hospitalar.

As penicilinas mais próximas do antibiótico originalmente descoberto por Alexander Fleming são as Penicilina G, Penicilina V e Penicilina Benzatina (Benzetacil). Devido ao grande grau de resistência bacteriana, estes antibióticos são muito pouco usados atualmente, ficando restritos ao tratamento da sífilis (leia: SÍFILIS | Sintomas e tratamento) e de algumas infecções de garganta (leia: DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE).

Reações adversas às penicilinas

Dizemos que o paciente tem alergia à penicilina somente quando o mesmo desenvolve uma reação alérgica, ou seja, uma reação do sistema imunológico, após receber algum antibiótico da família da penicilina.

Este conceito parece óbvio, mas não é. A penicilina, como qualquer outra droga, pode causar efeitos colaterais que nada têm a ver com reações imunológicas, não sendo, portanto, reações alérgicas. Na verdade, as reações não alérgicas, como queimação no estômago, mal estar, náuseas, diarreia, tontura, dor de barriga, etc., são muito mais frequentes que as reações alérgicas propriamente ditas. O problema é que muitos pacientes interpretam estas reações como um sinal de alergia e passam a se rotular como “alérgicos à penicilina”.

Muitas dessas pessoas chegam aos seus médicos e já avisam logo que são alérgicas. Nem sempre o profissional de saúde perde o tempo necessário avaliando se a reação que o paciente teve à penicilina realmente se encaixa em um quadro de alergia. Deste modo, a informação errada, criada por uma pessoa leiga, acaba sendo equivocadamente ratificada pelo médico, tornando-se uma verdade descrita nos prontuários e atestados médicos.

O fato é que estatisticamente 1 em cada 10 pacientes se considera alérgico às penicilinas. Todavia, quando vamos estudar adequadamente seus sistemas imunológicos, descobrimos que até 90% destas pessoas NÃO são realmente alérgicas às penicilinas, não havendo nenhuma contraindicação ao uso desta classe de antibióticos.

Além do diagnóstico equivocado de alergia, há um outro dado importante que contribui para esta falsa estatística: a alergia à penicilina pode desaparecer com o tempo. Cerca de 80% dos pacientes que tiveram um quadro de alergia a um antibiótico da família da penicilina podem deixar de ser alérgicos se ficarem 10 ou mais anos sem ter contato com este antibiótico. Portanto, se você teve um quadro de alergia a uma penicilina na infância e nunca mais foi exposto a essa classe de antibióticos, é bem possível que não seja mais alérgico, podendo voltar a usar a penicilina sem nenhum perigo.

Sintomas da alergia à penicilina

Já sabemos, então, que nem toda reação adversa provocada pelo uso de penicilina pode ser considerada uma reação alérgica.

As alergias, também chamadas de reação de hipersensibilidade, são reações de origem imunológica, que ocorrem por uma resposta inapropriada e exagerada do sistema imune a algumas estruturas presentes nos medicamentos.

Entre os sinais e sintomas típicos da alergia à penicilina podemos citar:

  • Urticária – caracterizada por placas avermelhadas com relevo na pele, que coçam muito (leia: URTICÁRIA | Sintomas e tratamento).
  • Rash cutâneo – caracterizado por manchas vermelhas pelo corpo, sem relevo e sem comichão.
  • Prurido – caracterizado por uma coceira intensa, sem necessariamente haver lesões visíveis na pele.
  • Angioedema – inchaço de mucosas, como lábios, olhos, boca e língua.

Em casos graves é possível haver choque anafilático, caracterizado por queda na pressão arterial, dificuldade de respirar causada por intenso espasmo das vias aéreas (broncoespasmo) e edema da laringe (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas). Esse quadro é uma emergência médica e pode levar o paciente ao óbito se não for tratado rapidamente.

Tipos de alergia às penicilinas

Quando um paciente desenvolve um quadro sugestivo de alergia à penicilina é importante tentar determinar o intervalo de tempo entre o uso da droga e o aparecimento dos sintomas de alergia.

Chamamos de reações de hipersensibilidade imediata aquelas reações alérgicas que surgem na primeira hora após o contato com a penicilina. Já as reações de hipersensibilidade tardia ocorrem várias horas ou até dias depois da exposição à droga. Geralmente, o paciente já fez uso do antibiótico por vários dias antes de ter qualquer reação.

Essa distinção é importante, pois as reações imediatas são causadas por um anticorpo chamado IgE, sendo as mais perigosas devido ao risco de causarem reações anafiláticas. Pacientes com história de reações de hipersensibilidade imediata não devem ser reexpostos a tratamentos com penicilinas. As reações tardias são geralmente benignas e não costumam causar reações alérgicas mais graves.

Diagnóstico da alergia à penicilina

Na maioria dos casos, os médicos aceitam como verdadeira a informação de alergia trazida pelo paciente. Devido ao medo de processos legais, a maioria dos médicos opta por não prescrever antibióticos da família da penicilina se o paciente se rotular como alérgico, mesmo que os sintomas descritos não sejam propriamente de alergia.

Em alguns casos porém, a confirmação da alergia torna-se útil. Exemplos:
– Nos casos de sífilis, a penicilina ainda é o antibiótico mais efetivo e seu uso deve ser indicado sempre que possível.
– Pacientes com infecção de garganta ou sinusite de repetição acabam precisando de antibióticos mais fortes se não puderem tomar penicilinas.
–  Um paciente com história de alergia ocorrida há muitos anos já pode não ser mais alérgicos, não sendo necessário evitar as penicilinas em infecções mais simples.

O teste mais usado para diagnóstico da alergia à penicilina é o teste cutâneo. Este teste consiste na aplicação de uma quantidade mínima de penicilina no tecido subcutâneo. Se o paciente for alérgico, uma pequena reação alérgica irá aparecer no local da aplicação após cerca de 15 a 20 minutos.

Os tetes cutâneos devem ser administrados somente por médicos imunoalergistas, de preferência em ambiente hospitalar. Esse teste é contraindicado em pacientes que já tiveram reação alérgica grave à penicilina, como necrólise epidérmica tóxica ou síndrome de Stevens-Johnson (leia: SÍNDROME DE STEVENS-JOHNSON).

Se o teste for negativo, ou seja, se não houver reação alguma à injeção, o paciente não apresenta alergia à penicilina, podendo voltar a fazer uso deste antibiótico com segurança. Apenas 1% dos pacientes com teste negativo apresentam sinais de alergia grave ao voltarem a tomar penicilina. Em geral, para se ter certeza, pedimos que o paciente tome um comprimido de penicilina e espere no hospital por cerca de 2 horas para descartamos qualquer reação alérgica mais séria.

Reação cruzada às penicilinas

Quando o paciente descobre ser alérgico a uma penicilina, ele deve ser encarado como alérgico a todas as outras também. O paciente não é somente alérgico a amoxacilina ou a benzetacil, ele é alérgico às penicilinas em geral.

As cefalosporinas são uma classe de antibióticos que apresentam algumas semelhanças estruturais com as penicilinas. As penicilinas e as cefalosporinas são didaticamente agrupadas em uma grande grupo de antibióticos chamado de antibióticos betalactâmicos.

