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sexta-feira, 5 de agosto de 2016

VARIZES – Causas e Tratamento

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Varizes são veias tortuosas e dilatadas que surgem pelo adoecimento destes vasos, podendo serem vistas através da pele.

Este texto abordará as varizes nas pernas (varizes dos membros inferiores), dando ênfase às causas, sintomas, prevenção e tratamento.

Para complementar as informações deste texto, leia também: VARIZES | Perguntas mais frequentes

Ao contrário do que se possa pensar, as varizes das pernas não são apenas um problema estético. A presença da variz indica uma veia doente, sendo muitas vezes o primeiro sinal de uma insuficiência venosa crônica.

Para que possamos entender o que causa as varizes e quais suas potenciais complicações, é preciso entender como funcionam as veias.

O que são as varizes?

Nosso sangue é transportado por dois tipos de vasos: artérias e veias. A artéria é o vaso que leva o sangue rico em oxigênio para longe do coração, em direção ao resto do corpo, nutrindo órgãos e tecidos. A veia é o vaso que trás de volta o sangue para o coração e pulmões para que ele possa receber oxigênio novamente.

O sangue chega às pernas pelas artérias e sobe de volta ao coração pelas veias. Como vocês já devem ter pensado, as veias das pernas trabalham contra a gravidade. Podemos dizer que as varizes são um efeito colateral do nosso processo evolutivo que nos permitiu andar em pé sob as duas pernas. Quando nos tornamos bípedes, nosso coração passou a ficar longe dos nossos membros inferiores, o que dificultou em muito o retorno do sangue para o mesmo. Mas como é então que este sangue sobe?

Apenas o trabalho de bombeamento do sangue pelo coração não é suficiente para se vencer a gravidade. Na verdade, as veias possuem um mecanismo que facilita o seu trabalho: as válvulas.

As válvulas são mecanismos de segurança que funcionam como comportas, impedindo que o sangue reflua. Deste modo, o sangue segue sempre em uma única direção.

Agora imaginem se estas válvulas ficarem incompetentes. O sangue que deveria apenas subir, começa a retornar para baixo e a acumular-se com o sangue novo que está subindo. Não é difícil perceber o porquê das veias dilatarem. Este é o mecanismo básico das varizes, veias doentes que tornam-se dilatadas e tortuosas por incapacidade de escoar o sangue em direção ao coração.

Como as veias periféricas das pernas encontra-se muito próximas da pele, qualquer tortuosidade ou dilatação torna-se facilmente perceptível.

Além das válvulas, nossos membros inferiores têm mais dois truques na manga:

1) Bomba plantar: cada vez que pisamos, o impacto da planta do pé com o chão provoca um bombeamento mecânico do sangue acumulado nos pés.

2) Bomba da panturrilha: além da bomba plantar, quando pisamos, usamos a musculatura da panturrilha, conhecida popularmente como batata da perna. Do mesmo modo, a contração destes músculos impulsiona o sangue venoso para cima.

Resumindo, são três os mecanismos que facilitam o retorno do sangue para o coração: presença de válvulas nas veias, bomba plantar e bomba da panturrilha, estas duas últimas acionadas quando andamos.

Fatores de risco para varizes

Cerca de 25% das mulheres e 15% dos homens apresentam varizes nas pernas. Como já explicado, as varizes surgem quando ocorre um represamento do sangue nas veias, em geral, por incompetência das válvulas venosas.

Os principais fatores de risco são:

  • Sexo feminino: a presença de alguns hormônios, como a progesterona, causam dilatação das veias e favorecem a incompetência valvular.
  • Idade: as varizes surgem a partir dos 30 anos e vão ficando mais comuns com o envelhecimento. Veias mais velhas e submetidas há dezenas de anos de trabalho contra a gravidade são mais propensas a ficarem doentes.
  • História familiar: a presença de varizes costuma ser uma tendência familiar. Existe um componente genético facilitando o aparecimento das mesmas em algumas pessoas.
  • Obesidade: quanto mais pesados somos, maior a pressão sobre as veias (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).
  • Tabagismo: O cigarro agride a parede dos vasos, tornado-os doentes (leia: COMO PARAR DE FUMAR).
  • Gravidez: o aumento dos hormônios, associado a um maior volume de sangue circulante e a compressão das veias intra-abdominais por um útero cada vez maior, favorecem o surgimento das varizes.
  • Sedentarismo: Como já explicado, o ato de andar facilita o retorno venoso, diminuindo o represamento do sangue dentro das veias.
  • Traumas nas pernas: qualquer trauma que cause lesão nas veias pode torná-las mais fracas e susceptíveis a dilatações.
  • Ficar em pé parado por longos períodos: uma pessoa em pé, sem andar durante várias horas, está dificultando o retorno venoso e facilitando o aparecimento de varizes.
  • Ficar várias horas sentado com as pernas dobradas: Sente-se e cruze as pernas como todos nós fazemos normalmente. Imagine seus vasos como uma mangueira. Se você fica com as pernas dobradas durante várias horas seguidas, o sangue continua precisando vencer a gravidade para subir, só que além disso, os vasos não estão retificados como na posição em pé, mas sim com um trajeto todo tortuoso.
  • Pílulas anticoncepcionais: mais um vez, a variação hormonal é um fator responsável pelas varizes (leia: EFEITOS COLATERAIS DOS ANTICONCEPCIONAIS).

Sintomas das varizes

As varizes são normalmente veias tortuosas e dilatadas que não causam maiores sintomas a não ser o incômodo estético. Elas surgem sempre nas veias mais superficiais, por isso são tão aparentes.

Quando grandes, as varizes podem sagrar após sofrerem traumas ou formar pequenos trombos, um quadro denominado de tromboflebite.

As varizes, quando múltiplas, podem ser uma das manifestações da chamada insuficiência venosa crônica. Quando várias veias tornam-se insuficientes e varicosas, o sangue começa a ficar retido nos membros inferiores, causando desconforto, sensação de peso, dor local, edemas, escurecimento da pele e, em casos avançados, aparecimentos de úlceras e infecções de pele.

Na verdade, deve-se encarar as varizes como um estágio intermediário da insuficiência venosa, que pode ser dividida nas seguintes fases:

1) Teleangiectasias ou aranhas vasculares

As teleangiectasias são pequenas veias arroxeadas, bem fininhas que surgem na fase inicial da insuficiência venosa, como na fota ao lado. São sinais de doença das pequeníssimas veias superficiais que ficam logo abaixo da pele. São uma espécie de microvarizes.

Nesta fase não costuma haver outros sinais e sintomas, exceto o aparecimento das próprias teleangiectasias.

2) Varizes

O surgimento das varizes indica que a dificuldade em retornar o sangue já atingiu veias maiores. O paciente pode ter uma única variz ou, em fases mais avançadas da doença, apresentar várias varizes.

3) Edema

Quanto mais varizes existirem, mais óbvia é a insuficiência venosa. O sangue que não consegue retornar para o resto do corpo fica represado nas pernas, o que causa o aparecimento dos edemas (inchaços).

Nas fases iniciais, o edema costuma aparecer nos tornozelos e somente ao final do dia, quando o paciente já passou várias horas em pé. Conforme a doença avança, o inchaço pode ser tornar persistente, podendo acometer toda a perna.

Quando já há edema, podem haver outros sintomas como peso nas pernas, câimbras noturnas (leia: CÂIMBRAS | Causas e tratamento), sensação de queimação, comichão e dor no trajeto das varizes.

4) Alterações da pele

Além do edema, a retenção de sangue dos membros inferiores pode causar alteração de coloração da pele, deixando-a mais escura e arroxeada.

As pequenas veias e capilares danificados das pernas permitem o extravasamento das hemácias (glóbulos vermelhos) que, ao sofrerem destruição, liberam seus pigmentos vermelhos que acabam por se depositar na pele.

Nesta fase, a pele pode sofrer alterações na sua textura, ficando ressecada e inflamada, o que recebe o nome de dermatite de estase. Esta dermatite se caracteriza por um espessamento da pele associada à escamação, erosão e perda de líquidos pelos poros.

Nesta fase a pele se torna vulnerável, facilitando a invasão da mesma por bactérias e o desenvolvimento de infecções, como erisipela e celulite (leia: ERISIPELA | CELULITE | Sintomas e tratamento).

5) Úlceras

O último estágio da insuficiência venosa é aparecimento de úlceras na pele. Podem ser únicas ou múltiplas e se localizam preferencialmente próximo ao tornozelo, local de maior estase.

As úlceras normalmente aparecem após pequenos traumas e se formam devido à fragilidade da pele e dos vasos.

Se não tratada, as úlceras continuam crescendo de modo circunferencial, podendo se tornar lesões gigantes e frequentes pontos susceptíveis às infecções.

Como evitar varizes?

Como já se pôde entender, o aparecimento das varizes e teleangiectasias é um estágio inicial que pode evoluir para insuficiência venosa crônica. É importante que os pacientes com estas alterações percebam que suas veias dos membros inferiores começam a dar sinais de falência.

Nas fases iniciais, algumas alterações nos hábitos de vida são importantes. Deve-se parar de fumar e evitar longos períodos sentado ou em pé parado, deve-se praticar exercícios com frequência, principalmente caminhadas para estimular as bombas plantar e da panturrilha. Se você tiver sobrepeso, emagreça.

Exercícios como musculação, se realizados de modo correto, não causam varizes. Depilar as pernas também não tem nenhuma influência. Subir escadas não faz mal, pelo contrário, o impacto dos pés nos degraus favorece o retorno venoso.

Em pacientes com predisposição genética muito forte, o ideal é procurar outros métodos contraceptivos que não as pílulas anticoncepcionais..

Tratamento das varizes

Uma vez que já existam varizes, as dicas descritas acima são essenciais, mas, isoladamente, podem não ser suficientes.

Se já existem sinais de varizes ou teleangiectasias, o uso de meias compressivas ajuda bastante. As meias devem ser usadas durante todo o dia, principalmente nas horas em que se fica muito tempo em pé. As meias devem ser justas, mas não muito apertadas. O ideal é procurar orientação de um angiologista ou cirurgião vascular na hora de escolher as meias mais adequadas.

Deitar-se com as pernas levantadas acima do nível do coração por 30 minutos, três ou quatro vezes por dia, também é importante.

Alguns medicamentos, quando usados juntos com as medidas acima, ajudam no controle das varizes. Os mais usados são a pentoxifilina (Trental®) e o Daflon®.

Diuréticos devem ser evitados. Quando usados, devem ser feitos por pouco tempo, pois os mesmos podem piorar os edemas (leia: DIURÉTICOS | Furosemida, Hidroclorotiazida, Indapamida).

Muitas vezes, porém, é necessário o tratamento cirúrgico das varizes. As principais modalidades são:

– Escleroterapia para varizes: é um procedimento usado para varizes de pequeno tamanho, onde o médico injeta substâncias que causam esclerose (destruição e cicatrização) da veia selecionada. Como esta veia deixa de receber sangue, ela torna-se inútil, e com o tempo o corpo a elimina. É uma técnica que necessita de repetições, mas dispensa anestesia e pode ser realizada no próprio consultório. Todavia, para ser efetiva é preciso ser feita por médicos treinados.

