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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

EFICÁCIA DA CAMISINHA MASCULINA

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O preservativo masculino, popularmente conhecido como camisinha, é o método contraceptivo mais utilizado no mundo. A camisinha possui uma grande vantagem em relação aos outros métodos: ajuda a prevenir não só a gravidez como também a transmissão de doenças sexualmente transmissíveis (DST).

Neste texto vamos tentar abordar tudo o que for de importante sobre camisinha masculina: eficácia, como colocar, dicas, vantagens e desvantagens.

O que é a camisinha?

A camisinha é um contraceptivo de barreira, ou seja, impede que as secreções penianas e vaginais entrem em contato. Deste modo, há possibilidade de prevenção não só da gravidez, como também das de doenças sexualmente transmissíveis (DST). Outros métodos contraceptivos como os anticoncepcionais orais e o DIU, por exemplo, impedem apenas a gravidez, não influenciando no risco para DST.

A camisinha é feita normalmente de látex ou poliuretano. Em média, uma camisinha possui 19 cm de comprimento, 5 cm de largura e 0,07 mm de espessura, existindo modelos com variações nas três medidas. Além dos tamanhos, as camisinhas podem variar no formato, cor, cheiro, sabor, lubrificação e presença ou não de espermicida.

Todas essas variações descritas acima afetam apenas na comodidade do usuário; nenhum destes fatores influencia na efetividade do preservativo, nem mesmo a presença de espermicida. Na verdade, camisinhas com espermicida não são mais eficazes que camisinhas sem espermicida, e ainda estão mais relacionadas a ocorrência de infecções urinárias (cistites) nas parceiras (leia: INFECÇÃO URINÁRIA | CISTITE | Sintomas e Tratamento). Atualmente, indicamos sempre camisinhas sem espermicidas.

Eficácia da camisinha

A eficácia da camisinha precisa ser avaliada de duas maneiras:

1) Eficácia contra gravidez
2) Eficácia contra DSTs

Independente do modo, a eficácia da camisinha está diretamente ligada ao seu uso correto. Mais abaixo ensinaremos o modo certo de se colocar e de se usar a camisinha

1) Eficácia da camisinha contra gravidez

Quando usada de modo correto, a camisinha apresenta uma eficácia de 98% contra a gravidez. Quando usada de modo intuitivo, ou seja, colocada sem maiores orientações ou cuidados, a eficácia cai para 85%.

2) Eficácia da camisinha contra DST

O uso correto da camisinha é atualmente a principal arma na prevenção das doenças sexualmente transmissíveis. A sua eficácia varia de doença para doença, não podendo ser considerada 100% eficiente em nenhum dos casos. Por isso, além do uso correto da camisinha, é muito importante que o individuo evite comportamentos de risco, como ter múltiplos(as) parceiros(as) sexuais.

A camisinha é extremamente eficiente contra a transmissão do vírus HIV. O risco de transmissão do vírus durante uma única relação sexual com camisinha, colocada e usada de modo correto, é praticamente nulo.

Os casos de transmissão costumam ocorrer naqueles casais sorologicamente discordantes, ou seja, um HIV positivo e outro HIV negativo, que têm relações sexuais frequentes. Ainda assim, a camisinha é um excelente método de proteção. Um trabalho de 2001 acompanhou 587 destes casais e demonstrou que em apenas onze deles o(a) parceiro(a) acabou se infectando. Veja bem, estamos falando de pessoas que mantiveram relações sexuais frequentes com parceiros infectados. Leia também: SAIBA COMO SE PEGA E TRANSMITE HIV E AIDS

A camisinha também é eficiente na prevenção de outras DST, porém, com taxas de sucesso menores que contra o HIV. Entre as DST que apresentam significante redução na taxa de transmissão podemos citar:

O mais importante é entender que a camisinha é uma poderosa arma contra a disseminação das doenças sexualmente transmissíveis, porém, ela não é infalível e em muitos casos sua performance está longe de ser o ideal.

Se por um lado o papel de alguns grupos religiosos que são contra o uso da camisinha pode ser considerado irresponsável, por outro, campanhas de promoção do preservativo sem que haja o devido esclarecimento podem incentivar comportamentos de risco, o que por si só podeira reduzir os efeitos benéficos do uso frequente de camisinha.

Portanto, para reforçar, a camisinha deve ser usada em toda relação sexual onde não haja intenção reprodutiva, pois a mesma reduz significantemente o risco da transmissão de doenças; porém, um comportamento de risco reincidente diminui a sua eficácia, expondo o indivíduo a riscos.

Prós e contras da camisinha

Prós:
– É um método contraceptivo imediatamente reversível.
– Protege contra gravidez e DST.
– São baratas, de fácil acesso e não requerem prescrição médica.
– É simples de ser usada.
– Pode ser carregada por homens e mulheres.
– Praticamente não existem reações adversas ao seu uso.
– Ajuda a controlar a ejaculação precoce (leia: EJACULAÇÃO PRECOCE | Causas e tratamento).

Contras:
– Alguns homens se queixam de perda da sensibilidade do pênis.
– Alguns homens perdem a ereção quando se interrompem as preliminares para se colocar a camisinha.
– O uso da camisinha necessita de aprovação do parceiro(a).
– O seu uso pode levar a falsa impressão de proteção completa e sem falhas.
– Algumas mulheres têm vergonha de carregar camisinha por terem medo de serem taxadas de promíscuas.
– Algumas religiões não permitem o seu uso.

Como colocar a camisinha – como usar a camisinha

Para a camisinha ser um eficaz método de controle de natalidade e/ou de transmissão de doenças, ela precisa ser usada corretamente. Apesar de ser um método muito simples e praticamente intuitivo, algumas regras precisam ser respeitadas. Algumas das dicas abaixo podem parecer óbvias, mas estão entre as principais causas para o insucesso.

1- Compre camisinhas em locais autorizados, como farmácias e máquinas automáticas. Evite comprá-las em ambulantes ou em locais que estejam armazenadas incorretamente. No Brasil, atente para a presença do selo do INMETRO que atesta a qualidade da marca. Outro ponto importante é a data de validade do produto; se o envelope estiver danificado, recuse a camisinha.

2- A camisinha deve ser guardada em locais frescos, não úmidos e longe dos raios solares. O carro não é um bom local para armazená-las, a não ser que o mesmo permaneça sempre estacionado em locais cobertos. Na carteira, o tempo ideal é de no máximo um mês. Expô-las ao calor danificará o látex, favorecendo seu rompimento.

3- A camisinha é um produto descartável e de uso único. Mesmo que a segunda vez seja entre as mesmas pessoas, a camisinha não pode ser reutilizada.

4- Apenas abra o envelope da camisinha na hora que for colocá-la. Cuidado para não rasgá-la e evite materiais cortantes para abri-la.

5- Para reduzir o risco das DST a camisinha deve ser colocada antes que haja qualquer contato entre as genitálias, mesmo se ainda não houver intenção de penetração.

6- A camisinha só deve ser colocada quando o pênis estiver ereto.

7- Como colocar a camisinha:

– Com o pênis ereto, coloque a camisinha na glande (cabeça) segurando o reservatório para evitar que este fique cheio de ar.
– Desenrole-a até a base do pênis. Se a camisinha não desenrolar facilmente é porque ela deve estar ao contrário. Troque o lado e reinicie o processo.
– Se colocada corretamente, o reservatório na ponta do pênis ficará murcho, sem ar.
– A camisinha deve ser sempre desenrolada o máximo possível, ficando bem justa na base do pênis

8- As camisinhas já vêm lubrificadas. Evite acrescentar qualquer outro produto lubrificante, pois os mesmos podem danificar o látex. Se for necessária mais lubrificação, use apenas lubrificantes a base de água, como KY®.

9- Não tente colocar a camisinha em um pênis não ereto. Ela ficará frouxa e poderá sair durante o ato sexual.

10- Uma vez que tenha ejaculado, termine a penetração antes que o pênis fique flácido, pois neste momento a camisinha pode ficar frouxa, permitindo que o esperma escorra pelos lados. Existe também o risco da camisinha sair e ficar dentro da vagina.

11- A camisinha deve ser trocada sempre que houver mudança de sexo anal para sexo vaginal.

12- Após a retirada, deve-se dar um nó na base da camisinha e desprezá-la no lixo. Não jogue a camisinha no vaso sanitário.

E se a camisinha estourar?

Apesar de ser um evento raro, o incorreto uso ou armazenamento da camisinha podem eventualmente levar a rompimentos ou vazamentos da mesma. Se a camisinha arrebentar antes da ejaculação, retire o pênis, lave-o com água e sabão (o mesmo para vagina) e troque de preservativo se quiser reiniciar o ato sexual. Se isto for feito imediatamente, o risco de gravidez e transmissão de doença é muito baixo. Atenção: mulheres devem evitar ducha vaginal na hora de se lavar.

Se a camisinha estourar após ou durante a ejaculação, o pênis deve ser retirado imediatamente e ambas genitálias devem ser lavadas. Para evitar a gravidez, entre em contato com seu ginecologista para orientações sobre contracepção de emergência, como a pílula do dia seguinte (leia: PÍLULA DO DIA SEGUINTE | Como tomar, eficácia e efeitos). Sempre que houver contato entre mucosas e secreções genitais há o risco de transmissão de DST. Se houve algum problema com a camisinha e você suspeita que seu (sua) parceiro(a) possa ter alguma doença venérea, procure um médico para receber orientações de como proceder.

Este post também está disponível em: Espanhol

VERRUGAS COMUNS E VERRUGAS GENITAIS

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Verrugas são pequenos tumores benignos que aparecem na pele causados pela infecção pelo Papiloma vírus humano (HPV), o mesmo vírus que costuma causar o câncer do colo do útero, do ânus ou do pênis. Apesar de serem causadas pelo mesmo tipo de vírus, as verrugas e o cânceres nos órgãos sexuais geralmente tem origem em subtipos distintos do HPV.

Existem mais de 150 subtipos do HPV que é um vírus que infecta principalmente o epitélio da pele e das mucosas. Cada subtipo de vírus tem tropismo (atração) por uma área do corpo. Por exemplo, o HPV-2 e HPV-4 estão associados a verrugas comuns de pele, o HPV-1 a verrugas que acometem a planta dos pés e os HPV-6 e HPV-11 costumam infectar a região dos ânus e dos genitais.

As verrugas são mais comuns em crianças, adolescentes e adultos jovens.

É importante saber que uma pessoa com verrugas comuns não transmite o HPV pela via sexual nem corre risco de desenvolver câncer do colo do útero. A infecção fica confinada àquela área da pele. Uma verruga na mão, significa uma infecção pelo HPV restrita à mão.

A verruga comum de pele é um doença benigna, não causa câncer e costuma desaparecer espontaneamente com o tempo. A ocorrência de câncer está geralmente relacionado a alguns poucos subtipos do HPV, à infecções genitais e à presença de imunossupressão.

