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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

GONORREIA – Sintomas, Transmissão e Tratamento

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\"Gonorreia\"
A Gonorreia é uma DST (doença sexualmente transmissível), que acomete homens e mulheres, causada por uma bactéria chamada Neisseria gonorrhoeae, também conhecida como gonococo.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a gonorreia:

  • O que é gonorreia.
  • Como é a transmissão.
  • Quais são os sintomas.
  • Quais são as complicações mais comuns
  • Quais são as diferenças entre gonorreia e clamídia.
  • Como é o tratamento.

O que é a gonorreia?

A gonorreia é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns em todo mundo, havendo cerca de 200 milhões de novos casos anualmente (leia: O QUE É DST?). A bactéria Neisseria gonorrhoeae infecta homens e mulheres de modo semelhante, apesar dos sintomas serem menos óbvios no sexo feminino (explico adiante).

A incidência da doença é maior entre os 15 e 24 anos, idade onde é comum haver intensa atividade sexual sem a devida proteção. Apesar da maior incidência na juventude, esta DST pode ocorrer em qualquer idade se o paciente apresentar estilo de vida promiscuo ou não costumar usar preservativos com novos parceiros(as) sexuais. A ocorrência de gonorreia em crianças costuma ser um sinal de abuso sexual.

A gonorreia é a principal causa de uretrite, isto é, inflamação da uretra, canal que drena a urina da bexiga. O gonococo pode crescer facilmente em áreas quentes e úmidas do nosso trato reprodutivo, incluindo o colo do útero, o útero, as trompas de Falópio e a uretra. A bactéria também pode crescer na boca, garganta, olhos e ânus.

Transmissão da gonorreia

A transmissão do gonococo só é feita de duas maneiras: pela via sexual (oral, vaginal e anal) ou entre mãe e filho durante o parto. Não há descrições de transmissão da gonorreia através banheiros públicos ou piscinas. Partilhar objetos sexuais, como vibradores, também pode ser uma via de transmissão. A transmissão através de toalhas ou roupas íntimas é pouco comum.

A gonorreia pode ser transmitida mesmo quando o paciente infectado não apresenta sintomas. Também não é necessário haver ejaculação para ocorrer a transmissão. Basta o ato sexual.

Estima-se que a chance de transmissão após uma única relação sexual desprotegida com parceiro(a) infectado(a) esteja entre 50 e 70%. Quando a relação ocorre mais de uma vez, o risco de contaminação sobe para mais de 90%. A camisinha é o melhor método para diminuir a possibilidade de transmissão (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).

O período de incubação da gonorreia, ou seja, o espaço de tempo entre o contágio e o surgimento dos primeiros sintomas, varia de 2 a 8 dias.

Sintomas da gonorreia

O principal sintoma da gonorreia é a uretrite (inflamação da uretra). Os sintomas da uretrite são corrimento purulento (de aspecto leitoso) e ardência ao urinar, chamada de disúria (leia: DISÚRIA | DOR AO URINAR | Causas).

A gonorreia costuma ser evidente nos homens, mas é comum passar despercebida no sexo feminino. Enquanto 90% dos homens apresentam sintomas de uretrite, até 50% das mulheres podem apresentar uma infecção assintomática, não tendo ciência de que estão infectadas. Essa particularidade faz com que as complicações sejam mais comuns no sexo feminino, já que, se nada sentem, as mesmas não procuram tratamento médico.

Sintomas da gonorreia nos homens

Mais de 90% dos homens infectados pela bactéria Neisseria gonorrhoeae apresentam sintomas perceptíveis de gonorreia. A uretrite é manifestação clínica mais comum e se manifesta como uma secreção espontânea de pus pela uretra, com aspecto leitoso, capaz de manchar as roupas íntimas. Outro sintoma comum da uretrite é a disúria (dor ou desconforto na hora de urinar). A intensidade da disúria é variável de caso a caso, podendo ser bastante incômoda para alguns pacientes e quase imperceptível para outros.

Corrimento uretral purulento na gonorreia
(clique para ampliar. Atenção: a imagem acima pode ser ofensiva para certas pessoas.)

Uma complicação relativamente frequente da gonorreia nos homens é a infecção do epidídimo (pequeno ducto, localizado acima dos testículos, que coleta e armazena os espermatozoides), provocando dor e edema unilateral na bolsa escrotal (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas).

Homens que têm relações sexuais com outros homens podem também apresentar infecção pelo gonococo na região anal ou na garganta (faringe), transmitidos respectivamente pelo sexo anal e oral. A contaminação pelo gonococo em áreas não genitais não costuma causar sintomas, sendo pouco frequente a ocorrência de faringite ou proctite (infecção anal) pelo gonococo. Quando a proctite ocorre, os sintomas mais comuns são dor ao evacuar, saída de secreção purulenta pelo ânus, coceira ou dor anal.

Sintomas da gonorreia nas mulheres

Ao contrário do que ocorre nos homens, a gonorreia pode não causar sintomas relevantes nas mulheres. Na maioria dos casos, a bactéria ataca o colo do útero e apenas 50% das pacientes infectadas apresentam coceira, dor durante o ato sexual e corrimento vaginal purulento (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE). Se houver grande inflamação do útero é possível haver também escapes de sangue pela vagina.

Homens jovens não costumam ter infecção urinária, por isso o quadro de disúria (ardência para urinar) habitualmente indica a existência de uma uretrite causada por uma DST. Como nas mulheres a infecção urinária é um quadro relativamente comum, a disúria da gonorreia pode ser erradamente diagnosticada como uma cistite (leia: INFECÇÃO URINÁRIA ( CISTITE )). Nas mulheres, o diagnóstico clínico de DST fica mais fácil se além da disúria também houver corrimento vaginal, já que na cistite este último não ocorre.

Assim como nos homens homossexuais, nas mulheres também é possível haver infecções da faringe e do ânus pelo gonococo.

Complicações da gonorreia

Quando não tratada, a gonorreia pode levar a um grande número de complicações. Nos homens o mais comum é a infecção dos testículos e da próstata. Nas mulheres, a pior complicação é a doença inflamatória pélvica (DIP), uma infecção grave dos órgãos reprodutores, que acomete o útero, ovários e trompas. Em ambos sexos pode ocorrer estreitamento da uretra e infertilidade.

O Gonococo não tratado também pode levar à disseminação da doença pelo corpo. A gonorreia disseminada causa:

– Artrites infecciosas em joelho, tornozelos e cotovelos.
– Lesões de peles (pequenos pontos purulentos principalmente em mãos e pés).
– Acometimento do fígado, com hepatite (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES).
– Endocardite (infecção das válvulas do coração) (leia: O QUE É ENDOCARDITE?).
– Meningite (leia: MENINGITE).
– Osteomielite (infecção dos ossos).

Além da doença disseminada, a gonorreia não tratada em grávidas pode ocasionar parto prematuro e infecção do recém-nascido, causando graves lesões oculares.

Para ver mais fotos de gonorreia, clique no link: GONORREIA | FOTOS.

Diagnóstico da gonorreia

O diagnóstico é geralmente feito através da análise do corrimento purulento. Uma pequena escova pode ser usada para colher material da uretra do homem ou do colo do útero na mulheres. Em alguns casos a urina também pode ser usada para o diagnóstico.

Tratamento da gonorreia

O tratamento da gonorreia é simples, sendo feito da mesma maneira para homens e mulheres. Atualmente indica-se o tratamento com dose única de antibiótico.

O tratamento para as formas não complicadas é geralmente feito com  Ceftriaxona intramuscular na dose de 250 mg. Este esquema tem taxa de cura de 99%. Azitromicina 1 grama também em dose única pode ser uma opção, mas taxa de sucesso é mais baixa e os efeitos colaterais são mais comuns.

O parceiro deve ser sempre investigado e tratado. Indica-se abstinência sexual até que todos os sintomas desapareçam. Nos casos assintomáticos, deve-se evitar relações por pelo menos 1 semana após o tratamento. É possível contrair gonorreia mais de uma vez na vida.

Tratamento conjunto de gonorreia e clamídia

A clamídia é uma DST causada por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis. Estima-se que seja a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo. A infecção pala Clamídia apresenta basicamente o mesmo quadro clínico da gonorreia, porém, com sintomas menos intensos.

A diagnóstico diferencial entre a clamídia e gonorréia é feito somente através do exame microscópico do corrimento. Apenas pelos sintomas é impossível distinguir as duas doenças, já que até as complicações são semelhantes. Também é importante salientar que não é incomum o paciente se infectar com as duas bactérias ao mesmo tempo.

Como o tratamento da infecção por clamídia também é simples, a distinção com a gonorréia, em geral, não é necessária. O médico costuma prescrever um esquema antibiótico que atue contra as duas infecções.

Azitromicina  em dose única é o antibiótico mais prescrito contra a clamídia. Uma alternativa é usar Doxiciclina 100 mg 2 vezes por dias por 7 dias.

Portanto, o esquema clássico para o tratamento de uretrites com corrimento é Ceftriaxona + Azitromicina em dose única. Deste modo, obtém-se cobertura tanto para infecções por gonococo quanto por clamídia. É um tratamento simples, rápido e com alto índice de cura, que pode ser indicado sem a necessidade de maior investigação clínica.

Para saber mais sobre a clamídia, leia: CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento.

Este post também está disponível em: Espanhol

TRICOMONÍASE – Sintomas, Transmissão e Tratamento

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Tricomoníase é uma doença sexualmente transmissível causada pelo parasito Trichomonas vaginalis. Nas mulheres a tricomoníase é uma das principais causas de vaginite e corrimento vaginal, mas costuma ser uma infecção assintomática nos homens. Neste texto vamos abordar os modos de transmissão, os sintomas, diagnóstico e tratamento do Trichomonas vaginalis.

Se você quiser ler mais sobre vaginite, temos um texto sobre corrimento vaginal onde abordamos outras causas como gonorreia, Gardnerella, candidíase e corrimento vaginal fisiológico: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE

Transmissão da tricomoníase

A tricomoníase é causada pelo protozoário unicelular Trichomonas vaginalis que pode ser visto na imagem à esquerda.

A tricomoníase é uma das principais DST curáveis no mundo, acometendo cerca de 170 milhões de pessoas todo ano (leia: O QUE É DST?).

A transmissão é pela via sexual e, curiosamente, só se dá através do sexo entre mulher/homem ou entre mulher/mulher. A transmissão do Trichomonas entre homens é rara, não sabe bem por quê. A via sexual é virtualmente a única forma de transmissão, sendo incomum a contaminação através de roupas, toalhas ou outros fômites.