– Cirurgia a Laser para varizes: usada também em pequenas varizes e teleangiectasias, consiste na destruição destes pequenos vasos através da aplicação de Laser. É um procedimento que não necessita de agulhas ou incisões. Não é tão bom quanto a escleroterapia e não são todos os tipos de pele que podem receber os pulsos de Laser. Funciona melhor nas teleangiectasias.

– Ablação por cateteres das varizes: indicado em varizes de maior calibre. Um pequeno tubo (cateter) é inserido dentro da variz, que pode ser destruída por calor (Laser endovenoso) ou por radiofrequência.

– Cirurgia para varizes: consiste na retirada cirúrgica da veia varicosa. Atualmente este tipo de cirurgia é feita com mínimas incisões e a hospitalização não costuma passar de um dia. Quando as varizes são muito pequenas, este procedimento pode ser feito até ambulatorialmente.

Independente da técnica, a destruição ou retirada da veia varicosa não traz nenhum problema para as pernas, uma vez que a veia tratada já não funcionava direito mesmo. O fluxo de sangue é automaticamente desviado para outras veias colaterais e profundas. Uma veia varicosa não faz falta.

Varizes tratadas não voltam. O que pode ocorrer é o surgimento de novas varizes. É importante entender que os tratamentos descritos acima apenas eliminam as varizes existentes, mas não interferem no processo que as causam.

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DIVERTICULITE – Sintomas, Causas e Tratamento

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\"Divertículos\"
Divertículos são pequenas bolsas que se formam na parede do cólon, habitualmente em pessoas com mais de 60 anos de idade. Muitas pessoas têm divertículos no cólon sem apresentar nenhum tipo de queixa ou sintoma.

Os divertículos, porém, podem infectar, levando a um quadro chamado de diverticulite, que costuma cursar com febre, dor abdominal e alterações do trânsito intestinal.

Neste artigo vamos explicar o que é um divertículo e quais são as causas, sintomas e tratamentos da diverticulite.

O que é um divertículo?

Um divertículo é uma pequena bolsa que se forma na parede do intestino grosso (cólon), semelhante a um dedo de luva, como pode ser visto na ilustração abaixo.

Um divertículo costuma ter entre 0,5 e 1 cm, e se forma principalmente na porção final do intestino (cólon descendente e sigmoide). Os divertículos costumam surgir nas regiões da musculatura do cólon onde há vasos sanguíneos. Esta informação que será importante quando discutirmos a parte dos sintomas.

Todo paciente que apresenta pelo menos um divertículo identificado algum exame diagnóstico, seja radiológico ou endoscópico, é considerado como portador de doença diverticular, ou simplesmente, diverticulose.

Como surgem os divertículos?

Os divertículos parecem surgir por uma fraqueza na parede do cólon associado a anos de aumento da pressão dentro do intestino. Os principais fatores de risco são a idade, que favorece o enfraquecimento da musculatura do intestino, e uma alimentação pobre em fibras, que além de favorecer a constipação intestinal, também contribui para formação de fezes de pequeno volume e não moldadas, o que aumenta o trabalho do cólon para empurrá-las em direção ao reto e ânus.

Outros fatores de risco conhecidos são a obesidade e o sedentarismo.

Aproximadamente 30% das pessoas acima de 60 anos e mais de 60% das pessoas acima de 80 anos possuem divertículos.

O que é diverticulite?

A maioria dos paciente com diverticulose não apresenta nenhum sintoma e, muitas vezes, sequer sabe ser portadora de doença diverticular. A diverticulite surge quando um dos divertículos fica inflamado. Diverticulite = inflamação do divertículo. Para um melhor entendimento dos conceitos deste texto, sugiro a leitura de: O QUE É INFLAMAÇÃO?.

Admite-se atualmente que a principal causa para a diverticulite seja a obstrução do divertículo por pequenos pedaços de fezes, que favorecem a proliferação de bactérias dentro mesmo.

Não há nenhuma comprovação científica de que comer amendoins, sementes, milho, pipoca ou outros alimentos deste tamanho possam causar obstrução dos divertículos levando a diverticulite. Isto é apenas um mito e pacientes com divertículos não precisam evitar este tipo de alimentação.

Sintomas da diverticulite

A diverticulite é muitas vezes chamada de “apendicite do lado esquerdo”. Os sintomas podem ser muito parecidos, uma vez que o processo patológico é semelhante. Em geral, os sintomas são: mal estar, dor intensa na região inferior esquerda do abdômen, febre, alterações do ritmo intestinal, seja diarreia ou prisão de ventre, náuseas e vômitos. Eventualmente ocorre diverticulite no lado direito do intestino, um quadro que é clinicamente indistinguível de uma apendicite (leia: APENDICITE | Sintomas e causas).

Uma das complicações possíveis da diverticulite é a perfuração do divertículo inflamado levando ao contato do conteúdo intestinal (fezes) com a cavidade peritonial, o que causa uma intensa peritonite. Outra complicação temida é a formação de um abscesso dentro do divertículo, um quadro de difícil tratamento e que eleva o risco de rotura do divertículo.

Como dito no início deste texto, muitos divertículos se formam em áreas onde passam vasos sanguíneos, favorecendo a lesão destes e o surgimento de sangramento no intestino, manifestando-se clinicamente pela presença de sangue nas fezes (leia SANGUE NAS FEZES | HEMORRAGIA DIGESTIVA).

Uma complicação mais rara é a formação de fístulas, que é o aparecimento de uma comunicação entre dois órgãos. Por exemplo, se a diverticulite ocorre em uma área do intestino próxima da bexiga, a inflamação pode fazer com que essas duas áreas se grudem e criem um orifício entre elas (fístula) fazendo com que urina entre em contato com o intestino e fezes com a bexiga.

Diagnóstico da diverticulose – diverticulite

Divertículos assintomáticos costumam ser descobertos em exames radiológicos ou endoscópicos por acaso. Na maioria dos casos eles são identificados em colonoscopias realizadas para rastreio do câncer de cólon.

Quando há suspeitas de uma diverticulite em curso, o melhor exame diagnóstico é a tomografia computadorizada (TC) do abdômen. Nestes casos, a colonoscopia costuma ser feito somente após a resolução da inflamação para posterior avaliação e quantificação dos divertículos (leia: EXAME COLONOSCOPIA). Durante a fase aguda da diverticulite, há o temor de que procedimentos endoscópicos possam piorar a diverticulite e facilitar perfurações das áreas inflamadas.

A tomografia é capaz de diagnosticar não só a diverticulite como também abscessos e fístulas, caso estejam presentes. A ultrassonografia pode também ser usada como primeiro exame, antes da TC, pela facilidade e comodidade do procedimento.

Tratamento da diverticulite

Pacientes com diverticulose sem sintomas não precisam de nenhum tratamento. Indica-se apenas alterações na dieta de modo a consumirem mais fibras visando um aumento no volume das fezes o que teoricamente diminuiria o risco de obstrução dos divertículos e preveniria a formação de novas lesões.

Uma diverticulite leve pode ser tratada em casa com antibióticos e dieta restrita a líquidos. Em casos mais graves com febre alta, intensa dor abdominal e incapacidade de ingerir alimentos, a hospitalização e o uso de antibióticos por via venosa faz-se necessário.

Quando não há resposta ao tratamento clínico ou quando surgem complicações como perfurações e peritonite, indica-se cirurgia para lavagem do peritônio e remoção da área doente do cólon. Normalmente é preciso manter uma colostomia por alguns meses para deixar o intestino cicatrizar.

ANESTESIA GERAL – Quais são os riscos?

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\"Anestesia
A anestesia geral é uma técnica anestésica que promove abolição da dor (daí o nome anestesia), paralisia muscular, abolição dos reflexos, amnésia e, principalmente, inconsciência.

A anestesia geral faz com que o paciente torne-se incapaz de sentir e/ou reagir a qualquer estímulo do ambiente, sendo a técnica mais indicada de anestesia nas cirurgias complexas e de grande porte.

Como é feita a anestesia geral?

A anestesia geral possui quatro fases: pré-medicação, indução, manutenção e recuperação.

A fase de pré-medicação é feita para que o paciente chegue ao ato cirúrgico calmo e relaxado. Normalmente é administrado um ansiolítico (calmante) de curta duração, como o midazolam, deixando o paciente já com um grau leve de sedação. Deste modo, ele entra na sala de operação sob menos estresse.

A fase de indução é normalmente feita com drogas por via intravenosa, sendo o Propofol a mais usada atualmente. Após a indução, o paciente rapidamente entra em sedação mais profunda, ou seja, perde a consciência, ficando em um estado popularmente chamado de coma induzido (leia: COMA INDUZIDO). O paciente apesar de estar inconsciente, ainda pode sentir dor, sendo necessário aprofundar ainda mais a anestesia para a cirurgia poder ser realizada. Para tal, o anestesista também costuma administrar um analgésico opióide (da família da morfina) como o Fentanil.

Neste momento o paciente já apresenta um grau importante de sedação, não sendo mais capaz de proteger suas vias aéreas das secreções da cavidade oral, como a saliva. Além disso, na maioria das cirurgias com anestesia geral é importante haver relaxamento dos músculos, fazendo com que a musculatura respiratória fique inibida. O paciente, então, precisa ser intubado* e acoplado a ventilação mecânica para poder receber uma oxigenação adequada e não aspirar suas secreções.

* Em algumas cirurgias mais rápidas, ou que não abordem o tórax ou o abdômen, pode não ser necessária intubação, ficando o paciente apenas com uma máscara de oxigênio.

No início da fase de manutenção as drogas usadas na indução, que têm curta duração, começam a perder efeito, fazendo com que o paciente precise de mais anestésicos para continuar o procedimento. Nesta fase, a anestesia pode ser feita com anestésicos por via inalatória ou por via intravenosa. Na maioria dos casos a via inalatória é preferida. Os anestésicos são administrados através do tubo orotraqueal na forma de gás (vapores) junto com o oxigênio, sendo absorvidos pelos alvéolos do pulmão, passando rapidamente para a corrente sanguínea. Alguns exemplos de anestésicos inalatórios são o óxido nitroso e os anestésico halogenados (halotano, sevoflurano e desflurano), drogas administradas continuamente durante todo o procedimento cirúrgico.

A profundidade da anestesia depende da cirurgia. O nível de anestesia para se cortar a pele é diferente do nível para se abordar os intestinos, por exemplo. Conforme o procedimento cirúrgico avança, o anestesista procura deixar o paciente sempre com o mínimo possível de anestésicos. Uma anestesia muito profunda pode provocar hipotensões e desaceleração dos batimentos cardíacos, podendo diminuir demasiadamente a perfusão de sangue para os tecidos corporais.

Quando a cirurgia entra na sua fase final, o anestesista começa a reduzir a administração das drogas, já planejando uma cessação da anestesia junto com o término do procedimento cirúrgico. Se há relaxamento muscular excessivo, drogas que funcionam como antídotos são administradas. Nesta fase de recuperação, novamente analgésicos opioides são administrados para que o paciente não acorde da anestesia com dores no local onde foi cortado.

