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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

ANEMIA PODE VIRAR LEUCEMIA?

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Uma das dúvidas mais comuns na população é quanto ao risco de uma anemia virar leucemia, principalmente se não for corretamente tratada. Mas, afinal, anemia pode virar leucemia?

A resposta é simples: não, anemia não vira leucemia. Mesmo que anemia não seja tratada adequadamente, não há nenhum risco dela virar leucemia nem a curto nem a longo prazo.

Entretanto, a anemia pode ser um dos sintomas de quem tem leucemia, por isso, esta confusão costuma surgir.

Vamos explicar de forma resumida.

O que é anemia?

A hemácia, também chamada de eritrócito ou glóbulo vermelho, é o tipo de célula mais abundante no sangue. Só para se ter uma ideia, em apenas 1 ml de sangue podemos encontrar cerca de 5 bilhões de hemácias. A hemácia é a célula que transporta o oxigênio pelo sangue. Ela capta o oxigênio nos pulmões e o leva para todos os tecidos do corpo.

As hemácias são produzidas de forma contínua na medula óssea e têm uma vida média de 120 dias. Conforme as hemácias velhas vão sendo destruídas no baço, novas hemácias produzidas na medula são lançadas na corrente sanguínea, de forma a manter mais ou menos constante a quantidade de glóbulos vermelhos circulantes.

Quando a quantidade de hemácias presentes no sangue encontra-se reduzida, damos o nome de anemia. A anemia surge quando a perda de hemácias é maior que a produção. Geralmente, isso ocorre por três motivos:

1- A medula óssea está doente e produz poucas hemácias novas.
2- Alguma doença está provocando a destruição precoce das hemácias, antes dos 120 dias de vida.
3- O paciente está perdendo hemácias devido a sangramentos.

Se você quiser saber mais detalhes sobre a anemia, acesse os seguintes artigos:
– ANEMIA | Sintomas e causas.
– 7 SINTOMAS DE ANEMIA.
– ANEMIA POR FALTA DE FERRO.

O que é leucemia?

Os leucócitos, também chamados de glóbulos brancos, são outro tipo de células do sangue, pertencem ao sistema imunológico e são um dos principais responsáveis pelo combate aos germes invasores do organismo. Assim como as hemácias, os leucócitos também são produzidos na medula óssea.

A leucemia é um tipo de câncer que atinge os leucócitos. A medula óssea acometida pela leucemia passa a produzir leucócitos de forma exagerada. Além disso, esses leucócitos produzidos são defeituosos e não servem para combater infecções.

Se você quiser saber mais detalhes sobre a leucemia, acesse os seguintes artigos:
– LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento.
– LEUCEMIA.

Relação entre anemia e leucemia

Os leucócitos malignos produzidos excessivamente na leucemia vão se acumulando dentro da medula óssea, ocupando espaço que antes era reservado para a produção de outras células do sangue, como as hemácias. Por isso, com o passar do tempo, o paciente com leucemia pode começar a ter anemia, que surge por falta de produção de novos glóbulos vermelhos pela medula óssea doente.

Portanto, a leucemia pode provocar anemia, mas a anemia não causa leucemia. Em hipótese alguma. Mesmo as anemias que duram anos não apresentam risco de se transformar em leucemia.

SÍNDROME MIELODISPLÁSICA – Mielodisplasia (SMD)

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A síndrome mielodisplásica, também chamada de mielodisplasia ou SMD, é um grupo de distúrbios do sangue caracterizado pela incapacidade das células tronco da medula óssea de se desenvolverem em células sanguíneas maduras e funcionais. A síndrome mielodisplásica é uma doença predominantemente de indivíduos idosos e se apresenta clinicamente com anemia e queda no número de glóbulos brancos e plaquetas. Uma das principais complicações da mielodisplasia é a sua transformação em leucemia.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a mielodisplasia:

  • O que são as células do sangue.
  • Como funciona a medula óssea.
  • O que é síndrome mielodisplásica.
  • Causas da síndrome mielodisplásica.
  • Sintomas da síndrome mielodisplásica.
  • Diagnóstico da mielodisplasia.
  • Tratamento da mielodisplasia

O que são as células do sangue

Para entender a mielodisplasia é preciso antes saber o que são as células sanguíneas e o que é a medula óssea. Serei sucinto nesta explicação para não cansar o leitor com termos técnicos e funções fisiológicas.

As células do sangue são dividas em três linhagens:

1. Hemácias (também conhecida como glóbulos vermelhos)

As hemácias são as células que transportam oxigênio através do sangue. A queda no número de hemácias se chama anemia. Sua principal consequência é a diminuição na capacidade do organismo de levar oxigênio adequadamente para suas células e tecidos (leia: ANEMIA | Sintomas e causas).

2. Leucócitos (também conhecido como glóbulos brancos)

Os leucócitos são células do sistema imunológico que agem defendendo o nosso organismo contra germes invasores, como bactérias, vírus, parasitas e fungos. A queda no número de leucócitos se chama leucopenia. Sua principal consequência é tornar o organismo mais susceptível a infecções.

3. Plaquetas

As plaquetas fazem parte do sistema de coagulação, sendo as responsáveis pela primeira parte do estacamento de qualquer sangramento. A queda do número de plaquetas chama-se trombocitopenia. Sua principal consequência é a diminuição da capacidade do organismos em conter sangramentos.

Se você quiser saber mais detalhes sobre hemácias, leucócitos e plaquetas, leia o seguinte artigo: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados..

Como funciona a medula óssea

A medula óssea, chamada popularmente de tutano, é uma estrutura que fica localizada no interior dos grandes ossos, sendo a responsável pela produção das células sanguíneas. A medula óssea produz células-tronco, que são células precursoras, capazes de se transformar em células maduras e funcionais.

Processo de maturação das células sanguíneas

A célula tronco, de acordo com o estímulo a que for exposta, pode se diferenciar em qualquer tipo de célula sanguínea, sejam plaquetas, hemácias ou qualquer um dos tipos de leucócitos (linfócitos, neutrófilos, eosinófilos, etc.). Portanto, todas as células circulantes em nosso sangue tiveram origem em um célula-tronco da medula óssea.

A medula óssea funciona continuamente, produzindo células, de forma a manter sempre estável o número de hemácias, leucócitos e plaquetas no sangue. As células sanguíneas velhas são destruídas no baço, órgão localizado no quadrante superior direito do abdômen, e são substituídas pelas células novas recém-produzidas na medula óssea.

Uma hemácia tem uma vida média de 120 dias, os leucócitos vivem cerca de 20 dias e as plaquetas apenas 10 dias. Depois que atingem essas idades, as células são retiradas da circulação pelo baço.

O que é mielodisplasia

“Mielo” é um termo de origem grega que significa medula óssea, e displasia é um termo usado para descrever anomalias estruturais. Portanto, grosso modo, mielodisplasia significa anomalia da medula óssea.

Síndrome mielodisplásica é o nome dado para descrever um grupo de doenças que se caracteriza por uma medula óssea doente, cheia de células-tronco displásicas, incapazes de gerar células maduras e funcionantes. Essas células-tronco doentes se comportam como um câncer, pois são clones que se multiplicam indefinidamente, ocupando espaço na medula onde deveriam haver células sadias.

Em geral, as células-tronco defeituosas costumam ter um dos seguintes destinos:

– Morrem dentro da medula óssea antes de se diferenciarem.
– Conseguem formar células jovens (blastos), mas morrem assim que são lançadas na circulação sanguínea.
– Conseguem formar células jovens (blastos), mas elas não conseguem se maturar, sendo incapazes de exercer as funções das células sanguíneas maduras.
– Conseguem chegar à forma madura, mas são células defeituosas, que não funcionam adequadamente.

Independente do destino da célula-tronco displásica, o resultado final é uma produção insuficiente de células sanguíneas sadias.

A mielodisplasia é uma doença progressiva. Inicialmente apenas uma fração das células-tronco se tornam defeituosas, sendo incapazes de se diferenciar e se tornar células maduras. Com o tempo, esses clones se proliferam, e um número cada vez maior de células displásicas vão surgindo, até o ponto em que a quantidade de células doentes é maior que o de células sadias.

O resultado final desta insuficiente produção de hemácias, leucócitos e plaquetas saudáveis pela medula óssea é a redução progressiva da sua quantidade no sangue, levando à anemia, leucopenia e trombocitopenia.

Causas da síndrome mielodisplásica

A síndrome mielodisplásica surge quando algum fator age provocando mutações nas células-troncos da medula óssea, tornado-as defeituosas e incapazes de gerar células sanguíneas maduras e funcionais. Na maioria dos casos, esse fator desregulador é desconhecido.

Costumamos dividir as síndromes mielodisplásicas em dois grupos de acordo com sua origem: mielodisplasias primárias e mielodisplasias secundárias.

As mielodisplasias primárias são aquelas que não conseguimos identificar um agente causador das alterações medulares. O paciente desenvolve a SMD sem que haja uma causa clara para o fato. Cerca de 70% dos casos de mielodisplasia são primários.

As mielodisplasias secundárias são aquelas que surgem após a exposição a determinadas substâncias tóxicas para a medula óssea, habitualmente radiação e quimioterapia. Pacientes que durante a sua vida foram tratados para cânceres, como leucemias, linfomas, câncer de mama, etc., podem anos depois, desenvolverem síndrome mielodisplásica.

Entre os quimioterápicos relacionados ao aparecimento da síndrome mielodisplásica, podemos citar:

  • Clorambucil.
  • Ciclofosfamida.
  • Doxorrubicina.
  • Etoposídeo.
  • Ifosfamida.
  • Mecloretamina.
  • Melfalano.
  • Procarbazina.
  • Teniposídeo.

Pessoas expostas durante a vida a químicos tóxicos como inseticidas, agrotóxicos, fertilizantes, mercúrio, chumbo e benzeno. Pessoas fumantes também apresentam um maior risco de desenvolverem SMD (leia: DOENÇAS DO CIGARRO | Como parar de fumar).

As formas secundárias costumam ser as mais resistentes ao tratamento.

Sintomas da síndrome mielodisplásica

A síndrome mielodisplásica é uma doença que acomete, habitualmente, pessoas acima dos 60 anos, sendo rara em indivíduos com menos de 50 anos. Homens são mais acometidos que mulheres.

Nos estágios iniciais da doença, enquanto a queda do número de células for pequena, o paciente não sente sintoma algum. Nestes casos assintomáticos, a mielodisplasia pode ser suspeitada através do exame de sangue hemograma, que já é capaz de detectar pequenas redução de uma ou mais das 3 linhagem de células sanguíneas.

Conforme a doença avança, o paciente passa a apresentar sintomas decorrentes da redução do número de hemácias, leucócitos e plaquetas.

A redução das hemácias é chamada de anemia e provoca sintomas como cansaço, falta de energia, palidez da pele, palpitações e falta de ar (leia: 7 SINTOMAS DE ANEMIA).

A redução no número de leucócitos, chamada leucopenia, diminui a capacidade do organismo de lutar contra germes invasores. Dentro do grupo dos leucócitos, os neutrófilos costumam ser o tipo que mais apresenta queda na sua produção. A neutropenia (baixo número de neutrófilos) predispõe o paciente a infecções bacterianas, principalmente sinusite, pneumonia e infecções urinárias ou da pele.

A queda do número de plaquetas, chamada trombocitopenia, faz com que o paciente tenha maior dificuldade de coagular o sangue. Clinicamente isso se manifesta como uma maior facilidade de surgirem equimoses (manchas roxas na pele), sangramentos nasais e gengivais. Em fases mais avançadas, com níveis de plaquetas muito baixos, o paciente pode apresentar hemorragias espontâneas, principalmente do trato gastrointestinal.

Uma das complicações mais temidas da SMD é a sua transformação em leucemia mieloide aguda (leia: LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento).

Diagnóstico da mielodisplasia

Habitualmente, a hipótese diagnóstica de síndrome mielodisplásica surge após um hemograma que evidencia diminuição do número de uma, duas ou das três linhagens de células sanguíneas. Se a doença ainda estiver em fases iniciais, geralmente, ainda só há redução em um dos três tipos de células.

