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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

5 DICAS PARA PREVENÇÃO DO CÂNCER

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O câncer é responsável, anualmente, por cerca de 8 milhões de mortes em todo mundo. Este número se torna ainda mais chocante se levarmos em conta que até 50% dos cânceres podem ser prevenidos através de cuidados simples e algumas mudanças de hábitos de vida.

Pelo menos um terço das mortes por câncer são provocados por fatores que podem ser controlados, tais como:

  • Tabagismo.
  • Exposição solar excessiva.
  • Excesso de peso.
  • Sedentarismo.
  • Sexo sem proteção.
  • Poluição do ar urbano.
  • Exposição a combustão de combustíveis sólidos, principalmente madeira e carvão.
  • Consumo excessivo de álcool.
  • Dieta rica em carnes vermelhas e gorduras.

Muitos casos de câncer têm origem genética ou são causados por infecções que não podemos controlar. Há ainda vários tipos de cânceres cuja causa é desconhecida. Todavia, já existe conhecimento científico suficiente para se evitar os milhões de cânceres que são provocados por fatores conhecidos e facilmente evitáveis. Neste texto daremos 5 dicais simples que ajudam na prevenção do câncer.

Neste texto deixaremos de fora a relação entre a alimentação e o câncer, que foi abordada especificamente neste artigo: ALIMENTOS E CÂNCER.

Se você quiser ler sobre a relação entre o consumo de carnes vermelhas e o câncer, acesse o seguinte link: CARNE VERMELHA REALMENTE CAUSA CÂNCER?

COMO SE PREVENIR DO CÂNCER?

1. Evite fumar

O cigarro é a causa mais evitável de câncer, sendo responsável por 20 a 30% das mortes por câncer em todo o mundo. O fumo aumenta o risco de câncer de pulmão em até 30 vezes (leia: CÂNCER DE PULMÃO | Cigarro e outros fatores de risco). Como se isso não bastasse, o cigarro está associado a vários outros tumores malignos, como leucemia, cânceres da cavidade oral, cavidade nasal, seios paranasais, nasofaringe, laringe, esôfago, pâncreas, fígado, estômago, colo do útero, rim, intestino grosso e bexiga.

Um simples cigarro contém mais de 4000 substâncias químicas, pelo menos 400 delas tóxicas e 50 reconhecidamente carcinogênicas (que podem provocar câncer).

O cigarro é uma substância tão maléfica que tornou o câncer de pulmão, que era raro no início do século XX, em uma das principais causas de morte do mundo moderno. Felizmente, as campanhas antitabagistas dos últimos anos têm sido eficazes na redução do número de fumantes, o que, pela primeira vez em décadas, tem causado uma queda nos casos de câncer de pulmão.

Os perigos do fumo são mais comumente associados ao cigarro, mas também podem ocorrer com o charuto, cachimbo, cigarrilha e a maconha (leia: MACONHA | Efeitos no organismo). O fumo passivo também está associado a uma maior incidência de cânceres.

Quando o assunto é risco de câncer, não existe “cigarro light” ou “cigarro menos nocivo”. Todos provocam câncer. Do mesmo modo, não existe uma quantidade segura de fumo. Obviamente, quanto maior o consumo de cigarro maior é a exposição a químicos nocivos e cancerígenos. Porém, mesmo o fumo de 2 ou 3 cigarros apenas nos fins de semana já é suficiente para aumentar o risco do surgimento de cânceres. É ilusão achar que aquele sujeito que só fuma quando sai à noite para beber não correr riscos.

Não fumar é atualmente a principal medida para a prevenção do câncer. Mesmos os indivíduos que fumaram durante muitos anos se beneficiam da interrupção do tabagismo.

Para mais informações sobre os malefícios do cigarro, leia:  DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar.

2. Evite exposição solar em excesso

O câncer de pele é o tumor maligno mais comum na espécie humana. Mais de 1 milhão de novos caso surgem anualmente em todo mundo. No Brasil, o câncer de pele representa cerca de 25% de todos os cânceres.

Existem basicamente três tipos de câncer de pele:

1. Carcinoma Basocelular (CBC)
2. Carcinoma Espinocelular (CEC)
3. Melanoma

A radiação ultravioleta (principalmente os raios UVB) originada do sol é a principal responsável pelo desenvolvimento do câncer de pele. Além dos raios solares, esta radiação também é encontrada nas cabines de bronzeamento artificial.

O risco de câncer de pele é diretamente proporcional à quantidade de radiação solar que o individuo recebeu durante sua vida. O carcinoma basocelular e o carcinoma espinocelular estão associados à exposição solar frequente. O seu aparecimento é resultado do efeito cumulativo dos raios ultravioletas na pele. Eles surgem em pessoas que pegam sol frequentemente, durante anos seguidos. Já o melanoma, que é o câncer de pele mais agressivo, está relacionado a exposições pontuais, porém intensas, ao sol. O melanoma surge naquelas pessoas de pele mais clara que de tempos em tempos se expõem demasiadamente ao sol, ficando com a pele muito ardida e avermelhada (leia: MELANOMA | Câncer de pele).

Todos os indivíduos devem limitar o tempo exposto ao sol, especialmente entre os períodos de  10 horas a 16 horas. Sempre use filtro solar com fator de proteção maior que 30 (FPS 30) se tiver a pele morena ou acima de 50 (FPS 50) se tiver uma pele mais clara (leia: PROTETOR SOLAR | Como se proteger do sol). Mesmo com protetor, não se exponha por muito tempo ao sol e use chapéus, óculos de sol e proteja-se com guarda-sol.

O comportamento de risco para o câncer de pele inicia-se na infância e, como o risco é cumulativo, é importante educar os filhos desde cedo quanto aos risco do excesso de sol.

Evite bronzeamentos artificias, pois eles são tão ou mais perigosos que a exposição solar prolongada.

3. Evite o excesso de peso

O excesso de peso e a obesidade estão associados a um aumento do risco de vários  tipos de câncer, incluindo mama, cólon, útero, rins, esôfago, pâncreas, tireoide, linfoma, leucemia, mieloma e próstata. A obesidade tem sido estimada como a principal causa de 1 a cada 5 novos casos de câncer detectados.

Não só a obesidade, mas o ganho de peso também está associado com o risco de câncer. Homens que ganharam mais de 20 kg após os 20 anos de idade apresentam um risco 60%  maior de câncer colorretal do que os homens que ganharam menos que 5kg no mesmo período.

O período da vida que ocorre o ganho de peso também pode afetar o risco de câncer. Estar acima do peso durante a infância, adolescência e início da vida adulta traz mais riscos do que desenvolver sobrepeso tardiamente.

Pacientes obesos que conseguem emagrecer reduzem o risco de desenvolver vários tipos de câncer, entre eles próstata, ovário, cólon e mama. Pacientes com obesidade mórbida que se submetem a cirurgia de redução do estomago, conseguem reduzir em até 60% o risco de câncer (leia: OBESIDADE | Definições e consequências).

4. Pratique exercícios físicos

O sedentarismo é um dos principiais fatores de risco para o excesso de peso, sendo assim, também um importante fator de risco para o surgimento de cânceres. Porém, há índicos de que o sedentarismo por si só também seja responsável por alguns tipos de cânceres, mesmo em pacientes com peso corporal adequado.

Estima-se que estilo de vida sedentário esteja associado a pelo menos 5% das mortes por câncer. Estudos mostram que a atividade física regular está associada a um risco diminuído para cânceres de fígado, cólon, pâncreas, mama e estômago. A atividade física durante determinados períodos da vida, como adolescência, pode oferecer proteção adicional contra malignidades, principalmente contra o câncer de mama (leia: CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco).

A duração, intensidade e frequência exatas de atividade física que pode proporcionar proteção contra o câncer é desconhecida. As atuais recomendações para os adultos são de pelo menos 150 minutos semanais de exercícios de moderada intensidade (caminhar rapidamente, andar de bicicleta, trabalhos domésticos e jardinagem, subir ladeiras…) ou 75 minutos semanais de intensidade intensa (correr, praticar esportes, nadar, musculação…). Para as crianças, a recomendação é de pelo menos 60 minutos de atividades de intensidade moderada a intensa diariamente.

A atividade física têm efeito duplo na prevenção do câncer, pois combate o sedentarismo e ajuda no controle do peso corporal.

5. Pratique sexo seguro

Quase 20% de todos os cânceres estão relacionados a infecções, incluindo doenças causadas por bactérias e vírus. Nem todas as infecções que aumentam o risco de câncer são fáceis de se evitar. O exemplo mais comum é a infecção pela bactéria H.pylori, que aumenta o risco de câncer do estômago (leia: H.PYLORI (Helicobacter pylori) | Sintomas e tratamento).

Todavia, as infecções sexualmente transmissíveis são evitáveis através de ações, como reduzir o número de parceiros sexuais e usar preservativos (leia:  CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber). Entre as DST que aumentam o risco de câncer estão:

– HPV (leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO) – associado ao câncer de colo do útero
– Hepatite B (leia: HEPATITE B | Sintomas, diagnóstico e vacina) – associado ao câncer de fígado
– Hepatite C (leia: HEPATITE C | Sintomas e tratamento) – associado ao câncer de fígado
– HIV (leia: SINTOMAS DO HIV | AIDS) – associado a vários cânceres.

Já existe vacina contra a hepatite B e contra o HPV, que ajuda a reduzir o risco de câncer do fígado e do colo do útero, respectivamente.

7 SINTOMAS DA LEUCEMIA

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A leucemia é um dos tipos de câncer mais comuns, podendo acometer desde crianças até pessoas idosas. A leucemia geralmente começa nos leucócitos (glóbulos brancos do sangue), que são as células do nosso sistema imunológico responsáveis pelo combate a germes invasores.

Neste texto vamos abordar exclusivamente os sinais e sintomas mais comuns da leucemia. Para saber mais detalhes sobre esta doença, leia: LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento.

Como a leucemia afeta o organismo?

Antes de seguirmos em frente com os sintomas da leucemia, faz-se necessária uma breve explicação sobre o papel dos leucócitos saudáveis e dos leucócitos doentes na leucemia.

A produção de leucócitos é feita na medula óssea. Em indivíduos saudáveis estas células são produzidas de forma ordenada e controlada, de acordo com as necessidades do sistema imunológico. Na leucemia, uma célula sofre mutação, tornando-se diferente dos demais leucócitos, passando a se multiplicar de forma desordenada e incontrolável.

Os leucócitos são as células de defesa responsáveis pelo combate a germes invasores. Sempre que há uma infecção, principalmente de origem bacteriana, a medula óssea aumenta a sua produção para que o corpo tenha maior capacidade de se defender. Nosso sangue possui em média entre 4.000 e 11.000 leucócitos em cada mililitro. Quando há uma infecção, este número pode ultrapassar as 20.000 células por mililitro. Esta elevação dos leucócitos recebe o nome de leucocitose e é uma resposta natural do organismo às infecções (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

A leucemia é um câncer que surge na medula óssea, provocando a produção descontrolada de leucócitos. Ao contrário da leucocitose que surge nas infecções, a leucocitose da leucemia é um evento anormal e danoso. Os leucócitos da leucemia são atípicos, incapazes de combater agentes infecciosos. Se nas infecções é comum os leucócitos ficarem ao redor de 20.000-30.000 células/ml, nas leucemias este número ultrapassa facilmente as 60.000 células/ml, podendo chegar a mais de 100.000 células/ml

O leucócito que sofre a transformação maligna, isto é, vira câncer, passa a se multiplicar de forma descontrolada, ocupando toda a medula óssea, podendo extravasar para o sangue e outros órgãos.

Existem as leucemias agudas, que são as que apresentam multiplicação e agressividade maiores; e as leucemia crônicas, que apresentam uma evolução mais arrastada, podendo demorar anos até que surjam os primeiros sintomas.