Conforme os anestésicos inalatórios vão sendo eliminados da circulação sanguínea, o paciente começa a recuperar a consciência, passando a ser capaz de voltar a respirar por conta própria. Quando o paciente já se encontra com total controle dos reflexos das vias respiratórias, o tubo orotraqueal pode ser retirado. Neste momento, apesar do paciente já ter um razoável grau de consciência, ele dificilmente se recordará do que aconteceu nesta fase de recuperação devido aos efeitos amnésicos das drogas.

Riscos da anestesia geral

Existe um mito de que a anestesia geral é um procedimento perigoso. Complicações exclusivas da anestesia geral são raras, principalmente em pacientes saudáveis. Na maioria dos casos, as complicações são derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como doenças cardíacas, renais, hepáticas ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Só como exemplo, um trabalho canadense de 1997, apenas com cirurgias odontológicas com anestesia geral, ou seja, cirurgias de baixo risco realizadas em pacientes saudáveis, detectou uma taxa de mortalidade de apenas 1,4 a cada 1 milhão de procedimentos. Isto prova que a anestesia em si é muito segura.

É importante destacar que muitas cirurgias sob anestesia geral são realizadas em pacientes com doenças graves ou em cirurgias complexas de alto risco. Porém, na imensa maioria dos casos, quando o desfecho é trágico, raramente a culpa é apenas da anestesia geral.

Também há de se destacar que a anestesia geral é um procedimento complexo, devendo ser feita somente por profissionais qualificados e em ambientes com ampla estrutura para tal.

Fatores que aumentam o risco da anestesia geral

Antes de qualquer cirurgia, um anestesista irá consultá-lo para avaliar o seu risco cirúrgico. Além do reconhecimento prévio de doenças graves que podem complicar o ato cirúrgico, é importante para o anestesista saber algumas informações pessoais do paciente que possam aumentar o risco da anestesia, tais como:

– História prévia de reação anafilática (leia: CHOQUE ANAFILÁTICO | Causas e sintomas).
– Alergias alimentares ou a drogas.
– Uso frequente de bebidas alcoólicas (leia: EFEITOS DO ÁLCOOL E ALCOOLISMO).
– Uso de drogas, principalmente cocaína (leia: COCAÍNA | CRACK | Efeitos e complicações).
– Uso de medicamentos.
– História de tabagismo (leia: MALEFÍCIOS DO CIGARRO).
– Apneia do sono (leia: APNEIA DO SONO ? Causas, Sintomas e Tratamento).
– Obesidade (leia: OBESIDADE E SÍNDROME METABÓLICA).

Conclusão sobre anestesia geral

A anestesia geral é um procedimento extremamente seguro quando realizado por uma equipe capacitada, sendo, habitualmente, o método anestésico mais indicado para cirurgias de médio/grande porte.

Este post também está disponível em: Espanhol

CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO | Indicações e riscos.

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A lipoaspiração, também chamada de liposucção, é um procedimento cirúrgico que consiste na remoção de tecido gorduroso de áreas específicas do corpo, como barriga, nádegas, quadris e coxas, através de uma técnica que usa sucção. A lipoaspiração não é um procedimento que visa o emagrecimento, mas sim a remoção de gordura localizada, principalmente aquelas resistentes a dietas e exercícios.

Neste texto vamos falar um pouco das indicações, dos riscos e das técnicas de lipoaspiração.

Como é feita a lipoaspiração?

A lipoaspiração é um procedimento cirúrgico que deve ser realizada exclusivamente por cirurgiões plásticos, devendo ser realizada em centro cirúrgico habilitado com anestesia.

Antes da cirurgia, o cirurgia plástico irá marcar com uma caneta as áreas que serão abordadas com liposucção. É possível que o seu médico peça para você ficar em pé parcialmente sem roupa para que ele possa fazer as marcações corretamente.

A anestesia para a lipoaspiração pode ser regional (peridural ou raqui) ou geral, dependendo da quantidade de gordura que se pretende retirar (leia: ANESTESIA GERAL | Como funciona e quais os riscos). A anestesia geral também é utilizada quando se deseja lipoaspirar segmentos mais superiores, como braços e região submentoniana, e principalmente, quando a lipo é associada a outra cirurgia, como por exemplo mamoplastia ou rinoplastia.

Uma vez que o paciente encontra-se anestesiado, o procedimento pode ser iniciado. A lipoaspiração é feita com a inserção de uma fina cânula, instrumento cilíndrico oco de metal, através de pequenos incisões na pele em direção à camada de tecido adiposo (tecido de gordura). A cânula da lipoaspiração fica conectada a um dispositivo que cria vácuo para aspirar a gordura. Quando a cânula entra na camada de gordura subcutânea, ela causa traumas no mesmo, soltando as gorduras e facilitando sua aspiração para fora do corpo.

O que eu expliquei acima é o princípio básico da lipoaspiração. Atualmente existem variações desta técnica que permitem uma aspiração mais eficiente e menos traumática de gordura.

A técnica infiltrativa, também chamada de lipoaspiração tumescente, é atualmente a mais usada e consiste na injeção, na gordura que será lipoaspirada, de uma solução composta por soro, análogos da adrenalina e, em alguns casos, anestésicos locais. Esta solução, além de facilitar a aspiração da gordura, também causa uma constrição dos vasos sanguíneos, diminuindo a ocorrência de sangramentos e edemas.

A lipoaspiração ultra-sônica envolve uma cânula capaz de emitir energia ultra-sônica para “derreter” a gordura, facilitando sua remoção. A técnica com ultra-som pode ser usada em conjunto com a técnica infiltrativa. Apesar de parecer mais efetiva na teoria, esta técnica apresenta algumas desvantagens como a necessidade de incisões maiores, maior risco de lesões internas, maior custo e maior tempo de procedimento.

A lipoaspiração à Laser é semelhante, só que em vez de usar ultra-som, usa energia do Laser para quebrar as gorduras. Atualmente não há evidências que estas duas técnicas sejam superiores à lipoaspiração infiltrativa isolada.

A vibrolipoaspiração é uma outra variante, consiste em uma cânula que produz rápidos movimentos para frente e para trás, facilitando a quebra de gordura e sua aspiração.

No final das contas, a lipoaspiração tumescente é a mais usada, podendo ou não ser associada a outras técnicas.

E a técnicas chamadas de minilipo, hidrolipo, lipolight? Estes procedimentos são muitas vezes vendidos como variações mais seguras e com menos riscos que a lipoaspiração, o que é uma mentira. A minilipo ou a lipolight são, por exemplo, apenas uma lipoaspiração em que se retira menor quantidade de gordura. No fundo, apresentam as mesmas indicações e riscos. Não aceite ser operado(a) por médicos não especializados em cirurgia plástica sob a alegação de que estes procedimentos são mais simples, podendo ser realizados por outros profissionais. Temos um texto em que abordamos esses tipos de cirurgia plástica com mais detalhes (leia: LIPOASPIRAÇÃO | HIDROLIPO, MINI LIPO e LIPOLIGHT).

Pós-operatório de lipoaspiração

A região submetida a lipoaspiração pode ficar bastante dolorosa e apresentar edemas e equimoses (manchas roxas). O cirurgião plástico pode indicar o uso de uma cinta para modelar o corpo e reduzir o edema. A cinta costuma ser utilizada ininterruptamente por cerca de 1 mês, podendo ser retirada apenas na hora do banho. Posteriormente a cinta é usada somente à noite, na hora de dormir, por mais um mês.

O paciente pode e deve andar já no primeiro dia de pós-operatório para reduzir o risco de tromboses nas veias dos membros inferiores. O retorno ao trabalho costuma ser liberado após 1 semana. O prazo para retirada dos pontos também costuma ser de 7 dias. Atividades físicas somente após 1 mês, no mínimo.

Quais são os bons candidatos a lipoaspiração?

Como já referido no início do texto, a lipoaspiração não deve objetivar o emagrecimento. Os melhores resultados são obtidos por aqueles pacientes que mantém o peso estável há algum tempo, mas apresentam aquela impertinente gordurinha localizada, apesar do controle da dieta e de exercícios regulares. O paciente não deve fazer a lipoaspiração primeiro para depois resolver mudar seus hábitos alimentares e de atividade física. A área lipoaspirada não costuma acumular gordura novamente, o que pode causar irregularidades caso o paciente venha a engordar de novo.

O grau de flacidez da pele pode ser um fator impeditivo. Uma excessiva flacidez pode indicar perda da elasticidade da pele, o que atrapalha nos resultados da lipoaspiração. A presença de estrias também é um forte indicador de uma pele pobre em elasticidade (leia: ESTRIAS | Tratamento e prevenção).

Quais são os risco da lipoaspiração?

A lipoaspiração é um procedimento cirúrgico e deve ser tratada com a devida seriedade. Complicações comuns a qualquer cirurgia, como sangramentos e reações a anestesia também podem ocorrer na lipoaspiração.

A lipoaspiração é muito traumática e provoca grandes edemas no subcutâneo, o que significa grande mobilização dos líquidos corporais. Para evitar complicações como anemia (leia: ANEMIA | Sintomas e causas) ou insuficiência renal aguda (leia: INSUFICIÊNCIA RENAL AGUDA | Sintomas e tratamento) por sangramentos ou perdas excessivas de água para os edemas, os volumes de gordura aspirados não devem ultrapassar 7% do peso corporal (ex: 4,2 litros em um paciente de 60kg) e a área lipoaspirada não deve ser maior do que 40% da área corporal.

Outro risco é a lesão de órgãos internos pela cânula. Esta complicação é muito grave, mas é rara se o profissional for experiente e bem treinado. O problema é que há muitos aventureiros praticando cirurgia plástica sem ter título de cirurgião plástico.

CIRURGIA PLÁSTICA APÓS PERDA DE PESO

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A obesidade é uma pandemia, atingindo milhões de pessoas em todo mundo. Para combatê-la, nas últimas décadas uma grande quantidade de tratamentos foi proposta, variando desde medidas preventivas ? como atividade física e dietas hipocalóricas ? passando por medicações que interferem no metabolismo de açúcares e gorduras, até a cirurgia bariátrica.

De todas as alternativas, aquela que tem trazido melhor resultado para a maioria dos pacientes é a opção cirúrgica, que se divide em dois grandes grupos: procedimentos restritivos, como balão intragástrico ou anel gástrico e procedimentos restritivos aliados a um procedimento disabsortivo (que atrapalha a absorção de gorduras), como as cirurgias de Fobi-Capella e Scopinaro. Em longo prazo, o procedimento combinado (restritivo e disabsortivo) obtém melhores resultados, trazendo grande perda de peso aliada a uma maior manutenção do peso final do paciente, na grande maioria dos casos. Variando de caso a caso, a perda de peso em média é de 40% a 80% do excesso de peso em 12 a 24 meses, podendo chegar a valores maiores dependendo de cada paciente.