O Trichomonas vaginalis é um parasito que só infecta o ser humano; costuma viver na vagina ou na uretra, mas pode também ser encontrado em outras partes do sistema geniturinário. O protozoário causa lesão do epitélio vaginal, levando à formação de úlceras microscópicas que aumentam o risco de contaminação por outras DSTs, nomeadamente o HIV, HPV, herpes, gonorreia e clamídia. Para ler sobre estas DST:

– TRANSMISSÃO DO HIV | Como se pega AIDS?
– HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina
– HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento
– GONORREIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento

O período de incubação, isto é, o tempo entre a contaminação e o aparecimento do sintomas, varia geralmente entre 4 a 28 dias, todavia muitas pessoas são carreadoras assintomáticas do parasito por longos períodos. Algumas mulheres possuem o Trichomonas por meses antes de surgirem sintomas, tornando muito difícil definir a data em que ocorreu a contaminação.

Sintomas da tricomoníase

a) Tricomoníase no homem

No sexo masculino a infecção pelo Trichomonas vaginalis costuma ser assintomática e transitória, melhorando espontaneamente em muitos casos. O homem costuma ser um carreador assintomático do parasito. Quando há sintomas, o quadro mais comum é a uretrite (inflamação da uretra) levando à dor para urinar e corrimento uretral purulento. Uma complicação pouco comum mas possível é a infecção da próstata pelo Trichomonas, levando à prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).

b) Tricomoníase na mulher

No sexo feminino a infecção pelo Trichomonas vaginalis também pode ser assintomática, mas pelo menos 2/3 das mulheres infectadas apresentam sintomas. O quadro mais comum é a vaginite, inflamação da vagina que cursa com corrimento amarelo-esverdeado de odor desagradável associado à disúria (dor para urinar), dispareunia (dor durante o ato sexual) e prurido (coceira) vaginal.

A tricomoníase não tratada é fator de risco para infertilidade e câncer do colo do útero. Nas grávidas a infecção está associada a parto prematuro.

Diagnóstico da tricomoníase

O quadro clínico das vaginites apenas sugerem a causa mais provável, não sendo possível estabelecer o diagnóstico sem exames complementares. Para se confirmar a presença do Trichomonas vaginalis o ginecologista realiza um exame ginecológico, que normalmente detecta uma vagina inflamada e com pequenas úlceras. Durante o exame colhe-se uma amostra de secreção vaginal para ser estudada no microscópio. Em até 70% dos casos é possível identificar o protozoário se movendo nas secreções.

Se o quadro clínico e o exame ginecológico forem muito sugestivos, mas o exame microscópico for negativo, é possível fazer uma cultura da secreção, que costuma dar o resultado entre 3 a 7 dias. O exame de PCR (DNA) também pode ser usado; é mais caro, porém apresenta resultados mais rapidamente e com mais segurança.

O exame de papanicolau pode também detectar o Trichomonas, mas sua sensibilidade é baixa, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.

Tratamento da tricomoníase

O Metronidazol e o Tinidazol são as duas opções de tratamento para a tricomoníase. A taxa de cura com esses antibióticos é superior a 90% e nenhuma outra droga apresenta tamanha eficácia. O esquema indicado consiste em 2 gramas de Metronidazol ou Tinidazol por via oral (4 comprimidos de 500mg) em dose única (leia: METRONIDAZOL | Comprimido, creme e gel).

Atenção, é estritamente proibido o consumo de álcool em quem está sendo tratado com uma das duas drogas. É preciso esperar no mínimo 3 dias devido ao risco grave reação (leia: INTERAÇÃO DO ÁLCOOL COM REMÉDIOS E ENERGÉTICOS).

É importante tratar evitar relações sexuais durante uma semana e o(a) parceiro(a) também deve ser tratado(a), mesmo que esteja assintomático(a) para evitar a reinfecção. Cerca de 70% dos parceiros de um paciente infectado também estão infectados pelo parasito.

Como a taxa de sucesso é muito alta, se os sintomas desaparecerem não é preciso repetir exames para se confirmar a cura.

O metronidazol não trata as outras causas de vaginite, como gonorreia e candidíase. Portanto, se você tem um corrimento, evite a auto-medicação e procure seu ginecologista.

Prevenção da tricomoníase

Para se reduzir o risco de contaminação pelo Trichomonas:

– Use sempre camisinha durante as relações sexuais (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).
– Evite ter múltiplos parceiros(as).
– Evite relações com pessoas sabiamente contaminadas e ainda não tratadas.
– Se você tem corrimento, evite relações sexuais até ser vista pelo seu ginecologista.

VAGINOSE BACTERIANA – Gardnerella vaginalis

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\"Vaginose
A vaginose bacteriana é uma infecção vaginal causada pela proliferação anormal das bactérias naturais da vagina, sendo a principal causa de corrimento vaginal nas mulheres em idade fértil. A vaginose está relacionada ao crescimento de várias bactérias, principalmente de uma, chamada Gardnerella vaginalis, que pode provocar corrimento com odor desagradável, tipo cheiro de peixe.

Neste texto abordaremos o corrimento vaginal causado pela vaginose bacteriana, em especial pela bactéria Gardnerella vaginalis. Outras causas de corrimento vaginal são abordadas no seguinte artigo: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE.

Causas da vaginose bacteriana

A vagina é um órgão naturalmente habitado por diversas bactérias, algumas “boas”, algumas “ruins”. Os lactobacilos são as bactérias “boas” e encontram-se normalmente em maior quantidade (cerca de 95% da população), impedindo o crescimento de bactérias potencialmente causadoras de doenças através do controle do pH vaginal e da competição por alimentos.

A vaginose bacteriana ocorre quando há uma ruptura deste equilíbrio, acarretando em uma diminuição dos lactobacilos e um crescimento da flora “ruim” que pode ser composta por diversas bactérias, entre elas: Gardnerella vaginalis, Prevotella, Porphyromonas, Bacteroides, Peptostreptococcus, Mycoplasma hominis, Ureaplasma urealyticum, Mobiluncus, Fusobacterium e Atopobium vagina. De todas essas bactérias, a Gardnerella vaginalis parece ser o micro-organismo mais característico da vaginose, estando presente em mais de 96% dos casos.

Não sabemos ainda muito bem o que leva a essa desregulação da flora bacteriana natural da vagina, mas alguns fatores de riscos já são conhecidos:

– Múltiplos parceiros sexuais.
– Realizar ducha vaginal com frequência.
– Fumar (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO | Tratamento do tabagismo).
– Uso recente de antibióticos (leia: ANTIBIÓTICOS | Tipos, resistência e indicações).
– Uso de DIU.

A vaginose bacteriana é uma doença típica de mulheres em idade fértil; não sabemos o porquê, mas é mais comum em mulheres afrodescendentes.

A classificação da vaginose bacteriana como uma doença sexualmente transmissível (DST) é atualmente aceita, apesar de ser ainda controversa. A favor da classificação como DST pesa o fato da promiscuidade ser um dos fatores de risco para o seu desenvolvimento. Outro dado positivo é o fato do uso da camisinha diminuir a incidência desta infecção. Por outro lado, mesmo mulheres virgens ou sem relação sexual recente podem desenvolver vaginose bacteriana.

Sintomas da vaginose bacteriana

Duas em cada três mulheres com vaginose bacteriana não apresentam nenhum tipo de sintoma. Naquelas com sintomas, o mais comum é um corrimento acinzentado com forte odor, geralmente descrito como corrimento com cheiro de peixe. Este corrimento vaginal com mau cheiro costuma piorar após relação sexual.

Ao contrário das outras causas de corrimento vaginal que costumam cursar com vaginite (inflamação da vagina), a vaginose bacteriana causa pouca ou nenhum inflamação, portanto, não costuma cursar com sintomas de dor, coceira ou disúria (dor ou incômodo para urinar).

Diagnóstico da vaginose bacteriana

O diagnóstico da vaginose bacteriana é baseada no conjunto de sintomas e achados laboratoriais. Se você tem queixas de corrimentos, o ginecologista fará um exame ginecológico completo e colherá amostras das secreções.

Através do exame das secreções é possível avaliar o pH da vagina (que fica menos ácido na vaginose) e procurar por micro-organismos através de um microscópio. Na vaginose há um teste simples,  feito no próprio consultório, que consiste na adição de hidróxido de potássio 10% na secreção vaginal para aumentar a liberação do característico cheiro forte de peixe.

Através do exame no microscópio é possível identificar as chamadas clue-cells, células típicas da vaginose bacteriana. Também é possível identificar outros germes que causam corrimento que não a vaginose, como fungos, por exemplo.

A cultura das secreções para identificação de bactérias não tem papel no diagnóstico uma vez que até 60% das mulheres sem vaginose possuem Gardnerella vaginalis e outras bactérias em suas vaginas. Ter Gardnerella vaginalis não significa que necessariamente a mulher irá desenvolver vaginose.

Complicações da vaginose bacteriana

Mesmo nas pacientes sem sintomas, a vaginose pode causar algumas complicações. Entre elas podemos citar:

– Maior risco de contaminação por outras DSTs* caso haja relação com parceiro contaminado.
– Maior risco de transmissão de DSTs* para o parceiro caso a paciente esteja contaminada com alguma DST.
– Maior risco de doença inflamatória pélvica, principalmente após cirurgias ginecológicas.
– Maior risco de parto prematuro em grávidas

* DSTs com risco de transmissão e contaminação aumentados:

– HIV (leia: TRANSMISSÃO DO HIV | Como se pega AIDS?).
– Gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento).
– Clamídia (leia: CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).
– HPV (leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina).
– Herpes genital (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).

Tratamento da vaginose bacteriana

Em cerca de 1/3 dos casos a vaginose desaparece espontaneamente, devido à recuperação da população de lactobacilos. Portanto, só se indica tratamento caso existam sintomas ou se a paciente esteja prestes a realizar uma cirurgia ginecológica.

O tratamento, quando indicado, é feito com antibióticos por via oral ou intravaginal. Os mais prescritos são o metronidazol ou a clindamicina por sete dias (leia: METRONIDAZOL | Comprimido, creme e gel). Uma outra opção é o tinidazol.

Quando é prescrito um curso de clindamicina por via intravaginal deve-se evitar relações sexuais com preservativos por até cinco dias após o término do tratamento, pois o antibiótico enfraquece o látex, diminuindo sua eficácia como barreira de proteção.

Como a vaginose não é necessariamente uma DST, não é necessário tratar o parceiro. Não há evidências de que o tratamento do parceiro influencie na taxa de cura da paciente. Em casos de relação homossexual entre mulheres ainda há dúvidas se o tratamento da parceira é necessário.

O tratamento da vaginose bacteriana em grávidas assintomáticas é controverso, pois não há provas de que o mesmo reduza a incidência de partos prematuros. Atualmente só o indicamos se a gestante tiver alto risco de parto prematuro ou apresentar antecedentes de parto prematuro relacionado à presença de vaginose.