Além de identificar um número reduzido de células, o hemograma também é capaz de nos informar a morfologia das mesmas, podendo indicar a presença de células displásicas no sangue.

Havendo a suspeita de mielodisplasia, o próximo passo é obter amostras da medula óssea para avaliação. O exame é feito em duas
partes:
– Aspirado de medula óssea: procedimento em que se aspira através de uma agulha uma amostra do líquido existente na medula.
– Biópsia de medula óssea: procedimento em que se coleta um pequeno fragmento de osso, contendo a medula óssea.

Ambos os materiais obtidos são levados a um patologista que consegue identificar a presença de displasia medular e mutações cromossomiais.

Tratamento da síndrome mielodisplásica

A SMD é uma doença de progressão lenta. Como ela acomete preferencialmente idosos, muitas vezes, um tratamento agressivo pode acabar fazendo mais mal do que a própria doença.

Se o grau de anemia, trombocitopenia ou leucopenia for leve, tratamento de suporte visando apenas a correção destes valores pode ser o mais indicado. Drogas como a eritropoietina estimulam a produção de hemácias pela medula e podem ajudar a corrigir anemias. Para aumentar a contagem de leucócitos, drogas como o Granulokine (G-CSF) são úteis.

Em alguns casos mais graves são necessárias transfusões de hemácias ou de plaquetas para repor a falta destas.

A quimioterapia para destruição das células displásicas pode ser utilizada em alguns casos. As drogas mais usadas são a Decitabina, Lenalidomida e a Azacitidina.

Transplante de medula óssea para o tratamento da mielodisplasia

Só existe um tratamento que cura a síndrome mielodisplásica: o transplante de medula óssea. O problema é que o transplante de medula óssea é um procedimento de alto risco, não sendo seguro se o estado geral do paciente não for muito bom. Em geral, o transplante só é indicado em casos graves, sem resposta aos tratamentos convencionais.

Antes do transplante, o paciente é submetido a doses elevadas de quimioterapia, de forma a destruir todas as células da sua medula óssea. A medula e suas células displásicas são totalmente eliminadas do corpo. Nesta fase que precede o transplante, o paciente fica completamente exposto a infecções, pois, sem medula, ele é incapaz de produzir leucócitos para sua defesa.

Uma vez aniquilada toda a medula óssea do organismo, o paciente recebe uma transfusão com sangue rico em células-tronco de um doador compatível, geralmente um familiar. Essas células-troncos sadias preenchem a medula destruída e passam a produzir células sanguíneas saudáveis.

Como a SMD é uma doença que acomete predominantemente pessoas idosas, muitas delas não tem condições clínicas de se submeterem ao transplante de medula óssea.

Este post também está disponível em: Espanhol

7 SINTOMAS DA LEUCEMIA

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A leucemia é um dos tipos de câncer mais comuns, podendo acometer desde crianças até pessoas idosas. A leucemia geralmente começa nos leucócitos (glóbulos brancos do sangue), que são as células do nosso sistema imunológico responsáveis pelo combate a germes invasores.

Neste texto vamos abordar exclusivamente os sinais e sintomas mais comuns da leucemia. Para saber mais detalhes sobre esta doença, leia: LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento.

Como a leucemia afeta o organismo?

Antes de seguirmos em frente com os sintomas da leucemia, faz-se necessária uma breve explicação sobre o papel dos leucócitos saudáveis e dos leucócitos doentes na leucemia.

A produção de leucócitos é feita na medula óssea. Em indivíduos saudáveis estas células são produzidas de forma ordenada e controlada, de acordo com as necessidades do sistema imunológico. Na leucemia, uma célula sofre mutação, tornando-se diferente dos demais leucócitos, passando a se multiplicar de forma desordenada e incontrolável.

Os leucócitos são as células de defesa responsáveis pelo combate a germes invasores. Sempre que há uma infecção, principalmente de origem bacteriana, a medula óssea aumenta a sua produção para que o corpo tenha maior capacidade de se defender. Nosso sangue possui em média entre 4.000 e 11.000 leucócitos em cada mililitro. Quando há uma infecção, este número pode ultrapassar as 20.000 células por mililitro. Esta elevação dos leucócitos recebe o nome de leucocitose e é uma resposta natural do organismo às infecções (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados).

A leucemia é um câncer que surge na medula óssea, provocando a produção descontrolada de leucócitos. Ao contrário da leucocitose que surge nas infecções, a leucocitose da leucemia é um evento anormal e danoso. Os leucócitos da leucemia são atípicos, incapazes de combater agentes infecciosos. Se nas infecções é comum os leucócitos ficarem ao redor de 20.000-30.000 células/ml, nas leucemias este número ultrapassa facilmente as 60.000 células/ml, podendo chegar a mais de 100.000 células/ml

O leucócito que sofre a transformação maligna, isto é, vira câncer, passa a se multiplicar de forma descontrolada, ocupando toda a medula óssea, podendo extravasar para o sangue e outros órgãos.

Existem as leucemias agudas, que são as que apresentam multiplicação e agressividade maiores; e as leucemia crônicas, que apresentam uma evolução mais arrastada, podendo demorar anos até que surjam os primeiros sintomas.

Feita esta rápida explicação, podemos passar à parte de sinais e sintomas da leucemia

Sinais e sintomas da leucemia

Os quatro tipos mais comuns de leucemia são:
– Leucemia mieloide aguda (LMA).
– Leucemia mieloide crônica (LMC).
– Leucemia linfocítica aguda (LLA).
– Leucemia linfocítica crônica (LLC).

Vamos falar um pouquinho dos sintomas mais comuns a todas elas.

Sintomas da leucemia #1 – Febre

A febre na leucemia pode ser causada por uma infecção oportunista que se aproveita do fato dos leucócitos estarem doentes e incapazes de defender o organismo. O paciente com leucemia fica mais susceptível a infecções. Todavia, o mais comum é a febre ter origem na própria leucemia.

A febre da leucemia geralmente dura de vários dias e tem origem obscura, ou seja, não se consegue encontrar uma causa para a mesma. Esta febre pode ser alta e vir acompanhada de calafrios.

Sintomas da leucemia #2 –  Sintomas B

Alguns pacientes com doenças malignas do sangue, como linfomas (leia: LINFOMA HODGKIN e LINFOMA NÃO-HODGKIN) e as leucemias, podem apresentar os chamados sintomas B, que é uma tríade composta por febre, suores noturnos e perda de peso não intencional.

Sintomas da leucemia #3 – Aumento dos linfonodos

O aparecimentos de gânglios indolores, principalmente nas regiões do pescoço, axilas, clavícula e na fossa do cotovelo são um sintoma comum da leucemia, principalmente da leucemia linfocítica aguda (LLA) e da leucemia linfocítica crônica (LLC), onde mais de 50% dos pacientes apresentam esta alteração. Na leucemia mieloide aguda (LMA) o aumento dos linfonodos é pouco comum.

Sintomas da leucemia #4 – Aumento do baço

O baço é uma espécie de linfonodo gigante, cuja principal função é destruir as células sanguíneas velhas, defeituosas e mal funcionantes. O aumento do tamanho do baço é muito comum nas formas LMC, LLA e LLC, podendo provocar dor no quadrante superior esquerdo do abdômen (leia: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas).

Sintomas da leucemia #5 – Cansaço e anemia

Como a proliferação de células cancerígenas é gigantesca, as mesmas acabam ocupando toda a medula óssea, atrapalhando a produção de outras células importantes do sangue, como as hemácias (glóbulos vermelhos). A queda na produção das hemácias leva à anemia, que por sua vez provoca sintomas como cansaço, astenia, intolerância aos esforços e palidez cutânea  (leia: ANEMIA | Sintomas e causas).

Sintomas da leucemia #6 – Sangramentos e manchas roxas na pele

Assim como a ocupação da medula pelas células leucêmicas provoca queda na produção as hemácias, o mesmo ocorre com as plaquetas, outro tipo de célula sanguínea produzida na medula óssea. Como as plaquetas são as células responsáveis pelo processo inicial da coagulação do sangue, é comum pacientes com plaquetas baixas apresentarem sangramentos, principalmente na gengiva, e equimoses (manchas roxas na pele). Petéquias, que são múltiplos pequenos pontos vermelhos na pele, também podem ocorrer.

Sintomas da leucemia #7 – Dor nos ossos

Como a medula óssea fica dentro dos ossos, a expansão de clones malignos de leucócitos dentro da mesma pode provocar dores ósseas. Outra causa de dor óssea é metastização do câncer para osso, causando destruição dos mesmos.

A maioria dos sintomas descritos acima ocorrem nas formas agudas da leucemia. Geralmente as leucemias crônicas são identificadas laboratorialmente, através do achado de uma leucocitose desproporcional ao estado clínico. Muitos pacientes descobrem uma leucemia crônica antes de terem manifestações clínicas da doença.

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7 SINTOMAS DE ANEMIA

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\"Anemia\"
Anemia é o nome dado à redução do número de glóbulos vermelhos no sangue. Os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias ou eritrócitos, são as células responsáveis pelo transporte de oxigênio pela circulação sanguínea.

Neste texto vamos explicar os principais sinais e sintomas da anemia.

Se você quiser saber mais sobre anemia, leia também nossos outros artigos sobre este tema:
– O QUE É ANEMIA?
– ANEMIA FERROPRIVA | Carência de ferro
– ANEMIA FALCIFORME | TRAÇO FALCIFORME

Por que a anemia provoca sintomas?

Para entender os sintomas da anemia é preciso antes compreender como funcionam os glóbulos vermelhos (hemácias). O sangue não é uma substância puramente líquida, nele estão diluídas milhões de células, sendo as hemácias as mais abundantes. A hemácia é uma célula cuja principal função é transportar oxigênio pelo sangue até os tecidos. Dentro das hemácias existe uma proteína chamada hemoglobina, que é a estrutura responsável pela ligação com a molécula de oxigênio. O oxigênio quando entra na hemácia e se liga à hemoglobina, podendo, assim, ser transportando por todo o corpo.

Portanto, resumindo o processo de funcionamento dos glóbulos vermelhos, podemos dizer que as hemácias vão até o pulmão, captam o oxigênio respirado (ligando-o a hemoglobina), e viajam pelo resto da circulação sanguínea distribuindo oxigênio para as células do corpo poderem funcionam adequadamente.

Quando há anemia, ou seja, uma quantidade reduzida de hemácias no sangue, passamos a ter sintomas devido a maior dificuldade das células receberem quantidades adequadas de oxigênio.

Quanto mais grave for a anemia, ou seja, quanto menor for a concentração de hemácias circulantes no sangue, mais intensos serão os sinais e sintomas.

Obs: a anemia pode ser quantificada no exame de hemograma através dos valores do hematócrito e da hemoglobina. Para entender mais leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados.

Sinais e sintomas da anemia

Sintomas da anemia 1# – Cansaço e falta de energia

Quando a quantidade de células que transportam oxigênio está reduzida, a capacidade do organismo de fornecer oxigênio para todos os tecidos fica comprometida. Como o oxigênio é um combustível essencial para as células funcionarem, a redução do mesmo provoca sintomas como cansaço, fraqueza, tonturas, falta de ânimo, dificuldade de concentração, sonolência e dor de cabeça.

Pessoas jovens e sadias toleram melhor o cansaço da anemia, sentindo estes sintomas apenas quando precisam realizar esforços. Já as pessoas mais idosas costumam se queixar muito de cansaço e falta de energia, tornando difícil a realização de tarefas simples, como se vestir, tomar banho e andar pela casa.

O cansaço é o sintoma mais comum e mais típico da anemia. Quanto mais rápida for a queda da concentração de hemácias, mais intenso é o sintoma de cansaço.

Para saber sobre outras causas de cansaço, leia: CANSAÇO | FADIGA | Principais causas

Sintomas da anemia 2# – Falta de ar

A falta de ar costuma ocorrer em casos graves de anemia ou nos pacientes que já apresentam algum grau de mau funcionamento cardíaco e/ou pulmonar.  Como a quantidade de oxigênio que chega às células é insuficiente, a resposta do organismo é acelerar a frequência respiratória, na tentativa de aumentar a oxigenação do sangue.

