Top Ad 728x90

Mostrando postagens com marcador Endocrinologia. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Endocrinologia. Mostrar todas as postagens

sexta-feira, 5 de agosto de 2016

HIPOGLICEMIA – Sintomas, Causas e Tratamento

by

\"Hipoglicemia\"
Hipoglicemia é o termo médico usado quando há uma redução dos níveis de glicose (açúcar) no sangue. Como a glicose é a principal fonte de energia do organismo, a ocorrência de hipoglicemia produz sinais e sintomas típicos, tais como fraqueza, suores, tremores e outros, que só desaparecem se o nível sanguíneo de glicose for corrigido.

Embora a maioria dos casos de hipoglicemia ocorra como efeito colateral do tratamento do diabetes, ela também pode surgir, raramente, em pacientes não diabéticos. Neste artigo vamos abordar os seguintes pontos sobre a hipoglicemia:

  • O que é hipoglicemia.
  • Sintomas de hipoglicemia.
  • Causas de hipoglicemia em pacientes não diabéticos.
  • Hipoglicemia no diabetes mellitus.
  • Tratamento da hipoglicemia.

O que é hipoglicemia

Em pessoas saudáveis, a glicemia, ou seja, os níveis de glicose no sangue, são mantidos de forma mais ou menos estável através da ação de vários hormônios, sendo a insulina e o glucagon os principais. Para entendermos como surge a hipoglicemia, vamos resumir de forma bem simples os mecanismos fisiológicos de controle da glicose sanguínea.

Quando nos alimentamos, uma grande carga de glicose é absorvida nos intestinos. Esta glicose absorvida é lançada na corrente sanguínea, fazendo com que as suas concentrações  no sangue se elevem, o que provoca uma hiperglicemia transitória. Neste momento, o pâncreas aumenta a sua liberação de insulina, hormônio necessário para que a glicose consiga ser utilizada pelas células do organismo. A insulina provoca a redução da glicemia por duas vias principais: por permitir o consumo da glicose pelas células e por estimular o armazenamento de glicose dentro fígado, na forma de glicogênio.

De forma oposta, quando ficamos muito tempo sem nos alimentar,  os níveis de glicose no sangue se reduzem progressivamente, conforme as células vão consumindo açúcar para gerar energia. Para evitar a ocorrência da hipoglicemia, o pâncreas passa a liberar o glucagon, um hormônio que tem ação antagônica à insulina. O glucagon age estimulando a liberação de glicose pelo fígado, seja pela utilização do glicogênio armazenado  ou pela produção direta de glicose dentro do próprio fígado, um processo chamado de gliconeogênese. O glucagon também é capaz de utilizar nossas reservas de gordura e transformá-la em glicose (o glicerol, presente nos lipídeos, é muito usado na gliconeogênese).

Em pessoas normais, a hipoglicemia é um evento muito raro, pois mesmo quando ficamos muitas horas em jejum, o organismo é capaz de mobilizar nossas reservas de glicogênio e gordura de forma a fornecer quantidades suficientes de açúcar para o sangue. Um indivíduo é capaz de ficar vários dias sem comer e ainda assim não desenvolver hipoglicemia, caso tenha reservas suficientes.

Portanto, resumindo, a insulina é o hormônio que age normalizando a glicemia quando esta está elevada (hiperglicemia), enquanto que o glucagon é o hormônio que age para normalizar a glicemia quando está baixa (hipoglicemia).

Os valores normais de glicose no sangue quando estamos em jejum costumam ficar entre 70 e 100 mg/dl. Consideramos hipoglicemia níveis de glicose sanguínea abaixo de 60 mg/dl (alguns autores usam 70 mg/dl como limite).

Quando nos alimentamos, a taxa de açúcar no sangue pode se elevar um pouquinho, até que a insulina consiga trazê-la de volta para os níveis normais. Portanto, hiperglicemias transitórias são normais logo após a alimentação. Em pessoas sem diabetes mellitus, esse valor de glicemia após uma refeição, chamada de glicemia pós-prandial, não costuma ultrapassar os 140 mg/dl (leia: DIABETES MELLITUS | Diagnóstico e hemoglobina glicosilada).

Ao contrário da hiperglicemia, que é um evento que pode ocorrer transitoriamente logo após as refeições, a hipoglicemia, em pessoas saudáveis, não é um evento normal. Isso porque, habitualmente, não existem situações que provoquem rápida queda da concentração de açúcar no sangue, o que permite ao glucagon exercer seus efeitos anti-hipoglicemiantes antes da glicemia ficar mais baixa que 70 ou 60 mg/dl. Nos pacientes com diabetes, a história é bem diferente, como veremos mais à frente.

Sintomas de hipoglicemia

Na grande maioria dos casos, os sintomas de hipoglicemia só surgem quando o valor da glicemia desce abaixo de 60 mg/dl. Como a glicose é o principal combustível do nosso corpo, quando os seus níveis sanguíneos ficam baixos, sentimos sinais e sintomas típicos, que são decorrentes não só do sofrimento celular, principalmente dos neurônios, por falta de energia, mas também da reação do sistema nervoso à queda dos valores de glicose no sangue. Vamos explicar as duas situações.

Sintomas adrenérgicos da hipoglicemia

Quando os níveis de açúcar no sangue tornam-se perigosamente baixos, além do estímulo à produção de glucagon, o cérebro sob estresse metabólico também provoca uma elevação da adrenalina, que é um hormônio que além de inibir a insulina, também estimula a liberação das reservas de glicose do fígado. A presença de níveis elevados de adrenalina, glucagon e alguns outros hormônios contrarreguladores no sangue são os responsáveis pelos sintomas adrenérgicos da hipoglicemia, também chamados de sintomas neurogênicos da hipoglicemia.

Entre os sinais e sintomas mais comuns, podemos citar:

– Suores.
– Tremores.
– Nervosismo.
– Calor.
– Fome.
– Taquicardia (coração acelerado).
– Dormência nos lábios ou membros.
– Dor de cabeça.

Os sintomas neurogênicos da hipoglicemia geralmente surgem quando a glicemia fica abaixo de 60 mg/dl. Alguns pacientes mais sensíveis podem ter sintomas leves com glicemias abaixo de 70 mg/dl.

Sintomas neuroglicopênicos da hipoglicemia

Os chamados sintomas neuroglicopênicos da hipoglicemia são aqueles que surgem devido à falta de glicose para as células do cérebro. Ocorrem geralmente quando a glicemia reduz-se abaixo de 55 ou 50 mg/dl. Sendo a glicose a principal fonte de energia dos neurônios, quando esta se torna escassa, as células cerebrais passam a funcionar de forma inadequada, podendo causar, entre outros, os seguintes sinais e sintomas:

– Prostração.
– Alterações de comportamento.
– Perda da capacidade de raciocínio.
– Letargia.
– Incoordenação motora.
– Discurso incoerente.
– Alterações visuais.
– Redução do nível de consciência.
– Convulsões.
– Coma.

As três últimas manifestações clínicas descritas costumam ocorrer somente em casos de hipoglicemia grave, com valores de glicose sanguínea abaixo de 40 mg/dl. Valores de hipoglicemia abaixo de 30 mg/dl podem levar à morte se não forem reconhecidos e corrigidos.

Hipoglicemia durante a noite

Um dos maiores problemas de quem toma insulina à noite é o risco de hipoglicemia durante o sono, momento em que, por estar inconsciente, o paciente não consegue reconhecer precocemente a presença dos sintomas de açúcar baixo no sangue.

Os episódios de hipoglicemia que surgem durante a madrugada se manifestam como pesadelos, agitação durante o sono e suor excessivo. Ao acordar o paciente pode sentir-se estafado, irritado ou confuso. O grande risco é o paciente entrar em coma enquanto dorme, fato que, obviamente, não será prontamente reconhecido pelos familiares.

Causas de hipoglicemia em pacientes não diabéticos

Na prática médica, praticamente todos os casos de hipoglicemia ocorrem em pacientes diabéticos, por efeito adverso do tratamento com insulina ou hipoglicemiantes orais. Raramente, porém, a hipoglicemia pode surgir em pacientes não diabéticos. Algumas causas são:

– Alcoolismo.
– Cirrose ou hepatite grave.
– Desnutrição.
– Deficiência de cortisol.
– Tumores do pâncreas.
– Medicamentos: gatifloxacino, quinina, indometacina, lítio e pentamidina.
– Cirurgias para redução do estômago.

Pessoas saudáveis raramente fazem hipoglicemia. O fato de você ficar mais cansado, irritado, com dor de cabeça ou sem energia após longos períodos de jejum não significa necessariamente que você esteja tendo hipoglicemia. Isso é um reação normal do corpo à fome, não é necessariamente por níveis baixos de açúcar no sangue. Para se caracterizar uma hipoglicemia, o paciente tem que ter uma glicemia abaixo de 60 mg/dl.

Hipoglicemia reativa

A hipoglicemia reativa, também chamada de hipoglicemia pós-prandial ou hipoglicemia pós-alimentar, é o nome dado a um fenômeno caracterizado por episódios de hipoglicemia sintomática que ocorrem dentro de 4 horas após as refeições. A hipoglicemia reativa não é uma doença ou um diagnóstico em si, ela precisa ser investigada para que a sua causa seja esclarecida.

A hipoglicemia reativa costumam ocorrer quando há uma rápida absorção dos carboidratos ingeridos na refeição, o que estimula o pâncreas a secretar uma grande quantidade de insulina em pouco tempo. Esse tipo de reação é uma das complicações comuns das cirurgias de redução de estômago.

Hipoglicemia no diabetes mellitus

Como já dissemos, a hipoglicemia é um evento que, exceto raros casos, ocorre basicamente nos pacientes com diabetes mellitus em tratamento, principalmente naqueles que fazem injeções de insulina, o que é comum nos pacientes com diabetes tipo 1 ou diabetes tipo 2 em fase avançada.

Nas pessoas sem diabetes, o pâncreas consegue controlar de forma precisa os níveis de glicose no sangue. A insulina é produzida de forma constante, com aumentos e reduções da sua liberação ao longo do dia, de acordo com os valores da glicemia.