O tratamento com antibióticos cura a vaginose mas não age diretamente nas suas causas. Por isso, a taxa de recorrência é alta, cerca de 30% em três meses e até 50% em um ano. Pacientes com mais de três episódios por ano se beneficiam de um tratamento a longo prazo, por até seis meses, com metronidazol intravaginal.

O consumo de iogurtes com lactobacilos não é eficaz na prevenção, uma vez que esses lactobacilos são diferentes daqueles que vivem na vagina.

Este post também está disponível em: Espanhol

HERPES GENITAL – Contágio, Sintomas e Tratamento

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O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST) causado pelo vírus herpes simplex. Estima-se que pelo menos um em cada cinco adultos esteja infectado com o vírus, apesar de muitos destes não apresentarem sintomas e não saberem que estão contaminados com o vírus.

O herpes genital é habitualmente transmitido nos períodos de doença ativa, ou seja, quando há lesões visíveis na região genital. Porém, mesmo nos períodos de remissão da infecção, quando não existem úlceras ou bolhas visíveis, podem haver vírus nas secreções genitais de homens e mulheres, o que favorece o contágio. O uso da camisinha diminui o risco de transmissão, mas não o elimina completamente.

A herpes genital é uma doença que tem tratamento e pode ser controlada, mas não existe cura. Quem se contaminou com o vírus do herpes ficará contaminado pelo resto da vida, podendo ou não ter sintomas recorrentes da infecção.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre herpes genital:

  • Como é o contágio do herpes genital.
  • Quais são os sintomas do herpes genital.
  • O que é o herpes genital recorrente.
  • Como é feito o diagnóstico do herpes genital.
  • Como tratar o herpes genital.

Transmissão do herpes genital

O herpes genital é uma infecção causada pelo vírus herpes simplex tipo 2, que é transmitido através de relações sexuais (leia: O QUE É DST?). O vírus herpes simplex tipo 1 também pode causar herpes genital, mas está habitualmente associado ao herpes labial.

– Para saber as diferenças entre herpes labial e genital, leia: HERPES LABIAL E HERPES GENITAL.
– Para informações específicas sobre o herpes labial, leia: HERPES LABIAL | Transmissão e tratamento.

O vírus herpes simplex tipo 2 é transmitido pela via sexual, sendo altamente contagioso enquanto o paciente apresenta lesões ativas (explicarei os sintomas mais à frente). O grande problema do herpes genital é que a transmissão pode ocorrer mesmo nas fases em que o paciente está assintomático. Portanto, mesmo fora das crises o paciente continua eliminando o vírus de forma intermitente, podendo transmitir o herpes genital para o seu parceiro(a). Habitualmente em um período de 100 dias, o paciente passa 2 ou 3 eliminando o vírus de forma assintomática.

A frequência de eliminação do vírus vai se tornando menor conforme os anos passam em relação à primeira aparição do herpes. A eliminação fora das crises é maior nos primeiros três meses após a infecção primária. Após 10 anos de infecção, a transmissão fora das crises vai se tornando cada vez menos comum. Um estudo selecionou cerca de 400 pacientes com herpes genital há mais de 10 anos e colheu amostras dos seus órgãos genitais fora das crises por um período de 30 dias consecutivos. Apenas 9% apresentavam neste intervalo o vírus detectável para transmissão.

Toda vez que o paciente apresenta uma crise, a sua taxa de transmissão assintomática se eleva novamente, voltando a cair conforme a última crise vai ficando mais antiga. 70% das transmissões do herpes genital ocorrem na fase assintomática, já que durante as crises o paciente costuma evitar ter relações sexuais.

Pacientes HIV positivos que também tenham herpes genital são grupo que mais apresentam transmissão durante a fase assintomática.

O vírus herpes simplex tipo 1 costuma causar lesão apenas na boca, mas pode se transmitido para os órgãos genitais em caso de sexo oral. Uma vez contaminados, os pacientes com herpes genital pelo tipo 1 transmitem a doença do mesmo modo que os pacientes contaminados pelo tipo 2. A diferença é que as crises pelo tipo 1 costumam ser mais brandas e menos frequentes, e a transmissão fora das crises é menos comum.

O vírus herpes simplex tipo 2 sobrevive muito pouco tempo no ambiente, sendo incomum a transmissão através de roupas ou toalhas. Não se pega herpes genital em piscinas ou banheiros.

O uso de camisinha reduz a chance de transmissão, mas não a elimina completamente, uma vez que as lesões do herpes podem surgir em áreas da região genital que não ficam cobertas pelo preservativo (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber). Por exemplo, uma lesão de herpes na bolsa escrotal continua exposta mesmo com o uso apropriado da camisinha.

Sintomas do herpes genital

A maioria dos pacientes que se infecta com o vírus herpes simplex tipo 2 não desenvolve doença, permanecendo assintomáticos e sem ter conhecimento do contágio. Há estudos que sugerem que até 80% dos pacientes contaminado não desenvolvem sintomas.

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, o quadro clínico é dividido em duas situações: infecção primária e recorrência.

Infecção primária do herpes genital

A primeira vez que as lesões do herpes genital surgem após o doente ter sido infectado é chamada de infecção primária.

Os sintomas do herpes genital tendem a se desenvolver dentro de três a sete dias após a relação sexual responsável pela infecção, mas em alguns casos pode demorar até duas semanas. O principal sinal do herpes genital são pequenas bolhas agrupadas nos órgãos genitais. Normalmente, as bolhas surgem e logo em seguida se rompem formando úlceras. Na infecção primária estas lesões tendem a ser muito dolorosas. Pode haver também comichão no local.

Além da lesão típica do herpes, a infecção primária costuma vir acompanhada de outros sintomas, como febre, mal estar e dores pelo corpo. Podem surgir linfonodos nas região da virilha e, se as úlceras estiverem próximas à saída uretra, pode haver intensa dor ao urinar.

Nos homens, as feridas de herpes genital geralmente aparecem no pênis ou próximo ao mesmo. Nas mulheres, as lesões podem ser visíveis fora da vagina, mas elas geralmente ocorrem no seu interior, onde ficam escondidas. No caos de lesões internas, os únicos sinais de doença podem ser corrimento vaginal e/ou desconforto durante o ato sexual. As lesões do herpes genital também podem surgir em qualquer ponto do períneo e em torno do ânus dos pacientes que praticam sexo anal.

As lesões na infecção primária do herpes genital costumam demorar em média 20 dias para desaparecer.

Se você quiser ver mais imagens de lesões por herpes, vá ao link: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Fotos.

Recorrências do herpes genital

Após a infecção primária, as lesões do herpes genital desaparecem permanecendo silenciosas por vários meses. Na maioria dos pacientes a infecção ressurge de tempos em tempos, em alguns casos, mais de uma vez por ano. 90% dos pacientes apresentam a primeira recorrência em um intervalo de 18 meses após a infecção primária. Alguns podem ter mais de 10 recorrências no intervalo de um ano. Os pacientes que costumam ter recorrências frequentes são aqueles que tiveram uma infecção primária prolongada, com lesões iniciais do herpes durando mais de 1 mês.

As lesões recorrentes tendem a ser menos dolorosas e duram cerca de 10 dias, metade do tempo da infecção primária. Não é comum haver outros sintomas como mal estar e febre. Com o passar dos anos, as recorrências vão ficando mais fracas e menos frequentes.

As recorrências do herpes genital costumam surgir após algum evento estressante para o organismo. Entre os mais comuns estão o esforço físico exagerado, estresse emocional, doença, cirurgia recente, exposição solar em excesso e imunossupressão. Em algumas mulheres o período menstrual pode ser o gatilho. Todavia, há casos de recorrências em que não é possível identificar nenhum fator desencadeante.

Dias antes das lesões recorrerem, o paciente pode sentir alguns sintomas de aviso, como uma coceira nos grandes lábios, uma dormência no pênis ou formigamento na região genital.  Muitos pacientes conseguem identificar que uma recorrência do herpes genital está a caminho.

Em alguns casos o paciente pode não desenvolver sintomas de infecção primária logo após a contaminação, vindo a apesentar as úlceras apenas anos depois, após algum evento que reduza sua imunidade. Nestes casos, apesar de ser a primeira aparição das feridas, a doença se comporta mais como uma recorrência do que como infecção primária, sendo mais curta e menos dolorosa. Também não são comuns sintomas como febre e mal estar. O problema é que, como é a primeira aparição das feridas, o paciente tende a achar que foi contaminado recentemente, e isso costuma causar problemas em casais com relacionamento estável há anos. Nestas situações é muito difícil estabelecer com precisão quando o paciente foi infectado e quem o infectou.

Herpes genital na gravidez

O herpes genital se comporta de forma semelhante nas mulheres grávidas e não grávidas. O grande problema do herpes na gravidez é o risco de transmissão para o bebê.

Habitualmente, a transmissão só ocorre durante o parto, quando o bebê ao passar pelo canal vaginal entra em contato com as secreções contaminadas da genitália feminina. Mesmo quando a mãe encontra-se assintomática e sem lesões, há risco de transmissão. O maior risco ocorre quando a mulher se contamina perto da data do parto, ou seja, quando a infecção primária surge nas últimas semanas de gravidez.

Apenas raramente o herpes pode ser transmitido dentro do útero, durante a gravidez, não sendo, portanto, uma infecção que costuma causar problemas de má-formações para o feto.

A cesariana diminui muito o risco de transmissão do herpes, sendo esta a forma mais indicada de parto nas mulheres sabidamente contaminadas. É bom destacar que o parto cesário diminui, mas não elimina completamente o risco de contágio do bebê (leia: PARTO POR CESARIANA | Vantagens e riscos).

As mulheres com sintomas de herpes genital durante a gravidez podem ser tratadas com aciclovir, não importa o trimestre de gestação que estejam (ver tratamento mais à frente).

Diagnóstico do heres genital

As lesões do herpes genital são típicas e durante as crises são facilmente reconhecidas por médicos experientes. Se houver necessidade de confirmação laboratorial, ou se a lesão não for muito típica, o médico pode colher amostras das úlceras para identificação do vírus. Nas fases assintomáticas é possível investigar a infecção pelo herpes através das sorologias, que podem identificar tanto o vírus herpes simplex tipo 1 quanto o tipo 2. As sorologias também são importantes para o rastreio de parceiros(as) de pacientes infectados.

Os exames conseguem identificar o vírus, mas não fornecem informação sobre quando o paciente foi infectado.

Tratamento do herpes genital

Embora não exista cura para o herpes genital, a infecção pode ser controlada com terapia antiviral. O tratamento com antivirais serve para acelerar a cura das lesões, aliviar os sintomas, impedir complicações e reduzir o risco de transmissão para outros.