Inicialmente, todo paciente alérgico às penicilinas deve também ser encarado como alérgico às cefalosporinas. Na verdade, apenas cerca de 10% apresentam alergia para essas duas classes, mas sem a realização dos testes cutâneos é impossível saber  quem é alérgico somente às penicilinas e quem tem alergia às duas classes de antibióticos.

Para saber mais sobre outros antibióticos, leia: ANTIBIÓTICOS | Tipos, resistência e indicações

Tratamento dos pacientes alérgicos à penicilina

Os pacientes com alergia às penicilinas não devem mais ser tratados com essa classe de antibiótico. Apesar desta restrição significar a impossibilidade de usar antibióticos muito comuns, como amoxicilina, oxacilina e piperacilina, na maioria das infecções é possível arranjar em esquema antibiótico alternativo eficaz.

Porém, se o médico achar que o tratamento com um derivado da penicilina é essencial para a cura de uma determinada infecção, o mesmo pode lançar mão de um procedimento chamado dessensibilização à penicilina.

Esse procedimento consiste na administração, dentro de um ambiente hospitalar, de penicilina em doses crescentes a cada 15 minutos de forma a “acostumar” o organismo à droga, impedindo temporariamente que haja alguma reação alérgica. A primeira administração é feita habitualmente com 0,01% da dose normal. Após sucessivos intervalos de 15 minutos, administra-se o dobro da dose anterior até que se chegue a dose plena desejada para tratar uma infecção.

Por exemplo, se dose normal for de 500 mg em cada comprimido, a dessensibilização é inciada com uma dose de 0,05mg. Após 15 minutos administra-se 0,10mg; após mais 15 minutos, 0,20mg, e assim por diante, até chegar a 500mg. O processo todo demora algo em torno de 4 horas. O paciente, então, pode tomar os comprimidos em dose habitual durante o tempo determinado pelo médico (por exemplo: 500mg a cada 8 horas por 10 dias)

É importante destacar que esse procedimento tem efeito temporário. Se o paciente ficar 24 a 48 horas sem tomar o antibiótico, a dessensibilização perde efeito e o paciente volta a não poder tomar antibióticos à base de penicilina.

SÍNDROME DE STEVENS-JOHNSON

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A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica (também conhecida como síndrome de Lyell) são duas doenças semelhantes, que ocorrem por uma grave reação imunológica, habitualmente após o uso de certos medicamentos. Ambas são uma espécie de reação alérgica grave.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica:

  • O que são a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica.
  • Quais as diferenças entre a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica.
  • Causas da síndrome de Stevens-Johnson.
  • Sintomas da síndrome de Stevens-Johnson.
  • Tratamento da síndrome de Stevens-Johnson.

O que são a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica

A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica são reações idiossincráticas, ou seja, ocorrem raramente, de forma aguda e imprevisível. Elas não são exatamente um efeito colateral do medicamento, pois a reação é imprevisível e ocorre não por um problema específico da droga, mas por uma característica do sistema imunológico do indivíduo. A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica ocorrem em aproximadamente 1 em cada 1 milhão de pessoas.

Tanto a síndrome de Stevens-Johnson como a necrólise epidérmica tóxica são reações que envolvem habitualmente a pele e as mucosas. Essas reações são caracterizadas por febre e erupções cutâneas, que podem levar à necrose e extenso descolamento da camada mais superficial da pele (explicaremos os sintomas com mais detalhes logo abaixo).

A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica são uma emergência médica, que devem ser tratadas em ambiente hospitalar.

Diferenças entre a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica

A síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica se distinguem pela gravidade e pelo percentual da superfície corporal atingida.

A síndrome de Stevens-Johnson é a forma menos grave, com uma descamação da pele limitada a menos de 10% da superfície corporal.

A necrólise epidérmica tóxica, ou síndrome de Lyell, é a forma mais grave da doença, envolvendo mais de 30% da área da superfície corporal. Quanto mais extenso for o envolvimento da pele, maior é o risco de complicações e de morte.

As mucosas são afetadas quase 100% em ambos os casos, normalmente em dois ou mais locais distintos ao mesmo tempo, como mucosa dos olhos, boca, vias aéreas ou órgãos genitais.

A síndrome de Stevens-Johnson tem uma mortalidade de cerca de 3% enquanto que na necrólise epidérmica tóxica a mortalidade chega a 30% dos casos.

Causas da síndrome de Stevens-Johnson e da necrólise epidérmica tóxica

Na imensa maioria dos casos, a síndrome de Stevens-Johnson e a necrólise epidérmica tóxica são desencadeadas por algum medicamento. Nas crianças, medicamentos também são a principal causa, mas não é incomum que o gatilho seja uma infecção.

Raramente ambas as reações podem ser desencadeadas por contato com produtos químicos, vacinação, existência de tumores, consumo de ervas naturais ou alimentos.

Mais de 200 medicamentos já foram descritos como possíveis desencadeadores das duas doenças, mas a maioria dos casos ocorre após o uso de uma das seguintes drogas:

Ácido Valproico
Alopurinol
Amitiozona
Amoxicilina
Ampicilina
Barbitúricos
Carbamazepina
Fenilbutazona
Fenobarbital
Hidantoína
Lamotrigina
Nevirapina
Piroxicam
Sulfadiazina
Sulfadoxina
Sulfassalazina
Trimetoprim-sulfametoxazol (cotrimoxazol)

No caso de infecções, a pneumonia causada pela bactéria Mycoplasma pneumonia parece ser uma das causas mais comuns. Outras infecções possíveis de desencadear um quadro de síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica são:

– HIV (leia: SINTOMAS DO HIV | AIDS).
– Influenza.
– Herpes simples (leia: HERPES LABIAL | Transmissão e tratamento).
– Herpes zoster e catapora (leia: CATAPORA (VARICELA) | Sintomas e tratamento).
– Difteria.
– Hepatite (leia: O QUE É HEPATITE?).

Cabe aqui alertar, mais uma vez, que ambas as reações são muito raras. Apenas 1 em 1 milhão de pessoas irá desenvolver reação do tipo Stevens-Johnson a uma dessas drogas ou infecções.

Sintomas da síndrome de Stevens-Johnson e da necrólise epidérmica tóxica

Nos casos causados por drogas, que são a maioria, os sintomas geralmente iniciam-se entre 1 e 3 semanas após a exposição ao medicamento.

Síndrome de Stevens-Johnson – fase inicial

O quadro inicia-se com uma infecção inespecífica, podendo parecer uma quadro inicial de gripe, com febre, dor de garganta, tosse e ardência ou coceira nos olhos. Cerca de 3 dias depois surgem as primeiras lesões na pele.

As lesões de pele geralmente começam como máculas eritematosas (traduzindo: manchas avermelhadas). No Stevens-Johnson as máculas são mais arredondadas, podendo a região central ser mais arroxeada. Na necrólise epidérmica tóxica as machas são mais difusas, atípicas e com bordas menos demarcadas.