Já as verrugas genitais, também chamadas de condilomas,  são altamente contagiosas pela via sexual, seja ela oral, vaginal ou anal. A contaminação das mucosas do ânus e dos genitais pelo HPV acarreta em um maior risco de desenvolvimento de câncer no pênis, ânus e colo do útero, principalmente se forem causados pelos subtipos 6, 11, 16, 18, 31 ou 35.

Nem todo subtipo do HPV provoca verrugas e o surgimento do câncer não está ligado a presença destas. Os subtipos HPV-6 e HPV-11, responsáveis por mais de 90% dos casos verrugas genitais, apresentam baixo potencial de transformação em câncer quando comparados aos subtipos HPV-16 e HPV-18, que causam verrugas menos frequentemente, mas apresentam elevado risco de câncer do colo do útero. Entretanto, é muito muito comum que mulheres que apresentam verrugas genitais também tenham lesões pré-malignas no colo uterino.

Vamos, então, falar um especificamente sobre verrugas comuns e verrugas genitais (condilomas).

Neste texto vamos abordar apenas as verrugas comuns e as verrugas genitais. Se você está à procura de informações sobre o HPV e o câncer de colo do útero, leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina.

Verrugas comuns

Os HPVs que infectam a pele são normalmente contraídos quando há lesões como cortes e arranhões que permitem a invasão do vírus para dentro do organismo. A transmissão é de pele para pele, mas pode ocorrer também através de objetos como toalhas e roupas. O vírus também pode contaminar outras áreas do corpo do próprio paciente. Pessoas com doenças de pele ou lesões apresentam maior risco de serem contaminadas.

Desde a contaminação com o HPV até o aparecimento da verruga pode haver um intervalo de até 6 meses.

Cada organismo reage a infecção pelo HPV de modo diferente, o que significa nem todo mundo que é contaminado pelo vírus desenvolve verrugas. Quanto mais fraco o sistema imune, maior o risco de tê-las, isso inclui transplantados e pacientes com HIV (leia: SAIBA COMO FUNCIONA O TRANSPLANTE DE ÓRGÃOS e SINTOMAS DO HIV E AIDS (SIDA)). Na verdade estima-se que até 80% da população venha a ser infectado pelo HPV em algum momento da vida, porém, apenas 5% destes irão desenvolver verrugas.

Verruga plantar

As verrugas costumam surgir mais frequentemente nas mãos, nos pés, joelhos, cotovelos e na face, porém, qualquer região do corpo pode ser afetada. A verruga pode ser única ou múltiplas, e apresentar diversos aspectos, variando de tamanho, cor e formato.

Tratamento das verrugas comuns

Um vez que o HPV fica restrito à região da verruga, a maioria dos tratamentos atuais não visam atacar o vírus propriamente, mas sim destruir a região da pele contaminada, tentando ao máximo preservar a parte sadia ao redor.

Antes de se submeter a um tratamento, é importante saber que 2/3 das verrugas se curam espontaneamente em um prazo de dois anos.

Existem várias opções para se tratar as verrugas, algumas mais efetivas, algumas menos dolorosas e algumas mais lentas. O tratamento das verrugas comuns é diferente do das verrugas genitais, apesar de algumas substâncias usadas serem as mesmas.

O uso de nitrogênio líquido é bastante eficaz, porém costuma ser algo doloroso e crianças tendem a não tolerá-lo. O tratamento precisa ser repetido algumas vezes e dura em média 3 meses. Como ele pode causar um clareamento da pele tratada, deve ser bem discutido se o paciente tiver pele escura.

O ácido salicílico é uma opção menos dolorosa e apresenta taxa de sucesso ao redor dos 70%. Outras opções incluem substância à base de cantarina, ácido bicloroacético, tretinoína, 5-fluorouracil ou excisão cirúrgica de lesão.

O Imiquimod  é uma substância que parece agir de modo distinto, estimulando o sistema imune a destruir o HPV. Ele é normalmente usado em associação com uma das opção de tratamento descritas acima

Se você tem uma verruga e deseja retirá-la, procure um dermatologista e discuta as opções mais adequadas para o seu caso.

Verruga genital (condiloma)

As verrugas anais e genitais recebem o nome de condiloma acuminado. Popularmente essas verrugas genitais são conhecidas como crista de galo.

O HPV genital é uma doença altamente transmissível pela via sexual, e como já foi explicado, o surgimento da verruga depende do subtipo do HPV infectante.

A infecção genital pelo HPV, com ou sem condiloma, é a doença sexualmente transmissível (DST) mais comum no mundo, sendo mais comum que a gonorreia e a clamídia (leia: GONORREIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento), que a sífilis (leia: SÍFILIS | SINTOMAS E TRATAMENTO – MD.Saúde) e o herpes genital (leia: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).

Como qualquer DST, o seu principal fator de risco é a prática de sexo sem preservativos, principalmente se for com vários parceiros(as). A camisinha diminui o risco de contágio, mas no caso específico do HPV, a sua eficácia parece ficar em torno de 70%, muito abaixo das de outras DSTs (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber). Mais uma vez é importante lembrar que uma pessoa pode estar infectada pelo HPV mesmo que não possua verrugas visíveis. O parceiro(a) contaminado também pode ou não desenvolver condilomas.

O condiloma acuminado pode demorar até 8 meses para se desenvolver após o contágio pela via sexual. O condiloma anal normalmente ocorre em pessoas que praticam sexo anal, porém, principalmente em mulheres, não necessariamente indica que o paciente teve relação sexual pela via anal.

Nas mulheres as lesões do HPV genital costumam acometer a vulva, colo do útero, vagina, períneo e ânus. A presença de condiloma, em qualquer área da região genital, é um fator de risco para o desenvolvimento do câncer de colo uterino.

Nos homens as lesões do HPV costumam aparecer no pênis, próximo a glande. Outros pontos possíveis são a bolsa escrotal e o ânus, este último principalmente, mas não exclusivamente, após relação homossexual.

A prevalência do condiloma acuminado é maior em pacientes com imunossupressão, principalmente nos portadores de HIV com AIDS (SIDA).

As verrugas genitais costumam ser assintomáticas, causando apenas desconforto estético no caso de condilomas grandes e visíveis. Às vezes, a verruga é tão pequena que o paciente nem se dá conta da sua existência. Em alguns casos, entretanto, podem haver queixas de comichão, dor, queimação, sangramento e, nas mulheres, corrimento vaginal.

As infecções genitais pelo HPV estão relacionadas a um maior risco de câncer anal, peniano, vaginal e de colo do útero.

Tratamento da verruga genital (condiloma acuminado)

Entre as substâncias mais usadas incluem-se o nitrogênio líquido, podofilina, Imiquimod, ácido tricloroacético ou ácido bicloroacético. Nos condilomas grandes, a excisão cirúrgica ou com laser é muitas vezes necessária.

Vacina contra HPV

A vacina contra o HPV visa a prevenção contra o câncer do colo de útero. Existem 2 vacinas contra o HPV: uma inclui os subtipos 6, 11, 16 e 18, e outra os 45 e 31. Portanto, a vacina inclui os principais, mas não todos os subtipos relacionados ao câncer de colo uterino. Logo, a vacinação não elimina a necessidade do exame preventivo anual já que não elimina em 100% o risco de câncer.

Apesar do objetivo principal ser a prevenção contra o câncer de colo uterino, a presença dos subtipos HSV-6 e HSV-11 na vacina ajuda também na prevenção do condiloma acuminado.

Falamos especificamente da vacina contra o HPV em um artigo à parte, que pode ser acessado através do seguinte link: VACINA CONTRA HPV | Eficácia, efeitos e indicações.

TRICOMONÍASE – Sintomas, Transmissão e Tratamento

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Tricomoníase é uma doença sexualmente transmissível causada pelo parasito Trichomonas vaginalis. Nas mulheres a tricomoníase é uma das principais causas de vaginite e corrimento vaginal, mas costuma ser uma infecção assintomática nos homens. Neste texto vamos abordar os modos de transmissão, os sintomas, diagnóstico e tratamento do Trichomonas vaginalis.

Se você quiser ler mais sobre vaginite, temos um texto sobre corrimento vaginal onde abordamos outras causas como gonorreia, Gardnerella, candidíase e corrimento vaginal fisiológico: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE

Transmissão da tricomoníase

A tricomoníase é causada pelo protozoário unicelular Trichomonas vaginalis que pode ser visto na imagem à esquerda.

A tricomoníase é uma das principais DST curáveis no mundo, acometendo cerca de 170 milhões de pessoas todo ano (leia: O QUE É DST?).

A transmissão é pela via sexual e, curiosamente, só se dá através do sexo entre mulher/homem ou entre mulher/mulher. A transmissão do Trichomonas entre homens é rara, não sabe bem por quê. A via sexual é virtualmente a única forma de transmissão, sendo incomum a contaminação através de roupas, toalhas ou outros fômites.

O Trichomonas vaginalis é um parasito que só infecta o ser humano; costuma viver na vagina ou na uretra, mas pode também ser encontrado em outras partes do sistema geniturinário. O protozoário causa lesão do epitélio vaginal, levando à formação de úlceras microscópicas que aumentam o risco de contaminação por outras DSTs, nomeadamente o HIV, HPV, herpes, gonorreia e clamídia. Para ler sobre estas DST:

TRANSMISSÃO DO HIV | Como se pega AIDS?
HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina
HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento
GONORREIA | CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento

O período de incubação, isto é, o tempo entre a contaminação e o aparecimento do sintomas, varia geralmente entre 4 a 28 dias, todavia muitas pessoas são carreadoras assintomáticas do parasito por longos períodos. Algumas mulheres possuem o Trichomonas por meses antes de surgirem sintomas, tornando muito difícil definir a data em que ocorreu a contaminação.

Sintomas da tricomoníase

a) Tricomoníase no homem

No sexo masculino a infecção pelo Trichomonas vaginalis costuma ser assintomática e transitória, melhorando espontaneamente em muitos casos. O homem costuma ser um carreador assintomático do parasito. Quando há sintomas, o quadro mais comum é a uretrite (inflamação da uretra) levando à dor para urinar e corrimento uretral purulento. Uma complicação pouco comum mas possível é a infecção da próstata pelo Trichomonas, levando à prostatite (leia: PROSTATITE | Sintomas, causas e tratamento).

b) Tricomoníase na mulher

No sexo feminino a infecção pelo Trichomonas vaginalis também pode ser assintomática, mas pelo menos 2/3 das mulheres infectadas apresentam sintomas. O quadro mais comum é a vaginite, inflamação da vagina que cursa com corrimento amarelo-esverdeado de odor desagradável associado à disúria (dor para urinar), dispareunia (dor durante o ato sexual) e prurido (coceira) vaginal.

A tricomoníase não tratada é fator de risco para infertilidade e câncer do colo do útero. Nas grávidas a infecção está associada a parto prematuro.