Feita esta rápida explicação, podemos passar à parte de sinais e sintomas da leucemia

Sinais e sintomas da leucemia

Os quatro tipos mais comuns de leucemia são:
– Leucemia mieloide aguda (LMA).
– Leucemia mieloide crônica (LMC).
– Leucemia linfocítica aguda (LLA).
– Leucemia linfocítica crônica (LLC).

Vamos falar um pouquinho dos sintomas mais comuns a todas elas.

Sintomas da leucemia #1 – Febre

A febre na leucemia pode ser causada por uma infecção oportunista que se aproveita do fato dos leucócitos estarem doentes e incapazes de defender o organismo. O paciente com leucemia fica mais susceptível a infecções. Todavia, o mais comum é a febre ter origem na própria leucemia.

A febre da leucemia geralmente dura de vários dias e tem origem obscura, ou seja, não se consegue encontrar uma causa para a mesma. Esta febre pode ser alta e vir acompanhada de calafrios.

Sintomas da leucemia #2 –  Sintomas B

Alguns pacientes com doenças malignas do sangue, como linfomas (leia: LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN) e as leucemias, podem apresentar os chamados sintomas B, que é uma tríade composta por febre, suores noturnos e perda de peso não intencional.

Sintomas da leucemia #3 – Aumento dos linfonodos

O aparecimentos de gânglios indolores, principalmente nas regiões do pescoço, axilas, clavícula e na fossa do cotovelo são um sintoma comum da leucemia, principalmente da leucemia linfocítica aguda (LLA) e da leucemia linfocítica crônica (LLC), onde mais de 50% dos pacientes apresentam esta alteração. Na leucemia mieloide aguda (LMA) o aumento dos linfonodos é pouco comum.

Sintomas da leucemia #4 – Aumento do baço

O baço é uma espécie de linfonodo gigante, cuja principal função é destruir as células sanguíneas velhas, defeituosas e mal funcionantes. O aumento do tamanho do baço é muito comum nas formas LMC, LLA e LLC, podendo provocar dor no quadrante superior esquerdo do abdômen (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas).

Sintomas da leucemia #5 – Cansaço e anemia

Como a proliferação de células cancerígenas é gigantesca, as mesmas acabam ocupando toda a medula óssea, atrapalhando a produção de outras células importantes do sangue, como as hemácias (glóbulos vermelhos). A queda na produção das hemácias leva à anemia, que por sua vez provoca sintomas como cansaço, astenia, intolerância aos esforços e palidez cutânea  (leia: ANEMIA | Sintomas e causas).

Sintomas da leucemia #6 – Sangramentos e manchas roxas na pele

Assim como a ocupação da medula pelas células leucêmicas provoca queda na produção as hemácias, o mesmo ocorre com as plaquetas, outro tipo de célula sanguínea produzida na medula óssea. Como as plaquetas são as células responsáveis pelo processo inicial da coagulação do sangue, é comum pacientes com plaquetas baixas apresentarem sangramentos, principalmente na gengiva, e equimoses (manchas roxas na pele). Petéquias, que são múltiplos pequenos pontos vermelhos na pele, também podem ocorrer.

Sintomas da leucemia #7 – Dor nos ossos

Como a medula óssea fica dentro dos ossos, a expansão de clones malignos de leucócitos dentro da mesma pode provocar dores ósseas. Outra causa de dor óssea é metastização do câncer para osso, causando destruição dos mesmos.

A maioria dos sintomas descritos acima ocorrem nas formas agudas da leucemia. Geralmente as leucemias crônicas são identificadas laboratorialmente, através do achado de uma leucocitose desproporcional ao estado clínico. Muitos pacientes descobrem uma leucemia crônica antes de terem manifestações clínicas da doença.

Este post também está disponível em: Espanhol

O QUE É UM CARCINOMA?

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O carcinoma é o tipo de câncer mais comum nos seres humanos, podendo surgir em praticamente todos os tecidos do nosso corpo. Chamamos de carcinoma o câncer que se origina de um tecido epitelial, ou seja, o tecido que recobre nossa pele e a maioria dos nossos órgãos.

Neste texto vamos explicar os seguintes pontos sobre o carcinoma:

  • O que é uma célula epitelial.
  • O que é câncer.
  • O que é o carcinoma.
  • O que é um adenocarcinoma.
  • O que é carcinoma in situ.
  • Prognóstico e tratamento dos carcinomas.

O que é uma célula epitelial?

Como o carcinoma surge de uma célula epitelial, é importante entender um pouco o que são estas células.

O corpo humano é composto por basicamente quatro tipos de tecidos:

– Tecido conjuntivo.
– Tecido nervoso.
– Tecido muscular.
– Tecido epitelial.

O tecido epitelial, formado por células epiteliais, está distribuído difusamente pelo nosso organismo, pois ele é o responsável pelo revestimento da nossa pele é órgãos. O tecido epitelial é como se fosse uma capa que recobre e protege nossos órgãos. A camada mais superficial da pele, chamada de epiderme, é composta apenas por células epiteliais.

Existem vários tipos diferentes de células epiteliais, várias delas com outras funções que não apenas revestir e proteger órgãos. Por exemplo, no tecido epitelial dos intestinos há células epiteliais com capacidade de absorver nutrientes; na boca há células epiteliais com capacidade de reconhecer sabores; o mesmo ocorre no revestimento interno do nariz, onde células neuroepiteliais reconhecem odores.

Há também células epiteliais que possuem glândulas, sendo capazes de secretar substâncias, como saliva na boca (glândulas salivares), gordura e suor na pele (glândulas sebáceas e sudoríparas), leite nas mamas (glândulas mamárias) e ácido no estômago (células parietais).

Portanto, cada órgão, incluindo a pele, tem o seu tecido epitelial próprio, muitas vezes compostos por mais de um tipo de célula epitelial, cada uma com uma função diferente no organismo.

O que é um câncer?

Todas as células do nosso têm um tempo de vida útil, sendo destruídas quando se tornam velhas ou quando sofrem lesões irreparáveis da sua estrutura. Nosso organismo é programado para que apenas células sadias sobrevivam. Se alguma célula sofre alteração do seu DNA, ela automaticamente se destrói, em um processo chamado de apoptose. A apoptose é um mecanismo de defesa que a natureza desenvolveu para evitar que células com DNA comprometido se multipliquem.

Nós temos genes, chamados  proto-oncogenes, cuja função é controlar o processo de apoptose e impedir o aparecimento de células cancerígenas. Você pode não saber, mas o tempo todo surgem no seu corpo células com potencial cancerígeno, que não se transformam em câncer por causa dos mecanismos de defesa que o organismo possui.

O câncer de pele, por exemplo, surge quando uma célula do epitélio da pele, após prolongada exposição solar, sofre uma mutação do seu DNA devido às ações deletérias dos raios ultravioleta. Se o mecanismo de apoptose não funcionar, a célula mutante não será eliminada e passará a agir por conta própria, fazendo coisas que uma célula normal da pele não faz, como formar novos tecidos, invadir outros órgãos, crescer e se multiplicar de forma descontrolada.

Se você quiser saber mais detalhes sobre o câncer, leia também nossos artigos:

– 14 SINTOMAS DE CÂNCER
– O QUE É O CÂNCER?
– PREVENÇÃO DO CÂNCER.
– ALIMENTOS E CÂNCER.

O que é um carcinoma?

O carcinoma é o tipo de câncer que surge quando uma célula epitelial qualquer sofre transformação maligna. Por exemplo, se a célula que sofreu mutação é uma célula epitelial do rim, o câncer que surge dela é o carcinoma de células renais; se a origem do câncer for a célula epitelial do fígado, conhecida como hepatócito, o câncer se chamará hepatocarcinoma.

Nem todo carcinoma tem sua origem facilmente reconhecida. Alguns deles sofrem uma mutação tão grande, que perdem totalmente as características da célula original. O patologista consegue reconhecer que o tumor veio de um epitélio, mas de qual é impossível afirmar. Estes tipo de célula maligna recebe o nome de carcinoma indiferenciado ou carcinoma anaplásico.

Um mesmo órgão pode ter mais de um tipo de carcinoma e mais de um tipo de câncer. Por exemplo, dos três cânceres mais comuns de pele, dois são carcinomas (carcinoma basocelular e carcinoma espinocelular) e uma não é carcinoma (melanoma) (leia: MELANOMA | Câncer de pele e CARCINOMA BASOCELULAR | Câncer de pele). Já no câncer de pulmão, os quatro tipos mais comuns de câncer são todos originados de células epiteliais: carcinoma de pequenas células do pulmão, carcinoma epidermoide do pulmão, adenocarcinoma do pulmão e carcinoma de grandes células do pulmão.

O que é um adenocarcinoma?

Se o câncer surge de um tecido epitelial que contém glândulas, como o estômago, cólon, pâncreas, próstata ou mama, o carcinoma é chamado de adenocarcinoma (adeno = pertence a uma glândula).

Na mama, o adenocarcinoma é o tipo mais comum de câncer, correspondendo a mais de 90% dos casos. O adenocarcinoma da mama é dividido em dois grupos:

– Carcinoma ductal da mama, quando a origem do câncer são os ductos que transportam o leite.
– Carcinoma lobular da mama, quando a origem do câncer são os bulbos, pequenos sacos que armazena o leite.

Sobre o carcinoma da mama, leia:
– CÂNCER DE MAMA | Sintomas e diagnóstico.
– CÂNCER DE MAMA | Fatores de risco.

Os carcinomas e adenocarcinomas mais comuns são os da pele, próstata, pulmão, mama, cólon, útero, fígado, rins e pâncreas.

Carcinoma in situ

O carcinoma in situ é a forma mais precoce de câncer, quando as células tumorais ainda estão restritas ao local de sua origem, não havendo invasão de estruturas próximas, nem disseminação da doença pelo sangue (não há  metástases). Para tratar o carcinoma in situ basta retirar cirurgicamente o tumor, pois todas as células malignas estarão restritas a este pedaço de tecido removido.

Prognóstico e tratamento dos carcinomas

Os vários tipos de carcinomas são cânceres muito diferentes entre si. De comum, apenas a origem em um tecido epitelial. Somente a informação de um câncer ser um carcinoma não é suficiente para determinar a agressividade, o prognóstico e o tipo de tratamento ideal.

Alguns carcinomas são muito agressivos, como o carcinoma do pâncreas ou os carcinomas do pulmão; outros são de evolução mais lenta, como o carcinoma da próstata ou o carcinoma basocelular da pele.

Cada carcinoma tem que ser avaliado individualmente, levando-se em cota sua agressividade e o estágio no qual o tumor se encontra no momento do diagnóstico. Um carcinoma in situ tem excelente prognóstico, enquanto a maioria dos carcinomas diagnosticados após já existirem metástases, apresentam mau prognóstico e sobrevida curta.

CARCINOMA BASOCELULAR – Câncer de Pele

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O carcinoma basocelular (CBC) é o tipo de câncer de pele mais comum no ser humano, sendo também aquele com maior taxa de cura. Apesar de ser o tipo histológico de 3 em cada 4 cânceres de pele diagnosticados, o carcinoma basocelular tem uma taxa de mortalidade abaixo de 2%.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o carcinoma basocelular:

  • O que é o carcinoma basocelular.
  • Fatores de risco para o carcinoma basocelular.
  • Sintomas do carcinoma basocelular.
  • Tratamento do carcinoma basocelular.

Se você está à procura de informações sobre o melanoma, o tipo mais agressivo de câncer de pele, o seu texto é esse: MELANOMA | Câncer de pele.

O que é o carcinoma basocelular

A epiderme é a camada mais superficial da pele (as outras camadas são a derme e a hipoderme, esta última também é chamada de tecido subcutâneo), chegando a ter 1,5cm de espessura em áreas de pele mais grossa, como as solas dos pés e as palmas das mãos. A epiderme é subdividida em 5 camadas, sendo a mais profunda composta pelas células basais. As células basais estão constantemente se multiplicando, gerando células de pele novas, que vão empurrando as antigas para cima, de forma a renovar constantemente a epiderme. Conforme as células velhas se desprendem e descamam, as células mais novas que estão subindo vão ocupando o seu lugar.