Em ambas as doenças, as máculas podem ser bem dolorosas. As lesões são habitualmente distribuídas de forma simétrica, começando sobre a face e tórax antes de se espalhar para outras áreas. O couro cabeludo é tipicamente poupado.

As máculas evoluem para bolhas. Dentro de poucos dias, a pele começa a sofrer necrose, soltando-se e descamando-se. A descamação progride rapidamente por dois a três dias e, em seguida, se estabiliza. Na necrólise epidérmica tóxica podem haver casos fulminantes, no qual 100% da epiderme se descola em questão de horas.

Clique para ampliar (atenção: a foto acima pode ser considerada ofensiva para algumas pessoas)

As mucosas estão envolvidas em mais de 90% dos casos de síndrome de Stevens-Johnson e necrólise epidérmica tóxica. Tipicamente, pelo menos duas mucosas são afetadas ao mesmo tempo. Crostas e úlceras dolorosas podem ocorrer em qualquer superfície mucosa, como olhos, bocas, laringe, faringe e órgãos genitais.

No casos mais graves, órgãos internos podem ser afetados, como coração, pulmão, rins e fígado. A lesão ocular pode levar à cegueira. Quando não o faz, geralmente deixa algum tipo de sequela na visão.

A doença costuma durar de duas a quatro semanas. A pele demora mais ou menos este mesmo tempo para crescer novamente, porém, cicatrizes, machas e irregularidades podem ser permanentes. Pelos e unhas também podem crescer de forma irregular nas áreas afetadas.

Quanto mais extensas forem as lesões de pele e mucosa, maior é o risco de morte, pois o paciente fica muito susceptível a infecções oportunistas e sepse (leia: O QUE É SEPSE | CHOQUE SÉPTICO?), já que a pele é a nossa principal proteção contra germes do ambiente.

Tratamento da síndrome de Stevens-Johnson e da necrólise epidérmica tóxica

O primeiro passo é retirar o agente causador da doença. Qualquer remédio novo deve ser imediatamente suspenso. Quanto mais cedo a droga for suspensa, melhor é o prognóstico.

O paciente com síndrome de Stevens-Johnson e, principalmente, necrólise epidérmica tóxica deve ser tratado como se fosse alguém que sofreu queimaduras extensas e graves. Alguns hospitais possuem áreas para tratar grandes queimados. É nestes setores que o paciente deve ficar internado.

O tratamento é de suporte, consistindo-se em manter o paciente vivo enquanto a pele não se recupera e a extensa reação inflamatória não desaparece. Deve-se manter o paciente sempre bem hidratado com soros (a ausência de pele provoca grave desidratação) e todas as feridas da pele e das mucosas devem ser tratadas cuidadosamente, se necessário, com retirada cirúrgica das áreas com necrose.

O uso de corticoides ainda é controverso, mas pode ser usado se reação for detectada em fases inciais (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais).

A droga que desencadeou o quadro de síndrome de Stevens-Johnson ou necrólise epidérmica tóxica não pode nunca mais ser usada nestes pacientes.

URTICÁRIA – Sintomas e Tratamento

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A urticária é uma extensa reação da pele, com características de alergia, bastante comum, acometendo cerca de 20% das pessoas em algum momento da vida.

A urticária pode ocorrer em adultos e crianças, sendo habitualmente desencadeada por infecções, medicamentos, alimentos, calor ou outros estímulos.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a urticária:

  • O que é urticária.
  • Causas da urticária.
  • Sintomas da urticária.
  • Tratamento da urticária.

O que é urticária

A urticária não é necessariamente uma reação alérgica, apesar de ter características de alergia da pele. A urticária ocorre por uma ativação de células do sistema imunológico da pele, chamadas basófilos e mastócitos. Estas células são responsáveis pela liberação de inúmeros mediadores químicos, incluindo a histamina, uma substância que provoca vasodilatação, coceira, inchaço da pele e o temido angioedema (edema das mucosas, como boca, olhos e vias aéreas).

Apesar de estar muito relacionada a um processo alérgico, a liberação de histamina pelos mastócitos pode ser provocada diretamente por um agente infeccioso, como uma bactéria ou vírus. A urticária pode ser um sintoma de uma infecção, como são a tosse, o espirro, a dor de garganta, etc. Em alguns casos, a urticária pode ocorrer secundariamente a estímulos físicos, como contato com calor, frio, sol, pressão sobre a pele, contato com água, exercício físico, etc. Este tipo de urticária é chamada urticária física, e também não é uma forma de alergia.

A urticária alérgica, por outro lado, ocorre quando um paciente alérgico a certos tipos de alimentos, medicamentos ou substâncias entra em contato com os mesmos. Nestes casos, a urticária é uma das manifestações da reação alérgica.

A urticária é uma dermatose bem comum, cerca de 20% da população apresenta pelo menos um episódio agudo da doença em sua vida. Cerca de 50% dos pacientes com urticária apresentam apenas lesões de pele, 10% apenas angioedema e 40% apresentam lesões de pele e angioedema juntos.

A urticária é chamada aguda quando dura menos de 6 semanas e crônica quando o processo persiste por mais de 6 semanas.

Causas da urticária

As possíveis causas de urticária são numerosas, mas nem sempre conseguimos identificar o agente desencadeador do processo. Nas urticárias agudas, a causa costuma ser de mais fácil identificação. Já os pacientes com urticária crônica, muitas vezes, não se consegue descobrir por que seus mastócitos da pele agem de forma tão agressiva.

Em crianças, mais de 80% dos casos de urticária não são de origem alérgica e ocorrem devido a uma infecção, seja ela viral, bacteriana ou parasitária. Entre as possíveis causas estão a gripe, resfriados, infecção urinária, faringite, mononucleose, infecção por Coxsackievirus, HIV, infecção por micoplasma ou infestação por parasitas, como estrongiloides ou áscaris. A urticária pode surgir em qualquer momento do curso da infecção.

Já as urticárias alérgicas costumam aparecer logo após o contato com a agente causador. O tempo varia entre poucos minutos até 1 ou 2 horas. As principais causas são:

  • Antibióticos, principalmente os da família da penicilina.
  • Aspirina e anti-inflamatórios (leia: INFORMAÇÕES SOBRE O AAS (ASPIRINA))
  • Picadas de insetos, principalmente abelhas e vespas (leia: PICADA DE ABELHA E VESPA).
  • Contato com látex, como usar luvas descartáveis, soprar balões de festa ou usar camisinha.
  • Alimentos, como ovos, leite, frutos do mar, soja, corantes (mesmo os naturais), nozes e amendoim.
  • Contato com substâncias, incluindo plantas, pólen, saliva de animal, tinta, resinas, perfume, detergente…

Em casos mais raros, a urticária pode ser provocada por outras doenças, como:

Sintomas da urticária

As lesões de pele da urticária coçam muito, são avermelhadas, têm relevo, possuem tamanho e formas variadas, mas tendem a ser circulares. As lesões podem ter forma de anel, com o centro mais claro e as bordas elevadas e avermelhadas. A coceira pode ser tão intensa que impede o paciente de dormir. Em alguns casos, as manchas podem ser extensas e se aglutinarem, formando grandes placas por todo o corpo. Quando se pressiona a lesão com o dedo, ela tende a clarear, mas rapidamente assume a cor avermelhada novamente.