Diagnóstico da tricomoníase

O quadro clínico das vaginites apenas sugerem a causa mais provável, não sendo possível estabelecer o diagnóstico sem exames complementares. Para se confirmar a presença do Trichomonas vaginalis o ginecologista realiza um exame ginecológico, que normalmente detecta uma vagina inflamada e com pequenas úlceras. Durante o exame colhe-se uma amostra de secreção vaginal para ser estudada no microscópio. Em até 70% dos casos é possível identificar o protozoário se movendo nas secreções.

Se o quadro clínico e o exame ginecológico forem muito sugestivos, mas o exame microscópico for negativo, é possível fazer uma cultura da secreção, que costuma dar o resultado entre 3 a 7 dias. O exame de PCR (DNA) também pode ser usado; é mais caro, porém apresenta resultados mais rapidamente e com mais segurança.

O exame de papanicolau pode também detectar o Trichomonas, mas sua sensibilidade é baixa, deixando passar cerca de 50% dos casos, além de ter uma alta taxa de falso positivo.

Tratamento da tricomoníase

O Metronidazol e o Tinidazol são as duas opções de tratamento para a tricomoníase. A taxa de cura com esses antibióticos é superior a 90% e nenhuma outra droga apresenta tamanha eficácia. O esquema indicado consiste em 2 gramas de Metronidazol ou Tinidazol por via oral (4 comprimidos de 500mg) em dose única (leia: METRONIDAZOL | Comprimido, creme e gel).

Atenção, é estritamente proibido o consumo de álcool em quem está sendo tratado com uma das duas drogas. É preciso esperar no mínimo 3 dias devido ao risco grave reação (leia: INTERAÇÃO DO ÁLCOOL COM REMÉDIOS E ENERGÉTICOS).

É importante tratar evitar relações sexuais durante uma semana e o(a) parceiro(a) também deve ser tratado(a), mesmo que esteja assintomático(a) para evitar a reinfecção. Cerca de 70% dos parceiros de um paciente infectado também estão infectados pelo parasito.

Como a taxa de sucesso é muito alta, se os sintomas desaparecerem não é preciso repetir exames para se confirmar a cura.

O metronidazol não trata as outras causas de vaginite, como gonorreia e candidíase. Portanto, se você tem um corrimento, evite a auto-medicação e procure seu ginecologista.

Prevenção da tricomoníase

Para se reduzir o risco de contaminação pelo Trichomonas:

– Use sempre camisinha durante as relações sexuais (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber).
– Evite ter múltiplos parceiros(as).
– Evite relações com pessoas sabiamente contaminadas e ainda não tratadas.
– Se você tem corrimento, evite relações sexuais até ser vista pelo seu ginecologista.

CANCRO MOLE – Haemophilus ducreyi

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O cancro mole é uma doença sexualmente transmissível (DST) causada pela bactéria Haemophilus ducreyi e manifesta-se tipicamente como úlceras na região genital. O cancro mole também é conhecido pelos nomes de cancroide, úlcera mole venérea ou “cavalo”.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre o cancro mole:

  • Transmissão do Haemophilus ducreyi.
  • Sintomas do cancro mole.
  • Diagnóstico do cancroide.
  • Tratamento do cancro mole.

Estima-se que anualmente ocorram 6 milhões de novos casos de cancro mole no mundo, sendo esta doença mais comum em regiões mais pobres, como Africa, Asia e América Latina.

Transmissão do cancro mole

O Haemophilus ducreyi é uma bactéria altamente contagiosa capaz de penetrar a pele através de microscópicas feridas, como aquelas causadas pelo atrito do ato sexual. Não é preciso haver ejaculação para que ocorra a transmissão, e a bactéria pode ser transmitida através do sexo pela via anal, vaginal ou oral (leia: O QUE É DST?).

Tocar nas lesões contamina os dedos, que podem transportar a bactéria até outros pontos do corpo como a cavidade oral, por exemplo.

O cancro mole é cerca de 20x mais comum em homens do que em mulheres. Entre os homens, a doença é mais comum naqueles não circuncidados.

Sintomas do cancro mole

O período médio de incubação do cancro mole é de 4 a 10 dias, porém há casos em que a lesão surge já no dia seguinte e casos que demoram mais de 30 dias para aparecer.

O quadro inicia-se com uma pequena lesão avermelhada, que rapidamente se transforma em uma pústula (ferida com pus) e posteriormente em uma úlcera, a lesão típica do cancroide.

A úlcera do cancro mole costuma medir 1 a 2 cm de diâmetro e é muito dolorosa. A base da lesão costuma ser inflamada e purulenta, sangrando facilmente com atrito. O paciente contaminado normalmente apresenta mais de uma úlcera em sua região genital, tipicamente 1 a 4 lesões ao mesmo tempo.


(clique para ampliar. Atenção: a imagem acima contém imagens que podem ser ofensivas para certas pessoas)

No homem, as úlceras do cancro mole acometem principalmente o prepúcio, o sulco balanoprepucial e a região perianal (em homossexuais passivos); na mulher, grandes e pequenos lábios, fúrcula, colo uterino e região perianal.

Em cerca de 50% dos casos também há o bubão inguinal, que é o acometimento dos linfonodos da região inguinal (virilha) pelo cancro mole. O bubão costuma ser unilateral e surge de 1 a 2 semanas após as úlceras do cancro mole; é uma lesão dolorosa e inchada, que quando estoura, drena uma grande quantidade de pus. Tanto a úlcera quanto o pus do bubão são altamente contagiosos.


Bubão do cancro mole (clique para ampliar. Atenção: a imagem acima contém imagens que podem ser ofensivas para certas pessoas)

A presença do cancro mole aumenta o risco de contaminação pelo HIV e por outras DSTs.

O diagnóstico laboratorial do cancro mole é de difícil realização.Geralmente o diagnóstico é feito de modo empírico, baseado no aspecto clínico das lesões e nos exames negativos para sífilis e herpes genital.

Diagnóstico diferencial do cancro mole

O diagnóstico diferencial do cancro mole deve ser feito com outras DST que cursam com úlceras genitais, nomeadamente:

  • Donovanose – Costuma apresentar úlcera indolor e sem acometimento dos linfonodos inguinais.
  • Linfogranuloma Venéreo – Úlceras pequenas, agrupadas e indolores, semelhantes ao que ocorre no herpes genital.

Tratamento do cancro mole

O tratamento do cancroide é simples e apresenta taxas de cura acima de 90%. Atualmente as três opções mais usadas são:

– Azitromicina : 1 g por via oral, dose única,
– Ceftriaxona : 250 mg intramuscular, dose única.
– Ciprofloxacino 500mg via oral, 12/12 horas por 3 dias.

As úlceras começam a melhorar com 48h de tratamento. Se após 7 dias não houver sinais de melhora, é preciso voltar ao médico para reavaliar o tratamento. Os motivos mais comuns para falha no tratamento são:

– Diagnóstico errado de cancro mole.
– Cancro mole em pacientes com HIV.
– Coinfecção por outra DST que também cursa com úlceras.
– Resistência ao antibiótico.

HERPES GENITAL – Contágio, Sintomas e Tratamento

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O herpes genital é uma doença sexualmente transmissível (DST) causado pelo vírus herpes simplex. Estima-se que pelo menos um em cada cinco adultos esteja infectado com o vírus, apesar de muitos destes não apresentarem sintomas e não saberem que estão contaminados com o vírus.

O herpes genital é habitualmente transmitido nos períodos de doença ativa, ou seja, quando há lesões visíveis na região genital. Porém, mesmo nos períodos de remissão da infecção, quando não existem úlceras ou bolhas visíveis, podem haver vírus nas secreções genitais de homens e mulheres, o que favorece o contágio. O uso da camisinha diminui o risco de transmissão, mas não o elimina completamente.

A herpes genital é uma doença que tem tratamento e pode ser controlada, mas não existe cura. Quem se contaminou com o vírus do herpes ficará contaminado pelo resto da vida, podendo ou não ter sintomas recorrentes da infecção.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre herpes genital:

  • Como é o contágio do herpes genital.
  • Quais são os sintomas do herpes genital.
  • O que é o herpes genital recorrente.
  • Como é feito o diagnóstico do herpes genital.
  • Como tratar o herpes genital.

Transmissão do herpes genital

O herpes genital é uma infecção causada pelo vírus herpes simplex tipo 2, que é transmitido através de relações sexuais (leia: O QUE É DST?). O vírus herpes simplex tipo 1 também pode causar herpes genital, mas está habitualmente associado ao herpes labial.

– Para saber as diferenças entre herpes labial e genital, leia: HERPES LABIAL E HERPES GENITAL.
– Para informações específicas sobre o herpes labial, leia: HERPES LABIAL | Transmissão e tratamento.

O vírus herpes simplex tipo 2 é transmitido pela via sexual, sendo altamente contagioso enquanto o paciente apresenta lesões ativas (explicarei os sintomas mais à frente). O grande problema do herpes genital é que a transmissão pode ocorrer mesmo nas fases em que o paciente está assintomático. Portanto, mesmo fora das crises o paciente continua eliminando o vírus de forma intermitente, podendo transmitir o herpes genital para o seu parceiro(a). Habitualmente em um período de 100 dias, o paciente passa 2 ou 3 eliminando o vírus de forma assintomática.

A frequência de eliminação do vírus vai se tornando menor conforme os anos passam em relação à primeira aparição do herpes. A eliminação fora das crises é maior nos primeiros três meses após a infecção primária. Após 10 anos de infecção, a transmissão fora das crises vai se tornando cada vez menos comum. Um estudo selecionou cerca de 400 pacientes com herpes genital há mais de 10 anos e colheu amostras dos seus órgãos genitais fora das crises por um período de 30 dias consecutivos. Apenas 9% apresentavam neste intervalo o vírus detectável para transmissão.

Toda vez que o paciente apresenta uma crise, a sua taxa de transmissão assintomática se eleva novamente, voltando a cair conforme a última crise vai ficando mais antiga. 70% das transmissões do herpes genital ocorrem na fase assintomática, já que durante as crises o paciente costuma evitar ter relações sexuais.

Pacientes HIV positivos que também tenham herpes genital são grupo que mais apresentam transmissão durante a fase assintomática.

O vírus herpes simplex tipo 1 costuma causar lesão apenas na boca, mas pode se transmitido para os órgãos genitais em caso de sexo oral. Uma vez contaminados, os pacientes com herpes genital pelo tipo 1 transmitem a doença do mesmo modo que os pacientes contaminados pelo tipo 2. A diferença é que as crises pelo tipo 1 costumam ser mais brandas e menos frequentes, e a transmissão fora das crises é menos comum.

O vírus herpes simplex tipo 2 sobrevive muito pouco tempo no ambiente, sendo incomum a transmissão através de roupas ou toalhas. Não se pega herpes genital em piscinas ou banheiros.

O uso de camisinha reduz a chance de transmissão, mas não a elimina completamente, uma vez que as lesões do herpes podem surgir em áreas da região genital que não ficam cobertas pelo preservativo (leia: CAMISINHA | Tudo o que você precisa saber). Por exemplo, uma lesão de herpes na bolsa escrotal continua exposta mesmo com o uso apropriado da camisinha.