Os pacientes com diabetes mellitus tipo 1 não produzem insulina e precisam que este hormônio seja reposto artificialmente várias vezes por dia. Quando a insulina é administrada artificialmente, o ritmo e a quantidade que chegam à corrente sanguínea são completamente diferentes do modo que o pâncreas faz. Se a dose da insulina for excessiva para a quantidade de açúcar no sangue, a glicose irá cair muito, podendo provocar hipoglicemia. A hipoglicemia também pode surgir caso o paciente fique muito tempo sem se alimentar ou mude subitamente a sua alimentação, ingerindo menos carboidratos.

A prescrição de insulina é geralmente fixa, o paciente toma x unidades tal hora do dia. Se o paciente toma habitualmente 10 unidades de insulina à noite, essa quantidade pode ser excessiva, caso ele resolva não jantar, ou deficiente, caso ele jante e ainda passe a noite assaltando a geladeira. O pâncreas saudável consegue facilmente lidar com essas mudanças de dieta de uma hora para outra, mas o paciente diabético dependente de insulina, não.

Mesmo que o paciente faça uso de bomba para infundir insulina ou corrija as doses administradas de acordo com a glicemia capilar, ainda assim há risco de episódios de hipoglicemia, pois essas técnicas também são muito inferiores quando comparadas à forma natural do pâncreas produzir hormônios. Infelizmente, ainda não conseguimos encontrar uma forma de administrar insulina que seja ao menos parecida com a secreção natural de insulina pelo pâncreas.

O paciente que toma insulina, infelizmente, precisa ter uma dieta regular e estável e precisa manter níveis de atividade física mais ou menos semelhantes ao longo dos dias. Qualquer mudança deve ser acompanhada da correção na dose de insulina, o que na prática é difícil, pois não há um cálculo exato da quantidade a ser reduzida. É tudo meio na base da tentativa e erro.

Os pacientes com diabetes tipo 2 costumam produzir insulina, mas o organismo é resistente ao hormônio. Há insulina, mas ela não funciona bem. Para estes casos existem drogas que aumentam a eficácia da insulina e a sua produção pelo pâncreas. São os os chamados hipoglicemiantes orais ou antidiabéticos orais. Algumas dessas drogas, como a glipizida, glibenclamida, glimepirida ou a repaglinida, podem também causar hipoglicemias, principalmente nos pacientes mais idosos. A maioria dos antidiabéticos orais, entretanto, não costumam provocar hipoglicemia, incluindo a metformina, acarbose, rosiglitazona ou pioglitazona.

Tratamento da hipoglicemia

Os pacientes com diabetes devem ser instruídos a reconhecer precocemente os sinais e sintomas de hipoglicemia para que os mesmos possam prontamente agir no sentido de corrigir os valores do açúcar no sangue. Se o paciente tiver o aparelho para medir a glicemia capilar à mão, o ideal é aferir a glicemia para identificar o grau de hipoglicemia. Estes valores podem ser uteis para uma posterior correção das doses de insulina, caso necessária.

Nos pacientes conscientes e com sintomas leves, a hipoglicemia pode ser facilmente revertida com a ingestão de 15 a 20 gramas de glicose. Esta quantidade pode ser obtida através de um copo de suco ou refrigerante não dietético, 1 colher de sopa de mel ou açúcar, uma fatia de torrada, 4 bolachas, ou uma porção de qualquer alimento rico em carboidratos. Já existem à venda pastilhas especiais para diabetes, contendo cerca de 5 gramas de glicose cada. Os pacientes diabéticos em uso de insulina são orientados a ter essas pastilhas sempre à mão para casos de hipoglicemia que surjam ao longo do dia.

É importante frisar que, quando surgir uma hipoglicemia, não adianta comer exageradamente, pois isso, além de não corrigir mais rapidamente a glicemia, ainda pode levar a um quadro de hiperglicemia. O certo é ingerir 15 a 20 gramas de glicose e esperar 15 minutos. Se a hipoglicemia persistir, uma nova dose de glicose pode ser ingerida. Se após 3 doses a hipoglicemia não ceder, o paciente deve procurar atendimento médico. O indivíduo com hipoglicemia não deve, em hipótese nenhuma, conduzir veículos. Alguém precisa levá-lo ao hospital.

Nos casos de hipoglicemia mais grave, no qual o paciente encontra-se com nível de consciência reduzido, os familiares devem levar o paciente imediatamente a um hospital para que ele possa ser devidamente tratado. Enquanto o atendimento médico não chega, se o paciente não estiver agitado ou tendo crise convulsiva, pode-se esfregar pequenas quantidades de açúcar na sua gengiva. Não tente oferecer alimentos ou líquidos a pessoas com nível de consciência reduzido, pois os mesmos podem se engasgar e broncoaspirá-los (aspirar o conteúdo em direção aos pulmões).

Se o paciente tiver história de crises frequentes de hipoglicemia grave, alguns familiares podem aprender a administrar por via subcutânea ou intramuscular uma injeção de glucagon. Há kits à venda nas farmácias.

No hospital, pacientes com hipoglicemia mais grave são tratados com glicose por via intravenosa. A correção da hipoglicemia desta forma é praticamente imediata.

Na grande maioria dos casos, episódios de hipoglicemia, mesmo os graves, não costumam deixar sequelas. Porém, nas crianças, episódios muitos frequentes  de hipoglicemia grave podem atrapalhar o seu desenvolvimento.

Este post também está disponível em: Espanhol

BENEFÍCIOS E PERIGOS DA DIETA DUKAN

by

\"Dieta
A indústria das dietas é uma das áreas da saúde mais rentáveis da atualidade. Anualmente somos bombardeados com diversas novas “dietas milagrosas” que prometem relevante perda de peso com mínimo esforço. De tempos em tempos, algumas dessas dietas conquistam celebridades, geralmente modelos ou atrizes famosas, e passam a ter grande visibilidade nos meios de comunicação.

A dieta Dukan, criada pelo médico francês Pierre Dukan, ganhou muita notoriedade nos últimos anos, depois que celebridades, como Jennifer Lopez, Giselle Bundchen, Penelope Cruz e Kate Middleton, tornaram público que eram adeptas da dieta.

Porém, da mesma forma que a fama rendeu milhões de dólares ao seu autor e tornou a dieta Dukan uma das mais famosas do mundo, houve também uma enxurrada de críticas de várias sociedades médicas e de nutrição, principalmente da British Dietetic Association, que desde 2010 contraindica o seu uso e classifica a dieta Dukan entre as 5 piores “dietas dos famosos”*.

O auge dos ataques ocorreu em Janeiro de 2014 quando a Ordem dos Médicos da França cassou a licença médica do Dr. Pierre Dukan sob a alegação de quebra do código de ética, devido à excessiva promoção comercial de produtos sem a devida comprovação científica.

* (http://www.nhs.uk/news/2011/11November/Pages/dukan-diet-celebrity-diets-unproven-dangerous.aspx)

A dieta Dukan não é cientificamente reconhecida porque os seus autores nunca tiveram interesse em submetê-la a estudos rigorosos, principalmente no que tange a parte dos efeitos colaterais e eficácia a longo prazo. Por outro lado, parece ser inegável que a dieta funciona a curto prazo, principalmente para aqueles pacientes que pretendem perder até 10 quilos. Porém, como não há grandes estudos científicos sobre a dieta, é impossível dizer exatamente qual é a sua taxa de sucesso. Há muita propaganda e poucas evidências científicas. Em saúde, isso não costuma ser um bom sinal.

Neste artigo vamos explicar o que é a dieta Dukan, quais são os seus resultados em relação à perda de peso e por que ela sofre tantas críticas das entidades de saúde.

O que é a dieta Dukan

A dieta Dukan, apesar de sua roupagem moderna, é, na verdade, uma releitura da também famosa dieta do Dr. Atkins, muito popular nas décadas de 1970 e 1980.

Assim como a dieta Atkins, a dieta Dukan é baseada em uma rigorosa restrição a alimentos ricos em carboidratos e um grande estímulo ao consumo de alimentos ricos em proteína animal. A diferença entre ambas dietas está no fato da dieta Dukan também ser muito restritiva em relação às gorduras.

Portanto, na dieta Dukan, o paciente pode comer grandes quantidades de proteína animal ou vegetal e quase nenhuma quantidade de carboidratos e gordura.

A dieta do Dr. Pierre Dukan é dividida em 4 fases:

1ª fase da dieta Dukan: fase de ataque

Essa fase é bem simples. O paciente só pode comer carnes magras, a quantidade que quiser ao longo do dia. O autor fornece uma lista de 72 fontes de proteínas, incluindo carne de vaca, peixes, aves sem pele, ovos, leite desnatado, queijos magros, tofu, seitam e soja. Apenas carne de porco, cordeiro, pato e ganso não são permitidas.

Fora o consumo de proteínas, nesta primeira fase, só é indicado o consumo de 1 colher e meia de farelo de aveia e cerca de um litro e meio de água por dia.

Essa fase dura até 10 dias, e o objetivo é perder pelo menos 2 a 5 quilos.

2ª fase da dieta Dukan: fase de cruzeiro

Na fase de cruzeiro o paciente pode comer os mesmos alimentos da fase 1, mais alguns vegetais pobres em carboidratos em dias alternados. Portanto, em um dia você come só proteína e no outro você come proteína e algum vegetal sem carboidrato.

Exemplos de vegetais permitidos: alface, agrião, rúcula, escarola, tomate, berinjela, pimentão, azeitona, abóbora, cogumelo, pepino e aipo.

Essa fase dura o tempo que for necessário para o paciente atingir o peso desejado. A velocidade de perda de peso nesta fase é de 1 a 2 quilos por semana.

3ª fase da dieta Dukan: fase de consolidação

Uma vez que o paciente tenha atingido o peso desejado, ele pode passar para a terceira fase da dieta. A fase de consolidação dura 10 dias para quilo de peso perdido. Portanto, se o paciente até aqui perdeu 10 quilos, ele deverá permanecer na fase 3 por 100 dias; se perdeu 15 quilos, a fase 3 durará 150 dias, e assim por diante.

Nesta fase o paciente pode comer proteínas (inclusive as proibidas nas 2 primeiras fases) e vegetais sem carboidratos à vontade, sem precisar alternar dias. A partir de agora, a dieta permite a introdução gradual de frutas, pão, massas e queijos gordurosos. 1 a 2 vezes por semana o paciente pode fugir da dieta, comendo aquilo que desejar.