Lesões novas vão surgindo ao longo do dia, enquanto as mais antigas vão desaparecendo, criando um padrão transitório e migratório. Cada lesão individualmente costuma desaparecer em no máximo 24 a 36 horas. Às vezes, uma mesma lesão surge de manhã e já foi embora à noite. O local do corpo mais acometido pode variar ao longo dos dias. Por exemplo, no primeiro dia, o abdômen pode ser o local com mais lesões, no dia seguinte as costas e no terceiro dia os membros. Nos casos mais severos, o paciente pode ter inúmeras lesões por todo o corpo de uma só vez.

A urticária aguda dura poucos dias, em geral de 1 a 5, mas há casos que podem demorar um pouco mais para sumir. Se o quadro persistir por mais de 6 semanas, classificamos a urticária como crônica. Há casos de urticária crônica que duram anos. A urticária aguda pode melhorar, dar a impressão de estar curada e retornar subitamente.

A maioria dos casos de urticária são benignos, mas reações alérgica mais severas podem ocorrer. O grande perigo é o desenvolvimento do angioedema e da anafilaxia (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas). O angioedema é o inchaço das mucosas e de camadas mais profundas da pele, apresentando-se habitualmente como inchaço dos lábios, olhos, língua, mãos, pés ou genitália. O edema nas vias respiratórias provoca rouquidão e pode obstruir a passagem do ar, causando dificuldades para respirar, constituindo-se uma emergência médica. O angioedema pode demorar até 72 horas para desaparecer.

Tratamento da urticária

O principal passo na urticária é evitar a exposição ao agente desencadeador da reação. Todavia, nem sempre isso é possível, como nos casos de urticárias provocadas por infecções virais.

Na grande maioria dos casos, a urticária é benigna e desaparece espontaneamente em horas ou dias. O tratamento, portanto, visa o alívio dos sintomas, nomeadamente, a coceira.

O principal remédio para tratar a urticária são os anti-histamínicos, conhecidos popularmente com antialérgicos. Estas drogas inibem a liberação da histamina, agindo diretamente na causa das lesões de pele. Os anti-histamínicos mais antigos, como hidroxizina e difenidramina provocam sonolência e podem ser úteis quando o paciente tem dificuldade de dormir. Porém, atualmente, os anti-histamínicos de 2ª geração são os mais usados, pois provocam menos efeitos colaterais e tem duração mais longa, podendo ser tomados apenas uma vez por dia. Entre os novos anti-histamínicos podemos destacar: loratadina (Claritin®), desloratadina (Clarinex®), fexofenadina (Allegra®), cetirizina (Zyrtec®) e levocetirizina (Zyxen®).

Em casos severos, a dose necessária dos anti-histamínicos de 2ª geração para controlar os sintomas pode ser duas ou três maior que a recomendada na bula. Não se deve usar doses elevadas de anti-histamínicos de primeira geração, pois os mesmos causam muitos efeitos colaterais indesejados.

Se o caso for grave e o paciente não estiver respondendo a elevadas doses de anti-histamínicos, o uso de corticoides, como a prednisona ou prednisolona, pode ser indicado por alguns dias (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais).

Se o paciente tiver sinais de angioedema, ele deve ser atendido em uma emergência médica e medicações por via venosa ou intramuscular podem ser necessárias. Uma injeção de adrenalina pode ser usada para reverter quadros de anafilaxia e obstrução respiratória.

Este post também está disponível em: Espanhol

PICADA DE ABELHA E VESPA

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Ser picado por uma abelha, vespa ou marimbondo é um evento muito doloroso e assustador, mas na maioria dos casos não provoca complicações mais graves. A picada da abelha é incômoda e dolorosa, mas não evolui além disso. A exceção ocorre nos pacientes que são alérgicos ao veneno das Hymenoptera, ordem que engloba as famílias das abelhas e vespas.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre as picadas de abelha:

  • Biologia das abelhas e vespas.
  • Sintomas da picada de abelha ou vespas.
  • Alergia à picada de abelha.
  • O que fazer quando se é picado por uma abelha.

Biologia das abelhas e vespas

Antes de falarmos das picadas das abelhas, vale a pena uma rápida revisão da biologia das abelhas e vespas. Esta parte está bem resumida e simplificada, não se assuste.

A ordem Hymenoptera é um dos maiores grupos dentre os insetos, englobando as diversas famílias de abelhas, vespas e formigas. Só para se ter uma ideia, existem mais de 10 mil espécies de abelhas e mais de 25 mil espécies de vespas. Por exemplo, a mamangava é uma espécie de abelha grande, que possui corpo escurecido e parecido com um besouro. Já marimbondo é o nome dado às espécies maiores de vespas, geralmente com o corpo de cor mais escurecida.

Obviamente, não vamos perder tempo discutindo as diferenças biológicas e geográficas de cada uma das espécies da ordem Hymenoptera, pois isso é irrelevante para o objetivo deste artigo.

A maioria das espécies de abelhas e vespas são animais dóceis que não costumam ferroar o ser humano, a não ser que se sintam atacadas.  Ter uma abelha ao seu redor não representa perigo, a não ser que você tente acertá-la ou a esmague acidentalmente contra a sua pele. As abelhas não costumam atacar sem motivo. Em geral, abelhas e vespas longes de suas colmeias não apresentam comportamento agressivo e oferecem pouco perigo aos seres humanos. E mesmo próximo a suas colmeias, a maioria das abelhas não é agressiva.

Há, entretanto, exceções. Algumas poucas espécies, como as abelhas africanas,  são muito sensíveis e podem atacar o ser humano, caso elas sintam que a sua presença põe em risco a sua colmeia. Barulhos e movimentos bruscos podem irritá-las e causar ataques de várias abelhas ao mesmo tempo.

Na prática, a maioria das picadas de abelhas ou vespas ocorre de forma isolada por um único inseto, geralmente uma abelha trabalhadora que se encontra afastada de sua colônia. A picada ocorre quando o inseto insere na pele o seu ferrão como forma de defesa ao se sentir atacado.

As vespas e abelhas que picam são sempre as fêmeas, pois os machos não possuem ferrão. Existem dois padrões de utilização do ferrão: algumas espécies, como as abelhas comuns, sofrem auto-amputação, ou seja, quando atacam, perdem o ferrão e parte das estruturas abdominais, o que as leva à morte. Há espécies, porém, que não sofrem auto-amputação e podem ferroar uma mesma vítima mais de uma vez. A quantidade de veneno injetada costuma ser maior nas espécies que perdem o ferrão.

Sintomas da picada de abelha e vespas

Após a ferroada, o paciente sente uma intensa dor e uma pequena inflamação da região afetada. O local ferroado fica avermelhando e inchado. A lesão costuma ter entre 1,0 e 5,0 cm de diâmetro e desaparece após algumas horas. Na maioria dos casos, a dor e o inchaço desaparecem em no máximo um ou dois dias.