Sintomas do herpes genital

A maioria dos pacientes que se infecta com o vírus herpes simplex tipo 2 não desenvolve doença, permanecendo assintomáticos e sem ter conhecimento do contágio. Há estudos que sugerem que até 80% dos pacientes contaminado não desenvolvem sintomas.

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, o quadro clínico é dividido em duas situações: infecção primária e recorrência.

Infecção primária do herpes genital

A primeira vez que as lesões do herpes genital surgem após o doente ter sido infectado é chamada de infecção primária.

Os sintomas do herpes genital tendem a se desenvolver dentro de três a sete dias após a relação sexual responsável pela infecção, mas em alguns casos pode demorar até duas semanas. O principal sinal do herpes genital são pequenas bolhas agrupadas nos órgãos genitais. Normalmente, as bolhas surgem e logo em seguida se rompem formando úlceras. Na infecção primária estas lesões tendem a ser muito dolorosas. Pode haver também comichão no local.

Além da lesão típica do herpes, a infecção primária costuma vir acompanhada de outros sintomas, como febre, mal estar e dores pelo corpo. Podem surgir linfonodos nas região da virilha e, se as úlceras estiverem próximas à saída uretra, pode haver intensa dor ao urinar.

Nos homens, as feridas de herpes genital geralmente aparecem no pênis ou próximo ao mesmo. Nas mulheres, as lesões podem ser visíveis fora da vagina, mas elas geralmente ocorrem no seu interior, onde ficam escondidas. No caos de lesões internas, os únicos sinais de doença podem ser corrimento vaginal e/ou desconforto durante o ato sexual. As lesões do herpes genital também podem surgir em qualquer ponto do períneo e em torno do ânus dos pacientes que praticam sexo anal.

As lesões na infecção primária do herpes genital costumam demorar em média 20 dias para desaparecer.

Se você quiser ver mais imagens de lesões por herpes, vá ao link: HERPES LABIAL | HERPES GENITAL | Fotos.

Recorrências do herpes genital

Após a infecção primária, as lesões do herpes genital desaparecem permanecendo silenciosas por vários meses. Na maioria dos pacientes a infecção ressurge de tempos em tempos, em alguns casos, mais de uma vez por ano. 90% dos pacientes apresentam a primeira recorrência em um intervalo de 18 meses após a infecção primária. Alguns podem ter mais de 10 recorrências no intervalo de um ano. Os pacientes que costumam ter recorrências frequentes são aqueles que tiveram uma infecção primária prolongada, com lesões iniciais do herpes durando mais de 1 mês.

As lesões recorrentes tendem a ser menos dolorosas e duram cerca de 10 dias, metade do tempo da infecção primária. Não é comum haver outros sintomas como mal estar e febre. Com o passar dos anos, as recorrências vão ficando mais fracas e menos frequentes.

As recorrências do herpes genital costumam surgir após algum evento estressante para o organismo. Entre os mais comuns estão o esforço físico exagerado, estresse emocional, doença, cirurgia recente, exposição solar em excesso e imunossupressão. Em algumas mulheres o período menstrual pode ser o gatilho. Todavia, há casos de recorrências em que não é possível identificar nenhum fator desencadeante.

Dias antes das lesões recorrerem, o paciente pode sentir alguns sintomas de aviso, como uma coceira nos grandes lábios, uma dormência no pênis ou formigamento na região genital.  Muitos pacientes conseguem identificar que uma recorrência do herpes genital está a caminho.

Em alguns casos o paciente pode não desenvolver sintomas de infecção primária logo após a contaminação, vindo a apesentar as úlceras apenas anos depois, após algum evento que reduza sua imunidade. Nestes casos, apesar de ser a primeira aparição das feridas, a doença se comporta mais como uma recorrência do que como infecção primária, sendo mais curta e menos dolorosa. Também não são comuns sintomas como febre e mal estar. O problema é que, como é a primeira aparição das feridas, o paciente tende a achar que foi contaminado recentemente, e isso costuma causar problemas em casais com relacionamento estável há anos. Nestas situações é muito difícil estabelecer com precisão quando o paciente foi infectado e quem o infectou.

Herpes genital na gravidez

O herpes genital se comporta de forma semelhante nas mulheres grávidas e não grávidas. O grande problema do herpes na gravidez é o risco de transmissão para o bebê.

Habitualmente, a transmissão só ocorre durante o parto, quando o bebê ao passar pelo canal vaginal entra em contato com as secreções contaminadas da genitália feminina. Mesmo quando a mãe encontra-se assintomática e sem lesões, há risco de transmissão. O maior risco ocorre quando a mulher se contamina perto da data do parto, ou seja, quando a infecção primária surge nas últimas semanas de gravidez.

Apenas raramente o herpes pode ser transmitido dentro do útero, durante a gravidez, não sendo, portanto, uma infecção que costuma causar problemas de má-formações para o feto.

A cesariana diminui muito o risco de transmissão do herpes, sendo esta a forma mais indicada de parto nas mulheres sabidamente contaminadas. É bom destacar que o parto cesário diminui, mas não elimina completamente o risco de contágio do bebê (leia: PARTO POR CESARIANA | Vantagens e riscos).

As mulheres com sintomas de herpes genital durante a gravidez podem ser tratadas com aciclovir, não importa o trimestre de gestação que estejam (ver tratamento mais à frente).

Diagnóstico do heres genital

As lesões do herpes genital são típicas e durante as crises são facilmente reconhecidas por médicos experientes. Se houver necessidade de confirmação laboratorial, ou se a lesão não for muito típica, o médico pode colher amostras das úlceras para identificação do vírus. Nas fases assintomáticas é possível investigar a infecção pelo herpes através das sorologias, que podem identificar tanto o vírus herpes simplex tipo 1 quanto o tipo 2. As sorologias também são importantes para o rastreio de parceiros(as) de pacientes infectados.

Os exames conseguem identificar o vírus, mas não fornecem informação sobre quando o paciente foi infectado.

Tratamento do herpes genital

Embora não exista cura para o herpes genital, a infecção pode ser controlada com terapia antiviral. O tratamento com antivirais serve para acelerar a cura das lesões, aliviar os sintomas, impedir complicações e reduzir o risco de transmissão para outros.

Três medicamentos antivirais são utilizados para o tratamento de herpes genital: Aciclovir (Zovirax ®), Famciclovir (Famvir ®) e Valaciclovir (Valtrex ®) (leia: INFORMAÇÕES SOBRE ACICLOVIR (ZOVIRAX)). Nas grávidas, a droga de escolha é o aciclovir, que é uma substância segura em qualquer momento da gravidez.

O primeiro episódio de herpes genital é geralmente tratado por 7 a 10 dias por via oral. Se não houver melhora das úlceras, o tratamento pode ser estendido por mais uma semana. O tratamento funciona melhor se iniciado nas primeiras 72 horas de sintomas.

Nas recorrências, o tratamento pode ser feito por apenas 5 dias. Pessoas com história de herpes genital recorrente são frequentemente aconselhadas a manter um estoque de medicação antiviral em casa, de modo a iniciar o tratamento assim que surgirem os primeiros sinais de uma recorrência.

Se o paciente apresenta raras recorrências e a faz com poucos sintomas, pode não haver necessidade de tratamento com antivirais, principalmente se o(a) mesmo(a) não tiver um parceiro(a) sexual no momento que possa ser infectado(a).

Nos pacientes que apresentam mais de 6 surtos por ano, pode estar indicada a terapia supressiva, que consiste no uso diário e contínuo de um antiviral em doses baixas para evitar as recorrências. A vantagem de terapia supressiva é que ela reduz a frequência e a duração das recidivas, podendo também reduzir o risco de transmissão de vírus da herpes para um(a) parceiro(a)  não infectado(a).

Não está claro por quanto tempo a terapia supressiva deverá ser mantida. Alguns especialistas recomendam fazer uma pausa do tratamento periodicamente (a cada poucos anos) para determinar se a terapia supressiva ainda é necessária. Se os surtos retornarem, a terapia supressiva pode ser reiniciada.

A terapia supressiva pode ser indicada também em casos de parceiros sexuais com sorologias discordantes, ou seja, um deles infectado pelo herpes e o outro não. A terapia supressiva reduz em mais de 50% o risco de transmissão. Quando associada ao uso de camisinha, o risco de transmissão do herpes genital torna-se pequeno.

Cuidados pessoais

Além dos medicamentos antivirais, alguns tratamentos caseiros podem ser usados para aliviar os sintomas de um surto de herpes genital. Banho de assento com água fria pode diminuir temporariamente a dor das feridas. As mulheres que estão tendo dor para urinar podem sentir menos desconforto urinando durante o banho de assento ou em um chuveiro com água morna. Sabões e banhos de espuma deve ser evitados. Também é importante manter a área genital limpa e seca, e evitar roupa interior apertada. Cremes e pomadas geralmente não são recomendados. Se a dor estiver muito incômoda, analgésicos ou anti-inflamatórios podem ser usados.

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DOENÇAS SEXUALMENTE TRANSMISSÍVEIS

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As doenças sexualmente transmissíveis (DST), também chamadas de doenças venéreas, são um importante problema de saúde pública em todos os países. Existem diversos tipos diferentes de DST, algumas mais graves, outras mais brandas.

Algumas doenças sexualmente transmissíveis podem levar à morte, seja por comprometimento do sistema imunológico, como no caso do HIV, ou por aumentar o risco de tumores malignos, como são os casos da hepatite B e do HPV. Outras complicações comuns das doenças sexualmente transmissíveis são a infertilidade, a lesão da uretra e a doença inflamatória pélvica.

Neste artigo faremos uma rápida revisão sobre os tipos mais comuns de doenças sexualmente transmissíveis. Vamos abordar as suas formas de transmissão e os sintomas mais comuns. Se você quiser mais informação sobre doenças específicas, utilize os links que serão fornecidos ao longo deste artigo.

Quais são as DST mais comuns?

Existem várias doenças sexualmente transmissíveis, causadas por diferentes tipos de germes, incluindo bactérias, vírus, parasitas e protozoários. Entre as DST mais comuns, podemos citar:

– Cancro mole (cancroide) (leia: CANCRO MOLE | Haemophilus ducreyi).
– Chato (pediculose pubiana) (leia: CHATO | Pediculose pubiana).
– Clamídia (leia: CLAMÍDIA | Sintomas e tratamento).
– Donovanose (granuloma inguinal).
– Gonorreia (leia: GONORREIA | Sintomas e tratamento).
– Hepatite B (leia: HEPATITE B | Sintomas e vacina).
– Hepatite C (leia: HEPATITE C | Sintomas e tratamento).
– Herpes genital (leia: HERPES GENITAL | Sintomas e tratamento).
– HIV / AIDS (leia: SINTOMAS DO HIV | AIDS).
– HPV / condiloma acuminado (leia: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO | Sintomas e vacina).
– Linfogranuloma venéreo.
– Sífilis (leia: SÍFILIS | Sintomas e tratamento).
– Tricomoníase (leia: TRICOMONÍASE | Sintomas e tratamento).