Três medicamentos antivirais são utilizados para o tratamento de herpes genital: Aciclovir (Zovirax ®), Famciclovir (Famvir ®) e Valaciclovir (Valtrex ®) (leia: INFORMAÇÕES SOBRE ACICLOVIR (ZOVIRAX)). Nas grávidas, a droga de escolha é o aciclovir, que é uma substância segura em qualquer momento da gravidez.

O primeiro episódio de herpes genital é geralmente tratado por 7 a 10 dias por via oral. Se não houver melhora das úlceras, o tratamento pode ser estendido por mais uma semana. O tratamento funciona melhor se iniciado nas primeiras 72 horas de sintomas.

Nas recorrências, o tratamento pode ser feito por apenas 5 dias. Pessoas com história de herpes genital recorrente são frequentemente aconselhadas a manter um estoque de medicação antiviral em casa, de modo a iniciar o tratamento assim que surgirem os primeiros sinais de uma recorrência.

Se o paciente apresenta raras recorrências e a faz com poucos sintomas, pode não haver necessidade de tratamento com antivirais, principalmente se o(a) mesmo(a) não tiver um parceiro(a) sexual no momento que possa ser infectado(a).

Nos pacientes que apresentam mais de 6 surtos por ano, pode estar indicada a terapia supressiva, que consiste no uso diário e contínuo de um antiviral em doses baixas para evitar as recorrências. A vantagem de terapia supressiva é que ela reduz a frequência e a duração das recidivas, podendo também reduzir o risco de transmissão de vírus da herpes para um(a) parceiro(a)  não infectado(a).

Não está claro por quanto tempo a terapia supressiva deverá ser mantida. Alguns especialistas recomendam fazer uma pausa do tratamento periodicamente (a cada poucos anos) para determinar se a terapia supressiva ainda é necessária. Se os surtos retornarem, a terapia supressiva pode ser reiniciada.

A terapia supressiva pode ser indicada também em casos de parceiros sexuais com sorologias discordantes, ou seja, um deles infectado pelo herpes e o outro não. A terapia supressiva reduz em mais de 50% o risco de transmissão. Quando associada ao uso de camisinha, o risco de transmissão do herpes genital torna-se pequeno.

Cuidados pessoais

Além dos medicamentos antivirais, alguns tratamentos caseiros podem ser usados para aliviar os sintomas de um surto de herpes genital. Banho de assento com água fria pode diminuir temporariamente a dor das feridas. As mulheres que estão tendo dor para urinar podem sentir menos desconforto urinando durante o banho de assento ou em um chuveiro com água morna. Sabões e banhos de espuma deve ser evitados. Também é importante manter a área genital limpa e seca, e evitar roupa interior apertada. Cremes e pomadas geralmente não são recomendados. Se a dor estiver muito incômoda, analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser usados.

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CLAMÍDIA – Sintomas, Transmissão e Tratamento

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\"Clamidia\"
A clamídia é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo. O paciente infectado por clamídia costuma não desenvolver sintomas, mas quando o faz, o quadro clínico é muito parecido com o da gonorreia, sendo impossível distingui-las apenas pelos sintomas.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a clamídia:

  • O que é clamídia.
  • Sintomas da clamídia.
  • Complicações da clamídia.
  • Linfogranuloma venéreo.
  • Diagnóstico da clamídia.
  • Tratamento da clamídia.

Se você procura informações sobre gonorreia, o seu texto é este: GONORREIA | Sintomas e tratamento.
Para saber mais sobre as principais doenças sexualmente transmissíveis, leia: O QUE É DST?

O que é clamídia?

A clamídia é uma doença sexualmente transmissível, causada por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis. Nem todas as pessoas contaminadas com clamídia apresentam sintomas, podendo a infecção passar despercebida por muitos anos. Os pacientes com clamídia assintomática tornam-se fontes de contaminação permanentes, motivo pelo qual a clamídia é a DST mais comum no mundo. Quem transmite clamídia pode não saber que está contaminado e quem se contaminou pode não saber de quem pegou.

Estima-se que 5% da população adulta e 10% da população adolescente sexualmente ativa estejam contaminados com a Chlamydia trachomatis. A infecção por clamídia é mais comum em jovens, pessoas que tenham tido  múltiplos parceiros (as)  nos últimos anos ou pessoas que não costumam usar camisinha durante as relações sexuais (leia: CAMISINHA | Eficácia e instruções de uso).

Transmissão da clamídia

A clamídia pode ser transmitida por duas maneiras: pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebê pelo canal vaginal na hora do parto.

Assim como na gonorréia, nos adultos e adolescentes a transmissão é exclusivamente por via sexual. Não se pega clamídia em banheiros ou piscinas públicas. O beijo também não é uma forma de transmissão da clamídia.

A transmissão através de toalhas ou roupas íntimas ainda não foi comprovada, mas ela é teoricamente possível caso haja contato com secreções contaminadas frescas. Por exemplo, se uma mulher com corrimento vaginal contamina uma toalha e outra pessoa imediatamente a usa para secar suas partes íntimas, é possível haver transmissão. Isso, porém, é uma situação muito hipotética, e o que vemos na prática é a via sexual como única forma relevante de transmissão desta DST entre adultos.

A contaminação dos olhos pela clamídia pode ocorrer se as mãos estiverem contaminadas com secreções vaginais e o indivíduo coçar os olhos sem lavá-las antes.

Sintomas da clamídia

Como já foi referido, a maioria dos pacientes que se contaminam com clamídia não apresenta sinais da doença. Nas mulheres apenas 10% desenvolvem sintomas; nos homens, o número é um pouco maior, ao redor dos 30%. Entretanto, é bom destacar que mesmo sem sintomas, o paciente contaminado é capaz de transmitir a doença para seus parceiros (as).

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, os mesmos costumam surgir entre 1 e 3 semanas após a contaminação.

Nas mulheres, os principais sintomas da clamídia são:

No homens, os sintomas mais comuns de clamídia incluem:

  • Ardência ou dor ao urinar.
  • Saída de corrimento purulento pela uretra.
  • Dor nos testículos (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas).
  • Inchaço do saco escrotal.
  • Proctite (inflamação do ânus que ocorre em homens homossexuais passivos).

A faringite por clamídia é uma quadro incomum, mas pode surgir se a via de transmissão for o sexo oral.

Complicações da clamídia

As complicações da infecção pela Chlamydia trachomatis costumam ocorrer nos pacientes com poucos ou nenhum sintoma, que por isso mesmo, acabam não procurando tratamento médico.

A principal complicação da infecção por clamídia nas mulheres é progressão da bactéria em direção ao útero, trompas e ovários, provocando uma grave infecção conhecida como doença inflamatória pélvica (DIP). Cerca de 10 a 15% das mulheres infectadas com a Chlamydia trachomatis desenvolvem DIP.

Infertilidade também é uma complicação comum da clamídia não tratada e ocorre por lesão das trompas e/ou do útero por infecção prolongada.

As mulheres com infecção por clamídia (especialmente a causada por sorotipo G) apresentam 6 vezes mais riscos para o desenvolvimento de câncer do colo do útero.

Nas grávidas, infecções por clamídia podem levar a parto prematuro. Bebês que nascem de mães infectadas podem se infectar e desenvolver complicações precoces. A clamídia é uma das principais causas de pneumonia e conjuntivite em recém-nascidos.

Nos homens a complicação mais comum é a prostatite, infecção da próstata (leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento). Infecção do epidídimo, localizado acima dos testículos, também pode ocorrer.

Linfogranuloma venéreo

Existem alguns sorotipos da clamídia, chamados de L1, L2 e L3, que são capazes de apresentar uma doença chamada linfogranuloma venéreo, um quadro diferente da infecção clássica pela clamídia.

No linfogranuloma venéreo, a infecção inicial é caracterizada por um pequeno nódulo, que se rompe e forma uma úlcera genital. Duas a seis semanas mais tarde a infecção estende-se para os nódulos linfáticos regionais, ou seja, para os gânglios da virilha. O paciente apresenta um ou mais gânglios inflamados e aumentados, chamados de bubões. Estes bubões podem romper-se, drenando grande quantidade de pus.

Diagnóstico da clamídia

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Pesquisa de clamídia

O exame para identificar a clamídia é feito através da urina ou por amostra de material colhido com um cotonete na vagina, colo do útero ou na uretra. Os resultados estão geralmente disponíveis no prazo de 24-48 horas.

Muitos médicos solicitam a sorologia para pesquisa dos anticorpos IgM e IgG contra a clamídia, mas esse exame, apesar de útil, não é o mais confiável. Se for possível, a pesquisa da clamídia deve ser feita por uma técnica chamada PCR, que procura a presença do DNA da clamídia nas secreções vaginais. Nos homens, essa pesquisa do DNA pode ser feita na urina.

Tratamento da clamídia

O tratamento da clamídia é simples, sendo feito com administração de antibióticos. A Azitromicina  em dose única de 1g é o antibiótico mais prescrito. O paciente infectado deve ficar por pelo menos 7 dias sem atividade sexual após o início do tratamento.

Uma alternativa à azitromicina é a Doxiciclina por 7 dias. Nos pacientes com linfogranuloma venéreo ou infecção anal pela clamídia, o regime com doxiciclina é o mais indicado.

Como o quadro clínico da clamídia pode ser muito parecido com o da gonorreia, é comum o médico prescrever um tratamento que atue sobre as duas bactérias. Geralmente associa-se ceftriaxona com a azitromicina

Todos os parceiros (as) do paciente infectado devem ser testados e se necessário, tratados para clamídia, mesmo que não apresentem sintomas.

É possível se contaminar com o Chlamydia trachomatis por mais de uma vez. O fato de já ter tido uma infecção por clamídia anteriormente não confere imunidade.

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CORRIMENTO NA GRAVIDEZ

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\"Corrimento
Corrimento vaginal é o nome dado a qualquer secreção de líquidos pelo canal vaginal. O corrimento é uma situação muito comum e na maioria dos casos não indica qualquer problema ginecológico. Toda mulher a partir da puberdade pode apresentar algum grau de corrimento vaginal.

O corrimento normal, que é aquele não relacionado a doenças ou inflamação ginecológica, é chamado de corrimento vaginal fisiológico. Quando a mulher tem uma doença ginecológica e o corrimento surge por conta deste problema, chamamos de corrimento vaginal patológico.

Neste artigo vamos nos ater apenas ao corrimento vaginal que ocorre nas mulheres grávidas, explicando como distinguir um corrimento fisiológico de um corrimento vaginal patológico.

Se você quiser informações sobre o corrimento em mulheres não grávidas, leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE.

Corrimento vaginal na gravidez

O corrimento vaginal fisiológico é formado pela combinação de células mortas da vagina, bactérias naturais da flora vaginal e secreção de muco. O corrimento normal costuma ter entre 1 e 4 ml de volume diário e a sua função é umedecer, lubrificar e manter a vagina limpa, impedindo inflamações e dificultando o surgimento de infecções.