Em 10% dos casos o paciente desenvolve uma reação maior às picadas, com intensa dor e inchaços que podem chegar a 10 cm de diâmetro e demoram até 10 dias para desaparecer. Este tipo de reação não significa que o paciente tenha alergia ao veneno das abelhas.

As picadas isoladas não costumam causar maiores problemas na maioria dos casos. Porém, nos casos de múltiplas picadas por várias abelhas ao mesmo tempo, a quantidade de veneno injetada pode ser grande, levando a sintomas como diarreia, vômitos, dor de cabeça, febre, prostração e confusão mental.

Para haver risco de morte, são, habitualmente, necessárias centenas de ferroadas para que haja inoculação de quantidades letais de veneno. Nestes casos, complicações pela ação do veneno podem surgir, como hemólise (destruição das células do sangue), arritmias cardíacas, insuficiência renal e rabdomiólise (destruição das células dos músculos).

Alergia à picada de abelha

O grande perigo das picadas de abelhas e vespas é a reação alérgica, chamada anafilaxia ou choque anafilático (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas). A anafilaxia pode ocorrer após uma única picada de abelha. Cerca de 3% da população é alérgica ao veneno da abelhas e podem desenvolver reações anafiláticas após ferroadas.

Os sinais de reação alérgica grave à picada de abelhas ou vespas surgem rapidamente após a ferroada, geralmente em apenas 5 minutos.  Os sintomas de reação alérgica são: urticárias (leia: URTICÁRIA | Sintomas e tratamento), angioedema (inchaço dos lábios e olhos), hipotensão, vômitos, rouquidão, dificuldade respiratória, desorientação e perda da consciência.

A anafilaxia geralmente surge após uma segunda picada de abelha em pessoas que desenvolveram reações alérgicas quando picados pela primeira vez.  Porém, o choque anafilático pode surgir mesmo em quem nunca havia sido picado por abelhas antes.

Se você foi picado por abelha ou vespa e desenvolveu sintomas que foram além de um simples inchaço local, principalmente se tiver tido urticária angioedema ou crises de asma, procure um médico imunoalergista para investigar a possibilidade de você ser alérgico à picada de abelha. O risco de reação anafilática em uma segunda picada é muito alto.

O que fazer quando se é picado por uma abelha

No casos das abelhas e vespas que sofrem auto-amputação, a primeiro ato do paciente deve ser a retirada imediata do ferrão da pele, pois ele permanece injetando veneno ainda por 1 ou 2 minutos. Alguns autores atestam que deve-se ter cuidado para não espremer a pequena bolsa que vem junto ao ferrão, pois  é ela que contém o veneno.  O ferrão pode ser retirado raspando as unhas na pele ou qualquer objeto rígido, como uma faca ou cartão de crédito.

Há estudos, porém, que dizem que a forma de retirada do ferrão pouco influencia na instilação do veneno, pois a contração da bolsa não aumenta o volume a ser injetado, já que este é feito por mecanismo de válvula. Portanto, se você não conseguir retirá-lo imediatamente raspando-o, o ferrão deve ser removido de qualquer maneira, pois o tempo em que ele fica encravado na pele é muito mais danoso em termos de volume de veneno injetado do que a forma como ele é retirado.

Mesmo que você não consiga remover o ferrão imediatamente, a tempo de impedir a entrada de todo o veneno, o mesmo deve ser retirado assim que possível, pois a sua simples presença pode causar reação inflamatória da pele.

Uma vez removido o ferrão, o tratamento da picada de abelha é simples. Lave a pele com água e sabão e aplique compressas frias ou gelo local.  Se a dor estiver incomodando, um analgésico simples pode ser utilizado. Se houver intensa coceira, um anti-histamínico ajuda a aliviá-la. Não é preciso passar pomadas nem outras substâncias, como pasta de dente, borra de café, manteiga, etc. Nada disso melhora e ainda pode causar infecção da ferida. A dor e o inchaço da picada somem espontaneamente após algumas horas.

Nos casos de reação local mais intensa, pomadas à base de corticoides e/ou corticoides por via oral, como prednisona, podem ser prescritos para aliviar o inchaço (leia: PREDNISONA E CORTICOIDES | efeitos colaterais). Anti-inflamatórios e anti-histamínicos também são úteis. Se a lesão da picada estiver piorando ao longo dos primeiros um ou dois dias, procure ajuda médica.

Nos casos de reação alérgica, caracterizadas principalmente pelo aparecimento de urticária ou angioedema, o paciente deve ser levado o mais rapidamente possível a um serviço de emergência.  Nos caso de anafilaxia, o tratamento é feito com injeção intramuscular de adrenalina.

Este post também está disponível em: Espanhol

ALERGIA NA PELE – Principais Causas

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A pele é um dos órgãos mais frequentemente acometidos por processos alérgicos. Existem diversas causas para alergia na pele, mas todas elas costumam se apresentar com duas características: rash cutâneo (manchas ou placas avermelhadas na pele) e intensa coceira.

As alergias de pele são dermatites não contagiosas, portanto, não há nenhum problema em partilhar objetos ou roupas, conviver ou tocar na pele do paciente.

Neste artigo vamos resumir as principais causas de alergia na pele, incluindo as seguintes condições:

  • Urticária.
  • Angioedema.
  • Dermatite de contato.
  • Dermatite atópica.
  • Picada de mosquito.
  • Dermatite seborreica.

Os casos de manchas vermelhas na pele com febre costumam ter origem infecciosa, geralmente viral, e foram abordados em um artigo à parte, que pode ser acessado pelo seguinte link: 10 Causas de Febre com Manchas Vermelhas na Pele.

Causas de alergia na pela

1. Urticária

A urticária é uma lesão de pele, avermelhada, em placas e com relevo, que provoca intensa coceira. A urticária costuma ser causada por processos alérgicos, podendo ser desencadeada por remédios, alimentos, picada de abelha ou contato com substâncias, tais como tintas, látex, pólen, saliva de animais, etc.

A urticária de origem alérgica costuma surgir minutos depois do contato com o alérgeno (nome dado à substância desencadeadora da alergia). O fato de você já ter tido contatos prévios com uma substância sem nunca ter apresentado sinais anteriores de alergia não significa que você não possa vir a desenvolver urticária após o uso da mesma. Por exemplo, o paciente pode apresentar urticária após o uso de um antibiótico, como a amoxicilina, mesmo este já tendo sido previamente utilizado em situações clínicas anteriores. Muitas vezes, o paciente usa um medicamento ou consome um alimento por anos e, de um dia para o outro, passa a apresentar alergia ao mesmo.

Urticárias – placas avermelhadas e com relevo

A urticária é um manifestação típica de alergia na pele, mas ela pode ter uma origem não alérgica, sendo provocada por infecções, principalmente de origem viral ou bacteriana. Entre as causas mais comuns estão gripe, resfriados, infecção urinária, faringite, mononucleose, infecção por coxsackievirus, HIV, etc. A urticária de origem infecciosa pode surgir em qualquer momento do curso da infecção. Nas crianças, 80% dos casos de urticária são de origem infecciosa, não tendo nada a ver com processos alérgicos.