Este é um dos artigos da série sobre obesidade, composta também pelos seguintes temas:

– OBESIDADE | Definições e consequências
– POR QUE E COMO PERDER BARRIGA
– CALORIAS PARA EMAGRECER
– COMO EMAGRECER
– DIETA PARA EMAGRECER
– REMÉDIOS PARA EMAGRECER
– TRATAMENTO DA OBESIDADE | Cirurgia bariátrica (texto a ser publicado nas próximas semanas)

No estágio final de perda de peso, quando ocorre a sua estabilização, o paciente encontra-se mais disposto, com melhora acentuada do humor e autoestima, porém com um problema novo a enfrentar: o que fazer com o excesso de pele e gordura gerados pela grande perda de peso? Afinal, o que antes era um grande abdômen, hoje se transformou em um em excesso de pele e gordura que pendem sobre o abdômen inferior e a genitália, ocorrendo fenômeno semelhante em braços e pernas (sobretudo nas faces internas de coxas), além de uma queda acentuada da mama e da face, principalmente na região do pescoço.

Para melhor controle do contorno e harmonização corporal, a Cirurgia Plástica vem se aprimorando com novas e avançadas técnicas, com soluções específicas para cada setor do corpo.

Cirurgia plástica após grandes perdas de peso

1. Cirurgia plástica no abdômen

Abdômen: Local onde se concentra a maior queixa dos pacientes, além de ser símbolo da obesidade por si só, o excesso de pele e gordura acumulados principalmente sobre o abdômen inferior e região genital comumente é a primeira região a ser abordada. Dependendo da composição corporal e da perda de peso
atingida, a técnica pode variar desde uma abdominoplastia convencional até procedimentos mais complexos, como a abdominoplastia em âncora.

a) Abdominoplastia convencional = Uma incisão é feita na altura do púbis, semelhante àquela realizada para a cesariana, porém com extensão lateral até o quadril. O tecido composto de pele e gordura é descolado em toda região do abdome até o tórax e seu excesso retirado. São dados ainda pontos na musculatura abdominal, para reforçar a parede abdominal e prevenir novo relaxamento da mesma. Um novo umbigo é feito, em dimensões menores que as anteriores. É deixado um dreno no subcutâneo, que deve ser retirado após cinco dias em média. O paciente tem alta hospitalar em um ou dois dias, dependendo da extensão do ato operatório e da recuperação individual. Uma cinta modeladora específica é usada pelo paciente por pelo menos 2 meses, para otimizar o resultado da cirurgia.

b) Abdominoplastia em âncora = Outra técnica para abdominoplastias em pacientes com grande perda de peso é a abdominoplastia em âncora. Utilizada para ressecar amplas quantidades de tecido, esse procedimento fica reservado para pacientes onde somente a abdominoplastia convencional não ofereceria um bom resultado estético final. Os princípios da técnica e os cuidados pós-operatórios são os mesmos da cirurgia convencional, diferindo unicamente no tipo de incisão aplicada, onde uma segunda incisão é feita na parte medial do abdome, da incisão do púbis até o limite do tórax, ressecando-se o excesso de pele e gordura da região medial do abdome.

c) Lipoaspiração = Seja qual a técnica escolhida para a abdominoplastia, pode ser necessária a realização de uma Lipoaspiração em conjunto ao procedimento, para se retirar maior quantidade de gordura em excesso, contribuindo ainda mais para um melhor resultado estético. Para saber mais sobre lipoaspiração, leia: CIRURGIA DE LIPOASPIRAÇÃO | Técnicas, indicações e riscos.

2. Cirurgia plástica nas mamas

A Mamaplastia é o segundo procedimento mais realizado por pacientes que apresentaram grandes perdas de peso, perdendo apenas para a Abdominoplastia. A perda de peso confere uma queda acentuada do tecido mamário, sendo necessária a reparação local. A dificuldade encontrada aqui é justamente a perda do conteúdo da mama, uma vez que ela é composta basicamente de tecido mamário e gordura. Diferentes técnicas têm sido desenvolvidas para retomar a forma e o conteúdo mamário, trazendo um resultado final mais gracioso às mamas. Elas envolvem a ressecção do excedente de pele e tecido glandular e variam na utilização ou não de próteses de silicone. Não são utilizados drenos na maioria dos casos e a paciente tem alta hospitalar no dia seguinte ao procedimento, utilizando um sutiã pós-cirúrgico específico, que deve ser mantido pelos próximos 2 meses.

Particularmente, prefiro o resultado da Mamaplastia com a utilização de próteses de silicone. A grande variedade em volumes e formas hoje apresentadas no mercado, como as próteses com perfil alto, super alto, anatômico ou cônico, faz com que o conteúdo mamário seja adequadamente reposto, conferindo resultados mais harmônicos e duradouros.

3. Cirurgia plástica em braços e coxas

O excedente de pele e gordura conferidos nos braços e pernas de pacientes que apresentaram grande perda de peso é corrigido cirurgicamente através de técnicas mais simples.

a) Cirurgia plástica em braços: A Braquioplastia ou Lifting Braquial é realizada através de uma incisão na parte interna do braço, estendendo-se da axila ao cotovelo. Todo tecido em demasia é ressecado e a pele suturada. Pode ser necessária uma Lipoaspiração local, para a retirada de toda gordura redundante. Não são utilizados drenos, e o paciente tem alta hospitalar no dia seguinte, utilizando uma malha compressiva específica nos 2 meses seguintes ao procedimento.

b) Cirurgia plástica em coxas: A Coxaplastia, Dermolipectomia Crural ou Lifting de Coxas é semelhante à braquioplastia em seus princípios. Pode variar de uma simples Lipoaspiração local, até ressecções mais amplas, situadas na face medial das coxas, podendo de estender à região inguinal em casos mais singulares. De rotina, não são utilizados drenos locais, com o paciente sendo liberado para casa no dia seguinte à cirurgia, andando sem maiores dificuldades, fazendo uso também de uma cinta modeladora específica por 2 meses.

4. Cirurgia plástica na face

A Ritidoplastia ou Lifting Facial tem sido cada vez mais procurada nos consultórios de cirurgia plástica por pacientes que obtiveram grande perda de peso. A queixa principal se concentra na região do pescoço e pálpebras, porém o tecido da face como um todo sofre uma queda. Muitas vezes é necessária uma Lipoaspiração da região do pescoço em conjunto ao Lifting Facial, para se atingir melhores resultados. As cicatrizes são escondidas ao máximo na região do couro cabeludo e atrás das orelhas, ficando somente uma incisão mais aparente próxima às orelhas. Usa-se um dreno que é retirado no dia seguinte à cirurgia, antes da alta hospitalar, não sendo utilizadas cintas rotineiramente. O pós-operatório não costuma ser incômodo, com retorno às atividades rotineiras de forma mais precoce que as demais cirurgias.

5. Cirurgia plástica nos glúteos

Com a perda ponderal, ocorre também uma acentuada mudança na região glútea, sendo necessária a sua remodelação. A Gluteoplastia pode ser realizada com ou sem a inclusão de próteses de silicone específicas. Nos casos onde predomina um excesso de tecido gorduroso, a ressecção deste tecido e a remodelação da região glútea pode ser realizada sem próteses, através de uma incisão na porção superior dos glúteos. Naqueles casos onde há somente uma queda dos tecidos locais, a inclusão de próteses de silicone deverá ser a opção escolhida. Em ambos os casos, uma Lipoaspiração pode ser realizada para a retirada do excesso de gordura local, e a recuperação pós-operatória envolve o uso de cintas modeladoras nos 2 meses posteriores à cirurgia.

Vale lembrar que, no Brasil, os planos de saúde são obrigados por lei a cobrir todos os gastos com a cirurgia plástica reparadora. Nesse contexto, os pacientes que se submeteram a uma grande perda de peso, por cirurgia ou não, têm as cirurgias citadas acima cobertas em sua maioria, não havendo qualquer custo por parte do paciente. São elas a Abdominoplastia, os Lifting Braquial e de Coxas, além de alguns casos de Mamaplastia. Portanto, procure um Cirurgião Plástico conveniado ao seu plano de saúde e tire suas dúvidas.

Este texto foi escrito pelo Dr. Victor Varela, Cirurgia Plástica e Reparadora.
Consultório: (21) 3433-7555 – Rio de Janeiro, Brasil

ANEURISMA DA AORTA ABDOMINAL

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O aneurisma é uma dilatação em um segmento de uma artéria, que surge por uma fragilidade da parede da mesma. Ter um aneurisma é sempre um risco, pois uma artéria com uma parede fraca e dilatada apresenta maior probabilidade de se romper, provocando sangramentos volumosos.

O aneurisma da aorta, a maior e mais calibrosa artéria do nosso corpo, ocorre quando uma região deste longo vaso sanguíneo torna-se mais fraco, dilatando-se devido à imensa pressão que o sangue exerce dentro das artérias.

Neste artigo vamos explicar o aneurisma da aorta abdominal, isto é, os aneurismas que surgem no segmento da artéria aorta localizada na região do abdômen. Os aneurismas da aorta torácica serão abordados em um texto à parte.

Se você procura informações sobre aneurismas cerebrais, o seu texto é este: ANEURISMA CEREBRAL | Sintomas e tratamento.

A seguir vamos abordar os seguintes pontos sobre o aneurisma da aorta abdominal:

  • O que é um aneurisma.
  • O que é a artéria aorta.
  • Fatores de risco para um aneurisma de aorta abdominal.
  • Sintomas do aneurisma da aorta.
  • Risco de rompimento de um aneurisma da aorta abdominal.
  • Sintomas do aneurisma da aorta abdominal.
  • Tratamento do aneurisma da aorta abdominal.

O que é um aneurisma

Os aneurismas são definidos como uma dilatação focal em uma artéria, com um aumento de pelo menos 50% do diâmetro normal. Exemplo: uma região com 3 cm em uma artéria que possui 2 cm de diâmetro.

Os aneurismas surgem quando a parede de uma artéria encontra-se doente e enfraquecida. As artérias lidam com pressões sanguíneas muito elevadas e precisam ter paredes fortes e elásticas para  não cederem, mesmo quando há um grande aumento da pressão arterial. Se um segmento de uma artéria por algum motivo torna-se mais fraco, a pressão do sangue irá lentamente causar uma dilatação nesta região, podendo, futuramente, atingir seu limite de expansibilidade e romper-se.

Como as artérias transportam grandes volumes de sangue sob elevada pressão, o rompimento de um destes vasos costuma causar intensa hemorragia e elevado risco de morte. Quanto maior for o diâmetro de um aneurisma, maior será o risco do mesmo se romper.

O que é a artéria aorta

A artéria aorta é a maior e mais calibrosa artéria do nosso corpo. A aorta nasce na saída do ventrículo esquerdo do coração, o que significa que ela é o primeiro vaso sanguíneo a receber o sangue bombeado pelo coração. Todo o sangue do organismo obrigatoriamente passa pela artéria aorta antes de ser distribuído para o resto do corpo.