Portanto, o paciente com anemia pode queixar-se de falta de ar e apresentar uma respiração mais acelerada.

Para saber mais sobre todas as causas de falta de ar, leia: FALTA DE AR | Causas e tratamento

Sintomas da anemia 3# – Taquicardia – coração acelerado

Assim como há um aumento da frequência respiratória, há também um aumento da atividade do coração. O coração acelera tentando aumentar a quantidade de sangue que chega nos tecidos. A lógica é simples, se o sangue está pobre em oxigênio, é preciso chegar mais sangue para as células poderem receber uma quantidade aceitável de oxigênio.

A taquicardia também pode provocar o aparecimento de sopro no coração (leia: SOPRO NO CORAÇÃO | Causas, sintomas e tratamento).

Sintomas da anemia 4# – Dor no peito

Nos pacientes com doenças cardíacas, a redução da oxigenação dos tecidos e a aceleração dos batimentos cardíacos podem não ser bem toleradas. Se o paciente já tem o coração doente, ele terá dificuldades de aumentar o seu funcionamento, e mesmo uma anemia leve pode ser a gota d’água que faltava para desencadear uma isquemia cardíaca.

Em pacientes com doenças do coração, valores de hematócrito abaixo de 10g/dl costumam ser perigosos.

Para saber mais sobre dor no peito e angina, leia: SINTOMAS DO INFARTO AGUDO DO MIOCÁRDIO.

Sintomas da anemia 5# – Palidez cutânea

A palidez da pele e das mucosas ocorre por dois motivos. O principal é redução da circulação de sangue que ocorre nos tecidos periféricos (como a pele), já que o organismo passa a dar prioridade aos órgãos nobres do corpo, desviando o fluxo de sangue para os mesmos. Como a pele recebe menos sangue, ela torna-se mais pálida. Além disso, conforme há uma queda no número de hemácias circulantes, o sangue torna-se mais diluído, assumindo uma cor menos viva. Portanto, na anemia, a pele e as mucosas passam a receber menos sangue, e o sangue que chega está diluído por haver falta de hemácias. Além da palidez, a pele também pode ficar mais fria.

Conjuntiva pálida é um sinal de anemia

Em pessoas de pele mais escura, esta palidez da pele é mais difícil de ser notada. Para identificar uma anemia, é preciso olhar a cor da boca e da conjuntiva dos olhos, que apresentam-se mais pálidas em casos de anemia.

A palidez cutânea pode não ser notada até que a hemoglobina caia para valores ao redor de 10g/dl. Portanto, somente a ausência de palidez não descarta uma anemia.

Sintomas da anemia 6# – Câimbras

As câimbras ocorrem pelos mesmos motivos do cansaço e da palidez cutânea. A falta de oxigenação dos músculos, associado à redução efetiva da circulação de sangue, provoca distúrbios no funcionamento normal da musculatura, podendo surgir contrações involuntárias.

Para saber mais sobre câimbras, leia: CÂIMBRAS | Causas e tratamento.

Sintomas da anemia 7# – Hipotensão

A hipotensão é um sintoma comum nas anemias que surgem por conta de perdas sanguíneas. Quando o paciente apresenta uma hemorragia, ele perde não só hemácias, mas também volume de sangue circulante, o que leva à queda da pressão arterial.

A hipotensão se manifesta clinicamente como fraqueza extrema, dificuldade de ficar em pé, tonturas e sensação de desmaio.

Anemia com hipotensão é uma emergência médica, havendo indicação para transfusão de sangue assim que possível.

Anemia aguda x anemia crônica

A intensidade dos sintomas da anemia depende de dois fatores: o tempo de instalação da anemia e a gravidade da mesma. Anemias crônicas, que se instalam de forma lenta e gradual, ao longo de várias semanas ou meses, não costumam causar sintomas até fases bem avançadas. Como o processo é lento, as hemoglobinas existentes têm tempo de se adaptar, passando a ser mais efetivas na captação e distribuição do oxigênio pelo corpo.

Os valores normais de hemoglobina são maiores que 13g/dl para homens e maiores que 12g/dl para mulheres. Devido à capacidade de adaptação das hemácias, os pacientes com anemia crônica conseguem se manter assintomáticos em repouso até níveis de 8 ou 9g/dl de hemoglobina. Logicamente, o estado de saúde anterior conta. Se o paciente já tem outras doenças, principalmente de origem pulmonar ou cardíaca, sua capacidade de adaptação à anemia é bem mais reduzida. Pacientes jovens e em ótimo estado físico podem só sentir os sintomas da anemia em casos graves, com hemoglobina ao redor de 6g/dl. Já pessoas idosas podem começar a sentir os efeitos assim que os níveis de hemoglobina desçam abaixo de 10g/dl.

Nos casos de anemias agudas, com instalação rápida, como as que ocorrem por hemorragias, o paciente sente os sintomas mesmo que a queda da hemoglobina não seja muito acentuada. Uma hemoglobina que cai abruptamente de 14g/dl para 10g/dl é suficiente para provocar  muitos dos sintomas de anemia descritos acima.

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ANEMIA FERROPRIVA – Anemia por Carência de Ferro

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O ferro é um mineral essencial para a produção da hemoglobina, proteína que transporta o oxigênio pelo nosso organismo. Anemia ferropriva (ou anemia ferropénica) é o tipo de anemia mais comum no mundo, causada por uma grave deficiência de ferro.

Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a anemia por carência de ferro:

  • Relação entre ferro e anemia.
  • Metabolismo do ferro no nosso organismo.
  • Causa de anemia ferropriva.
  • Sintomas da anemia por carência de ferro.
  • Diagnóstico da anemia ferropriva.
  • Tratamento da anemia ferropriva
  • Alimentos ricos em ferro.

Relação entre ferro e anemia

Os glóbulos vermelhos, também chamados de hemácias ou eritrócitos, são as células do sangue responsáveis pelo transporte de oxigênio. São as hemácias que captam o oxigênio inspirado pelos pulmões e o leva até todas as células do nosso corpo.

Chamamos de anemia quando a concentração de hemácias do sangue está reduzida. Para um melhor entendimento do que é uma anemia, sugiro a leitura do nosso texto: ANEMIA | Sintomas e causas.

O principal componente da hemácia é a hemoglobina, uma proteína que necessita de ferro para ser formada. Quando ocorre uma deficiência de ferro no organismo, há falta de matéria-prima para a formação da hemoglobina e, consequentemente, para a formação das hemácias. A incapacidade de produzir hemácias provoca a anemia.

Portanto, toda vez que os estoques de ferro do organismo estão baixos, nós desenvolvemos uma anemia ferropriva ou anemia por carência de ferro.

Metabolismo do ferro

O corpo controla seus estoques de ferro de modo preciso, mantendo-o sempre estável. Quando estamos com o estoque completo, o intestino para de absorver o ferro dos alimentos, deixando-o ser excretado nas fezes. Se os níveis de ferro baixam, o intestino delgado volta a absorver o ferro dos alimentos, repondo nossos estoques.

O ferro absorvido no intestino é estocado no fígado, “empacotado” em uma proteína chamada ferritina. Quando temos níveis baixos de ferritina, significa que os nossos estoques de ferro estão baixos (leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR, LDH, Ferritina e CK). Geralmente, da quantidade total de ferro existente no nosso corpo, metade fica dentro das hemácias e metade estocada em forma de ferritina. Ainda há uma pequena fração ligada à transferrina, uma proteína que transporta o ferro dos estoques em direção à medula óssea, onde são produzidas as novas hemácias.

Geralmente, adultos saudáveis não precisam de muito ferro na dieta, pois o ferro já presente no organismo é constantemente reciclado. Quando uma hemácia torna-se velha e é destruída (mais ou menos com 120 dias de vida), o seu ferro é captado pela transferrina e levado de volta à medula óssea, sendo reaproveitado na formação de uma nova hemácia. Portanto, são precisos muitos anos com uma baixa absorção de ferro para que haja uma deficiência nos estoques corporais.

O grande risco de uma alimentação pobre em ferro se dá naqueles indivíduos que estão precisando de mais ferro do que o existe nos estoques. Dois exemplos fáceis de se entender são as crianças e as grávidas. O primeiro grupo está constantemente em crescimento e, portanto, necessitando de quantidades cada vez maiores de ferro. As crianças de 6 meses a 3 anos são as mais propensas a desenvolverem carência de ferro, pois apresentam grande demanda e ainda não tiveram tempo para criarem seus estoques. As grávidas geralmente apresentam bons estoques de ferro, todavia, passam a gastá-lo de forma rápida na formação de um novo ser. Nestes dois grupos, uma dieta rica em ferro é essencial para se manter os estoques preenchidos.

Causas de anemia ferropriva

a. Dieta

Como já explicado, uma deficiência simples de ferro na dieta é atualmente uma causa rara de anemia ferropriva em adultos saudáveis. A dieta da maioria das pessoas contém quantidades suficientes de ferro para compensar as pequenas perdas que ocorrem ao longo do tempo. A não ser em pessoas com desnutrição por falta de alimentação, não é preciso haver muita preocupação com a dieta, pois a maioria das carnes têm quantidades suficientes de ferro. Mesmo os vegetarianos são capazes de ingerir boas quantidade de ferro, já que alimentos como espinafre, ovos, creme de trigo, feijão e cereais contêm bastante ferro.

b. Má absorção

A deficiência de ferro e a anemia ferropriva podem surgir em pacientes com doenças do trato gastrointestinal que impeçam a absorção de ferro cronicamente, como nos casos de gastrite atrófica ou doença celíaca (leia: DOENÇA CELÍACA | Enteropatia por glúten). Esse pacientes podem ingerir até bastante ferro, mas não conseguem absorvê-lo, impedindo-os de repor seus estoques quando necessário.

c. Perdas de sangue

A principal causa de anemia ferropriva é perda de sangue. Quando perdemos sangue, perdemos junto o ferro que estava dentro das hemoglobinas, obrigando o organismo a lançar mão dos seus estoques na produção de novas hemácias.

Quando o sangramento é visível, como nos casos de vômitos com sangue, sangue nas fezes (leia: SANGUE NAS FEZES | Principais causas de hemorragia digestiva) ou traumatismos com sangramentos, por exemplo, a causa da anemia torna-se óbvia, pois há perdas agudas de grande volume de hemácias. Nestes casos, até há uma grande perda de ferro, mas a causa da anemia é uma perda imediata de sangue, sem que haja tempo hábil para o organismo produzir mais hemácias. Mulheres com períodos menstruais muito fortes também podem desenvolver anemia ferropriva.

A anemia ferropriva é mais difícil de ser identificada quando há pequenos sangramentos, mas de forma constante. Esses quadros são comuns em úlceras de estômago, tumores do intestino e hemorroidas (leia: HEMORROIDAS | SINTOMAS E TRATAMENTO). Muitas vezes o paciente nem sequer nota a presença de sangue nas fezes. A quantidade de sangue perdida é pequena para causar uma anemia imediata, mas a longo prazo faz com que o organismo tenha que estar sempre usando seus estoques de ferro para compensar as hemácias perdidas nos sangramento. Nestes casos, a quantidade de ferro na dieta pode ser menor do que a necessária para repor os estoques, fazendo com que o paciente esgote suas reservas e desenvolva anemia ferropriva ao longo do tempo.

Portanto, atualmente, qualquer anemia ferropriva, a não ser que haja uma causa óbvia, deve indicar a investigação de uma fonte de sangramento oculta.

Sintomas da anemia ferropriva

Os sintomas da anemia ferropriva são os mesmos dos de qualquer anemia: cansaço, palidez da pele, falta de ar, intolerância ao exercício, taquicardia (coração acelerado). Todavia, a anemia ferropriva pode causar alguns sintomas que não são comuns em outras anemias, como perversão do apetite (também chamado de pica), que é o desejo de comer não-alimentos, como gelo, terra, papel, concreto, etc. A síndrome das pernas inquietas é outro achado comum . Um sinal típico da anemia ferropriva é a presença de uma urina muito avermelhada após a ingestão de beterraba.