A urticária não alérgica também pode surgir por estímulos físicos, como calor, frio, exercício físico ou pressão sobre a pele. Existem também casos de urticária crônica, que duram mais de 6 meses e podem não apresentar uma causa clara.

Para saber mais sobre urticária, acesse o seguinte link: URTICÁRIA | Causas e sintomas.

2. Angioedema

O angioedema tem a mesma origem da urticária, mas é uma forma de alergia mais grave, pois acomete as camadas mais profundas da pele e também as mucosas, podendo provocar inchaço dos lábios, língua, olhos e das vias respiratórias.

O angioedema é uma quadro perigoso que pode levar à dificuldade respiratória por edema de glote ou asma grave, podendo ainda evoluir para choque anafilático.

O angioedema apresenta maior risco de surgir em pessoas com história de urticária, que são reexpostas à substância a qual elas são alérgicas.

Qualquer pessoa com quadro de urticária associado à edema dos olhos ou dos lábios deve procurar atendimento médico prontamente, pois o angioedema pode evoluir para anafilaxia rapidamente.

Para saber mais sobre angioedema, acesse o seguinte link: CHOQUE ANAFILÁTICO.

3. Dermatite de contato

A dermatite de contato é uma forma de irritação da pele causada pelo contato direto de uma substância com a mesma. Existem duas formas de dermatite de contato. A mais comum é aquela causada por contato da pele com substâncias naturalmente irritantes. A segunda forma é o contato da pele com substâncias na qual o paciente é alérgico. São, geralmente, substâncias que não provocam reação na pele da maioria das pessoas, como é o caso de luvas de látex ou de detergentes.

Entre as causas mais comuns da dermatite de contato podemos citar:

– Bijuterias (principalmente as que contêm metais como níquel, cromo e cobalto).
– Ouro.
– Timerosal (antiga fórmula do Mertiolate).
– Hera venenosa.
– Antibióticos tópicos, como bacitracina, neomicina ou sulfadiazina de prata.
– Látex.
– Hidrocortisona tópica.
– Perfumes e cosméticos.
– Borracha.
– Couro.
– Esmaltes.
– Sabonetes.
– Álcool.

Os sintomas da dermatite de contato são um rash, que pode tanto coçar (forma alérgica), quanto arder (forma irritativa). Pequenas bolhas e rachaduras da pele também podem surgir. O rash da dermatite de contato tende a ficar restrito às áreas que entraram em contato com a substância nociva.

Na maioria dos casos, a dermatite desaparece após alguns dias, caso o paciente não tenha mais contato com a substância que desencadeou o rash. Loção de calamina pode ser usada, pois ajuda a “acalmar” a pele. Nos casos de reação mais intensa, pomadas com corticoides podem ser necessárias.

Para saber mais sobre dermatite de contato, acesse o seguinte link: DERMATITE DE CONTATO.

4. Dermatite atópica

A dermatite atópica, também chamada de eczema atópico, é uma lesão de pele, tipo rash, muito comum em crianças, que surge habitualmente em áreas de dobras, como a fossa poplítea (parte de trás dos joelhos), pescoço e fossa cubital (parte de trás dos cotovelos). Nos bebês, a face é uma área comumente atingida.

As causas da dermatite atópica são desconhecidas, mas é provável que haja uma combinação entre pele ressecada e irritada com defeitos do sistema imunológico. Estresse psicológico pode agravar as lesões. Apesar de aceito por muitos anos, atualmente, a relação entre dermatite atópica e outros processos alérgicos, como urticária, asma e rinite tem sido questionada.

Em cerca de 85% dos casos, a dermatite atópica surge dentro dos primeiros 5 anos de vida. O rash da dermatite atópica é um eczema pruriginoso, frequentemente, com aspecto de placas escamosas, espessas e escurecidas.

O eczema atópico é uma condição crônica, com períodos de melhora alternados com fases de agravamento do rash. Cerca de 40% das crianças deixam de ter a doença espontaneamente ao chegarem à vida adulta. No restante dos casos, esta dermatite não tem cura, permanecendo pelo resto da vida. A boa notícia é que há tratamento e ele é bastante efetivo no controle do eczema.

Para saber mais sobre a urticária, acesse o seguinte link: DERMATITE ATÓPICA.

5. Picadas de mosquito

Picadas de mosquitos são causas comuns de alergia na pele. Assim que somos picados, logo antes de sugar o nosso sangue, os mosquitos injetam a sua saliva, que tem ação anticoagulante, impedindo que o sangue sugado coagule. É a saliva do mosquito que costuma causar as reações alérgicas nas pessoas. Na maioria dos casos, a reação à picada é pequena e localizada, sendo o sintoma mais habitual uma pequena elevação avermelhada na pele com intensa coceira.

Os sintomas da picada costumam surgir dentro de 20 minutos e podem demorar até 2 dias para desaparecerem. Quanto mais sensível a pessoa é à saliva do mosquito, mais extensa e mais intensa costuma ser a reação à picada.

Algumas pessoas pessoas apresentam uma sensibilidade maior que o normal às picadas de mosquito, desenvolvendo um quadro chamado prurigo estrófulo. São pessoas que, após uma única picada, desenvolvem várias lesões avermelhadas e pruriginosas, como se tivessem sido atacadas por vários mosquitos ao mesmo tempo em diferentes partes do corpo. No prurigo estrófulo, as lesões podem duram até 1 mês.

Para saber mais sobre picada de mosquito, acesse o seguinte link: PICADA DE MOSQUITO.

6. Dermatite seborreica

A dermatite seborreica, também chamada de eczema seborreico, é uma doença da pele bastante comum e que coça muito. Esta forma de dermatite é uma inflamação crônica que surge em áreas da pele que contêm grande número de glândulas sebáceas.

Apesar de parecer muito com outras dermatites de origem alérgica, com rash em placas e muita coceira, a dermatite seborreica não é exatamente uma alergia de pele, apesar de, aparentemente, ser causada por uma reação dos sistema imunológico à presença de um tipo de fungo na pele.

Para saber mais sobre dermatite de contato, acesse o seguinte link: DERMATITE SEBORREICA.

ASMA – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento

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A asma brônquica é uma doença respiratória muito comum provocada por uma inflamação dos pequenos canais de ar dos pulmões, chamados bronquíolos.

O processo inflamatório leva à formação de edemas, aumento da produção de muco e espasmo da árvore respiratória,  dificultado a passagem de ar pelos pulmões. Este processo recebe o nome de broncoespasmo e é caracterizado por dificuldade em respirar, chiado, tosse e sensação de opressão no peito.

Neste artigo vamos explicar a asma, abordando as suas causas, sintomas, diagnóstico e opções de tratamento.

O que é a asma

Para podermos explicar o que é a asma e como ela surge, precisamos primeiro passar por alguns aspectos básicos da anatomia das vias respiratórias.

Quando inspiramos, o ar entra pela narina (ou boca), passa pela laringe e chega à traqueia, um calibroso tubo que dá origem ao trato respiratório inferior. A traqueia bifurca-se, formando os brônquios principais, cada um indo em direção a um dos pulmões. Conforme avançam para o interior dos pulmões, os brônquios vão se ramificando em segmentos cada vez menores, chamados de bronquíolos, que, por sua vez, terminam nos alvéolos, estrutura onde ocorre a oxigenação do sangue. Os bronquíolos terminais são canais de ar tão pequenos, que possuem diâmetro de apenas 0,5 milímetros.