O carcinoma basocelular é o câncer que surge das células basais. O seu aparecimento geralmente ocorre após uma lesão do DNA desta célula, fazendo com que as mesma mude suas características, tornando-se um câncer. O principal fator de agressão ao DNA das células da pele é o excesso de exposição solar (explicaremos melhor na próxima parte do texto).

Para entender melhor o processo que leva ao surgimento de um célula cancerígena, leia:
– O QUE É O CÂNCER?
– O QUE É UM CARCINOMA?

O carcinoma basocelular é o tipo de câncer de pele mais comum e, felizmente, o menos mortal. Apesar de localmente ser um tumor agressivo, capaz de destruir camadas da pele e de invadir tecidos ao redor, a sua relativa benignidade está no fato de ser um câncer com baixo potencial de causar metástases. Na verdade, menos de 1% dos casos de carcinoma basocelular metastizam. Os tumores não tratados continuam a crescer, causando significativa destruição das camadas da pele, que podem provocar lesões desfigurantes. Porém, mesmo nestes casos, o tratamento curativo é possível.

Fatores de risco para o carcinoma basocelular

A exposição crônica ao sol é o principal fator de risco para o desenvolvimento do carcinoma basocelular. Ao contrário do melanoma que surge habitualmente após um episódio de exposição excessiva ao sol, o CBC surge em pessoas que se expõem frequentemente ao sol durante anos, em geral, desde os primeiros anos de vida. Em relação à exposição solar, os seguintes fatores aumentam o risco do carcinoma basocelular:

  • Ter pele muito clara.
  • Ter olhos claros.
  • Ser ruivo ou naturalmente loiro.
  • Ter tido muitos episódios de queimadura solar ao longo da vida.
  • Ter mais de 50 anos (o dano ao DNA surge na juventude, mas o câncer só aparece décadas depois).
  • Fazer bronzeamento artificial.
  • Viver em áreas tropicais e com alta exposição solar ao longo de todo o ano.
  • Ter familiares próximos com história de câncer de pele.
  • Já ter tido um carcinoma basocelular anteriormente (o risco de novo tumor é 40% maior que na população em geral).

O excesso de sol ao longo da vida é um fator de risco importante, mas há outros fatores que também podem levar ao aparecimento do carcinoma basocelular, como:

  • Exposição excessiva à radiação, como raio X.
  • Imunossupressão (por doença ou por uso de drogas imunossupressora).
  • Exposição a arsênico.
  • Algumas raras doenças genéticas facilitam o aparecimento do CBC, como a síndrome de Goltz ou xeroderma pigmentoso.

Sintomas do carcinoma basocelular

As lesões do carcinoma basocelular habitualmente se apresentam em locais da pele mais expostos à radiação solar. Na maioria dos casos, a lesão ocorre na face. A seguir, o tronco é o local mais acometido. Eventualmente o CBC pode surgir em áreas não expostas ao sol, como órgãos genitais ou região ao redor do ânus.

Na maioria dos casos, a lesão de pele do carcinoma basocelular apresenta-se como um pequeno nódulo ou uma pápula (uma lesão com relevo, tipo uma bolinha meio achatada), da cor da pele, meio brilhosa ou perolada, frequentemente com um ou mais diminutos vasos sanguíneos visíveis. Estas lesões se ferem com facilidade, podendo formar pequenas úlceras. A forma nodular surge habitualmente na face e é responsável por 60% dos casos.

Em 30% dos casos, a lesão do CBC é superficial, plana e levemente avermelhada. Esta forma ocorre mais comumente em jovens e acomete principalmente o tronco.

Os 10% dos casos restantes podem apresentar uma variedade de formas. Em geral, são variações da forma nodular e superficial. Algumas lesões podem ser pigmentadas (mais escuras) ou com uma leve depressão. Outras parecem cicatrizes arrendondadas, como se o paciente tivesse tido uma ferida anterior no local.

Nem sempre é fácil para a população leiga notar a presença de um carcinoma basocelular em fase inicial. Por isso, alguns sinais de alerta devem ser conhecidos:

– Uma ferida persistente, principalmente na face, que não se cura após várias semanas.
– Uma mancha vermelha nova, que não desaparece após várias semanas.
– Um nódulo novo, brilhante. Pode ser avermelhado, translúcido ou pigmentado. Também pode haver pequenos vasos sanguíneos visíveis.
– Uma área mais branca ou amarelada, com bordas pouco definidas, parecida com uma pequena cicatriz.

O diagnóstico do carcinoma basocelular é habitualmente confirmado com uma biópsia de pele.

Tratamento do carcinoma basocelular

O tratamento do carcinoma basocelular é preferencialmente cirúrgico, com retirada completa da lesão, mas uma série de outros tratamentos estão disponíveis, dependendo do tipo, localização e gravidade do tumor. Algumas opções incluem: laserterapia, curetagem, crioterapia, eletrocoagulação e radioterapia. Lesões muito iniciais podem ser tratadas apenas com cremes à base de 5-Fluorouracil (5-FU) ou Imiquimod.

Independentemente do tratamento escolhido, praticamente todos os casos de CBC conseguem ser curados. Todavia, a taxa de recorrência é alta, cerca de 10% após 5 anos.

CÂNCER DE MAMA – Genes BRCA1 e BRCA2

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BRCA1 e BRCA2 são genes que todos nós temos, cuja função é impedir o surgimento de tumores através da reparação de moléculas de DNA danificadas. O BRCA1 e o BRCA2 são, portanto, genes que nos protegem do aparecimento de cânceres. Quando um desses genes sofre uma mutação, ele perde sua capacidade protetora, tornando-nos mais susceptíveis ao aparecimento de tumores malignos, nomeadamente câncer de mama, câncer de ovário e câncer de próstata.

Neste artigo vamos explicar a relação entre os genes BRCA1 e BRCA2 e o cânceres de mama e ovário, abordando os seguintes pontos:

  • O que são BRCA1 e BRCA2.
  • Relação dos genes BRCA1 e BRCA2 com câncer.
  • Genes BRCA1 e BRCA2 e o câncer de mama.
  • Pesquisa genética dos BRCA1 e BRCA2.
  • Como prevenir o câncer nas pacientes com mutações do BRCA1 ou BRCA2.

Se você está interessado em saber mais informações sobre o câncer de mama, leia:
– CÂNCER DE MAMA | Sintomas e diagnóstico
– FATORES DE RISCO PARA O CÂNCER DE MAMA

O que são os genes BRCA1 e BRCA2

O câncer é uma doença que surge quando uma célula de um órgão ou tecido sofre mutação, perde suas características básicas e passa a se multiplicar de forma descontrolada, espalhando-se pelo corpo. O câncer surge habitualmente quando o DNA da célula sofre uma lesão.

Como agressões ao DNA celular ocorrem a toda hora, como nos casos de exposição à radiação solar, à toxinas no ar ou nos alimentos, contato com vírus, consumo de drogas (lícitas ou ilícitas), etc., se o nosso organismo não tivesse mecanismos de defesa, todos nós teríamos câncer precocemente. Entre os vários mecanismos contra o surgimento de tumores, estão os anti-oncogenes, genes responsáveis por reparar as lesões do DNA. O BRCA1 e BRCA2 são dois exemplos da família dos anti-oncogenes.

Quando os anti-oncogenes BRCA1 ou BRCA2 sofrem mutação – e já foram identificadas mais de 1000 mutações distintas -, eles perdem a capacidade de suprimir o surgimento de tumores, deixando o indivíduo mais exposto ao desenvolvimento de cânceres, principalmente os cânceres de mama e ovário. A razão pela qual as mutações no BRCA1 e BRCA2 predispõem o desenvolvimento preferencialmente de tumores da mama e do ovário ainda não está esclarecida (como veremos à seguir, outros tumores também estão relacionados aos genes BRCA1 e BRCA2, mas em proporções menores).

O gene BRCA1 ou BRCA2 mutante pode ser passado de uma geração para outra, o que explica a existência de famílias com história de câncer de mama ou ovário em vários dos seus membros. Atualmente já existem testes para identificar a presença de mutações nestes dois genes, servindo para identificar precocemente as mulheres mais susceptíveis aos cânceres de mama e ovário.

Cabe aqui salientar que esta mutação não é muito comum, acometendo apenas cerca de 0,1% da população.

Risco de câncer relacionado aos genes BRCA1 e BRCA2

As mulheres com mutações BRCA1 e BRCA2 têm riscos significativamente elevados de câncer de mama e de câncer de ovário. O risco de câncer de mama é de 50 a 85% e o de câncer de ovário entre 15 a 45%. Quanto mais tempo a mulher vive, maior será o seu risco de ter câncer. Por exemplo, praticamente todas as mulheres com mutação destes genes que vivem até 90 anos já terão tido pelo menos um episódio de câncer de mama ao longo da sua vida. Há também um risco aumentado de um segundo diagnóstico do câncer de mama, ou seja, a mulher com mutações do BRCA1 e BRCA2 tem alto risco de ter um novo câncer de mama, mesmo que tenha conseguido se curar de um câncer prévio.

Os homens portadores do genes BRCA1 ou BRCA2 mutantes também têm um risco aumentado de câncer de mama, mas em proporções bem menores que nas mulheres, cerca de 10% apenas. Por outro lado, o risco de câncer de próstata é até 5 vezes maior para portadores de mutações no gene BRCA2, e 2 vezes maior para as mutações do gene BRCA1 (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | Sintomas e tratamento).

Há outros cânceres relacionados aos genes BRCA1 ou BRCA2 mutantes, mas a frequência é bem menor. Exemplos são os cânceres de pâncreas, cólon, colo do útero, trompas, vias biliares e melanoma.

Câncer de mama e o BRCA1 e BRCA2

De todos os cânceres relacionados às mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2, o câncer de mama é claramente aquele com relação mais íntima. Porém, como a mutação do BRCA1 ou BRCA2 está presente em apenas 0,1% da população, a imensa maioria dos casos de câncer de mama ocorre em mulheres sem mutações destes genes. Só conseguimos identificar mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2 em cerca de 5 a 10% de todos os casos de câncer de mama.

Resumindo:
1- a grande maioria das mulheres com câncer de mama não tem mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2.
2- a grande maioria das mulheres com mutação dos genes BRCA1 ou BRCA2 terá câncer de mama em algum momento da vida.

Só como comparação, em média, 12 em cada 100 mulheres na população geral terão câncer de mama ao longo da sua vida, enquanto que nas mulheres com mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2 esta taxa é de 60 para cada 100 mulheres.

Quando pesquisar a mutação nos genes BRCA1 ou BRCA2

Como apenas 0,1% da população possui os genes BRCA1 ou BRCA2 defeituosos não é prático nem economicamente viável sair pesquisando o gene indiscriminadamente em todo mundo.

A existência de dois familiares com câncer de mama não é sinônimo de haver uma mutação genética herdada. A maioria das pessoas ou famílias com câncer de mama não têm mutações nos genes BRCA1 ou BRCA2. Para se pensar na mutação e, consequentemente, na pesquisa dos genes defeituosos, algumas características devem estar presentes:

– Diagnóstico de câncer de mama ou ovário em 3 ou mais membros da família.
– Diagnóstico do câncer de mama antes do 50 anos de idade em pelo menos um membro da família.
– Pessoas com 2 episódios distintos de câncer de mama (não estamos falando em recidiva do primeiro tumor, mas sim em cura e surgimento posterior de um novo câncer).
– Familiares próximos com câncer de mama e câncer de ovário.
– Câncer de mama em homens.
– Câncer de mama nas duas mamas.
– Paciente com câncer de mama e vários familiares com outros tipos de câncer, como pâncreas, próstata ou cólon.

Teste genético para mutações do genes BRCA 1 ou BRCA 2

A interpretação dos resultados dos testes genéticos para BRCA 1 ou BRCA 2 nem sempre é fácil de ser feita. Os resultados podem ser:

1. Positivo para a mutações reconhecidamente perigosas dos genes BRCA1 ou BRCA2 – Significa que foi identificada na paciente uma mutação que é conhecida por estar associada com um aumento do risco para o câncer de mama ou ovário.