Diagnóstico da anemia ferropriva

O diagnóstico de anemia é feito quando os valores da hemoglobina e do hematócrito (percentual de hemácias no sangue) estão abaixo do valor de referência:

Em geral, dizemos que há anemia quando:
– hematócrito menor que 41% nos homens ou 35% nas mulheres.
– hemoglobina menor que 13 g/dL nos homens ou 12 g/dL nas mulheres.

Uma vez estabelecido o diagnóstico da anemia, é preciso identificar sua causa. No hemograma, além da queda do hematócrito e da hemoglobina, o VCM e o HCM costumam estar baixos na anemia ferropriva (leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados). No seguimento da investigação da anemia deve-se dosar a quantidade de ferro no sangue, a ferritina e a saturação de transferrina. Estando estes valores baixos na presença de anemia, pode-se dizer que há uma anemia por carência de ferro.

Se não houver causas óbvias para a anemia ferropriva (gravidez ou sangramentos visíveis), geralmente inicia-se uma investigação com exames para procurar sangramentos ocultos do trato digestivo, como a endoscopia digestiva e a colonoscopia (leia: EXAME COLONOSCOPIA).

Tratamento da anemia ferropriva

O tratamento da anemia ferropriva é feito com reposição de ferro. Os comprimidos de sulfato ferroso geralmente têm até 6x mais ferro do que obtemos em uma dieta normal. Se a anemia ferropriva for causada por gravidez ou por um fluxo menstrual mais forte, geralmente a reposição de ferro é suficiente.

O ferro é melhor absorvido se tomado em jejum e junto com vitamina C ou suco de laranja. A reposição de ferro pode causar alguns efeitos colaterais, sendo os mais comuns, náuseas e azia. Fezes com uma coloração bem escura também são comuns, mas isso é só uma questão estética, sem maior relevância clínica.

Se a causa da anemia ferropriva não estiver clara, não se deve apenas repor ferro, é preciso também investigar a causa. Prescrever ferro sem realizar uma investigação de sangramentos ocultos pode até corrigir temporariamente a anemia, mas não irá tratar a doença de base. Se a causa for um tumor do intestino, por exemplo, apenas repor ferro, sem ir à procura da origem da perda sanguínea, irá atrasar o diagnóstico, diminuindo as chances de tratamento curativo da lesão.

Alimentos ricos em ferro

Apesar da dieta ser importante, as pessoas com deficiência de ferro costumam precisar de mais ferro do que podem consumir através da sua alimentação. Numa dieta normal de 2000 calorias, existe, em média, cerca de 10 mg de ferro elementar. Já um único comprimido de sulfato ferroso 325mg contém 65 mg de ferro elementar. Portanto, o aumento do consumo de ferro na dieta não é normalmente recomendada como único tratamento para uma anemia por deficiência de ferro. Isso não significa, porém, que uma dieta rica em ferro não possa ajudar. Quanto mais ferro o paciente conseguir consumir em sua dieta, menor será a necessidade de repor ferro com suplementos.

Em geral, os alimentos mais ricos em ferro são:

– Carne vermelha.
– Gema de ovo.
– Farinha de peixe (farinha de pescado).
– Folhas verde escuras, como espinafre e couve.
– Frutas secas, como ameixa e passas.
– cereais e grãos enriquecidos com ferro (verifique os rótulos).
– Moluscos (ostras, mariscos e vieiras).
– Miúdos de peru ou frango.
– Feijão, lentilha, grão ervilhas e soja.
– Fígado,
– Alcachofras

DOAÇÃO DE SANGUE | informações para doar sangue

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Em todos os hospitais do mundo, diariamente, são realizadas transfusões sanguíneas. A transfusão de sangue é um procedimento médico realizado para salvar vidas e para tratar doentes em estado grave.

Não existe sangue artificial, nem outra substância que possa substituí-lo, portanto, para que haja transfusão, é preciso que haja doação. A doação de sangue é um ato voluntário de generosidade ainda pouco difundido na população. Estima-se que apenas 1 a cada 30 pessoas seja doadora, uma proporção muito pequena, ainda mais quando se sabe que 1 a cada 3 indivíduos, eventualmente, necessitará de uma transfusão de algum componente do sangue ao longo de sua vida.

DOAÇÃO DE SANGUE

O ato de doar sangue deve ser sempre voluntário, porém, nem todos os candidatos estão aptos para serem doadores, o que só aumenta a necessidade de um volume maior de candidatos.

Os requisitos básicos para doar sangue são:

– Estar bem de saúde.
– Ter mais de 18 e menos de 60 anos (acima de 60 e entre 16 e 18 anos há critérios especiais).
– Pesar mais que 50 kg.
– Homens não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 60 dias, respeitando o limite máximo de 4 doações por ano.
– Mulheres não podem doar sangue 2 vezes em um espaço menor que 90 dias, respeitando o limite máximo de 3 doações por ano.
– Mulheres não podem estar grávidas, nem amamentando.
– Mulheres não podem ter tido um aborto ou parto há menos de 3 meses.

Se você se enquadra nestes requisitos, já pode se candidatar (ou recandidatar) à doação. Para que o procedimento não traga riscos nem ao doador, nem ao receptor do sangue, algumas outras condições devem ser respeitadas.

Não podem doar sangue

– Diabéticos insulinodependentes (leia: DIABETES MELLITUS | DIAGNÓSTICO E SINTOMAS).
– Pessoas que têm ou tiveram sífilis (leia: SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO).
– Pessoas que têm ou tiveram hepatite viral após os 10 anos de idade (leia: AS DIFERENÇAS ENTRE AS HEPATITES).
– Pessoas com câncer (leia: CÂNCER (CANCRO) | SINTOMAS E DEFINIÇÕES).
– Portadores do vírus HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)).
– Pessoas com doença pulmonar, como DPOC (leia: DPOC | ENFISEMA E BRONQUITE CRÔNICA).
– Pessoas com insuficiência renal crônica (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA | SINTOMAS).
– Pessoas com passado de tuberculose extrapulmonar (ler: TUBERCULOSE | SINTOMAS E TRATAMENTO).
– Pessoas com antecedentes de AVC (leia: AVC | ACIDENTE VASCULAR CEREBRAL | DERRAME CEREBRAL).
– Portadores do vírus HTLV I ou HTLV II.
– Pessoas que tiveram malária ou que tenham morado em região endêmica nos últimos 6 meses.
– Pessoas com doença de Chagas ou que tenham contato com o inseto barbeiro (leia: DOENÇA DE CHAGAS).
– Portadores de doenças autoimunes (leia: DOENÇA AUTOIMUNE).
– Pessoas que sofrem de epilepsia (leia: EPILEPSIA | CRISE CONVULSIVA).
– Pessoas com doenças psiquiátricas que gerem inimputabilidade jurídica.
– Pessoas com comportamento de risco tais como não usar preservativos em relações sexuais, ter tido mais de dois parceiros sexuais nos últimos 3 meses ou ser usuário de drogas injetáveis.

ATENÇÃO: homossexualidade não é impedimento para doar sangue. Não há motivos científicos para impedir a doação sangue baseado na orientação sexual do indivíduo. Isso é lei:

PORTARIA Nº 1.353, DE 13 DE JUNHO DE 2011 – § 5º A orientação sexual (heterossexualidade, bissexualidade, homossexualidade) não deve ser usada como critério para seleção de doadores de sangue, por não constituir risco em si própria. (http://bvsms.saude.gov.br/bvs/saudelegis/gm/2011/prt1353_13_06_2011.html).

Impedimentos temporários para doação de sangue

Algumas situações impedem a doação apenas temporariamente. Neste caso, o candidato pode será orientado a retornar ao banco de sangue quando já não mais tiver nenhum tipo de impedimento. Abaixo, listo as principais situações que podem impedir a doação de sangue apenas de modo temporário.

– Estar em jejum. O doador deve se alimentar tendo apenas o cuidado para não ingerir comidas muito gordurosas dentro das 4 horas que antecedem a doação.
– Hipertensão não controlada. Para poder doar sangue é preciso que no momento da coleta a pressão arterial esteja abaixo de 180 x 100 mmHg (leia: HIPERTENSÃO (PRESSÃO ALTA) | SINTOMAS E TRATAMENTO)
– Diabetes tipo 2 descontrolado.
– Ter sido tatuado ou colocado piercing há menos de 1 ano (leia: BODY PIERCING | PERIGOS E COMPLICAÇÕES).
– Nova tatuagem há menos de 1 ano.
– Ter realizado sessão de acupuntura sem material descartável há pelo menos 1 ano.
– Atraso menstrual em mulheres em idade fértil.
– Diarreia na última semana.
– Resfriado: somente após estar 1 semana sem sintomas.
– Tuberculose pulmonar nos últimos 5 anos.
– Dengue no último mês (leia: DENGUE | MOSQUITO DA DENGUE | Sintomas e tratamento)
– Ter ingerido bebida alcoólica até 24 horas antes da doação.
– Não ter dormido por pelo menos 6 horas na noite anterior a doação.
– Ter recebido transfusão de sangue há menos de 1 ano.
– Pessoas com doença febril não devem se candidatar a doação de sangue até estarem clinicamente curadas (leia: O QUE SIGNIFICA E POR QUE TEMOS FEBRE ?)
– 90 dias após parto normal e 180 dias após parto cesariano.

Vacinação e doação de sangue

Uma das dúvidas mais frequentes é em relação a vacinações antes da doação. Algumas vacinas, principalmente aquelas com vírus ou bactérias vivas não podem ser tomadas logo antes da doação, uma vez que o paciente a receber o sangue pode ser um imunossuprimido, que ficaria exposto a estes germes.

Em geral, as recomendações quanto às vacinas são as seguintes:

a) Vacinas com vírus ou bactérias vivos atenuados

– Pólio Oral (Sabin), Febre Tifoide Oral, Sarampo, Caxumba (Parotidite), Febre amarela, BCG = Intervalo mínimo de 3 semanas para doação de sangue
– Rubéola, Varicela (Catapora), Varíola = Intervalo mínimo de 4 semanas para doação de sangue

b) Vacinas com vírus ou bactérias mortas ou com toxoides

– Cólera, Pólio (Salk), Difteria, Tétano, Coqueluche, Meningite, Hepatite A, Pneumococo, Febre Tifoide (Injetável), Leptospirose, Brucelose, Peste = Intervalo mínimo de 48 horas para doação de sangue
– Haemophilus influenzae, Hepatite B recombinante, Influenza (gripe) = Intervalo mínimo de 4 semanas para doação de sangue

– Vacinação contra raiva humana após exposição a animal suspeito = Intervalo mínimo de 1 ano para doação de sangue (leia: RAIVA HUMANA | Transmissão, sintomas e vacina)

Cirurgias e tempo de intervalo para doação de sangue

– Extração dentária = 72 horas
– Cirurgias de pequeno porte como para apendicite (leia: APENDICITE | Sintomas e causas), correções de hérnias, retirada das amígdalas (leia: DOR DE GARGANTA | FARINGITE | AMIGDALITE), cirurgia de varizes, etc. = 3 meses
– Cirurgias de médio e grande porte como colecistectomia (retirada da vesícula), nefrectomia (retirada de um rim), histerectomia (retirada do útero), nódulo de mama, ressecção de aneurismas, politraumatismos, etc. = 6 meses a 1 ano
– Cirurgia cardíaca, pneumectomia (retirada de um pulmão), gastrectomia (retirada do estômago), esplenectomia (retirada do baço) = inaptidão definitiva.

Esses intervalos podem mudar de acordo com a avaliação feita pelo banco de sangue.

Remédios que contraindicam a doação de sangue

Na maioria dos casos, estar tomando remédios não contraindica a doação, uma vez que concentração da droga por unidade de sangue costuma ser baixa. Muitas vezes o que contraindica a doação é a doença que está sendo tratada e não o próprio medicamento. Por exemplo, pessoas tomando antibióticos não devem doar sangue por causa da infecção que está ativa e não somente pelo fato de haver antibiótico circulante no sangue.

Existem, porém, algumas poucas drogas que são contraindicadas para doação de sangue por causarem má formações em fetos mesmo quando em concentrações muito pequenas no sangue, o que é preocupante para grávidas que possam vir a precisar de transfusão sanguínea.