\"Asma\"

Asma brônquica

Por motivos ainda não bem esclarecidos, os pacientes com asma desenvolvem um processo inflamatório crônico nas suas vias respiratórias pequenas. Esta inflamação faz com que o asmático seja uma pessoa com um pulmão extremamente sensível. Estímulos ambientais simples, tais como exposição a pólen, fumaça, poeira, frio, etc., que são facilmente tolerados pelos pulmões de pessoas sadias, costumam provocar uma intensa reação alérgica nos pulmões dos pacientes com asma. Essa reação exacerbada leva à formação de edemas nos bronquíolos, produção excessiva de muco e espasmos na musculatura dos brônquios (broncoespasmo), fatores que provocam uma grande redução no calibre das vias aéreas, dificultando a passagem de ar.

O indivíduo com crise de asma tem dificuldade para inspirar, mas uma dificuldade ainda maior de expirar, fazendo com que parte do ar inalado fique preso dentro dos alvéolos, provocando uma hiperinsuflação dos pulmões.

Felizmente, essa obstrução provocada pela redução do calibre das vias aéreas é um processo reversível, característica essencial que distingue a asma da bronquite crônica e do enfisema pulmonar, doenças conhecidas como DPOC (doença pulmonar obstrutiva crônica).

A asma é uma doença que pode desaparecer ou apresentar grande melhoria na adolescência. Em alguns casos, ela desaparece e retorna anos depois na vida adulta; em outros, ela vai embora e nunca mais volta. Também há os pacientes que irão desenvolver asma pela primeira vez somente na vida adulta, alguns somente na 3ª idade.

Sintomas da asma

A asma é uma doença que pode surgir em qualquer idade, mas é mais comum em crianças. Em 75% dos casos, ela se manifesta antes dos 7 anos de idade. Estima-se que a doença acometa cerca de 10% da população pediátrica e 5% dos adultos.

Os sinais e sintomas mais comuns da asma são a falta de ar, o broncoespasmo (caracterizado por um chiado no peito durante a respiração) e a tosse. Muitos pacientes também queixam-se de sensação de peso ou compressão no peito. Um característica típica da asma é o agravamento dos sintomas à noite.

A asma costuma se manifestar em ataques, que vão e voltam, e são desencadeados por alguns fatores conhecidos, como viroses respiratórias, fumaça, frio, poeira, pelo de animais, etc. Quando fora das crises, o paciente habitualmente não apresenta sintomas, porém, algum grau de broncoespasmo costuma estar presente, principalmente nos pacientes com formas mais graves de asma. Em geral, estes indivíduos adaptam-se a esta leve diminuição do calibre das suas vias respiratórias e não referem queixas durante o seu dia a dia, a não ser que precisem fazer algum esforço.

A asma costuma ser classificada como intermitente, persistente leve, persistente moderada ou persistente grave. Clinicamente, cada classe costuma ter as seguintes características:

1. Asma intermitente

As crises de asma surgem com uma frequência menor que 2 dias por semana, o paciente acorda menos do que 2 noites por mês com crises, a bombinha com broncodilatador só é necessária em menos de 2 dias por semana e a asma não costuma influenciar nas atividades do dia a dia.

2. Asma persistente leve

As crises de asma surgem com uma frequência maior que 2 dias por semana (mas não todos os dias), o paciente acorda pelo menos 3 a 4 noites por mês com crises, a bombinha com broncodilatador  é necessária em mais de 2 dias por semana (mas não todos os dias e não mais do que 1 vez por dia) e a asma pode causar leves limitações nas atividades do dia a dia.

3. Asma persistente moderada

As crises de asma surgem diariamente, o paciente acorda mais de 1 vez por semana com crises, a bombinha com broncodilatador  é necessária todos os dias e a asma pode causar limitações nas atividades do dia a dia.

4. Asma persistente grave

As crises de asma surgem diariamente, mais de uma vez por dia, o paciente acorda todas as noites com crises, a bombinha com broncodilatador  é necessária várias vezes por dia e a asma pode causar grave limitações nas atividades do dia a dia.

Os testes respiratórios, que serão explicados mais à frente, também são usados para ajudar na graduação da gravidade da asma.

Sinais de gravidade de uma crise de asma

Alguns pacientes além de apresentarem  asma persistente moderada a grave, também podem apresentar severos ataques agudo de asma, sendo necessário pronto atendimento médico. Os sinais de gravidade de uma crise asmática incluem:

– Grande esforço para respirar.
– Lábios arroxeados ou azulados.
– Crise de ansiedade.
– Dificuldade para falar.
– Intensa sudorese.
– Nítido uso da musculatura torácica, abdominal ou do pescoço durante a respiração.
– Redução da consciência ou confusão mental.

Causas e fatores desencadeantes da asma

Não sabemos exatamente o que leva um indivíduo a desenvolver asma. Sabemos, contudo, que há um forte fator genético, pois a doença costuma acometer vários membros de uma mesma família. Se um dos pais sofre de asma, o risco do filho ter a doença é de de 25%. Se o pai e a mãe forem asmáticos, o risco sobe para cerca de 50%.

LEIA TAMBÉM:
– ALERGIA NA PELE
– URTICÁRIA
– RINITE ALÉRGICA

A relação com processos alérgico também é bem clara, sendo muito comum a associação da asma com outras alergias, como dermatite atópica, rinite alérgica, urticária, etc.

Pacientes obesos, fumantes, fumantes passivos, pessoas cuja mãe fumou durante a gravidez, bebês com baixo peso ao nascimento, pessoas expostas à fumaça de incêndio, pacientes com refluxo gastroesofágico, trabalhadores expostos a certos produtos químicos ou contato com agrotóxicos também aumentam o risco de um indivíduo desenvolver asma brônquica.

Fatores desencadeantes de crise asmática

Em geral, nos pacientes portadores de asma, as crises asmáticas são desencadeadas por fatores conhecidos, que devem ser evitados sempre que possível. Na ampla maioria dos casos, os fatores predisponentes são substâncias aspiradas pelo ar. Entre os mais comuns gatilhos das crises de asma, podemos citar:

– Fumaça.
– Cigarros.
– Poluição atmosférica.
– Pólen.
– Poeira.
– Pelo de animais domésticos.
– Mofo.
– Infecções virais ou bacterianas das vias respiratórias.
– Cheiro forte de produtos químicos (tinta, perfume, querosene, etc.)
– Ar frio.
– Ácaros.
– Ambientes com baratas.
– Alergia a certos alimentos (ovos, leite, amendoim, soja, frutos do mar, corantes, etc.).
– Medicamentos (aspirina, anti-inflamatórios e beta-bloqueadores).