2. Provável negativo – Significa que a paciente não tem uma mutação conhecida do BRCA1 ou BRCA2. Este resultado não exclui a possibilidade da paciente ter um risco hereditário de câncer. Nem todas as mutações são detectadas nos testes atuais. Além disso, há muitas mutações genéticas que ainda não foram descobertas.

3. Negativo real – Significa que uma mutação do BRCA1 ou BRCA2 sabidamente existente em um dos seus familiares foi descartada na paciente. Este resultado geralmente significa que os riscos de câncer de mama na paciente são os mesmos que as de outras mulheres na população em geral.

4. Positivo para a mutação genética de significado desconhecido – Significa que a paciente tem uma mutação genética, mas não se sabe ainda se esta mutação específica aumenta o risco de câncer de mama ou câncer de ovário.

Atenção: um resultado negativo não significa que você não possa desenvolver um câncer, assim como um resultado positivo não quer dizer que você obrigatoriamente irá desenvolver câncer. Nos casos de teste positivo, entre 50 e 85% das mulheres irão desenvolver câncer de mama em algum momento da vida. No caso do câncer de ovário, esta taxa é de 15 a 45% (mais alta no BRCA1 que no BRCA2).

O que fazer quando a pesquisa genética para mutações do BRCA1 ou BRCA 2 é positiva

Quando a paciente recebe a notícia de ter uma mutação reconhecidamente perigosa dos genes BRCA1 ou BRCA2, algumas opções para a prevenção do câncer de mama e de ovário devem ser colocadas à mesa.

a) Rastreio frequente

Mulheres devem seguir a seguinte rotina de rastreio de malignidades:

– Auto-exame da mama mensalmente com início aos 18 anos.
– Exame clínico das mamas por médico experiente duas a quatro vezes por ano, começando aos 25 anos.
– Mamografia ou ressonância magnética da mama a cada seis meses, com início aos 25 anos.
– Rastreio do câncer de ovário com ultra-som transvaginal e níveis sanguíneos de CA-125 duas vezes por ano, com início aos 35 anos (ou 10 anos antes do caso mais precoce da família).

Homens devem seguir a seguinte rotina de rastreio de malignidades:

– Auto-exame da mama mensalmente.
– Exame clínico das mamas por médico experiente semestralmente.
– Mamografia anual, principalmente se houver ginecomastia (leia: GINECOMASTIA (mama masculina)).
– Rastreio apropriado para o câncer da próstata.

b) Cirurgia preventiva

A mastectomia (retirada cirúrgica das mamas) bilateral e a remoção das trompas e dos ovários é uma opção radical, mas com resultados muito favoráveis na prevenção do câncer nas pacientes com mutações dos genes BRCA1 ou BRCA2.

A retirada das mamas reduz em mais de 90% o risco de câncer de mama. A cirurgia mais efetiva é a retirada total da mama, mas técnicas mais modernas, que envolvem a preservação dos mamilos e da pele parece ter resultados semelhantes com menos danos estéticos. A maioria das mulheres pode fazer uma cirurgia plástica reconstrutora após a mastectomia.

Nas mulheres entre 35 e 40 anos, com prole já estabelecida, a retirada dos ovários pode ser também indicada. Este procedimento reduz o risco de câncer de ovário em 90% e também colabora com uma redução de 60% no câncer de mama.

Apesar dos resultados favoráveis, ambas as cirurgias acarretam grande impacto emocional nas pacientes. A mastectomia bilateral pode ter efeitos desfavoráveis tanto na auto-estima quanto na libido da paciente. Já a ooforectomia (retirada dos ovários) leva à menopausa precoce (leia: MENOPAUSA PRECOCE).

c) Prevenção com medicamentos

Um medicamento chamado tamoxifeno pode reduzir o risco de câncer de mama nas mulheres que apresentam mutações do BRCA, embora o grau de redução não esteja ainda claro. Anticoncepcionais hormonais (pílula, adesivo de pele, anel vaginal ou implante) podem diminuir o risco de câncer de ovário.

SÍNDROME MIELODISPLÁSICA – Mielodisplasia (SMD)

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A síndrome mielodisplásica, também chamada de mielodisplasia ou SMD, é um grupo de distúrbios do sangue caracterizado pela incapacidade das células tronco da medula óssea de se desenvolverem em células sanguíneas maduras e funcionais. A síndrome mielodisplásica é uma doença predominantemente de indivíduos idosos e se apresenta clinicamente com anemia e queda no número de glóbulos brancos e plaquetas. Uma das principais complicações da mielodisplasia é a sua transformação em leucemia.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a mielodisplasia:

  • O que são as células do sangue.
  • Como funciona a medula óssea.
  • O que é síndrome mielodisplásica.
  • Causas da síndrome mielodisplásica.
  • Sintomas da síndrome mielodisplásica.
  • Diagnóstico da mielodisplasia.
  • Tratamento da mielodisplasia

O que são as células do sangue

Para entender a mielodisplasia é preciso antes saber o que são as células sanguíneas e o que é a medula óssea. Serei sucinto nesta explicação para não cansar o leitor com termos técnicos e funções fisiológicas.

As células do sangue são dividas em três linhagens:

1. Hemácias (também conhecida como glóbulos vermelhos)

As hemácias são as células que transportam oxigênio através do sangue. A queda no número de hemácias se chama anemia. Sua principal consequência é a diminuição na capacidade do organismo de levar oxigênio adequadamente para suas células e tecidos (leia: ANEMIA | Sintomas e causas).

2. Leucócitos (também conhecido como glóbulos brancos)

Os leucócitos são células do sistema imunológico que agem defendendo o nosso organismo contra germes invasores, como bactérias, vírus, parasitas e fungos. A queda no número de leucócitos se chama leucopenia. Sua principal consequência é tornar o organismo mais susceptível a infecções.

3. Plaquetas

As plaquetas fazem parte do sistema de coagulação, sendo as responsáveis pela primeira parte do estacamento de qualquer sangramento. A queda do número de plaquetas chama-se trombocitopenia. Sua principal consequência é a diminuição da capacidade do organismos em conter sangramentos.

Se você quiser saber mais detalhes sobre hemácias, leucócitos e plaquetas, leia o seguinte artigo: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados..

Como funciona a medula óssea

A medula óssea, chamada popularmente de tutano, é uma estrutura que fica localizada no interior dos grandes ossos, sendo a responsável pela produção das células sanguíneas. A medula óssea produz células-tronco, que são células precursoras, capazes de se transformar em células maduras e funcionais.

Processo de maturação das células sanguíneas

A célula tronco, de acordo com o estímulo a que for exposta, pode se diferenciar em qualquer tipo de célula sanguínea, sejam plaquetas, hemácias ou qualquer um dos tipos de leucócitos (linfócitos, neutrófilos, eosinófilos, etc.). Portanto, todas as células circulantes em nosso sangue tiveram origem em um célula-tronco da medula óssea.

A medula óssea funciona continuamente, produzindo células, de forma a manter sempre estável o número de hemácias, leucócitos e plaquetas no sangue. As células sanguíneas velhas são destruídas no baço, órgão localizado no quadrante superior direito do abdômen, e são substituídas pelas células novas recém-produzidas na medula óssea.

Uma hemácia tem uma vida média de 120 dias, os leucócitos vivem cerca de 20 dias e as plaquetas apenas 10 dias. Depois que atingem essas idades, as células são retiradas da circulação pelo baço.

O que é mielodisplasia

“Mielo” é um termo de origem grega que significa medula óssea, e displasia é um termo usado para descrever anomalias estruturais. Portanto, grosso modo, mielodisplasia significa anomalia da medula óssea.

Síndrome mielodisplásica é o nome dado para descrever um grupo de doenças que se caracteriza por uma medula óssea doente, cheia de células-tronco displásicas, incapazes de gerar células maduras e funcionantes. Essas células-tronco doentes se comportam como um câncer, pois são clones que se multiplicam indefinidamente, ocupando espaço na medula onde deveriam haver células sadias.

Em geral, as células-tronco defeituosas costumam ter um dos seguintes destinos:

– Morrem dentro da medula óssea antes de se diferenciarem.
– Conseguem formar células jovens (blastos), mas morrem assim que são lançadas na circulação sanguínea.
– Conseguem formar células jovens (blastos), mas elas não conseguem se maturar, sendo incapazes de exercer as funções das células sanguíneas maduras.
– Conseguem chegar à forma madura, mas são células defeituosas, que não funcionam adequadamente.

Independente do destino da célula-tronco displásica, o resultado final é uma produção insuficiente de células sanguíneas sadias.

A mielodisplasia é uma doença progressiva. Inicialmente apenas uma fração das células-tronco se tornam defeituosas, sendo incapazes de se diferenciar e se tornar células maduras. Com o tempo, esses clones se proliferam, e um número cada vez maior de células displásicas vão surgindo, até o ponto em que a quantidade de células doentes é maior que o de células sadias.

O resultado final desta insuficiente produção de hemácias, leucócitos e plaquetas saudáveis pela medula óssea é a redução progressiva da sua quantidade no sangue, levando à anemia, leucopenia e trombocitopenia.

Causas da síndrome mielodisplásica

A síndrome mielodisplásica surge quando algum fator age provocando mutações nas células-troncos da medula óssea, tornado-as defeituosas e incapazes de gerar células sanguíneas maduras e funcionais. Na maioria dos casos, esse fator desregulador é desconhecido.

Costumamos dividir as síndromes mielodisplásicas em dois grupos de acordo com sua origem: mielodisplasias primárias e mielodisplasias secundárias.

As mielodisplasias primárias são aquelas que não conseguimos identificar um agente causador das alterações medulares. O paciente desenvolve a SMD sem que haja uma causa clara para o fato. Cerca de 70% dos casos de mielodisplasia são primários.

As mielodisplasias secundárias são aquelas que surgem após a exposição a determinadas substâncias tóxicas para a medula óssea, habitualmente radiação e quimioterapia. Pacientes que durante a sua vida foram tratados para cânceres, como leucemias, linfomas, câncer de mama, etc., podem anos depois, desenvolverem síndrome mielodisplásica.

Entre os quimioterápicos relacionados ao aparecimento da síndrome mielodisplásica, podemos citar:

  • Clorambucil.
  • Ciclofosfamida.
  • Doxorrubicina.
  • Etoposídeo.
  • Ifosfamida.
  • Mecloretamina.
  • Melfalano.
  • Procarbazina.
  • Teniposídeo.

Pessoas expostas durante a vida a químicos tóxicos como inseticidas, agrotóxicos, fertilizantes, mercúrio, chumbo e benzeno. Pessoas fumantes também apresentam um maior risco de desenvolverem SMD (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).

As formas secundárias costumam ser as mais resistentes ao tratamento.

Sintomas da síndrome mielodisplásica

A síndrome mielodisplásica é uma doença que acomete, habitualmente, pessoas acima dos 60 anos, sendo rara em indivíduos com menos de 50 anos. Homens são mais acometidos que mulheres.

Nos estágios iniciais da doença, enquanto a queda do número de células for pequena, o paciente não sente sintoma algum. Nestes casos assintomáticos, a mielodisplasia pode ser suspeitada através do exame de sangue hemograma, que já é capaz de detectar pequenas redução de uma ou mais das 3 linhagem de células sanguíneas.

Conforme a doença avança, o paciente passa a apresentar sintomas decorrentes da redução do número de hemácias, leucócitos e plaquetas.

A redução das hemácias é chamada de anemia e provoca sintomas como cansaço, falta de energia, palidez da pele, palpitações e falta de ar (leia: 7 SINTOMAS DE ANEMIA).

A redução no número de leucócitos, chamada leucopenia, diminui a capacidade do organismo de lutar contra germes invasores. Dentro do grupo dos leucócitos, os neutrófilos costumam ser o tipo que mais apresenta queda na sua produção. A neutropenia (baixo número de neutrófilos) predispõe o paciente a infecções bacterianas, principalmente sinusite, pneumonia e infecções urinárias ou da pele.