Das DST citadas acima, as que apresentam maior incidência, em ordem decrescente, são HPV, clamídia, tricomoníase e gonorreia.

Candidíase, hepatite A e vaginose bacteriana (infecção pela bactéria Gardnerella) não são consideradas doenças sexualmente transmissíveis, apesar de eventualmente poderem ser transmitidas por esta via. Do mesmo modo, algumas infecções intestinais, como amebíase, giardíase, shigeloses e outras, podem ser transmitidas pela via sexual se houver contato com fezes contaminadas, como nos casos de penetração anal ou anilingus (sexo oral no ânus).

Para ser considerada uma DST a doença precisa ter a via sexual como modo de transmissão principal.

Como se pega uma DST?

Parece um bocado óbvio perguntar como se pega uma doença sexualmente transmissível, porém, a maioria das DST pode ser transmitidas por outras vias que não a sexual.

Por exemplo, HIV e Hepatites B e C podem ser transmitidas através de agulhas contaminadas, transfusão de sangue ou de mãe para filho durante a gravidez. A sífilis pode ser transmitida através do beijo, caso existam lesões na boca. Já a pediculose pubiana (chato) pode ser transmitida através de toalhas ou roupas íntimas.

Portanto, DST é uma doença que é preferencialmente, mas não necessariamente, transmitida pela via sexual.

Das três vias sexuais (anal, vaginal e oral), a via anal é aquela que apresenta maior risco de transmissão e contaminação. Só para se ter uma ideia, um homem que é passivo em uma relação anal com parceiro contaminado apresenta 30 vezes mais chances de se contaminar com HIV do que um homem que é ativo em uma relação vaginal com uma parceira contaminada.

Algumas DST são mais contagiosas que outras. O risco de contaminação com uma única relação sexual vaginal é muito maior para doenças como hepatite B, gonorreia e clamídia do que para HIV, sífilis e HPV, por exemplo.

O sexo oral é a forma com menor taxa de transmissão, porém ela não é isenta de riscos. A pessoa que recebe o sexo oral costuma ter menos riscos, pois seu órgão genital só tem contato com a saliva. O parceiro(a) que fornece o sexo oral sofre mais riscos, pois tem contato com secreções vaginais ou penianas contaminadas.

Em geral, mulheres ou homens homossexuais têm maiores riscos de contaminação que homens heterossexuais. O risco mais baixo ocorre em mulheres homossexuais, contanto que não se compartilhe dildos ou qualquer outro objeto para penetração.

Já ter uma DST aumenta o risco de ter outras. Indivíduos com herpes genital ou gonorreia, por exemplo, se tiverem relações sexuais com pessoas portadoras do HIV aumentam muito seu risco de contaminação. A inflamação e as lesões genitais causadas por uma DST favorecem o contágio por outras DST.

Fatores de risco para doenças sexualmente transmissíveis

O principal fator de risco para se contrair uma doença sexualmente transmissível é ter vida sexual ativa. A melhor maneira de se prevenir contra as DST é não praticar sexo. Porém, isso é uma opção viável para apenas um minoria das pessoas. Naqueles que não pretendem praticar o celibato, usar preservativos e não ter uma vida promíscua é a melhor conduta.

Quando se estuda a população que tem ou já teve alguma doença venérea, algumas dados são encontrados com certa frequência, podendo ser caracterizados como fatores de risco para contaminação. Através destes estudos é possível afirmar que as doenças sexualmente transmissíveis são mais comuns nas pessoas que apresentam as seguintes características:

– Idade entre 15 e 24 anos.
– Solteiro.
– Múltiplos parceiros sexuais.
– Início precoce da vida sexual.
– Pratica de sexo sem preservativos.
– Consumo frequente de álcool.
– Usuários de drogas.
– Relações sexuais com prostitutas.

Além dos fatores acima, indivíduos que já tiveram uma DST têm maior risco de terem outras.

Sintomas das doenças sexualmente transmissíveis

O grupo das doenças sexualmente transmissíveis é bastante heterogêneo, por isso os sintomas são muito variados. De modo didático, podemos dividir o quadro clínico das DST em 3 grandes grupos.

1- Corrimento uretral (uretrite)

A inflamação da uretra, canal que drena a urina, é a principal característica de várias DST. Os sintomas mais comuns da uretrite são a ardência para urinar, chamada de disúria (leia: DOR AO URINAR | Principais causas) e o corrimento peniano ou vaginal (leia: CORRIMENTO VAGINAL | VAGINITE). Nas mulheres, além do corrimento é possível haver dor e sangramento vaginal.

Gonorreia, clamídia, tricomoníase e outras causas menos comuns, como infecções por Mycoplasma genitalium e Ureaplasma urealyticum são as principais DST que cursam com uretrite, como principal característica.

2- Úlceras genitais

Outra manifestação comum de doenças sexualmente transmissíveis é aparecimento de úlceras nos órgãos genitais. As DST com essa característica são a sífilis, donovanose (granuloma inguinal), linfogranuloma venéreo, herpes genital e o cancro mole.

Cada DST costuma formar úlceras com características próprias. Por exemplo: a sífilis cursa com úlcera indolor e limpa; o cancro mole com úlcera dolorosa e purulenta; o herpes costuma ter múltiplas pequenas úlceras muito dolorosas, etc.

Nas mulheres, as úlceras podem surgir dentro da vagina, não sendo facilmente visíveis. Na sífilis, que cursa com úlcera indolor, a lesão pode até passar despercebida.

3- Sintomas gerais

As doenças sexualmente transmissíveis também podem se apresentar com sintomas sistêmicos, por acometimento de órgãos internos.

A DIP (doença inflamatória pélvica) é uma infecção grave dos órgãos reprodutores feminino, como útero, trompas e ovários. Pode ser surgir como complicação da gonorreia ou da clamídia.

A inflamação do fígado é o quadro típico das hepatites B e C, mas podem também ocorrer na gonorreia disseminada e na sífilis secundária.

O HIV pode causar febre, faringite e o aparecimento de gânglios pelo corpo.

Em geral, cada DST tem seus sintomas específicos. É preciso ler individualmente sobre cada doença para conhecer seus sintomas.

Prevenção das DST

Como já foi dito, a melhor maneira de se prevenir contra uma DST é não ter relações sexuais. Todavia, esta orientação é impraticável para a imensa maioria da população. Portanto, é preciso pensar em outros modos de prevenção para as doenças venéreas.

As vacinas são métodos com elevada eficiência na prevenção de doenças. O problema é que atualmente só existem vacinas para duas DST: HPV e hepatite B.

Portanto, o método preventivo mais eficaz contra doenças sexualmente transmissíveis ainda é a camisinha (leia: CAMISINHA | Eficácia e instruções de uso). A camisinha não é um método 100% eficaz, mas apresenta uma taxa de sucesso bastante elevada.

Estudos mostram que os preservativos feitos à base de látex e poliuretano são impenetráveis ??às partículas virais de HIV. O material é altamente seguro. As falhas surgem geralmente pelo mal uso do preservativo, permitindo que o mesmo saia do pênis ou que se rompa durante a relação sexual. Em geral, o uso da camisinha reduz em até 90% o risco de transmissão do HIV.

A camisinha também é muito efetiva na prevenção das outras DST, principalmente da gonorreia em homens. Por motivos ainda não bem entendidos, a DST que apresenta a menor taxa de prevenção com a camisinha é a tricomoníase. Mesmo assim, o uso regular do preservativo reduz em mais de 30% a chance de contaminação. O preservativo pode não ser um método perfeito, mas ele ainda é muito melhor do que ter relações desprotegidas.

A camisinha é ineficaz contra a pediculose pubiana, conhecida popularmente como chato. Esta doença é causada por um tipo de piolho que se aloja nos pelos pubianos, área não coberta pela camisinha. Portanto, durante o ato sexual, o contato íntimo entre as áreas de pelos púbicos não é evitado pelo uso do preservativo, tornando este método ineficaz contra a transmissão do Phthirus pubis, agente causador da pediculose pubiana.

Nos homens, a circuncisão é um modo eficaz para reduzir o risco de contaminação por DST (leia: CIRCUNCISÃO | Riscos e benefícios). Estudos mostram que homens circuncidados apresentam até 50% menos chances de se contaminarem com o HIV através de relações com mulheres quando comparados com homens que não se submeteram a circuncisão. Este benefício só está comprovado em relações heterossexuais.

A circuncisão protege apenas o homem. A taxa de transmissão do HIV para as mulheres é a mesma, independente do homem ser ou não circuncidado.

A circuncisão também parece diminuir a taxa de contaminação do homem contra sífilis, herpes e HPV, mas não contra gonorreia, tricômonas e clamídia.

Tratamento das doenças sexualmente transmissíveis

O tratamento das DST depende, obviamente, da sua causa. Algumas DST têm cura, outras não.

Infecções como sífilis, gonorreia, clamídia, linfogranuloma e tricômonas podem ser curadas com uso de antibióticos apropriados.

As infecções por hepatite B e C têm tratamento, mas a taxa de cura não é alta. Muitos pacientes vivem cronicamente com estas infecções.

O HIV tem tratamento, mas ainda não tem cura. O mesmo ocorre com a herpes genital.

O HPV não tem tratamento, mas em muitos casos o corpo consegue se livrar do vírus espontaneamente. O problema é o risco aumentado de câncer de colo do útero que as mulheres contaminadas apresentam.

Para saber mais detalhes sobre doenças sexualmente transmissíveis, acesse os links fornecidos neste texto para  ler sobre cada uma das DST descritas aqui.

CLAMÍDIA – Sintomas, Transmissão e Tratamento

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\"Clamidia\"
A clamídia é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo. O paciente infectado por clamídia costuma não desenvolver sintomas, mas quando o faz, o quadro clínico é muito parecido com o da gonorreia, sendo impossível distingui-las apenas pelos sintomas.

Neste texto vamos abordar os seguintes pontos sobre a clamídia:

  • O que é clamídia.
  • Sintomas da clamídia.
  • Complicações da clamídia.
  • Linfogranuloma venéreo.
  • Diagnóstico da clamídia.
  • Tratamento da clamídia.

Se você procura informações sobre gonorreia, o seu texto é este: GONORREIA | Sintomas e tratamento.
Para saber mais sobre as principais doenças sexualmente transmissíveis, leia: O QUE É DST?

O que é clamídia?

A clamídia é uma doença sexualmente transmissível, causada por uma bactéria chamada Chlamydia trachomatis. Nem todas as pessoas contaminadas com clamídia apresentam sintomas, podendo a infecção passar despercebida por muitos anos. Os pacientes com clamídia assintomática tornam-se fontes de contaminação permanentes, motivo pelo qual a clamídia é a DST mais comum no mundo. Quem transmite clamídia pode não saber que está contaminado e quem se contaminou pode não saber de quem pegou.