Logo após sair do coração, a aorta faz uma grande curva, chamada de arco aórtico, e libera seus primeiros ramos, que irão levar sangue para os membros superiores e para a cabeça. A aorta segue, então, em direção à parte inferior do corpo, atravessando todo o tórax e abdômen.

Conforme a aorta vai descendo, seu diâmetro torna-se progressivamente menor. Ela nasce na saída do ventrículo esquerdo com cerca de 3,5 cm de diâmetro, diminui para 2,5 cm após o fim do arco aórtico e apresenta cerca de 1,5 cm no segmento já abaixo dos rins.

Conforme a aorta vai descendo, dezenas de ramos vão sendo sendo lançados, de modo a nutrir tecidos e órgãos ao longo do corpo, incluindo intestinos, estômago, baço, fígado, rins, etc. Na parte mais baixa do abdômen, a artéria aórtica bifurca-se, transformando-se nas artérias ilíacas, responsáveis pela irrigação dos membros inferiores e da pelve.

Tecnicamente, a aorta abdominal inicia-se logo após a passagem da artéria pelo diafragma, estrutura que separa fisicamente o tórax do abdômen.

Fatores de risco para aneurisma da aorta abdominal

A maioria dos aneurismas da artéria aorta surge na aorta abdominal. Destes, mais de 90% se localizam abaixo no nível das artérias renais, como na ilustração acima.

O principal fator de risco para um aneurisma de aorta é a idade do paciente. Aneurismas da aorta abdominal são incomuns em pessoas com menos de 50 anos. Sua incidência começa a subir a partir do 60 anos, atingido um pico nos indivíduos entre 75 e 80 anos de idade. Cerca de 10% da população acima dos 60 anos possui um aneurisma da aorta abdominal, todavia, a maioria destes são aneurismas pequenos, com baixo risco de ruptura.

Além da idade, há outros fatores que aumentam o risco de uma pessoa desenvolver um aneurisma da aorta abdominal:

  • Cigarro: fumar aumenta significativamente o risco de aneurismas da aorta. Mais de 75% dos aneurismas de grande porte ocorrem fumantes. O risco está diretamente relacionado à quantidade e ao tempo de tabagismo.
  • Sexo: homens apresentam de quatro a seis vezes mais riscos de desenvolverem aneurismas da aorta do que as mulheres.
  • Etnia: caucasianos (brancos) são o grupo com maior risco de desenvolver aneurismas da aorta.
  • História familiar:  há uma clara associação genética no risco de desenvolver um aneurisma da aorta. Quem tem um familiar próximo com história de aneurisma da aorta abdominal apresenta maior risco de também tê-lo.
  • Obesidade: pacientes obesos apresentam maior risco.
  • Aneurismas em outras artérias: pacientes que possuem aneurismas em outras artérias do corpo, principalmente nos membros inferiores, apresentam elevado risco de também desenvolverem aneurismas na aorta abdominal.

Algumas doenças também estão mais relacionadas ao desenvolvimento de aneurismas da aorta abdominal, entre elas podemos citar:

– Doença pulmonar obstrutiva crônica (DPOC) (leia:  DPOC | Enfisema pulmonar e bronquite crônica).
– Hipertensão, princialmente se grave e não bem controlada (leia:  HIPERTENSÃO ARTERIAL | Sintomas e tratamento).
–  Doença coronariana (leia: INFARTO DO MIOCÁRDIO | Causas e prevenção).
– Colesterol elevado (leia: COLESTEROL HDL | COLESTEROL LDL | TRIGLICERÍDEOS).
– Vasculites (leia: VASCULITE | Causas e sintomas).
– Síndrome de Marfan.
– Síndrome de Ehlers-Danlos.

Risco de rompimento de um aneurisma da aorta abdominal

É importe realçar que nem todo aneurisma da aorta abdominal encontra-se sob risco de rompimento a curto prazo. Dois fatores devem ser sempre observados quando se avalia o risco de rotura de um aneurisma: tamanho e velocidade de crescimento.

Estudos demonstram que aneurismas com diâmetro menor que 4 cm não apresentam risco de ruptura e aneurismas com até 5,5 cm apresentam risco muito baixo. As chances de um aneurisma de aorta abdominal se romper no intervalo de 1 ano são as seguintes:

– 0% para aneurismas menores que 4,0 cm de diâmetro.
– 0,5 a 5% para aneurismas entre 4,0-4,9 cm de diâmetro.
– 3 a 15% para aneurismas entre 5,0-5,9 cm de diâmetro.
– 10 a 20% para aneurismas entre 6,0-6,9 cm de diâmetro.
– 20 a 40% para aneurismas entre 7,0-7,9 cm de diâmetro.
– 30 a 50% para aneurismas a partir de 8,0 cm de diâmetro.

Em relação à velocidade de expansão dos aneurismas, sabemos que aqueles que crescem cerca de 0,5 cm em seis meses também apresentam elevado risco de se romperem.

Sintomas do aneurisma da aorta abdominal

A maioria dos aneurismas da aorta abdominal são pequenos e não causam nenhum sintoma. Na verdade, a maioria das pessoas que possui um aneurisma não sabe que o tem. Muitos aneurismas da aorta são descobertos por acidente durante a realização de uma ultrassonografia ou tomografia computadorizada do abdômen solicitada por algum outro motivo médico.

Conforme o aneurisma cresce, alguns sinais e sintomas podem começar a ser perceptíveis. Cerca de 30% dos aneurismas são descobertos após a detecção de uma pequena massa pulsante perto do umbigo. Alguns aneurismas podem causar dor no abdômen ou nas costas, e acabam por serem diagnosticados durante a investigação desta dor.

Infelizmente, a maioria dos aneurismas cresce sem causar sintomas e o paciente pode só descobrir a lesão na aorta quando esta se rompe. O rompimento de uma aneurisma da aorta abdominal costuma provocar intensa dor abdominal e evoluir rapidamente para choque circulatório devido à grande perda sanguínea. Cerca de 65% dos pacientes falecem antes mesmo de conseguirem chegar ao hospital. Em alguns casos, porém, o sangramento de um aneurisma roto pode ser temporariamente contido por algumas estruturas intra-abdominais, dando tempo do paciente receber atendimento médico.

Tratamento do aneurisma da aorta abdominal

A correção de um aneurisma da aorta abdominal é feita através de cirurgia. Uma vez que a rotura tenha ocorrido, a taxa de sucesso é muito menor do que se a cirurgia tivesse sido realizada eletivamente, antes do rompimento. O objetivo do tratamento, portanto, é corrigir o aneurisma antes da sua rotura.

Mas todos os aneurismas da aorta abdominal precisam ser operados?

A resposta é não. A reparação cirúrgica de um aneurisma é uma complexa cirurgia e traz riscos. A cirurgia está indicada nos casos em que o risco de rotura do aneurisma a curto prazo é maior que os risco da cirurgia em si. Portanto, a cirurgia geralmente não é aconselhável se você tiver um aneurisma menor que 4,0 cm de diâmetro. Nestes casos o paciente deve apenas realizar ultrassonografias abdominais regularmente (a cada 6 meses) para confirmar que o aneurisma encontra-se estável, sem crescimento e sem risco de rotura a curto prazo.

Pacientes com um aneurisma entre 4,0 e 5,5 cm devem discutir suas opções com seu médico. A melhor solução irá depender do risco cirúrgico do paciente e do risco de rotura a curto prazo do aneurisma. Nestes casos, as características que influenciam na decisão incluem:

– O tamanho e a taxa de crescimento da aneurismas.
– Presença de dor abdominal.
– A existência de outros aneurismas.
– Risco cirúrgico. Os pacientes com múltiplas doenças, cujo risco cirúrgico é elevado, devem preferencialmente evitar a cirurgia.

Nos pacientes em que a cirurgia está indicada, existem duas opções cirúrgicas.

A cirurgia tradicional consiste na remoção de todo o segmento aneurismático e substituição por um enxerto (prótese). Esta é uma operação de grande porte e, como já referido, traz alguns riscos. No entanto, ela é bem sucedido na maioria dos casos. O enxerto geralmente funciona bem para o resto da vida do paciente.

A cirurgia tradicional leva de 4 a 6 horas e é feita sob anestesia geral (leia: ANESTESIA GERAL | Quais os riscos?). Após a cirurgia, o paciente é levado para a unidade de terapia intensiva para monitoramento (leia: ENTENDA O QUE ACONTECE COM OS PACIENTES NA UTI). Os pacientes geralmente são capazes de ter alta hospitalar depois de quatro a sete dias, e podem retomar suas atividades normais em cerca de quatro a seis semanas.

Um procedimento cirúrgico mais recente e menos invasivo, chamado reparação endovascular tem apresentado sucesso na reparação dos aneurismas da aorta. Nesta técnica, um enxerto (stent) é levado até o local do aneurisma através da cateterização de uma artéria dos membros inferiores, geralmente a artéria femural. A técnica é semelhante à implantação de stents no cateterismo cardíaco (leia: CATETERISMO CARDÍACO | ANGIOPLASTIA | STENT).

A técnica endovascular é mais segura, pois não é exatamente uma cirurgia. O processo habitualmente leva de 1 a 3 horas e os pacientes costumam deixar o hospital dentro de 1 ou 2 dias. As atividades normais podem ser retomadas de 2 a 6 semanas.

Mas nem tudo é perfeito. Há menos experiência, menos dados sobre resultados a longo prazo e a taxa de sucesso da técnica endovascular não é tão alta quando a da cirurgia aberta. Além disso, com o tempo, o stent pode sair do lugar, obrigando a realização de um novo procedimento.

Atualmente os stents são mais indicados em pacientes idosos, com múltiplas condições médicas que aumentam o risco da cirurgia convencional.

Este post também está disponível em: Espanhol

TIPOS DE ANESTESIA – Geral, Local e Raquidiana e Peridural

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A anestesia é um procedimento médico que visa bloquear temporariamente a capacidade do cérebro de reconhecer um estímulo doloroso. Graças à anestesia, os médicos são capazes de realizar cirurgias e outros procedimentos invasivos sem que o paciente sinta dor.

Neste texto vamos explicar resumidamente quais os tipos mais comuns de anestesia na prática médica, incluindo:

  • Anestesia geral.
  • Anestesia peridural.
  • Anestesia raquidiana.
  • Anestesia local.

Sensação de dor

Para entendermos como funcionam as anestesias, vale a pena uma rápida explicação sobre o que é a dor.

A dor é um dos mecanismo de defesa mais importantes do nosso organismo, sendo ativada toda vez que um tecido nosso esteja sofrendo algum tipo de estresse ou injúria. Inicialmente, pode parecer estranho pensar que um mecanismo que serve para nos proteger provoque um sensação tão ruim quanto a dor. Mas, pense bem, se você encostar em uma superfície muito quente, o seu cérebro precisa lhe avisar para retirar a mão o mais depressa possível, antes que você sofra queimaduras graves. O melhor modo para que você responda imediatamente, sem pensar e sem questionar, é fazer-lhe sentir que aquela ação de encostar no calor seja algo extremamente desconfortável. Com a dor, você não só vai retirar a mão o mais rápido possível, como não irá querer pô-la de volta de modo algum.