  •  Isotrentinoína (Roacutan®) usada para o tratamento da acne (leia: ACNE | CRAVOS | ESPINHAS | Causas e tratamento) e a Finasterida usada para hiperplasia benigna de próstata (leia: CÂNCER DE PRÓSTATA | HIPERPLASIA BENIGNA DA PRÓSTATA) e calvície (leia: CALVÍCIE | QUEDA DE CABELO | Causas e tratamento) não podem ter sido administradas nos últimos 30 dias antes da doação.
  • Dutasterida, também usada para hiperplasia benigna de próstata não pode ter sido tomada nos últimos 6 meses
  • A Acitretina usada na psoríase não pode ter sido tomada nos últimos 3 anos. Alguns bancos de sangue consideram o uso da Acitretina como contraindicação definitiva, independente do tempo de suspensão.
  • O Etretinato, também usado na psoríase, contraindica a doação para o resto da vida, já que ainda é possível detectá-lo no sangue mesmo vários anos após o fim do tratamento.

Pacientes em uso de coagulantes como Varfarina e Heparina também não devem doar sangue. Pacientes que usaram aspirina ou anti-inflamatórios nos últimos 5 dias ou clopidogrel e/ou ticlopidina nas últimas 2 semanas, também não estão aptos a doar.

Como é feita a doação de sangue

O candidato é primeiramente questionado sobre sua atual condição de saúde e seu histórico clínico à procura de dados que possam contraindicar a doação de sangue, seja temporariamente ou de modo permanente. É também realizada uma rápida avaliação dos sinais vitais e uma gota de sangue é retirada do dedo para determinação do grupo sanguíneo e para saber se o paciente está com anemia. (leia: ANEMIA |CAUSAS E SINTOMAS).

Durante a doação são retirados cerca de 450 ml de sangue, o volume de uma bolsa de sangue. O procedimento todo, desde a entrevista à doação do sangue propriamente dita, dura menos de 1 hora.

O volume de sangue retirado é sempre o mesmo, pois as bolsas são padronizadas com uma quantidade exata de anticoagulante. Qualquer volume de sangue a mais ou a menos pode resultar em um sangue sem qualidade para a transfusão.

Doar sangue é seguro?

Todo o material usado para coleta do sangue é esterilizado e descartável, não havendo risco de contrair doenças.

Cerca de 7% a 8% do nosso peso equivale ao volume de sangue circulante. Ou seja, em uma pessoa de 50 quilos há algo em torno de 4 litros de sangue dentro dos vasos. Os 450ml de sangue doados seriam, portanto, aproximadamente 10% do volume de sangue circulante. Por isso, pessoas muito magras não devem ser doadoras, pois a quantidade necessária para preencher um bolsa ultrapassa o limite de segurança.

O corpo repõe:
– Em 24 horas a quantidade de líquido doada.
– Em 4 semanas a quantidade de hemácias (glóbulos vermelhos).
– Somente em 60-90 dias, os estoques de ferro » Daí o intervalo mínimo obrigatório entre as doações.

Mantidos os cuidados acima, a doação de sangue é um procedimento praticamente inócuo. Eventualmente pode ocorrer uma equimose (mancha roxa) no braço, no local da punção, sem maiores consequências. Alguns indivíduos mais ansiosos podem desmaiar durante a picada, mas como esta é feita já com o candidato deitado, não ocorrem maiores problemas. (leia: DESMAIO, SÍNCOPE E REFLEXO VAGAL).

Nas pessoas mais magras, pode ocorrer um certo grau de cansaço nas primeiras 24h após a doação do sangue.

Que doenças serão testadas no meu sangue doado?

– HIV, hepatite B, hepatite C, doença de chagas, sífilis, HTLV I e II. Se qualquer uma dessas doenças for detectada, o sangue será desprezado e o doador contactado e informado sobre a necessidade de repetir as sorologias.

Orientações após a doação

– Assegure-se de ter uma boa hidratação nas 24h subsequentes a doação. Beba bastante líquido e evite bebidas alcoólicas.
– Alimente-se bem.
– Não fume na primeira hora após a doação.
– Não faça atividades desgastantes no primeiro dia.
– Se tiver sentindo tonturas, deite-se e coloque as pernas apoiadas para cima. Isto deverá ser suficiente.
– O curativo pode ser removido após 4 horas.

Observações finais

– Doar sangue não engorda nem emagrece.
– Doar sangue não vicia nem cria dependência.
– Doar sangue não afina nem engrossa o sangue.
– Mulheres podem doar sangue durante o período menstrual.
– Não se pega doenças doando sangue.

DOE SANGUE! Não custa nada, é rápido e você poderá salvar várias vidas.

PÚRPURA TROMBOCITOPÊNICA IDIOPÁTICA (PTI)

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A púrpura trombocitopênica idiopática (PTI) é uma doença caracterizada pela destruição das plaquetas, que são as células do sangue responsáveis pelas primeiras fases da coagulação sanguínea. Não é de se estranhar, portanto, a uma das manifestações clínicas mais comuns da PTI seja o sangramento.

O que é a púrpura trombocitopênica idiopática

Antes de falar da doença propriamente, vamos entender alguns conceitos.

As plaquetas, também chamadas de trombócitos, são células do sangue produzidas na medula óssea. Uma pessoa normal tem entre 150.000 e 400.000 plaquetas por mililitro de sangue. O papel das plaquetas é iniciar o processo de coagulação. Toda vez que temos uma lesão sangrante, as plaquetas são os primeiros componentes da cascata da coagulação a chegar ao local. Elas se agrupam, formando uma espécie de rolha para estancar o sangramento rapidamente, dando tempo para o corpo possa reparar a lesão sem que haja maiores perdas sanguíneas.

Quando temos uma queda no número de plaquetas (trombócitos) damos o nome de trombocitopenia. Portanto, o termo trombocitopênica do PTI indica que uma das manifestações da doença é a contagem  baixa de plaquetas.

Púrpura

Quando temos poucas plaquetas estamos mais expostos a sangramentos. Púrpura é nome dado às pequenas manchas roxas na pele causadas por perdas de sangue. Em pessoas com plaquetas normais, pequenos traumas na pele são rapidamente controlados impedindo sangramentos. Nas pessoas trombocitopênicas, há uma maior demora no controle das perdas sanguíneas e esta acaba por extravasar para pele. Como nossa camada cutânea é levemente transparente é possível notar manchas roxas, que nada mais são do que sangue por baixo da pele.

Ao contrários das pessoas com plaquetas normais, que precisam de traumas fortes para desenvolver manchas roxas, o paciente trombocitopênico apresenta várias dessas lesões arroxeadas sem nem ao menos lembrar-se de ter batido em algum local.

As púrpuras de tamanho pequeno, tipo pontinhos, são chamadas de petéquias. As grandes manchas roxas recebem o nome de equimose.

Petéquias

O termo idiopática significa que não há uma causa conhecida. Na verdade, sabe-se que a PTI é uma doença auto-imune (leia: DOENÇA AUTO-IMUNE), ou seja, o nosso corpo indevidamente produz anticorpos contra as nossas próprias plaquetas. O que não se sabe é por que o nosso organismo passa a reconhecer as plaquetas como algo estranho e passa a combatê-las.

A PTI acomete tanto crianças quanto adultos, porém, nos primeiros ela costuma ser uma doença aguda, iniciada após uma infecção viral, e frequentemente com resolução espontânea, sem necessidade de tratamento específico. Já nos adultos, ela é uma doença mais crônica, por vezes, necessitando de tratamento medicamentoso. Nos adultos, a PTI pode ser uma manifestação de outra doença como HIV (leia: SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)), Lúpus (leia: LÚPUS ERITEMATOSO SISTÊMICO) ou leucemias (leia: LEUCEMIA – Sintomas e Tratamento).

Nas crianças ela costuma ocorrer entre 2 e 10 anos. Nos adultos a incidência é maior entre 20 e 40 anos.

Sintomas da púrpura trombocitopênica idiopática

O quadro clínico depende basicamente do grau de redução das plaquetas. Geralmente, valores maiores que 50.000 plaquetas por mililitro de sangue não causam sintomas. Abaixo de 50.000 é possível haver púrpuras e petéquias. Abaixo de 30.000 começam a surgir riscos de sangramentos, que se elevam significantemente quando as  plaquetas estão abaixo das 10.000 por ml. Crianças com PTI apresentam uma menor taxa de sangramentos espontâneos que os adultos, muitas vezes tolerando plaquetas tão reduzidas quanto 10.000/ml.

Além das púrpuras, o paciente com púrpura trombocitopênica idiopática também pode apresentar outros sinais de plaquetas baixas, como sangramentos na gengiva, na boca, no nariz, e mais raramente, perdas de sangue nas fezes e na urina, além de uma grande demora para se coagular o sangue em pequenos machucados.

Não existe um exame definitivo para o diagnóstico da PTI. Este é feito através da contagem de plaquetas e depois de se descartar outras doenças que causem trombocitopenia, como cirrose (leia: CIRROSE HEPÁTICA – Causas e Sintomas ), uso de algumas drogas como heparina ou sulfa, pré-eclâmpsia (leia: ECLÂMPSIA E PRÉ-ECLÂMPSIA), síndrome hemolítica urêmica e púrpura trombocitopênica trombótica (PTT).

O hemograma do paciente é normal exceto pela presença da própria trombocitopenia (leia: ENTENDA OS RESULTADOS DO SEU HEMOGRAMA).

Tratamento da púrpura trombocitopênica idiopática

a) PTI nas Crianças:

Como mais de 80% das crianças se recuperam espontaneamente da PTI, o tratamento com drogas neste grupo normalmente só está indicado quando há trombocitopenia grave ou sangramentos que coloquem a vida do paciente em risco. Em geral não é preciso tratamento quando os níveis de plaquetas estão acima dos 30.000/ml. Nos pacientes com plaquetas abaixo de 30.000/ml, a indicação ou não do tratamento deve ser individualizada, avaliando-se caso a caso.

Na maioria dos casos só são necessários medidas preventivas. As principais são evitar atividades esportivas ou qualquer outra que possa haver traumas ou impacto. É importante também evitar drogas que possam piorar a função da plaquetas, nomeadamente aspirina e anti-inflamatórios (leia: AÇÃO E EFEITOS COLATERAIS DOS ANTI-INFLAMATÓRIOS).

As principais drogas usadas nos casos de PTI grave são os corticóides, em geral prednisona ou dexametasona (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES), e a imunoglobulina intravenosa.

Só se indica transfusão de plaquetas em casos de risco iminente de morte, uma vez que essas terão uma vida muito curta, já que serão destruídas juntamente com as plaquetas naturais do paciente. Não adianta fornecer plaquetas enquanto não se interromper o processo de destruição das mesmas.

Cerca de 20% das crianças com púrpura trombocitopênica idiopática não apresentam melhora mesmo após 6 meses de evolução, comportando-se de modo semelhante a PTI do adulto.

Nos casos graves de PTI que não respondem ao tratamento com medicamentos ou que permaneçam ativos por mais de 12 meses, pode-se lançar mão da esplenectomia (retirada do baço) para o controle da doença.

b) PTI nos Adultos

Assim como nas crianças, só se indica tratamento com drogas em adultos com contagem de plaquetas muito baixa ou sob risco de sangramento grave. Pacientes com plaquetas acima de 50.000/ml só precisam de seguimento frequente.

O tratamento é semelhante aos das crianças, porém, no adulto não se espera uma resolução completa da doença, sendo o objetivo apenas impedir quedas muito grande das plaquetas.

A retirada do baço pode ser indicada nos casos graves que durem mais de 6 semanas.

LEUCEMIA | Sintomas e Tratamento

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A leucemia é uma neoplasia maligna (câncer) dos glóbulos brancos, as células que compõe nosso sistema de defesa contra germes invasores. Existem 4 tipos principais de leucemia, conhecidas como leucemia mielóide aguda (LMA), leucemia mielóide crônica (LMC), leucemia linfocítica aguda (LLA), leucemia linfocítica crônica (LLC).