O corrimento vaginal fisiológico é estimulado pelo hormônio estrogênio e, portanto, pode ter seu volume aumentado em períodos onde há maior estimulação hormonal, como nos casos de gravidez. Outro fator que aumenta o volume de corrimento na gravidez é a maior aporte e sangue para região vaginal.

O corrimento vaginal normal costuma ser branco, leitoso ou transparente, espesso e com odor fraco. Uma das dicas mais importantes para identificar um corrimento fisiológico é a ausência de sinais ou sintomas de irritação, como dor, ardência, vermelhidão ou coceira na vagina e/ou vulva.

É importante destacar que uma discreta irritação na vulva pode ocorrer em algumas mulheres com corrimento fisiológico. Nestes casos, cabe ao obstetra, através de exames, descartar a presença de infecções.

O corrimento na gravidez costuma se intensificar conforme a gestação avança, sendo maior nos 2º e 3º trimestres de gestação. Em algumas mulheres, o corrimento pode ser bem volumoso, causando certo desconforto e constrangimento. Mesmo que o corrimento seja bem grande, não tente interrompê-lo e não use tampões internos, pois isso aumenta o risco de infecção ginecológica.

Dicas para evitar a contaminação do corrimento:

  • Use sabonetes neutros. Evite sabonetes perfumados ou bactericidas.
  • Durante a higiene, não é preciso lavar dentro da vagina.
  • Nunca faça ducha vaginal, mesmo após relação sexual.
  • Use calças largas ou saia.
  • Não use absorventes internos.

Mulheres grávidas podem apresentar outras secreções vaginais durante a gravidez além do corrimento fisiológico. Entre elas, estão a perda do tampão mucoso, sangramentos, rompimento da bolsa e corrimentos patológicos. É importante conhecer as caraterísticas de cada um para saber distingui-los.

Perda do tampão mucoso

Ao longo da gravidez, as secreções naturais produzidas pela vagina vão se depositando no colo do útero, vedando-o em relação ao exterior. Esta substância acumulada recebe o nome de tampão mucoso e sua função é impedir que bactérias da vagina tenham acesso ao interior do útero.

No momentos finais da gravidez, o peso do bebê associado a um afinamento e alargamento do colo do útero faz com que o tampão seja expelido. A saída do tampão mucoso é um sinal de que o útero está se preparando para o parto.

Há mulheres que perdem tampão mucoso apenas horas antes de dar à luz, mas há casos em que o trabalho parto ainda demora vários dias, às vezes até 2 semanas, para se iniciar. A saída do tampão mucoso indica que o bebê nascerá em breve, mas de modo algum é um sinal de início do trabalho de parto. Se não houver outros sinais, não é preciso entrar em contato com o obstetra de forma urgente.

\"Tampão

Tampão mucoso – corrimento na gravidez

O tampão mucoso pode ter várias aparências. Em algumas mulheres ele é uma secreção pegajosa bem clara, tipo clara de ovo, e pode passar despercebido, misturando-se ao corrimento fisiológico. O tampão mucoso também pode ter uma aparência gelatinosa, semelhante a um catarro. Haver um pouco de sangue misturado também é comum, fazendo com que o tampão tenha um aspecto semelhante ao da imagem acima.

Corrimento marrom ou sanguinolento

Qualquer corrimento marrom, avermelhado ou tipo borra de café deve ser sempre valorizado, pois costuma indicar a presença de sangue. O corrimento marrom geralmente é sinal de sangue coagulado que esteve em contato com o ar dentro da vagina antes de ser expelido. Corrimento com sangue vivo, por outro lado, é habitualmente sinal de sangramento que acabou de ocorrer.

Nos primeiros dias de gravidez é possível haver uma discreto corrimento amarronzado, que costuma ocorrer como consequência da implantação do embrião na parede do útero. Em geral, quando isso ocorre, as mulheres ainda não sabem que estão grávidas, e algumas chegam até a confundi-lo com o início de um novo período menstrual. Este tipo de corrimento é perfeitamente normal.

Durante o primeiro trimestre, com o aumento da vascularização do útero e da vagina, é possível haver uma pouco de corrimento amarronzado ou sanguinolento, em decorrência da rotura de pequenos vasos, especialmente após relação sexual ou qualquer outro esforço. Este tipo de sangramento é geralmente discreto e autolimitado, não representando nenhum risco à gravidez.

Todavia, sangramentos no primeiro trimestre podem ser sinal de aborto ou gravidez ectópica. O sinais de alerta são um corrimento sanguinolento em grande quantidade associado a dores ou cólicas abdominais. Na dúvida, qualquer corrimento com suspeita de sangue deve ser avaliado pelo obstetra (leia: SANGRAMENTO NO INÍCIO DA GRAVIDEZ | Primeira metade).

No terceiro trimestre, um corrimento sanguinolento pode indicar alguma complicação, como descolamento prematuro da placenta ou parto prematuro. Outra situação que pode causar sangramento vaginal nas grávidas em fase final de gravidez é a placenta prévia, um problema que ocorre quando a placenta está implantada à frente da saída do útero, obstruindo a passagem e impedindo a saída do feto durante o parto.

Qualquer corrimento sanguinolento na segunda metade da gravidez deve ser avaliado rapidamente por um obstetra.

Corrimento amarelado e/ou com mau cheiro

Corrimentos que não tenham características de corrimento fisiológico devem ser avaliados pelo obstetra, pois uma infecção ginecológica pode estar em curso. Entre os sinais de um corrimento patológico, podemos destacar:

  • Corrimento amarelado ou esverdado.
  • Corrimento com cheiro forte (cheiro de peixe cru).
  • Dor vaginal.
  • Coceira vaginal.
  • Corrimento associado a ardência para urinar.
  • Mudança súbita nas características ou no volume do corrimento.

As infecções ginecológicas durante a gravidez têm importância, pois estão associadas a inúmeras complicações, como parto prematuro, aborto, morte fetal, infecção do feto, etc.

As infecções que provocam vaginites (inflamação da do canal vaginal) são as principais causas para o corrimento patológico. São elas:

Rompimento da bolsa

O feto dentro do útero fica envolto por uma membrana, que é preenchida com líquido aminótico. Esta membrana é chamada popularmente de bolsa d’água ou bolsa das águas.

O rompimento da bolsa ocorre no início do trabalho de parto e provoca uma grande drenagem de líquido pela vagina. Na maioria dos casos, não há muito como confundir esta situação com um corrimento vaginal. Todavia, a saída de líquido pode ser pequena e intermitente, caso a cabeça do feto encoste no colo do útero e passe a funcionar como uma espécie de válvula, permitindo a passagem de líquido aminótico de forma parcial, somente quando a mãe se deita ou tosse.

O líquido amniótico é bem claro e líquido, mas pode ser um pouco amarelado e, às vezes, com algumas raias de sangue.

ESTREPTOCOCOS B – Exame do Cotonete

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O Estreptococos do grupo B, também chamado de Streptococcus agalactiae, é uma bactéria extremamente comum, que costuma colonizar as regiões vaginal, intestinal e retal das mulheres. O Estreptococos B não costuma provocar doenças em pessoas sadias, mas pode causar complicações em mulheres grávidas e ser transmitido para o bebê durante o parto.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a infecção pelo Estreptococos do grupo B durante a gravidez:

  • O que é o  Estreptococos do grupo B (Streptococcus agalactiae).
  • Problemas relacionados à infecção pelo Estreptococos do grupo B durante a gravidez.
  • Diagnóstico do Estreptococos do grupo B.
  • O que é o teste do cotonete.
  • Tratamento do Estreptococos do grupo B.

O que é o  Estreptococos do grupo B

O Estreptococo do grupo B (Streptococcus agalactiae) é uma bactéria comum, presente na região genital de 1 em cada 3 mulheres grávidas. O Streptococcus agalactiae é normalmente inofensivo em adultos e em indivíduos saudáveis, porém, pode causar doença grave em bebês e pessoas com sistema imunológico comprometido, incluindo neste grupos pacientes com diabetes grave, câncer e problemas do fígado.

Apesar de ser encontrado habitualmente na região genital feminina, o Estreptococo do grupo B não é uma DST, ou seja, não é uma bactéria transmitida pela via sexual. A maioria das mulheres com a região vaginal colonizada foi contaminada por Estreptococos que vieram dos seu próprio intestino ou da região retal.

Nos recém-nascidos, a infecção pelo Streptococcus agalactiae pode ocorrer ainda dentro do útero, por invasão do líquido amniótico, conhecido popularmente como bolsa d’água, ou somente na hora do parto, durante a passagem pela canal vaginal. Esta última via é a mais comum.

O Estreptococos B é diferente das outras espécies de Estreptococos que habitualmente provocam doenças, como pneumonia, meningite, amigdalite, escarlatina, impetigo, etc.

Exemplos de Estreptococos diferentes do Streptococcus agalactiae

1. O Estreptococos do grupo B pode até causar pneumonia ou meningite em recém-nascidos, mas a espécie de Estreptococos mais relacionado a estas infecções nos adultos é o Streptococcus pneumoniae, também conhecido como pneumococo (leia: PNEUMONIA | Sintomas e tratamento e MENINGITE | Sintomas e vacina).

2. O Streptococcus viridans é uma outra espécie, diferente do Estreptococos do grupo B, que costuma estar relacionado à endocardite infecciosa (leia: ENDOCARDITE BACTERIANA | ENDOCARDITE INFECCIOSA).

3. O Estreptococos do grupo A, conhecido com Streptococcus pyogenes é responsável por diversas doenças, entre elas:
– Faringites e amigdalites (leia: DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE).
– Erisipela (leia: ESCARLATINA | Sintomas e tratamento).
– Escarlatina (leia: ERISIPELA | CELULITE | Sintomas e tratamento).
– Impetigo (leia: IMPETIGO | Sintomas e tratamento).
– Febre reumática (leia: FEBRE REUMÁTICA | Sintomas e tratamento).

Infecção pelo Estreptococos do grupo B durante a gravidez

A infecção pelo Streptococcus agalactiae durante a gravidez está associada a uma variedades de potenciais riscos, tanto para a mãe quanto para o bebê.

Infecção urinária por Streptococcus agalactiae na gravidez

Entre 10% a 30% das grávidas apresentam colonização da urina pela bactéria Streptococcus agalactiae. Em algumas destas gestantes, a bactéria provoca infecção da bexiga, conhecida como cistite, ou pielonefrite, que é a infecção dos rins. A maioria das pacientes, porém, não apresenta infecção urinária, apenas colonização da urina pelo Estreptococos do grupo B.