Para podermos sentir dor, é preciso haver receptores para identificar lesões dos tecidos e nervos sensitivos especializados em transportar a sensação de dor. Nossa pele, por exemplo, é amplamente inervada por nervos sensitivos capazes de reconhecer eventos traumáticos mínimos. Quando sofremos um corte, uma queimadura, uma picada ou qualquer outra injúria do tecido da pele, estes nervos são ativados, enviando rapidamente sinais elétricos em direção à medula espinhal, que por sua vez, transporta-os para o cérebro, onde a sensação de dor é reconhecida.

Portanto, se quisermos bloquear a sensação de dor, podemos agir em três pontos:
1. No local exato onde a injúria está ocorrendo, através do bloqueio dos receptores da dor presentes na pele.
2. Na medula espinhal, bloqueando um sinal doloroso vindo de um nervo periférico, impedindo que o mesmo continue seu trajeto e chegue ao cérebro.
3. No cérebro, impedindo que o mesmo reconheça os sinais dolorosos que chegam a si.

Esse três modos de agir sobre a dor são os mecanismos básicos da anestesia local, anestesia regional e anestesia geral, respectivamente.

Objetivos da anestesia

O objetivo principal de qualquer uma das 3 modalidades de anestesia é bloquear a sensação de dor.

Nos procedimentos simples, onde apenas uma anestesia local é necessária, a única função da anestesia é mesmo cortar a dor. Todavia, em casos de cirurgia, principalmente as de grande porte, não basta apenas retirar a dor. Nestes, o procedimento anestésico também tem outras funções, como bloquear a musculatura do paciente, impedindo que o mesmo se mexa durante a cirurgia, e provocar amnésia, fazendo com que o paciente se esqueça de boa parte dos acontecimentos durante a cirurgia, mesmo que ele permaneça acordado durante o ato cirúrgico.

Tipos de anestesia

Como já referido, existem basicamente 3 tipos de anestesia: anestesia geral, anestesia regional e anestesia local. Vamos falar resumidamente sobre cada uma delas.

1. Anestesia geral

A anestesia geral é a modalidade anestésica indicada para as cirurgias mais complexas e de grande porte. Indicamos a anestesia geral quando o procedimento cirúrgico é muito complexo, não sendo viável anestesiar apenas uma região do corpo. É importante notar que o tipo de anestesia indicado para cortes na pele é completamente diferentes da anestesia que precisa ser feita quando se vai cortar uma parte do intestino ou retirar um órgão do abdômen. Em cirurgias extensas não é possível bloquear diferentes camadas e tecidos do organismos apenas com anestésicos locais.

Na anestesia geral, o paciente fica inconsciente, incapaz de se mover e, habitualmente, intubado e acoplado a um respirador artificial. Um dos motivos do paciente não sentir é pelo fato do mesmo estar profundamente sedado, como se o cérebro estive parcialmente “desligado” (leia: O QUE É O COMA INDUZIDO?).

Existe o mito de que a anestesia geral seja um procedimento anestésico perigoso. Não é verdade. Atualmente, a anestesia geral é procedimento bastante seguro. Na maioria dos casos, quando o paciente submetido a uma cirurgia extensa apresenta complicações, o motivo não é a anestesia geral. As complicações são geralmente derivadas de doenças graves que o paciente já possuía, como problemas cardíacos, renais, hepáticos ou pulmonares em estágio avançado, ou ainda, por complicações da própria cirurgia, como hemorragias ou lesão/falência de órgãos vitais.

Em pacientes saudáveis, a taxa de complicação da anestesia geral é de apenas 1,4 para cada 1 milhão de cirurgias. Portanto, problemas com anestesia geral são semelhantes a acidentes de avião: são raros, mas assustam, porque quando ocorrem, há intensa exposição na mídia, levando à falsa impressão de que são frequentes.

Se você quiser saber mais detalhes sobre a anestesia geral, temos um artigo exclusivo sobre esse tipo de anestesia: ANESTESIA GERAL | Quais são os riscos?

2. Anestesia regional

A anestesia regional é um procedimento anestésico usado em cirurgias mais simples, onde o paciente pode permanecer acordado. Este tipo de anestesia bloqueia a dor em apenas uma determinada região do corpo, como um braço, uma perna ou toda região inferior do corpo, abaixo do abdômen.

Os 2 tipos de anestesia regional mais usados são:
– Anestesia raquidiana (ou raquianestesia).
– Anestesia peridural.

2a. Anestesia raquidiana

Para realizar a anestesia raquidiana, uma agulha de pequeno calibre é inserida nas costas, de modo a atingir o espaço subaracnoide, dentro da coluna espinhal. Em seguida, um anestésico é injetado dentro do líquido espinhal (liquor), produzindo dormência temporária e relaxamento muscular.

A presença do anestésico dentro da coluna espinhal bloqueia os nervos que passam pela coluna lombar, fazendo com que estímulos dolorosos vindos dos membros inferiores e do abdômen não consigam chegar ao cérebro.

A raquianestesia é muito usada para procedimentos ortopédicos de membros inferiores e para cesarianas.

2b. Anestesia peridural

A anestesia peridural é muito semelhante a anestesia raquidiana, porém há algumas diferenças:
1- Na anestesia peridural o anestésico é injetado na região peridural, que fica ao redor do canal espinhal, e não propriamente dentro, como no caso da raquianestesia.
2- Na anestesia peridural, o anestésico é injeto por um cateter, que é implantado no espaço peridural. Enquanto na raquianestesia o anestésico é administrado por uma agulha uma única vez, na anestesia peridural o anestésico fica sendo administrado constantemente através do cateter.
3- A anestesia peridural pode continuar a ser administrada no pós-operatório para controle da dor nas primeiras horas após a cirurgia. Basta manter a infusão de analgésicos pelo cateter.
4- A quantidade de anestésicos administrados é bem menor na anestesia raquidiana.

A anestesia peridural é comumente usada durante o parto normal.

A complicação mais comum das anestesias raquidianas e peridurais é a dor de cabeça, que ocorre quando há extravasamento de liquor pelo furo feito pela agulha no canal espinhal. Essa perda de líquido provoca uma redução da pressão do liquor ao redor de todo o sistema nervosos central, sendo esta a causa da dor de cabeça.

Na próximas semanas escreveremos um artigo sobre a anestesia durante o parto, onde abordaremos as anestesias raquidiana e peridural com mais detalhes.

3. Anestesia local

A anestesia local é o procedimento anestésico mais comum, sendo usado para bloquear a dor em pequenas regiões do corpo, habitualmente na pele. Ao contrário das anestesias geral e regional, que devem ser administradas por um anestesiologista, a anestesia local é usada por quase todas as especialidades.

A anestesia local é habitualmente feita com a injeção de lidocaína na pele e nos tecidos subcutâneos. Ela serve para bloquear a dor em uma variedade de procedimentos médicos, como biópsias, punções de veias profundas, suturas da pele, punção lombar, punção de líquido ascítico ou de derrame pleural (leia: ASCITE | Causas e tratamento e DERRAME PLEURAL | Sintomas e tratamento), etc.

A anestesia local também pode ser feita através de gel ou spray, como nos casos das endoscopias digestivas, onde o médico aplica um spray com anestésico local na faringe de modo a diminuir o incômodo pela passagem do endoscópio (leia: ENDOSCOPIA DIGESTIVA ALTA).

A anestesia local funciona bloqueando os receptores para dor na pele e os nervos mais superficiais, impedindo que os mesmos consigam enviar sinais doloroso para o cérebro.

LIPOMA – Causas, Sintomas e Tratamento

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O lipoma é um tumor benigno constituído por células de gordura (células adiposas). Os lipomas costumam crescer no tecido subcutâneo, ou seja, logo abaixo da pele. Porém, apesar de menos comum, também é possível a ocorrência de lipomas mais profundos, que surgem nos músculos, nervos, órgãos internos ou na cavidade abdominal.

O lipoma não é câncer nem tem risco de virar câncer. Na maioria dos casos, o lipoma é totalmente assintomático e não necessita de nenhum tratamento, a não ser que ele seja esteticamente incômodo ou provoque dor.

Neste artigo vamos abordar as causas, os sintomas e as opções de tratamento do lipoma.

O que é o lipoma

Como já referido na introdução deste artigo, os lipomas são tumores benignos, sem risco de transformação maligna, compostos por gordura que se agrupa e forma uma protuberância arredondada por baixo da pele. O lipoma se destaca do restante do tecido gorduroso ao seu redor por ser revestido por uma cápsula fibrosa. Ele é, portanto, uma tumoração de gordura ao redor do tecido gorduroso.

Cerca de 1 a 2% da população tem um ou mais lipomas pelo corpo. Esse tipo de tumor é mais comum nos adultos e no sexo feminino. Na verdade, o lipoma pode surgir em qualquer idade, mas ele é raro em crianças e adolescentes, e se torna mais comum a partir dos 40 anos de idade.

Ainda não sabemos por que o lipoma surge. Como há uma clara tendência familiar para o desenvolvimento deste tumor, imagina-se que exista um forte componente genético na sua formação. Alguns casos de lipoma parecem surgir após um trauma local, mas essa relação ainda não foi comprovado.

Não há uma relação direta entre ter mais gordura e o risco de desenvolver lipomas. Ser obeso, por exemplo, não é um fator de risco. O lipoma é um tumor que ocorre frequentemente em pessoas magras. Locais habitualmente ricos em gordura, como a barriga, nádegas ou as mamas, também não são os pontos mais frequentemente acometidos. Parece haver, porém, um maior risco de surgimento do lipoma quando o indivíduo magro ganha peso subitamente. Esse lipoma, entretanto, não desaparece se o paciente voltar a emagrecer.

A ocorrência de lipomas também está associada a algumas doenças raras, tais como: adipose dolorosa (doença de Dercum), doença de Madelung, síndrome de Cowden ou síndrome de Gardner. Nesses casos é comum o paciente ter vários lipomas pelo corpo.

Sintomas do lipoma

Na imensa maioria dos casos, o lipoma é uma pequena protuberância arredondada que surge por baixo da pele. A maioria dos lipomas mede entre 1 e 3 cm, mas alguns deles podem chegar até mais de 10 cm de diâmetro. À palpação, um lipoma costuma ser uma massa homogênea, com bordas regulares, indolor, mole, com consistência elástica e móvel. Apesar de ser habitualmente indolor, alguns lipomas podem doer.

As características descritas acima ajudam a distinguir um lipoma de um tumor maligno, como o lipossarcoma. Tumores malignos costumam se apresentar como uma massa endurecida, pouco móvel, dolorosa à palpação e com bordas irregulares. O ritmo de crescimento do lipoma costuma ser bem lento, ao longo de anos, ao contrário dos tumores malignos, que, geralmente, crescem de forma mais rápida.

Ombros, pescoço, tronco e braços são os locais mais frequentemente acometidos pelo lipoma. Todavia, qualquer local do corpo onde exista gordura subcutânea pode desenvolver um lipoma.