Existem 4 grandes grupos de cânceres que acometem o sangue, um deles é a leucemia, tema deste artigo. Os outros tipos de câncer do sangue são:
– Linfoma.
– Mieloma múltiplo.
– Síndrome mielodisplásica.

Antes de falar da doença em si, é preciso explicar o que são os leucócitos, já que são eles que sofrem transformação maligna.

O que é um leucócito

Os glóbulos brancos, ou leucócitos, são células produzidas na medula óssea (tutano) e presentes no sangue, nos sistema linfático (gânglios e linfa) e em órgãos como fígado e baço. Têm como função básica a defesa do organismo contra invasores, seja atacando-os diretamente, ou pela produção de anticorpos.

Todos os dias nascem e morrem leucócitos. A nossa medula óssea produz em média 100 milhões de leucócitos por dia, o que mantém uma concentração normal variando entre 4.000 a 11.000 células em cada mililitro de sangue.

Quando ocorre uma infecção, o corpo passa a produzir mais leucócitos para aumentar as nossas defesas, voltando aos níveis normais após resolução do quadro. Em casos de infecção, a concentração sanguínea de leucócitos aumenta, em geral, até 20.000 células por ml.

A leucemia se caracteriza pela produção excessiva e inapropriada de leucócitos defeituosos, ultrapassando, normalmente em muito, os valores sanguíneos normais ou esperados para casos de infecção. Algumas leucemia podem se apresentar com mais de 100 mil leucócitos/ml.

Existem 5 tipos diferentes de leucócitos:

– Neutrófilos
– Eosinófilos
– Basófilos
– Linfócitos
– Monócitos

Leia esta parte, agora, com atenção. Se você entendê-la, já estará pronto para saber tudo de leucemia. Acompanhe a figura para um melhor entendimento.

Dentro da nossa medula óssea existem células mães, chamadas de célula-tronco ou célula precursora, que darão origem a todas as células circulantes no sangue, nomeadamente leucócitos glóbulos brancos), plaquetas e hemácias (glóbulos vermelhos).

A célula-tronco se divide primeiramente em dois grupos: Células mielóides e células linfóides.

As células primordiais mielóides vão se desenvolver e dar origem aos:
– Leucócitos da linhagem neutrófilos, eosinófilos, basófilos e monócitos
– Hemácias ou eritrócitos (glóbulos vermelhos)
– Plaquetas

As células primordiais linfóides darão origem aos:
– Leucócitos da linhagem linfócitos (linfócitos B e linfócitos T)

Cada uma das linhagens descritas acima pode se transformar em câncer, o que justifica a existência de diferentes tipos de leucemia. Leia ENTENDA OS RESULTADOS DO SEU HEMOGRAMA para saber mais detalhes sobre as células do sangue.

Apesar da leucemia ser uma doença basicamente dos leucócitos, é possível haver leucemias da série mielóide afetando as plaquetas ou as hemácias.

Classificação das leucemias

Baseado no que foi explicado acima, podemos entender por que as leucemias são dividas em leucemias mielóides (também chamadas de mieloblásticas ou mielocíticas) e leucemias linfóides (também chamadas de linfoblásticas ou linfocíticas), de acordo com a linhagem que sofre transformação maligna.

A segunda classificação se dá entre leucemias agudas e leucemias crônicas. As agudas são aquelas causados pela produção excessiva de leucócitos jovens, chamados de blastos, enquanto que a crônica ocorre por acúmulo de leucócitos maduros. Nas duas formas, tanto os leucócitos maduros quanto os blastos são células defeituosas, sem função, e produzidas descontroladamente.

Bom, chegamos então a classificação final das principais leucemias. São elas:

– Leucemia mielóide aguda (LMA).
– Leucemia mielóide crônica (LMC).
– Leucemia linfocítica aguda (LLA).
– Leucemia linfocítica crônica (LLC).

Antes de falar um pouquinho sobre cada um dos 4 principais tipos de leucemia, vamos descrever os principais sintomas da doença.

Sintomas da leucemia

Independente do tipo de leucemia que paciente possa vir a ter, existe uma gama de sinais e sintomas que são comuns aos 4 grandes grupos.

As leucócitos cancerígenos nascem e se proliferam inicialmente na medula óssea. Com isso, acabamos por ter a medula ocupada  por uma quantidade imensa de apenas um clone de células defeituosas, impedindo a produção de todas as outras linhagens de células sanguíneas.

O resultado final é que a medula não consegue mais produzir hemácias adequadamente, levando à anemia (leia: O QUE É ANEMIA ?); não consegue mais produzir plaquetas, facilitando a ocorrência de sangramentos; e não consegue produzir mais os outros tipos de leucócitos, deixando o corpo desprotegido contra infecções.

As células leucêmicas não ficam restritas à medula óssea, espalhando-se pelo sangue e invadindo tecidos e órgãos como qualquer outro câncer (leia: CÂNCER (CANCRO) – SINTOMAS E DEFINIÇÕES).

Para saber mais sobre os principais sintomas da leucemia, leia: SINTOMAS DA LEUCEMIA.

O diagnóstico da leucemia é sugerido pelo conjunto de sinais e sintomas associado a um grande aumento na contagem de leucócitos no hemograma (é possível haver leucemia sem alteração dos leucócitos no hemograma). Porém, a confirmação da existência de leucemia é feita através da biópsia de medula óssea.
Apesar de estarem todas agrupadas no grupo das leucemias, cada uma delas tem quadro clínico, tratamento e prognóstico diferentes. Vamos, então, ver os 4 principais tipos de leucemia com mais detalhes.

Leucemia mielóide aguda (LMA)

A LMA ocorre por transformação maligna das células jovens (blastos) que irão dar origem a linhagem mielóide do sangue (parte dos leucócitos, hemácias e plaquetas)

Pode ocorrer em todas as idades, sexo e grupo étnico, porém, é mais comum em adultos acima dos 60 anos, no sexo masculino e em brancos. Exposição prévia a quimioterapia, radiação ou produtos tóxicos, como benzeno, parece aumentar o risco. O cigarro, possui inúmeras substâncias tóxicas, entre elas o próprio benzeno, favorecendo o aparecimento de leucemias. (leia: COMO E PORQUE PARAR DE FUMAR CIGARRO).

A LMA é divida em subgrupos. A classificação mais antiga é feita em 7 subgrupos (M1 a M7) de acordo com o tipo de célula neoplásica (plaquetas, monócitos, neutrófilos, eosinófilos, hemácias, etc.). A classificação mais atual é ainda mais complexa e envolve além do tipo de célula acometida, a mutação no cromossoma responsável pela malignização.

Tratamento da LMA

A LMA ainda é uma doença com baixa taxa de cura. A resposta ao tratamento depende de vários fatores incluindo o tipo de mutação cromossomial responsável pela neoplasia, a idade (melhor em jovens, pior em idosos) e o estado de saúde do paciente.

O tratamento é feito com quimioterapia, sendo dividido em duas fases: Indução e consolidação.

A indução consiste na tentativa de se eliminar todas as células cancerígenas e costuma durar 4 semanas.

Uma vez eliminada todas as células cancerígenas, a fase de consolidação visa impedir que a medula continue produzindo novas células malignas. A fase de consolidação pode ser feita com novos ciclos de quimioterapia ou com transplante de medula óssea.

Atualmente cerca de 30% dos adultos com menos de 60 anos atingem critério de cura (mais de 5 anos livre de doença). Já entre os pacientes com mais de 60 anos, essa taxa cai para abaixo dos 10%.

Leucemia mielóide crônica (LMC)

A LMC é a transformação maligna das células adultas da série mielóide. É uma doença com curso mais arrastado do que a forma aguda. Porém, após 5 anos existe um risco de transformação blástica, ou seja, de agudização, passando a ser tão agressiva como a LMA.

A LMC é causada por um defeito de um cromossoma, que se torna mais curto do que o usual, chamado de cromossoma Filadélfia. Este defeito não é transmitido dos pais para os filhos, e sim adquirido durante a vida. Já existem exames que detectam a presença deste cromossoma defeituoso.

Ao contrário da LMA, a LMC praticamente só acomete adultos entre 30 e 50 anos, sendo muito rara em crianças e jovens. Quando esta ocorre abaixo dos 30 anos, costuma ser mais agressiva.

O aumento do baço e/ou fígado, associado a uma contagem de leucócitos muito elevada no hemograma é um achado típico da LMC.

A LMC é dividida em 3 fases:

– Fase crônica: é a fase em que 85% dos pacientes são diagnosticados. A doença é mais branda e facilmente controlada com medicamentos. Esta fase pode durar vários anos.
– Fase acelerada: É a fase onde começa haver acometimento dos blastos. O paciente já não responde tão bem ao tratamento.
– Fase blástica: É a transformação da LMC em LMA, porém, neste caso a resposta ao tratamento é muito frustrante. A sobrevida média nesta fase é de apenas 6 meses.

Tratamento da LMC

O objetivo do tratamento é eliminar todas as células que possuam o cromossoma Filadélfia, tentando impedir a evolução da doença crônica para as fases acelerada e blástica. Existe uma classe de medicamentos nova que atua eliminado essas células defeituosas. A droga mais usada para esse fim é a Imatiniba (Gleevec®).

A resposta é muito boa, acima dos 75%, porém, o seu uso é por tempo indefinido, uma vez que a interrupção da droga está associada a recorrência das células neoplásicas.

O transplante de medula óssea é o único tratamento que leva a cura e é a melhor opção para aqueles que não têm boa resposta a Imatiniba. O grande problema é a alta taxa de complicações associada ao procedimento.

Leucemia linfocítica aguda (LLA)

A LLA se caracteriza por uma grande produção de linfócitos imaturos, chamados de linfoblastos. É a leucemia mais comum nas crianças, sendo também bastante comum nos adultos. O prognóstico da doença em crianças é atualmente bem melhor que nos adultos.

A febre, com ou sem causa aparente, é um dos sintomas mais comuns da LLA. Assim como em qualquer leucemia, o diagnóstico definitivo da LLA é feita através da biópsia de medula óssea.

Tratamento da LLA

O tratamento da leucemia linfocítica aguda é dividido em 3 partes.

– Fase de indução: o objetivo é eliminar todas as células neoplásicas da circulação. O tratamento é feito com quimioterapia + corticóides por 4 semanas (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES).
– Fase de consolidação: o fase de consolidação visa impedir o retorno das células cancerígenas após a indução. Esta fase pode ser feita repetindo-se o esquema da indução com doses menores ou com transplante de medula óssea.
– Fase de manutenção: o tratamento quimioterápico é geralmente prolongado por mais 2 anos. O objetivo é eliminar qualquer resíduo de leucemia que possa ainda existir sem que seja detectado nos exames.

Enquanto nas crianças esse protocolo atinge taxas de cura acima dos 80%, nos adultos os resultados são bem menos expressivos, com sucesso em apenas 20-30%. Crianças com mais de 10 anos apresentam reposta pior do que crianças mais novas. Leucemias dos linfócitos B apresentam melhor prognóstico que leucemia dos linfócitos T.

Leucemia linfocítica crônica (LLC)

A LLC é a leucemia dos linfócitos maduros. É a forma de leucemia mais comuns nos adultos, exceto nos países asiáticos. É uma doença de adultos mais velhos, acometendo principalmente aqueles acima de 55 anos.

Assim como na LMC, a LLC apresenta uma evolução mais lenta que sua forma aguda. A sobrevida costuma variar entre 2 e 10 anos.

O quadro é normalmente insidioso. O aumento dos linfonodos (gânglios), localizado ou generalizado, é o sinal mais comum, ocorrendo em até 90% dos pacientes. O aumento do baço também é comum.

Existem 2 sistemas de avaliação clínica que visam classificar os pacientes de acordo com a gravidade da LLC.

– O sistema Rai é dividido de 0 a 4, enquanto que o sistema Binet é dividido em A, B e C. Ambos levam em conta o grau de distribuição dos linfonodos, o aumento do baço e do fígado, e a presença de anemia e queda das plaquetas.