A queda do número de plaquetas, chamada trombocitopenia, faz com que o paciente tenha maior dificuldade de coagular o sangue. Clinicamente isso se manifesta como uma maior facilidade de surgirem equimoses (manchas roxas na pele), sangramentos nasais e gengivais. Em fases mais avançadas, com níveis de plaquetas muito baixos, o paciente pode apresentar hemorragias espontâneas, principalmente do trato gastrointestinal.

Uma das complicações mais temidas da SMD é a sua transformação em leucemia mieloide aguda (leia: LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento).

Diagnóstico da mielodisplasia

Habitualmente, a hipótese diagnóstica de síndrome mielodisplásica surge após um hemograma que evidencia diminuição do número de uma, duas ou das três linhagens de células sanguíneas. Se a doença ainda estiver em fases iniciais, geralmente, ainda só há redução em um dos três tipos de células.

Além de identificar um número reduzido de células, o hemograma também é capaz de nos informar a morfologia das mesmas, podendo indicar a presença de células displásicas no sangue.

Havendo a suspeita de mielodisplasia, o próximo passo é obter amostras da medula óssea para avaliação. O exame é feito em duas
partes:
– Aspirado de medula óssea: procedimento em que se aspira através de uma agulha uma amostra do líquido existente na medula.
– Biópsia de medula óssea: procedimento em que se coleta um pequeno fragmento de osso, contendo a medula óssea.

Ambos os materiais obtidos são levados a um patologista que consegue identificar a presença de displasia medular e mutações cromossomiais.

Tratamento da síndrome mielodisplásica

A SMD é uma doença de progressão lenta. Como ela acomete preferencialmente idosos, muitas vezes, um tratamento agressivo pode acabar fazendo mais mal do que a própria doença.

Se o grau de anemia, trombocitopenia ou leucopenia for leve, tratamento de suporte visando apenas a correção destes valores pode ser o mais indicado. Drogas como a eritropoietina estimulam a produção de hemácias pela medula e podem ajudar a corrigir anemias. Para aumentar a contagem de leucócitos, drogas como o Granulokine (G-CSF) são úteis.

Em alguns casos mais graves são necessárias transfusões de hemácias ou de plaquetas para repor a falta destas.

A quimioterapia para destruição das células displásicas pode ser utilizada em alguns casos. As drogas mais usadas são a Decitabina, Lenalidomida e a Azacitidina.

Transplante de medula óssea para o tratamento da mielodisplasia

Só existe um tratamento que cura a síndrome mielodisplásica: o transplante de medula óssea. O problema é que o transplante de medula óssea é um procedimento de alto risco, não sendo seguro se o estado geral do paciente não for muito bom. Em geral, o transplante só é indicado em casos graves, sem resposta aos tratamentos convencionais.

Antes do transplante, o paciente é submetido a doses elevadas de quimioterapia, de forma a destruir todas as células da sua medula óssea. A medula e suas células displásicas são totalmente eliminadas do corpo. Nesta fase que precede o transplante, o paciente fica completamente exposto a infecções, pois, sem medula, ele é incapaz de produzir leucócitos para sua defesa.

Uma vez aniquilada toda a medula óssea do organismo, o paciente recebe uma transfusão com sangue rico em células-tronco de um doador compatível, geralmente um familiar. Essas células-troncos sadias preenchem a medula destruída e passam a produzir células sanguíneas saudáveis.

Como a SMD é uma doença que acomete predominantemente pessoas idosas, muitas delas não tem condições clínicas de se submeterem ao transplante de medula óssea.

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VACINA CONTRA HPV – Eficácia, Efeitos e Indicações

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O Papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é um vírus transmitido pela via sexual, capaz de provocar verrugas genitais e os cânceres do colo do útero,  ânus, pênis e orofaringe.

A cada ano, cerca de 270 mil mulheres em todo mundo morrem por conta de tumores no colo útero provocados pelo HPV. No Brasil, estima-se que, anualmente, haja cerca de 15.000 casos novos de câncer do colo uterino.

Neste artigo vamos falar sobre a vacinação contra o HPV, suas indicações, eficácia e efeitos colaterais. Vamos falar também sobre os mitos que cercam a vacina contra o HPV.

Se você está à procura de informações sobre o Papilomavírus humano ou verruga genitais, acesse os links:

Antes de seguirmos em frente, veja esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.

Subtipos de HPV

Existem cerca de 150 subtipos do Papilomavírus humano, nem todos capazes de provocar verrugas ou tumores malignos. Destes 150 tipos, 12 deles provocam verrugas genitais, sendo os subtipos HPV-6 e HPV-11 os mais comuns, respondendo por 90% dos casos. 15 tipos de HPV provocam câncer de colo de útero, pênis, ânus e orofaringe, sendo os subtipos HPV-16 e HPV-18 os mais perigosos.

Em relação ao câncer, mais 70% dos casos são provocados pelo HPV-16 ou pelo HPV-18, motivo pelo qual esses dois subtipos são os alvos preferenciais das vacinas atualmente disponíveis.

Vacinas contra HPV disponíveis no mercado

Existem no mercado 2 vacinas distintas contra o HPV. A vacina quádrupla, chamada Gardasil, atualmente disponível de forma gratuita no sistema público de saúde de vários países, age contra os subtipos 6, 11, 16 e 18. Esta vacina, portanto, protege contra os subtipos de Papilomavírus humano que mais causam câncer e que mais provocam verrugas genitais.

A outra vacina disponível no mercado, mas não no serviço publico, é a Cervarix, uma vacina dupla (bivalente) que protege contra os subtipos 16 e 18. Esta vacina age contra os HPV que provocam câncer, mas não sobre os HPV que causam verrugas genitais.

No Brasil, desde o início de 2014, o Ministério da Saúde tem disponibilizado no SUS a vacina quádrupla para meninas entre 9 e 13 anos de idade.

Quem deve se vacinar contra o HPV

A vacina contra o HPV foi desenvolvida com o objetivo de reduzir os casos de câncer do colo de útero nas mulheres. Porém, por ser uma causa importante de câncer peniano e anal, correspondendo a cerca de 40% dos casos, a vacinação contra o HPV também pode ser feita em homens.

Atualmente, indica-se a administração da vacina quádrupla contra o HPV para homens e mulheres entre 9 e 26 anos. Em casos selecionados, quando o médico entender que a vacinação trará reais benefícios para o paciente, a vacina pode ser indicada também para pessoas acima dos 26 anos.

Do ponto de vista de saúde pública, entretanto, a vacinação em massa da população é feita de forma diferente. Como câncer de pênis ou ânus são tumores muito menos comuns que o câncer de colo uterino, e como a vacina contra o HPV é muito mais eficaz se tomada por pessoas que nunca foram expostas ao HPV, de preferência crianças que ainda não iniciaram a sua vida sexual, em muitos países, incluindo o Brasil, o calendário vacinal só indica a vacinação em meninas entre 9 e 13 anos de idade.

Isso não significa que homens ou mulheres até 26 anos não possam recorrer ao sistema privado de saúde para se vacinarem, caso seus médicos entendam que a vacinação seja importante.

Já ter sido contaminado previamente com um subtipo de HPV não contraindica a realização da vacinação. Se uma mulher está ou esteve contaminada com o HPV-18, por exemplo, a vacinação quádrupla serve para preveni-la contra os outros 3 subtipos de  Papilomavírus humano.

LEIA TAMBÉM:
– VACINAS NA GRAVIDEZ

Atualmente, por falta de estudos que comprovem sua segurança para o feto, a vacinação contra o HPV não está indicada para a gestantes. Por outro lado, durante o aleitamento materno não há contraindicações.

Como a vacina é feita com vírus inativo, ela pode ser administrada em pessoas com HIV ou qualquer outra causa de imunossupressão.

Eficácia da vacinação contra HPV

LEIA TAMBÉM:
– COMO FUNCIONAM AS VACINAS

Quando tomada ainda na infância, antes do início da vida sexual, a vacinação tem uma eficácia de quase 100% na prevenção de tumores malignos do colo do útero provocados pelos subtipos 16 e 18.  Quando administrada em mulheres mais velhas, já com vida sexual ativa e, portanto, com maior risco de já terem sido previamente expostas ao HPV, a eficácia cai para apenas 44%.

Nos homens nunca expostos ao HPV, a eficácia da vacina é um pouco mais baixa que na mulheres, mas, ainda assim, atinge os 90%.

A vacinação quando feita em mulheres que já estejam infectadas com o HPV-16 ou HPV-18 aparentemente não causa danos, mas também não apresenta nenhum efeito benéfico sobre  a atual infecção. É importante salientar que a vacina serve para prevenir o HPV e não para tratá-lo.

Atualmente, ainda não sabemos por quanto tempo a vacina confere imunidade. Como as vacinas são relativamente novas no mercado, a maioria das pessoas sob estudo ainda não tem 8 anos de vacinação. Por isso, para sabermos por quanto tempo mais uma pessoa ficará imune ao HPV após a vacinação serão necessários ainda mais alguns anos de estudos.

Ao contrário do que ocorre em várias doenças infecciosas, ainda não existem sorologias pós-vacinação para o HPV, ou seja,  exames de sangue que sirvam para medir a concentração sanguínea de anticorpos contra o papilomavírus humano após a vacina.

Entre os grandes estudos científicos que comprovam a eficácia da vacina contra o HPV, podemos destacar 3 deles:

– The FUTURE II trial – Estudo publicado na revista New England Journal of Medicine, com 12.000 mulheres de 15 a 26 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente apresentou 98% de eficácia na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494925

– The FUTURE 1 trial – Também publicado na revista New England Journal of Medicine. Estudo com 5.455 mulheres de 16 a 24 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente foi 100% efetiva na prevenção de verrugas anogenitais, neoplasias vulvar e vaginal, NIC1, NIC 2, NIC 3 e adenocarcinoma in situ.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494926

– PATRICIA (Papilloma trial against cancer in young adults) – Publicado na revista Lancet. Estudo com 18.000 mulheres entre 15 e 25 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina bivalente apresentou eficácia de 93% na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19586656

Doses da vacina contra HPV

A vacina quádrupla é administrada habitualmente em 3 doses. O paciente toma a primeira vacina hoje e recebe mais dois reforços após 2 e 6 meses (chamamos de doses nos tempos 0, 2 e 6 meses). No Brasil e em alguns outros países que têm adotado a vacina quádrupla no calendário oficial o esquema tem sido feito de forma um pouco diferente. A segunda dose tem sido recomendada com 6 meses de intervalo e a terceira somente após 5 anos (tempos 0, 6 meses e 5 anos).

A vacina bivalente também costuma ser administrada em 3 doses, nos tempos 0, 1 e 6 meses.

Papanicolau nas mulheres vacinadas

Ter sido vacinada contra o HPV reduz consideravelmente o risco de câncer de colo uterino, mas não o afasta em 100%. Primeiro porque a vacina só cobre os 2 subtipos mais perigosos do HPV; segundo porque algumas mulheres já podem estar infectadas com algum tipo de HPV no momento da vacinação, não havendo efeito da vacina sobre essa infecção já em curso; e terceiro porque há casos, pouco comuns, é verdade, de câncer do colo do útero não provocados pelo HPV.

Portanto, de modo algum a vacinação exime a mulher de fazer o seu exame de Papanicolau rotineiro (leia: EXAME PAPANICOLAU ? ASCUS, LSIL, NIC1, NIC 2 e NIC 3).

A vacina contra o HPV é segura?

Apesar de alguns boatos que volta e meia circulam entre a população, a vacina contra o HPV é bastante segura. Seu perfil de efeitos colaterais graves é semelhante aos de outras vacinas presentes no calendário vacinal.

Infelizmente, toda vez que surge uma nova vacina, espalham-se na Internet e nas redes sociais campanhas de desinformação sobre os riscos de se vacinar, que servem apenas para alarmar a população e boicotar as campanhas de vacinação.