Para saber mais detalhes sobre os fatores desencadeantes de crise asmática, leia os seguinte artigo: COMO EVITAR AS CRISES DE ASMA

Asma induzida por exercício

Algumas pessoas desenvolvem crises de asma após praticarem atividades físicas. O nome asma induzida por exercício não é o mais adequado, pois pode levar ao falso entendimento de que exercícios possam causar asma. Na verdade, a atividade física pode desencadear uma crise de asma em um paciente já previamente asmático. Portanto, o termo mais correto é broncoespasmo induzido pelo exercício.

Na maioria dos casos, a prática de esforço físico agrava uma asma já existente e sintomática. Porém, há casos em que o paciente só apresenta crises de asma após atividade física. O esforço é o único gatilho desencadeador de broncoespasmo.

As crises de broncoespasmo costumam surgir 10 a 15 minutos após o início de uma atividade moderada a intensa. Em geral, os sintomas desaparecem após 30 minutos de descanso. Atividades físicas praticadas em ambientes frios aumentam o risco de asma induzida por exercícios.

O uso de broncodilatadores 10 minutos antes da atividade física ajuda a prevenir o broncoespasmo e impede que o paciente torne-se sedentário.

Diagnóstico da asma

A investigação de um paciente com suspeita de asma é predominantemente focada na apreciação dos sintomas e em testes que avaliam a função pulmonar. Outros exames complementares, incluindo a radiografia de tórax, exames de sangue e testes de alergia, são úteis em pacientes selecionados, mas não podem por si só estabelecer ou refutar o diagnóstico de asma.

Nas crianças, principalmente nas mais novas, a asma pode ser difícil de diagnosticar, porque muitas outras doenças das vias respiratórias podem causar sintomas semelhantes e os testes que serão descritos a seguir não costumam ser adequados para crianças.

Nos pequenos, portanto, o pediatra pode optar por indicar um prova terapêutica caso haja suspeita de asma. Se os sintomas melhorarem com o tratamento para asma, o mais provável é que a criança tenha realmente asma.

Espirometria

A espirometria é um exame realizado para avaliar o quão bem os seus pulmões trabalham. O teste é bem simples. Para fazê-lo, você precisa encher bem os pulmões de ar e depois soprar o mais rapidamente possível em bucal que fica conectado a um computador. O espirômetro avalia duas medidas:

1- o volume de ar que você consegue expirar no primeiro segundo de exalação, denominado volume expiratório forçado no primeiro segundo ou FEV1;
2- a quantidade total de ar que você consegue expirar, denominada capacidade vital forçada ou CVF.

Para se obter uma leitura mais confiável, o médico pode solicitar que você assopre no espirômetro mais de uma vez. Uma vez que o médico avalie que o exame foi realizado de forma satisfatória, ele irá comparar os resultados com os valores de referência, que são os valores médios obtidos por pessoas da mesma idade, sexo e altura. Desta forma é possível avaliar se há sinais de obstrução das vias respiratórias.

Feito isso, o médico irá repetir o exame após administrar, através de um inalador (a famosa bombinha para asma), uma medicação broncodilatadora, que serve para dilatar as vias aéreas dos pulmões. Os pacientes com asma costumam apresentar uma relevante melhoria dos resultados da espirometria após uso do broncodilatador, um resultado que não é observado, por exemplo, nos paciente com bronquite crônica (DPOC).

Pico de fluxo expiratório

O medidor de pico de fluxo expiratório, também chamado de medidor de peak flow, é uma forma alternativa e mais simples de avaliar a obstrução das vias aéreas. O resultado obtido pelo medidor peak flow é chamado de pico de fluxo expiratório (PFE).

Enquanto na espirometria o paciente precisa assoprar em um bucal que fica ligado a um computador, o medidor de peak flow é um pequeno dispositivo de mão, que você pode ter em casa, e é usado para medir o quão rápido você consegue soprar o ar de seus pulmões em um só fôlego, de forma curta e explosiva. Assim como na espirometria, os resultados devem ser comparados a valores de referência. Uma melhoria de pelo menos 20% no resultado após uso de broncodilatadores fala fortemente a favor de asma.

Este teste, apesar de mais simples, requer um pouco de prática para ser feito de forma correta e não fornece resultados tão confiáveis quanto a espirometria. Por isso, ele acaba sendo mais útil no seguimento dos pacientes que já têm o diagnóstico da asma estabelecida. Como pode ser feito em casa a qualquer momento, ele é útil para avaliar a função pulmonar ao longo do dia. Conhecer o padrão habitual de PFE ajuda o paciente a reconhecer quando a sua asma está piorando.

Se o paciente suspeita que haja um fator desencadeante da asma no seu trabalho, ele pode levar o medidor de peak flow consigo para o trabalho e comparar os resultados antes de depois.

Tratamento da asma

O tratamento da asma é um tema complexo e merece um artigo exclusivo. O que faremos a seguir é apenas um resumo das opções mais utilizadas atualmente.

1- Broncodilatadores beta2-agonistas

Broncodilatadores beta-2 agonistas são drogas que agem relaxando a musculatura dos brônquios, aumentando o seu calibre e facilitando a passagem do ar.  Como o mecanismo de obstrução da asma é o broncoespasmo, os broncodilatadores são ótimas opções para reverter os sintomas da doença. Os beta2-agonistas, apesar de serem efetivos no combate aos sintomas e terem rápido início de ação, não agem diretamente na causa da asma, que é a inflamação das vias aéreas.

Os broncodilatadores são administrados por via inalatória. Existem os broncodilatadores de ação curta (4 a 6 horas), como o salbutamol e o fenoterol, e os broncodilatadores de longa duração (12 a 24 horas), como o salmeterol e o formoterol.

2- Corticoides inalatórios

Os corticoides são drogas derivadas do hormônio cortisol e têm potente efeito anti-inflamatório. Por esse motivo, os corticoides por via inalatória são frequentemente utilizados no tratamento da asma.

Entre as opções de corticoides inalatórios mais utilizados, podemos citar:  fluticasona, budesonida, beclometasona, flunisolida, ciclesonida, triancinolona e mometasona.

Ao contrário de corticosteroides tomados por via oral ou intravenosa, os corticoides por via inalatória têm um risco relativamente baixo de efeitos colaterais e são geralmente seguros para o uso diário e a longo prazo.

Os corticoides inalatórios são frequentemente utilizados em associação com beta-2 agonista de longa duração.

3- Modificadores de leucotrienos

Os modificadores de leucotrieno são drogas utilizadas por via oral, em comprimidos ou xarope, que ajudam a abrir as vias aéreas, diminuem a inflamação e reduzem a produção de muco.  Eles são menos efetivos que os corticoides, por isso, não costumam ser utilizados sozinhos no tratamento da asma, mas sim como droga complementar.

Entre as opções disponíveis no mercado, podem citar:  montelucaste, zafirlucaste e zileutona.

4- Teofilina

Teofilina é uma droga por via oral com efeito broncodilatador. Muito utilizada no passado, ela é atualmente uma opção complementar de tratamento.

5- Omalizumab

O omalizumab é uma droga relativamente nova indicada no tratamento da asma alérgica que não consegue ser controlada com os corticoides. O medicamento costuma ser administrado por via subcutânea a cada 2 ou 4 semanas.

Este post também está disponível em: Espanhol

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