4ª fase da dieta Dukan: fase de estabilização

A partir desta fase o paciente fica liberado para comer o que bem entender, contando que siga as seguintes 3 regras:
– 1 dia por semana ele deve comer somente proteínas como fazia na fase 1.
– Comer 3 colheres de sopa de farelo por dia.
– Caminhada de 20 minutos por dia.

A dieta Dukan funciona?

Sim, os pacientes realmente emagrecem com essa dieta, principalmente quando pensamos apenas no curto prazo.

Qualquer dieta para ser efetiva precisa fazer com que o paciente ingira menos calorias do que ela gasta no seu dia a dia. Emagrecer ou engordar é uma simples conta aritmética. Se o paciente gasta 2000 calorias por dia e ingere apenas 1500, ele irá emagrecer. Se o paciente gasta 2000 calorias pro dia e ingere 2500, ele irá engordar. É simples assim.

Como a dieta Dukan restringe muito o consumo de calorias, ela realmente causa relevante perda de peso nas suas fases iniciais. Em média o consumo calórico diário nas 3 primeiras fases da dieta Dukan fica ao redor de 1000 calorias por dia, o que é suficiente para uma perda de 0,5 a 1 kg por semana na maioria das pessoas.

Portanto, as principais críticas à dieta não são em relação a sua efetividade a curto prazo, mas sim à ausência de estudos científicos, principalmente quanto à sua segurança e eficácia a longo prazo.

Críticas à dieta Dukan

A dieta Dukan não ensina o paciente a comer melhor, não muda os seus hábitos alimentares e não dá ênfase à atividade física para que o paciente perca calorias fazendo exercícios e melhorando o seu condicionamento cardiorrespiratório. O programa até sugere caminhadas diárias, mas o foco principal é mesmo a restrição de carboidratos e gorduras. Isso significa que sua efetividade a longo prazo não é das melhores.

Outro grave problema da dieta é que nas fases iniciais há restrição completa de alguns grupos alimentares. Não é recomendado subtrair de forma radical carboidratos e gorduras da dieta. Isso implica em impedir o paciente de consumir nutrientes importantes para a sua saúde.

A quantidade de proteínas ingerida pelo paciente, que se dá de forma praticamente exclusiva nas primeiras semanas de dieta, também é alvo de preocupação.  Proteínas são importantes, mas não devem ser a única fonte de alimento. Aliás, nenhuma fonte de alimento isoladamente é recomendada. O que torna uma dieta saudável é exatamente o equilíbrio entre as diversas fontes de nutrientes.

Um estudo realizado na Polônia em 2015 com 51 mulheres entre 19 e 64 anos mostrou que durante as 3 primeiras fases da dieta Dukan, que podem durar vários meses, a dieta dos pacientes estava totalmente desequilibrada, com ingestão acima do recomendado de nutrientes como proteínas, fósforo, vitamina A e sódio, e abaixo do recomendado para carboidratos, vitamina C, ferro, potássio e ácido fólico.

A principal fonte de energia para as nossas células é a glicose e sua principal origem são os carboidratos. Quando o paciente assume uma dieta sem carboidratos, o organismo precisa lançar mãos de alguns mecanismos para obter a energia que tanto necessita. O modo mais simples é através da queima dos estoques de gordura, fazendo com que o organismo produza corpos cetônicos, substâncias ácidas originadas da quebra da gordura em ácido graxo, que são utilizados como fonte energética alternativa à glicose.

A dieta Dukan é, portanto, uma dieta cetogênica, e boa parte dos seus efeitos colaterais vêm deste estado de cetose.

Efeitos colaterais da dieta Dukan

Dietas cetogênicas são velhas conhecidas da medicina, pois nas primeiras décadas do século XX eram a única forma de tratamento de pacientes com epilepsia. A própria dieta do Dr. Atkins já foi estudada como alternativa para controlar epilepsia em crianças.

É graças à cetose que o paciente consegue perder peso rapidamente nas primeiras semanas. Mas ao contrário do que o paciente imagina, relevante parte desse peso perdido não é gordura, mas sim água. A acidose gerada pelos corpos cetônicos faz com que o rim tenha de trabalhar mais para impedir que o sangue torne-se muito ácido. Isso significa eliminar na urina grandes quantidade de ácido, que costumam ir junto de sódio e água. Portanto, o paciente desidrata nos primeiros dias de dieta. Por isso, indica-se o consumo de pelo menos 1,5 litro de água por dia nas fases iniciais.

Efeitos colaterais comuns da dieta Dukan provocados tanto pela desidratação quanto pela cetose são náuseas, mal-estar, mau hálito (conhecido como hálito cetônico), boca seca, dor de cabeça e fraqueza. A falta de fibras colabora para prisão de ventre, motivo pelo qual é recomendada a ingestão de farelo de aveia.

O consumo excessivo e quase que exclusivo de proteínas aumenta o risco de doenças renais, principalmente a formação de pedras nos rins. Lesão renal aguda pelo excesso de proteínas também é uma preocupação nos pacientes que já possam ter alguma lesão renal prévia (muitas vezes desconhecida pelo paciente). Aumento nos níveis de ácido úrico e maior risco de desenvolvimento de gota também são efeitos colateiras possíveis das dietas cetogênicas. Elevação do nível de colesterol e redução da massa óssea são outros problemas potenciais desta dieta.

Dietas com grandes restrições de carboidratos e consumo excessivo de proteínas também já foram relatadas como causa de cetoacidose, um efeito colateral potencialmente grave provocado pelo aumento da produção de ácidos no sangue.

Durante as diversas fases da dieta, o paciente pode apresentar o famoso efeito sanfona, que é a perda e o ganho de peso de forma cíclica. Hoje em dia sabemos que essa é a pior forma de emagrecer, pois é a que está mais associada a riscos cardiovasculares. É menos perigoso não emagrecer nada do que alternar de forma rápida ganhos e perdas de massa gorda.

Além disso, nos últimos anos, as evidências de que exista uma relação entre o alto consumo de carnes vermelhes e a incidência de alguns tipos de cânceres têm se tornado cada vez mais fortes. Muitas pessoas que aderem à dieta Dukan acabam aumentando muito o seu consumo de carne vermelha, apesar desta não ser a única opção de carnes da dieta (leia: CARNE VERMELHA REALMENTE CAUSA CÂNCER?).

Veredito sobre a dieta Dukan

Por tudo o que foi explicado neste artigo, diversas sociedades médicas e de nutrição não consideram a dieta Dukan uma opção aceitável para perder peso. O efeito a longo prazo é pobre, o paciente pode variar muito de peso ao longo da dieta (efeito sanfona), há graves restrições nutricionais e os efeitos colaterais podem ser graves.

Um estudo feito na França com 5000 pessoas que se submeteram à dieta mostrou que cerca de metade delas já havia engordado tudo de novo em menos de 1 ano; e após 4 anos, quase 90% das pessoas tinham o mesmo ou até mais peso que antes da dieta, o que mostra que a dieta Dukan, além de não ser saudável, não ajuda o paciente a perder peso de forma persistente.

O dieta Dukan já existe há vários anos, rende muito dinheiro e tem centenas de milhares de adeptos, muitos deles com boa resposta em relação à perda de peso a curto prazo. Não há motivos, portanto, para que os seus apologistas ainda não tenham realizado um grande estudo científico sobre a mesma. Basta um grande estudo, com boa metologia científica e seguimento dos pacientes por alguns anos, para que a comunidade científica passe a ver a dieta Dukan com menos restrições. Enquanto isso não ocorrer, infelizmente, não é possível indicar esse tipo de dieta para a população.

ORLISTAT – XENICAL – Remédio Para Emagrecer

by

\"xenical-orlistat\"
O Orlistat (Orlistate), mais conhecido pelo nome comercial Xenical®, é um remédio para emagrecer que age impedindo a absorção de gorduras no intestino.

Ao contrário da maioria das outras drogas usadas no tratamento da obesidade, o orlistat não é um supressor da fome, ele age apenas sobre as enzimas pancreáticas que digerem a gordura, conseguindo reduzir a absorção de até 1/3 das gorduras consumidas na alimentação.

Neste artigo vamos tentar criar uma bula com linguagem voltada para o público leigo, explicando de forma simples como age o Orlistat, como usá-lo, quais são as suas indicações, contra-indicações, efeitos colaterais e interações com outros medicamentos.

O QUE É O ORLISTAT (XENICAL®)

O orlistat é um medicamento indicado para pessoas que precisam perder peso e não conseguem fazê-lo somente com dieta e exercícios físicos.

O orlistat exerce seu efeito anti-obesidade através da inibição de uma enzima pancreática chamada lipase. A lipase é a enzima responsável por quebrar as gorduras ingeridas em moléculas menores, facilitando a absorção das mesmas pelo intestino. Sem a ação da lipase, a gordura que chega aos intestinos não pode ser absorvida, sendo eliminada de forma praticamente intacta pelas fezes. O orlistat, portanto, impede a digestão da gordura e, consequentemente, sua absorção pelo organismo.

Como a sua ação restringe-se ao trato gastrointestinal, sendo a droga pouco absorvida pelo organismo, o orlistat possui um perfil de efeitos adversos bastante aceitável. Os principais efeitos colaterais são provocados exatamente pela grande eliminação de gordura nas fezes.

É importante esclarecer que o orlistat não é capaz de impedir em 100% a absorção de gorduras, um efeito que, na verdade, não seria desejado, pois nosso organismo precisa de desta substância para funcionar. Em geral, o orlistat impede a absorção de 25% a 30% da gordura ingerida. Isso significa que sem uma dieta apropriada, que restrinja o consumo de alimentos gordurosos, o orlistat acaba não tendo um efeito relevante, pois, se o paciente consome muito mais gorduras do que precisa, mesmo com a redução de 30% na sua absorção, uma quantidade grande de gordura ainda será assimilada.

Além de auxiliar na perda de peso, o orlistat também reduz os níveis sanguíneos de glicose, ácido úrico e colesterol LDL, além de ajudar no tratamento da esteatose hepática e no controle da pressão arterial.

INDICAÇÕES DO ORLISTAT

O orlistat deve ser usado como terapia complementar para a perda de peso de pacientes com índice de massa corporal maior que 30 kg/m².