Para quem acredita em teorias da conspiração, apenas um dado mostra como a vacina não faz parte de nenhum plano mirabolante de controle populacional de governos ou da indústria farmacêutica: nos últimos 10 anos, somente nos EUA, mais de 80 milhões de pessoas foram vacinadas contra o HPV. Se 80 milhões de pessoas estivessem realmente sendo envenenadas através da vacina, como alguns boatos de Internet alegam, estaríamos atualmente testemunhando umas das maiores tragédias humanitárias de todos os tempos. Só como comparação, o holocausto dizimou cerca de 10 milhões de indivíduos, número que é 8 vezes menor que o de pessoas que já foram vacinadas contra o HPV, somente nos EUA.

Além das 80 milhões de pessoas que já foram vacinadas, mais de 50 mil pacientes já participaram de estudos científicos nos EUA sobre a eficácia e a segurança da vacina. Em nenhum estudo houve qualquer sinal que pudesse indicar que a vacina contra o HPV seja perigosa para a população.

Efeitos colaterais da vacina contra HPV

É sempre lembrar, que assim como qualquer vacina, a vacina contra o HPV pode causar efeitos colaterais leves, como dor no local na injecção, dores de cabeça, tonturas e náuseas. Como a vacina será administrada em milhões de pessoas, é natural que nos próximos meses e anos sejam reportados vários casos de efeitos colaterais leves. Isso, porém, não significa que a vacina seja perigosa e não deva ser tomada. Várias outras vacinas presentes no calendário vacinal há décadas também apresentam efeitos colaterais leves frequentes.

Só como exemplo, um estudo americano conduzido pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) demonstrou que entre 2006 e 2013 foram administradas mais de 57 milhões de doses da vacina quadrivalente. O número de casos de efeitos colaterais reportados foi de cerca de 21 mil, ou seja, 0,03% das vacinações. Destes 21 mil, 19 mil foram efeitos colaterais leves, como dor no local da injeção. Nos restantes 2000 casos considerados moderados a grave (0,003%), a maioria foi de náuseas, vômitos, mal-estar, dor de cabeça, tonturas, hipotensão, febre, desmaios e fraqueza generalizada.

Até 2011, 34 mortes haviam sido reportadas após a administração da vacina. Porém, em nenhuma delas foi possível estabelecer uma relação direta com o fato do paciente ter sido vacinado recentemente.

Também não há evidências de que a vacina contra o HPV aumente o risco da ocorrência da síndrome de Guillain-Barré. Um estudo também conduzido pelo CDC entre 2006 e 2012 mostrou que após 1.4 milhão de doses da vacina Gardasil contra o HPV, a taxa de novos casos de Guillain-Barré nas mulheres vacinadas era semelhante a taxa de Guillain-Barré na população não vacinada.

Dois efeitos colaterais, porém, parecem ser mais comuns na vacina contra HPV do que em outras vacinas: síncope (desmaios) e trombose venosa. Ainda assim, dos 31 casos reportados de trombose venosa dos membros inferiores, 29 ocorreram em pacientes que apresentavam fatores de risco para trombose, como uso de anticoncepcionais hormonais ou história de doenças da coagulação. Portanto, não há dados para afirmar que a vacina tenha tido alguma relação com os casos de trombose.

Pelo baixo, mas real, risco de desmaios, sugere-se o que o paciente fique 15 minutos em repouso após a vacinação. É importante destacar que desmaio após vacinação é um evento relativamente comum para todos os tipos de vacina, principalmente nos pacientes jovens que têm medo de agulha.

CÂNCER DE RIM | Carcinoma de células claras

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O câncer renal, também chamado por alguns de hipernefroma, é uma forma relativamente comum de câncer, representando cerca de 3% de todos os casos de neoplasias malignas em homens e mulheres. O carcinoma de células claras é o tipo de câncer mais comum dos rins, sendo responsável por mais de 90% dos casos.

O câncer renal costuma ser uma doença assintomática nas fases iniciais, o que faz com que 1 em cada 4 pacientes só descubra o tumor em fases muito avançadas, já sem possibilidade de tratamento com intuito de cura.

Por ser a forma mais comum, neste artigo iremos falar apenas do carcinoma de células claras. Se você tem dúvidas sobre o que é um câncer ou um carcinoma, leia também os seguintes textos:
– O QUE É CÂNCER?
– O QUE É CARCINOMA?

Epidemiologia do câncer renal

Estima-se que, no Brasil, a incidência anual do câncer do rim seja de 1 caso para cada 10.000 habitantes.

O carcinoma de células claras costuma surgir em indivíduos acima dos 50 anos de idade, sendo a média de idade no momento do diagnóstico ao redor dos 64 anos. Este tipo de neoplasia é infrequente em pessoas com menos de 40 anos. Homens possuem 50% mais riscos de desenvolverem esse tipo de tumor.

Atualmente, no momento do diagnóstico, cerca de 55% dos pacientes apresentam o tumor restrito ao rim, 20% já têm sinais de invasão regional, geralmente de linfonodos ao redor do rim, e 25% já estão em estado avançado, apresentando metástases para outros órgãos, como fígado, pulmão ou ossos.

Fatores de risco para o câncer renal

O câncer do rim possui diversos fatores de risco, alguns muito comuns, porém desconhecidos da população. Os principais são:

– Idade acima de 50 anos.
– Tabagismo (leia: DOENÇAS DO CIGARRO).
– Hipertensão arterial (leia: HIPERTENSÃO ARTERIAL).
– Obesidade (leia: OBESIDADE).
– Exposição frequente a substâncias tóxicas, como cádmio, asbesto ou derivados do petróleo.
– Insuficiência renal crônica em hemodiálise (leia: O QUE É HEMODIÁLISE).
– Uso crônico de aspirina (em doses altas), analgésicos ou anti-inflamatórios.
– História familiar de câncer renal.
– Uso de quimioterapia durante a infância.
– Hepatite C crônica (leia: HEPATITE C).
– Anemia falciforme (leia: ANEMIA FALCIFORME).
– Doença de Von Hippel-Lindau.

Quanto maior for o número de fatores de risco que um indivíduo possua, maior será o seu risco ter desenvolver câncer ao longo da vida. Isso não significa, porém, que pessoas com muitos fatores obrigatoriamente irão ter câncer, nem que pessoas sem fatores de risco estejam completamente livres do risco de desenvolverem esse tumor.

Sintomas do câncer de rim

O câncer renal é um tumor que pode permanecer assintomático até fases avançadas da doença. Atualmente, quase metade dos tumores são diagnosticados acidentalmente quando o paciente realiza um exame de imagem do abdômen, como ultrassonografia ou tomografia computadorizada, por um outro motivo qualquer que nada tenha a ver com o câncer.

Quando o paciente apresenta sinais e sintomas do seu câncer renal, os mais comuns são:

  •  Hematúria (sangue na urina) – O sangramento urinário pode ser microscópico ou macroscópico. No segundo caso, a formação de coágulos é comum (leia: HEMATÚRIA | Sangue na urina).
  • Dor lombar.
  • Massa abdominal palpável do lado do rim acometido.
  • Varicocele (varizes no saco escrotal) – Varicoceles que surgem em idosos, principalmente do lado esquerdo, devem sempre ligar o sinal de alerta para a presença de um tumor no rim esquerdo.

A tríade clássica de sintomas do câncer renal descrita em livros mais antigos é composta por dor lombar, hematúria (sangue na urina) e massa abdominal palpável. Todavia, a presença dos 3 sinais e sintomas ao mesmo tempo é pouco comum, sendo encontrada em menos de 10% dos casos.

Síndrome paraneoplásica do câncer renal

Chamamos de síndrome paraneoplásica os sinais e sintomas provocados pela produção de substâncias químicas pelo próprio câncer. A ocorrência de síndrome paraneoplásica ocorre em até 30% dos casos de carcinoma de células claras. Os sinais e sintomas mais comuns são:

  • Anemia – Pode estar presente meses antes do diagnóstico e costuma ser desproporcional ao estágio da doença.
  • Febre sem causa aparente – Costuma ser acompanhada de suores noturnos, cansaço e perda de peso.
  • Hipertensão arterial – Ocorre por produção tumoral de hormônios que aumentam a retenção de sal e líquidos.
  • Disfunção hepática – Chamada de síndrome de Stauffer, ocorre mesmo sem a existência de metástases para o fígado. Os achados mais comuns são elevações da TGO, TGP ou fosfatase alcalina (leia: O QUE SIGNIFICAM TGO, TGP, GAMA GT e BILIRRUBINA?).
  • Hipercalcemia (cálcio sanguíneo elevado) – Pode ser devido a lesões metastáticas para os ossos ou por produção tumoral do hormônio PTH.

Diagnóstico do câncer renal

Em geral, os tumores renais são descobertos por exames radiológicos, como ultra-som ou tomografia computadorizada do abdômen. Com a popularização destes exames nas últimas décadas, tem sido cada vez mais comum a descoberta de tumores renais de forma acidental. O paciente vai fazer um ultra-som do abdômen para avaliar uma dor abdominal inespecífica e acaba descobrindo que existe um pequeno tumor no seu rim.

LEIA TAMBÉM:
– CISTO RENAL SIMPLES

É importante destacar que nem toda massa existente no rim é um tumor maligno. Cistos renais simples, por exemplo, são lesões extremamente comuns, principalmente nas pessoas com mais de 50 anos, que nada têm a ver com câncer.

Porém, alguns cânceres renais podem ter uma aparência parecida com a de um cisto, sendo difícil sua distinção pela ultrassonografia. De modo geral, toda vez que o radiologista se depara com um cisto suspeito, ele o descreve como “cisto complexo” e indica a realização de uma tomografia computadorizada ou ressonância magnética, que são exames com maior capacidade de distinguir cistos de tumores malignos.

A tomografia computadorizada (ou ressonância magnética, caso o paciente tenha contra-indicação ao uso de contrastes iodados) é um exame que atualmente apresenta excelente capacidade de identificar tumores malignos do rim. Na maioria dos casos, a imagem fornecida por estes exames é tão boa que não é necessária a realização de biópsia renal para se estabelecer o diagnóstico. Apenas com o resultado da tomografia, o urologista pode decidir pela nefrectomia (retirada cirúrgica do rim).

A tomografia não só é capaz de identificar o câncer renal, mas também serve para estadiá-lo, definindo se há invasão tumoral local ou à distância.

Estadiamento do câncer renal

Uma vez que o câncer renal é diagnosticado, o próximo passo é determinar em que estágio ele se encontra, um processo chamado de estadiamento tumoral. O estadiamento é um sistema utilizado para descrever o tamanho, a agressividade e o grau propagação de um câncer. Saber o estádio do câncer ajuda a orientar o tratamento e a prever o prognóstico a longo prazo.

No caso do câncer de rim, o estadiamento é definido após avaliação dos seguintes dados:

– Tamanho do tumor.
– Existência de invasão tumoral de vasos sanguíneos ou gânglios linfáticos próximos do rim.
– Existência de metástases para outros órgãos.

De forma simplificada, o câncer renal é dividido em 4 estádios:

  • Estádio I – Tumor menor que 7 cm e restrito ao rim.
  • Estádio II – Tumor maior que 7 cm, porém ainda restrito ao rim.
  • Estádio III – Tumor de qualquer tamanho, mas com acometimento de pelo menos um gânglio próximo ao rim, invasão da veia renal ou da gordura peri-renal.
  • Estádio IV – Tumor que invade a glândula supra renal ou que já apresente metástases para outros órgãos, como osso, fígado ou pulmões.

Quanto maior for o estádio do tumor, mais avançada é a doença e maior é a taxa de mortalidade. Quando o paciente é diagnosticado com um tumor no estádio I, ele tem 95,4% de ainda estar vivo após 1 ano e 80,9% apos 5 anos. Por outro lado, os pacientes com tumor estádio IV apresentam sobrevida de 34,2% no primeiro ano e apenas 8,2% ainda estão vivos após 5 anos.  O percentual de sobrevida nos primeiros 5 anos para cada estádio tumoral pode ser visto na tabela abaixo.