O problema é que a bacteriúria assintomática, nome dado à simples presença da bactéria na urina sem sinais ou sintomas de infecção urinária, é um grande fator de risco para complicações na gestação, tais como, parto prematuro, aborto e contaminação do líquido aminótico.

Para saber mais sobre a infecção urinária na gravidez, leia: INFECÇÃO URINÁRIA NA GRAVIDEZ

Infecção do líquido aminótico pelo Streptococcus agalactiae

A infecção da bolsa d’água, chamada em medicina de corioamnionite, é uma invasão bacteriana do líquido amniótico, membranas fetais ou placenta. Os sinais e sintomas da corioamnionite incluem febre, dor no útero, aumento da frequência cardíaca fetal e presença de pus no líquido aminótico.

A infecção do líquido amniótico ocorre geralmente durante a rotura da bolsa no início do trabalho de parto em mulheres colonizadas pelo Estreptococos B. Trabalhos de parto prolongados, com várias horas de duração, ou casos de roturas prematuras da bolsa, são aqueles com maior risco. Todavia, a corioamnionite pode surgir antes da rotura da bolsa d’água, como nos casos de grávidas com infecção urinária, principalmente pielonefrite.

Infecção do útero pelo Streptococcus agalactiae

A infecção da parede do útero, chamada de endometrite, é uma complicação que pode ocorrer após o parto das gestantes contaminadas pelo Estreptococos do grupo B. Dor abdominal, febre e sangramento uterino são sinais e sintomas que sugerem uma infecção no período pós-parto.

Infecção do recém-nascido pelo Estreptococos do grupo B

Apesar dos riscos da mãe desenvolver complicações pelo Streptococcus agalactiae, a grande preocupação é sempre a contaminação do bebê durante o parto. A transmissão da bactéria se dá habitualmente após a rotura da bolsa ou durante a passagem do bebê pelo canal vaginal.

As complicações derivadas da infecção neonatal podem ocorrer precocemente, nas primeiras horas de vida do bebê, ou tardiamente, somente semanas depois do parto.

A infecção precoce do recém-nascido pelo Estreptococos do grupo B é aquela que ocorre dentro dos primeiros 7 dias de vida, habitualmente dentro das primeiras 24 horas, e se manifesta como um quadro de pneumonia, meningite ou sepse sem ponto de partida definido (leia: O QUE É SEPSE | CHOQUE SÉPTICO?).

Febre, dificuldade para mamar e dificuldade respiratória são os sintomas mais frequentes neste tipo de infecção. Crise convulsiva, fraqueza ou rigidez muscular também podem ocorrer. A mortalidade nos casos precoces é de cerca de 3% nos bebês nascidos com mais de 37 semanas e de 20% nos bebês prematuros.

A infecção tardia do recém-nascido pelo Estreptococos do grupo B é aquela que ocorre após a primeira semana de vida. Sepse e meningite são as apresentações mais comuns. A mortalidade nos casos tardios é de cerca de 2% nos bebês nascido com mais de 37 semanas e de 6% nos bebês prematuros.

É importante destacar que nem todo bebê nascido de mães colonizadas pelo Estreptococos do grupo B irá apresentar problemas. Na verdade, apenas 1 em cada 200 são infectados e desenvolvem doença.

Diagnóstico do Estreptococos do grupo B

Para impedir a infecção neonatal pelo Estreptococos do grupo B é importante que a bactéria seja identificada e tratada antes do trabalho de parto. Durante a gravidez, toda gestante é submetida a um exame de urocultura à procura de bactérias na urina (leia: EXAME UROCULTURA | Indicações e como colher). Se for identificada bacteriúria, ou seja, presença de bactérias na urina, o obstetra instituirá tratamento antibiótico adequado para eliminação das mesmas.

Entre a 35ª e 37ª semanas de gestação os obstetras fazem habitualmente o exame do cotonete, que consiste na obtenção de material da vagina e do ânus com uma espécie de cotonete para pesquisar a presença do Estreptococos do grupo B.

Se o exame for positivo, significa que a mãe está colonizada. De forma imediata, porém, não há risco elevado nem para a mãe nem para o feto, pois a contaminação do bebê ocorre, na imensa maioria dos casos, somente no momento do parto. Estar colonizada pelo Streptococcus agalactiae significa apenas que será necessária a administração de antibiótico durante o parto para impedir a transmissão da bactéria para o feto.

O teste do cotonete só é feito no final da gravidez porque a colonização da vagina pelo Estreptococos B pode desaparecer sozinha ao longo da gestação. E mesmo que ele seja tratado no início da gravidez, a bactéria pode retornar ao longo dos meses. Além disso, excetuando-se os casos de infecção urinária, a grande maioria das mulheres colonizadas não apresenta complicações durante a gravidez. Por isso, se o exame de urina for negativo, ter a bactéria durante a gestação não acarreta em maiores problemas. O importante mesmo é saber se o Estreptococos do grupo B está presente na hora do parto, e não meses antes.

A coleta do material vaginal e retal é indolor e o resultado fica pronto em 2 ou 3 dias. Não é recomendado banho ou higiene íntima antes da coleta.

Tratamento do Estreptococos do grupo B

Toda mulher com teste do cotonete positivo deve ser tratada com antibióticos no momento do parto. Sem antibióticos, cerca de 1 em cada 200 bebês fica doente com o Streptococcus agalactiae. Com o uso de antibióticos, a incidência cai para 1 em cada 4000 recém-nascidos, tornando, atualmente, a infecção neonatal pelo Estreptococos do grupo B um evento raro.

O antibiótico é administrado por via venosa durante o trabalho de parto. Os dois mais usados são a penicilina ou a ampicilina, que devem ser administradas a cada 4 horas até o nascimento do bebê.

O tratamento com antibióticos não precisa ser feito se o parto for cesariano e não houver rompimento da bolsa d’água. Neste caso, não há risco das bactérias presentes no canal vaginal chegarem até o bebê. Entretanto, se a bolsa romper antes da cesariana ser iniciada, a administração de antibiótico está indicada.

Tanto a ampicilina quanto a penicilina são antibióticos seguros para o bebê.

TRATAMENTO PARA CANDIDÍASE VAGINAL

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A Candidíase vaginal, também chamada de vulvovaginite por cândida, é uma micose provocada pelo fungo da espécie cândida, habitualmente, a Candida albicans. Outras formas de cândida, como a Candida glabrata, também podem provocar vulvovaginite, mas são bem menos comuns.

A candidíase vaginal é uma forma de vaginite extremamente comum, perdendo em incidência apenas para a vaginose bacteriana, provocada, em grande parte dos casos, pela bactéria Gardnerella (leia: VAGINOSE BACTERIANA | Gardnerella vaginalis).  Cerca de 1/3 dos casos de corrimento vaginal de origem infecciosa são provocados por cândidas.

A Candida albicans é um fungo comum da flora vaginal, estando presente em 1 a cada 5 mulheres. A sua presença em si não representa nenhum perigo para pessoas saudáveis. A candidíase doença só surge quando a população de cândidas colonizando a pele aumenta demasiadamente. Este aumento pode ser estimulado pelo uso de antibióticos, anticoncepcionais com elevadas doses de hormônios, diabetes, alterações do sistema imunológico, uso de glicocorticoides, entre outros. Portanto, ter Candida albicans colonizando a região genital não significa necessariamente que a mulher terá a doença candidíase.

A Candida albicans pode até ser transmitida pela via sexual em alguns casos, mas na maioria das vezes o fungo tem origem na própria pessoa, geralmente do trato gastrointestinal. Mulheres virgens ou sem relação sexual há anos podem ter episódios de candidíase vaginal, motivo pelo qual essa micose não é considerada uma doença sexualmente transmissível.

Neste artigo vamos abordar exclusivamente o tratamento da candidíase vaginal. Se você quiser informações gerais sobre a candidíase vaginal, incluindo causas, fatores de risco e sintomas, leia: CANDIDÍASE VAGINAL ? Causas, sintomas e tratamento.

Tratamento da candidíase vaginal

O tratamento da candidíase só esta indicado nas mulheres que apresentam queixas de vaginite, como prurido ou ardência vaginal, corrimento brancacento ou dor na região vaginal na hora de urinar ou durante o ato sexual. Mulheres assintomáticas não precisam tomar remédios para candidíase. O mesmo vale para os parceiros assintomáticos.

Para fins de tratamento, a candidíase vaginal é dividida em dois grupos:

  • Candidíase não-complicada.
  • Candidíase complicada.

1) Tratamento da candidíase não-complicada

Para ser considerada uma candidíase vaginal não-complicada, a infeção precisa ter as seguintes características:

– Ser esporádica, ocorrendo, no máximo, 3 episódios por ano.
– Não provocar sintomas graves.
– Ser provocada pela Candida albicans.
– Surgir em mulheres saudáveis e não grávidas.

Para as pacientes que se encaixam nesta forma menos grave de infecção, existem várias opções de remédios e pomadas para candidíase vaginal.

Na forma não-complicada de candidíase, tanto os comprimidos por via oral, quanto os tratamentos tópicos intravaginais, como pomadas, cremes ou óvulos, são altamente eficazes, com taxa de cura acima de 90%. Como a eficácia é semelhante, escolha do tratamento mais adequado, seja ele oral ou intravaginal, deve ser decidida em conjunto com a paciente, de acordo com as vantagens e desvantagens de cada forma.

A administração dos medicamentos contra candidíase por via oral costuma ser mais cômoda, porém, a taxa de efeitos colaterais, como náuseas, diarreia ou dor de cabeça, é um pouco mais comum. Os remédios por via oral também demoram cerca de 24 a 48 horas a mais para aliviar totalmente os sintomas da vulvovaginite, quando comparados às pomadas ou óvulos vaginais.

O Fluconazol em comprimido, 150 mg em dose única, é o tratamento mais usado para candidíase vaginal (leia: INFORMAÇÕES SOBRE O FLUCONAZOL). Uma opção com posologia menos cômoda é o Itraconazol 200 mg  por dia, por 3 dias.

Em relação aos tratamentos por via vaginal, o leque de opções é bem maior. Alguns dos esquemas mais indicados são:

Clotrimazol para candidíase
– Clotrimazol creme 1% – 1 aplicação (5 g) à noite por 6 a 7 dias.
– Clotrimazol creme 2% – 1 aplicação (5 g) à noite por 3 dias.
– Clotrimazol comprimido vaginal 500 mg ? 1 comprimido intravaginal à noite em dose única.
– Clotrimazol comprimido vaginal 100 mg ? 1 comprimido intravaginal à noite por 6 dias.

Miconazol para candidíase
– Miconazol creme 2% – 1 aplicação (5 g) à noite por 7 a 14 dias.
– Miconazol óvulo 200 mg – 1 óvulo intravaginal à noite por 3 dias.