O orlistat aumenta a eficácia da dieta, ajudando o paciente a perder, em média, entre 5 a 10 kg no período de 12 meses.

O orlistat também está indicado para pacientes com IMC acima de 27 kg/m² que apresentem outras doenças relacionadas ao sobrepeso, tais como diabetes mellitus tipo 2 (ou intolerância à glicose), hipertensão arterial, dislipidemia (colesterol elevado) ou esteatose hepática.

COMO TOMAR O ORLISTAT

O Xenical é vendido em comprimidos de 120 mg. A dose indicada é de 1 comprimido 3 vezes por dia, durante ou logo após cada refeição (café da manhã, almoço e jantar). Doses maiores que 360 mg por dia (3 comprimidos/dia) não apresentam eficácia superior, por isso, não estão indicadas.

O Xenical é considerado o orlistat de referência, mas já há no Brasil medicamentos similares, contendo orlistat em comprimidos de 120 mg. São eles: Orlistate, Lystate e Lipiblock.

O Alli (ainda não disponível no Brasil e em Portugal) é vendido em cápsulas de 60 mg ou comprimidos mastigáveis de 27 mg. A dose indicada é de 1 comprimido 3 vezes por dia a cada refeição (café da manhã, almoço e jantar).

Como o orlistat atrapalha na absorção de vitaminas lipossolúveis (A, D, E e K), sugere-se que o paciente tome um suplemento vitamínico à noite todos os dias antes de se deitar.

O uso do orlistat sem uma dieta adequada, com restrição de gorduras, compromete o resultado final do tratamento. Por isso, sugere-se a orientação de um nutricionista quanto à melhor dieta a ser feita durante o tratamento.

PREÇO DO ORLISTAT

O Xenical é vendido em caixas com 84 comprimidos, com preços que variam de 180 a 340 reais. Também há a caixa de 42 comprimidos, com preços entre 100 e 200 reais. Em Portugal, a caixa de 84 comprimidos do Xenical custa cerca de 76 euros.

Os medicamentos similares custam um pouco mais barato.

EFEITOS COLATERAIS DO ORLISTAT

O efeito colateral mais comum do tratamento com orlistat é a presença de gotas de gordura nas fezes. Outros sintomas relacionados a não digestão das gorduras são: cólicas abdominais, aumento dos gases, aumento do número de evacuações diárias e incontinência fecal. Em geral, os efeitos adversos são mais facilmente controlados se o paciente for disciplinado na sua dieta. Quanto mais gorduras forem ingeridas, mais comuns serão os efeitos indesejáveis.

Dor de cabeça ocorre em até 30% dos pacientes, dor nas costas em 14%, sintomas de gripe em 40%, cansaço em 7%, ansiedade em 5%, insônia em 4%, dor para urinar 8% e irregularidade menstrual em até 10% das mulheres.

Nos últimos 10 anos foram descritos 13 casos de lesão hepática grave, supostamente associada ao uso da droga. Até o momento, porém, não se conseguiu provar que a complicação tenha sido provocada diretamente pelo orlistat. É bom salientar que este medicamento já foi utilizado por mais de 40 milhões de pessoas em todo mundo sem que houvesse outros relatos de lesão grave do fígado.

Como qualquer droga, há casos de reação alérgica, inclusive anafilaxia, como o uso de Orlistat. Essas reações, todavia, são raras, ocorrendo em menos de 1% dos casos.

INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DO ORLISTAT

As seguintes drogas podem ter sua absorção alterada pelo uso do orlistat:

  • Ciclosporina – é preciso um intervalo de pelo menos 3 horas entre a administração do orlistat e da ciclosporina.
  • Levotiroxina – é preciso um intervalo de pelo menos 4 horas entre a administração do orlistat e da levotiroxina.
  • Multivitamínicos – é preciso um intervalo de pelo menos 2 horas entre a administração do orlistat e de multivitamínicos.
  • Análogos da vitamina D – é preciso um intervalo de pelo menos 2 horas entre a administração do orlistat e dos análogos da vitamina D (calcitriol, paricalcitol, colecalciferol…).

Pacientes que fazem uso do anticoagulante Varfarina devem usar o orlistat com bastante cautela, pois o redução da absorção da vitamina K nos intestinos pode provocar um aumento do efeito anticoagulante, elevando o risco de hemorragias (leia: VARFARINA – MAREVAN).

Como o orlistat favorece o controle dos níveis de glicose, nos pacientes diabéticos pode ser necessário um ajuste na dose dos antidiabéticos orais para que não ocorram episódios de hipoglicemia.

O orlistat não interfere na eficácia da pílula anticoncepcional (leia: INTERAÇÕES MEDICAMENTOSAS DOS ANTICONCEPCIONAIS).

CONTRAINDICAÇÕES DO ORLISTAT

O orlistat é contra-indicado na gravidez e em pacientes com doenças graves do fígado ou das vias biliares. O seu uso durante a amamentação também não está indicado.

Em pessoas com síndrome de má-absorção intestinal, o uso do orlistat pode agravar o quadro, por isso ele é contra-indicado.

Este post também está disponível em: Espanhol

LEVOTIROXINA (Puran T4) – Indicações e Efeitos Colaterais

by

A levotiroxina sódica é a forma sintética do principal hormônio produzido pela glândula tireoide, chamado de tiroxina, também conhecido pela sigla T4. A levotiroxina é, portanto, um medicamento indicado para o tratamento do hipotireoidismo, que é a doença provocada pela deficiente produção de hormônios pela tireoide.

Os nomes comerciais da levotiroxina mais conhecidos no Brasil são Puran T4, Euthyrox e Synthroid; em Portugal, as marcas mais famosas são o Eutirox e o Letter.

Neste artigo vamos abordar as indicações, o mecanismo de ação, os nomes comerciais, a posologia, como tomar, os efeitos colaterais, as contraindicações e as interações medicamentosas da levotiroxina.Vamos falar também sobre a eficácia da levotiroxina como remédio para emagrecer.

Se você está à procura de mais informações sobre as doenças da tireoide, acesse o nosso arquivo de textos sobre o assunto através do seguinte link: DOENÇAS DA TIREOIDE

Para que serve a levotiroxina

Como já referido na introdução do texto, a levotiroxina é um hormônio sintético da tireoide. Ela deve ser usada sempre que o paciente precisar de reposição artificial de hormônios tireoidianos.

A tireoide é uma glândula localizada na base do pescoço, cuja função é controlar o metabolismo do organismo, ou seja, a forma como o corpo gere sua fontes de energia. Quando o cérebro deseja aumentar nosso metabolismo, ele estimula a tireoide a produzir mais hormônios tireoidianos. Da mesma forma, quando o objetivo é desacelerar o metabolismo, o cérebro “avisa” a tireoide para produzir menos hormônios. O objetivo da tireoide é sempre produzir quantidades de hormonios necessárias para o metabolismo manter-se adequado, de acordo com as atuais circunstâncias de vida do paciente. A tireoide saudável não produz nem hormônios de mais nem de menos, apenas o necessário.

O hipotireoidismo é uma doença que surge quando a tireoide passa a produzir menos hormônios que o necessário para o normal funcionamento do nosso organismo. Nesse caso, para que o metabolismo corporal não entre em falência, faz-se necessária a reposição de hormônio tireoidiano através de medicamentos, já que a tireoide encontra-se doente e incapaz de produzi-los de forma adequada.

A principal e quase exclusiva indicação para o uso da levotiroxina é, portanto, o hipotireoidismo (para saber mais sobre hipotireoidismo, leia: HIPOTIREODISMO). A levotiroxina também pode ser usada como tratamento completar para alguns tipos de câncer da tireoide.

Mecanismo de ação da levotiroxina

Em pessoas saudáveis, a tireoide capta o iodo consumido na dieta e usa-o para criar dois hormônios: triiodotironina (T3) e tiroxina (T4).

O T3 e o T4 produzidos pela tireoide são lançados na corrente sanguínea, onde irão atuar diretamente nas células do nosso organismo, ditando o modo como elas irão transformar oxigênio, glicose e calorias em energia. A quantidade de hormônios produzida pela tireoide é dividida da seguinte forma: 80% de T4 e 20% de T3.

O T4 é, na verdade, um precursor do T3. Quem realmente age nas células é o T3. Grande parte do T4 produzido, ao chegar em órgãos ou tecidos, é transformado em T3 para utilização das células. Portanto, o T3 é efetivamente o hormônio tireoidiano que age no nosso organismo. O T4 é uma espécie de reserva, que é usado para gerar mais T3 sempre que necessário.

Quando o paciente apresenta baixa produção de hormônios tireoidianos, a reposição é feita,preferencialmente, com levotiroxina (t4 artificial) para que o organismo continue, de certo modo, com o controle de quanto T4 irá ser convertido em T3, de acordo com as suas necessidades. Se a reposição fosse sempre feita diretamente com T3, o risco de superdosagem do hormônio seria muito maior. Até existem drogas com T3 artificial, mas a maioria dos pacientes atinge um bom controle do hipotireoidismo apenas com a reposição de T4. Obviamente, se uma dose excessiva de T4 for administrada, esse excesso acabará sendo transformado em T3.

Nomes comerciais da levotiroxina

A levotiroxina sódica é um medicamento que já é comercializado sob a forma genérica tanto no Brasil quanto em Portugal. Existem também diversas marcas cuja substância ativa é a levotiroxina. Vamos citar algumas.

Nomes comerciais da levotiroxina no Brasil:

  • Puran T4.
  • Synthroid.
  • Euthyrox.
  • Levoid.

Nomes comerciais da levotiroxina em Portugal:

  • Letter.
  • Eutirox.
  • Thyrax.

Como tomar a levotiroxina

Existem diversas dosagens disponíveis de levotiroxina, as mais prescritas são: 25 mcg (0,025 mg), 50 mcg (0,05 mg), 75 mcg (0,075mg), 88 mcg (0,088 mg), 100 mcg (0,1 mg), 112 mcg (0,112 mg), 125 mcg (0,125 mg), 137 mcg (0,137 mg), 150 mcg (0,15 mg), 175 mcg (0,175 mg), 200 mcg (0,2 mg) e 300 mcg (0,3 mg).