Tratamento da LLC

Pacientes com LLC Binet A ou Rai 0, 1 ou 2, em geral, apresentam bom prognóstico e evolução lenta, não sendo indicado tratamento com quimioterapia. O tratamento só é indicado caso haja progressão da doença. Aqueles com doença mais agressiva são submetidos ao tratamento com quimioterapia + anticorpos sintéticos contra linfócitos (Alemtuzumab ou Rituximab).

O transplante de medula óssea é o único tratamento curativo, porém, a sua taxa de complicações é muito elevada, principalmente nos idosos.

HEMOGRAMA – Entenda os seus resultados

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O hemograma é uma das análises de sangue mais úteis e mais solicitadas na prática médica. Apesar de extremamente comum, esse é um exame que ainda causa muita confusão na população e até nos meios de comunicação. Algumas pessoas acham que todo exame de sangue é um hemograma, como se ambos os termos fossem sinônimos. Isto é um equívoco.

O exame de sangue não funciona como o antivírus do seu computador que faz automaticamente um rastreamento em toda a máquina à procura de algo errado. Quando o médico solicita uma coleta de sangue, ele precisa dizer para o laboratório o que pretende que seja analisado nesta amostra. No nosso sangue circulam várias substâncias que podem ser dosadas ou pesquisadas, como proteínas, anticorpos, células, eletrólitos (potássio, sódio, cálcio, magnésio, etc.), colesterol, hormônios, drogas e até bactérias ou vírus, em casos de infecção.

Se o médico quiser saber como andam os níveis de colesterol, ele precisa escrever no pedido que deseja uma dosagem do colesterol; se o objetivo for saber se a glicose do sangue anda controlada, solicita-se a dosagem da glicose sanguínea. O hemograma é solicitado quando o objetivo é ter informações sobre as células do sangue, nomeadamente, leucócitos, plaquetas e hemácias. Portanto, em um hemograma não é possível obter dados sobre o nível de colesterol, taxa de glicose, pesquisa de bactérias, pesquisa de drogas, teste para HIV, etc.

Neste texto vamos explicar que tipos de informações o exame de hemograma pode nos trazer.

Hemograma

No nosso sangue circulam três tipos básicos de células, todas produzidas na medula óssea. São estas células que estudamos através do hemograma:

– Hemácias (glóbulos vermelhos).
– Leucócitos (glóbulos brancos).
– Plaquetas.

Os atuais valores de referência do hemograma foram estabelecidos na década de 1960, após observação de vários indivíduos sem doenças. O considerado normal é, na verdade, os valores que ocorrem em 95% da população sadia. 5% das pessoas sem problemas médicos podem ter valores do hemograma fora da faixa de referência (2,5% um pouco abaixo e outros 2,5% um pouco acima). Portanto, pequenas variações para mais ou para menos não necessariamente indicam alguma doença. Obviamente, quanto mais afastado um resultado se encontra do valor de referência, maior a chance disto verdadeiramente representar alguma patologia.

Não vou me ater muito em valores específico, uma vez que os laboratórios atualmente fazem essa contagem automaticamente através de máquinas, e os valores de referência sempre vêm impressos nos resultados. Cada laboratório tem o seu valor de referência próprio e, em geral, são todos muito semelhantes.

A- ERITROGRAMA

O eritrograma é a primeira parte do hemograma. É o estudo dos glóbulos vermelhos, ou seja, das hemácias, também chamadas de eritrócitos.

Vejam esse exemplo fictício abaixo. Lembre-se que os valores de referência podem variar entre os laboratórios.

Os três primeiros dados, contagem de hemácias, hemoglobina e hematócrito, são analisados em conjunto. Quando estão reduzidos, indicam anemia, isto é, baixo número de glóbulos vermelhos no sangue. Quando estão elevados indicam policitemia, que é o excesso de hemácias circulantes.

O hematócrito é o percentual do sangue que é ocupado pelas hemácias. Um hematócrito de 45% significa que 45% do sangue é compostos por hemácias. Os outros 55% são basicamente água e todas as outras substâncias diluídas. Pode-se notar, portanto, que praticamente metade do sangue é, na verdade, composto por células vermelhas.

Exemplo de Hemograma – Parte do eritrograma

Se por um lado a falta de hemácias prejudica o transporte de oxigênio, por outro, células vermelhas em excesso deixam o sangue muito espesso, atrapalhando seu fluxo e favorecendo a formação de coágulos.

A hemoglobina é uma molécula que fica dentro da hemácia. É a responsável pelo transporte de oxigênio. Na prática, a dosagem de hemoglobina acaba sendo a mais precisa na avaliação de uma anemia.

LEIA TAMBÉM:
– O QUE É ANEMIA?
– SINTOMAS DA ANEMIA

O volume globular médio (VGM) ou volume corpuscular médio (VCM), mede o tamanho das hemácias. Um VCM elevado indica hemácias macrocíticas, ou seja, hemácias grandes. VCM reduzidos indicam hemácias microcíticas, isto é, de tamanho diminuído.

Esse dado ajuda a diferenciar os vários tipos de anemia. Por exemplo, anemias por carência de ácido fólico cursam com hemácias grandes, enquanto que anemias por falta de ferro se apresentam com hemácias pequenas. Existem também as anemias com hemácias de tamanho normal.

Alcoolismo é uma causa de VCM aumentado (macrocitose) sem anemia.

O CHCM (concentração de hemoglobina corpuscular média) ou CHGM (concentração de hemoglobina globular média) avalia a concentração de hemoglobina dentro da hemácia.

O HCM (hemoglobina corpuscular média) ou HGM (hemoglobina globular média) é o peso da hemoglobina dentro das hemácias.

Os dois valores indicam basicamente a mesma coisa, a quantidade de hemoglobina nas hemácias. Quando as hemácias têm poucas hemoglobinas, elas são ditas hipocrômicas. Quando têm muitas, são hipercrômicas.

Assim como o VCM , o HCM e o CHCM também são usados para diferenciar os vários tipos de anemia.

O RDW é um índice que avalia a diferença de tamanho entre as hemácias. Quando este está elevado significa que existem muitas hemácias de tamanhos diferentes circulando. Isso pode indicar hemácias com problemas na sua morfologia. É muito comum RDW elevado, por exemplo, na carência de ferro, onde a falta deste elemento impede a formação da hemoglobina normal, levando à formação de uma hemácia de tamanho reduzido.

Excetuando-se o hematócrito e a hemoglobina, que são de fácil entendimento, os outros índices do eritrograma são mais complexos e pessoas sem formação médica dificilmente conseguirão interpretá-los de forma correta. É preciso conhecer bem todos os tipos de anemia para que esses dados possam ser úteis.

B- LEUCOGRAMA

O leucograma é a parte do hemograma que avalia os leucócitos. Estes são também conhecidos como série branca ou glóbulos brancos. São as células de defesa responsáveis por combater agentes invasores.

Os leucócitos são, na verdade, um grupo de diferentes células, com diferentes funções no sistema imune. Alguns leucócitos atacam diretamente o invasor, outros produzem anticorpos e alguns apenas fazem a identificação do microrganismo invasor.

O valor normal dos leucócitos varia entre 4000 a 11000 células por microlitro (ou milímetros cúbicos).

Existem cinco tipos de leucócitos, cada um com suas particularidades, a saber:

1) Neutrófilos

O neutrófilo é o tipo de leucócito mais comum. Representa, em média, de 45% a 75% dos leucócitos circulantes. Os neutrófilos são especializados no combate a bactérias. Quando há uma infecção bacteriana, a medula óssea aumenta a sua produção, fazendo com que sua concentração sanguínea se eleve. Portanto, quando temos um aumento do número de leucócitos totais, causado basicamente pela elevação dos neutrófilos, estamos provavelmente diante de um quadro infeccioso bacteriano.

Os neutrófilos têm um tempo de vida de aproximadamente 24-48 horas. Por isso, assim que o processo infeccioso é controlado, a medula reduz a produção de novas células e seu níveis sanguíneos retornam rapidamente aos valores basais.

Neutrofilia ? é o termo usado quando há um aumento do número de neutrófilos.
Neutropenia ?  é o termo usado quando há uma redução do número de neutrófilos.

2) Segmentados e bastões

Os  bastões são os neutrófilos jovens. Quando estamos infectados, a medula óssea aumenta rapidamente a produção de leucócitos e acaba por lançar na corrente sanguínea neutrófilos jovens recém-produzidos. A infecção deve ser controlada rapidamente, por isso, não há tempo para esperar que essas células fiquem maduras antes de lançá-las ao combate. Em uma guerra o exército não manda só os seus soldados mais experientes, ele manda aqueles que estão disponíveis.

Normalmente, apenas 4% a 5% dos neutrófilos circulantes são bastões. A presença de um percentual maior de células jovens é uma dica de que possa haver um processo infeccioso em curso.

No meio médico, quando o hemograma apresenta muitos bastões chamamos este achado de “desvio à esquerda”. Esta denominação deriva do fato dos laboratórios fazerem a listagem dos diferentes tipos de leucócitos colocando seus valores um ao lado do outro. Como os bastões costumam estar à esquerda na lista, quando há um aumento do seu número diz-se que há um desvio para a esquerda no hemograma. Portanto, se você ouvir o termo desvio à esquerda, significa apenas que há um aumento da produção de neutrófilos jovens.

Os neutrófilos segmentados são os neutrófilos maduros. Quando o paciente não está doente ou já está em fase final de doença, praticamente todos os neutrófilos são segmentados, ou seja, células maduras.

3) Linfócitos

Os linfócitos são o segundo tipo mais comum de glóbulos brancos. Representam de 15 a 45% dos leucócitos no sangue.

Os linfócitos são as principais linhas de defesa contra infecções por vírus e contra o surgimento de tumores. São eles também os responsáveis pela produção dos anticorpos.

Quando temos um processo viral em curso, é comum que o número de linfócitos aumente, às vezes, ultrapassando o número de neutrófilos e tornando-se o tipo de leucócito mais presente na circulação.

Os linfócitos são as células que fazem o reconhecimento de organismos estranhos, iniciando o processo de ativação do sistema imune. Os linfócitos são, por exemplo, as células que iniciam o processo de rejeição nos transplantes de órgãos (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS).

Os linfócitos também são as células atacadas pelo vírus HIV. Este é um dos motivos da AIDS (SIDA) causar imunossupressão e levar a quadros de infecções oportunistas.

Linfocitose = é o termo usado quando há um aumento do número de linfócitos.
Linfopenia = é o termo usado quando há redução do número de linfócitos.

Obs: linfócitos atípicos são um grupo de linfócitos com morfologia diferente, que podem ser encontrados no sangue. Geralmente surgem nos quadros de infecções por vírus, como mononucleose, gripe, dengue, catapora, etc. Além das infecções, algumas drogas e doenças auto-imunes, como lúpus, artrite reumatoide e síndrome de Guillain-Barré, também podem estimular o aparecimento de linfócitos atípicos. Atenção, linfócitos atípicos não têm nada a ver com câncer.

4) Monócitos

Os monócitos normalmente representam de 3 a 10% dos leucócitos circulantes. São ativados tanto em processos virais quanto bacterianos. Quando um tecido está sendo invadido por algum germe, o sistema imune encaminha os monócitos para o local infectado. Este se ativa, transformando-se em macrófago, uma célula capaz de “comer” micro-organismos invasores.

Os monócitos tipicamente se elevam nos casos de infecções, principalmente naquelas mais crônicas, como a tuberculose.

5) Eosinófilos

Os eosinófilos são os leucócitos responsáveis pelo combate de parasitas e pelo mecanismo da alergia. Apenas 1 a 5% dos leucócitos circulantes são eosinófilos.

O aumento de eosinófilos ocorre em pessoas alérgicas, asmáticas ou em casos de infecção intestinal por parasitas.

Eosinofilia =  é o termo usado quando há aumento do número de eosinófilos.
Eosinopenia = é o termo usado quando há redução do número de eosinófilos.

6) Basófilos

Os basófilos são o tipo menos comum de leucócitos no sangue. Representam de 0 a 2% dos glóbulos brancos. Sua elevação normalmente ocorre em processos alérgicos e estados de inflamação crônica.