Nistatina para candidíase
– Nistatina creme 100.000 UI ? 1 aplicação (4 g) à noite por 14 dias.

Terconazol para candidíase
– Terconazol creme 0,8% – 1 aplicação (5 g) à noite por 3 a 5 dias.
– Terconazol óvulo 80 mg – 1 óvulo intravaginal à noite por 3 dias.

2) Tratamento da candidíase complicada

Para ser considerada uma candidíase vaginal complicada, a infeção precisa ter uma ou mais das seguintes características:

– Ser recorrente, com mais de 4 episódios por ano.
– Provocar sintomas muito intensos.
– Ser provocada por uma cândida que não a Candida albicans, como, por exemplo, Candida glabrata.
– Acometer grávidas, pacientes com diabetes mal controlado ou qualquer doença que provoque imunossupressão.

a) Candidíase vaginal recorrente

O tratamento dos casos recorrentes de candidíase pode ser difícil, demorado e frustrante. O tratamento deve ser basear no tripé: remoção dos fatores predisponentes (por ex: controlar melhor o diabetes, usar pílulas mais fracas ou outros métodos anticoncepcionais, evitar o uso desnecessário de antibióticos, evitar duchas vaginais, etc.), eliminar a infecção atual e evitar a recorrência.

O tratamento mais indicado para candidíase recorrente é Fluconazol 150 mg por via oral, 3 doses com intervalo de 72 horas entre cada uma. Ao final deste esquema, inicia-se o tratamento preventivo, com Fluconazol 150 mg, 1 comprimido por via oral, 1 vez por semana por 6 meses.

Uma alternativa para quem não deseja o tratamento por via oral é usar qualquer um dos esquemas intravaginais descritos no tópico anterior por 14 dias, seguido por Clotrimazol comprimido vaginal 500 mg, 1 comprimido intravaginal 1 vez por semana por 6 meses.

b) Candidíase vaginal com sintomas intensos

Em caso de candidíase não recorrente, mas com sintomas muito intensos, o tratamento pode ser feito com Fluconazol 150 mg por via oral, 3 doses com intervalo de 72 horas entre cada uma.

Uma alternativa para quem não deseja o tratamento por via oral é usar qualquer um dos esquemas intravaginais descritos no tópico anterior por 10 a 14 dias.

c) Candidíase não-albicans

Quando o tipo de cândida responsável pela vulvovaginite não é a Candida albicans, o tratamento deve ser dirigido de acordo com a cândida isolada. A pesquisa do tipo de cândida geralmente é feita nos casos de infeção recorrente ou de difícil eliminação.

Candida glabrata: Ácido bórico, cápsula vaginal de 600 mg, 1 vez por dia durante 14 dias.
Candida krusei: Cotrimazol, Miconazol ou Terconazol intravaginal por 7 a 14 dias.

d) Candidíase na gravidez

Nas grávidas, o tratamento deve ser feito por via intravaginal. O Cotrimazol e o Miconazol por 7 dias são as drogas mais usadas.

Remédios caseiros para candidíase

Não há nenhuma evidência científica de que os seguintes tratamentos caseiros funcionem:

– Iogurte com lactobacillus por via oral ou por via vaginal.
– Comer ou passar alho na vagina.
– Aplicações de vinagre.
– Aplicações de suco de limão.
– Comer maçã.
– Suplementos de vitaminas.
– Probióticos.
– Ômega 3.

CANDIDÍASE VAGINAL – Causas, sintomas e tratamento

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A candidíase vaginal, também chamada de monilíase vaginal, é uma infecção ginecológica provocada pelo fungo Candida albicans. Essa micose é tão comum que 3 em cada 4 mulheres terão pelo menos um episódio de candidíase vaginal ao longo da vida.

A Candida albicans provoca um quadro de inflamação na vagina e na vulva (parte exterior da vagina), motivo pelo qual ela também é conhecida como vulvovaginite por Candida. A inflação genital da candidíase caracteriza-se pelos sinais e sintomas de vermelhidão local, intensa coceira e corrimento vaginal.

A candidíase vaginal pode ser facilmente tratada com mendicamentos antifúngicos, mas algumas mulheres que têm episódios recorrentes de candidíase podem precisar de tratamento prolongado para conseguirem se livrar da infecção.

Neste artigo, vamos explicar o que é a candidíase vaginal, quais são as suas causas, sintomas e tratamento.

Vamos falar também dos casos de candidíase recorrente, que podem ser difíceis de serem eliminados.

Se você procura informação sobre a candidíase no homem, acesse o seguinte link: CANDIDÍASE NO HOMEM ? Causas, sintomas e tratamento.
Se está à procura de uma artigo sobre candidíase oral (sapinho), acesse o seguinte link: SAPINHO NA BOCA | Candidíase oral.
Se quiser ler sobre infecções pela Candida em geral, não só de origem ginecológica, acesse: CANDIDÍASE ? Sintomas, Causas e Tratamento.

Como surge a candidíase vaginal?

Conforme explicado na introdução do artigo, a candidíase vaginal é uma infecção da vagina e da vulva causada pelo fungo do gênero Candida. Dentre todas as espécies de Candida, a Candida albicans é a mais comum, sendo responsável por até 90% dos casos. A candidíase vulvovaginal também pode ser causada pelas espécies Candida glabrata ou Candida parapsilosis, mas esses casos são incomuns e tendem a ter um quadro clínico mais brandos.

A Candida é um fungo que existe naturalmente na nossa flora biológica, estando presente na boca e no sistema digestivo de até 50 a 80% das pessoas, dependendo da população estudada. Em situações normais, o nosso sistema imunológico e a presença dos outros microrganismos da nossa flora natural impedem que a Candida se multiplique exageradamente, mantendo sua população sob controle. Portanto, estar colonizado pelo fungo Candida não é sinônimo de ter uma infecção por Candida. A Candida é apenas um ente os milhões de germes que fazem parte da nossa flora natural de microrganismos.

Isso significa que a Candida é um germe oportunista, ou seja, um micróbio que pode viver inocentemente em nosso corpo sem causar doenças, mas que, ao menor sinal de fraqueza do nosso sistema imunológico ou distúrbio na nossa flora natural de germes, pode multiplicar-se e passar a provocar infecções.

Entre 20 a 50% das mulheres têm a sua vagina colonizada pelo fungo Candida sem que isso, porém, signifique haver uma infecção pela Candida. Essas mulheres são completamente assintomáticas, pois o pH ácido da vagina, o sistema imunológico e a presença da flora bacteriana vaginal impedem que a Candida consiga se multiplicar. A candidíase vaginal só surge se houver algum distúrbio em pelo menos um desses três fatores de proteção citados.

Como se pega candidíase vaginal?

A pergunta acima é muito comum, mas ela é conceitualmente errada, pois, na maioria dos casos, não se pega candidíase de ninguém; a candidíase surge porque a Candida albicans, que já existia no seu organismo, encontrou formas de ultrapassar as defesas do nosso corpo e conseguiu multiplicar-se de forma descontrolada.

Habitualmente, a Candida albicans que coloniza a vagina das mulheres tem sua origem na região perianal. A Candida que existe no trato gastrointestinal e coloniza a região perianal pode migrar pelo períneo, alcançar a vagina e se estabelecer nessa nova região. Uma forma comum disso ocorrer é através da limpeza incorreta do ânus após a evacuação. Se a mulher se limpa de trás para a frente, ela acaba trazendo germes da região perianal em duração à vagina. Isso favorece não só a colonização vaginal pela Candida, como também a ocorrência de infecção urinária por bactérias do trato gastrointestinal (leia: CAUSAS E PREVENÇÃO DA INFECÇÃO URINÁRIA).

Eventualmente, a Candida albicans pode ser transmitida de uma pessoa para outra. Como a boca e trato gastrointestinal são os habitats mais comuns da Candida no nosso organismo, o sexo oral e o sexo anal são possíveis fontes de transmissão. O sexo vaginal também pode ser uma forma de transmissão, caso o pênis do parceiro ou a vagina da parceira estejam colonizados.

Cabe aqui uma ressalva, a transmissão da Candida por via sexual não necessariamente indica que a mulher irá desenvolver candidíase. A Candida recém adquirida vai ter de enfrentar os mesmos fatores de defesa que uma Candida do próprio organismo precisa enfrentar. Como já vimos, ter o fungo Candida albicans não é sinônimo de ter infecção pelo fungo Candida albicans. Portanto, apesar da Candida poder ser transmitida pela via sexual, a candidíase em si não é considerada uma doença sexualmente transmissível, pois a grande maioria dos casos de candidíase vaginal não tem relação com o ato sexual. O número de parceiros que uma mulher tem na vida não interfere no risco dela desenvolver candidíase, e mulheres que praticam o celibato podem desenvolver vulvovaginite pela Candida albicans.

Fatores de risco para candidíase vaginal

Em geral, a Candida albicans prolifera-se nas seguintes situações: redução da acidez vaginal (aumento do pH vaginal), alterações na flora microbiana da vagina, alterações hormonais ou fraqueza do sistema imunológico.

Vários fatores de risco para candidíase vulvovaginal já são bem conhecidos, sendo os mais importantes:

  • Diabetes Mellitus – mulheres diabéticas, principalmente aquelas com glicemia cronicamente mal controlada, são indivíduos particularmente propensos a desenvolver vulvovaginite por Candida (leia: PRIMEIROS SINTOMAS DO DIABETES).
  • Uso recente de antibióticos – cerca de 25 a 30% das mulheres que precisam fazer  um curso de antibióticos de largo espectro acabam desenvolvendo um episódio de candidíase vaginal. Isso ocorre porque os antibióticos agem contra as bactérias naturais da flora vaginal, mas são inertes contra os fungos.
  • Alterações hormonais – níveis muito elevados ou muito baixos de estrogênio interferem no meio vaginal e aumentam o risco de candidíase. Isso explica porque situações como gravidez, reposição hormonal, menopausa, uso de anticoncepcionais hormonais e até o período ovulatório podem facilitar o aparecimento da vulvovaginite por Candida.
  • Imunossupressão – mulheres imunossuprimidas, seja por doenças, como o HIV, ou por uso de drogas imunossupressoras, apresentam maior risco de desenvolverem candidíase.

Situações de risco ainda não comprovadas

Os fatores de risco listados acima são aqueles que comprovadamente influenciam no risco da mulher desenvolver uma candidíase. Há muitos outros, mas estes não apresentam resultados consistentes nos estudos clínicos realizados. Portanto, é possível, mas não é definitivamente correto que afirmar que os seguintes fatores aumentam o risco de candidíase:

Como esses possíveis fatores de risco, apesar de não serem comprovados, podem ser evitados, faz sentido que as mulheres que apresentam candidíase recorrente tentem se resguardar. No entanto, quem nunca teve candidíase vulvovaginal ou teve somente um ou dois episódios ao longo de vários anos não precisa se preocupar com esses possíveis fatores de risco, pois eles não são assim tão relevantes.