Estima-se que 5% da população adulta e 10% da população adolescente sexualmente ativa estejam contaminados com a Chlamydia trachomatis. A infecção por clamídia é mais comum em jovens, pessoas que tenham tido  múltiplos parceiros (as)  nos últimos anos ou pessoas que não costumam usar camisinha durante as relações sexuais (leia: CAMISINHA | Eficácia e instruções de uso).

Transmissão da clamídia

A clamídia pode ser transmitida por duas maneiras: pela via sexual (anal, vaginal ou oral) ou de mãe para filho, durante a passagem do bebê pelo canal vaginal na hora do parto.

Assim como na gonorréia, nos adultos e adolescentes a transmissão é exclusivamente por via sexual. Não se pega clamídia em banheiros ou piscinas públicas. O beijo também não é uma forma de transmissão da clamídia.

A transmissão através de toalhas ou roupas íntimas ainda não foi comprovada, mas ela é teoricamente possível caso haja contato com secreções contaminadas frescas. Por exemplo, se uma mulher com corrimento vaginal contamina uma toalha e outra pessoa imediatamente a usa para secar suas partes íntimas, é possível haver transmissão. Isso, porém, é uma situação muito hipotética, e o que vemos na prática é a via sexual como única forma relevante de transmissão desta DST entre adultos.

A contaminação dos olhos pela clamídia pode ocorrer se as mãos estiverem contaminadas com secreções vaginais e o indivíduo coçar os olhos sem lavá-las antes.

Sintomas da clamídia

Como já foi referido, a maioria dos pacientes que se contaminam com clamídia não apresenta sinais da doença. Nas mulheres apenas 10% desenvolvem sintomas; nos homens, o número é um pouco maior, ao redor dos 30%. Entretanto, é bom destacar que mesmo sem sintomas, o paciente contaminado é capaz de transmitir a doença para seus parceiros (as).

Nos pacientes que desenvolvem sintomas, os mesmos costumam surgir entre 1 e 3 semanas após a contaminação.

Nas mulheres, os principais sintomas da clamídia são:

No homens, os sintomas mais comuns de clamídia incluem:

  • Ardência ou dor ao urinar.
  • Saída de corrimento purulento pela uretra.
  • Dor nos testículos (leia: DOR NOS TESTÍCULOS | Principais causas).
  • Inchaço do saco escrotal.
  • Proctite (inflamação do ânus que ocorre em homens homossexuais passivos).

A faringite por clamídia é uma quadro incomum, mas pode surgir se a via de transmissão for o sexo oral.

Complicações da clamídia

As complicações da infecção pela Chlamydia trachomatis costumam ocorrer nos pacientes com poucos ou nenhum sintoma, que por isso mesmo, acabam não procurando tratamento médico.

A principal complicação da infecção por clamídia nas mulheres é progressão da bactéria em direção ao útero, trompas e ovários, provocando uma grave infecção conhecida como doença inflamatória pélvica (DIP). Cerca de 10 a 15% das mulheres infectadas com a Chlamydia trachomatis desenvolvem DIP.

Infertilidade também é uma complicação comum da clamídia não tratada e ocorre por lesão das trompas e/ou do útero por infecção prolongada.

As mulheres com infecção por clamídia (especialmente a causada por sorotipo G) apresentam 6 vezes mais riscos para o desenvolvimento de câncer do colo do útero.

Nas grávidas, infecções por clamídia podem levar a parto prematuro. Bebês que nascem de mães infectadas podem se infectar e desenvolver complicações precoces. A clamídia é uma das principais causas de pneumonia e conjuntivite em recém-nascidos.

Nos homens a complicação mais comum é a prostatite, infecção da próstata (leia: PROSTATITE | Sintomas e tratamento). Infecção do epidídimo, localizado acima dos testículos, também pode ocorrer.

Linfogranuloma venéreo

Existem alguns sorotipos da clamídia, chamados de L1, L2 e L3, que são capazes de apresentar uma doença chamada linfogranuloma venéreo, um quadro diferente da infecção clássica pela clamídia.

No linfogranuloma venéreo, a infecção inicial é caracterizada por um pequeno nódulo, que se rompe e forma uma úlcera genital. Duas a seis semanas mais tarde a infecção estende-se para os nódulos linfáticos regionais, ou seja, para os gânglios da virilha. O paciente apresenta um ou mais gânglios inflamados e aumentados, chamados de bubões. Estes bubões podem romper-se, drenando grande quantidade de pus.

Diagnóstico da clamídia

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Pesquisa de clamídia

O exame para identificar a clamídia é feito através da urina ou por amostra de material colhido com um cotonete na vagina, colo do útero ou na uretra. Os resultados estão geralmente disponíveis no prazo de 24-48 horas.

Muitos médicos solicitam a sorologia para pesquisa dos anticorpos IgM e IgG contra a clamídia, mas esse exame, apesar de útil, não é o mais confiável. Se for possível, a pesquisa da clamídia deve ser feita por uma técnica chamada PCR, que procura a presença do DNA da clamídia nas secreções vaginais. Nos homens, essa pesquisa do DNA pode ser feita na urina.

Tratamento da clamídia

O tratamento da clamídia é simples, sendo feito com administração de antibióticos. A Azitromicina  em dose única de 1g é o antibiótico mais prescrito. O paciente infectado deve ficar por pelo menos 7 dias sem atividade sexual após o início do tratamento.

Uma alternativa à azitromicina é a Doxiciclina por 7 dias. Nos pacientes com linfogranuloma venéreo ou infecção anal pela clamídia, o regime com doxiciclina é o mais indicado.

Como o quadro clínico da clamídia pode ser muito parecido com o da gonorreia, é comum o médico prescrever um tratamento que atue sobre as duas bactérias. Geralmente associa-se ceftriaxona com a azitromicina

Todos os parceiros (as) do paciente infectado devem ser testados e se necessário, tratados para clamídia, mesmo que não apresentem sintomas.

É possível se contaminar com o Chlamydia trachomatis por mais de uma vez. O fato de já ter tido uma infecção por clamídia anteriormente não confere imunidade.

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VACINA CONTRA HPV – Eficácia, Efeitos e Indicações

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O Papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é um vírus transmitido pela via sexual, capaz de provocar verrugas genitais e os cânceres do colo do útero,  ânus, pênis e orofaringe.

A cada ano, cerca de 270 mil mulheres em todo mundo morrem por conta de tumores no colo útero provocados pelo HPV. No Brasil, estima-se que, anualmente, haja cerca de 15.000 casos novos de câncer do colo uterino.

Neste artigo vamos falar sobre a vacinação contra o HPV, suas indicações, eficácia e efeitos colaterais. Vamos falar também sobre os mitos que cercam a vacina contra o HPV.

Se você está à procura de informações sobre o Papilomavírus humano ou verruga genitais, acesse os links:

Antes de seguirmos em frente, veja esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.

Subtipos de HPV

Existem cerca de 150 subtipos do Papilomavírus humano, nem todos capazes de provocar verrugas ou tumores malignos. Destes 150 tipos, 12 deles provocam verrugas genitais, sendo os subtipos HPV-6 e HPV-11 os mais comuns, respondendo por 90% dos casos. 15 tipos de HPV provocam câncer de colo de útero, pênis, ânus e orofaringe, sendo os subtipos HPV-16 e HPV-18 os mais perigosos.

Em relação ao câncer, mais 70% dos casos são provocados pelo HPV-16 ou pelo HPV-18, motivo pelo qual esses dois subtipos são os alvos preferenciais das vacinas atualmente disponíveis.

Vacinas contra HPV disponíveis no mercado

Existem no mercado 2 vacinas distintas contra o HPV. A vacina quádrupla, chamada Gardasil, atualmente disponível de forma gratuita no sistema público de saúde de vários países, age contra os subtipos 6, 11, 16 e 18. Esta vacina, portanto, protege contra os subtipos de Papilomavírus humano que mais causam câncer e que mais provocam verrugas genitais.

A outra vacina disponível no mercado, mas não no serviço publico, é a Cervarix, uma vacina dupla (bivalente) que protege contra os subtipos 16 e 18. Esta vacina age contra os HPV que provocam câncer, mas não sobre os HPV que causam verrugas genitais.

No Brasil, desde o início de 2014, o Ministério da Saúde tem disponibilizado no SUS a vacina quádrupla para meninas entre 9 e 13 anos de idade.

Quem deve se vacinar contra o HPV

A vacina contra o HPV foi desenvolvida com o objetivo de reduzir os casos de câncer do colo de útero nas mulheres. Porém, por ser uma causa importante de câncer peniano e anal, correspondendo a cerca de 40% dos casos, a vacinação contra o HPV também pode ser feita em homens.

Atualmente, indica-se a administração da vacina quádrupla contra o HPV para homens e mulheres entre 9 e 26 anos. Em casos selecionados, quando o médico entender que a vacinação trará reais benefícios para o paciente, a vacina pode ser indicada também para pessoas acima dos 26 anos.

Do ponto de vista de saúde pública, entretanto, a vacinação em massa da população é feita de forma diferente. Como câncer de pênis ou ânus são tumores muito menos comuns que o câncer de colo uterino, e como a vacina contra o HPV é muito mais eficaz se tomada por pessoas que nunca foram expostas ao HPV, de preferência crianças que ainda não iniciaram a sua vida sexual, em muitos países, incluindo o Brasil, o calendário vacinal só indica a vacinação em meninas entre 9 e 13 anos de idade.

Isso não significa que homens ou mulheres até 26 anos não possam recorrer ao sistema privado de saúde para se vacinarem, caso seus médicos entendam que a vacinação seja importante.

Já ter sido contaminado previamente com um subtipo de HPV não contraindica a realização da vacinação. Se uma mulher está ou esteve contaminada com o HPV-18, por exemplo, a vacinação quádrupla serve para preveni-la contra os outros 3 subtipos de  Papilomavírus humano.

LEIA TAMBÉM:
VACINAS NA GRAVIDEZ

Atualmente, por falta de estudos que comprovem sua segurança para o feto, a vacinação contra o HPV não está indicada para a gestantes. Por outro lado, durante o aleitamento materno não há contraindicações.

Como a vacina é feita com vírus inativo, ela pode ser administrada em pessoas com HIV ou qualquer outra causa de imunossupressão.

Eficácia da vacinação contra HPV

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COMO FUNCIONAM AS VACINAS

Quando tomada ainda na infância, antes do início da vida sexual, a vacinação tem uma eficácia de quase 100% na prevenção de tumores malignos do colo do útero provocados pelos subtipos 16 e 18.  Quando administrada em mulheres mais velhas, já com vida sexual ativa e, portanto, com maior risco de já terem sido previamente expostas ao HPV, a eficácia cai para apenas 44%.

Nos homens nunca expostos ao HPV, a eficácia da vacina é um pouco mais baixa que na mulheres, mas, ainda assim, atinge os 90%.

A vacinação quando feita em mulheres que já estejam infectadas com o HPV-16 ou HPV-18 aparentemente não causa danos, mas também não apresenta nenhum efeito benéfico sobre  a atual infecção. É importante salientar que a vacina serve para prevenir o HPV e não para tratá-lo.