Tratamento do câncer renal

Os tumores com estadiamento I, II e III são considerados tumores localizados e o tratamento tem como objetivo a cura. Obviamente, pacientes com câncer no estádio I têm muito mais chances de ficarem curados do que os pacientes com doença no estádio III.

Os tumores no estádio IV, por sua vez, são tumores avançados, praticamente sem possibilidade de cura. Nestes casos, o tratamento é voltado para aumentar sobrevida e melhorar a qualidade de vida do paciente.

Tratamento para tumores localizados

A nefrectomia (remoção cirúrgica do rim, supra-renal e linfonodos regionais) é o tratamento indicado para os pacientes com câncer renal nos estádios I, II e III.

Nos pacientes com estádio I, com tumor menor que 7 cm, a nefrectomia pode ser apenas parcial, com retirada somente da parte do rim onde se encontra o tumor. Quanto menor for o tumor, mais segura é a nefrectomia parcial.

Se o paciente for idoso e o seu risco cirúrgico for elevado, uma opção não-cirúrgica para os casos de tumores pequenos é a destruição do mesmo através de calor ou congelamento, procedimentos chamados, respectivamente, de ablação térmica por radiofrequência ou crioterapia. Estes procedimentos são feitos através de agulhas especiais, que são inseridas pela pele até o rim.

Nos pacientes muito idosos, com expectativa de vida já muito baixa independentemente do câncer, se o tumor tiver menos de 2 cm de diâmetro, a melhor conduta pode ser não fazer nada, mantendo apenas acompanhamento semestral do tumor com tomografia computadorizada. Como tumores renais pequenos crescem lentamente, é mais provável que o paciente venha a falecer por outro motivo que não o câncer. Deste modo, o paciente não precisa ser submetido ao risco de uma cirurgia.

Tratamento para tumores avançados

Pacientes com câncer renal estádio IV são habitualmente tratados com a combinação de cirurgia + tratamento com drogas. Ao contrário da maioria dos cânceres, não se usa quimioterapia no tratamento do câncer renal.

A cirurgia para remover o rim e suas metástases não costuma curar o câncer, mas pode reduzir os sintomas e retardar a necessidade de tratamento com remédios.

O tratamento medicamentoso dos cânceres renais avançados pode ser feito de 3 formas:

  • Terapia imune – Habitualmente feito com uma droga chamada Interleucina-2.
  • Terapia anti-angiogênica – Feita com medicamentos que reduzem o fornecimento de sangue ao tumor, retardando o seu crescimento. As drogas mais usadas são: Sunitinib, Axitinib, Sorafenib ou Pazopanib.
  • Terapia-alvo molecular – Medicamentos que inibem diretamente o crescimento do câncer. Os mais usados são: Temsirolimus ou Everolimus

Tumores renais com estádio IV são muito difíceis de curar. Quando há apenas uma metástase única à distância, a nefrectomia associada à ressecção desta metástase pode levar à cura em alguns casos.

CARNE VERMELHA REALMENTE CAUSA CÂNCER?

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Em Outubro de 2015, a Organização Mundial de Saúde (OMS) divulgou um relatório da Agência Internacional de Pesquisa em Câncer (IACR, na sigla em inglês) no qual as carnes vermelhas processadas passaram a ser classificadas como carcinógenos do grupo 1 do IARC, o mesmo grupo ao qual o cigarro, o asbesto e a radiação ionizante pertencem. Para quem não está familiarizado com o termo, uma substância carcinógena é aquela que é capaz de estimular o desenvolvimento de um câncer no organismo.

A divulgação do relatório OMS foi feita de forma pouco clara para quem não está acostumado com a linguagem dos estudos científicos, e, rapidamente, a imprensa leiga e as redes sociais trataram de transformar um fato já conhecido há pelos menos alguns anos em uma notícia sensacionalista. E o pior, alguns veículos passaram a tratar as carnes vermelhas como um carcinógeno semelhante ao tabaco.

Não é nenhuma novidade o fato do consumo diário de carnes vermelhas, sejam elas processadas ou não, ser considerado um fator de risco para o câncer de cólon e reto. Aqui mesmo no MD.Saúde nós já havíamos falado sobre isso em 2012, no artigo: DIETA PARA PREVENIR CÂNCER. O que mudou foi que a OMS considerou que o nível de evidências científicas acumulado nos últimos anos tornou-se suficiente para autorizar a emissão de um relatório oficial sobre o assunto. O atual relatório do IARC baseou-se na revisão de 800 estudos científicos sobre a relação entre carne vermelha e câncer e foi preparado por 22 especialistas de 10 países diferentes.

Neste artigo vamos esclarecer o relatório da OMS, explicando quais são os riscos do consumo de carnes vermelhas e quais são as diferenças entre o risco de câncer das carnes vermelhas e do cigarro.

Carnes vermelhas são tão perigosas quanto o cigarro?

Um dos conceitos que mais causam confusão na população é o real significado da expressão “fator de risco”. Quando dizemos que determinado produto ou substância é um fator de risco para o desenvolvimento de câncer, isso significa apenas que, estatisticamente, quem consome o tal produto terá mais chance de desenvolver câncer ao longo da vida. Isso de forma alguma significa que quem consome o produto obrigatoriamente irá ter câncer ou quem não consome o produto está livre do risco de ter câncer.

O fato de ser um fator de risco também não indica obrigatoriamente que o risco é elevado. Se uma substância aumenta o risco de câncer em apenas 5%, ela não deixa de ser um fator de risco por causa disso.

A grande confusão que o relatório da OMS provocou foi o fato das carnes vermelhas processadas terem sido alocadas no mesmo grupo de risco de substâncias muito mais perigosas para a saúde, tais como o cigarro, a radiação ionizante e o asbesto (amianto). A divisão de grupos do IARC é feita pelo grau de evidências científicas acumuladas e não pelo tamanho do risco. Ou seja, o que o novo relatório da OMS quis dizer é que atualmente já há evidências científicas suficientes para afirmar que a carne vermelha é um carcinógeno com tanta segurança quanto é possível afirmar que o cigarro é um carcinógeno.

É importante destacar que apenas as carnes vermelhas processadas (explico mais à frente quais são elas) foram classificadas como carcinogênicas do grupo I do IACR. As carnes vermelhas não processadas foram classificadas no grupo 2A, que significa dizer que os estudos científicos sugerem fortemente que essas carnes sejam um fator de risco para o câncer de intestino, mas ainda são necessários mais estudos de qualidade para podermos afirmar isso com 100% de certeza.

O relatório em momento algum diz que as carnes vermelhas processadas são tão danosas à saúde quanto o tabaco. Só para se ter uma ideia da diferença de risco, estima-se que, anualmente, em todo o mundo, cerca de 34.000 mortes por câncer podem estar associadas ao consumo frequente de carne vermelha processada. Já o cigarro é responsável por mais de 1 milhão de mortes anuais por câncer e o consumo de bebidas alcoólicas por mais de 600.000.

Para reforçar ainda mais a comparação, a Cancer Research UK, uma organização não-governamental voltada para o estudo do câncer no Reino Unido, publicou um relatório no qual afirma que se toda a população do Reino Unido parasse de comer carne vermelha, o número de novos casos de câncer iria cair em cerca de 8800 por ano. Por outra lado, se a população toda parasse de fumar, eles teriam menos 64.500 casos de câncer todos os anos. Ou seja, o cigarro provoca 7 vezes mais casos de câncer no Reino Unido que o consumo de carne vermelhas. Além disso, cerca de 9 em cada 10 casos de câncer de pulmão são provocados pelo cigarro, enquanto que apenas 2 em cada 10 casos de câncer de cólon podem ser atribuídos às carnes vermelhas.

Portanto, apesar do cigarro e da carne vermelha terem graus de evidências científicas semelhantes para serem considerados carcinógenos, de forma algum o perigo que eles oferecem à saúde pode ser equiparado. O cigarro é muito mais danoso à saúde que as carnes vermelhas.

Qual é o risco de consumir carnes vermelhas em grande quantidade?

O relatório do IACR apontou que para cada 50 gramas de carne vermelha processada que um indivíduo consome por dia, ele aumenta o risco de desenvolver câncer de cólon ou reto em até 18%. Já para carnes vermelhas não processadas, o risco aumenta 17% para cada 100 gramas consumidas diariamente. Esse número pode parecer grande, mas trata-se de risco relativo e não risco absoluto. Vamos pôr em números para facilitar a compreensão. Nos países ocidentais, a média de casos novos de câncer entre os indivíduos que consomem baixa quantidade de carne vermelha é de 56 casos para cada 1000 pessoas. Já entre aqueles que consomem grandes quantidades de carne vermelha, a incidência é de 66 casos para cada 1000 pessoas. Ou seja, para cada 1000 pessoas que deixam de comer carne vermelha, teremos 10 casos a menos de câncer colorretal.

O relatório mostra que o aumento do risco de câncer colorretal é pequeno, mas eleva-se progressivamente conforme a quantidade de carne vermelha consumida diariamente aumenta. O relatório, porém, não encontrou evidências suficientes que permitam a estipulação de uma quantidade segura de carne vermelha que possa ser consumida por dia. Atualmente, o recomendado é um consumo diário de no máximo 70 gramas de de carne vermelha (500 gramas por semana no total). Sendo assim, se você hoje comeu aquele bifão de 200 gramas, o ideal é que nos próximos 3 dias, a sua fonte de proteínas animal seja ovos, aves ou peixes. Alguns nutricionistas são mais radicais e sugerem o consumo de apenas 300 mg de carne vermelha por semana. Infelizmente, como já foi referido, as evidências científicas nos mostram claramente que a redução do consumo de carnes vermelhas pode evitar novos casos de câncer, mas os estudos ainda não conseguiram demonstrar a quantidade exata de carne que pode ser consumida diariamente ou semanalmente com segurança.

Dúvidas comuns sobre a relação entre carnes vermelhas e câncer

Quais são as carnes que são consideradas carnes vermelhas?

São consideradas carnes vermelhas as carnes de vaca, porco, carneiro, cavalo e cabra.

Quais são as carnes que são consideradas carnes vermelhas processadas?

Carne processada é qualquer carne que tenha sido salgada, curada, defumada ou fermentada com intuito de melhorar o sabor ou otimizar a sua conservação. Neste processo estão incluídos alimentos como: salsichas, linguiças, salame, presuntos, carne enlatada, bacon e molhos à base de carne.

Carnes processadas de outros animais, como o peru, também são perigosas?

O relatório da OMS só diz respeito às carnes vermelhas. Não há evidências de que as carnes não processadas de peixe, frango e peru provoquem câncer. Entretanto, quando falamos de carnes brancas processadas (salgada, curada ou defumada), existem sim algumas evidências de que há um maior risco de câncer. Estas evidências, porém, não tão fortes como as da carne vermelha, a ponto de classificá-las no grupo 1.

É indicado parar de comer carne vermelha?

Não, os estudos não apontam para uma necessidade de interromper completamente o consumo de carne vermelha. O que os estudos mostram é que a carne vermelha não é a melhor opção de proteína animal, e que o seu consumo excessivo está claramente ligado a um maior risco de câncer do intestino. A carne vermelha pode continuar sendo consumida, mas ela não deve ser a principal fonte de proteína animal da sua dieta ao longo da semana.

Se eu parar de comer carne vermelha não posso ter algum carência de vitamina ou nutrientes?

Não, contanto que a sua dieta seja balanceada, não há nenhuma substância essencial à nossa saúde que seja exclusiva das carnes vermelhas.

Os cientistas vivem mudando de ideia sobre as orientações dietéticas, quem garante que daqui a alguns anos a carne vermelha não deixará de considerada danosa?