Candidíase vaginal recorrente

Cerca de 5% das mulheres têm candidíase vaginal recorrente, que se caracteriza pela ocorrência de mais de 4 episódios de candidíase por ano. As recorrência habitualmente ocorrem pela falta de eficácia no tratamento de uma infecção anterior, o que permite que a mesma cepa de candidíase volte a crescer após algum tempo. Raramente, a recorrência da candidíase se dá por uma nova infecção, provocada por uma cepa diferente de Candida albicans.

Estudos sugerem que as mulheres que apresentam candidíase vaginal recorrente podem ser geneticamente mais susceptíveis à infecção pela Candida albicans, por alterações no sistema de defesa da região vaginal.

Sintomas da candidíase vaginal

Prurido vulvar (coceira vaginal) é o sintoma mais importante da candidíase. Ardência ou dor na região vaginal também são comuns e podem ser acompanhadas por disúria (dor ao urinar) ou dispareunia (dor durante o ato sexual).

Outros sinais frequentes são a vermelhidão na região da vulva e o corrimento vaginal. O corrimento da candidíase vaginal é habitualmente leitoso, ou tipo queijo cottage, e sem odor.

Os sintomas da candidíase podem se agravar nos dias que antecedem a descida da menstruação.

Diagnóstico da candidíase vaginal

Nenhum dos sintomas descritos acima é exclusivo da vulvovaginite pela Candida. Várias infecções ginecológicas, tais como a tricomoníase e vaginose bacteriana, podem causar sintomas semelhantes. Na verdade, de todas as mulheres que procuram o ginecologista com queixa de coceira vaginal, menos de 50% têm candidíase. A maioria apresenta outras causas de infecção ginecológica.

Portanto, o diagnóstico da candidíase vulvovaginal só pode ser estabelecido com certeza através da avaliação laboratorial do corrimento. Para tal, o ginecologista precisa realizar um exame ginecológico no qual ele utiliza uma espécie de cotonete para colher material da parede da vagina. Esse material é enviado para o laboratório, para que o germe causador da vaginite possa ser identificado.

Tratamento da candidíase vaginal

Os casos mais simples de candidíase vulvovaginal podem ser tratados com cremes de aplicação vaginal, entre eles o cotrimazol, nistatina e miconazol. Outra opção é o fluconazol comprimido de 150 mg em dose única (leia: FLUCONAZOL – Tratamento para candidíase e outras micoses). Ambas formas de tratamento têm taxas de sucesso acima de 90%, mas a posologia por via oral é mais confortável por ser simples e curta, sendo atualmente a forma mais utilizada.

Nos casos de candidíase recorrente, o tratamento é habitualmente feito com fluconazol por via oral por até 6 semanas.

Se você quiser saber mais detalhes sobre o tratamento da candidíase vaginal, temos um artigo exclusivo sobre o assunto: TRATAMENTO PARA CANDIDÍASE VAGINAL.

Este post também está disponível em: Espanhol

GLÂNDULA DE BARTHOLIN – Cisto, Abscesso e Bartolinite

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As glândulas de Bartholin são duas glândulas que se localizam na vulva, porção externa da genitália feminina, e têm como função a produção de um fluido lubrificante.

Existem dois problemas da glândula de Bartholin que são relativamente comuns: a formação de cisto ou de abscesso, este último um processo chamado também de bartolinite. Ambas complicações costumam surgir quando há uma obstrução do orifício de saída da glândula que impede a adequada drenagem dos seus fluidos.

Neste artigo vamos explicar o que são as glândulas de Bartholin e quais são os sintomas, causas e tratamentos do abscesso e do cisto de Bartholin.

O que é a glândula de Bartholin

Como já referido na introdução deste artigo, as glândulas de Bartolhin são dois pares de glândulas localizadas nos pequenos lábios, próximo à vagina. A sua função é produzir um fluido mucoso que serve para lubrificar e umidificar a vulva e a parte mais externa da vagina, principalmente durante o ato sexual.

Os ductos que transportam os fluidos produzidos pela glândula possuem cerca de 2,5 cm de comprimento e os seus orifícios de saída, por onde efetivamente são secretados o muco, possuem 0,5 cm de diâmetro.

Anatomia genital feminina (clique para ampliar)

Para facilitar a identificação anatômica das glândulas, se você pensar na vagina como um relógio, os orifícios de saída estarão localizados na marca das 4h e 8h. Em condições normais, as glândulas de Bartholin são pequenas e não costumam ser visíveis nem palpáveis.

Problemas da glândulas de Bartholin

As doenças da glândula de Bartholin ocorrem basicamente quando a saída de um ou ambos os ductos fica obstruída, impedido a eliminação do muco produzido. As duas complicações mais frequentes que surgem deste problema são o cisto de Bartholin e o abscesso da glândula de Bartholin. Vamos falar um pouquinho sobre cada uma das duas.

Os tumores sólidos benignos e malignos da glândula de Bartholin são muito raros e, portanto, não serão abordados neste artigo.

Cisto de Bartholin

Se o orifício de saída da glândula de Bartholin torna-se obstruído, todo o muco por ela produzido acaba ficando retido ao redor da própria glândula, criando um cisto, que nada mais é do que uma tumoração com conteúdo líquido no seu interior. Este cisto é chamado de cisto de Bartholin.

Cerca de 2% das mulheres em idade fértil desenvolvem o cisto de Bartholin. As crianças não costumam desenvolver esse problema, porque as glândulas de Bartholin não começam a funcionar até a puberdade. Da mesma forma, os cistos são incomuns após a menopausa, pois as glândulas tendem a se atrofiar e perder função com a idade.

Sintomas do cisto de Bartholin

Quando o cisto é pequeno, ele costuma passar despercebido, pois além de não ser facilmente visível ou palpável, ele também é indolor na maioria dos casos. Quando o cisto cresce para além de 1 cm de diâmetro, e esse processo pode levar de meses a anos, a mulher pode notar o surgimento de uma pequena tumoração (um carocinho) em um dos seus pequenos lábios. O cisto, nestes casos, costuma ser papável e visível, porém mantém-se indolor. Cistos maiores que 3 cm de diâmetro podem causar algum desconforto ao toque ou durante a relação sexual. Quanto maior for o cisto, maior é a chance dele causar desconforto, inclusive ao andar ou sentar.

Tratamento do cisto de Bartholin

Nenhum tratamento faz-se necessário nos casos de cistos assintomáticos. A paciente pode apenas fazer banhos de assento com água morna e manter a região limpa para evitar sua contaminação. Na imensa maioria dos casos, o cisto desaparece espontaneamente após alguns dias.

Se o cisto crescer muito e estiver causando algum desconforto, seja físico ou estético, ele pode ser drenado através de uma pequena incisão.

Nas mulheres com mais de 45 anos de idade, fase da vida em que esse tipo de cisto começa a ser incomum, é importante o médico avaliar a lesão com cuidado, pois ele pode ser, na verdade, um tumor, e não um cisto simples. Nestes casos, é prudente realizar uma incisão na lesão para que possamos fazer uma biópsia e ter certeza de que não se trata de um carcinoma da vulva.

Abscesso da glândula de Bartholin

O abscesso da glândula de Bartholin é uma complicação que surge quando o líquido aprisionado dentro do cisto de Bartholin contamina-se com bactérias e torna-se purulento. Essa complicação também é chamada de Bartholinite, cujo termo significa inflamação das glândulas de bartholin.

A bactéria que mais comumente infecta o cisto e provoca abscesso da glândula de bartholin é a Escherichia coli, a mesma que habitualmente provoca os quadros de infecção urinária. Bactérias que normalmente habitam nossa pele tais como os Estafilococos e os Estreptococos também podem ser a causa. As bactérias que provocam a gonorreia e a clamídia, ambas doenças sexualmente transmissíveis, também podem ser o agente infeccioso responsável pela formação do abscesso.

Sintomas do abscesso da glândula de Bartholin

Ao contrario do cisto, o abscesso é uma tumoração que provoca intensos sintomas. A dor, o inchaço, a vermelhidão e o calor local são as principais características do quadro. Febre não é tão frequente e só ocorre em cerca de 20% dos casos. Em algumas situações, o abscesso pode drenar espontaneamente, liberando um líquido claramente purulento. Ao ser drenado, os sintomas costumam desaparecer.

Se além do abscesso, a paciente também apresentar corrimento vaginal amarelado ou esverdeado, o ginecologista deve sempre pensar em uma DST como a causa da bartholinite (leia: Tipos de Corrimento Vaginal: Branco, Amarelo, Marrom?).

Tratamento do abscesso da glândula de Bartholin

De maneira oposta ao cisto, que costuma ser assintomático e não requer tratamento específico, o abscesso da glândula de Bartholin, habitualmente, requer intervenção médica.

Se o abscesso for pequeno e pouco doloroso, a lesão pode ser tratada com banhos de assento frequentes, com duração de 15 minutos, 3 a 4 vezes por dia. Esse procedimento ajuda na drenagem espontânea do pus. Mesmo quando o banho de assento não é suficiente para tratar o abscesso, ele ajuda no alívio dos sintomas.

Na maioria dos casos, porém, o abscesso precisa mesmo de uma intervenção médica, como a drenagem cirúrgica. Esse procedimento é feito com uma simples incisão na lesão, realizada sob anestesia local. Após o pus ter sido todo drenado, o ginecologista implanta um pequeno cateter de borracha dentro do cisto, que serve para evitar que haja reacúmulo de pus. Esse cateter é retirado após 6 semanas.

Se a paciente não tiver febre e se a drenagem do pus tiver sido feita de forma eficaz, não é preciso prescrever antibióticos. Porém, se a causa do abscesso da glândula de Bartholin tiver sido uma DST, como a gonorreia ou a clamídia, o tratamento com antibioterapia adequada está indicado, pois a simples cura do abscesso não significa que a DST terá sido tratada.

Se após um tratamento bem sucedido a paciente voltar a apresentar recorrência do abscesso, uma técnica cirúrgica alternativa, chamada marsupialização, pode ser tentada. Neste tipo de cirurgia, também realizada sob anestesia local, o médico faz uma pequena incisão na lesão e depois sutura as suas bordar com a pele, de forma a manter um pequeno orifício permanentemente aberto para que os fluídos produzidos pela glândula de Bartholin não tenham mais risco de ficarem retidos.

Se a técnica de marsupialização falhar, e a paciente voltar a apresentar episódios de bartholinite, a solução final é uma cirurgia para retirada da glândula de Bartholin. Raramente é preciso chegar a esse recurso mais radical.

Este post também está disponível em: Espanhol

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