Atualmente, ainda não sabemos por quanto tempo a vacina confere imunidade. Como as vacinas são relativamente novas no mercado, a maioria das pessoas sob estudo ainda não tem 8 anos de vacinação. Por isso, para sabermos por quanto tempo mais uma pessoa ficará imune ao HPV após a vacinação serão necessários ainda mais alguns anos de estudos.

Ao contrário do que ocorre em várias doenças infecciosas, ainda não existem sorologias pós-vacinação para o HPV, ou seja,  exames de sangue que sirvam para medir a concentração sanguínea de anticorpos contra o papilomavírus humano após a vacina.

Entre os grandes estudos científicos que comprovam a eficácia da vacina contra o HPV, podemos destacar 3 deles:

The FUTURE II trial – Estudo publicado na revista New England Journal of Medicine, com 12.000 mulheres de 15 a 26 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente apresentou 98% de eficácia na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494925

The FUTURE 1 trial – Também publicado na revista New England Journal of Medicine. Estudo com 5.455 mulheres de 16 a 24 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina quadrivalente foi 100% efetiva na prevenção de verrugas anogenitais, neoplasias vulvar e vaginal, NIC1, NIC 2, NIC 3 e adenocarcinoma in situ.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=17494926

PATRICIA (Papilloma trial against cancer in young adults) – Publicado na revista Lancet. Estudo com 18.000 mulheres entre 15 e 25 anos, duplo cego, randomizado, multicêntrico e controlado por placebo. A vacina bivalente apresentou eficácia de 93% na prevenção de casos de NIC 2, NIC 3, adenocarcinoma in situ ou câncer de colo de útero.
http://www.ncbi.nlm.nih.gov/pubmed?term=19586656

Doses da vacina contra HPV

A vacina quádrupla é administrada habitualmente em 3 doses. O paciente toma a primeira vacina hoje e recebe mais dois reforços após 2 e 6 meses (chamamos de doses nos tempos 0, 2 e 6 meses). No Brasil e em alguns outros países que têm adotado a vacina quádrupla no calendário oficial o esquema tem sido feito de forma um pouco diferente. A segunda dose tem sido recomendada com 6 meses de intervalo e a terceira somente após 5 anos (tempos 0, 6 meses e 5 anos).

A vacina bivalente também costuma ser administrada em 3 doses, nos tempos 0, 1 e 6 meses.

Papanicolau nas mulheres vacinadas

Ter sido vacinada contra o HPV reduz consideravelmente o risco de câncer de colo uterino, mas não o afasta em 100%. Primeiro porque a vacina só cobre os 2 subtipos mais perigosos do HPV; segundo porque algumas mulheres já podem estar infectadas com algum tipo de HPV no momento da vacinação, não havendo efeito da vacina sobre essa infecção já em curso; e terceiro porque há casos, pouco comuns, é verdade, de câncer do colo do útero não provocados pelo HPV.

Portanto, de modo algum a vacinação exime a mulher de fazer o seu exame de Papanicolau rotineiro (leia: EXAME PAPANICOLAU ? ASCUS, LSIL, NIC1, NIC 2 e NIC 3).

A vacina contra o HPV é segura?

Apesar de alguns boatos que volta e meia circulam entre a população, a vacina contra o HPV é bastante segura. Seu perfil de efeitos colaterais graves é semelhante aos de outras vacinas presentes no calendário vacinal.

Infelizmente, toda vez que surge uma nova vacina, espalham-se na Internet e nas redes sociais campanhas de desinformação sobre os riscos de se vacinar, que servem apenas para alarmar a população e boicotar as campanhas de vacinação.

Para quem acredita em teorias da conspiração, apenas um dado mostra como a vacina não faz parte de nenhum plano mirabolante de controle populacional de governos ou da indústria farmacêutica: nos últimos 10 anos, somente nos EUA, mais de 80 milhões de pessoas foram vacinadas contra o HPV. Se 80 milhões de pessoas estivessem realmente sendo envenenadas através da vacina, como alguns boatos de Internet alegam, estaríamos atualmente testemunhando umas das maiores tragédias humanitárias de todos os tempos. Só como comparação, o holocausto dizimou cerca de 10 milhões de indivíduos, número que é 8 vezes menor que o de pessoas que já foram vacinadas contra o HPV, somente nos EUA.

Além das 80 milhões de pessoas que já foram vacinadas, mais de 50 mil pacientes já participaram de estudos científicos nos EUA sobre a eficácia e a segurança da vacina. Em nenhum estudo houve qualquer sinal que pudesse indicar que a vacina contra o HPV seja perigosa para a população.

Efeitos colaterais da vacina contra HPV

É sempre lembrar, que assim como qualquer vacina, a vacina contra o HPV pode causar efeitos colaterais leves, como dor no local na injecção, dores de cabeça, tonturas e náuseas. Como a vacina será administrada em milhões de pessoas, é natural que nos próximos meses e anos sejam reportados vários casos de efeitos colaterais leves. Isso, porém, não significa que a vacina seja perigosa e não deva ser tomada. Várias outras vacinas presentes no calendário vacinal há décadas também apresentam efeitos colaterais leves frequentes.

Só como exemplo, um estudo americano conduzido pelo CDC (Centers for Disease Control and Prevention) demonstrou que entre 2006 e 2013 foram administradas mais de 57 milhões de doses da vacina quadrivalente. O número de casos de efeitos colaterais reportados foi de cerca de 21 mil, ou seja, 0,03% das vacinações. Destes 21 mil, 19 mil foram efeitos colaterais leves, como dor no local da injeção. Nos restantes 2000 casos considerados moderados a grave (0,003%), a maioria foi de náuseas, vômitos, mal-estar, dor de cabeça, tonturas, hipotensão, febre, desmaios e fraqueza generalizada.

Até 2011, 34 mortes haviam sido reportadas após a administração da vacina. Porém, em nenhuma delas foi possível estabelecer uma relação direta com o fato do paciente ter sido vacinado recentemente.

Também não há evidências de que a vacina contra o HPV aumente o risco da ocorrência da síndrome de Guillain-Barré. Um estudo também conduzido pelo CDC entre 2006 e 2012 mostrou que após 1.4 milhão de doses da vacina Gardasil contra o HPV, a taxa de novos casos de Guillain-Barré nas mulheres vacinadas era semelhante a taxa de Guillain-Barré na população não vacinada.

Dois efeitos colaterais, porém, parecem ser mais comuns na vacina contra HPV do que em outras vacinas: síncope (desmaios) e trombose venosa. Ainda assim, dos 31 casos reportados de trombose venosa dos membros inferiores, 29 ocorreram em pacientes que apresentavam fatores de risco para trombose, como uso de anticoncepcionais hormonais ou história de doenças da coagulação. Portanto, não há dados para afirmar que a vacina tenha tido alguma relação com os casos de trombose.

Pelo baixo, mas real, risco de desmaios, sugere-se o que o paciente fique 15 minutos em repouso após a vacinação. É importante destacar que desmaio após vacinação é um evento relativamente comum para todos os tipos de vacina, principalmente nos pacientes jovens que têm medo de agulha.

SÍFILIS TEM CURA?

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A sífilis é uma doença sexualmente transmissível causada por uma bactéria chamada Treponema pallidum. O seu principal sintoma é uma úlcera indolor, semelhante a uma afta, na região genital. Se não for tratada, a bactéria pode espalhar-se pelo organismo e, após anos de infecção, levar a complicações graves, como acometimento do sistema nervoso central.

A sífilis tem cura, mas é preciso tratá-la com antibióticos apropriados para se livrar do Treponema pallidum. O tratamento é estabelecido de acordo com a fase da doença.

Neste artigo vamos nos ater apenas ao tratamento e à cura da sífilis. Se vocÊ procura informações mais abrangentes sobre a sífilis, acesse o seguinte link: SÍFILIS | Sintomas, diagnóstico e tratamento.

Como curar a sífilis

O antibiótico com melhores taxas de cura da sífilis é a penicilina. O tipo mais usado de penicilina é a penicilina benzatina, mais conhecida como Benzetacil (leia: PENICILINA BENZATINA | Injeção de benzetacil).

Sempre que possível, a penicilina deve ser a primeira opção de tratamento. A penicilina é tão superior aos outros antibióticos que, em alguns casos, mesmo nos pacientes alérgicos à penicilina, ela permanece sendo a primeiro escolha. É preferível submeter o paciente a uma processo de dessensibilização do que indicar outro antibiótico (leia: ALERGIA À PENICILINA).

Esquema de tratamento da sífilis com penicilina

1) Sífilis primária, secundária ou latente precoce (com menos de 1 ano de infecção):
Tratamento mais indicado: Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em dose única por via intramuscular.
? Pacientes alérgicos à penicilina: Doxiciclina 100 mg de 12/12 horas por via oral, por 14 dias.

2) Sífilis com mais de 1 ano, terciária ou de tempo indeterminado:
Tratamento mais indicado: Penicilina benzatina (Benzetacil) 2.4 milhões de unidades em 3 doses por via intramuscular, com uma semana de intervalo entre cada.
? Pacientes alérgicos à penicilina: Doxiciclina 100 mg de 12/12 horas por via oral, por 28 dias.

3) Neurossífilis
Tratamento: Penicilina G cristalina 3 a 4 milhões de unidades a cada 4 horas por via intravenosa, por 10 a 14 dias.
– Pacientes alérgicos à penicilina devem fazer tratamento de dessensibilização para poderem ser tratados com penicilina cristalina.

O tratamento do paciente HIV positivo é exatamente igual ao da população em geral.

Tratamento da sífilis na gravidez

O tratamento da sífilis na gravidez é igual ao da população em geral. No caso de grávidas alérgicas à penicilina, a doxiciclina não é uma opção, pois é um antibiótico contraindicado durante a gestação (leia: ANTIBIÓTICOS NA GRAVIDEZ ). Nestes casos, o mais indicado é realizar um testes alérgicos para que a alergia à penicilina possa ser comprovada. A maioria dos pacientes que se diz alérgico à penicilina na verdade não o são. Alguns deixam de ser alérgicos com o passar dos anos, enquanto outros nunca foram, apenas interpretaram equivocadamente algum efeito colateral com os sinais de alergia. Se nos testes a paciente não apresentar sinais de alergia grave à penicilina, a gestante deve passar por um processo de dessensibilização à penicilina para que ela possa fazer o esquema completo de benzetacil.

Controle de cura da sífilis

Após o final do tratamento, o paciente deve repetir o exame de VDRL a cada 6 meses durante 2 anos. Se o tratamento tiver levado à cura da sífilis, os valores do VDRL cairão, no mínimo, 4 titulações após os primeiros 6 meses, e continuarão caindo ao longo dos anos.

Exemplos:
Se o VDRL era 1/256 ele deve cair para 1/64.
Se o VDRL era 1/128 ele deve cair para 1/32.
Se o VDRL era 1/64 ele deve cair para 1/16.