A dose da levotiroxina deve ser ajustada de forma a manter normalizados os níveis do hormônio TSH (abaixo de 4,5 a 5,0 mU/L). Para entender melhor a relação entre os níveis de T4 e TSH, leia: TSH E T4 LIVRE | Exames da tireoide.

 

Em média, a dose necessária para o controle do hipotireoidismo é de 1.6 mcg/kg, o que dá algo em torno de 112 mcg para um paciente de 70 kg. É preciso salientar, porém, que a dose inicial costuma ser mais baixa, principalmente nos idosos e nos pacientes com problemas cardíacos, já que um excesso de T4 pode desencadear arritmias ou eventos isquêmicos. Neste grupo de risco, a dose inicial recomendada é de 25 a 50 mcg por dia, com ajustes a cada 4 a 6 semanas. Nos pacientes jovens e sem outras doenças, a dose inicial pode ser a de 1.6 mcg/kg.

Outra dica importante é orientar o paciente a escolher uma marca e tornar-se fiel à mesma. Existem diferenças de biodisponibilidade do T4 entre as diversas marcas, incluindo genéricos de fabricantes diferentes. Se você toma levotiroxina sódica genérica, decore a empresa farmacêutica responsável pela produção e peça para o farmacêutico não trocar na hora de comprar uma nova caixa. Se a troca de marca ou laboratório for inevitável, sugere-se uma nova dosagem do TSH após 6 semanas para avaliar a necessidade de correção da dose.

A levotiroxina deve ser ingerida em jejum, de preferência 1 hora antes do café da manhã. Um estudo conduzido na Holanda chegou à conclusão que a levotiroxina tomada à noite, antes de dormir, teria melhor desempenho que a forma clássica, de manhã e em jejum. Este estudo, porém, tem algumas falhas, como um grande intervalo de jejum entre o jantar e a administração noturna, e apenas 30 de intervalo entre a dose da manhã e a primeira refeição do dia. Portanto, o melhor horário para a toma da levotiroxina ainda é de manhã e em jejum.

Os sintomas do hipotireoidismo costumam melhorar com 2 a 3 semanas de tratamento, mas o efeito máximo do medicamento demora pelo menos 6 semanas. Por isso, até que a dose correta da levotiroxina seja estabelecida, o paciente deve fazer doseamentos do TSH a cada 6-8 semanas. Uma vez que os sintomas desapareçam e o TSH esteja estabilizado em valores mais baixos que 4,5-5,0 mU/L, a dosagem do TSH pode ser repetida apenas 1 ou 2 vezes por ano.

Para crianças que tenham dificuldade de engolir comprimidos, o mesmo pode ser esmagado e misturado em 10 ml de água. Essa mistura deve ser tomada imediatamente, ela não pode ser armazenada para posterior administração.

Interações medicamentosas da levotiroxina

A absorção gastrointestinal da levotiroxina é muito errática e pode ser influenciada por diversos fatores, tais como, idade do paciente, marca do medicamento, problemas gástricos, alimentos e medicamentos tomados concomitantemente.

Alguns medicamentos, exemplificados a seguir, não devem ser tomados nas primeiras 4 horas após a administração da levotiroxina, para que não haja interferência na sua absorção:

  • Colestiramina.
  • Carbonato de cálcio.
  • Sevelamer.
  • Hidróxido de alumínio.
  • Sais de ferro.
  • Multivitamínicos.
  • Orlistat.
  • Sucralfato.
  • Poliestireno sulfonato de cálcio.

Existem também aqueles medicamentos que, mesmo que sejam tomados com grande intervalo de tempo em relação à levotiroxina, podem diminuir a sua eficácia, como, por exemplo: rifampicina, carbamazepina, fenitoína, fenobarbital, sertalina, raloxifeno e omeprazol. Nestes casos, um aumento da dose da levotiroxina pode ser necessária.

A levotiroxina não corta o efeito da pílula anticoncepcional, mas qualquer medicamento à base de estrogênio pode interferir na absorção gástrica do hormônio tireoidiano, podendo ser necessário um aumento da dose da levotiroxina para se conseguir controlar o TSH.

Efeitos colaterais da levotiroxina

Em geral, a levotiroxina é uma droga muito bem tolerada pelos pacientes. Os seus efeitos adversos costumam ocorrer quando o paciente está a tomar uma dose acima da necessária para controlar o seu hipotireoidismo.

É o excesso de de hormônios tireoidianos que pode provocar boa parte dos seguintes efeitos adversos: palpitação, taquicardia, arritmias, hipertensão, dor no peito, agitação, ansiedade, dor de cabeça, insônia, tremores, irritabilidade, suores, calor excessivo, perda de peso, alterações menstruais, diarreia, vômitos, aumento do apetite, cólicas abdominais e queda de cabelo.

Reações alérgicas são raras, mas podem ocorrer.

Todo paciente com sintomas sugestivos de excesso de hormônio tireoidiano circulante deve ter o seu TSH reavaliado, para possível correção da dose da levotiroxina.

Contraindicações da levotiroxina

São poucas as contraindicações ao uso da levotiroxina. Este medicamento pode ser usado na gravidez e durante o período de aleitamento materno.

O início do tratamento com levotiroxina deve ser evitado em qualquer pessoa com suspeita de hipertireoidismo (doença que provoca produção excessiva de hormônios tireoidianos – leia: HIPERTIREOIDISMO), em pacientes com suspeita de doença isquêmica do coração (infarto ou angina instável), ou naqueles com insuficiência adrenal sem tratamento.

Levotiroxina emagrece?

Por ser um medicamento que aumenta o metabolismo basal, a levotiroxina tem sido usada de forma inadequada para induzir perda de peso em pacientes sem hipotireoidismo.

A levotiroxina NÃO deve ser usada como droga para emagrecimento. Se a pessoa não tem hipotireoidismo e passa a tomar hormônios, ela desenvolve um hipertireoidismo de origem medicamentosa, que é uma doença com diversos efeitos deletérios ao organismo, incluindo osteoporose, crises de ansiedade, perda de cabelo, alterações menstruais, infertilidade, arritmias cardíacas e até  infarto agudo do miocárdio.

Nos pacientes com hipotireoidismo, a droga leva a uma perda de peso que ocorre não só por queima da gordura, mas principalmente por reduzir a retenção de líquidos. Em geral, o paciente perde 2 a 3 quilos apenas. Nos pacientes sem hipotireoidismo, a eficácia da levotiroxina na perda de peso é ainda menor e se dá às custas de um consumo maior de massa muscular do que de gordura. Lembre-se: nem sempre perder peso e emagrecer são sinônimos.

Portanto, quando usado somente com o intuito de emagrecer, os efeitos colaterais da levotiroxina são muito mais relevantes do que a redução da gordura corporal.

Se você quiser ler sobre medicamentos para emagrecer, acesse o seguinte artigo: REMÉDIOS PARA EMAGRECER.

COMO CALCULAR O IMC – Índice de Massa Corporal

by


O índice de massa corporal, mais conhecido pela sigla IMC, é um índice adotado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é usado para o diagnóstico do sobrepeso e da obesidade. O IMC pode ser facilmente calculado a partir de dois simples dados: peso e altura.

O índice de massa corporal é um relevante indicador de saúde, amparado por vários estudos, que comprovam que, em geral, quanto maior for o IMC de um indivíduo, mais elevado é o risco de morte precoce, principalmente por doenças cardiovasculares.

O IMC é um índice válido para identificar o excesso ou a carência de peso em qualquer pessoa a partir dos 2 anos de idade. Seus resultados são bastante confiáveis, mas a sua principal falha é o fato dele poder superestimar a quantidade de gordura em pessoas que tenham muito peso devido a uma grande massa muscular, como são os casos de atletas de alto rendimento e fisiculturistas.

É importante destacar também que os resultados do IMC não têm validade nas mulheres grávidas, já que estas, além do peso do bebê, também apresentam grande retenção de líquido.

Neste artigo nós vamos explicar como é o cálculo do índice de massa corporal e quais são os valores ideais em cada um dos seguintes grupos: crianças, adolescentes, adultos e idosos.

Se você quiser ler sobre o peso ideal, acesse o seguinte link: CALCULE O SEU PESO IDEAL

Se você quiser ler mais sobre obesidade e perda de peso, acesse o nosso arquivo de textos sobre o assunto através do seguinte link: lista de arquivos sobre obesidade.

Como se calcula o IMC?

A opção mais simples é encontrar uma calculadora online, como a que disponibilizamos abaixo

Todavia, se você não quiser usar uma calculadora de IMC, é muito fácil calcular o índice de massa corporal. Basta seguir a seguinte fórmula:

Cálculo do índice de massa corporal = peso (quilos) ÷ altura² (metros)

Por exemplo, vamos calcular o IMC de uma pessoa de 80 kg, que meça 1,60 m

IMC = 80 ÷ 1,6²
IMC = 80 ÷ 2,56
IMC = 31,25 kg/m²

Qual é o IMC ideal para mim?

Nos adultos, os resultados do IMC devem ser interpretados da seguinte forma:

Baixo peso muito grave = IMC abaixo de 16 kg/m²
Baixo peso grave = IMC entre 16 e 16,99 kg/m²
Baixo peso = IMC entre 17 e 18,49 kg/m²
Peso normal = IMC entre 18,50 e 24,99 kg/m²
Sobrepeso = IMC entre 25 e 29,99 kg/m²
Obesidade grau I = IMC entre 30 e 34,99 kg/m²
Obesidade grau II = IMC entre 35 e 39,99 kg/m²
Obesidade grau III (obesidade mórbida) = IMC maior que 40 kg/m²

O objetivo, obviamente, é ter o IMC na faixa normal, entre 18,50 e 24,99 kg/m². Valores acima ou abaixo desta faixa estão associados a um maior risco de doenças. Quanto mais afastado da faixa de IMC ideal você estiver, seja para mais ou para menos, maior é o risco de você desenvolver problemas de saúde.

Os valores de IMC fornecidos acima são para a população adulta, entre 20 e 65 anos. O cálculo do IMC para idosos, crianças e adolescentes será explicado mais abaixo.

Tabela de IMC

Além da calculadora de IMC e do cálculo feito á mão com a formula do IMC, uma outra maneira de se calcular o índice de massa corporal é através das tabelas de IMC.