Conclusão

Quando os leucócitos estão aumentados, damos o nome de leucocitose. Quando estão diminuídos chamamos de leucopenia. A leucocitose pode ser causada por uma linfocitose ou por uma neutrofilia, por exemplo. Já a leucopenia pode surgir devido a uma linfopenia ou neutropenia.

Quando notamos aumento ou redução dos valores dos leucócitos é importante ver qual das seis linhagens descritas anteriormente é a responsável por essa alteração. Como neutrófilos e linfócitos são os tipos mais comuns, estes geralmente são os responsáveis pelo aumento ou diminuição da concentração dos leucócitos.

LEIA TAMBÉM:
– O QUE É LEUCEMIA
– SINTOMAS DA LEUCEMIA

Grandes elevações podem ocorrer nas leucemias, que nada mais é que o câncer dos leucócitos. Enquanto processos infecciosos podem elevar os leucócitos até 20.000-30.000 células/mm3, na leucemia estes valores ultrapassam facilmente as 50.000 cel/mm3.

As leucopenias normalmente ocorrem por lesões na medula óssea. Podem ser por quimioterapia, por drogas, por invasão de células cancerígenas ou por invasão por micro-organismos.

C- PLAQUETAS

As plaquetas são fragmentos de células responsáveis pelo início do processo de coagulação. Quando um tecido de qualquer vaso sanguíneo é lesado, o organismo rapidamente encaminha as plaquetas ao local da lesão. As plaquetas se agrupam e formam um trombo, uma espécie de rolha ou tampão, que imediatamente estanca o sangramento. Graças à ação das plaquetas, o organismo tem tempo de reparar os tecido lesados sem que haja muita perda de sangue.

O valor normal das plaquetas varia entre 150.000 a 450.000 por microlitro (uL). Porém, até valores próximos de 50.000, o organismo não apresenta dificuldades em iniciar a coagulação.

Quando os valores se encontram abaixo das 10.000 plaquetas/uL há risco de morte, uma vez que pode haver sangramentos espontâneos.

Trombocitopenia é como chamamos a redução da concentração de plaquetas no sangue. Trombocitose é o aumento.

A dosagem de plaquetas é importante antes de cirurgias e para avaliar quadros de sangramentos sem causa definida.

Considerações finais

Quando temos redução de duas das três linhagens de células do sangue, chamamos de bicitopenia. Quando os três tipos de células estão reduzidos, damos o nome de pancitopenia. Doenças que cursam com inflamação crônica, como o lúpus, por exemplo, podem se apresentar com redução de uma, duas ou das três linhagens. Na verdade, qualquer agressão à medula óssea, seja por medicamentos, infecções ou doenças, pode causar diminuição da produção das células do sangue.

Não é preciso nenhuma preparação, nem estar em jejum, para se colher sangue para o hemograma.

O termo hemograma completo é apenas um preciosismo, já que não existe hemograma incompleto. Se o médico quiser apenas saber o valor do hematócrito e da hemoglobina, ele solicita um eritrograma. Se quiser ver apenas o valor dos leucócitos, é só pedir um leucograma. Se o alvo for apenas as plaquetas, solicita-se um plaquetograma. Quando se pede um hemograma, está implícito que o médico quer a avaliação das três linhagens (hemácias, leucócitos e plaquetas).

Este post também está disponível em: Espanhol

MIELOMA MÚLTIPLO – Sintomas e Tratamento

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O mieloma múltiplo, a leucemia, o linfoma e a síndrome mielodisplásica são as principais causas de câncer que acometem as células de defesa do sangue, chamados popularmente de glóbulos brancos (leia: CÂNCER – SINTOMAS E DEFINIÇÕES).

Neste artigo nós vamos abordar exclusivamente o mieloma múltiplo. Se você procura informações sobre os outros tipos de neoplasias do sangue, acesse os seguintes artigos:

O mieloma múltiplo corresponde a 1% de todos os cânceres e a 10% dos cânceres sanguíneos. A sua incidência na população geral é de aproximadamente 5 casos para cada 100.000 habitantes. O mieloma é uma doença típica de idosos, apenas 2% dos casos ocorrem antes dos 40 anos e menos de 10% antes dos 50 anos. O mieloma é duas vezes mais comum em negros do que em brancos.

O que é o mieloma múltiplo

Leia os próximos parágrafos com calma, pois o seu entendimento é essencial para a compreensão dos sintomas e das alterações laboratoriais da doença.

O mieloma múltiplo é o câncer de uma célula chamada plasmócito, que é a célula responsável pela produção dos anticorpos, chamados também de imunoglobulinas ou gamaglobulinas.

Seguindo os mesmos mecanismos de qualquer câncer, no mieloma, mutações genéticas fazem com que o organismo perca o controle da produção de plasmócitos, que passam a se multiplicar indefinidamente. O resultado é um acúmulo de células plasmáticas malignas na medula óssea, órgão responsável pela produção de todas as células do sangue, e uma consequente produção excessiva de anticorpos.

Existem 5 tipos de anticorpos:

– IgG – Imunoglobulina ou gamaglobulina G.
– IgA – Imunoglobulina ou gamaglobulina A.
– IgM- Imunoglobulina ou gamaglobulina M.
– IgD – Imunoglobulina ou gamaglobulina D.
– IgE – Imunoglobulina ou gamaglobulina E.

Dependendo do tipo de plasmócito que sofre a mutação maligna, teremos a hiperprodução do clone de um destes tipos de imunoglobulina (anticorpo). Por exemplo, no chamado mieloma IgG, temos a proliferação de plasmócitos produtores do anticorpo IgG, o que leva à produção excessiva de clones de imonoglobulina G.

O tipo de mieloma múltiplo mais comum é secretor de IgG seguido, em ordem decrescente, pelos mielomas produtores de IgA e IgM. Mielomas secretores de IgD ou IgE são raros.

O mieloma secretor de IgM recebe o nome de Macroglobulinemia de Waldenström e apresenta alguns aspectos clínicos diferentes do mieloma múltiplo. Falaremos especificamente da Macroglobulinemia de Waldenström em um artigo à parte que será escrito brevemente.

Esses clones de anticorpos produzidos no mieloma múltiplo são chamados de paraproteínas ou proteínas M. Através de análises de sangue essas paraproteínas podem ser detectadas (explico mais à frente como é feito o diagnóstico). A existência de proteínas M, ou seja, de clones de anticorpos, recebe o nome de gamopatia monoclonal.

Portanto, toda vez que detectamos um número elevado de anticorpos no sangue, sendo todos eles exatamente iguais, ou seja, clones, estamos diante de uma gamopatia monoclonal.

É importante entender a diferença entre anticorpos monoclonais e policlonais. Em casos de infecções ou processos alérgicos também podemos ter elevação dos anticorpos, estes porém, não são todos um único clone, pois são produzidos por diferentes plasmócitos. Neste caso temos um gamopatia policlonal, que é uma resposta normal do organismo a processos infecciosos.

Sintomas do mieloma múltiplo

A medula óssea, responsável pela produção das células do sangue, fica localizada no interior dos ossos. Como uma das características do mieloma múltiplo é a proliferação sem controle dos plasmócitos dentro da medula, uma das principais manifestações clínicas do mieloma é a lesão dos ossos.

O mieloma múltiplo costuma acometer vários ossos diferentes do nosso esqueleto, principalmente aqueles que possuem medula óssea no seu interior. Os principais exemplos são:

– Coluna vertebral.
– Crânio.
– Quadril.
– Costelas.
– Fêmur (osso da coxa).
– Úmero (osso do braço).

As lesões ósseas causadas pelo mieloma podem se apresentar como fraturas, que surgem muitas vezes de forma espontâneas ou após mínimos traumas. Também são comuns quadros semelhantes à osteoporose ou erosões focais parecidas com metástases de outros cânceres para ossos, conhecidas como lesões líticas (leia: OSTEOPOROSE ? Sintomas, Causas e Tratamento).

Portanto, como a lesão dos ossos é muito comum, o principal sintoma do mieloma costuma ser a dor óssea. Quando o osso acometido é uma ou mais vértebras da coluna vertebral, pode haver colapso da vértebra e compressão da medula nervosa (não confundir com a medula óssea). Como consequência, além da dor lombar, o paciente também pode apresentar fraqueza e perda da sensibilidade nos membros inferiores.

A destruição dos ossos provoca um aumento da liberação do cálcio para sangue provocando a sua elevação. Ao cálcio elevado no sangue damos o nome de hipercalcemia. Níveis de cálcio sanguíneo acima de 15 mg/dl colocam a vida em risco e podem cursar com sintomas tais como: vômitos, excesso de urina (leia: URINA EM EXCESSO), alterações neurológicas, letargia e coma.

O comprometimento dos rins, que provoca insuficiência renal (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA e INSUFICIÊNCIA RENAL CRÔNICA), é uma das principais manifestações do mieloma múltiplo. A lesão dos rins ocorre principalmente devido à lesão dos túbulos renais pelas imunoglobulinas, pela hipercalcemia ou por invasão dos rins pelos plasmócitos malignos.

Outra complicação comum do mieloma múltiplo é a anemia. Com a medula óssea completamente invadida pelos plasmócitos, ocorre uma progressiva redução na produção de outras linhagens de células sanguíneas, como as hemácias (glóbulos vermelhos), o que acaba por provocar a anemia (leia: SINTOMAS DA ANEMIA). Seguindo o mesmo raciocínio, também podemos ter queda das concentrações de plaquetas e de leucócitos (glóbulos brancos).

Apesar de haver um elevado número de anticorpos circulantes, na gamopatia monoclonal eles são ineficientes contras as infecções. O organismo perde a capacidade de criar anticorpos específicos contra cada invasor e mantém a produção de apenas um clone de imunoglobulinas. Por isso, apesar de ter excesso de anticorpos, o paciente com mieloma múltiplo é um indivíduo mais susceptível a infecções.

Resumindo, o quadro típico do mieloma é o de um paciente com mais de 65 anos, com dor óssea, normalmente lombar, associado a um quadro de anemia sem causa aparente, podendo ou não ter alterações no funcionamento dos rins.

Diagnóstico do mieloma múltiplo

Através de análises específicas de sangue e urina é possível identificar a presença dos clones de anticorpos. Esta pesquisa é feita por um exame chamado eletroforese de proteínas com imunofixação.

Alguns marcadores sanguíneos também costumam estar elevados no mieloma múltiplo, tais como o VHS, o LDH e a Beta 2-microglobulina (leia: EXAMES DE SANGUE | VHS, PCR, LDH, Ferritina e CK). É importante destacar que estes exames de sangue são inespecíficos e podem estar alterados em várias outras doenças que não o mieloma.

As radiografias de quadril, coluna, crânio e tórax conseguem detectar as lesões ósseas do mieloma e costumam fazer parte do processo de diagnóstico. A dosagem da creatinina sanguínea também é útil, pois ajuda a identificar lesões dos rins (leia: EXAME DA CREATININA E UREIA).

Biópsia de medula óssea

Se os exames acima sugerirem a existência do mieloma, o paciente deve ser encaminhado a um médico hematologista para realização da biópsia da medula óssea, que é o exame que fornece o diagnóstico definitivo do mieloma. Se na biópsia ficar demonstrado que mais de 10% das células da medula são compostas por plasmócitos, o diagnóstico de mieloma múltiplo está confirmado.

Tratamento do mieloma múltiplo

Não existe cura para o mieloma múltiplo. O tratamento visa o alívio dos sintomas, melhora da qualidade de vida e o aumento do tempo de sobrevida.

As opções de tratamento mais utilizadas são:

– Quimioterapia, normalmente com um fármaco chamado Melfalan.
– Corticoides, como a dexametasona (leia: INDICAÇÕES E EFEITOS DA PREDNISONA E CORTICÓIDES).
– Talidomida ou Lenalidomina.
– Transplante de medula óssea.

A sobrevida do paciente com mieloma é, em média, de 5 anos para os casos detectados inicialmente, e de 2 anos para os casos mais avançados.

Em alguns casos, a produção de imunoglobulinas é tão intensa que deixa o sangue espesso, sendo preciso realizar sessões de plasmaférese, que é um procedimento que reduz a concentração de células no plasma (leia: ENTENDA O QUE É PLASMAFÉRESE).

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