O VDRL não precisa chegar a zero para se confirmar a cura. Basta que os sintomas desapareçam e o VDRL caia de forma relevante. Os valores do FTA-ABS não servem para serem usados no controle de cura.

Cerca de 15% dos pacientes tratados adequadamente não apresentam essa queda de 4 titulações do VDRL. Nestes casos, se o VDRL se mantiver acima de 1/32, um novo curso de antibiótico está indicado e uma investigação sorológica do(s) parceiros (as) é necessária. Nos pacientes com VDRL menor que 1/32 e sem sintomas, não é sugerido repetir o tratamento, a não ser que os títulos do VDRL voltem a subir.

Pessoas curadas não transmitem sífilis para outras.

Pessoas curadas podem ter sífilis de novo?

Se o paciente fez o tratamento correto e se curou da sífilis, não há risco da doença voltar. Porém, é importante salientar que ter tido sífilis não gera imunidade, o que significa que uma pessoa pode se contaminar com o Treponema pallidum mais de uma vez na vida. Portanto, se você teve sífilis, tratou adequadamente e se curou, mas voltou a ter relações sexuais com alguém contaminado, existe um grande risco de vocÊ voltar a ter sífilis novamente.

O VÍRUS HPV TEM CURA?

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A infecção pelo papilomavírus humano, mais conhecido pela sigla HPV, é a doença sexualmente transmissível mais comum no mundo.

A forma de apresentação clínica do HPV depende do estado imunológico do paciente e do subtipo do HPV pelo qual o mesmo foi infectado. Algumas pessoas com HPV podem não desenvolver sinal ou sintoma algum; alguns indivíduos desenvolvem verrugas genitais, enquanto outros apresentam alterações a nível celular que podem predispô-las a terem determinados tipos de câncer. Praticamente todos os casos de câncer do colo do útero e um grande percentual dos casos de câncer anal e de pênis estão relacionados à infecção pelo HPV.

Neste artigo vamos nos ater a duas simples perguntas:

1- Uma pessoa infectada pelo vírus HPV pode ficar curada?
2- Existe tratamento para as infecções causadas pelo vírus HPV?

HPV tem cura?

O HPV tem cura? A resposta para esta pergunta não é tão simples quanto parece, pois ela pode ser sim ou não, dependendo da forma como você interpreta a pergunta.

Existe diferença entre curar o HPV e curar as lesões provocadas pelo HPV. Portanto, para chegarmos à resposta correta, é preciso antes explicarmos como age o HPV e como é a evolução natural do papilomavírus dentro do nosso organismo.

Para resumir o que será explicado ao longo deste artigo, podemos fazer 3 afirmações:

  • O HPV costuma curar-se espontaneamente em 80 a 90% dos casos. Após 1 ou 2 anos, o sistema imunológico da maioria das pessoas é capaz de destruir o HPV e eliminá-lo por completo do nosso organismo.
  • A lesões provocadas pelo HPV, sejam elas verrugas ou neoplasias do colo do útero, têm cura através de tratamento médico. Todavia, é importante lembrar que curar as lesões do HPV não significa eliminar o HPV do organismo.
  • Quando o sistema imunológico do paciente não consegue eliminar o HPV por conta própria, o paciente fica contaminado por toda a vida, já que ainda não existem remédios que curem o HPV.

Existe cura para os subtipos de HPV que provocam verrugas na pele?

O HPV é um vírus que possui mais de 150 subtipos diferentes. Nem todos são capazes de causar câncer e nem todos atacam a região genital. Alguns subtipos do HPV, como, por exemplo, os HPV-1, HPV-2 e HPV-4 ficam restritos à pele, causando verrugas simples nas mãos, pés, joelhos e cotovelos. Nestes casos, a transmissão do HPV não é por via sexual.

Quem teve verruga na infância sabe que, na maioria dos casos, a lesão desaparece com ou sem tratamento após cerca de 1 ou 2 anos. Novas verrugas podem aparecer ao longo dos anos, mas, em geral, ao chegar na fase adulta, a maioria das pessoas já não está mais contaminada com nenhum subtipo de HPV que provoca verrugas na pele. Apenas 10 a 15% dos pacientes com verrugas comuns são adultos.

É importante destacar que a maioria das pessoas que se contaminam com os subtipos do HPV responsáveis pela ocorrência de verrugas não desenvolvem verrugas. O paciente se contamina, não desenvolve sintoma algum e após 1 ou 2 anos o seu sistema imunológico se livra do vírus sem que o indivíduo nem sequer tenha tomado conhecimento da infecção.

Portanto, existe cura para o HPV que provoca verrugas na pele, e ela é espontânea na grande maioria dos casos. Nos pacientes que desenvolvem verrugas, o tratamento com medicamentos ajuda a acelerar o processo de eliminação da verruga em si, mas não elimina o HPV do organismo.

É importante destacar que uma parcela pequena dos indivíduos permanecem tendo verrugas durante a vida adulta. São pessoas cujo o sistema imunológico não conseguem se livrar do HPV. Neste indivíduos, não há cura para o HPV. O que se pode fazer é tratar individualmente cada verruga que surge, caso seja este o desejo do paciente, já que a verruga em si não causa nenhuma complicação além do indesejável efeito estético.

Existe cura para os subtipos de HPV que provocam verrugas genitais?

Assim como existem subtipos do HPV que causam verrugas nas mãos e nos pés, existem também vários subtipos do HPV que são responsáveis pelo surgimento de verrugas nos órgãos genitais. Também chamado de condiloma acuminado, essas verrugas são causadas por subtipos do HPV transmitidos sexualmente e podem acometer o pênis, uretra, nádegas, ânus, vagina e regiões próximas no períneo.

Vários subtipos de HPV podem causar verrugas genitais, mas cerca de 90% dos casos são provocadas por apenas 2 subtipos: HPV-6 e HPV-11. Felizmente, esses dois subtipos têm baixo potencial de gerar câncer.

Assim como ocorre nas verrugas simples, a maioria das infecções pelo HPV que provoca verrugas genitais é subclínica. Cerca de 80 a 90% dos pacientes ficam livres do HPV de forma espontânea após 1 ou 2 anos, e muitos nem ficam sabendo que estiveram infectados, pois não chegaram a desenvolver verrugas aparentes.

Há, porém, casos em que o paciente desenvolve uma ou mais verrugas genitais clinicamente aparentes e permanece com elas por vários anos. Entre os pacientes que se contaminam com o HPV e desenvolvem verrugas, a taxa de remissão espontânea para cada verruga é de 30 a 40% dentro de 6 meses a 1 ano. Contudo, o desaparecimento da verruga não significa necessariamente eliminação do HPV do organismo. Por isso, a taxa de recorrência é alta.

Na maioria dos casos, a verruga genital é um problema estritamente estético. O risco de evolução para câncer é baixo na maioria dos subtipos de HPV e sintomas como dor, coceira ou obstrução do canal anal ou vaginal são incomuns. Se o paciente optar pelo tratamento é importante lembrar que os medicamentos agem apenas contra as verrugas, não tendo efeito sobre a presença do vírus no organismo. Por isso, a taxa de recorrência das verrugas genitais chega a ser de 30% dentro do período de 1 ano. Em geral, o objetivo é ir tratando as verrugas até que o organismo do paciente consiga eliminar o HPV definitivamente. Em alguns casos isso ocorre, em outros não. Depende do grau de competência do sistema imunológico de cada um.

Para saber mais sobre o tratamento das verrugas simples e das verrugas genitais, leia: VERRUGAS COMUNS | VERRUGAS GENITAIS.

Portanto, existe cura para o HPV que provoca verrugas genitais, e ela é espontânea em muitos casos.

O tratamento das verrugas com medicamentos ajuda a acelerar o processo de eliminação da verruga em si, mas não elimina o HPV do organismo. Em alguns casos porém, o sistema imunológico do paciente não é capaz de eliminar o HPV de forma definitiva, e uma infecção permanente pode ocorrer. Nestes casos, mesmo que cada verruga individualmente possa ser curada, novas lesões podem sempre surgir, já que o vírus continua presente no organismo.

Existe cura para os subtipos de HPV que provocam câncer do colo do útero?

Alguns subtipos de HPV, principalmente os HPV-16 e HPV-18, estão relacionados ao surgimento do câncer do colo do útero. O HPV-16 é responsável por 50% dos casos e o HPV-18 por cerca de 20%.

Assim como ocorre nos outros casos de infecção pelo HPV, os subtipos que podem causar câncer do colo uterino também costumam desaparecer espontaneamente nos primeiros 2 anos de infecção. Mesmo nas pacientes que já apresentam lesões pré-malignas do colo do útero, chamadas de neoplasia intraepitelial cervical (NIC), a taxa de regressão espontânea da lesão e cura do vírus é bastante alta.

Os casos de cânceres do colo do útero ocorrem nas pacientes que têm um subtipo mais agressivo (HPV-16 u HPV-18) e cujo o sistema imunológico não consegue eliminar o vírus a curto/médio prazo. Em geral, são necessários cerca de 10 a 20 anos de infecção para que o Papilomavírus humano possa provocar o parecimento de um câncer do colo de útero.

Os pacientes que a longo prazo não conseguem se ver livres dos subtipos perigosos do HPV devem fazer acompanhamentos a cada 6 meses ou 1 ano com o ginecologista. Se houver sinais de evolução da lesão pré-maligna, a região com risco de desenvolvimento do tumor deve ser excisada cirurgicamente.

Mais uma vez, é importante frisar que a excisão da lesão cura a neoplasia intraepitelial cervical (lesão pré-maligna), impedindo que a mesma evolua pra um câncer, porém, não afeta em nada o estado do HPV no organismo. A paciente precisa continuar sendo monitorizada para que, caso novas lesões pré-malignas surjam, elas possam ser tratadas precocemente.

Falamos mais sobre a relação entre HPV e câncer do colo do útero no seguinte artigo: HPV | CÂNCER DO COLO DO ÚTERO.

Conclusão

Podemos concluir que, independente do subtipo, a cura do HPV só ocorre de forma espontânea. Não existem tratamentos ou remédios que ataquem diretamente o vírus, eliminando-o do organismo. Por outro lado, as lesões provocadas pelo HPV, sejam elas verrugas ou neoplasias pré-malignas, podem ser curadas através de uma série de tratamentos, que variam desde a aplicação local de substâncias até a excisão cirúrgica da lesão. Porém, como esses tratamentos não atacam diretamente o vírus, as lesões podem surgir novamente com o passar dos anos.

Não deixe de ver também esse curto vídeo, produzido pela equipe do MD.Saúde, que explica de forma simples a vacinação contra o HPV.

Portanto, a infecção pelo HPV dá razão ao famoso ditado que diz que prevenir é melhor que remediar. No caso do HPV, já existe prevenção efetiva, que é feita através da vacinação. A vacina contra HPV previne a infecção contra  os subtipos mais perigosos (leia: VACINA CONTRA HPV | Eficácia, efeitos e indicações.

Este post também está disponível em: Espanhol

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