Diagnóstico do lipoma

Na imensa maioria das vezes, apenas a palpação da tumoração é suficiente para definir que a lesão é um lipoma. Se, entretanto, a massa for dura, pouco móvel, dolorosa, ou se ela tiver qualquer outra característica incomum ao lipoma, o médico pode solicitar uma ultrassonografia ou uma biópsia da lesão para ter certeza que aquilo é uma tumoração benigna.

o principal diagnóstico diferencial é com o lipossarcoma, um tumor maligno que se origina das células gordurosas (leia: O QUE É UM CÂNCER?).

Tratamento do lipoma

Como o lipoma costuma ser uma massa pequena e indolor, ele não precisa de tratamento na grande maioria dos casos. Lipomas pequenos podem desaparecer espontaneamente, mas o que ocorre mais frequentemente é um lipoma permanecer “quieto” e inalterado durante anos.

Nos raros casos em que o lipoma cresce demais, dói ou se localizada em pontos esteticamente indesejáveis, como na face, por exemplo, a cirurgia para remoção do mesmo é uma opção. O procedimento costuma ser simples e rápido, podendo ser feito apenas com anestesia local (leia: TIPOS DE ANESTESIA). A lipossucção é outra alternativa de tratamento.

Em geral, o lipoma retirado não costuma recorrer.

10 SINTOMAS DA APENDICITE – Adultos e crianças

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A apendicite é uma doença extremamente comum, que acomete cerca de 7% da população, o que a torna uma das principais emergências médicas em todo o mundo. A apendicite geralmente surge entre os 10 e 30 anos, mas pode ocorrer em qualquer idade, apesar de ser rara nas crianças com menos de 2 anos.

O apêndice é um órgão com tamanho e localização variáveis, e a sua proximidade com outros órgãos da pelve e do abdômen podem fazer com que os sintomas de apendicite sejam parecidos com os de outras doenças. A dor abdominal do apêndice costuma fazer diagnóstico diferencial com várias outros problemas do abdômen ou da pelve, incluindo diverticulite, torção do ovário, gravidez ectópica e até cálculo renal.

Neste artigo iremos tratar exclusivamente dos possíveis sintomas da apendicite nos adultos e nas crianças. Se você procura informações mais abrangentes sobre a apendicite, incluindo suas causas, meios diagnósticos e formas de tratamento, acesse o seguinte link: APENDICITE | Sintomas, causas e tratamento.

Se você procura informações sobre os tipos e as mais frequentes causas de dor abdominal, acesse: DOR NA BARRIGA | DOR ABDOMINAL | Principais causas.

Sinais e sintomas da apendicite nos adultos

Os 10 sinais e sintomas mais comuns na apendicite são os seguintes:

  • Dor abdominal.
  • Enrijecimento da parede do abdômen.
  • Enjoos.
  • Vômitos.
  • Perda do apetite.
  • Febre.
  • Diarreia
  • Prisão de ventre.
  • Distensão abdominal.
  • Leucocitose (aumento do número de leucócitos no hemograma).

Nem todos os sinais e sintomas listados acima estão necessariamente presentes nos pacientes com apendicite aguda. Na verdade, alguns deles, tais como diarreia, prisão de ventre ou distensão abdominal, ocorrem em menos da metade dos casos.

A seguir, vamos falar com mais detalhes sobre cada um desses 10 sintomas, demonstrando a sua importância para o diagnóstico da apendicite. Vamos descrever primeiramente o quadro clínico da apendicite nos adultos e depois nos bebês, crianças e adolescentes.

DOR ABDOMINAL

O sintoma mais típico e presente em praticamente 100% dos casos de apendicite é a dor abdominal.  Como a dor abdominal pode ser causada por dezenas de problemas diferentes, conhecer as características típicas da dor da apendicite é importante para o seu diagnóstico.

a) Dor típica da apendicite

O apêndice em si é um órgão mal inervado, por isso, no início de um quadro de apendicite, quando a inflamação se restringe apenas ao apêndice, o cérebro tem alguma dificuldade em reconhecer o local exato do trato intestinal que está em sofrimento. Apesar do apêndice se localizar no quadrante inferior direito do abdômen, a dor de um quadro de apendicite nas suas primeiras 6 a 8 horas costuma ficar localizada ao redor do umbigo. O paciente não consegue determinar com exatidão o local que dói. Quando questionado, ele faz um movimento circular com o dedo indicador ao redor do umbigo.

Ao longo das primeiras 24 horas, conforme a inflamação se agrava e passa a atingir não só o apêndice, mas também as alças intestinais ao seu redor e o peritônio (membrana que envolve o trato gastrointestinal), o cérebro começa a receber mensagens mais precisas do local afetado, tornando-se claro para o paciente que há algum problema na região inferior direita do abdômen.

Este padrão de dor mal localizada ao redor do umbigo, que em questão de horas migra para o quadrante inferior direito do abdômen, tornando-se restrita a um ponto bem determinado, é o sintoma mais típico da apendicite, ocorrendo em mais de 60% dos casos. Toda vez que um médico atende um paciente com esse tipo de dor abdominal, a hipótese de apendicite deve ser priorizada.

Quando o peritônio é acometido, a dor da apendicite intensifica-se, e a palpação do abdômen torna-se muito dolorosa. A dor costuma também agravar-se quando o paciente tosse, tenta andar ou fazer qualquer movimento brusco com o tronco.

Ao exame físico, há um sinal típico da apendicite aguda chamada dor à descompressão ou sinal de Blumberg. Esse sinal é investigado da seguinte maneira:  pressionamos com a mão a região inferior direita do abdômen e perguntamos ao paciente se ele sente dor. Em geral a resposta é sim.  Em seguida, retiramos de forma súbita a mão que pressionava a barriga e observamos o comportamento do paciente. Quando há uma apendicite, com irritação do peritônio, essa rápida retirada da mão provoca uma intensa dor no local, bem mais forte que a dor provocada pela compressão do abdômen.

Ainda no exame físico, outro achado comum é um enrijecimento da musculatura abdominal. Quando o paciente tem um processo inflamatório intra-abdominal, a tendência é que haja uma contratura involuntária dos músculos naquela região, uma sinal que chamamos de “defesa abdominal”. Ao se palpar o abdômen de um paciente com apendicite, nota-se que a parede abdominal à direita encontra-se endurecida e bastante dolorosa.

b) Outros padrões de dor da apendicite

Na verdade, quando o paciente apresenta-se ao serviço de emergência com a típica dor da apendicite, poucos são os médicos que têm dificuldades em estabelecer o diagnóstico. O problema ocorre quando o paciente apresenta um padrão atípico de dor, ou quando o mesmo não consegue descrever os seus sintomas de forma adequada, como nos casos de crianças muito pequenas ou idosos com demência. Pacientes imunossuprimidos, que não desenvolvem processos inflamatórios exuberantes, também podem ter apresentações atípicas da apendicite.

Em cerca de 15% das pessoas o apêndice localiza-se mais posteriormente, fazendo com que o local da dor da apendicite seja diferente. Em vez da típica dor no quadrante inferior direito, o paciente pode queixar-se de dor lombar  à direita, dor no quadrante superior direito ou dor em todo o flanco direito.

Há também aqueles pacientes com apêndices mais baixos, cuja ponta se estende até a região da pelve. Nestes casos, a dor pode ser na virilha à direita, no ânus ou na região púbica. Evacuar ou urinar podem provocar exacerbações da dor.

c) apendicite com dor no lado esquerdo do abdômen

Como vocês já devem ter notado, mesmo nos casos atípicos, a dor da apendicite costuma ficar restrita ao lado direito do abdômen. Apesar de raro, não é impossível que o paciente com apendicite tenha dor do lado esquerdo do abdômen, caso o apêndice seja mais comprido que o habitual e estenda-se até o lado esquerdo da cavidade abdominal. Porém, apendicite não deve ser a primeira hipótese diagnóstica nos pacientes com dor abdominal no lado esquerdo, exceto nos raros casos de situs inversus (condição rara na qual os pacientes apresentam órgãos do tórax e abdômen em posição oposta àquela esperada).

NÁUSEAS, VÔMITOS E PERDA DO APETITE

Náuseas, vômitos e perda do apetite são três sintomas que costumam vir em conjunto logo após o início da dor abdominal. Este mal-estar costuma ocorrer em até 90% dos casos de apendicite.

Como todos sabem, náuseas, com ou sem vômitos, e perda do apetite são sintomas muito inespecíficos, que podem surgir em uma enormidade de problemas médicos distintos. Porém, quando associados a um padrão de dor abdominal periumbilical que se agrava e migra para o quadrante inferior direito dentro de 24 horas, eles tornam a hipótese diagnóstica da apendicite extremamente provável.

A tríade clássica de sintomas da apendicite é dor abdominal, vômitos e perda do apetite.

FEBRE

A febre não costuma estar presente nas primeiras horas de evolução, principalmente nas crianças e nos idosos. Algumas pessoas, porém, podem ter febre baixa, com temperaturas ao redor de 37,5ºC e 38ºC.

Febre elevada não costuma ocorrer nos quadros de apendicite, exceto nas situações mais graves, quando há perfuração do apêndice e extravasamento de material fecal dos intestinos para dentro da cavidade abdominal, o que gera uma intensa reação inflamatória e grave infecção.

DIARREIA OU PRISÃO DE VENTRE

Diarreia significativa é um sinal incomum na apendicite. Quando presente, o médico deve considerar outros diagnósticos prioritariamente, embora não deva excluir totalmente a possibilidade de apendicite.

Pacientes que possuem um apêndice numa localização mais pélvica podem ter diarreia, caso a inflamação da apendicite acometa também o reto. Em geral, porém, o que o paciente tem não é propriamente uma diarreia, mas sim um aumento na frequência das evacuações, sem necessariamente haver grandes perdas de fezes líquidas.

Assim como ocorre na diarreia, a constipação intestinal não é um sintoma típico da apendicite. A maioria dos pacientes não o tem, mas isso não significa que ela não possa fazer parte do quadro clínico de uma apendicite.

LEUCOCITOSE

A leucocitose é um sinal laboratorial que significa um aumento do número de leucócitos no sangue. Os leucócitos são uma das mais importantes células de defesa do nosso sistema imune. Quando há uma infecção ou processo inflamatório extenso em curso, uma das primeiras previdências que o nosso sistema imunológico toma é aumentar a produção dos leucócitos.

Mais de 80% dos pacientes com apendicite aguda apresentam leucocitose no exame de hemograma. Quanto mais intensa é a leucocitose, em geral, mais extenso é o processo inflamatório.