Essa ideia de que a ciência vive mudando de ideia é, na verdade, consequência da falta de entendimento de uma parcela relevante da população sobre como a ciência funciona. Existe uma diferença grande entre consenso científico e aquilo que a imprensa leiga vive divulgado para a sociedade. Toda e qualquer recomendação científica deve ser graduada de acordo com o seu grau de evidência. Quando dizemos que a associação da carne vermelha processada com o câncer tem nível 1 de evidência, isso significa que a recomendação é baseada em evidências muito convincentes, o que significa que é muito pouco provável que no futuro essa orientação possa mudar.

Muitas vezes vemos estudos de pouca qualidade ganharam destaque na imprensa leiga simplesmente porque os seus resultados são curiosos ou inesperados. A ciência não é feita apenas com um ou dois estudos. Um exemplo simples é o risco de câncer associado ao uso de telefone celular. Todo mundo já ouviu falar de estudos que apontam para um risco maior de câncer de cérebro associado ao uso de telefones celulares. Porém, o que ninguém diz é que nenhum dos estudos foi considerado de grande qualidade, motivo pelo qual as ondas de radiofrequência dos celulares são classificadas pelo IACR apenas com grupo 2B, que é o grupo mais baixo em termos de evidências científicas desta classificação. Portanto, apesar de existirem alguns estudos sugerindo uma associação entre câncer e telefones celulares, do ponto de vista científico ninguém pode afirmar que essa relação esteja comprovada.

Que tipos de cânceres estão associados ao consumo de carne vermelha processada?

O Grupo de Trabalho da IACR concluiu que a ingestão de carne processada provoca câncer colorretal. Uma associação com o câncer de estômago também foi observada, mas, neste caso, as evidências não são conclusivas até o presente momento. São necessários mais estudos para que possamos confirmar ou descartar essa associação.

Que tipos de cânceres estão associados ao consumo de carne vermelha não processada?

As evidências, ainda que não tão fortes quanto as das carnes processadas, apontam para uma associação da ingestão de carne vermelha não processada com maior um risco para o câncer colorretal. Há também evidências, bem mais fracas porém, de que as carnes vermelhas possam também aumentar o risco de câncer de pâncreas e câncer de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA – Sintomas, Diagnóstico e Tratamento).

Este post também está disponível em: Espanhol

VOCÊ SABIA QUE CIGARROS SÃO RADIOATIVOS?

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O cigarro comum é um produto composto inicialmente por cerca de 600 substâncias diferentes. Digo inicialmente, porque, ao ser aceso, o processo de combustão gera uma quantidade imensa de novas substâncias, fazendo com que um simples cigarro e sua fumaça contenham mais de 7000 substâncias químicas diferentes. Destas, 400 são sabidamente tóxicas e, pelo menos, 70 são reconhecidamente carcinogênicas, isto é, capazes de provocar câncer.

Dentre as centenas de substâncias nocivas do cigarro, podemos citar a acetona (usada como solvente de esmaltes, tintas e vernizes), amoníaco (utilizado em produtos de limpeza e fertilizantes), arsênio (presente em venenos de rato, inseticidas e herbicidas) e o monóxido de carbono (gás tóxico que sai dos escapamentos dos carros).

Apesar das informações acima já serem suficientes para afirmar que o cigarro é um produto extremamente tóxico e perigoso, por incrível que pareça, a realidade é ainda pior. Além de todas essas substâncias químicas tóxicas, o cigarro também contém substâncias altamente radioativas, como o polônio-210 e o chumbo-210.

Mas se você está surpreso por nunca ter ouvido falar que cigarros são produtos que emitem radiação ionizante, saiba que essa informação já é conhecida pela comunidade científica desde a década de 1960. Aliás, há pelo menos 50 anos que a indústria do tabaco tem conhecimento da presença de elementos radioativos em seus cigarro e nada faz para removê-los. Pelo contrário, toda as pesquisas sobre o assunto patrocinadas pela própria indústria foram escondidas do público nas últimas décadas.

Neste artigo vamos explicar em detalhes que tipo de radiação o cigarro produz, qual é a sua quantidade e quais são os seus riscos para os fumantes e para as pessoas à sua volta.

Se você quiser saber mais sobre os danos que o cigarro pode provocar à sua saúde, leia também: DOENÇAS DO CIGARRO ? Como Parar de Fumar.

Onde podemos encontrar radiações ionizantes e não-ionizantes

Antes de falarmos especificamente sobre a radiação dos cigarros, faz-se necessário esclarecer conceitos básicos sobre o termo radiação. Entender essa parte do texto é importante para que você, mais à frente, consiga ter a dimensão do quão grave é a radiação que um fumante é exposto ao longo de décadas de fumo.

A maioria das pessoas quando ouve falar de radiação pensa imediatamente em materiais radioativos produzidos por usinas nucleares ou bombas atômicas. Mas ser exposto à radiação é algo extremamente comum, muito mais do que você imagina. Radiação é qualquer propagação de energia de um ponto ao outro. Por exemplo, as ondas eletromagnéticas dos rádios, das emissoras de TV, dos telefones celulares, dos aparelhos de micro-ondas e a própria luz são formas de radiação. Essas radiações, porém, são inofensivas, pois fazem parte do grupo de radiações não-ionizantes.

Considera-se uma radiação ionizante aquela que tem energia suficiente para arrancar elétrons dos átomos, ou seja, que são capazes de ionizar átomos. No nosso organismo, a ionização de átomos pelas radiações ionizantes provoca lesões do DNA, dos cromossomos e das proteínas celulares. Quando a exposição é alta e aguda, ele costuma ser letal, como foram os casos do acidente radiológico em Goiânia com Césio-137 e do acidente nuclear de Chernobyl, ambos na década de 1980. Mas a exposição à radiação ionizante é perigosa mesmo em doses baixas, caso ela seja frequente, pois está associada a um maior risco de formação de cânceres.

O interessante nessa história é que a radiação ionizante não tem origem apenas em materiais radioativos produzidos pelo homem, há radiação ionizante de origem natural no ar que respiramos, na comida que comemos, nas paredes dos edifícios e no solo que pisamos. Há também radiação de origem cósmica, que atinge nosso planeta, mas que felizmente é filtrada em boa parte pela nossa atmosfera e pelo campo magnético terrestre.  A quantidade de radiação ionizante que recebemos em elevadas altitudes é maior do que a quantidade que recebemos quando estamos a nível do mar. Durante uma viagem de avião, por exemplo, recebemos mais radiação do que o habitual.

Logicamente, a quantidade total de radiação ionizante nessas fontes citadas acima é mínima, não sendo suficiente para causar danos à nossa saúde. Portanto, chamamos de radiação de fundo a quantidade de radiação ionizante que o nosso ambiente emite de forma natural, boa parte dela pela presença do elemento químico radônio no ar.

Veja na tabela abaixo a quantidade de radiação ionizante que algumas fontes naturais e artificias emitem. A unidade para medir a radiação utilizada abaixo é o milisievert (mSv):

  • Radiação ionizante natural de fundo que uma pessoa é exposta ao longo de 1 ano inteiro ao nível do mar ? 2 a 3 mSv (dependendo do local).
  • Radiação ionizante presente em uma banana (devido à radiação produzida pelo potássio) ? 0,0001 mSv.
  • Radiação ionizante presente em 100 gramas de castanha do Pará (alimento mais radioativo conhecido, rico em potássio e rádio) ? 0,01 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia de dente ? 0,005 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia do braço ? 0,01 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única radiografia de tórax ? 0,02 mSv.
  • Radiação ionizante emitida ao longo de um ano por uma casa construída por pedra, tijolo ou concreto ? 0,07 mSv.
  • Radiação ionizante que uma pessoa é exposta em uma viagem transatlântica de avião ? 0,08 mSv.
  • Dose anual média de radiação que um trabalhador de usina nuclear recebe ? 0,18 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única tomografia computadorizada de crânio ? 2 mSv.
  • Radiação ionizante que uma pessoa atualmente recebe se ficar durante 1 hora na usina nuclear de Chernobyl ? 6 mSv.
  • Radiação ionizante de uma única tomografia computadorizada de abdômen ? 8 mSv.
  • Dose média de radiação ionizante recebida pela tripulação de voos transatlânticos ao longo de 1 ano ? 9 mSv.
  • Dose máxima anual de radiação ionizante permitida por lei para uma pessoa que trabalha com exposição à radiação ? 20 mSv.
  • Dose anual de radiação ionizante claramente associada ao surgimento de cânceres ? 100 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo capaz de provocar alterações imediatas nas células do sangue ? 100 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo capaz de provocar sintomas de intoxicação por radioatividade ? 400 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo que é potencialmente fatal ? 4000 mSv.
  • Dose média de radiação ionizante recebida pelos trabalhadores de Chernobyl que morreram no primeiro mês após o acidente ? 6000 mSv.
  • Dose de radiação ionizante recebida em curto intervalo de tempo que é fatal, mesmo com pronto atendimento médico ? 8000 mSv.

Quantidade de radiação recebida por um fumante

Agora que já temos uma noção básica dos perigos da radiação ionizante e das doses de radiação de várias fontes naturais e artificiais, podemos focar nosso artigo na radioatividade do cigarro.

Os cigarros são radioativos porque contêm polônio-210 e chumbo-210. Esses elementos penetram nas lavouras de tabaco por causa do tipo de fertilizante habitualmente utilizado para o seu cultivo. Uma vez que a folha de tabaco absorva elementos radioativos, não há como retirá-los.

Estudos científicos publicados nos últimos 50 anos mostram que uma pessoa que fuma diariamente um maço e meio de cigarros ao longo de um ano recebe cerca de 4,6 mSv de radiação causada pela presença de polônio-210 e chumbo-210 . Essa quantidade de radiação, que é cerca de 50 a 100% maior que a radiação natural de fundo, não parece, à primeira vista, algo muito grave. O problema, porém, é a forma como esses elementos radioativos se acumulam no pulmão. Nos fumantes, o alcatrão presente no cigarro tende a se depositar nas áreas de bifurcação dos brônquios, absorvendo consigo quantidades relevantes de polônio e chumbo radioativos.

Esse acúmulo de material radioativo nos brônquios expõe o pulmão do fumante a níveis elevados de radiação. Um pessoa que fuma cerca de 30 cigarros por dia (1 maço e meio) chega a receber ao longo do ano uma radiação de 80 a 160 mSv em determinados pontos do pulmão. Reparem na gravidade dessa dose de radiação. Se usarmos a estimativa mais baixa de radiação (80 mSv por ano), ainda assim o consumo diário de 1,5 maço de cigarros por ano equivale a:

  • Radiação cumulativa equivalente a 4000 radiografias de tórax.
  • 444 vezes mais radiação anual que um trabalhador de uma usina nuclear recebe.
  • 40 vezes mais que a radiação natural de fundo.
  • 4 vezes a dose anual máxima permitida para pessoas que trabalham com radiação.

Fumantes são radioativos?

Se nós dizemos que há acúmulo de material radioativo no pulmão de fumantes, é natural que você imediatamente questione se o seu amigo ou familiar fumante que está ao seu lado é uma potencial fonte de radiação. A resposta é sim e não.

A resposta é sim, se vocês morarem juntos e você for um fumante passivo. Cerca de 75% do polônio-210 presente na fumaça do cigarro não é absorvida pelo próprio fumante e acaba se espalhando pelo ar, podendo ser inalada por não-fumantes ao seu redor. A quantidade total de polônio-210 absorvida por fumantes passivos é desconhecida, mas ao longo de anos de exposição é provável que ela seja relevante.

Por outro lado, a resposta é não, caso o seu contato com o fumante se dê somente quando ele não está fumando. Apesar de haver material radioativo depositado nos pulmões do fumante, a radiação emitida pelo Po-210 é do tipo alfa, que tem baixa capacidade de penetrar os tecidos. Isso significa, portanto, que a ação radioativa do Po-210 fica restrita a pequenas regiões dos pulmões, apenas onde há depósito de material radioativo. Você pode até abraçar o seu amigo fumante, que nenhuma radiação extra irá lhe atingir.

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