A tabela fornecida abaixo é um dos vários exemplos disponíveis. Procure o a linha que corresponde ao seu peso e altura e veja qual é a sua classificação de acordo com o IMC.

Cálculo do IMC em idosos

Os idosos têm menos massa muscular que os adultos jovens e, por isso, o cálculo do IMC não costuma ter na população mais idosa o mesmo significado que no resto da população adulta. Enquanto que nos adultos um índice de massa corporal acima de 25 kg/m² está claramente associado a um aumento na incidência de doenças e a um maior risco de morte precoce, nos idosos isso não parece ser verdade.

Há cada vez mais estudos que mostram que os valores de peso ideal sugeridos pelo IMC não se adéquam à população idosa. Por isso, foi proposta uma nova tabela de índice de massa corporal, concebida especialmente para a população com mais de 65 anos. A forma de calcular o IMC é exatamente igual, porém, os resultados devem ser interpretados da seguinte forma:

a) Índice de massa corporal para mulheres acima de 65 anos:

Baixo peso = IMC abaixo de 21,9 kg/m²
Peso normal = IMC entre 22 e 27 kg/m²
Sobrepeso = IMC entre 27,1 e 32 kg/m²
Obesidade grau I = IMC entre 32,1 e 37 kg/m²
Obesidade grau II = IMC entre 37,1 e 41,9 kg/m²
Obesidade grau III (obesidade mórbida) = IMC maior que 42 kg/m²

b) Índice de massa corporal para homens acima de 65 anos:

Baixo peso = IMC abaixo de 21,9 kg/m²
Peso normal = IMC entre 22 e 27 kg/m²
Sobrepeso = IMC entre 27,1 e 30 kg/m²
Obesidade grau I = IMC entre 30,1 e 35 kg/m²
Obesidade grau II = IMC entre 35,1 e 39,9 kg/m²
Obesidade grau III (obesidade mórbida) = IMC maior que 40 kg/m²

Cálculo do IMC nas crianças

Os valores do índice de massa corporal do adulto também não são os mais adequados para crianças e adolescentes. Assim como nos idosos, o cálculo do índice de massa corporal é o mesmo, mas a interpretação dos resultados é diferente nas crianças.

O processo deve ser feito da seguinte forma: primeiro você deve calcular o IMC através da fórmula tradicional (ou pela calculadora de IMC), depois, com a tabela de idade e sexo fornecida abaixo, veja em que percentil o valor encontrado de índice de massa corporal se encaixa. Os resultados devem ser interpretados da seguinte forma:

Baixo peso = IMC abaixo do percentil 10.
Peso normal = IMC entre o percentil 15 e 85
Sobrepeso = IMC entre o percentil 85 e 95
Obesidade = IMC acima do percentil 95

Este post também está disponível em: Espanhol

PRÉ-DIABETES – Diagnóstico, Riscos e Tratamento

by

\"Pré-diabetes\"
O diabetes mellitus tipo 2 é a forma de diabetes mais comum em todo mundo, sendo responsável por cerca de 90% de todos os casos. Somente no Brasil, estima-se que mais de 7 milhões de pessoas sejam diabéticas, sendo que boa parte delas não sabe que está doente.

Ao contrário do diabetes tipo 1, que tem origem genética e costuma surgir na infância, o diabetes tipo 2 não é uma doença que surge subitamente em pessoas saudáveis. Em geral, ele é um quadro de instalação lenta, que acomete preferencialmente indivíduos com fatores de riscos bem conhecidos, tais como, história familiar, excesso de peso, acúmulo de gordura na região abdominal, idade superior a 45 anos, etc. (leia: DIABETES TIPO 2 | Causas e fatores de risco).

Habitualmente, antes de desenvolver o diabetes tipo 2, o paciente passa por um estágio chamado de pré-diabetes, que costuma ser assintomático e pode durar anos. Apesar de ainda não ser a doença diabetes mellitus propriamente dita, o pré-diabetes também pode causar danos à saúde, como um maior risco de desenvolvimento de doenças cardiovasculares.

Neste artigo vamos explicar o que é o pré-diabetes. Vamos falar sobre suas causas, como é feito o seu diagnóstico, qual é o risco de evolução para diabetes tipo 2 e quais são as opções de tratamento.

O que é pré-diabetes

O pré-diabetes surge quando o processamento da glicose (açúcar) pelo organismo não está sendo feito de forma adequada. Em vez de servir como fonte de energia para as células, a glicose permanece circulando no sangue, fazendo com que o seu nível fique acima do normal (falaremos especificamente dos valores da glicose sanguínea mais à frente, na parte sobre diagnóstico do pré-diabetes).

De forma simples, podemos dizer que uma pessoa tem pré-diabetes quando a sua glicemia (nível de glicose no sangue) está acima do normal, mas ainda não é alta o suficiente para ser definida como diabetes.

Para entender como surge o pré-diabetes, vale a pena relembrar como o corpo manuseia o açúcar ingerido na dieta.

A maior parte da glicose presente no nosso organismo vem dos alimentos que consumimos, mais especificamente dos alimentos que contêm carboidratos, tais como pão, massas, arroz, batata, doces, frutas, milho, farinha, bolos, etc.

Durante a digestão, o açúcar presente nos alimentos é absorvido no intestino e entra na corrente sanguínea. Assim que o organismo detecta uma elevação no nível da glicemia, o pâncreas passa a liberar um hormônio chamado insulina. A insulina age como uma chave que abre as portas das células para que a glicose possa ingressar. Sem insulina, a glicose não tem como penetrar nas células, e sem glicose, as células não conseguem funcionar adequadamente.

A entrada de glicose nas células faz com que a sua concentração no sangue caia. O nível de insulina no sangue é controlado de forma muito apurada. Se a glicemia eleva-se, o nível de insulina também sobe; se a glicemia cai, a liberação de insulina pelo pâncreas também reduz-se. Desta forma, a concentração de glicose no sangue é sempre mantida dentro de valores considerados adequados para o funcionamento do organismo.

Quando o indicíduo tem pré-diabetes, é porque o processo descrito acima está sendo realizado de forma inadequada. Habitualmente, dois mecanismos são os responsáveis:

1- O pâncreas deixa de ser capaz de produzir quantidades adequadas de insulina, fazendo com que parte da glicose se acumule no sangue.

2- As células se tornam resistentes à ação da insulina. A quantidade de insulina é adequada, mas ela não é eficiente na hora de facilitar a entrada da glicose nas células. Esse efeito é especialmente comum em pessoas com sobrepeso, pois o excesso de gordura está claramente associada a uma menor eficiência da insulina.

Quando o defeito em um dos dois mecanismos descritos acima é brando, o paciente desenvolve pré-diabetes; quando o defeito é grave, o paciente desenvolve diabetes mellitus.

Diagnóstico do pré-diabetes

Os métodos laboratoriais para diagnosticar o pré-diabetes são os mesmos utilizados para o diagnóstico diabetes, o que mudam são apenas os valores.

1- Glicemia de jejum

O método mais utilizado para o diagnóstico tanto do diabetes quanto do pré-diabetes é a chamada glicemia de jejum, que é a dosagem do nível de glicose no sangue após um jejum de pelo menos 8 horas.

  • O normal é ter uma glicemia de jejum de no máximo 99 mg/dl.
  • Indivíduos com glicemia de jejum entre 100 e 125 mg/dl em pelo menos duas dosagens distintas são considerados pré-diabéticos.
  • Indivíduos com glicemia de jejum igual ou acima de 126 mg/dl em pelo menos duas dosagens distintas são considerados diabéticos.

Dizer que o paciente tem uma glicemia de jejum alterada é uma outra forma de dizer que ele tem pré-diabetes.

2- Hemoglobina glicada (HbA1C)

A hemoglobina glicada é um exame que avalia a quantidade de glicose presente na hemoglobina. Quanto maior for a glicemia ao longo do tempo, maior é o valor da hemoglobina glicada. Esse teste é muito útil, pois ele estima o valor médio da glicemia nos últimos 3 meses. Se a HbA1C vier alta, isso significa que a glicemia esteve descontrolada nos últimos 3 meses, no mínimo.

  • O normal é ter uma hemoglobina glicada abaixo de 5,7%.
  • Indivíduos com hemoglobina glicada entre 5,7% e 6,4% são considerados pré-diabéticos.
  • Indivíduos com hemoglobina glicada acima de 6,5% são considerados diabéticos.

Para saber mais sobre a hemoglobina glicada, leia: HEMOGLOBINA GLICADA ? O que é, valores normais e como baixar.
3-  Teste de tolerância oral à glicose (TTOG)

O teste de tolerância oral à glicose é um exame no qual o paciente dosa a sua glicemia em jejum e novamente 2 horas após beber uma solução rica em açúcar. Esse teste serve para ver como o organismo processa a glicose logo após a sua ingestão. Exceto nas grávidas, o TTOG é raramente usado para o diagnóstico do pré-diabetes ou do diabetes (leia: DIABETES GESTACIONAL | Riscos, sintomas e diagnóstico).

  • O normal é ter um teste de tolerância oral à glicose abaixo de 140 ml/dl.
  • Indivíduos com teste de tolerância oral à glicose entre 140 e 199 mg/dl são considerados pré-diabéticos.
  • Indivíduos com teste de tolerância oral à glicose acima de 200 mg/dl são considerados diabéticos.

Dizer que o paciente tem intolerância à glicose é uma outra forma de dizer que ele tem pré-diabetes.

Fatores de risco para pré-diabetes

Como o pré-diabetes é basicamente uma estágio antes do surgimento do diabetes mellitus, o seus fatores de risco acabam sendo praticamente os mesmos. Os mais importantes são:

Evolução do pré-diabetes para diabetes

O pré-diabetes tem em basicamente dois problemas. O primeiro é o fato dele estar habitualmente associado a outros fatores de risco para doenças cardiovasculares, principalmente o sobrepeso e o colesterol elevado. O segundo, que é o mais importante, é o fato do pré-diabetes ser um estágio logo antes do aparecimento do diabetes, sendo essa transição muito comum no período de poucos anos.

Se nada for feito, cerca de 1/3 dos pacientes com pré-diabetes irá progredir para diabetes dentro do prazo de 3 a 5 anos. Se levarmos em conta apenas os indivíduos com múltiplos fatores de risco, a taxa de progressão é ainda mais alta.