Se você quiser entender melhor os resultados do seu hemograma, leia: HEMOGRAMA | Entenda os seus resultados

Sinais e sintomas da apendicite em bebês, crianças e adolescentes

O quadro clínico da apendicite em adolescentes é basicamente o mesmo dos adultos. Já nas crianças com menos de 12 anos, os sintomas podem ser um pouco diferentes.

a) Sintomas da apendicite em crianças entre 5 e 12 anos

Assim como nos adultos, a dor abdominal e os vômitos são os sintomas mais comuns nas crianças em idade escolar, embora a característica migração da dor da região periumbilical para o quadrante inferior direito possa não ocorrer.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Dor no quadrante inferior direito do abdômen – 82%
  • Náuseas – 79%
  • Perda do apetite – 75%
  • Vômitos – 66%
  • Febre – 47%
  • Diarreia- 16%

b) Sintomas da apendicite em crianças entre 1 e 5 anos

A apendicite é incomum em crianças com menos de 5 anos. Febre, vômitos, dor abdominal difusa e rigidez abdominal são os sintomas predominantes, embora irritabilidade, respiração ruidosa, dificuldade para andar e queixas de dor na região direita do quadril também possam estar presentes.

A típica migração da dor para o quadrante inferior direito do abdômen ocorre em menos do que 50% dos casos. Diarreia e febre, todavia, são bem mais comum que nos adultos. As crianças pequenas costumam apresentar febre baixa (ao redor de 37,8ºC) e ruborização das bochechas.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Dor abdominal – 94%
  • Febre – 90%
  • Vômitos – 83%
  • Dor à descompressão – 81%
  • Perda do apetite – 74%
  • Rigidez abdominal – 72%
  • Diarreia- 46%
  • A distensão abdominal – 35%

c) Sintomas da apendicite em crianças com menos de 1 ano

Se a apendicite em crianças com menos de 5 anos é incomum, a apendicite em recém-nascidos e no primeiro ano de vida é ainda mais rara. A baixa frequência de apendicite nesta faixa etária deve-se provavelmente ao formato mais afunilado e menos propenso à obstrução do apêndice, em oposição ao formato mais tubular do órgão nos adultos e crianças mais velhas.

Apesar de rara, infelizmente, a mortalidade neonatal de apendicite é de quase 30%, pois o diagnóstico precoce é muito difícil, já que o quadro clínico costuma ser bem atípico. A distensão abdominal é mais comum que a própria dor abdominal, fato provocado provavelmente porque bebês não conseguem se comunicar adequadamente.

A frequência dos sinais e sintomas da apendicite nesta faixa etária é a seguinte:

  • Distensão abdominal – 75%
  • Vômitos – 42%
  • Perda do apetite – 40%
  • Dor abdominal – 38%
  • Febre – 33%
  • Inflamação da parede abdominal – 24%
  • Irritabilidade ou letargia – 24%
  • Dificuldade respiratória – 15%
  • Massa abdominal – 12%
  • Sangramento nas fezes – 10%

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MORDIDA DE CACHORRO – Cuidados e Tratamento

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O cão pode até ser o melhor amigo do homem, mas isso não impede que milhões de pessoas sejam mordidas por estes animais todos os anos. Não existem dados confiáveis no Brasil, mas nos EUA a estimativa é de cerca de 4.5 milhões de pessoas mordidas por cachorros, com variados graus de gravidade, todos os anos. As crianças, principalmente aquelas entre 5 e 9 anos, são as mais afetadas. Destas 4.5 milhões de mordidas, cerca de 900 mil (20%) evoluem com infecção da ferida.

Quando uma pessoa é mordida por um cachorro, a primeira coisa que vem a cabeça é o risco de contaminação pelo vírus da raiva. Atualmente, porém, a raiva não é a principal complicação das mordias caninas, pois esta é uma doença relativamente rara nos dias de hoje. As complicações mais frequentes das mordidas de cães são a infecção bacteriana da ferida provocada ou a lesão traumática da pele, músculos, vasos, nervos e dos tendões, principalmente quando a mordida é provocada por cães grandes e com músculos maxilares fortes, tais como Pitbull, Rottweiler, Mastim, Pastor Alemão e Fila brasileiro.

Neste artigo vamos explicar quais são os problemas mais comuns que podem surgir em decorrência de uma mordida de cachorro e quais são os tratamentos e cuidados necessários para minimizar os riscos de complicações.

Tipos de mordida de cachorro

Dependendo da raça do cão, as mordidas podem causar basicamente três tipos de lesão: perfuração, dilaceração ou esmagamento.

Os dois últimos tipos de mordida são aqueles que possuem o maior risco de causar lesões graves em estruturas internas, inclusive fratura óssea, ou deixar cicatrizes permanentes na pele. Já as mordidas penetrantes têm como maior risco de complicação a contaminação da ferida e o desenvolvimento de infecções bacterianas na pele.

Qualquer mordida de cachorro pode provocar uma infecção, mas as feridas penetrantes são as mais perigosas pois elas inoculam bactérias naturais da boca do cão profundamente na pele, o que é mais difícil de limpar.

As mordidas caninas leves, que provocam apenas arranhões superficiais, sem causar sangramento ou exposição das camadas inferiores da pele, são menos preocupantes, pois o risco de infecção é baixo. Para haver infecção, as bactérias precisam passar pela barreira protetora da pele.

Nos adultos, os locais mais habitualmente atacados por cães são as mãos, braços e pernas. Já nas crianças, braços, cabeça e pescoço são os locais mais acometidos.

Na maioria dos casos, a mordida é provocada por um cão conhecido, muitas vezes da própria família. Crianças são as vítimas mais comuns, pois elas são mais estabanadas, têm menos noção do perigo e menor capacidade de reconhecer quando um cachorro está prestes a atacar.

Infecção da mordida de cachorro

A flora bacteriana natural da boca dos cães possuem mais de 60 gêneros de bactérias diferentes, muitas delas capazes de provocar infecções no homem. Apenas a título de exemplo, uma mordida de cachorro pode provocar uma infecção pelos seguintes gêneros de bactérias:

  • Bacteroides.
  • Corynebacterium.
  • Clostridium.
  • Eikenella.
  • Enterobacter.
  • Fusobacterium.
  • Haemophilus.
  • Klebsiella.
  • Moraxella.
  • Neisseria.
  • Pasteurella.
  • Porphyromonas.
  • Prevotella.
  • Proteus.
  • Staphylococcus.
  • Streptococcus.

Geralmente, uma mordida infectada de cachorro é provocada por mais de um tipo de bactéria. Algumas vezes, por até 5 tipos de bactérias ao mesmo tempo. As bactérias do gênero Pasteurella são as que mais frequentemente provocam infecção da ferida, sendo responsáveis ou corresponsáveis por mais de 50% das infecções.

Os sinais e sintomas de infecção da ferida costumam aparecer dentro das primeiras 24 horas, mas, às vezes, podem surgir já nas primeiras 8 horas após a mordida. Febre, inchaço, intensa vermelhidão, dor, drenagem de pus, formação de abcesso ou necrose da pele são os achados clínicos mais comuns.

Se não tratada adequadamente, a infecção da mordida pode causar complicações, tais como osteomielite (infeção do osso), artrite séptica (infecção da articulação) ou tenossinovite (infecção dos tendões). Nos casos mais graves, as bactérias podem se espalhar pela corrente sanguínea, provocando infecção generalizada e choque séptico (leia: O QUE É CHOQUE SÉPTICO?).

Transmissão de raiva pela mordida de cachorro

A raiva é uma doença de origem viral que possui uma taxa de mortalidade de praticamente 100%. Não há tratamento eficaz, mas a profilaxia (prevenção) é possível através de vacina ou imunoglobulina.

A raiva é transmitida através da saliva do cão. A mordida é o principal meio de inoculação da saliva infectada no organismo humano.

Todo indivíduo mordido por um cão deve primeiramente tentar obter sua carteira de vacinação para saber se o animal está devidamente vacinado, uma vez que cães vacinados não são fontes de transmissão da raiva. Se o cachorro estiver com a vacina em dia, não há necessidade de iniciar qualquer tratamento, a não ser que o animal passe a apresentar sintomas da raiva poucos dias depois da mordida.

Nos cães, o tempo máximo de evolução da doença, desde o aparecimento do vírus na saliva até a sua morte, é de apenas 10 dias. Portanto, quando alguém é mordido por um cachorro, indica-se a observação do animal por até 10 dias. Se o cão não adoecer neste intervalo é porque ele não estava contaminante no dia da mordida, não havendo, portanto, risco algum de raiva para o paciente, mesmo que o cão não esteja com a vacina em dia.

Se o animal for um cão de rua, sem dono, é importante capturá-lo para que ele possa ser analisado por um veterinário, de modo a procurar sinais do vírus da raiva. Se a captura do animal não for viável, o tratamento profilático (preventivo) deve ser indicado, partindo do princípio que este esteja contaminado com o vírus da raiva. Portanto, o tratamento deve ser iniciado o mais rápido possível, já que a profilaxia contra a raiva é considerada uma urgência médica.

Para saber mais detalhes sobre os sintomas, formas de transmissão e prevenção da raiva, acesse o seguinte artigo: RAIVA HUMANA – Transmissão, Sintomas e Vacina.

O que fazer após uma mordida de cachorro

O primeiro passo após uma mordida de cachorro é limpar vigorosamente a área ferida com água e sabão por pelo menos 5 minutos. Se houver sangramento, o local deve ser comprimido para até que a hemorragia seja estacada.

Atendimento médico deve ser buscado imediatamente em caso de sangramentos que não cessam, lesões extensas que precisem ser suturadas, mordidas com grave lesão da pele, principalmente se houver exposição de estruturas internas, tais como músculo, nervos e tendões, suspeita de fratura de osso, lesão dos tendões ou mordidas penetrantes profundas. Lesões que parecem estar a piorar com o passar das horas também devem sempre ser avaliadas por médicos.

O tratamento com antibiótico está indicado em todos os casos que houver suspeita de infecção da ferida. Porém, em alguns casos específicos, os antibióticos podem ser iniciados de forma profilática, ou seja, antes de haver sinais claros de infecção da pele. São eles:

  • Feridas penetrantes e profundas.
  • Lesões graves com esmagamento da área afetada.
  • Múltiplas mordidas pelo corpo.
  • Lesões com comprometimento dos vasos sanguíneos.
  • Mordidas nas mãos, face ou genitália.
  • Mordidas que necessitam de sutura.
  • Pacientes que tenham possuam algum grau de imunossupressão.

Amoxicilina com ácido clavulânico costuma ser o antibiótico de escolha para o tratamento de infecção por mordida (leia: AMOXICILINA COM CLAVULANATO – Bula simplificada).

Indivíduos cuja última dose da vacina contra tétano já tenha mais de 10 anos devem receber uma dose de reforço da vacina (leia: TÉTANO – Causas, Sintomas e Vacina), pois o Clostridium tetani é uma das bactérias que podem ser inoculadas através da mordida.

Se o médico considerar que a ferida conseguiu ser bem lavada e há baixo risco de infecção, a lesão pode ser suturada. Entretanto, há situações em que o risco de infecção da ferida é muito grande, e a lesão deve ser deixada aberta para que cicatrize naturalmente. São elas:

  • Mordidas nas mãos ou pés.
  • Mordidas profundas.
  • Mordidas com mais de 12 horas.
  • Mordidas em pacientes imunossuprimidos.

Nestas situações citadas acima, a sutura da ferida pode aumentar o risco de infecção, senso assim desaconselhada.

Este post também está disponível em: Espanhol

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