O fato é que nem todo mundo com pré-diabetes irá obrigatoriamente evoluir para diabetes, mas praticamente todos os pacientes portadores de diabetes tipo 2 em algum momento da vida passaram pela fase de pré-diabetes.

Portanto, como o risco de progressão para o diabetes tipo 2 é bem alto e não há como saber de antemão que irá progredir ou não, medidas preventivas devem ser instituídas o quanto antes possível.

Tratamento do pré-diabetes

O tratamento do pré-diabetes é, na verdade, apenas um conjunto de medidas de prevenção contra o diabetes. O alvo é atacar os fatores de risco que podem ser modificados. Obviamente, ninguém pode fazer nada em relação à história familiar ou à própria idade, no entanto, muito pode ser feito em relação à dieta, ao tabagismo, ao sedentarismo e ao excesso de peso.

Todos os indivíduos com pré-diabetes devem ter como objetivo principal emagrecer e alcançar um IMC abaixo de 25 kg/m². Porém, mesmo perdas pequenas de peso, como algo em torno de 5% do peso corporal já são suficientes para reduzir de forma relevante o valor da glicemia em jejum.

Outro fator importante é a prática regular de atividade física. O sedentarismo e o excesso de gordura diminuem a eficácia da insulina, enquanto o aumento da massa muscular e a prática regular de exercícios fazem o efeito contrário, tornando a insulina circulante no sangue mais eficaz. O importante não é necessariamente a intensidade do exercício, mas sim a frequência com que ele é feito durante a semana. O ideal são 30 minutos de atividade, 5 vezes por semana, para haver efeitos relevantes, porém, mesmo uma frequência menor ainda é melhor do que o sedentarismo.

Quem é fumante deve largar o cigarro imediatamente. Não só o cigarro é responsável por uma extensa lista de doenças graves, como ele também aumenta o risco de diabetes em quase 40%.

Medicamentos para o pré-diabetes

Na maioria dos casos, não há necessidade de indicar tratamento medicamentoso para a prevenção do diabetes, pois as mudanças de hábito alimentares e de vida costumam ser suficientes para controlar os níveis de glicose. Além disso, são muito limitadas as opções de drogas que realmente retardam a progressão para o diabetes sem provocar uma gama de efeito colaterais indesejados.

Contudo, a terapia medicamentosa pode ser útil na prevenção da diabetes tipo 2 em pacientes com alto risco e que não conseguem pôr em prática as mudanças de estilo de vida necessárias. Geralmente, o uso de droga acaba sendo indicado para pessoas com menos de 60 anos, IMC acima de 35 kg/m² ou mulheres com histórico de diabetes gestacional, que não conseguem ou não podem ter um estilo de vida mais saudável.

Para estes casos, o uso da metformina, um antidiabético oral, pode ser indicado (leia: CLORIDRATO DE METFORMINA). A metformina ajuda a reduzir os níveis de glicose e diminui o risco de progressão para o diabetes, principalmente em pessoas jovens e obesas. É importante destacar, porém, que esta droga é menos efetiva que as mudanças de estilo de vida, devendo, portanto, ficar restrita apenas àqueles que não conseguem emagrecer nem praticar exercícios.

O orlistat (Xenical) é uma droga que não age diretamente sobre a glicose, mas como ajuda o paciente a perder peso, acaba de forma indireta sendo útil no controle do pré-diabetes nos pacientes com sobrepeso (leia: ORLISTAT (XENICAL) ? Remédio para emagrecer).

Além da metformina, e do orlistat em casos selecionados, nenhuma outra droga costuma ser indicada para o prevenção do diabetes.

Cirurgia bariátrica

A cirurgia bariátrica é uma medida mais radical, que pode indicada nos pacientes com obesidade mórbida (IMC maior que 40 kg/m²), que não conseguem emagrecer de outra forma. Pacientes submetidos a esta cirurgia emagrecem rapidamente e apresentam grande melhoria do seu metabolismo da glicose.

TERMOGÊNICOS – Riscos e Efeitos Colaterais

by


Os chamados suplementos termogênicos são produtos que têm se tornado muito populares nos últimos anos, pois prometem perda de peso e uma melhor performance física. Os termogênicos são substâncias que agem aumentando a temperatura corporal através da estimulação dos sistemas cardiovascular, respiratório e nervoso central. Os resultados da termogênese são um aumento do metabolismo basal e uma maior queima de gordura, o que ajuda o paciente a emagrecer.

O problema é que os resultados destes suplementos não são isentos de efeitos colaterais, alguns deles mais simples, como alterações do humor, boca seca, tremores e insônia, e outros mais graves, tais como arritmias cardíacas, infarto e AVC.

Nos últimos anos, diversas agências governamentais de controle de substâncias, incluindo a brasileira ANVISA, têm emitido resoluções proibindo a venda de alguns suplementos termogênicos, devido aos seus riscos para saúde. A cada ano que passa, a lista de produtos banidos têm aumentado.

Neste artigo vamos fazer uma revisão sobre os suplementos termogênicos, abordando a sua composição e possíveis efeitos colaterais.

Atenção: para que não haja confusão, é preciso realçar que vamos falar exclusivamente sobre suplementos termogênicos, que são produtos industrializados vendidos sob a forma de cápsulas ou comprimidos. O texto não irá abordar o assunto “alimentos termogênicos”, pois estes, se consumidos de forma equilibrada, não trazem risco à saúde.

O que é um complemento termogênico?

Chamamos de complemento termogênico as substâncias que ajudam a acelerar o metabolismo e a aumentar a temperatura corporal, auxiliando na queima de gorduras e perda de peso.

O forte apelo nos meios de comunicação social e a expectativa de perda de peso com resultados rápidos têm contribuído para uso irresponsável dessas substâncias pela população, sem que a mesma seja devidamente esclarecida sobre os riscos envolvidos. Por esse motivo, os órgãos governamentais ao redor do mundo tem fechado o cerco contra a comercialização indiscriminada desses produtos.

A composição dos complementos termogênicos tem vindo a se alterar ao longo dos anos por conta da frequente atualização da lista de substâncias comercialmente banidas. A retirada constante de suplementos termogênicos inseguros tem acarretado em dois efeitos: uma maior segurança para os usuários, porém ao custo de uma perda significativa do efeito emagrecedor.

Substâncias que possuem grande atividade estimuladora do metabolismo, como a efedrina e a dimethylamylamine (DMAA), presentes em várias marcas de termogênicos, foram banidas em vários países, incluindo o Brasil, devido ao seu elevado risco de complicações cardiovasculares. Atualmente, os termogênicos mais populares utilizam a cafeína e a sinefrina (Citrus auranthium) como substâncias termogênicas principais.

Além da sifedrina e da cafeína, é possível encontrar diversas outras substâncias nos produtos considerados termogênicos, incluindo hormônios, vitaminas, aminoácidos, antidepressivos e até diuréticos, o que faz com que seja impossível definir uma composição padrão para as diversas marcas de complementos termogênicos.

Substâncias frequentemente presentes nos complementos termogênicos

Como existem diversas marcas diferentes, com composições completamente distintas, vamos fazer um levantamento das principais substâncias presentes nos complementos termogênicos mais vendidos no Brasil e no mundo.

Obs: muitas vezes, a substância ativa não é claramente descrita no rótulo do produto, sendo mascarada através do uso do nome científico da planta que lhe dá origem. Sempre que possível, descreverei o nome da substância ativa e a sua planta de origem para facilitar a identificação.

a) Efedrina – a efedrina (efedra) é uma substância derivada da planta Ephedra sinica ou Ma huang. Molecularmente semelhante a anfetamina, a efedrina era muito utilizada junto à cafeína como suplemento termogênico, visando emagrecimento e aumento da performance atlética. Apesar da sua grande eficácia e popularidade, os termogênicos à base de efedrina tem sido banidos em todo o mundo, devido ao elevado risco de efeitos colaterais.

Um estudo conduzido entre 1997 e 1999, com usuários de termogênicos à base de efedrina, encontrou diversos casos de hipertensão arterial, arritmias cardíacas, infarto do miocárdio, acidente vascular cerebral (AVC) e crise convulsiva. Pelo menos 10 casos evoluíram para o óbito e 13 levaram à invalidez permanente. Destes 23 relatos mais graves, nove ocorreram em pessoas que não tinham fatores de risco e haviam consumido as doses recomendadas pelo fabricante.

b) Cafeína – a cafeína é a substância estimulante mais consumida em todo o mundo e tem sido utilizada de forma quase universal nos termogênicos permitidos comercialmente. Estudos mostram que o consumo de até 400 mg de cafeína por dia é seguro nos adultos (30 ml de café expresso possui entre 30 e 90 mg de cafeína). Nos adolescentes ainda não se tem estabelecida uma quantidade de cafeína diária segura, mas provavelmente ela é menor que o limite de 400 mg dos adultos.

A cafeína não é tão eficaz para perda de peso quanto as banidas substâncias derivadas da anfetamina, o que faz com que a sua dosagem nos termogênicos seja bem elevada, de forma a compensar a baixa eficácia. Alguns produtos termogênicos chegam a fornecer mais de 800 mg de cafeína por dia, o que é mais do que o dobro da dose considerada segura. Doses muito elevadas aumentam o risco de arritmias e isquemia cardíaca.

A cafeína nos termogênicos é geralmente obtida através de pó de café, guaraná ou chá verde.

c) Sinefrina – A sinefrina, obtida através da Citrus auranthium, também conhecida como laranja-azeda ou laranja-amarga, é uma substância semelhante à efedrina, porém mais fraca. Com a proibição da efedrina, a sinefrina ganhou popularidade e tem sido frequentemente utilizada em associação com doses elevadas de cafeína.

Apesar de mais fraca e menos eficaz que a efedrina, a sinefrina de forma alguma pode ser considerada uma substância isenta de riscos. Casos de AVC, arritmias cardíacas e infartos têm sido relatados devido ao seu uso.

A dose máxima diária considerada segura de sinefrina é 50 mg. Quando associado à cafeína, a dose máxima diária segura é 40 mg de sinefrina e 320 mg de cafeína.

d) Octopamina – A octopamina é uma substância semelhante à sinefrina, que também pode ser obtida pela Citrus auranthium. A eficácia e os riscos são muito parecidos. Doses até 50 mg/dia são consideradas seguras.

e) 1,3-dimetilamilamina (DMAA) – A 1,3-dimetilamilamina (DMAA) é um tipo de anfetamina, que foi banido pela ANVISA em 2012.

A DMAA pode provocar uma série de efeitos colaterais, tais como agitação, enjoos, dor de cabeça e elevação da pressão arterial. Relatos de casos apontam a DMAA como causa de hemorragia cerebral, hepatite medicamentosa, rabdomiólise e infartos do miocárdio.

f) Outras substâncias: chitosan, cromo, ginseng, glucomanano (Amorphophallus Konjac), L-carnitina, psyllium, erva de São João, taurina e ácido linoleico são substâncias frequentemente presentes nos termogênicos, geralmente em associação com cafeína e/ou sinefrina. Estas substâncias, contudo, não apresentam evidências científicas de que sejam efetivas para perda de peso ou aumento da performance atlética, e ainda podem causar efeitos colaterais e interagir com alguns medicamentos.

Cuidados antes de tomar um suplemento termogênico

Nenhum suplemento termogênico deve ser consumido sem apoio de um profissional nutricionista ou médico. Mesmo os produtos autorizados pela ANVISA podem causar graves efeitos colaterais se forem consumidos por pessoas com fatores de risco para doenças cardiovasculares ou se as substâncias estimulantes estiverem em concentrações muito elevadas.

Um cuidado que se deve ter é sempre tentar identificar todas as substâncias presentes no produto, com as suas respectivas dosagens. Produtos não autorizados pela ANVISA podem ter substâncias escondidas na sua fórmula, principalmente diuréticos, hormônios tireoidianos e antidepressivos.

Como já referido, nos últimos anos a ANVISA tem retirado do mercado uma série de suplementos termogênicos, principalmente aqueles que apresentavam DMAA ou efedrina na sua formulação.

Exemplos de termogênicos banidos são:

  • Jack3D
  • Oxylin Pro
  • 1MR
  • Oxy Elite Pro
  • Lipo-6 Black
  • PWR
  • Hemo-rage
  • SSIN

Algumas dessas marcas mudaram as suas fórmulas, retirando as substâncias proibidas pela ANVISA, e, por isso, ainda podem ser encontradas no mercado.

CALCULE O SEU PESO IDEAL E IMC

by

\"peso
Em medicina, o conceito de peso ideal nada tem a ver com estética ou com padrões culturais. O que chamamos de peso ideal é o peso corporal que não está associado a um aumento do risco de desenvolver doenças.

Já há ampla literatura científica demonstrando que o excesso de peso aumenta o risco de doenças e reduz a expectativa de vida. Pessoas obesas ou com sobrepeso, por exemplo, apresentam uma maior incidências de problemas cardiovasculares, diabetes, hipertensão, apneia do sono e até de alguns tipos de câncer.

Mas não é só o excesso de peso que é considerado danoso à saúde, pessoas com peso corporal abaixo do normal também apresentam maior taxa de mortalidade. Além disso, o baixo peso não só pode ser um sinal de distúrbio psiquiátrico, tal como a anorexia ou bulimia, como também pode ser um sinal de uma doença grave em curso, como um câncer ou AIDS, a título de exemplo.

Neste artigo, nós vamos explicar o conceito de peso ideal e do IMC (índice de massa corporal). Para facilitar a sua compreensão, vamos fornecer calculadoras para você poder calcular tanto o seu peso ideal quanto o seu IMC. Ao final do texto vamos falar também um pouco sobre o peso ideal durante a gravidez.

Esse texto faz parte do grupo de artigos sobre o tema obesidade e perda de peso. Não deixe de ler também os outros artigos da série:

Índice de massa corporal (IMC)

O conceito de peso ideal é obtido através do cálculo do índice de massa corporal (IMC). Peso ideal e IMC ideal são conceitos semelhantes. Vamos explicar.

O índice de massa corporal é um indicador adotado pela OMS (Organização Mundial de Saúde), que é usado para o diagnóstico do baixo peso, sobrepeso e da obesidade. O IMC pode ser facilmente calculado a partir de dois simples dados: peso e altura. A fórmula é simples:

IMC = peso (em quilos) ÷ altura² (em metros)

Caso você queira utilizar uma calculadora de IMC para calcular o seu índice de massa corporal, utilize a nossa versão abaixo:

Os resultados do IMC são interpretados da seguinte forma:

  • Baixo peso = IMC abaixo de 18,5 kg/m².
  • Peso normal = IMC entre 18,5 e 24,9 kg/m².
  • Sobrepeso = IMC entre 25 e 29,9 kg/m².
  • Obesidade grau I = IMC entre 30 e 34,9 kg/m².
  • Obesidade grau II = IMC entre 35 e 39,9 kg/m².
  • Obesidade grau III (obesidade mórbida) = IMC maior que 40 kg/m².

Como é fácil deduzir, você deve procurar ter um IMC na faixa normal, ou seja, entre 18,5 e 24,9 kg/m². Valores acima ou abaixo desta faixa estão associados a um maior risco de doenças e uma redução na expectativa de vida. Quanto mais afastado da faixa de IMC ideal você estiver, seja para mais ou para menos, maior é o risco de você desenvolver problemas de saúde.

O índice de massa corporal é um relevante indicador de saúde, cuja utilidade já foi comprovada por vários estudos científicos.

Se você quiser saber mais sobre o IMC, leia o seguinte artigo: COMO CALCULAR O IMC ? Índice de massa corporal.

Cálculo do peso ideal

O conceito de um peso ideal vem sendo debatido há décadas sem que tenhamos chegado a um consenso. Na verdade, o peso saudável deve ser individualizado para cada pessoa, de acordo com o sexo, idade, altura, biotipo e existência ou não de doenças associadas.

Diversas fórmulas foram desenvolvidas ao longo dos anos, de forma a tentar encontrar um modo das pessoas saberem qual seria o peso ideal ou o peso saudável. A calculadora abaixo é uma dessas opções:

O problema da maioria das fórmulas é que elas levam pouco dados clínicos em consideração e frequentemente apresentam resultados distintos entre si. Por exemplo: na calculadora que fornecemos acima, um homem de um metro e oitenta tem estipulado como peso ideal 72 kg. Mas as outras fórmulas existentes fornecem os seguintes resultados para esse mesmo indivíduo:

– Pela fórmula de Hamwi (1964), o peso ideal seria 77,3 kg.
– Pela fórmula de Devine (1974), o peso ideal seria 75,0 kg.
– Pela fórmula de Robinson (1983), o peso ideal seria 72,6 kg.
– Pela fórmula de Miller (1983), o peso ideal seria 71,5 kg.

Portanto, dependendo da fórmula utilizada, o peso ideal para um homem de 1,80m poderia variar de 71,5 kg até 77,3 kg.

Como descobrir o peso ideal

Na verdade, apesar de fornecerem resultados que discordam em quase 6 quilos, nenhuma das fórmulas acima está complemente errada. O conceito atual de peso ideal está intimamente ligado ao IMC. O ideal é que você tente se manter dentro da faixa de IMC normal, ou seja, entre 18,5 e 24,9 kg/m². O que a maioria das fórmulas de peso ideal tenta é encontrar um peso que faça com que o paciente fique mais ou menos ao redor de 22 ou 23 kg/m².

Seguindo essa lógica, para o nosso hipotético exemplo de um homem de 1,80m, qualquer peso entre a faixa de 60 kg e 81kg faria com que ele se enquadrasse dentro do conceito de IMC normal. Obviamente, com algo em torno de 60 kg (IMC = 18,52 kg/m²) ou de 81 kg (25 kg/m²), o nosso exemplo estaria muito próximo do baixo peso ou do sobrepeso, respectivamente, o que de certa forma fala contra o conceito de peso ideal.

Portanto, levando em conta tudo o que foi discutido até agora, faz sentido considerar que o peso ideal seria aquele que mantivesse o indivíduo com um IMC normal, mas com alguma margem de segurança entre os limites. É por isso que a maioria das fórmula de peso ideal mira um IMC entre 20 e 23 kg/m².

Peso ideal não é tudo

É importante destacar que estar no peso ideal é apenas um dos fatores para se ter uma vida saudável. Tão importante quanto o peso são a prática de exercícios físicos, uma dieta equilibrada, uma quantidade adequada de sono por noite e o evitamento de substâncias nocivas à saúde, tais como o cigarro, o álcool em excesso ou outras drogas.

Peso ideal na gravidez

A gravidez é uma situação especial. O ganho de peso não só é esperado como também é inevitável. Não há como uma mulher grávida não ganhar alguns quilos de peso ao longo da sua gravidez. Porém, da mesma forma que ocorre com as mulheres não grávidas, um ganho excessivo ou insuficiente de peso estão ligados a complicações de saúde (da mãe e do bebê).

A maior parte do ganho de peso na gravidez ocorre no 2º e no 3º trimestre. No primeiro trimestre, o ganho de peso é pequeno, variando entre 0,5 a 2,0 kg. Não só não há nenhuma necessidade de engordar nesta fase, como é difícil fazê-lo, já que é nas primeiras semanas de gravidez, a gestante costuma ter enjoos e vômitos frequentemente (leia: ENJOOS E VÔMITOS NA GRAVIDEZ). A partir do segundo trimestre de gravidez, o ganho de peso acelera-se, devendo ficar em torno de 0,5 kg por semana.

O ganho de peso total durante a gravidez deve variar de acordo com o IMC prévio da gestante. Os valores atualmente indicados são os seguintes:

  • IMC menor que 18.5 kg/m2 (baixo peso) ? ganho de peso gestacional desejado entre 12.5 e 18.0 kg.
  • IMC entre 18.5 e 24.9 kg/m2 (peso normal) ? ganho de peso gestacional desejado entre 11.5 e 16.0 kg.
  • IMC entre 25.0 e 29.9 kg/m2 (sobrepeso) ? ganho de peso gestacional desejado entre 7.0 e 11.5 kg.
  • IMC maior que 30.0 kg/m2 (obesidade) ? ganho de peso gestacional desejado entre 5.0 e 9.0 kg.

Explicamos o ganho de peso na gravidez com detalhes no seguinte artigo: GANHO DE PESO NA GRAVIDEZ.

Este post também está disponível em: Espanhol

Top Ad 728x90